FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

3. CAPITULO III


Fic: Lorde do Deserto - UA - HH


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

Asilah fervilhava de atividade. Antes de 1972, toda a cida¬de ficava no interior das muralhas antigas. Agora havia tam¬bém shoppings e várias construções em andamento, con¬tou Bojo, o guia. Enquanto procuravam uma vaga para es¬tacionar na cidade apinhada, viram carrinhos puxados por jumentos, carregando pessoas de um lado para outro, pelas ruas estreitas.
Imediatamente do lado de fora da casbá havia uma ala¬meda sombreada, onde se avistavam bares com mesas ao ar livre. Mas o guia avisou que teriam de seguir adiante, pois o mercado de Asilah ficava um pouco além, continuan¬do pela rodovia.
— Hoje é dia de feira — disse Harry, tomando o braço de Hermione. — Será uma verdadeira aventura.
Foi mesmo. Ela viu belas frutas e vegetais, ervas e espe¬ciarias, tudo arrumado com perfeição e sem uma mancha na superfície uniforme e colorida das cascas. Viram tempe¬ros exóticos, poções, roupas e chapéus. Havia artigos de couro e até mesmo galinhas e coelhos vivos. Um pouco afastado das tendas de comércio, havia um grupo de pessoas, jumentos e cavalos, esperando a hora de voltar para suas vilas.
— A produção é maravilhosa! — exclamou ela. — É ain¬da mais bonita do que a dos nossos supermercados, mas não é refrigerada.
— É verdade. E aqui no mercado, boa parte é vendida para os comerciantes da cidade grande.
Enquanto caminhavam ele a instruiu sobre os vários tem¬peros e visitaram bancas de azeitonas de vários tipos. De¬pois voltaram para a cidade, conduzidos pelo guia.
— Está com sede? — indagou Harry.
— Acho que seria capaz de beber uns dois litros de água — respondeu ela, passando um lenço na testa para secar o suor.
— Eu também.
Ele e o guia a levaram até um café na proximidade de Asilah, onde pediram água mineral para ela e chá de menta para ele. Ele lhe ofereceu chá, mas Hermione ainda não tinha coragem de beber nada que não fosse engarrafado e recusou.
— Precisa experimentar o chá de hortelã, antes de sair do Marrocos — aconselhou ele. — É uma especialidade local.
— Prometo experimentar. No momento, porém, água gelada me parece o melhor.
— Não duvido.
Ele passou a garrafa de água gelada para ela, apanhou seu chá e dirigiram-se para um grupo de mesas ao ar livre, próximas à parede da cidade antiga. O guia permaneceu para trás, a fim de falar com um dono de loja que ele co¬nhecia.
— O café é do proprietário deste pequeno espaço e todos pagam no balcão e comem aqui.
— É muito bonito — comentou Hermione, olhando ao re¬dor. — Existem muitos turistas por aqui.
— É verdade. A cidade é um centro de artes, principal¬mente agora, no festival anual. As lojas da cidade velha estão enfeitadas, e Asilah assumiu sua faceta mais alegre para o festival. Atrai pessoas de todos os lugares da África, Euro¬pa e do mundo inteiro.
— Você disse que o palácio dos revolucionários era aqui — lembrou Hermione.
Ele assentiu. Tomou um gole do chá de hortelã e, sem pressa, saboreou-o até o final; pediu licença para levar a xícara e o pires ao balcão. Ela ficou curiosa com esse deta¬lhe, pois a maioria dos turistas, assim como ela, usava co-pos descartáveis. Seguindo Harry com os olhos, perce¬beu a extrema cortesia com a qual ele era tratado pelo dono do café. Enquanto observava, reparou que havia outros ho¬mens por perto, de óculos escuros. Haviam estacionado atrás deles quando chegaram. Perguntou-se por que esta¬riam ali; tinham o ar de quem seguia alguém muito im¬portante, talvez um dignitário estrangeiro disfarçado. Quando voltasse para casa, perguntaria ao irmão como funcionava esse tipo de segurança. Em seguida lembrou que ia para o Quawi, não para casa; isso a deixou nervosa e um pouco triste.
Harry a observava do alto de sua estatura.
