N/A: Nem eu estou acreditando que estou aqui de novo... depois da última prova do semestre, resolvi me dedicar ao próximo capítulo e cá estou com ele. Me desculpem por não postar mais, não dar notícias, etc... mas com trabalho novo e aula todas as noites eu mal tinha tempo pra lembrar, e quando tentava traduzir alguma coisa, ficava péssimo e eu apagava tudo. hahahaha espero que não tenham perdido o interesse pela fic, e espero que gostem deste :D Beijão
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"Draco?"
"Hm?"
"Me ajuda a tirar o sangue do cabelo, por favor?”.
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O clima turbulento e os movimentos agitados de Draco a despertaram, e Hermione cuidadosamente removeu seu braço de baixo do pescoço do rapaz.
Provavelmente ela devia ter se enrolado em torno dele durante a noite, mas ignorou a dor latente em seu cotovelo e tomou alguns minutos da manhã para estudar o rosto indecifrável ao seu lado. Um gemido escapou agitado enquanto Draco resistia aos demônios perturbadores de seu subconsciente, e Hermione decidiu relaxar e tentar afastá-los. Levantando a mão, ela suavizou as rugas do rosto de Draco com os dedos, e saboreou um sorriso secreto ao vê-lo se acalmar imediatamente sob seu toque.
Ele era tão bonito assim. Sem saber de seu olhar de admiração. As pontas de seus dedos acariciavam-no suavemente, desde a curva de orgulho dos lábios, até a faixa loira das sobrancelhas, e cada centímetro de pele branca. As ministrações de Hermione mudaram para o cabelo de Draco, pouco bagunçados a julgar que estava dormindo. Ele podia não perceber isso, mas a sombra pesada que escurecia sua presença havia corroído. Por dentro e por fora. E essa diferença fazia o coração de Hermione tremer.
Isto a atingiu então.
Tão duro como o trovão, e tão suave como canções de ninar.
Ela estava se apaixonando.
Ainda não era amor, mas beijava as costuras.
Seus lábios se abriram num suspiro silencioso, e ela retirou a mão curiosa. Parecia errado ter esses pensamentos românticos quando havia feridos e moribundos apenas alguns corredores de distância. Havia ainda espaço para o amor entre o palpitar estridente de guerra iminente? Balançando a cabeça e rapidamente deixando-o sozinho na cama, se repreendeu por mudar suas prioridades.
Não, havia trabalho a ser feito.
O amor teria que esperar em algum canto.
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Seu sonho era simples, nem obscuro nem corrompido com metáforas ou enigmas.
Ele estava em um quarto escuro e sem brilho que vibrava com o silêncio.
Parados em um canto estavam seus pais, o rosto de seu pai era amassado pelo desprezo, e sua mãe envelhecida pelo desânimo e estresse. No outro canto esperava Granger, um olhar esperançoso no rosto e, como sempre, mastigando o lábio, e atrás dela estava uma versão nebulosa e translúcida de si mesmo.
Em seu sonho, o olhar em conflito de Draco mudava entre eles durante horas, antes de finalmente engolir uma respiração pesada, e então levantar-se.
E então acabou.
Os olhos de Draco se abriram enquanto ele se levantava na cama, arrepios coçando em sua espinha e um suor frio brilhando em todo seu corpo. Soltando o rosto em suas mãos, ele gemia contra as palmas suadas e se perguntava por que arrepios borbulhavam sob sua pele. Sua atenção foi desviada para o lado da cama, e ele franziu a testa para o espaço vazio de Granger no colchão, mas os sons calmos de movimentos para além da porta do quarto lhe informaram onde ela estava.
O frio do quarto corroía seus poros, e Draco caiu em suas largas calças de pijama e uma enorme camiseta ao sair da cama. Ele fez uma pausa para assistir a tempestade violenta para fora da janela, o vidro estava distorcido pelo martelar da chuva e as chicotadas do vento, mas ainda podia ver que a neve havia sido lavada.
Granger não gostaria disso.
Saindo do quarto, ele parou no meio do caminho e ergueu uma sobrancelha quando a viu. Debruçada sobre o caldeirão e murmurando as medidas de ingredientes para si mesma, o cabelo dela era uma bagunça resistente à gravidade que circundava suas feições coradas, enquanto ela borrifava um pó roxo em sua poção. Concordando com satisfação, ela ergueu os olhos ocupados e, finalmente, percebeu ele, e os lábios de Draco se contorceram em resposta.
