Fechou o caderno e o colocou embaixo de seu travesseiro. Deitou na cama e fitou o teto.
— Por que será que isso acontece comigo? – disse para si mesmo. – Por que eu tinha que amar alguém como amo Vick? Por que ela tinha que me odiar tanto? Por que eu não consigo esquecer ela, mesmo ficando com outras meninas?
“Minha vida é uma merda.”
Fechou os olhos para relaxar. Deixando todos os pensamentos passar por sua cabeça. Conclusão não obteve nenhuma, medidas novas para tomar era uma pior que a outra. “Deixa o tempo correr, deixa essa porra de tempo me matar, deixa esse tempo que todos temem tirar Victoire de mim, não vou conseguir nada mesmo, ela não me quer. Deixa ess...”
Seus pensamentos foram extintos pela porta sendo atingida por um feitiço de explosão. Teddy abriu seus olhos e conseguiu ver que Gui entrava no quarto com a varinha apontada para o garoto, seus olhos estavam furiosos.
— O que foi que você fez para minha filha?
A varinha de Teddy estava na cama, o garoto tinha levantado tão rápido que se esquecera de pegar, tinha outra varinha apontada para ele. Não iria se defender por dois motivos, o primeiro era óbvio, não possuía uma varinha e o segundo era que mesmo que tivesse, não defenderia. Não tinha vontade de fazê-lo. E sua curiosidade fatal queria saber o que Gui era capaz de fazer contra um maior desarmado.
— Ora, não me lembro de feito algo contra sua filha, Gui. Não tenho ideia do que está falando. – Teddy falou com o maior tom irônico possível. Sabia que ele se referia à mentira que Victoire contou para todos na casa e que de algum jeito chegou aos ouvidos do pai super protetor.
— Quando eu falei com você hoje cedo, eu apenas concluí o pensamento que você era um cara legal, que devia ser boa gente com todo mundo. Mas então chego aqui e minha filha fala que você tentou estuporá-la?
Teddy apenas riu.
— Nossa, o que um rosto bonito e jeito não fazem na sociedade bruxa hoje em dia, não é?
— NÃO VENHA COM GRACINHAS PARA CIMA DE MIM, GAROTO. NÃO ESTOU COM PACIÊNCIA.
— Ui, o lobisomem falso está atacando, todos devem correr de medo.
— NÃO-ME-DESAFIE-TED-REMO-LUPIN!
“Até onde será que ele vai?”
— Não estou te desafiando, Gui, estou apenas expondo fatos.
O corte em horizontal no rosto de Gui ficou cor de sangue, como se a ferida tivesse sido reaberta, seu rosto assumiu uma expressão furiosa que se assemelhava a uma mãe lobo que protege seus filhotes indefesos de uma ameaça externa, sua mão segurou a varinha de tal maneira que poderia quebrá-la se mais uma ínfima parte de força fosse atribuída ali, os caninos pareceram se afiar e os olhos escureceram.
— TED-REMO-LUPIN-NÃO-ME-FAÇA-TE-ATACAR!
— Então não ataque, ora. Não estou pedindo.
“Brincar com o fogo pode queimar. Engraçado esse ditado, eu acho. Estou seguindo-o e provavelmente me sairei mal dessa situação e não estou com medo. Irônica a vida.”
— Lobinho quer um osso? Ou prefere uma carne mal passada para tomar coragem?
A respiração de Gui estava pesada. Ele dava profundas inspirações, como se tentasse conter uma fera faminta, os olhos mostravam fome. O corte no rosto de Gui parecia que ia voltar a sangrar de tão vivo que ficou.
“Fúria, o ataque está p...”
—REDUCTO! – e um lampejo branco saiu da varinha.
A distância entre os dois era da porta à janela, o que não era muita coisa. Teddy conseguiu ver o feitiço sair da ponta da varinha e ir em direção a ele. Não dava tempo de pegar a varinha e tentar projetar uma espécie de escuto contra o feitiço. Ele seria atingido em cheio pelo feitiço. Todas certezas incontestáveis. Mas agora: o quão forte seria o feitiço? Onde ele pararia depois de o feitiço o atingir? Como ele ficaria? Eram essas perguntas sem respostas que deixaram-no com medo.
“Como será que é receber um feitiço desses de um maior irritado?... Bem, vamos descobrir agora.”
