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7. Presente (In)esperado


Fic: Entrelinhas Ron e Hermione - Intuições - Ano 5 - COMPLETA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Como
já acontecera em tantas manhãs, Hermione desperta pensando em Ron. Tinha ido dormir chateada com o aparente marasmo do rapaz que, mesmo demonstrando ciúmes de Krum, jamais admitia esse sentimento e parecia indiferente a menina. “Vou deixar Ron sem graça, mas ele terá que me responder por que se irrita tanto quando falo o nome de Krum”, pensou.


Ao começar a se arrumar, a menina estranhou o fato da cama de Gina estar vazia. Geralmente ela levantava antes da ruiva. Na noite anterior, assim como já fizera muitas vezes, havia colocado o feitiço abafador ao redor de sua cama. Assim dormia melhor, sem ouvir os ruídos do quarto, especialmente os risinhos de Lilá e Pavarti que pareciam ter sempre muito assunto a colocar em dia.


Ao descer as escadas do dormitório, Hermione se surpreende ao encontrar com a professora Minerva. “Bom dia, senhorita Granger. Poderia vir à minha sala? Precisamos conversar em particular”, convida a diretora da Grifinória. A menina responde ao cumprimento e logo segue Minerva, que andaapressada. O coração de Mione bate acelerado. Será que alguma coisa tinha acontecido com Ron ou com Harry?


No momento que entram na sala, antes da professora sentar, a menina tem finalmente a oportunidade de perguntar.


- O que houve? Foi alguma coisa com Ronald Weasley ou foi com Harry? Algum deles está ferido? – questiona num só fôlego, com o rosto muito pálido.


- Calma, Hermione Granger. Seus amigos estão bem. Aliás, ninguém mais corre perigo de vida – responde.


- Como assim? Alguém corria perigo de vida? – pergunta, com os olhos arregalados.


- Arthur Weasley sofreu um acidente ontem à noite no Ministério e Dumbledore achou melhor que Harry e todos os irmãos Weasley fossem imediatamente para Grimmauld Place. Arthur está no Hospital St. Mungus, mas seu quadro já se encontra estável - fala a professora.


- Por que não me avisaram? Eu queria ter ido com eles! – diz a menina com a voz estridente, denunciando todo o seu nervosismo.


- Senhorita Granger, o recesso começa amanhã. Ainda há atividades hoje e, como monitora, você tem responsabilidades a cumprir. Os irmãos Weasley precisaram ir porque o acidente foi como pai deles. Harry que... digamos... previu esse acontecimento, foi autorizado por Dumbledore a acompanhá-los – argumenta em tom severo.


- Mas eu gostaria de estar com eles... Será que não posso ir para lá amanhã? – pergunta com a voz mais tranquila.


A professora responde que agora dependia dos pais da menina, que deveriam autorizar. “Mande uma coruja para eles”, sugere, despedindo-se de Hermione e dizendo para ela ir tomar café.


Hermione sente-se angustiada. Não vai conseguir ficar bem com a sua família sabendo que o pai de Ron sofreu tão grave acidente. Quer estar ao lado do ruivo e também de Harry, que previu o ataque.


Sabe, no entanto, que os pais não vão compreender o real motivo de não querer passar o Natal com eles. Decide escrever dizendo que está preocupada com a proximidade dos exames dos Níveis Ordinários de Magia e precisa estudar nos dias do recesso. Mesmo se os pais não gostam muito de receber e mandar correspondência por intermédio de corujas, pede que a respondam assim diante da urgência da situação. O casal Granger, mesmo contrariado, dá a sua autorização a menina.


xxx


No final da tarde, assim que recebe a resposta dos pais, Hermione escreve aos amigos comunicando sua decisão. Resolve fazer uma carta apenas, endereçada a Molly Weasley e família, extensiva a Harry. Quem recebe a correspondência é Gina, que logo comunica a Ron e aos gêmeos, que estavam na sala: “Chegou uma carta da Mione!”


- Deixa eu ver a carta – pede Ron, sem esconder a ansiedade – Deve ser para mim.


- Nada disso! – responde, desvencilhando-se de Ron, que havia se levantado e esticava o braço em direção ao envelope que a irmã segurava - A carta está endereçada a mamãe e vou entregar para ela.


