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20. Cap Vinte


Fic: Os delírios de Consumo de Gina Weasley


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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VINTE

Às 11:25, estou sentada numa poltrona forrada de marrom, na sala verde. Estou vestindo um tailleur Jasper Conran, azul-noite, meias de seda e um par de sapatos de salto alto de camurça. Quanto à maquiagem e ao cabelo depois da escova, nunca fiquei tão bonita na minha vida. Mas não posso desfrutar de minha aparência. Não posso aproveitar nada disso. Só consigo pensar no fato de que, dentro de quinze minutos, precisarei sentar num sofá e discutir altas finanças com Harry Potter, ao vivo na televisão.

Só de pensar nisso sinto vontade de chorar. Ou de rir. Quero dizer, é como alguma espécie de brincadeira de mau gosto. Harry Potter contra mim. Harry Potter, com seu QI de gênio e sua maldita memória fotográfica, contra mim. Ele vai me derrotar facilmente. Vai me massacrar.

— Querida, coma um croissant — diz Elisabeth Plover, que está sentada na minha frente, mastigando um pain au chocolat. — São simplesmente sublimes. Cada mordida é como um raio de sol campestre.

— Não, obrigada — digo. — Eu... não estou com muita fome.

Não entendo como ela consegue comer. Eu sinceramente me sinto como se estivesse a ponto de vomitar a qualquer momento. Como é que as pessoas podem aparecer na televisão todos os dias? Como Fiona Phillips faz isso? Não é para menos que são tão magros.

— Chegando! — vem à voz de Rory do monitor da televisão no canto da sala, e nós duas automaticamente giramos a cabeça para ver na tela uma cena de praia ao pôr-do-sol. — Como é viver com um gângster e depois arriscar tudo, traí-lo? Nossa próxima convidada escreveu um romance explosivo baseado na sua experiência sombria e perigosa...

— ... E apresentamos uma nova série de discussões profundas — exclama Emma. A cena muda para uma de moedas de libra chovendo no chão, e meu estômago faz um desagradável movimento. —Morning Coffee chama atenção sobre o tema de escândalo financeiro, com dois especialistas importantes da área, frente a frente num debate.

Isso sou eu? Ah, Deus, não quero ser uma especialista importante da área. Quero ir para casa e tomar uma boa xícara de chá.

— Mas antes! — diz Rory alegre. — Scott Robertson está se animando na cozinha.

O quadro muda rapidamente para um homem com um chapéu de cozinheiro sorrindo e segurando um maçarico. Olho para ele por uns momentos, depois desço o olhar novamente, apertando minhas mãos cerradas sobre o colo. Não consigo acreditar que dentro em breve serei eu a estar naquela tela. Sentada no sofá. Tentando pensar em alguma coisa inteligente para dizer.

Para me distrair, desenrolo pela milionésima vez minha folha A4 amassada e leio minhas anotações insignificantes. Talvez não seja tão ruim, me vejo pensando esperançosa,
enquanto meus olhos passam pelas mesmas frases sem parar. Talvez eu esteja me preocupando sem razão. Provavelmente nós vamos manter a coisa toda no nível de uma conversa casual. Mantê-la simples e amigável. Afinal...

— Bom dia, Ginevra — vem da porta uma voz. Lentamente olho e quando faço isto, sinto meu coração afundar. Harry Potter está em pé na porta. Está usando um terno escuro imaculado, seu cabelo está brilhando e seu rosto está bronzeado com a maquiagem. E não há um grama de amabilidade no seu rosto. Seu maxilar está cerrado, seus olhos estão duros e com um ar profissional. Quando encontram os meus, nem vacilam.

Por alguns instantes nos olhamos sem falar. Posso ouvir meu coração batendo alto no meu ouvido, meu rosto queima por debaixo da maquiagem. Depois, juntando todos os meus recursos internos, forço-me a dizer calmamente:

— Olá, Harry.

Faz-se um silêncio de interesse quando ele entra na sala. Até Elisabeth Plover parece intrigada com ele.