— Está preocupada — afirmou ele.
— Desculpe, estava pensando sobre meu novo emprego, se é que vou conseguir.
— E se preocupando — ela sorriu.
— Não gosto da idéia de usar uma passagem em nome de outra pessoa, nem de fingir, mesmo que o sheik acabe me contratando.
— Acho que você se preocupa demais com isso. Quanto à passagem, o recepcionista pode alterar o nome para você, e Mustafá ou Bojo vão acompanhá-la até o aeroporto e es¬perar até que o avião decole — informou ele, indicando o motorista e o guia.
— É mesmo?
Ele sorriu da expressão de surpresa de Hermione.
— Não fazem isso em seu país?
— Não.
— Cada um com os seus costumes. Vai descobrir que a vida é um pouco diferente nesta parte do mundo.
— Já descobri. Mas não sei se é bom para mim ser mimada desse jeito. Eu não passo de uma simples auxiliar de advogado.
Um dos olhos verdes cerrou-se.
— Minha impressão, Hermione Granger, é que você não é nada simples.
— Mas você não sabe nada sobre as mulheres do Texas...
— Uma falha que pretendo sanar nos próximos dias — afirmou ele, galantemente. Depois piscou e imitou a voz de Charles Boyer: — Você vem comigo para a casbá?
Ela não conseguiu deixar de rir.
— Eu também assisto a filmes demais. Achava que só ha¬via uma casbá quando cheguei, até o motorista do táxi me explicar.
— Os filmes de Charles Boyer e Humphrey Bogart forne¬cem a imagem de um Marrocos muito diferente.
— É verdade. Aqueles dias já se foram há muito.
Ele colocou uma das mãos sob o cotovelo dela para guiá-la através dos portões da velha cidade e pelo labirinto de ruas estreitas e pequenas lojas.
— As velhas crenças, pode ser, mas não a intriga — afir¬mou ele, baixando a voz. — Está vendo esse homem de ter¬no bege, de óculos escuros? Não, não vire a cabeça.
— Estou.
— Já reparou nos senhores de óculos e ternos escuros por perto?
— Eu os tinha visto antes.
— São guarda-costas.
— É mesmo? Para quem trabalham? Para o homem de terno bege?
— Quem sabe? Talvez ele trabalhe para um dos prínci¬pes sauditas que possuem propriedades fora de Tanger.
— Um que o guia me mostrou, que saiu do helicóptero com os homens armados?
— Esse mesmo. Eles saem para passear de tempos em tempos. Ontem mesmo vi um ex-presidente da Espanha na cidade — disse ele.
— Nós também. Nunca tinha encontrado um chefe de Estado, ex ou não.
Ele manteve os olhos na estrada, sem responder nada.
— Aqueles guarda-costas... devem estar armados.
— Submetralhadoras Uzí, nove milímetros. E sabem como usá-las.
— Meu Deus! Espero que ninguém o ataque.
— Não há perigo. Ninguém o conhece por aqui. Vários chefes de Estado do Oriente Médio conseguem misturar-se à multidão e não são reconhecidos.
— Então, se por acaso reconhecer o sheik do Quawi, quer mostrá-lo para mim? Talvez eu possa me atirar à mercê dele antes de viajar para a capital do país.
Ele colocou os óculos escuros e sorriu.
— Posso assegurar que nem os súditos dele o reconhece¬riam em trajes ocidentais.
— Ele é... cruel?
— Como? — indagou Harry, observando-a através das lentes esverdeadas.
— Minha amiga, Ginny, disse que houve rumores so¬bre ele e mulheres muito jovens. Disse que não eram ver¬dadeiros e que ele mesmo deu início aos boatos.
— Foi mesmo. Posso garantir a você que não existe peri¬go algum perto dele — afirmou Harry, com seriedade. — Acho até que você vai se sentir particularmente segura e mi¬mada, quando estiver sob a proteção dele.
— Espero que tenha razão — disse ela, com fervor. — Puxa, veja aqueles xales...
Hermione apressou-se até um mostruário improvisado à porta de uma loja. Havia um xale preto com a borda enfeita¬da de pérolas. Uma peça artesanal que a deixou sem fôlego.