"Bom dia," disse Hermione calmamente. "Bem, tarde, na verdade.".
"Tarde?" ele repetiu, olhando para o relógio e percebendo que recém havia passado de meio-dia. "Você deveria ter me acordado.".
"Eu achei que você estava precisando de descanso," ela encolheu os ombros. "Você estava bastante agitado no seu sono na noite passada.".
Ignorando o comentário, ele acenou com a cabeça para caldeirão. "O que é isso?".
"É apenas mais um lote de Poção de sono sem sonhos," explicou ela, dando à poção uma agitação rápida. "Eu encontrei um pouco de Essência de Murtisco e Pasta para Queimaduras também." Ela hesitou. "Draco, você quer um pouco de Poção de sono sem sonhos?".
"Estou bem," resmungou, vincando o cenho com irritação. "Talvez você precise, visto que está, aparentemente, acordada a noite toda, tomando notas sobre os meus hábitos de dormir.".
"Foi só uma sugestão...”.
"Uma sugestão desnecessária," ele interrompeu com calma, franzindo o nariz quando o cheiro forte de poções misturadas chegou a seu nariz. "Isso cheira a merda.".
"Eu fiz um pouco de Esquelesce mais cedo," disse a ele. "O cheiro escapou da cozinha, um pouco...”.
"Mais cedo? Você nem dormiu?".
"A chuva me acordou bem cedo," ela murmurou. "E eu queria deixar tudo pronto, de qualquer maneira...”.
"Você está quebrada," observou ele, aproximando-se e observando as manchas escuras sob os olhos de Hermione. "Você deve voltar para a cama...”.
"Estou bem," ela balançou a cabeça. "Preciso voltar e ajudar...”.
"Claro que sim." ele disse com voz arrastada, revirando os olhos.
Ele esperava que sua bruxa fizesse uma réplica defensiva, mas então ele deveria ter aprendido que era inútil prever qualquer coisa sobre o comportamento de Granger. Em vez disso, ela simplesmente o estudou por debaixo de seus adoráveis cílios com um brilho de entendimento nos olhos. Ele não gostava daquele olhar, e culpava o seu voto de ontem à noite, quando a havia certificado de que não iria servir Voldemort novamente. Ela olhou para ele como se ele fosse diferente, de alguma forma... melhor, e Draco mudou o seu peso, com desconforto.
Ela não entendia.
Será que ela realmente acreditava que havia nascido alguma revelação moral? Que ele estava pouco se fudendo para Potter e seu bando de loucos irresponsáveis? Ele quase bufou. Sua motivação era inteiramente egoísta, sabia agora que se importava com o bem-estar dela, e que não queria vê-la ferida ou morta. Simples assim. Além disso, eles compartilhavam um inimigo em Voldemort, e ela poderia voltar para a pergunta ‘e se ele lhe pedisse para voltar para os Comensais da Morte' o quanto quisesse, mas aquele psicopata mentalmente perturbado não era conhecido pela sua natureza de perdão.
Decidir por manter-se neutro foi a decisão racional. O único problema era a situação de seus pais, que ele não tinha ideia de como haviam reagido ao seu desaparecimento, ou se suas lealdades ainda jaziam em Voldemort. Snape tinha dito a ele que seu pai havia escapado Azkaban, juntamente com muitos outros, cerca de um mês após o incidente na Torre de Astronomia. Ele gostaria de acreditar que seus pais teriam resistido, mas o desespero de seu pai induzido pelo medo de agradar Voldemort fazia Draco duvidar.
"Granger," ele começou hesitante. "O ataque ao St Mungus. Estavam... os meus pais estavam envolvidos?".
Hermione não conseguiu deixar de se encolher. "Eu não sei, Draco. Todos eles usam máscaras...”.
"Mas é provável," ele terminou por ela. "Eu entendo.".
"Draco," ela suspirou. "Eu realmente não sei. Há uma possibilidade de que as... circunstâncias com você podem ter alterado a...”.
"Mas você não sabe," disse ele em um tom cansado, descansando seu peso contra o balcão da cozinha e estalando a mandíbula. "Então o que você sabe, Granger? O que exatamente está acontecendo lá fora?".