O feitiço chegou.
E
.
.
.
Não foi a melhor coisa que Teddy já sentiu. Metaforicamente falando, nem a emoção de não ter Vick e vê-la com outros caras doía tanto quanto um feitiço redutor aumentado de força umas mil vezes acertar você em cheio no corpo.
Teoricamente, o feitiço reduziria objetos a pó. Mas uma pessoa não é um objeto. Teddy não sabia que fim teria. Ele apenas fechou os olhos e deixou fluir, até porque não tinha muito que fazer.
Receber feitiços não é uma coisa estranha, por assim dizer. É bem normal na vida de um bruxo que pretende ser Auror, na verdade. Mas aquele feitiço foi diferente. Sentiu cada parte de seu corpo estralar e seus pés foram arremessados para trás de tal maneira que achou seu corpo fora desprendido deles. Seu corpo foi jogado contra a janela, foi possível ouvir o barulho de vidro sendo estilhaçado mesmo com uma imensa pressão contra o ouvido do alvo. Seus tímpanos pareceram explodir. Seus ossos não respondiam mais ao comando do sistema nervoso. Consciência só tinha duas.
Uma era que ele tinha recebido um feitiço forte de um ser furioso.
A outra era que estava em queda livre.
E não era uma queda pequena.
Gritar, qualquer pessoa em uma queda gritaria. Teddy pensou em gritar, mas não conseguiu. O que foi frustrante, muito frustrante. Porque gritar é o melhor jeito de conseguir extravasar toda a raiva, ódio ou medo que sente antes, e depois, de receber o efeito de uma causa anterior. Mas aparentemente feitiços redutores em pessoas causavam certo estrago no corpo como um todo, fazendo com que nada que viesse de dentro dele pudesse fazê-lo se mover.
Com um baque o corpo de Teddy encontrou seu destino. O garoto se encontrava desacordado, não se sabe se pelo feitiço ou pela queda. Aquilo não importava. Será que alguém iria a socorro dele? Todos claramente estavam contra ele ali, porque acreditavam na mentira que Victoire contara, então ele não cria que alguém poderia ajudar, mesmo que ele fosse considerado da família.
Seu corpo permaneceu no mesmo lugar por tempo indeterminado. Parecia que ninguém se importava que ele tivesse caído ou que ele tivesse sido atingido por um feitiço forte.
Quando Teddy conseguiu abrir os olhos, viu que estava numa cama com uma única pessoa ao lado dele, Harry. Ainda bem que não era sua avó, porque ela provavelmente estaria passando mal de ele estar ali, desacordado.
— Tio... tio... E-eu fui atacado? – Teddy se esforçou para falar, sua boca parecia não existir substancialmente.
— Foi, Teddy. E eu entendo Gui por fazê-lo. Agora quero ouvir o que você tem a dizer. – o tom na voz de Harry era severo e chegava a desgosto. Nada muito agradável de ouvir de uma das únicas pessoas que realmente gostam e cuidam de você.
— Eu não ataquei Victoire, tio. Juro. – a voz de Teddy soava desespero e implorava por consentimento. O garoto seria capaz de se ajoelhar para pelo menos seu padrinho acreditar nele.
— Não é o que ela está dizendo, Ted.
— Mas, tio. Ela... ela está mentindo... ela quer que eu me ferre, não sei porque, mas ela quer. É sério, tio. Eu não atacaria Victoire, não tenho motivos para isso. Foi ela quem me atacou! Eu apenas me defendi.
Harry não mostrou expressão alguma, nem de confiança nem de desconfiança. O que para Teddy foi frustrante. Necessitava saber que posição seu tio tomaria.
— Você volta para casa comigo hoje. Para a minha casa, não a de sua avó. Ela está viajando e eu sou seu responsável. E acho melhor você voltar comigo. Alvo, Tiago e Lílian vão ficar aqui até as aulas de Hogwarts voltarem.
— Tudo bem. Se o senhor acha melhor. – não estava nada bem, na verdade. Teddy não queria partir d’a Toca daquele jeito. Muito menos ver seu padrinho daquele jeito com ele. – Hm... eu vou arrumar minhas coisas e...
— Eu já arrumei. – respondeu Harry.
— Então... vamos? – arriscou evasivo.