— Um xale marroquino, que as mulheres usam na ca¬beça quando saem em público. No Quawi, chamamos o turbante de hijab. Gosta?
— Acho que deve ser caro demais — respondeu ela, en¬carando-o. — Mas você não vai comprar. Se puder, eu mes¬ma pago.
— Ah, essa independência americana... Muito bem — concordou ele, falando com o vendedor. — São cinqüenta e seis dirrãs.
— Cinqüenta e seis...
— Isso corresponde a cerca de sete dólares — informou ele. Ela sorriu.
— Vou levar.
Harry a ajudou a encontrar as moedas para pagar, enquanto o vendedor embrulhava o xale. Em seguida ele apanhou o pacote, colocou-o embaixo do braço e a condu¬ziu pelo labirinto de lojas. Pararam mais duas vezes para que Hermione pudesse barganhar por um par de brincos e uma pulseira de prata com turquesas.
Seguiam por um caminho de pedras, quando ele falou:
— Lá está o palácio do Raissouli.
Hermione quase ficou sem fôlego com a visão. Os azule¬jos, em branco e vários tons vibrantes de azul, eram combi¬nados, no interior das muralhas alvas, nos padrões mais belos de mosaicos que ela já vira. Ela tocou os azulejos com fascinação.
— Todo o trabalho é geométrico — murmurou.
— Os construtores do Islã são proibidos de representar qualquer forma humana ou animal nesses padrões — ex¬plicou ele. — Por isso os desenhos são geométricos.
— São lindos. Quando penso nos prédios de cimento e aço que temos em nosso país...
— Mas vocês também têm belas construções em madeira.
— É, existem alguns prédios vitorianos com entalhes em madeira. Já vi muitas casas assim. Na verdade, a minha foi construída com essa técnica. Não é luxuosa nem nada, mas quando está pintada fica muito bonita.
Ele apreciou o reflexo nos cabelos castanho-dourados ao retorna¬rem para a luz do sol, enquanto caminhavam através da cidade, na direção dos portões.
— Nunca usa os cabelos soltos, Hermione?
— São muito finos e não ficam parados. Além do mais, caem na frente dos olhos, especialmente quando venta. Aliás, aqui no Marrocos parece que nunca pára de ventar.
— Qual o comprimento?
— Passa um pouco da minha cintura — respondeu ela, encarando-o. Por quê?
— Conheço uma moça, também americana, que tem os cabelos muitos parecidos com os seus. Só que ela cortou. Acho que o marido pediu — disse ele. — Ele sabe como eu gosto de cabelos compridos.
— O marido dela?
— Eles têm um filho de quase dois anos agora.
— Imagino que ela o tenha recusado.
— Eu não a pedi em casamento, e ele sim.
— Seu malandro... — brincou ela.
Entretanto ele não sorriu. O rosto permanecia impassí¬vel, denotando, no máximo, certa introspecção.
— Desculpe. Imagino que ela significasse muito para você — apressou-se Hermione a dizer.
— Ela era todo o meu mundo — afirmou Harry, com intensidade. — Mas o destino não permitiu.
O olhar dele fixou-se num ponto além dela. A testa se franziu.
Hermione voltou-se a tempo de ver o homem de terno bege agora mais próximo, acompanhado dos guarda-costas. Um dos dois sujeitos de terno escuro gesticulava com veemên¬cia. O homem de bege olhou para Harry.
— Precisamos partir imediatamente — avisou Harry, impelindo-a na direção em que o guia aguardava com os homens de preto.
Era como se de repente ele tivesse se transformado em outra pessoa, alguém acostumado a exercer autoridade, que esperava ser obedecido instantaneamente. Quando chega¬ram onde se encontravam os sujeitos de preto, ficaram pró¬ximos àquele que Harry descrevera como empregado de um príncipe saudita, mas o homem não estava se compor¬tando como a realeza se portaria, ao contrário, agia de modo humilde, em tom de voz quase suplicante.
Harry fez perguntas e distribuiu ordens numa língua diferente do que a usada para falar com os vendedores. Olhou preocupado para Hermione e a conduziu na direção do carro, com o guia andando na frente e os outros três homens atrás e dos lados.