Ele a observava atentamente quando a espinha de Hermione enrijeceu, e os músculos dos ombros ficaram tensos. Ele podia vê-la projetando frases em seu cérebro sempre em trabalho, querendo saber a quantidade de informação a divulgar, e medindo seu nível de confiança nele. A dinâmica havia mudado agora, ele tinha verbalmente renunciado ao cargo de seu inimigo, e isso mudava tudo, gostasse ela ou não.
"Está ficando pior," ela finalmente disparou. "Antes do Natal, o Ministério parecia ter algum grau de controle sobre a situação, mas desde que os trouxas foram assassinados no Ano Novo...”.
"Ano Novo?" ele exclamou estreitando os olhos. "Será que tem alguma coisa a ver com seus pais?".
Ele quase lamentou a pergunta quando testemunhou o flash de dor nas feições de Hermione, mas sua curiosidade tinha esperado tempo suficiente para ser saciada.
"Eles estavam matando os pais de nascidos-trouxas," Hermione disse-lhe com a voz trêmula. "Eu apaguei suas memórias e os enviei para um lugar seguro." Ela engoliu o nó na garganta. "Pelo menos, eu acho que eles estarão seguros.".
Além do leve movimento de seus punhos, Draco não se moveu nem falou, mas a culpa em seu estômago quase o esmagou. Ele não sabia de onde isso tinha vindo. Não fazia parte da provação de moral de Hermione, mas a culpa mastigava suas entranhas de qualquer maneira. Esse sentimento indefinível por Granger queimou um pouco mais seus ossos enquanto a observava, lutando para manter as emoções subjugadas, e usando uma fachada de compostura que tencionava os músculos do seu rosto.
"E agora St Mungus foi atacado," murmurou Hermione, trazendo-os de volta para o caos atual. "O Ministério será o próximo, e então ele vai ser capaz de fazer o que quiser." Seus olhos brilhavam com o pensamento quando ela parou para olhar em torno de seu dormitório. "Hogwarts não será mais segura. Nenhum lugar será.".
Draco estalou a língua. "Granger, onde...”.
"Eu não sei o que vai acontecer com você ainda," ela o interrompeu com um suspiro exasperado. "Eu preciso discutir sobre isso com McGonagall...”.
"Eu ia perguntar aonde você vai," ele deixou escapar, e seu comentário deixou ambos chocados. Recuperando-se rapidamente, ele vestiu uma máscara estóica e endireitou as costas. "Só por curiosidade, Granger.".
Hermione piscou uma vez. Duas vezes. "Eu não sei," repetiu ela. "Provavelmente, vou ficar com alguém da Ordem...”.
"E então você e seus companheiros da Grifinória irão marchar para a batalha," retrucou em tom mordaz, franzindo o nariz com desgosto. “Uma merda de galantes e nobres...”.
"Draco, não faça isso!" ela exigiu severamente, fixando-o com um olhar crítico. "Não nos questione assim!".
"Bem, perdoe-me por tentar falar com você sobre uma missão suicida!" ele respondeu. "Você mesma disse! Eles estão ficando mais fortes...”.
"Então nós vamos ficar mais fortes!".
"Não seja tão ingênua!" ele gritou, jogando os braços no ar com a frustração. "Isto não é um conto de fadas, porra! O bem nem sempre vence o mal, Granger! Você precisa aceitar que você não pode ganhar esta guerra...”.
"Então eu vou morrer tentando!" ela gritou quente, e ao mesmo tempo em que Draco sabia que deveria sentir-se desgostoso com o comentário, ele só sentia seu peito apertar com carinho por sua bruxa enraivecida.
"Não!" cuspiu com firmeza, batendo a palma da mão contra o balcão. "Você não pode...”.
"Por que não?".
Porque você é tudo o que me resta...
"PORQUE VOCÊ NÃO PODE SIMPLESMENTE IR EMBORA!" Draco gritou, sua voz intensa enquanto ele enterrava seu orgulho. "Você simplesmente não pode!"
Hermione tentou alcançar a sua mão. "Eu não estou indo embora...”.
"Ainda não!" ele latiu, empurrando para longe o toque dela. "Mas você disse que quando Voldemort infiltrar o Ministério, você irá para a Ordem! Eu não sou burro, Granger! Eu sei que não poderei ir aonde diabos você for, e daí? Eu levo um pé na bunda e fico por mim mesmo?".
"Eu disse a você," ela suspirou tristemente. "Eu não sei aonde você vai, mas vou falar com McGonagall...”.
