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13. Do quanto você é capaz de lemb


Fic: A Floresta das Sombras, Aviso


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 13


Para Daniela, nossa fadinha ruiva, em seu aniversário.



Do quanto você é capaz de lembrar?





Foi James quem resolveu romper o silêncio incômodo que se instalou após Harry e Hermione terem se afastado.

– Nosso filho – a voz saiu rouca e esquisita como se ele estivesse há muito tempo sem falar, James limpou a garganta e continuou – tem um ótimo coração, mas um péssimo senso de oportunidade.

– Ele é um manipuladorzinho controlador, isso sim – rosnou Lily. – Oh, isso é tão... tão...

– Eu? – James completou com um sorriso petulante. – Preciso me lembrar de elogiá-lo mais tarde.

Se houvesse algum resto de humor em Lily – o que não havia – teria sumido ali.

– Isso não seria tão irritante se ele também não desejasse as coisas erradas.

– Erradas? Você diz isso só porque os desejos dele se chocam com os seus, não é mesmo Lily? Harry quer as pazes entre nós, enquanto você... Imagino que tenha passado o dia pensando de quantas formas você poderia me colocar contra a parede – ele olhou rapidamente para a murada em que estava encostado e deu um pequeno sorriso – e, claro, me fatiar em pedacinhos.

– Ah! Então você tem total consciência do que fez! – ela acusou.

– É claro que eu tenho. – A calma com que James respondeu fez com que Lily retesasse os punhos. – Mas eu acho que... – ele deu um passo incerto para longe da balaustrada, mas não pareceu gostar do efeito. – Temo que teremos de adiar os anseios de Harry e os seus para outro momento.

Com um breve aceno com a cabeça James se virou e, cuidadosamente, tomou o caminho de volta até o salão principal. Lily o segurou pelo braço.

– Aonde você pensa que vai?

– Voltar para a festa – ele respondeu isso com uma obviedade irritante.

– Ah, não! Não mesmo! Você não vai sair daqui enquanto nós dois não tivermos uma conversa sobre aquele maldito cavalo.

James suspirou lamentando.

– Não podemos deixar o “maldito” cavalo para amanhã?

– Não se você pretende chegar até amanhã respirando – rosnou ela.

Ao invés de rir da ameaça, como ela estava certa de que ele faria, James apenas olhou por um momento para a mão que segurava o seu braço. Depois, baixou os ombros, resignadamente, e lhe falou numa voz baixa e pesada de vinho.

– Lily – o jeito como a chamou, a fez abrir os dedos de cima do braço dele imediatamente – por favor, eu estou pedindo, seria melhor deixarmos isso para um outro momento. – James deu-lhe um meio sorriso. – Além do mais, só se deve assassinar um homem quando ele está sóbrio o suficiente para, ao menos, tentar se defender, não concorda?

O tom calmo apenas serviu para convencer Lily do contrário do que ele dizia. Ela cruzou os braços, irredutível.

– Você me parece sóbrio o suficiente para admitir o seu erro, então eu acho...

– Espere aí! – ele alteou a voz. – Eu não errei!

– Você acabou de dizer que tinha total consciência sobre o seu “presente”! – Lily retrucou no mesmo tom.

– E quem disse que eu acho que presentear o meu filho com um cavalo de fogo foi um erro?

– Certo! – berrou ela. – Então, sóbrio ou bêbado, você continua a ser o mesmo irresponsável do qual eu me lembro!

– Bem, se você quer colocar as coisas dessa maneira, então eu vou desfazer as suas ilusões desde já, Lily! Você certamente não se lembra muito bem de como eu sou ou não acharia que é possível me fazer mudar de idéia! Vai gastar o seu latim à toa me xingando e, ainda assim, as coisas vão permanecer exatamente como estão! O cavalo é do Harry e ele vai usá-lo, concorde você com isso ou não!

– Você não pode tomar decisões sozinho sobre o Harry...

– Ah, eu posso sim. E eu vou! Você já fez isso uma vez, não foi? Agora é a minha vez! Discussão encerrada!

Ele não chegou a dar dois passos para longe dali e ela contra-atacou sem piedade.

– Se quer tanto assim acabar com a vida do Harry, por que você não usa o modo mais fácil, hein? Ele confia plenamente em você, basta pegá-lo distraído e cortar a garganta dele. Ou será que é preciso entregá-lo numa bandeja para Voldemort?

Quando James se virou para ela, seu rosto estava transfigurado, irreconhecível. Ele a agarrou pelo braço com selvageria e sacudiu dolorosamente.

– Eu... não vou... admitir... – as palavras saíram difíceis pelo maxilar apertado.

Contudo, o susto nos olhos verdes e arregalados de Lily o fez retomar o controle. Ele a soltou e deu vários passos para longe dela, indo novamente até a balaustrada.

– Eu disse que era uma péssima hora – resmungou. – Escute Lily, – James forçou um pouco a respiração – Harry é um garoto, não tem experiência para perceber quando o pai dele não está em condições de agir de acordo com o seu juramento de cavaleiro, mas você tem. Então, vamos ser prudentes e deixar nossa “conversa” para uma outra hora, certo? Venha, vamos voltar para a festa.

A voz de James tinha um tom definitivo e ele não esperou que Lily retrucasse. Com decisão, voltou a caminhar pela sacada em direção ao salão. Não precisou andar muito para perceber que ela não o havia seguido. James sabia que o melhor a fazer era ignorar isto: retornar para a festa e manter a maior distância possível dela. Talvez, ajudasse também continuar a beber até ficar completamente inconsciente. Sim, isso realmente ajudaria. Mais que isso. Seria o correto a fazer. Porém, ao invés de agir do jeito certo, James viu suas pernas o guiarem de volta, até ele parar em frente a ela, mais uma vez.

– Lily... – começou, mais para se desculpar por sua reação violenta do que pelo o que ele tinha dito.