Hermione não disse nada. Percebeu uma urgência de ação que indicava perigo, e preferiu mover-se com rapidez e em silêncio. Notou o olhar de aprovação de Harry quando entraram no carro. Os homens que os acompanhavam en¬traram no carro de trás, outro Mercedes. Sem perda de tem-po estavam todos na rodovia que levava a Tanger.
Em poucos minutos ela percebeu que ainda ganhavam velocidade, e que havia um terceiro carro em perseguição.
Hermione olhou para Harry, preocupada. Ele tirou um celular do bolso e falou com rapidez, em língua estrangei¬ra. O carro atrás deles, aparentemente seguindo ordens, deu uma guinada e bloqueou a pista estreita por completo, para que o terceiro carro parasse ou os abalroasse. Enquanto se afastavam, o som de tiros rápidos ecoou atrás deles. As mãos de Hermione se apertaram na garrafa plástica, que quase estourou.
— Está tudo bem... — assegurou Harry em tom recon¬fortante. — Estamos perfeitamente a salvo. Você reagiu muito bem numa situação de crise.
— Escutei tiros...
— Não eram dirigidos a nós. Apenas ajudamos aquele homem de bege a evitar um seqüestro. Posso garantir que neste mesmo instante as autoridades marroquinas estão a caminho para prender os criminosos.
— Mas eles estavam armados!
— É verdade, mas não têm experiência para competir com Ahmed e Bruno.
— Quem são Ahmed e Bruno? — quis saber Hermione.
— Guarda-costas. Isso. O guarda-costas do príncipe — informou ele, sorrindo como se fosse uma brincadeira pes¬soal. — Desculpe ter de abreviar nosso encontro, mas te¬nho uma importante reunião de negócios à tarde. Gostaria de jantar comigo?
— Se você... quero dizer, eu adoraria.
— Bien. Ligo para o seu quarto às quinze para as oito.
— Ótimo.
Na verdade não estava acostumada a jantar tão tarde, mas o hotel não servia refeições antes das oito da noite. Contu¬do, já estava com fome. Talvez pudesse encontrar alguma coisa para mordiscar na pequena geladeira em seu quarto.
— Tomou café da manhã?
— Tomei...
— Mas não almoçou, certo? Sabia que o hotel serve na piscina um bufe delicioso às três horas?
Hermione suspirou de alívio.
— Agora sei. Só que lá os cardápios são todos em francês e os garçons precisam traduzir para mim.
— Farei isso hoje à noite — prometeu ele, apanhando outra vez o telefone no bolso. Falou com rapidez. Ouviu e desligou. — Os homens que tentaram o seqüestro estão sob custódia da polícia.
— Nunca vi nada parecido com isso em toda a minha vida.
— Infelizmente, para mim não é novidade — respondeu Harry, emitindo uma ordem para o motorista. — Bojo vai me deixar na embaixada, mas depois vai levar você para o hotel e acompanhá-la até lá dentro. Eu o instruí para falar com o recepcionista sobre nossa pequena... aventura, assim eles vão vigiar você.
Hermione sentiu-se envolvida em algodão macio, como uma coisa preciosa. Mal o conhecia, e apesar disso ele não era um estranho.
— Obrigada.
— Toda essa confusão foi minha culpa. Fui descuidado.
— Não entendo. Somos apenas turistas.
Nesse instante aproximaram-se de um imponente conjun¬to de edifícios no centro da cidade, e o motorista estacionou.
— Preciso ir agora — disse Harry, levando a mão de Hermione aos lábios, sem deixar de encará-la. — Neste mo¬mento, está mais segura do que já esteve em toda a sua vida.
Voltou-se e disse algo ao motorista, que acenou em res¬posta.
Ele saiu do carro sem olhar para trás, mas Hermione re¬parou que o automóvel com os homens de preto encostou em seguida, e os ocupantes passaram a seguir Harry de perto. Ficou imaginando por que o teriam seguido, em vez de ao príncipe saudita.
— Aqueles guarda-costas... — começou ela.
— Mademoiselle não deve se preocupar. Monsieur está em boas mãos — informou Bojo.
— Mas aqueles homens não são guarda-costas do prínci¬pe saudita?