"Essa vaca velha não dá a mínima para o que acontece comigo," ele murmurou em um tom baixo. "Você estaria desperdiçando seu fôlego...”.
"Isso é o suficiente!" ela gritou, cortando o ar com a mão. "Esta guerra é maior do que você e eu, Draco! As pessoas estão morrendo! Como você pode ser tão egoísta?".
Os lábios de Draco estalaram quando sua boca se fechou, e o silêncio pulsava em seus ouvidos. Absteve-se de vacilar enquanto olhos decepcionados o estudavam, desesperadamente procurando por uma indicação de decência moral, mas ele sabia que ela não iria encontrar nada.
"Você..." sussurrou Hermione hesitante, contornando o balcão até que pudesse sentir o hálito de Draco refrescando seu rosto. "Você não se importa com ninguém além de você mesmo?" Ela apertou o lábio. "Você se preocupa comigo?".
O orgulho desmoronou entre os dentes afiados. "Você esqueceu que eu lhe pedi para ir embora comigo, Granger? Você acha que eu apenas disse isso pra fazer uma piada?".
"Isso não responde à pergunta...”.
"Sim, responde!" ele argumentou ferozmente, levantando a mão para massagear a testa. "Isso é ridículo. Sua Ordem ridícula me colocou aqui, e agora que me... acostumei com a nossa situação, eles vão me enfiar em outro lugar? Estou cansado dessa porra de loucura.".
"A mudança é inevitável na guerra, Draco," disse ela, enrolando os dedos trêmulos em torno do pulso do garoto. "Tudo o que posso fazer é tentar garantir que você esteja em um local seguro...”.
"Pare de fazer isso," ele fervilhava com os lábios tensos. "Por que você tem que ser tão preocupada com o que acontece comigo?".
Hermione engoliu a emoção entalada em sua traqueia. "Você sabe por quê.".
Draco sentiu as batidas no peito acelerarem em um nível errático e interrupto enquanto considerava a confissão sutil nas palavras de Hermione. Ele não sabia se se sentia encantado ou horrorizado, e mais uma vez viu-se pairando entre uma coisa e outra. Entre luz e sombra. Repugnância e luxúria. Sua família e ela. O que havia sido dito a ele e o que ele era e o que ele poderia ser.
Apenas preso neste limbo que dividia sua alma e que parecia infinito, e ainda de alguma forma esclarecedor.
Ele se lembrava de como poderia ter sufocado Granger em seu sono e deixado de lado sua herança para se livrar deste dormitório, apenas poucos meses atrás. Agora, a perspectiva do mundo além destas paredes quentes parecia tóxico e sufocante, e a ideia de estar separado de Granger o enjoava. Ela era tanto um sedativo como um estimulante, perfeição viciante que a sanidade disse-lhe para rejeitar, mas o instinto pediu para que ele se afogasse nela.
"Eu preciso voltar para a ala médica," Hermione cortou seus pensamentos, afastando-se dele para organizar suas poções. "Professor Slughorn precisa disso...”.
"Nós não terminamos nossa conversa...”.
"Então, podemos concluir depois," ela murmurou, deslizando os frascos em sua bolsa encantada. "Tenho de...”.
"Granger," Draco murmurou, pegando o braço dela e virando-a para encará-lo. "Eu não..." ele lançou uma respiração rouca de derrota. "Eu não quero essa... coisa termine ainda.".
"Ainda?" ela repetiu, com os olhos encontrando o chão. "Então você pretende terminar em algum momento?".
Uma ruga percorreu as feições de Draco. "Eu não...”.
"Deixe-me lhe fazer uma pergunta, Draco," ela murmurou, e seu coração vacilou enquanto preparava uma pergunta com uma resposta potencialmente devastadora. "E se ambos sobrevivermos a esta guerra? E então? E a nossa... coisa, como você tão eloquentemente rotulou isso?".
O silêncio obstinado de Draco e a indiferente névoa em seus olhos cinzentos a fizeram sentir-se doente, então ela enfiou um cacho de bronze atrás de sua orelha, e levantou o queixo com equilíbrio artificial. Mais uma vez, lembrou-se das vítimas feridas do outro lado do castelo, e colocou seus sentimentos pessoais em segundo plano.
"Eu não tenho tempo para isso," disse ela com firmeza. "Eu tenho coisas para fazer...”.
"Granger, espera...”.