Teddy conseguiu se levantar com mais facilidade do que deveria ter. Andou pelo quarto, pegou a mala que trouxera de casa e acompanhou seu tio descendo a escada.
Molly, Gui e Victoire estavam sentados no sofá da sala enquanto as crianças brincavam no lado de fora, como se nada tivesse acontecido.
— Teddy, espere lá fora. – falou Harry como se Teddy fosse um elfo-doméstico.
Teddy obedeceu sem contestar. Já tinha problemas demais naquela casa e não queria arranjar mais para a casa que iria, principalmente sendo a casa de seu padrinho.
Não demorou muito e Harry já estava de volta. Encarou Teddy, que encarou de volta completamente sem jeito, mas tentou sustentar o olhar severo de Harry.
— Vamos. Venha.
Teddy seguiu Harry até fora do limite de feitiços e desaparataram juntos para a casa do padrinho.
A casa continuava a mesma de como era da última que Teddy estivera lá. Um amarelo claro coloria o lado de fora da casa. O pequeno jardim da entrada sempre bem cuidado, rosas, copos de leite, violetas e algumas outras plantas enfeitavam o gramado, dando vida ao local mesmo na noite mais escura. O caminho de pedras que levava à pequena escada ainda tinha as mesmas rachaduras e pedras polidas de sempre. A pequena escada de dois degraus que indicava a porta ainda tinha as mesmas marcas de desenho que Alvo e Tiago fizeram quando criança. A mesma casa que Harry construíra depois da queda do Lorde das Trevas estava lá, intocada.
Teddy chamava aquele lugar de lar mesmo não sendo, assim como chamava Hogwarts. Sentia falta de visitar lá. E agora que o fazia, não gostava como deveria, porque seu padrinho estava bravo com ele por uma coisa que não fez. E nada consegue ser pior, talvez, o fato de Victoire odiá-lo ou o caso da mentira de Vick que causara tantos danos ao garoto.
Teddy ainda não tinha passado pelo portão. Estava parado do lado de fora de toda a propriedade olhando tudo com olhos clínicos, querendo regravar cada pequena parte daquele lugar.
— Teddy? – falou Harry – Venha, entre.
Teddy deu por si e entrou. Sentiu uma pequena vibração ao entrar. “Feitiços de proteção”.
— Tio, por que o senhor protege sua casa, sendo que foi você quem derrotou o Lorde das Trevas? – perguntou Teddy evasivo, mas tentando quebrar o clima de tensão entre eles.
Harry sorriu antes de responder. O que foi particularmente ótimo para Teddy que viu que seu plano de quebrar a tensão estava funcionando, mesmo que lentamente.
— É exatamente porque eu derrotei o Lorde das Trevas que essa casa é protegida, Teddy. Ainda há bruxos das trevas soltos pelo mundo que podem querer vingar a morte do maior deles.
— Mas eles teriam que ficar com medo de um bruxo poderoso, não teriam? Eu não atacaria a casa de um dos bruxos mais fortes do século só para vingança...
Harry meio que corou com o que seu afilhado falou. Harry não se considerava um bruxo tão poderoso assim, até porque ele sempre teve ajuda nas conquistas que obteve, como ele mesmo alegara inúmeras vezes.
— Venha, Teddy. Vamos entrar e quem sabe continuemos essa conversa.
Teddy se sentiu aliviado. A tensão praticamente se fora e o tom de voz de Harry voltou ao normal.
Os dois entraram em casa e por dentro estava tão igual como estava por fora. Os móveis no mesmo lugar. A mesma mobília. Os mesmo quadros. Os mesmo objetos mágicos. Os mesmo feitiços ocultando os objetos mágicos de trouxas. Tudo como se lembrava. Tudo como sempre foi o seu lar.
— Coloque sua mala lá em cima. Sabe onde é o quarto.
Teddy fez que sim com a cabeça e subiu as escadas. Chegou ao quarto de hóspedes, que praticamente já era dele, de tanto que já dormira lá, e largou a mala em cima da cama dizendo a si mesmo que depois arrumaria tudo e, no fim, nada ficasse realmente arrumado.
Desceu de volta para a sala para ver o que seu tio estava fazendo e o encontrou com uma taça de Uísque de Fogo na mão.