— Conheço esse rosto — diz ela, inclinando-se para mim. — Conheço ele. Você é ator, não é? Shakespeariano, claro. Acho que o assisti em Rei Lear, três anos atrás.

— Creio que não — diz Harry r, seco.

— Tem razão! — diz Elisabeth, dando um tapa na mesa. — Foi Hamlet. Lembro-me bem. A dor desesperada, a culpa, a tragédia final... — Ela balança a cabeça com ar solene. — Nunca esquecerei aquela sua voz. Cada palavra era como uma punhalada.

— Sinto muito — diz Harry por fim, e olha para mim. — Ginevra...

— Harry, aqui estão os números finais — interrompe Cho, entrando na sala correndo e entregando-lhe uma folha de papel. — Olá, Ginevra — ela acrescenta, com um olhar sarcástico. — Está preparada?

— Sim, estou, na verdade — digo, amarrotando meu papel A4 numa bola no meu colo. — Muito bem preparada.

— Fico contente em ouvir — diz Cho, levantando as sobrancelhas. — Deverá ser um debate interessante.

— Sim — digo em tom de desafio. — Muito.


Deus, ela é uma sacana.
— Acabei de falar com John, da Flagstaff, ao telefone — acrescenta Cho para Harry numa voz baixa. — Ele insiste que você deve mencionar a nova série de poupanças da Foresight. Obviamente, eu disse a ele...

— Esta é uma oportunidade para consertar o estrago — diz Harry, seco. — Não uma maldita feira de lançamentos. Ele terá muita sorte se... — Me olha e eu desvio o olhar como se não tivesse o mais remoto interesse no assunto. Casualmente dou uma olhada de relance para meu relógio e sinto um grande medo quando vejo a nora. Dez minutos. Dez minutos mais.

— Tudo tem — diz Zelda entrando na sala. — Elisabeth, estamos prontos para você.
— Maravilhoso — diz Elisabeth, comendo mais um naco do pain au chocolat. — Estou bem, não estou? — Ao levantar-se, uma chuva de migalhas cai sobre sua saia.

— Está com um pedaço de croissant no seu cabelo — diz Zelda, retirando-o. — Fora isso, o que posso dizer — Ela capta meu olhar e tenho um desejo histérico de rir.

— Harry ! — diz o rapaz com rosto de bebê, entrando correndo com um telefone celular. — John Bateson na linha para você. E chegaram dois embrulhos...

— Obrigada, Tim — diz Cho, pegando os embrulhos e abrindo-os. Ela retira uma pilha de papéis e começa a passar os olhos por eles rápidos, marcando coisas com o lápis de vez em quando. Enquanto isso, Tim senta, abre um computador laptop e começa a digitar.

— Sim, John, realmente vejo seu ponto de vista — Harry está dizendo numa voz baixa e contida. — Mas se você me ouvir pelo menos por um instante...

— Tim — diz Cho olhando para ele. —Pode examinar rapidamente o lucro do fundo de pensão da Flagstaff nos últimos três, cinco e dez?

— Claro — diz Tim, e começa a digitar no computador.

— Tim — diz Harry, olhando para ele do telefone. — Quer imprimir o rascunho do release da Flagstaff Foresight para mim o mais rápido possível? Obrigado.

Não consigo bem acreditar no que estou vendo. Eles praticamente armaram um escritório aqui na sala verde do Morning Coffee. Um escritório inteiro da equipe da Potter Communications cheia de computadores, modems, telefones... brigando contra mim e meu papel A4 todo amassado.

Observando o laptop de Tim cuspindo páginas eficientemente, e Cho entregando folhas de papel a Harry, uma sensação fria começa a me subir. Quero dizer, vamos encarar. Nunca vou vencer este grupo, vou? Não tenho a menor chance. Eu devia simplesmente desistir agora. Dizer que estou doente ou algo assim. Correr para casa e esconder-me debaixo da minha cama.

— Todos prontos? — diz Zelda da porta, esticando a cabeça para dentro da sala. — Vai começar daqui a sete minutos.

— Bem — diz Harry.

— Bem — repito numa voz titubeante.