A batida da porta foi mais alta desta vez, e ricocheteou em torno de seu crânio até que seus ouvidos sentiram que estavam vazando sangue.
Mais perguntas.
Mais decisões.
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Os ossos dos dedos de Hermione estavam frágeis e prontos para explodir.
Após treze horas de pé, apenas com os efeitos residuais da Vitamix para levantar os seus membros, ela podia sentir o seu corpo começar a desligar de exaustão. Quando chegou à ala hospitalar, suas veias estavam sendo bombeadas com adrenalina abastecida por raiva, devido à sua discussão com Draco, mas que há muito havia terminado quando o dia se transformou em noite.
Ela tinha acabado de reparar os curativos com Essência de Murtisco em torno do abdome de um jovem bruxo, quando McGonagall chamou-a para algum tipo de ajuda, e os olhos de Hermione caíram para a bruxa traumatizada na cama ao lado da diretora. Ela imediatamente reconheceu a mulher frágil, aparentemente em seus vinte e poucos anos, que havia provocado a maioria da agitação da tarde.
Depois de permanecer inconsciente desde seu resgate no St. Mungus, Annabelle Snowbloom tinha despertado para descobrir que o marido de menos de seis meses, não estava entre os afortunados que haviam escapado, e ela gritou como uma louca sem cérebro por horas, até que sua voz simplesmente sumiu. Hermione se aproximou da bruxa ferida, e a simpatia foi incapacitante quando observou o vazio estranho nos olhos da mulher, e como os dedos trêmulos distraidamente brincavam com seu anel de casamento.
"Você poderia substituir os curativos nos braços da senhorita Snowbloom, por favor, Hermione?" McGonagall perguntou, sua voz arranhada com a fadiga. "Eu só preciso ver Horácio por um momento e pegar um pouco mais de Poção de sono sem sonhos.".
"Claro," ela murmurou, aproximando-se de Annabelle e estudando os dentes profundos e ensanguentados, que deveria ser produto de um violento Incarcerous. Bolhas pegajosas e molhadas salpicavam sua carne como pulseiras macabras, mas Hermione havia se tornado imune a tal feridas, e ela mal se encolheu quando retirou a sua varinha para limpar o mix rosado de sangue e pus. "Me avisa se eu te machucar, ok? Isso parece muito dolorido.".
Annabelle permaneceu completamente indiferente, então Hermione começou a recitar suas magias e aplicar os curativos com atenção gentil, mas precisa, em um silêncio que era demasiado trágico para ser estranho.
"Tem algum outro lugar ferido?" perguntou ela quando estava perto de terminar. "Ou há algo mais que eu possa fazer por você?".
O olhar morto de Annabelle deslocou em direção a ela como uma bala. "Você pode trazer de volta o meu marido?".
Hermione se encolheu. "Sinto muito," ela murmurou, porque não tinha ideia do que poderia dizer. "Eu realmente sinto muito...”.
"Teria sido melhor se eu nunca tivesse acordado," a viúva muito jovem disse num tom inexpressivo. "Eu não quero esta vida. Não parece real.".
As mãos de Hermione se mexiam em seu próprio colo. "Você gostaria de...”.
"Você é uma menina bonita," comentou ela, de repente, mas sua expressão não se alterou, e sua voz soou amarga. "Diga-me, você já perdeu alguém que você ama?".
Ela balançou a cabeça e se sentiu culpada por isso, parecia errado comparar quando o sofrimento de Annabelle era tão fresco. "Perdi amigos...”.
"Mas não alguém com quem queria passar sua vida," ela interrompeu. "Não é a sua alma gêmea." Sua voz falhou. "A pessoa que faz você se sentir indestrutível e vulnerável, ao mesmo tempo." Ela olhou para seu anel de casamento. "A pessoa por quem você iria morrer, e morrem sem.".
Uma imagem de Draco instantaneamente atravessou o consciente de Hermione sem comando, e seu coração murchou como uma folha ardente, crepitando e encolhendo, apenas pelo pensamento. Oh Merlin... aquilo fez um pedaço pesado de medo cair em seu estômago, e um gemido trêmulo passou em seus lábios quando uma pontada de dor física a abateu. Tudo a partir de um pensamento. Ela esqueceu-se da raiva. As palavras recusavam-se a formar enquanto as sensações inquietantes assediavam seus nervos, então ela simplesmente balançou a cabeça, e se recusou a chorar na frente de uma recém-viúva.