– Como quer que eu confie em você, James? – ela perguntou erguendo a cabeça para ele. Seus olhos estavam brilhando e o nariz ficando perigosamente vermelho. – Como posso acreditar que você não quer nenhum mal ao Harry se, na primeira oportunidade, você dá a ele um presente que pode matá-lo? Será que estas últimas semanas não lhe ensinaram o bastante sobre o nosso filho? Na primeira vez em que o viu, Harry o ameaçou com um arco que ele sequer sabia usar! Dias depois, ele guiou um cavalo para afastar uma matilha de lobos enlouquecidos de mim, Hermione e Little John. Isso sem falar no que ele fez assim que colocou os pés dentro deste castelo.

James respirou fundo, cruzou os braços em frente ao peito e falou seriamente.

– Eu tenho certeza de que compreendo o Harry, Lily. Talvez, até melhor que você.

Mesmo o tom cuidadoso não a impediu de engolir o choro e perder novamente as estribeiras.

– Nem nos seus sonhos, James Potter! Eu criei o Harry! Se você o compreendesse, se você se preocupasse com ele, saberia que um demônio como aquele cavalo, nas mãos de um garoto como Harry, é a receita certa para o desastre!

– Você parece achar que eu vou deixá-lo montar o animal sem que ele esteja completamente preparado para isso!

– Preparado? Rá! Como se esse fosse o caso. Será que você não vê como Harry age, James? Como ele se sente responsável pelos outros. E sabe o que é pior? – ela questionou com uma nota de desespero na voz. – Eu tenho a impressão de que isso se tornou ainda maior nele depois que ele soube quem realmente é e o que o destino parece esperar dele. Olhe o jeito como ele trata a Ginny. Depois que a salvou, Harry age como se a menina fosse responsabilidade dele. E não é só ela, Ron e Hermione também. Ele se sente responsável por todo mundo! Tenho certeza de que não hesitaria em arriscar a própria segurança se uma das pessoas que ele gosta estivesse em perigo.

– Eu não tenho dúvidas disso – James achou finalmente uma brecha para responder.

– E ainda assim...

– É. Ainda assim. É o que se espera dele, Lily. Com ou sem Voldemort, ele é o senhor destas pessoas, é o responsável por elas. Ele agir corretamente, sem ter sido ensinado a isso, é uma dádiva. Vai me poupar um bocado de trabalho.

Lily balançou a cabeça, incrédula e rilhando os dentes, furiosa.

– Acontece que Voldemort existe! Ele é um bruxo cruel e violento, sem o mínimo de piedade por qualquer criatura. Nós dois sabemos como ele age e nós dois sabemos que ele decidiu que vai matar o nosso menino! E...

– E você quer que eu proteja o Harry até deixá-lo tão incapaz de se defender quanto um cordeiro de sacrifício? – James cresceu para cima dela abandonando toda a calma que estava tentando manter. – Esqueça! Pode espernear o quanto quiser Lily, mas eu já falhei em protegê-lo uma vez e eu não vou, nem por um instante, correr esse risco novamente, entendeu?

Ela recuou, parecendo assustada novamente.

– Você não tinha como saber que ele iria entrar sozinho no covil da górgone. Não o estou culpando por isso, James.

– Estou falando de quando a convenceram a abandonar a segurança da sua casa e se jogar na estrada com um bebê, Lily. – Ele fez um gesto com a mão e não a deixou protestar. – Não se preocupe, não vou incomodá-la repetindo a minha inocência. Mas perder vocês dois e reencontrá-los só serviu para me convencer de que, seja por um erro meu ou seu, nós dois nem sempre estaremos aqui para o Harry. Um dia – ele fez um gesto largo – tudo isso aqui pode falhar. Eu, você, os caras (que eu sei o amam quase tanto quanto nós) podemos errar e não estar aqui no momento em que ele mais precisar da gente. – O jeito como ele falava, as palavras que usava, era óbvio que James havia pensado naquilo por muito, muito tempo. – E que é que você me pede? Para deixá-lo só e, além de tudo, despreparado? Esqueça! Se eu puder livrar Harry dessa ameaça, matarei Voldemort com minhas próprias mãos. Daria minha vida para isso! Mas se tudo mais falhar... Não vou entregar Harry como um cordeiro. Eu darei a Voldemort um leão! E aquele desgraçado que lute para manter a própria vida!

A paixão com que James disse aquelas coisas chegou a fazer os joelhos de Lily se dobrarem. Ela jamais havia pensado daquela maneira. Jamais dera aquele peso a tudo aquilo. Sempre pensara que tinha de proteger o filho. Que daria a vida por ele. Que faria qualquer coisa para mantê-lo seguro. Mas... e se ela não estivesse ali. E, se desse a vida por ele e, mesmo assim, isto não fosse o suficiente. O que restaria a fazer? Para ela? Nada. Não há nada que uma mãe morta possa fazer para proteger um filho. Ela ergueu a mão até o peito, num gesto instintivo, para tentar segurar a dor que ameaçava estourá-lo. Não tinha medo de morrer. Não pelo Harry. Mas a idéia de deixá-lo sem ela, sozinho, isso era um pavor sem nome. Algo em sua expressão pareceu mexer com James também. Ele se aproximou devagar, o rosto sério, mas sem qualquer traço de arrependimento. Sua voz saiu mais baixa agora.

– Se tudo der errado Lily, o cavalo ainda poderá ajudá-lo a fugir.

Uma lágrima escorreu sem comando de um dos olhos dela.

– Ele não vai fugir – Lily murmurou.

– Eu sei... – disse James. – Mas, às vezes, um pouco de distância é bom. Ajuda a pensar com clareza... não fazer besteira...