— Quer uma, Teddy? – ofereceu Harry.
Teddy se surpreendeu com o que Harry ofereceu, pois ele nunca tinha oferecido nenhuma bebida alcoólica ao afilhado antes.
— Posso mesmo, tio? – perguntou Teddy achando que tudo aquilo fosse brincadeira.
— Aham, pega uma taça lá.
Teddy foi sem hesitar. Ainda não cria no que ouvia, seu padrinho deixando ele beber Uísque de Fogo assim, de repente. E ainda mais depois do que aconteceu n’A Toca. Só para parecer decente, Teddy não encheu muito a taça, colocou o líquido passando um pouco mais da metade e foi unir-se a Harry na sala de estar.
Harry estava sentado em uma poltrona e Teddy ocupou outra. Harry fitava a lareira vazia como se lá o fogo crepitasse e ajudasse em seus pensamentos. A taça estava parada em sua mão, porém já vazia, Harry já bebera tudo o que nela havia, levantou para pegar mais e acabou trazendo a garrafa aberta e mais três outras do mesmo líquido.
— Gina não vai vir para casa hoje. Ela está num jogo das Harpias fora e não dá para voltar. Então... acho que me entende... – Harry sorriu para Teddy enquanto deixava todas aquelas bebidas em cima de uma mesinha.
Teddy não acreditava nem no que via nem no que ouvia. Seu tio sempre certinho perto das crianças e de sua mulher, um ótimo Auror no trabalho e reconhecido pelo ministério, estava querendo passar a noite toda bebendo. Teddy queria rir, mas achou melhor não fazê-lo ainda.
“Ah, às vezes eu esqueço que ele gosta de beber, acho que fico preso à imagem de padrinho e pai sério que ele normalmente passa. Mas ele é normal antes de tudo...”
Harry já tinha desistido de se conter e pegou logo a garrafa inteira de Uísque de fogo e virou direto na boca.
— Nossa! Há tempos que não fazia isso – olhou para Teddy – tinha me esquecido do quão bom era. – e riu.
Teddy ficou meio boquiaberto com a cena. Harry podia até sentir vergonha de algumas coisas, mas com seu afilhado sabia que podia ser quem era, fazer coisas que não fazia e saberia que não sairia dali, seria meio que um segredo, nem Gina nem as crianças saberiam do ocorrido.
Teddy queria fazer o mesmo. Soltar as estribeiras. Queria sair um pouco da mesmice que sua vida quase sempre era, exceto nas vezes que saia com Guilherme. Estava apreensivo de levantar, pegar a garrafa e virar goela a baixo, e se seu tio não gostasse e brigasse com ele?
— E aí? Vai ficar aí só olhando ou vai pegar uma para você? – estava claro que o álcool já estava afetando seu padrinho. Não só as palavras que usava, mas também o jeito que falava: soava como um início de embriaguês. Ver adultos ficando bêbados pode ser uma das coisas mais engraçadas que existe, porque eles começam a falar coisas que normalmente não falariam e a fazer coisas que normalmente queimam o filme deles.
O pudor de Teddy saiu depois que Harry disse “só olhando”, Teddy não gostava de ficar sem participar de festas, sempre foi muito, como diz uma gíria trouxa, baladeiro. Seu lema era: “viver a vida porque só se tem uma”. Bastante gente segue essa ideia, de fato, mas ele é diferente, ele crescera sem os pais, sabe o que é valorizar a vida, cresceu com isso praticamente.
Pegou a garrafa de uísque, abriu com a boca e virou um gole. O líquido desceu rasgando, como deveria ser. Não deu muito tempo para passar o “rasgo” na garganta e já virou outro gole. O álcool rápido que entrou no corpo do garoto bateu rápido no estômago e agiu mais rápido do que era para ser.
Era o principio do que acontecera na balada que fora com Guilherme, mas é provável que ele fique pior dessa vez, porque as bebidas são mágicas, ou magicamente alteradas, então tem uma força um pouco a mais na pessoa.
Teddy caiu na poltrona depois do terceiro gole seguido, Harry o acompanhou no quarto.
— Sabe, Teddy, eu sinto falta dessas coisas – falou Harry embriagadamente – queria poder fazer isso mais vezes.
Teddy riu loucamente do que Harry disse.
— Há quanto o senhor não faz isso?