"Eu espero que você nunca tenha que se sentir assim," Annabelle disse a ela, o seu olhar de luto à deriva voltou a olhar para o nada. "Porque isto é como a morte, só que pior.".
Hermione podia ver o casulo mental assumir o espírito da bruxa novamente, e ela permaneceu em silêncio até McGonagall voltar poucos minutos depois, colocando um pequeno frasco da poção roxa ao lado Annabelle. "Tome quando estiver pronta," a diretora instruiu suavemente, conduzindo Hermione para longe da bruxa danificada. "Fizemos tudo o que pudemos por hoje. Você deve ir e descansar...”.
"Eu preciso falar com você," ela disparou. "Particularmente.".
"Foi um longo dia. Pode esperar até amanhã?".
"Não," Hermione se recusou, mantendo a voz baixa. "Eu quero falar sobre isso agora. Eu preciso falar sobre isso agora.".
Percebendo a urgência no tom de sua pupila, Minerva balançou a cabeça e a levou ao seu escritório, observando a postura rígida da bruxa mais jovem e sua expressão distraída. No momento em que ela fechou a porta para assegurar-lhes a privacidade, Hermione começou a andar ao redor da sala com passos impacientes, seus movimentos inquietos e trêmulos, como o cardo em ventos de outono.
"Acalme-se, Senhorita Granger," aconselhou McGonagall, balançando sua varinha para convocar uma cadeira. "Sente...”.
"Eu quero saber o que vai acontecer com Draco," ela deixou escapar descuidadamente, incentivada por flashbacks do transe de Annabelle. Ela não queria ser essa mulher de coração partido e alma rasgada. "Eu quero saber aonde ele vai.".
A professora grisalha franziu os lábios com consideração. "Você quer dizer se Voldemort se infiltrar no Ministério, e em Hogwarts...”.
"Não diga se," Hermione interrompeu com um tom irritado. "Não existe se mais! Você sabe tão bem quanto eu que St Mungos não poderia ter sido atacado se já não houvesse alguma corrupção no Ministério, então eu quero saber o que acontecerá com Draco quando os Comensais da Morte assumirem.".
"Hermione, nós temos questões mais urgentes...”.
"Basta responder a pergunta!" ela exclamou, cerrando os punhos até as unhas perfurarem as palmas das mãos. "Eu preciso saber!".
Além do ligeiro arco de uma sobrancelha cinzenta, McGonagall parecia afetada por sua explosão. "O que você sugere que eu faça com o Sr. Malfoy?".
"E-eu não sei," ela gaguejou com a frustração, tirando o cabelo de seu rosto. "Tem que haver um lugar onde ele possa ir. Em algum lugar em que ele esteja seguro.".
"Hermione, você deve entender que eu tenho muito em minhas costas...”.
"Eu sei que você tem," ela suspirou, esfregando os olhos estalados. "Eu sei que você tem, e eu sinto muito por estar sendo egoísta com isso, mas eu só...”.
"Olha," McGonagall respirou com cautela, tomando um momento para selecionar suas palavras. "Eu não sou cega. Eu sei que você se tornou um pouco... afeiçoada pelo Sr. Malfoy, e visto que ainda não compreendo o seu raciocínio, me abstive de dizer qualquer coisa por você parecer mais... como você mesma recentemente.".
Hermione contemplou negar, mas o aquecimento de suas bochechas a traiu, e uma lágrima de culpa pontuou a confissão. "Eu nunca pretendi que isso acontecesse...”.
"Eu sei que não," a diretora assegurou-lhe em voz baixa. "E eu não estou com raiva, mas você deve entender minha situação. O que você faria no meu lugar? O comportamento do Sr. Malfoy tem sido completamente inaceitável...”.
"Ele é diferente agora," ela defendeu sua amante não-tão-secreto. "Realmente, ele é...”.
"Hermione, você está...”.
"Por favor, ouça-me!" ela implorou em voz alta. "Ele me disse! Ele jurou que não iria servir Voldemort novamente! Certamente isso muda as coisas?".
Os olhos verdes de McGonagall piscaram com surpresa, mas ela desapareceu tão rápido como veio. "Você vai entender a minha relutância em confiar em qualquer coisa que ele diz...”.
"Então, confie em mim," ela insistiu. "Sei que ele cometeu erros, mas ele era uma vítima das circunstâncias. Você mesma disse que é importante que ele não tenha chegado a matar Dumbledore...”.