O homem hesitou por alguns instantes.
— Eles não trabalham para o príncipe. São chamados para acompanhar dignitários estrangeiros... e importantes ho¬mens de negócios — acrescentou.
— Estou vendo. Obrigada.
Sorriu e recostou a cabeça contra o banco macio, aliviada e ainda um pouco intrigada. Agora que possuía um amigo no Marrocos, não queria perdê-lo com tanta rapidez.
Bojo saiu do Mercedes acompanhou Hermione até a recep¬ção. Parecia diferente, muito concentrado e alerta, enquanto conversava na língua que ela não entendia; Hermione repa¬rou que apesar de ele estar usando uma túnica de listras, no padrão preferido dos marroquinos, sob a vestimenta havia um terno ocidental. Observou-o com cuidado, reparando no relógio caro no pulso dele e no anel de brilhantes no dedo mínimo. Não se parecia nem um pouco com um guia de ho¬tel. Quando ele se voltou para ela outra vez, estava cheio de atenções e obséquios. Hermione perguntou-se se iria se acos¬tumar com todos aqueles cuidados.
Olhou para si mesma no espelho e notou uma fina cama¬da de areia amarelada. O vento ali parecia soprar constantemente; havia reparado também que nenhum dos carros tinha ar-condicionado, pois as janelas sempre estavam aber¬tas. A areia entrava no interior dos veículos, e aparentemente em todos os lugares.
Hermione tomou um banho rápido de chuveiro, evitando usar muita água, pois raciocinou que devia ser preciosa num país desértico.
Seu guarda-roupa fora severamente limitado pela insis¬tência de Ginny em carregar apenas uma mala de mão. Vestiu calça branca e uma blusa de seda em padrão branco e lilás, calçando sandálias para completar. Sorriu para o vestido estilo camponesa mexicana pendurado no armário, sua única opção para o jantar. Talvez pudesse usar os cabe¬los soltos e colocar os brincos e o colar de fileira única de pérolas cultivadas. Não queria envergonhar Harry, que provavelmente viria de traje a rigor.
Desceu até a área anexa à piscina, que possuía um balcão para o interior, e ficou mais relaxada quando viu outros turistas em trajes de banho enchendo seus pratos. O gar¬çom sorriu e ela retribuiu o sorriso. Percebeu que muitos dos visitantes estavam enfrentando o mesmo problema que ela e parou de se preocupar.
Comeu presunto cru com melão e pequenas empadas re¬cheadas com carne de pombo, imaginando o que as pessoas em Jacobsville diriam se a vissem ali. Tomou água "com gás", como eles chamavam a soda ali, sentindo-se uma rai¬nha em férias. O sol estava quente, e os jardins, convidati¬vos, em sua beleza exótica, repletos de rosas e de outras flo¬res, cujo aroma doce percebia-se no ar. As vozes dos banhis¬tas divertindo-se chegavam aos seus ouvidos, produzindo um fundo agradável, quando ela se recostou numa das ca¬deiras de balanço com vista para o jardim. Antes que per¬cebesse, adormeceu.
Sonhou. No passeio de barco em que estava, a brisa pren¬deu algumas madeixas em torno do seu pescoço. O rosto repousava em um travesseiro macio. Ela suspirou e espre¬guiçou-se, percebendo que o travesseiro fazia um ruído es¬tranho.
Abriu os olhos e deparou com um rosto moreno escuro provido de intensos olhos verdes. Hermione repousava o rosto contra o ombro dele e suas longas pernas estavam encolhidas na cadeira de balanço. Por vários segundos ape¬nas olharam um para o outro, à luz do sol poente.
— Como você teve sorte em dormir com o sol já não tão forte... As queimaduras podem ser letais, nesse clima — dis¬se ele, com voz grave.
— O almoço foi delicioso e fiquei com sono aqui na ca¬deira.
Uma das mãos dele estava acariciando levemente o pes¬coço dela; depois de um breve olhar para a boca, Harry deixou os olhos vagarem na direção do mar.
— Eu mesmo durmo pouco. Meus sonhos trazem pe¬sadelos.
— Sobre o quê? — indagou ela, intrigada com a familia¬ridade.