- Eu entrego, então – falou o rapaz e, como a menina não responde, se limitando a olhar para ele com indiferença, Ron a segue até a cozinha, onde estava a mãe.


- Mãe, Hermione escreveu para você – fala rapidamente a menina assim que avista Molly.


Ron fica parado à porta, com cara de poucos amigos. Logo atrás dele surgem mais duas cabeças ruivas, de Fred e Jorge, que acompanharam com muitas risadas a discussão dos irmãos.


- Muito bem – diz a mãe olhando de um filho para o outro – Pelo visto todos querem saber o que diz a carta. Podem deixar que lerei em voz alta.


Abrindo com tranquilidade o envelope, Molly tira a carta escrita em papel azul claro e começa a ler:


Queridos Molly, Gina, Ron, Fred, Jorge e Harry,


Soube hoje pela manhã do acidente com o sr. Weasley e fiquei muito preocupada. Agora à tarde a professora Minerva me informou que o quadro dele é estável e senti-me aliviada. Ainda assim, gostaria de estar com vocês e ajudar no que precisarem. Meus pais concordaram que eu não viajasse com eles no Natal e planejo chegar ao Grimmauld Place amanhã, por volta das 18h. Caso por algum motivo não possam me receber, não tem problema. Peço apenas que me comuniquem.


Um abraço a cada um, afetuosamente,


Hermione


- Viu, Ron? A carta não tem qualquer menção especial a você! Seu nome só aparece na saudação inicial e, mesmo assim, depois do nome da mamãe e do meu – provoca Gina.


- Você, definitivamente, está cada dia mais parecia com Fred e Jorge. Com certeza é irmã deles, e não minha – diz Ron elevando a voz.


- Crianças, parem com essa discussão! Vocês sabem que não admito briga entre irmãos – protesta Molly.


- Ron tem razão, maninha – começa Jorge.


- Você falou exatamente o que queríamos dizer a ele – conclui Fred.


- Saiam todos daqui. Vou responder a carta de Hermione dizendo que ela pode vir – diz Molly no momento que Ron deixava a cozinha.


Muito chateado, Ron sai à procura de um local tranquilo, onde não precisasse ouvir as zombarias dos irmãos. Resolve caminhar nos sinistros jardins da casa e, depois de mais de meia hora andando em círculos, senta-se num dos bancos do lugar.


Não conseguia entender porque teve aquela reação, quase tomando a carta das mãos de Gina. Queria ver a letra de Hermione, ler ele mesmo a mensagem da amiga, mas, para não ser ainda mais zombado pelos irmãos, decidira sair da casa.


Ele havia ido deitar, na noite anterior, pensando na amiga. “Por que ela ainda se corresponde com aquele idiota do Krum. Queria tanto que Mione me desse mais atenção ao invés de gastar tanto tempo com ele”, pensava, quando começou a ouvir os gritos de Harry.


Tudo aconteceu muito rápido depois que Harry afirmou que tinha visto Arthur ser atacado. Ron logo estava no Grimmauld Place, mas Mione não lhe saía da cabeça. Imaginava o que a menina iria sentir quando soubesse do acidente, como ficaria chateada por não ter sido avisada na mesma hora. Lembrando da amiga, porém, um pensamento o pegou mais uma vez distraído. “Hermione está cada dia mais bonita”, falava para si mesmo, reprimindo-se em seguida.


Perdido nesses pensamentos, Ron nem percebe que alguém se aproxima. Quando se dá conta, Gui está sentando ao seu lado.


- Tudo bem? Em que você estava pensando? – pergunta o irmão mais velho, por quem tem uma amizade e admiração especial.


- Nada de mais. Aconteceram tantas coisas de ontem para hoje que ainda não assimilei tudo muito bem – responde.


Os dois começam a conversar sobre o acidente com o pai. Pouco depois, Ron toma coragem para fazer uma pergunta ao irmão.


- Gui, é possível que o sentimento que a gente tem por uma garota mude com tempo?


-Você está perguntando se podemos deixar de gostar de uma menina pela qual achávamos estar apaixonados e passar a amar alguém que antes nos era indiferente?


- Não é bem assim – diz o rapaz, que ainda não entendia bem o seu sentimento por Hermione – O que estou perguntando é se a gente pode passar a olhar de uma forma diferente uma menina que sempre foi nossa amiga.