Numa história que alguém estivesse contando, aquele seria o momento completamente errado para um beijo. Se alguém estivesse os olhando de longe, certamente, também pensaria isso. Mas nem o hipotético narrador, nem o xereta estavam dentro da cabeça de James. Nenhum deles poderia saber que era só nisso que ele pensava desde o exato momento em que ficou sozinho com ela. Não deixou de pensar nisso enquanto discutiam, nem enquanto temiam pelo filho. Era disso que ele falava quando dizia que não estava em condições de se portar de acordo com seu juramento de cavaleiro. Havia vinho demais circulando em seu cérebro para que ele se importasse com o que faria ou com as conseqüências. E, tentar manter a distância entre eles, acabara de naufragar fragorosamente como recurso.

Então, ele a beijou, mas não foi exatamente um beijo suave. Nunca é quando um homem acha que é o momento totalmente errado para fazê-lo. James tinha vontade de bater em si mesmo, mas seus braços ainda prendiam a esposa firmemente a ele e sua boca não parecia ter a menor intenção de parar de beijá-la. Desde o primeiro dia era isso que ele tinha impedido a si mesmo de fazer. Se armara com sua raiva, com sua mágoa, com o seu abandono, unicamente para impedir-se de argumentar fisicamente com ela. De argumentar do jeito que sabia que ela ia ceder, mesmo que brigasse com ele depois. Passara todas aquelas semanas repetindo em sua cabeça, como uma oração, que se Lily “voltasse” para ele, seria por desejo dela, pelo reconhecimento de que ela havia errado, que ele não aceitaria nada menos. Que ele não a perdoaria se ela não pedisse perdão.

Por isso aquele fora o momento completamente errado para estar sozinho com ela. Havia vinho em excesso em seu sangue para que ele se importasse, fosse com a própria mágoa, fosse com o fato de ela estar aceitando o beijo dele ou de seus braços estarem-na apertando o suficiente para machucá-la. Uma taça a mais e ele provavelmente a empurraria pelas portas abertas de sua sala de audiências e arrancaria suas roupas ali mesmo. Faria dela sua esposa novamente, sem perguntar.

O pensamento sacudiu James. Num movimento rápido, ele arrancou os braços de Lily de em torno do seu pescoço e a afastou dele segurando-a pelos pulsos.

– Eu disse... – falou quase sem fôlego – que eu não estava... em condições de me comportar honradamente. – Soltou-a empurrando-a ainda mais para longe dele. – A próxima vez que quiser brigar comigo, Lily, ouça o que eu digo!

Antes que ela sequer pudesse reagir, James saiu dali praticamente correndo. Não voltaria para a festa. Pediria desculpas ao Harry no dia seguinte. Talvez, sua ausência servisse para Hermione treiná-lo como anfitrião. Ao diabo! Pouco lhe importava o que fariam. James não tinha nenhuma condição de voltar para junto dos outros. Tudo o que sua mente focalizava era seu próprio quarto, uma taça de vinho sempre cheia e a inconsciência total.



Como nenhum dos dois retornou à festa, Harry e Hermione passaram o resto da noite trocando sorrisos cheios de esperança. E, quando nem James, nem Lily, foram vistos durante toda a manhã do dia seguinte, até mesmo Sirius e Remus – que haviam, obviamente, percebido a manobra dos garotos – se permitiram esperar pelo melhor.

Passava do meio-dia quando James apareceu no pátio. Ninguém precisou olhar para ele mais de uma vez para perceber que as esperanças haviam sido completamente vãs. Dava para imaginar claramente o que tinha acontecido. E, de qualquer forma, ninguém teria mais do que a imaginação. Toda a expressão de James desaconselhava perguntas. Do jeito que ele estava, nem Sirius ousou fazer qualquer comentário.

James apontou para Harry, que estava sentado em uma sombra conversando com os amigos, mais Marian e Neville, aproveitando a languidez da hora depois do almoço. O menino chegou a se encolher.

– Little John! – James chamou em voz alta e o grandão apareceu quase tão rápido quanto um bruxo faria. – Leve Harry até as baias e o faça encilhar um cavalo. Não o Segredo, ele ainda não está pronto para isso. Cuide para que os arreios fiquem firmes.

– Aonde vamos? – perguntou Harry num salto.

– Vou responder sua pergunta – disse James, sem emoção. Ele notou um movimento logo atrás de Harry. – Não! Vocês três ficam dessa vez. Não, Hermione! Só o Harry. O que está fazendo parado aí, garoto? Se apresse!

Harry lançou um olhar de desculpas para os amigos e correu para as baias com Little John. Quando voltou, trazendo pela rédea a égua baia, de nome Gengibre, que sua mãe costumava usar desde que chegara ao castelo, James, Sirius, Remus e Peter já estavam em suas montarias, esperando-o. O cavalo de James se chamava Saron, o de Sirius, Euro, o de Remus tinha o nome de Letes e Peter tentava acalmar com batidinhas no pescoço o seu jovem cavalo chamado Iago. Ainda sentido os olhares magoados, especialmente de Ron e Hermione, Harry alçou a perna sobre a sela e mal teve tempo de se sentir confortável ali. James deu uma ordem seca e os cinco partiram em direção ao portão.

Eles atravessaram a ponte que levava para fora da ilha em que ficava o castelo e seguiram pela margem do rio, evitando a estrada que levaria para Godric´s Hollow. James tomou a dianteira e parecia muito disposto a correr ou, simplesmente, de negar a todos a possibilidade de conversarem para poderem acompanhá-lo. Harry notou Sirius, Remus e Peter trocarem olhares preocupados. Nenhum deles parecia saber mais do que Harry o que o James pretendia.

Instantes depois, o grupo entrava a toda a velocidade numa estrada que Harry não conhecia e que se afastava do rio, aprofundando-se no bosque que cercava o castelo. O sol foi ficando filtrado pelas folhas verdes, densas e frescas e, logo, a claridade era apenas o que escapava das sombras úmidas das árvores. O vento zunia pelas orelhas de Harry e ele pensou umas duas vezes em retirar a armação com suas lentes de vidro, com medo de perdê-la por causa da velocidade. Imaginou como seria quando estivesse montando Segredo. Precisaria pedir que Hermione o ensinasse como manter a armação em seu rosto naquela situação. Será que havia magia para isso?