— Acho que faz uns 15 anos!
Riram juntos de uma graça inexistente. As garrafas de uísque jaziam no chão, ocas, depois de um pouco mais de tempo. Tinham na mão, agora, hidromel. Teddy não tomava hidromel frequentemente, não era uma bebida muito fácil de encontrar. Ele sabia que o padrinho tinha cinco garrafas daquela bebida. Duas estavam em suas mãos. O pensamento lógico de qualquer pessoa excessivamente bêbada, ainda tinha mais.
Brindaram e bateram as garrafas, em prol a quê? Talvez ninguém realmente soubesse.
— Teddy – Harry falou, dando uma pausa para tentar raciocinar no que ia falar, para tentar fazer sentido – estou brigando um pouco demais com a Gina, será que ela não me ama mais?
Então a garrafa de hidromel sofreu ação da gravidade e encontrou o destino selado. Os olhos de Harry se encheram de lágrimas e ele começou a chorar e a falar insensatamente sobre o quanto ele amava Gina e o quanto não queria que ela o abandonasse. Teddy demorou a entender o que estava acontecendo, mas com a bebida agindo fortemente no seu cérebro, mesmo o que entendeu não fazia sentido. Sua garrafa acabou tendo o mesmo destino de sua irmã.
Teddy olhou para o tio e começou a falar com uma voz triste e pré choro, como se sentisse muita pena de seu tio, como se alguém tivesse morrido.
— Tio, ela não vai te abandonar, ela gosta de você, seus filhos também. E se ela te abandonar, O QUE NÃO VAI ACONTECER, eu ainda vou estar aqui – Teddy fala como se falasse com Vick, justificável, até, haja visto que estão completamente bêbados, e pessoas bêbadas praticamente só sofrem de dor de corno.
— Ela me trai, tenho certeza – a esta hora já estava completamente aos prantos, seus olhos estavam inchados do choro e ele não parava de tremer. – Ela está fazendo isso hoje, eu vejo como ela se distancia de mim. Ela quer me trocar. Eu quero continuar com ela. Eu preciso dela para viver.
E chorou mais alto.
Se é que era possível, claro.
— Tio – Teddy saiu do tom choroso e foi para o bebadamente sério, que é, nada mais nada menos, tentar ficar parado sobre os dois pés, sem agir como um pêndulo, o que não acontece. Teddy ia de um lado para o outro sem perceber. – Cala a boca. – e deu um soco no rosto de Harry.
Harry recebeu o soco com uma cara estilo “mas o que é que está acontecendo aqui?” e ficou pasmo quando percebeu.
Seu humor mudou da água para o vinho e eles começaram a brigar no meio da sala, quebraram alguns objetos de vidro e as garrafas que usaram no chão viraram meio que espadas.
Minutos depois da briga iniciada, Harry começou a realmente atacá-lo e a acusá-lo:
— É VOCÊ QUE QUER ROUBAR GINA DE MIM, NÃO É? COMO TEM CORAGEM DE VIR ATÉ MINHA CASA?
E investia contra ele. Teddy não atacava, só desviava. Acho que mesmo que bêbado tinha noção de que Harry era adulto e que ele era seu padrinho.
—NÃO TOQUE NA MINHA MULHER. NÃO QUERO FICAR SEM ELA, EU A AMO.
A dor de corno já estava tomando conta de Harry. Qualquer pessoa que visse a cena morreria de rir.
— Desculpa, cara. – Harry abaixou a garrafa, olhou para as mãos e pareceu decepcionado consigo.
— Eu amo Victoire! Necessito dela ao meu lado para todo o sempre e ela não me ama, ela me odeia. – dessa vez foi Teddy quem caiu chorando, depois de ter soltado essa declaração súbita. Ele caiu no chão e começou a socá-lo, como uma criança fazendo birra. Começou a se contorcer, como se sentisse dor.
— QUERO ELA PARA MIM! QUERO PARA MIM! QUERO FICAR COM ELA – falava uma frase a cada mini ataque que dava.
Harry dessa vez que tomou as rédeas da situação, jogou uma garrafa de hidromel fechada para Teddy e pegou outra para si.
— Para de chorar feito menininha por um amor não correspondido. Parece viadinho. Vai atrás da mina, faz ela te querer, mostra para ela o que sente. – então bebeu metade da garrafa num gole só e desmaiou no chão.