— Ah, Ginevra, chegou um embrulho para você — diz Zelda. Ela entra na sala e me entrega uma caixa grande e quadrada. — Voltarei num minuto.

— Obrigada, Zelda — agradeço surpresa e, com uma repentina elevação de ânimo, começo a abrir a caixa. Não tenho idéia do que é ou de quem enviou, mas tem que ser alguma coisa que vai ajudar, não tem? Informação especial de último minuto de Eric Foreman, talvez. Um gráfico, ou uma série de números que eu possa apresentar num momento crucial. Ou algum documento secreto que Harry desconheça.

Do canto do meu olho consigo ver que todos os Potternetes pararam o que estavam fazendo e estão me observando também. Bem, isto vai lhes mostrar. Eles não são os únicos a receberem embrulhos enviados para a sala verde. Não são os únicos a ter recursos. Finalmente consigo tirar a fita adesiva e abro a aba da caixa.

E com todos a me observarem, um grande balão vermelho de hélio, todo enfeitado com as palavras BOA SORTE , flutua até o teto. Há um cartão preso ao barbante e, sem olhar ninguém no olho, eu o abro.

Imediatamente percebo que era preferível não tê-lo aberto.

"Boa sorte para você, boa sorte para você, seja lá o que vai fazer" — canta uma vozinha eletrônica.

Fecho correndo o cartão e sinto meu rosto queimar. Deus, que vergonha. Do outro lado da sala consigo ouvir umas risadinhas e, quando olho, vejo Cho rindo maliciosa. Ela murmura alguma coisa no ouvido de Harry e uma expressão divertida espalha-se em seu rosto.

Ele está rindo de mim. Estão todos rindo de Ginevra Weasley e de seu balão que canta. Por alguns instantes não consigo me mexer de humilhação. Meu rosto está quente, minha garganta está apertada, nunca me senti menos parecida com uma importante especialista do ramo em toda a minha vida.

Depois, do outro lado da sala, ouço Cho murmurar algum pequeno comentário maldoso bufando de rir — e, bem dentro de mim, alguma coisa grita. Arrase-os, penso de repente. Arrase-os todos. De qualquer forma, é provável mesmo que só estejam com ciúmes. Eles queriam ganhar balões também.

Desafiadora, abro o cartão novamente para ler a mensagem.

"Não importa se chover ou fizer sol, nós todos sabemos que você estará bem" — canta a vozinha do cartão. — "Levante a cabeça, mantenha-a elevada, o que importa é que você tenta."

Para Gina, com amor e agradecimento por toda sua maravilhosa ajuda. Estamos muito orgulhosos por conhecer você. De seus amigos Janice e Martin.

Olho para o cartão, repetidamente leio as palavras e sinto meus olhos esquentarem. Janice e Martin têm sido bons amigos ao longo dos anos — mesmo que seu filho seja um pouco mimado. Sempre foram bons comigo, mesmo quando dei um conselho tão desastroso. Devo-lhes isto. E não vou mesmo desapontá-los.

Pisco algumas vezes, respiro fundo e vejo os olhos de Harry Potter sobre mim, verdes e sem expressão.

— Amigos — explico calmamente. — Enviando votos de sucesso.

Cuidadosamente apoio o cartão sobre a mesa de café, certificando-me de que fique aberto para continuar cantando, depois puxo meu balão para baixo e amarro-o no espaldar da minha cadeira.

— Certo — vem a voz de Zelda da porta. — Harry e Ginevra. Estão prontos?

— Não poderia estar mais pronta — digo calmamente e passo por Harry a caminho da porta.




N/T
Oi Galera!!!
Estamos caminhado para os capítulos finais de hj até o sábado eu vou postar um por dia. Todos os Capítulos já forma modificados e já estou preparando a continuação desse livro.

Bom em relação a postagem tudo pode mudar sabe rsrsrs
Se vocês quiserem eu posso postar antes tb rsrsrs

Agora sério vocês vão querer que eu poste a continuação desse livro?

O Total são 5. Se vocês quiserem eu posto os outros quatro livros.

bjs e aguardo as respotas

fiquem com JESUS

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