Gui sabia exatamente de quem o irmão mais novo falava. Tinha observado Ron e Hermione desde o ano anterior e notava a forte ligação, marcada também por brigas, que existia entre os dois. Sabia que, cedo ou tarde, eles entenderiam que se amavam de verdade.


- Bem, as meninas, por volta dos 15 anos, ficam realmente muito bonitas. É difícil não se deixar atingir pelo encanto delas. Parece até que lançaram um feitiço na gente – diz divertido.


Ron deu uma gargalhada. Como o irmão conseguia explicar tão bem o que ele estava sentindo, pensou. “Você tem razão, Gui. É exatamente assim. Mas isso se torna chato, diria até constrangedor, quando a menina é nossa amiga”, tenta explicar.


- Sei exatamente como é isso. Mas precisa ficar atento. Pode ser uma simples atração, que aos poucos se normaliza, quando nos acostumamos a ter amiga tão bonita, mas, ainda assim, apenas amiga. Por vezes, no entanto, essa atração não se equilibra. Pelo contrário, aumenta a cada dia. Hora de estar alerta porque a amizade pode ter se transformado em amor – fala com simplicidade.


Ron, que entendera perfeitamente a explicação de Gui, sentia-se aliviado, imaginando que aqueles sentimentos conturbados iriam se acalmar, e ao mesmo tempo apavorado. Afinal, Hermione estava cada dia mais linda aos seus olhos.


Diante do silêncio do irmão mais novo, Gui resolveu estimular a confidência. “Ron, se você não quiser falar sobre isso, tudo bem. Mas se sentir necessidade de desabafar, pode ter certeza que o que conversamos aqui vai ficar só entre nós dois”.


Ron encontrou-se diante de um impasse. Nunca tinha falado sobre aquele assunto com ninguém. Nem mesmo refletira o suficiente sobre os sentimentos confusos que experimentava por Hermione desde o ano anterior. Por muitos motivos, o melhor seria permanecer calado. Ao mesmo tempo intuía que se alguém pudesse olhar de fora e explicar para ele o que estava acontecendo, poderia acalmar o seu coração. Foi com essa inspiração que finalmente tomou coragem para se abrir com o irmão.


- Gui, nem sei muito bem o que dizer. Na verdade, acho que estou apenas confuso. É que... eu nunca tinha reparado muito na Hermione... quer dizer, nunca a tinha achado bonita, entende? Para mim era uma menina normal. Ou melhor, nem tão normal assim porque ela sempre se destacou por ser muito inteligente.


- Sei, claro. Hermione realmente é muito inteligente – diz Gui, tentando motivar o irmão a continuar a se abrir.


- Então eu... Bem, no ano passado teve o Baile de Inverno, a gente devia chamar alguma garota para dançar... Não passava pela minha cabeça convidar Hermione. Eu tinha uma lista de meninas que considerava bonitas e ela, definitivamente, não estava incluída. Eu sei que ela não é feia, mas, na verdade, eu a olhava só como amiga...


- Entendo perfeitamente bem, Ron. Mas quando isso começou a mudar?


- Voltando ao baile... Eu estava com dificuldade de encontrar um par e, quando Neville contou que havia convidado Hermione, mas ela não aceitou, foi que me dei conta que poderia chamá-la para me acompanhar. Quer dizer, eu falei que ela podia ir ao baile comigo ou com o Harry. Mione é legal na maior parte do tempo, seria uma boa companhia. Mas ela respondeu que não podia, que estava indo com outra pessoa – continua, ficando cada vez mais à vontade para contar aquele episódio para o irmão.


- Certo, então ela não foi ao baile com você?


- Não, ela foi com o Vítor Krum...


- O jogador de quadribol búlgaro, que estava participando do Torneio Tribuxo? Sério?!


- É, eu também fiquei surpreso porque Hermione... bem, ela nunca fez muito sucesso com os garotos, pelo menos com os de Hogwarts. Mas a verdade é que ela estava simplesmente linda no baile. Eu nem acreditei que era Hermione quando a vi entrar...


- Mas depois passou o baile, ela voltou a ser a menina de sempre – pondera.