Teddy olhou para o rótulo, destampou desajeitadamente a garrafa e virou outro gole, teve o mesmo destino do companheiro bêbado que caiu perto da lareira.
Teddy acordou na cama, de novo.
Não tinha muito tempo e ele tinha acordado numa cama depois de desabar no chão. Desta vez, porém, não havia vomitado antes de desmaiar.
Abriu os olhos e, ao contrário do dia em que saiu com Guilherme, ele conseguia se mexer e a cabeça não doía tanto, mas o estômago revirava.
Tinha um líquido vermelho forte na mesa de cabeceira e um bilhete junto. Percebeu que era tônico. Bebeu de um gole. A bebida bateu no estômago e tudo nele se mexeu, o líquido começou a subir, correu para o banheiro e vomitou.
A dor no estômago passou, pelo menos. Harry tinha um leve dedo para poções curativas, não tanto quanto sua mãe, ou Hermione, muito menos, mas tinha umas que ele preparava bem.
Teddy desceu as escadas. Não se lembrava do que tinha acontecido, o sono encarregou-se de apagar sua memória como um feitiço. Tinha apenas flashes na mente, briga, choradeira, muita bebida e... ele falando que amava Victoire. Será que Harry ouvira? O coração de Teddy disparou, Harry não podia saber.
Foi até a cozinha e o encontrou lá.
— Tio... Beleza?
— E aí, Teddy. Ressaca muito forte? – perguntou sorrindo. E convidou-o para sentar. – fazia tempo que não tomava tanto quanto ontem, relembrei o dia do meu casamento, eu e Rony saímos horríveis de lá.
— Tio, hm... O senhor se lembra de alguma coisa de ontem à noite? – perguntou evasivo.
— Não muito. Lembro da briga, de chororô e... só.
Aliviou-se. Podia ser mentira, sabia. Mas tinha quase certeza que era verdade, Harry não era de mentir. Passaram a manhã arrumando o quebrado e escondendo as garrafas utilizadas de Gina.
Harry e Teddy ficaram, depois de colocar tudo em ordem, conversando no quintal, conversaram sobre tudo. Teddy contava seus sonhos, suas vontades, suas faltas, suas necessidades. Só não cotava sobre Vick. Harry o aconselhava, ajudava-o e também revelava alguns medos e desejos que tinha.
Gina chegou ao final de tarde, sol já se punha ao horizonte, entregou as malas a Harry e o beijou fervorosamente. Teddy, sem graça, agitou a varinha e trouxe as malas de sua tia e as deixou em seu quarto. Depois foi para o seu próprio.
Mesmo que não tivesse feito muita coisa o dia todo, estava cansando. Não havia recuperado a noite que dormira. Deitou apenas para um cochilo, mas acabou dormindo o resto da noite.
Acordou no outro dia com a mesma roupa que estava. Olhou para um relógio perto dele e viu que já era a manhã do outro dia. Levantou, foi ao banheiro e depois desceu. Seus tios já estavam acordados, como sempre, Harry lia o Profeta diário e Gina terminava seu café da manhã.
— Dormiu rápido ontem, você está bem mesmo? – perguntou Harry.
— Estou sim, tio, relaxa. Só estava cansado.
Harry não falou nada sobre poder contar à Gina o quanto beberam noite passada, mas entraram em um acordo mútuo pelo olhar que era melhor ela não saber.
O resto do dia passou normalmente, às vezes Teddy levantava e ia dar uma volta na rua, mas preferia ficar em casa relaxando, já que suas aulas voltavam dali a alguns dias. Foi dormir relativamente cedo para acordar relativamente tarde.
Foi assim o resto da semana.
Até que chegou o dia de pegar o trem na plataforma 9 ¾.
Acordou cedo, como sempre fazia nesses dias. Os seus primos iriam com a avó Molly para lá e depois, os que não fossem para Hogwarts, voltavam com ela e no final do dia seus pais os levavam para casa, indicando que as férias tinham acabado.
A plataforma estava cheia como sempre, tanto do lado trouxa quanto do lado bruxo.