O pensamento, no entanto, ocupou apenas a parte não preocupada da sua cabeça. A maior parte de sua atenção continuava fixa nas costas arqueadas de James. O pai de Harry parecia desejar que o seu cavalo tivesse asas, ou fosse um cavalo de fogo, ou corresse como um condenado fugindo do inferno. Apenas Sirius conseguia acompanhá-lo e, ainda assim, mantinha-se uma cabeça atrás, os olhos mais atentos ao amigo que à estrada. Ele parecia temer que James se jogasse do cavalo em movimento ou alguma coisa do tipo.

Num movimento brusco, James obrigou Saron a diminuir e o animal quase empinou, assustado. Sem dizer uma palavra, ele apenas virou o cavalo para a esquerda e disparou floresta adentro. Não havia propriamente uma estrada, mas ainda assim, os outros o seguiram. Harry viu James puxar a varinha do cinto e ir removendo os obstáculos mais incômodos enquanto manobrava Saron para saltar e se torcer por entre galhos. Os outros o imitaram.

Após uma quantidade enorme de pulos sobre troncos caídos, pedras, pequenos riachos de pedregulhos, James pareceu achar que estavam afastados o bastante do... do que quer que ele achasse que deviam se afastar. Harry nem tinha certeza se conseguiria retornar sozinho até o castelo.

James puxou as rédeas do seu cavalo e todos o imitaram. Por um instante, esperaram ansiosos que ele dissesse o que tinham vindo fazer ali. Porém, não foi o rosto transtornado que havia deixado o castelo que se voltou para eles, mas um James sorridente, quase relaxado. Harry teve novamente a impressão de que, naqueles dias, aprendera a identificar dois pais. Um era o James que aflorava perto da sua mãe e Harry preferia qualquer coisa a ter de lidar com ele. Significaria ter de tomar partido, mexer com coisas e sentimentos que ele desconhecia. Dava graças aos Céus pela certeza de que, mesmo com toda a dor, aquele James não faria nenhum mal à sua mãe. Mas Harry, ainda assim, o achava um pouco assustador, meio suicida, como do jeito que ele tinha agido até aquele instante. Contudo, o James que lhes sorria agora era o outro. Este estava sempre fazendo piadas, ria fácil, dizia coisas espirituosas. Harry amava muito esse pai.

– Então – ele falou numa voz galhofeira – o Harry aqui me fez uma perguntinha ontem. – James inclinou o corpo e escorou o antebraço no pescoço suado do seu cavalo. Saron ofegava parecendo um pouco ressentido com ele. – Ele quer saber o porquê dos apelidos.
Peter franziu a testa.

– Nós já não respondemos isso a ele? Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, blá, blá, blá.

Os olhos de James franziram com um sorriso.

– Acho que James está falando dos outros apelidos – disse Sirius com o mesmo tom divertido do pai de Harry, ele lançou um olhar para Peter e completou – ... Rabicho.

– Wow! – Peter compreendeu e sorriu. – Esse apelido.

Como se tivessem feito um acordo, os três apearam juntos. Remus continuou onde estava. Seu cavalo parado ao lado de Harry.

– Você poderia ser menos dramático para fazer isso, James?

O pai de Harry gargalhou.

– E perder a diversão que foi ver as caras assustadas de vocês até aqui?

– Muito engraçado. Vê como estou me acabando de tanto rir? –Remus não mexeu um músculo do rosto. – Seu filho parece igualmente tonto de tanto divertimento.

A referência a Harry fez o riso de James sumir.

– Eu não disse que ele era a Morte, Harry – resmungou Sirius, sua atitude era, agora, completamente despreocupado. – Nunca entendeu uma piada em toda a vida dele.

– Desculpe Sirius, – falou Harry – mas você não me pareceu achar, enquanto cavalgávamos, que o meu pai estivesse brincando.

Remus deu um risinho convencido.

– Você sempre quer estar do lado de quem ri, não é Sirius?

Sirius sacudiu a cabeça, jogando o cabelo comprido para trás dos ombros.

– James não estava brincando – ele disse, cheio de certeza. – Não até o último riacho que saltamos. Foi só quando ele se acalmou. – Sirius olhou o amigo, mas não perguntou se estava certo ou não. – Você poderia ter percebido isso tanto quanto eu, Aluado.

James deu de ombros.

– Vocês dois parecem duas velhas discutindo por tudo. Vamos! Temos de nos afastar um pouco para não assustar os cavalos.

Sem esperar qualquer movimento dos outros, ele apontou a varinha para as rédeas do seu animal e as fez se enrolar em um toco que havia por ali. Depois, se embrenhou na mata. Sirius e Peter o seguiram sem reclamar. Remus fez um sinal resignado para Harry, ambos apearam e, após amarrarem as montarias com magia, foram atrás deles.

– Você vai se acostumar com o jeito dele – Remus lhe disse em voz baixa – mesmo quando ele o preocupa irritantemente por nada – reclamou. – James nunca teve de cuidar as atitudes dele por causa de ninguém e preocupar os outros é quase uma diversão para ele. Você compreenderia melhor se tivesse conhecido o seu avô. – Ele balançou a cabeça negando, mas Harry notou um traço evidente de carinho em sua voz. – Sua mãe... bem, antigamente, ela era a única que podia controlá-lo. E, agora, parece que é exatamente o contrário – lamentou.

– Acha que deu certo? – perguntou Harry, no mesmo tom baixo, mas bem mais ansioso. – Digo... ontem?

Remus o olhou com um carinho que beirava a piedade.

– Sinto muito, Harry, mas eu acho que ontem à noite deve ter sido um desastre. Sirius estava certo, James só relaxou depois desta corrida maluca que ele fez até aqui.

Harry sentiu a garganta apertar e seu passo diminuiu. Remus notou imediatamente.