- Claro, sim, mas... eu passei a reparar mais nela depois desse dia. Tem horas que a vejo simplesmente como a amiga de tantos anos, inclusive com todos os seus defeitos. Mas de vez em quando me surpreendo admirando a beleza dela. Claro que não gosto de Mione... quer dizer, gosto apenas com amiga. Só estava confuso, mas como você esclareceu que isso é normal...


- Isso mesmo, Ron, não se preocupa com isso. Continue tratando Hermione com amizade. Se tiver que acontecer algo entre vocês, vai ser tão natural que não vale a pena sofrer por antecipação – conclui Gui, abrindo um sorriso para o irmão.


Ron também sorri. Sentia-se tranquilo depois da conversa com o irmão mais velho. Lembrou que ainda não tinha comprado presentes de Natal para os amigos e não fazia ideia do que poderia dar para Mione. Comentou com Gui e ele sugeriu um perfume.


- Toda menina gosta, mas é preciso escolher com cuidado, ver uma fragrância que realmente combine com ela – explica, omitindo do irmão o fato que, segundo a tradição bruxa, acertar o perfume era confirmar a existência do amor.


Como Gui disse que não poderia ir com ele ao Beco Diagonol e Harry continuasse recluso no quarto, se recusando a descer até mesmo para participar das refeições, Ron tomou coragem e convidou Gina para acompanhá-lo. Achou que precisaria da ajuda dela para escolher um presente tão diferente assim, mas temia que a irmã continuasse a provocá-lo. “Se zombar de mim, largo você por lá sozinha e volto para Grimmauld Place”, ameaçou.


Na manhã seguinte, Ron e Gina vão ao Beco Diagonal na companhia de Tonks. Por decisão da Ordem da Fênix, nenhum dos Weasley poderia andar sozinho. A ruiva estava se divertindo com a oportunidade de acompanhar Ron naquele momento. Há muito tempo ela intuía que o irmão era apaixonado pela amiga. Mas sabia que se insinuasse qualquer coisa o rapaz ficaria brigado com ela pelo resto da vida.


- Ron, por que você quer dar um perfume de presente para Mione? Essa é uma escolha muito pessoal. Você não tem medo de errar? – questiona Gina.


- Claro que não. É só escolher uma fragrância legal que ela vai gostar – responde sem muita convicção.


Quando entraram na loja, Ron sente-se perdido ao ver tantos frascos de cores, formatos e tamanhos diferentes. A balconista, uma simpática e jovem bruxa loira de baixa estatura, pergunta que tipo de perfume eles queriam. “Temos os adocicados, os amadeirados, os exóticos... exatamente qual tipo de fragrância vocês procuram?”, os interroga.


- Quero uma fragrância suave e forte ao mesmo tempo. Feminina e poderosa. Tem algo assim? – pede o ruivo.


Gina ficou boquiaberta. Como Ron tinha tanta certeza sobre o tipo de perfume que queria? Ele, que era tão inseguro em vários momentos, agora se mostrava decidido assim. A vendedora sussurra perguntando se ele tem intenções românticas com o perfume. “Isso não interessa”, responde com firmeza. Um pouco sem graça, a moça se afasta e vai até uma prateleira onde alcança um vidrinho azul.


Ron e Gina cheiram o primeiro perfume. A menina gosta, mas o irmão diz que é “delicado e doce demais”. A vendedora volta com um frasco vermelho e a fragrância, intensa e inebriante, também não agrada ao ruivo. Por fim a moça traz um vidro perolado com a tampa dourada em formato de flor. Ron aprova na mesma hora. “É exatamente esse que eu quero”, diz, se recusando a experimentar outros.


- Acho que vim aqui só a passeio. Você não precisou de minha ajuda – diz Gina, ainda admirada com o fato do nome do perfume ser “Eternity”.


- Pensei que você também tinha aprovado o perfume que escolhi...


- Gostei muito, mas não tive participação alguma na escolha – responde sorridente.


xxxx


O coração de Hermione estava aos saltos e não era apenas pela emoção de andar pela primeira vez de Noitebus. Ela temia a própria reação quando se encontrasse mais uma vez frente a frente com Ron. Ao mesmo tempo, nada mais desejava do que estar com o amigo, saber como vivera os momentos de apreensão ao receber a notícia do acidente do pai.