"Sim, mas...”.
"Ele mudou muito," ela continuou com pressa desesperada. "E eu sei que você provavelmente acha que meus sentimentos estão afetando meu julgamento, mas eu prometo a você que eu estou dizendo a verdade.".
A bruxa mais velha considerou sua companheira confusa, pensativa. "Exatamente o quão forte são os seus sentimentos pelo o Sr. Malfoy, Hermione?".
"Eu me preocupo com ele," ela admitiu depois de uma pausa considerável. "Ele tornou-se... importante para mim.".
"E você acredita que ele retorna... estes sentimentos?".
Ela inalou em uma respiração relaxante. "Sim, acredito," ela sussurrou. "Eu acho que significo algo para ele, mas mesmo que eu não signifique, eu ainda preciso saber que ele irá para algum lugar seguro.".
Minerva sentiu aquela pontada materna cintilando em seu peito, e ela abaixou a cabeça com a aceitação cansada. "Eu não posso prometer nada," disse ela em voz baixa. "Mas há um lugar onde o Sr. Malfoy possivelmente estará seguro. Vou ver se consigo fazer os arranjos.".
Hermione fechou os olhos enquanto o alívio a inundava, e ela colocou uma mão sobre o coração tranquilo. "Obrigada," ela exalava. "Muito obrigada, Professora...”.
"Por favor, não alimente esperanças, Hermione," a diretora impediu. "Isso é totalmente dependente do julgamento de outra pessoa e eu não posso garantir que ela irá concordar com isso.".
A curiosidade rastejou para os pensamentos de Hermione. "De quem depende?".
"É melhor eu não dizer até que eu entre em contato,” explicou ela, sufocando um bocejo com as costas da mão. "Foi um dia agitado. Você deve ir e descansar um pouco. Te garanto que eu farei o que puder.".
"Obrigada," Hermione repetiu, fazendo seu caminho em direção à porta. "E obrigada por... entender.".
"Eu não estou certa de que entendo," McGonagall contestou, levando a bruxa mais jovem para a porta. "Mas as emoções são o que fazem de nós seres humanos, e não posso condená-la por tê-las. Você tem idade suficiente para tomar suas próprias decisões. Tudo o que posso fazer é pedir-lhe para ter cuidado.".
"Eu vou," disse ela, um pseudo sorriso capturou seus lábios antes que se virasse para sair. "Boa noite, professora.".
McGonagall simplesmente balançou a cabeça e viu Hermione desaparecer na negra escuridão que inundava os corredores. Ela repetiu a conversa em sua cabeça e se perguntou se deveria ter feito alguma coisa para desencorajar o interesse de sua pupila no garoto com uma marca em seu braço, mas já havia secretamente adivinhado que havia algo acontecendo semanas atrás, e decidiu não intervir.
Ela distraidamente questionou o que Dumbledore teria feito em sua situação, e teve uma suspeita de que seu falecido amigo teria elogiado as circunstâncias, e a romântica adormecida em seu peito não pôde evitar em se sentir um pouco comovida com o dilema.
Não, não era a confissão de Hermione que tinha a surpreendido, mas a revelação de que Draco Malfoy tinha aparentemente prometido cortar sua conexão com Voldemort e, além disso, que ele retribuía os perigosos sentimentos de Hermione. A ideia era absurda, e ainda, enquanto ela serpenteava através das memórias dos últimos meses, ela notava pistas sutis que indicavam que não era um romance unilateral, fosse pelos feitiços de desvanecimento no pescoço de Hermione, ou a sugestão fraca de um perfume masculino preso a suas roupas.
Se alguém, além de Hermione, lhe dissesse tais detalhes sobre o herdeiro Malfoy, ela teria repudiado tal absurdo.
Mas Hermione tinha dito a ela, e isso significava que era verdade.
Talvez Albus estivesse certo sobre a alma do menino...
Esfregando a testa enrugada pela idade, ela lentamente fez seu caminho até a lareira e jogou algum Pó de Flu, enquanto recitava um endereço que havia usado muitas vezes nos últimos meses. As chamas esmeralda ondularam em tons fortes, até que um rosto familiar pairou acima da lareira, e olhou para ela com confusão.
"Me desculpe, já é muito tarde," McGonagall se desculpou. "Mas receio que eu precise pedir outro favor a você.".