– Não, Harry! – Ele se virou e segurou o braço do garoto. – James não está zangado com você. Está com ele mesmo. Você fez apenas o que um filho que ama os pais faria, certo? Não ligue para o jeito do James, isso logo passa. Ele supera rápido. Mas... quando chegar em casa, eu o aconselharia a ir falar com a sua mãe.

– Por quê?

– Se eu me lembro bem, ela costuma ficar zangada por um tempo bem maior.

Os dois continuaram a caminhar até que encontraram Sirius, James e Peter em uma clareira espaçosa, que cercava um braço um pouco mais largo de um minúsculo riachinho que passava por ali. Os três pareciam empolgados. Foi James quem tomou a palavra indo até Harry e passando o braço sobre os seus ombros.

– Certo filho, é o seguinte: eu lhe disse que só poderia explicar o porquê dos apelidos se pudesse te dar a dimensão do quanto a boa magia pode realmente fazer.

Harry assentiu e James o virou de frente para os três amigos.

– Agora, acho que você é capaz de imaginar porque chamamos Remus de Aluado, não é?

O garoto mirou o capitão da guarda de seu pai. Remus parecia mais velho que os três amigos. Tinha mais cabelos grisalhos e, no mês em que Harry convivera com ele, já o vira passar pela horrível transformação que parecia ser a causa daquela diferença. Ele presenciara seu enfraquecimento, sua dor, os cortes que as unhas da besta deixavam em seu rosto triste. Além de tudo, havia aquela perda que parecia gritar nele em cada palavra que ele não dizia, em cada olhar que ele perdia em algum lugar onde não havia nada além do vazio. A lua cheia era apenas uma parte de tudo isso e, talvez, nem fosse a pior parte. Talvez, quando ele fosse fera, ele pudesse não se lembrar do que era sua vida antes e isso poderia ser um alivio.
Harry se limitou a balançar a cabeça e Remus lhe deu um sorriso fraco, parecendo ler seus pensamentos.

– Podia ser pior, Harry. Eu podia estar sozinho. Podia não ter nada que me controlasse. Podia ferir outros ou confiar em ficar amarrado pelo ápice de cada lua cheia. Felizmente, eu tenho os melhores amigos do mundo. – Seus olhos foram até Sirius. – Mostre a ele.

O padrinho de Harry deu um sorriso cheio de presunção. Depois, o rosto bonito que Sirius tinha e que tanto impressionava as damas começou a se deformar estranhamente, se alongando até formar um focinho. Seu cabelo negro cresceu e começou a tomar todo o corpo e o rosto. Seus braços e pernas foram se tornando mais finos e seu corpo se curvou até ele cair sobre quatro patas idênticas. Em instantes, diante dos olhos assombrados de Harry, Sirius tinha desaparecido e, em seu lugar, um enorme cão negro latia alegre para ele.

– Harry – anunciou James solenemente – este é Almofadinhas.

O cão saltitou até Harry e colocou suas patas pesadas sobre seus ombros. O garoto fez uma careta e o empurrou quando ele lambeu seu rosto de alto abaixo. Remus, James e Peter riram se divertindo com as traquinagens do amigo. Sirius parecia muito à vontade em seu corpo animal. Ele correu atrás do rabo, avançou em Peter, pulou dentro e fora da águas molhando o pêlo negro e brilhante e, depois, sacudiu-o até dar um banho em todo mundo.

– Arg! – reclamou Peter. – E vocês ainda dizem que ele se comporta melhor como cachorro do que como homem!

– Bem, a maioria dos pais e maridos do condado concordaria com isso – retrucou James rindo com gosto apesar da roupa molhada. Sirius latiu debochadamente.

– Como ele consegue? – perguntou Harry.

– Trata-se de um interessante ramo da magia – respondeu Remus. – Sirius é um animago, um bruxo que pode alterar sua forma e ficar com a aparência de um animal.

– Uau! – Harry estava realmente impressionado. – Eu já tinha ouvido falar nisso, – admitiu o garoto e seu rosto se tingiu com um pouco de vergonha – mas meu tio Vernon dizia que isso era coisa do demônio.
Sirius latiu alto e Remus negou com a cabeça.

– Ele disse que seu tio está certo – falou virando os olhos. – Não dê atenção ao Sirius, Harry. Ele debocha de tudo.

– É só magia – disse James. – As pessoas comuns têm dificuldade em aceitar.

– Especialmente o que não entendem – comentou Remus.

Especialmente o que são completamente incapazes de fazer – falou Peter de um jeito presunçoso. – Como isso...

A forma de Peter também começou a se alterar, mas ele diminuiu numa velocidade muito mais vertiginosa do que Sirius. O focinho ficou mais alongado, bigodes finos saíram dos lados do nariz e ficaram cada vez mais pronunciados. O cabelo amarelado de Pettegreew também começou a tomar seu corpo na forma de pêlos curtos, numa cor bem característica. Em instantes, o que restava na frente de Harry era um rato gordo e, apesar disso, rápido o suficiente para fugir das investidas brincalhonas de Almofadinhas.

– Por isso – falou Remus – ele é o Rabicho.

Harry olhava os dois, muito impressionado. A magia era realmente uma coisa maravilhosa. Com um sorriso ele se virou para perguntar a James no que ele se transformava.

– Wow! – Ele deu um pulo para trás.

Não era mais James que estava ao seu lado, mas um imenso cervo castanho. O coração de Harry falhou uma batida quando a memória da noite de seu encontro com o lobisomem voltou. O garoto esticou a mão para acariciar o focinho do animal à sua frente. O cão e o cervo que o haviam protegido... Ele sorriu. Lembrou de ficar entre as patas poderosas do cervo e... ele era o seu pai.

– Pontas – falou Remus suavemente atrás dele.

– Pontas – repetiu Harry.

– Rabicho é o nosso batedor – explicou Remus. – Ele é rápido para ir a nossa frente e ver se o terreno está livre. A familiaridade que a besta tem com o cheiro dele faz com que o siga e isso me afasta de ir para lugares em que eu posso machucar alguém.