Hermione foi acompanhada por Tonks durante a viagem. Conversaram sobre diferentes assuntos e a auror deixou escapar que havia ido naquela manhã com Gina e Ron ao Beco Diagonal. “O que eles foram fazer lá?’, perguntou espontaneamente. “Foram comprar presentes de Natal. Molly achou bom, já que assim podiam se distrair um pouco”, comentou. “Será que Ron comprou meu presente”, pensou, lembrando do álbum e das fotos que havia recebido no aniversário.


Tonks entrou na sala da antiga residência dos Black se anunciando e logo algumas cabeças vermelhas se levantaram, a primeira delas correndo ao encontro de Hermione. Era Gina, que deu um abraço bem apertado na amiga. “Que bom que você veio passar o Natal com a gente”, comemorou a ruiva.


Os gêmeos se aproximaram e cumprimentaram a menina com dois beijinhos no rosto, o que normalmente não faziam. “Mionizinha, seja bem-vinda”, falou Jorge. “Pensamos que ia passar o Natal na Bulgária”, completou Fred. Afastaram-se de Hermione dando risadas maliciosas e olhando para o irmão mais novo.


O rapaz, que estava um pouco atrás, parecia paralisado. Hermione ficou tão feliz em ver o amigo que não esperou por ele e tomou a iniciativa. “Oi, Ron! Como você vai?”, perguntou, dando um beijo no rosto do menino. Um pouco sem graça, com as orelhas vermelhas, ele se inclinou e beijou a testa da amiga. “Estou bem e você? Fez boa viagem até aqui?”


A pergunta deu a Hermione a oportunidade de contar a sua aventura no Noitebus. Fred e Jorge falaram também as divertidas viagens que já haviam feito naquele estranho veículo. Tonks ilustrava suas narrativas com mudanças nas cores do cabelo e no formato do nariz e logo todos davam gostosas gargalhadas.


Hermione, que tinha um talento especial para persuadir os amigos, conseguiu convencer Harry a descer do quarto e a alegria da véspera de Natal contagiou a todos, fazendo-os esquecer dos momentos de dor e angústia experimentados com o acidente do patriarca dos Weasley.


Enquanto todos cantavam velhas canções de Natal, acompanhados por Tonks no desafinado piano dos Black, Hermione sentou-se ao lado de Ron, que estava um pouco mais afastado do grupo. “Você ainda está preocupado com o seu pai?”, perguntou. “Meu pai está se recuperando, mas estou intrigado para descobrir por quem e por que ele foi atacado. Se não tivermos essas respostas, ele vai continuar correndo risco”, ponderou.


- Dumbledore vai descobrir como tudo aconteceu, Ron. Seu pai não vai sofrer um novo ataque. Não se preocupe – falou lançando um olhar carinhoso para o amigo.


Ron apertou a mão da menina e sorriu para ela. Hermione retribuiu o sorriso, mas foi inevitável ficar com o rosto vermelho. Como o rapaz se sentia feliz e reconfortado ao lado da menina. Mione, por sua vez, também se sentia muito bem próxima ao amigo. “Obrigado pela força”, disse ele.


O momento terno entre os dois foi quebrado por Sirius que, animado como nunca, gritou: “Venham, Ronald e Hermione, quero cantar uma canção especialmente para vocês”. Mesmo se o padrinho de Harry desafinava muito, Ron e Mione conseguiam entender perfeitamente a letra, que contava como a amizade entre um rapaz e uma menina havia se transformado em amor. Constrangidos, os dois evitaram todos os olhares naqueles longos três minutos que durou a canção.


Hermione entregou os seus presentes a Molly que, seguindo a tradição dos Weasley, os distribuiria quando todos fossem dormir, colocando-os próximos às cabeceiras das camas. Ao se deitar, ela lembrou do reencontro com o amigo, do beijo na testa, das palavras dele, mas, especialmente, de seu olhar carinhoso. Recordou ainda do amigo pegando a sua mão e sorrindo. Logo essas lembranças se transformaram em sonhos e, em sono profundo, a menina nem percebeu Molly entrar no quarto carregada de embrulhos.


Quando Hermione acordou estranhou o quarto, mas logo se deu conta que voltara a Grimmauld Place. Ainda se acostumava à claridade quando ouviu a voz de Gina. “Feliz Natal, Mione! Tem vários presentes ao redor da sua cama”, falou a ruiva. Em cima da pequena cabeceira e a sua volta, a menina viu os embrulhos e, sorridente, se dirigiu à amiga.