Deveria sentir-se ameaçada, ou pelo menos desconfiada; afinal de contas, ele era um desconhecido... Ou devia ser.
— Guerra. Morte. Gritos de gente inocente na escuridão do terror.
Hermione o encarou, os olhos arregalados.
— Você não é francês? — perguntou ela, hesitante.
— Não.
— Então, de onde...
A mão dele moveu-se, de forma que o polegar impediu que ela continuasse.
— É cedo demais, Hermione — disse ele, com delicadeza. — Cedo demais para a verdade. Vamos viver num mundo de fantasia por mais alguns dias e deixar as respostas para o amanhã.
— Que tipo de fantasia tem em mente?
— De um tipo inocente — afirmou ele, o dedo traçando o contorno dos lábios dela. — O único tipo de que sou capaz.
— Não estou entendendo...
— Sei disso. Talvez esse detalhe não seja importante — disse ele, aconchegando-a nos braços como um gatinho.
Hermione cheirava a orquídeas. Ele passou os dedos pelo contorno do rosto, depois pelas sobrancelhas, como se esti¬vesse fazendo um esboço a pincel.
— Que idade você tem?
— Vinte e três.
O indicador pousou nos lábios entreabertos e ele ficou apreciando a reação. A respiração aumentou de intensida¬de. As pupilas se dilataram. O corpo respondeu com um estremecimento involuntário... Ele amaldiçoou sua sorte.
— Como você é, na paixão: submissa ou gosta de morder e arranhar? — perguntou ele, de repente.
Hermione afastou-se, na cadeira, a expressão indignada.
— Não sei a que tipo de mulher está acostumado... mas não tenho o hábito de fazer esse tipo de coisa.
Os olhos verdes a observavam, intrigados.
— Que tipo de coisa?
— Dormir por aí com homens — respondeu ela, voltan¬do a encará-lo. — Muito menos com um homem que acabei de conhecer. Portanto, se foi por isso que você foi bonzinho para mim, é melhor procurar uma mulher mais moderna. Se eu for para a cama com um homem, com toda a certeza será com meu marido e mais ninguém. Ponto final.
A seriedade o abandonou na mesma hora. Ele a encarou com curiosidade, depois com expressão divertida, depois riu.
— Vá em frente, pode me chamar de puritana. Ou dizer que estou vivendo no século passado. Não ligo. Estou acos¬tumada.
— A frágil voz da razão num mundo insano — disse ele. — Eu sabia que você era única entre as americanas.
— Sou uma volta aos tempos vitorianos — ele tomou-lhe a mão com suavidade.
— Eu não quero ter uma relação sexual com você, Hermione.
— Não? — estranhou ela.
Ele olhou para as duas mãos juntas e odiou-se pela mal¬dição que lhe negava as expectativas de um homem. Afa¬gou os dedos dela enquanto considerava suas opções. O certo seria mandar Hermione para casa imediatamente. Se¬ria o melhor para ela. Porém ela lhe tocara o coração. Fizera com que sentisse vontade de viver. Fizera com que ele ris¬se, chorasse e encarasse o mundo como um lugar de fasci¬nação e diversão. Fazia muito tempo que não se sentia da¬quela forma. Dois anos, para ser exato. Não esperara sentir-se assim outra vez. E se isso acontecia apesar do pouco tem¬po em que se conheciam, o que dizer de quando, com o passar do tempo, se conhecessem melhor?
Como seria quando ela soubesse seu terrível segredo... quando a verdade viesse à tona? Iria encará-lo com pieda¬de ou com repulsa? Poderia suportar ver tais emoções na¬queles belos olhos castanhos?
— Não fique assim — pediu ela, reparando na expressão atormentada que ele exibia. — Seja o que for, vai ficar tudo bem algum dia. Vai mesmo. A gente precisa procurar os milagres, ou eles não acontecem, Harry.
— Como você sabe que há algo errado?
Ela franziu a testa.
— Não sei explicar. Estou sentindo que há.
A mão de Harry pressionou a dela. No momento em que seu olhar mergulhou no de Hermione, soube que não teria coragem de mandá-la embora.
-----------------------------------------------------------------------
Continua...
.

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.