– E...?

– Seu pai e Sirius? Com todo esse tamanho? Eles são fortes o suficiente para me conter, se isso for necessário.

Harry continuava a passar a ponta dos dedos no pêlo do cervo.

– Isto é... brilhante!

Remus lhe sorriu.

– Pensei que já tivesse notado Harry... Seu pai e Sirius são dois dos bruxos mais formidáveis de toda a Inglaterra, pouca coisa é difícil para eles. Os dois não apenas conseguiram transformar-se em animagos, como também foram capazes de ajudar Peter. E, claro, com isso, tornaram tudo isso muito mais suportável.

Foi uma tarde para ficar na memória. Harry não se lembrava de ter se divertido tanto em toda a sua vida, nem mesmo em suas excursões com Ron, Hermione e Ginny pelos arredores. Embora sentindo algum remorso por isso, ele gostou de estar sozinho com o pai e os amigos dele. Era como fazer parte de algo maior. Havia tantas coisas sobre ser um bruxo que ele queria aprender e não via melhor jeito para fazer isso do que observar James, Sirius, Remus e Peter.

Já escurecia quando voltaram para o castelo, rindo e falando alto. Hagrid os encontrou no caminho e engrossou o grupo contando piadas e divertindo Harry com todas as aventuras dos quatro amigos de que pode lembrar. O garoto só percebeu que não havia como aquele dia ser perfeito quando viu Lily parada em uma das janelas que dava para o pátio. As palavras de Remus sobre falar com ela não o fizeram ficar menos chateado. Sua mãe zangada era um osso muito duro e, - Harry deu um suspiro enquanto apeava do cavalo – às vezes, ele achava que não culparia o pai se, um dia, ele simplesmente desistisse.

– Não fale nada com ela. Isso é entre sua mãe e eu, não tem nada a ver com você. – Harry virou a cabeça e deu de cara com James logo atrás dele. O pai estava sério e olhava para a janela em que Lily acabara de desaparecer. – Aliás, não se meta nisso novamente.

O garoto abriu a boca para argumentar, mas James o encarou e lhe fez um sinal com a mão para que ele ouvisse.

– Não gosto de bancar o pai que dá ordens, Harry, mas sei fazer isso com perfeição. Entendeu? – Harry escavou a cabeça atrás de argumentos para enfrentá-lo, mas James não parece disposto a isso e repetiu a pergunta com mais autoridade ainda. – Entendeu, Harry?

– Sim senhor – o garoto resmungou contrariado.

– Ótimo.

James bagunçou os cabelos do filho e seguiu a passos largos para dentro do castelo. Remus, Sirius e Peter o seguiram e nenhum demonstrou ter ouvido o breve diálogo entre eles.

Harry ficou imaginando se Lily tinha a mesma opinião de James sobre a sua interferência da noite anterior. Provavelmente sim e algo lhe dizia que ela seria ainda menos agradável em repreendê-lo, porém foi impossível confirmar. Como James, Lily também não quis falar coisa alguma e agiu com o filho como se nada tivesse acontecido. Hermione ficou ainda mais inquieta que Harry com o jeito dos dois. Ela sentou ao lado dele no jantar e ficou sibilando como um caldeirão furado todas as possibilidades do que poderia ter ocorrido. Acabou por irritar Harry porque não parava de justificar o que tinham feito e, quando não achou mais como, resolveu que a culpa era só dele.

– Certo, Mione! – rosnou baixo. – Eu entendi!

– Nós não sabemos tudo o que aconteceu no passado, Harry – ela prosseguiu. – Deveríamos ter ficado no nosso canto. Eu entendo que você queira vê-los bem, são seus pais, mas fomos muito imprudentes e...

– Eu entendi!

Harry bateu o punho com tanta força na mesa que a coxa de galinha que estava em seu prato saltou. Fred, que estava sentado ao lado de Ginny à frente de Harry, a pegou no ar.

– Eu já disse à mamãe: tem de matar essas coisas antes de elas virem para a mesa, tsc... tsc...

Ele grudou os dentes na carne.

– Hei! – protestou Ginny. – Essa comida é do Harry.

– Não maninha, essa é uma comida que obviamente não quer ser do Harry. A pobre da penosa estava tão desesperada que chegou a voar do prato dele para o meu – arrematou o gêmeo dando outra dentada e mostrando grotescamente o conteúdo da boca para a irmã.

George e Ron riram enquanto Ginny fazia cara de nojo. Fred, estimulado, deu mais uma dentada e, dessa vez, a coxa de galinha reclamou com um pio alto e sentido. O susto foi tal que o garoto a jogou longe. O pedaço de galinha protestou com mais dois longos po-póós enquanto voava por sobre a cabeça de Percy, que lhes lançou um olhar irritado. Ron e George convulsionaram de tanto rir e Hermione teve de parar de comer para não engasgar. Fred levou pouco mais de um instante para começar a procurar o culpado pela mesa, mas logo ele estava rindo também. Harry se limitou a piscar o olho rapidamente para Ginny. A menina encarou o prato, corando, mas guardou o segredo.

A brincadeira permitiu que Hermione se esquecesse de Harry por um tempo e o deixasse comer sossegado, porém ela pareceu disposta a voltar à carga assim que as pessoas começaram a relaxar, saciadas, em torno da mesa. Dessa vez, foi Ron que o salvou. Ele aproximou a cabeça da dos dois amigos, se inclinando sobre a mesa, e cochichou com os olhos presos na ponta em que James estava sentado, cercado pelos outros adultos.

– Ok, pode não ter dado certo a armação de vocês ontem à noite, mas alguma coisa mudou.

Hermione prendeu a respiração e seguiu o olhar de Ron assim como Harry.

– O que quer dizer?

– Bem, você estava preocupada demais torturando o Harry que não ouviu as conversas deles, ouviu?