- Gina, você já abriu os seus presentes? Vamos abrir juntas – convidou.


Do primeiro embrulho tirou o presente do pai, um livro de literatura trouxa. Da mãe, ganhou um bonito vestido, de Gina, um moderno prendedor de cabelo, de Molly, um casaco de lã fechado por delicados botãozinhos, de Sirius, um conjunto de penas, de Tonks, uma bolsa mágica que tinha o poder de reduzir todos os objetos que eram colocados nela, de Lupin, um livro de Defesa contra as Artes das Trevas, de Harry, a nova edição da Teoria da Numerologia... Gina neste mesmo tempo abria os seus pacotes e as duas comemoravam juntas cada presente recebido. Instintivamente, Mione deixou uma delicada caixa azul, fechada com laço branco, por último.


- Não vai abrir o presente de Ron? – perguntou a ruiva.


- Esse é o presente de Ron? Ah... vou abrir sim – disse, notando que seu coração havia acelerado.


Com calma desfez o laço e, ao abrir a caixa, ficou admirada com o delicado frasco perolado. Abriu a tampa e, ao cheirar aquela envolvente fragrância, um sentimento forte e feliz a invadiu.


- Gostou? Eu acompanhei o Ron até a loja, mas, na verdade, foi ele que escolheu – disse a menina muito sorridente.


- Maravilhoso! Quer dizer... é realmente muito bom.


- Agora que já abrimos os nossos presentes, vamos descer. Você não vem?


- Ainda preciso me arrumar – disse a menina que estava de pijama e ficou aliviada assim que Gina saiu do quarto.


Queria sentir de novo aquela inebriante fragrância e, enquanto passava o perfume, ficou pensando em como Ron tinha acertado tão bem na escolha. “Nunca gostei tanto de um perfume”, dizia para si mesma.


xxxx


Apesar de amar o presente, Hermione ficou constrangida e não conseguiu expressar o seu sentimento. Ron, que aguardava com expectativa a reação da amiga, ficou um pouco frustrado, achando que ela não tinha gostado do perfume.


Hermione estava muito confusa. Não sabia por que havia ficado tão perturbada por ter recebido um perfume de presente. Queria falar para Ron o quanto tinha gostado, mas algo a paralisava. Sempre ouvira falar que perfume é algo tão pessoal que, para não correr o risco de errar, o melhor é não dar esse presente. O ruivo, porém, parecia a conhecer a tal ponto que escolhera uma fragrância que realmente a agradara. Era tão envolvente e delicada, ao mesmo tempo, que ela tinha vontade de usar sempre o perfume.


Por que um simples perfume provocava tantos pensamentos confusos? Depois que recebeu aquele presente, muitas coisas passaram pela sua cabeça. Lembrou de Ron dizendo quanto era ligado aos aromas, do elogio que fez ao cheiro do xampu usado por ela. Será que ele só tinha escolhido aquele presente por sugestão de Gina, para fugir dos livros? Ou queria dizer algo a mais a presenteando com algo tão pessoal assim?


Quando encontrou com o ruivo, a única coisa que conseguiu dizer, depois de um simples obrigada, foi que o perfume era “realmente raro”. Para alívio dela, o amigo mudou logo de assunto.


Mas agora ali estava ela, completamente confusa. Para tentar fugir de todas essas emoções, decidiu pegar um livro e estudar. Era sempre assim que se acalmava nos momentos mais tensos. Sentou-se na poltrona perto da lareira,  virada para o fogo e de costas para a porta. Já estava completamente envolvida com a leitura, quando ouviu um estampido seco. Nem precisou se virar para saber que os gêmeos haviam aparatado na sala. Tentou continuar estudando, mas foi inevitável acompanhar a conversa dos dois, que falavam alto, com certeza querendo ser ouvidos por ela.


- Jorge, você já deu um perfume de presente para alguma menina? - perguntou Fred com certa ironia na voz.


- Fala sério, Fred! Nunca me comprometi com alguém a esse ponto - respondeu Jorge.


- Você tem razão. Perfume é um presente repleto de significado... - disse Fred com um tom mais alegre que o normal.


- Dar um presente assim significa dizer: gosto de estar bem pertinho de você e por isso o perfume que usa é importante para mim - completou Jorge elevando ainda mais a voz.