Teddy queria evitar mais discussões com a família, e principalmente com Vick, então se despediu de seu padrinho e de Gina e já entrou no trem para procurar Guilherme, ele sempre chega cedo demais no local e sempre ocupa um ótimo vagão. Não demorou muito e encontrou seu amigo.
— E ai, cara, beleza? – cumprimentou Teddy.
— E ai, to de boa – respondeu Guilherme, parando de ler e abrindo um sorriso ao ver o amigo.
Teddy se sentou e atualizou o amigo das últimas notícias acontecidas a ele. Guilherme não contou nada de muito novo, só que passou o últimos dias de suas férias arrumando algumas coisas de Hogwarts e passeando pelas ruas de Londres.
Deu onze horas e o trem partiu. Tomando a mesma rota de sempre.
A viagem foi ótima, Guilherme e Teddy ficaram conversando o tempo todo, normalmente sairiam à procura de garotas para ficar, mas Teddy tinha feito uma acordo consigo de que não ficaria com mais ninguém até sua cabeça se acertar em relação à Vick, Guilherme também não insinuou nada e ninguém tocou no assunto.
Escureceu do lado de fora, o que indicava que chegavam perto do destino.
Teddy não conseguia esconder a ansiedade que estava de voltar para seu lar. Sim, era seu lar, passava a maior parte do ano lá e amava aquele lugar. Mas aquele era seu último ano, o que é realmente triste e depressivo. Não iria pensar nisso agora.
O trem para na estão de Hogsmead e Teddy e Guilherme deixam o trem e pegam uma carruagem junto com Gabriela, uma sétima anista da Corvinal. Ela tem olhos azuis e cabelo castanho escuro. Uma mente brilhante, mas muitos acham que ela é toda estranha por meio que viver no mundo da lua, Teddy vê uma Luna Lovegood mais nova ali, o que é um ótimo elogio.
Gabriela é uma espécie de amiga de Luke, eles sempre conversam durante as aulas, nos intervalos e nos tempos livres que tinham juntos. Gabriela era linda, muito linda. Mas Teddy nunca teve vontade de ficar com a garota, ela é diferente das outras meninas, ela é do tipo que é melhor ser muito amigo do que ficar, são raras, essas, principalmente porque ela tinha conteúdo, internamente.
— Olá, Gabriela, como foi de férias? – pergunta Teddy.
— Otimamente bem, e você?
— Ótimas, também. Viajou muito?
E assim ficaram conversando até que chegaram à entrada da escola. Assim que passaram pelo portão, Teddy se lembrou de como fora avistar aquele magnífico lugar pela primeira, como sempre acontecia. Sentia inveja dos alunos do primeiro ano que tinham essa sensação. Cada lugar daquele castelo era mágico, tinha vida, transmitia boas energias, cada centímetro de lá arrepiava Teddy.
A vista daquele lugar renovou os sentimentos de Teddy, a briga com Vick fora quase completamente esquecida, só queria poder apreciar a magnífica estrutura do lugar a frente de seus olhos.
— Ainda me lembro da primeira vez que olhei para tudo isso. Ainda me lembro de como me senti. É como estou nesse exato momento – comenta Gabriela, após descer e se unir a Teddy.
Entraram no castelo e foram para o Grande Salão, foi nesse momento que Gabriela foi para um lado e Teddy e Guilherme para outro. Uma para a mesa da Corvinal e os outros para a mesa da Grifinória.
Os alunos se cumprimentaram e tomaram lugares na mesa para esperar a seleção dos novos alunos, como será que seriam as novas caras do alunos da Grifinória? Sempre essa pergunta pairava no primeiro dia dentro do castelo.
Teddy passou rapidamente os olhos pela mesa de professores.
Estava como sempre, diretora Minerva. Luke, o professor de Transfiguração. Neville, o professor de Herbologia. Lilá, a professora de Adivinhação. Cho, a professora de Voo e juíza de Quadribol, Hagrid, guarda-caças e professor de Trato de Criaturas Mágicas. Suzana, professora de feitiços e...
WAIT, WHAT?
Hermione Jean Granger Weasley, sua tia.
Ocupando um lugar na mesa do corpo docente esse ano?
Sério?
Como assim?
O que ela fazia lá?
Será que seria professora ou só iria dar um aviso do Ministério?
Mas, espere, Justino está faltando...
Será mesmo que ela vai...
“Não posso crer nisso.”