A menina estreitou os olhos.

– Eu não estava tor...

– Não importa – disse Harry rapidamente, tudo o que ele não precisava era de uma discussão de Ron e Hermione naquele momento (os dois viviam como cão e gato!). Ele também não havia prestado atenção nas conversas dos adultos. Encarou Ron ardendo de curiosidade. – Por que diz que alguma coisa mudou?

Ron ficou incerto ao ser pressionado, mas depois pareceu achar que tinha elementos suficientes para afirmar.

– Eles falaram o tempo inteiro do seu treinamento.

– E daí? – comentou Hermione com despeito. – Eles só falam disso. Parece até que é mais importante ser cavaleiro do que ser bruxo.

– É importante ser os dois Mione – assegurou Ron. Depois voltou a se virar para Harry e deu um sorriso. – Eles falaram em intensificar.

– Meu treinamento para cavaleiro?

– O nosso – ajustou Ron. – Mas o de bruxo também. Estavam dividindo o que iam nos ensinar.

– E o que isso tem a ver com o nosso desastre de ontem à noite? – questionou Hermione, exasperada.

Ron apertou a boca por um momento antes de responder.

– Lady Lily não fez uma única objeção a isso.

– Isso não quer dizer nada – comentou Harry. – Minha mãe, às vezes, fica tão brava que não consegue nem falar.

Contudo, Hermione não partilhou da sua descrença. Ela tinha fixado os olhos na cunhada.

– Nem uma palavra, Ron? – perguntou.

– Nadinha.

– Olhem – chamou Harry – eu a conheço melhor que vocês...

– Harry, sua mãe ficou possessa com o seu novo cavalo, todo mundo viu – cortou Hermione. – Eles provavelmente discutiram isso ontem à noite. Intensificar seu treinamento obviamente significa tornar você apto a montar o Segredo o mais rápido possível. Posso não conhecer Lily tão bem, mas mesmo muito brava, eu não a imagino ficando quieta enquanto James prossegue com planos que ela não concorda. Em resumo, Ron tem razão: – os dentes do menino lampejaram – alguma coisa mudou.

Diante dos argumentos, Harry só pode concordar e se voltar avidamente para a ponta da mesa tentando entreouvir o que o pai e os amigos conversavam. Ainda assim, duvidou um pouco da teoria de Ron e Hermione. Lily parecia muito absorta em uma conversa com Marian e Molly, sem prestar atenção no que os homens diziam. Por outro lado, estava difícil para eles discernirem o que se falava no outro lado da mesa, especialmente porque Fred e George tinham começado a discutir, em altos brados, como tornar as vassouras, enfeitiçadas para voar, mais rápidas.

– Vassouras são transporte de velhas, George. São piores que mulas. Até as pessoas comuns, que nunca percebem nada, vêem quando alguma delas passa.

– Você não está vendo as possibilidades, Fred. Se descobrirmos um bom feitiço de velocidade, e adaptarmos a anatomia, poderemos transformá-las num transporte realmente digno. Talvez pudéssemos até mesmo... vendê-las. Ter uma loja, como o Olivaras em Londres.

– Tipo: Weasley & Weasley, fabricantes de vassouras?

– Exato! É sempre bom conversar com você, sabia? Você é quase tão inteligente quanto o seu irmão gêmeo.

– Ora, calem a boca! – sussurrou Hermione antes que Fred continuasse.

Os dois fecharam a cara. Lily podia ter voltado, mas as ordens de Hermione ainda tinham validade de senhora do castelo. Os dois só desmancharam as expressões contrariadas quando Ginny – que tinha ouvido atentamente a conversa dos amigos – cochichou para Fred o porquê de eles terem de ficar quietos. No instante seguinte, todos os olhos daquela ponta da mesa estavam presos no grupo que cercava James. Felizmente, os adultos não pareceram dar-se conta de todo aquele interesse.

Era Peter quem falava naquele momento, mas o assunto não eram os treinamentos de Harry e sim a revelação de sua volta para casa.

– Ainda acho que devemos manter a tradição. James sempre promove jogos no outono. As pessoas vão perguntar se ele não o fizer esse ano. Isto não ajudará a esconder o Harry.

– Eu não vejo problema – disse Remus. – Basta que se diga que este ano ele fará os jogos na primavera. Isso nos dará tempo para organizar os jogos da forma mais segura possível.

Fred e George chiaram um pouco com a mudança da data dos jogos. Os dois não paravam de falar nisso durante todo o tempo em que Harry morava no castelo.

– Todo mundo promove jogos na primavera – continuou Peter obstinadamente. – Acho que chamará mais atenção se ele mudar a data.

– Por quê? – perguntou Sirius. Ele estava escorado para trás na cadeira, mexendo displicentemente com sua taça. – As pessoas somente farão perguntas se houver suspeitas de algo estranho está acontecendo por aqui. Como não têm motivos para isso...

– De qualquer jeito – atalhou Artur – durante os jogos será revelado que Harry voltou para a casa do pai. Você não acredita ser melhor adiar este momento, James?

– Não sei, Artur – respondeu James, pensativamente. – Dumbledore é da opinião que esconder Harry pode não ser a proteção mais eficaz. Ele acha que Voldemort se sentirá mais seguro se puder agir em segredo contra nós. Mas, se todos souberem de Harry, isso pode fazer com que ele se mexa mais devagar e também poderemos monitorar melhor o que ele faz. O excesso de atenção sobre a gente pode ser eficaz como forma de segurança.

Era um pouco estranho para Harry ouvir seu nome como tema de conversa. E ele estava certo de que, provavelmente, deveria ser consultado a opinar, mas essa não parecia ser a intenção de ninguém. O garoto desviou o olhar dos homens com alguma irritação. Estavam-no tratando como criança, como se ele não estivesse ali. Além disso, ignorar o que exatamente o tal bruxo das trevas queria dele, ou melhor, imaginava temer dele para desejar matá-lo, o incomodava quase fisicamente.