Hermione se mexeu na poltrona impaciente. Pensou em dizer alguma coisa, mas decidiu permanecer quieta. Os gêmeos resolveram se dirigir direto à menina.


- Mionizinha, nem tínhamos reparado que você estava aí - exclamou Jorge em tom humorado.


- Estávamos querendo entregar o nosso presente para você - falou Fred esticando um embrulho vermelho.


- Não precisavam se preocupar com isso - respondeu, pegando o embrulho.


- Imagina se iríamos esquecer a nossa futura cunhadinha - disse Jorge com uma piscadela.


A menina entortou os lábios em desaprovação ao comentário e balançou a cabeça. Os gêmeos, sorridentes, prosseguiram:


- Você vai achar o presente estranho, mas logo descobrirá que é muito útil - enfatizou Fred.


- É uma capa falsa para os livros. Perfeito para camuflar quando pegamos... quer dizer, tomamos emprestado um volume da sessão proibida da biblioteca - prosseguiu Jorge, observando a menina examinar o presente.


Hermione olhou para os dois desconfiada, depois de contemplar a capa preta sem nada escrito.


- Você deve estar se perguntando como funciona. É muito simples. Basta colocar essa capa falsa sobre a verdadeira e depois bater três vezes sobre ela dizendo: "Segredo escondido guardado está" - explicou Fred.


- A cada batida, a capa vai mudando. E você pode escolher a que achar melhor - concluiu Jorge.


Ainda com um olhar desconfiado, a menina agradeceu pelo presente. Neste momento Ron entrou na sala e os gêmeos não perdem a ocasião de provocar o irmão.


- Roniquinho, quem bom que você chegou – falou Fred.


- Queremos lhe pedir uma dica de como escolher um perfume para uma menina especial – completou Jorge.


Ron fuzilou os irmãos com os olhos. “Saiam daqui e não encham a minha paciência”, disse quase gritando.


Os dois, dando risadinhas, desaparataram. Ron e Hermione encontravam-se mais uma vez sozinhos. “Tudo bem? Eles encheram muito a sua paciência?”, perguntou. “Tudo bem, Ron. Até parece que não estou acostumada com esses dois”, respondeu sorridente.


xxx


Depois que visitaram Arthur Weasley e viveram alguns momentos tensos no Hospital St. Mungus, inclusive acompanhando o sofrimento de Neville com o estado dos seus pais, Harry e Ron decidiram jogar xadrez.


Hermione gostava de ficar sentada observando Ron jogar. A princípio não entendeu muito bem por que achava tão interessante acompanhar as partidas. Aos poucos foi percebendo que, além do fato de poder ficar olhando para ele sem ter que inventar qualquer assunto, ainda contemplava o ruivo num momento bom no qual ele sentia-se autoconfiante e seguro sobre quais decisões tomar. Ela não sabia como, mas o fato é que Ron sempre vencia. Tinha derrotado até mesmo Dumbledore no xadrez.


Naquela noite, em especial, estava concentrada demais acompanhando cada mudança de expressão no rosto do amigo: a fisionomia tensa quando não sabia qual jogada fazer, sorridente ao descobrir a melhor solução, concentrada ou ainda irritada com algum passo errado. A menina estava tão envolvida que demorou a notar que Gina a encarava dando um largo sorriso, se divertindo ao ver que a amiga não tirava os olhos do irmão.

                                                                                     xxx 
 


Para  ouvir antes, durante ou depois de ler o capítulo: 


Beautiful Eyes


http://bit.ly/JbTfmg 


Your beautiful eyes
Stare right into my eyes
And sometimes I think of you late at night
I don't know why
I wanna be somewhere
Where you are
I wanna be where

You're here
Your eyes are lookin' into mine
So baby make me fly
My heart has never felt this way before
I'm lookin' through your
I'm lookin' through your eyes
(…)


 

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Comentários: 2

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:: Página [1] ::

Enviado por Morgana Lisbeth em 09/04/2012

Gego, estou seguindo o seu conselho e continuo escrevendo (rs)!

P. S: Não sei como tirar a nota, então o 5 é para vc! 
 

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Gego em 04/04/2012

Não pare de escrever, por favor.
Estou AMANDO sua fic. Simplesmente perfeita. 

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

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