Seus olhos acabaram batendo em outros, verdes, brilhantes, e com uma expressão não muito diferente da dele. Lily virou para o lugar que James ocupava e falou em voz alta.

– Concordar com Dumbledore não significa realizar os jogos agora.

Todos na mesa se viraram para ela.

– O que tem em mente? – perguntou James, interessado.

– Podemos anunciar que Harry está novamente na casa do pai. Será fácil circular a notícia, se é que ela já não está correndo. Basta remover o feitiço de silêncio das alunas de McGonagall. Em menos de um dia a Inglaterra toda vai estar sabendo sobre Harry Potter. Não é preciso que você anuncie isto nos jogos.

– Ela tem razão – concordou Sirius.

– Além disso... desculpe, quando seriam mesmo os jogos? – ela continuou e James respondeu.

– Sempre os realizo em comemoração ao aniversário de Hermione.

– Certo. E Harry terá condições de participar? Tenho a impressão de que em um mês, ele não poderá atuar mais do que como um simples escudeiro, não é mesmo?

– Viu? – sussurrou Harry para os outros com raiva. Sua mãe continuava a achar que ele era um menininho que não devia correr nenhum risco. – Não mudou nada.

Lily prosseguiu encarando James.

– Vai apresentá-lo sem completar um mínimo de treinamento adequado? Terá de convidar bruxos e comuns importantes. Os outros trarão os filhos, os exibirão e, pior, poderão ver tudo o que falta na educação do Harry. Se vamos intensificar os treinamentos dele, então, na primavera, ninguém vai achar que Harry é pior aprendiz de cavaleiro ou...

– Um bruxo menos habilidoso que qualquer outro bruxo de catorze anos – completou James. Havia algo exultante em sua voz e Harry percebeu que ele se iluminou quando ela tinha dito “vamos intensificar os treinamentos”. – Perfeito! Está decidido. – James encarou os amigos com energia. – Vamos fazer com que circule a informação de que Harry está em casa e também de que realizaremos os jogos na primavera. – Ele jogou o corpo para trás na cadeira, com um sorriso imenso que o fez parecer subitamente uns dez anos mais jovem. – Acho que teremos um período bem interessante por aqui.

Houve uma rodada de sorrisos pela mesa e a conversa voltou a se alastrar animada e os gêmeos desistiram de reclamar, pois, quando os jogos acontecessem, eles já teriam guardado suas armas e se apresentariam como cavaleiros. Imediatamente começaram a fazer planos nesse sentido. James piscou o olho para o filho, cheio de satisfação. Os únicos que permaneceram quietos foram Sirius e Peter. Demorou um pouco, mas Peter pareceu se convencer da decisão de James e embarcou nela. Sirius continuou a mirar o próprio copo até que James aproximou a cabeça da dele.

– Precisarei de você aqui, na primavera.

– Eu sei – o outro respondeu mal-humorado.

James deu um pequeno sorriso satisfeito e trocou um breve olhar com Remus.

– Vá antes – disse para Sirius.

– Como?

– Vá antes. Você iria na primavera, certo? Vá buscá-la antes disso.
Sirius estava atônito.

– Mas... mas e o treinamento do Harry?

– Ora, acho que Remus e eu podemos dar conta do treinamento dele como cavaleiro.

– Hei – protestou Peter.

– É. O Peter também – concordou James sem dar atenção ao amigo. – E, como bruxo... bem, não lhe faltarão professores, temos Lily e Dumbledore e McGonagall certamente aparecerão por aqui. Em resumo, você não vai fazer tanta falta assim, Almofadinhas.

Sirius devolveu uma careta para o comentário bem humorado.

– Eu sou insubstituível, Pontas.

– Diga isso para as moças da região quando voltar com a sua dama.

Os dois amigos riram juntos e bateram as taças.

– Bem, porque não aproveita a ocasião, Sirius? – perguntou Remus. – Se voltar com a sua dama...

– Eu vou voltar com ela na garupa do meu cavalo, Remus. Pode escrever isso!

– Nesse caso, uma ocasião com festejos, jogos e primavera, seria perfeita para um casamento, não acha?

Remus estava claramente arreliando o amigo, mas Sirius pareceu gostar imensamente da idéia. Seu sorriso fez Molly Weasley engasgar. Ela nunca escondeu que considerava Sirius um pouco leviano e, como Ron já afirmara, ela achava que ele não havia sido talhado para o casamento. Artur deu-lhe palmadinhas nas costas até ela se acalmar. A Sra. Weasley tomou um grande gole do seu copo antes de encarar o olhar debochado de Sirius.

– E quando teremos o privilégio de conhecer a pobre moça?

O padrinho de Harry fechou um pouco a cara, mas seus amigos mal conseguiam esconder o riso.

– Se James está me liberando para partir, – James confirmou com a cabeça – farei isso amanhã mesmo e voltarei o mais rápido que conseguir.

– Volte com ela, Sirius – disse Remus num tom bondoso. – Isso vai melhorar bastante a nossa vida.

– O que isso supostamente teria a ver com vocês?

– Somos nós que o aturamos, meu rapaz – completou Artur. – E convenhamos Sirius, você ficou meio... maluco, depois que a conheceu.

O riso entre os adultos aumentou.

– Meio? – debochou James. – Meio maluco ele era antes da tal... – ele engoliu o que diria ante um olhar de Sirius. – Agora ele é um completo doido.

– Eu já considero um indício de insanidade todas essa paixão por uma...

– Não ouse completar Petegreew! – ameaçou Sirius.

– Certo, certo. Sua escolha, sua pena. Bem, se teremos um casamento na primavera, talvez possamos ter também um noivado – falou Peter. – O que acha, minha cara?

A pergunta foi claramente dirigida à Marian. Harry se perguntou se foi apenas ele que notou que ela havia ficado um pouco mais pálida que o normal. A jovem deu um sorriso educado para seu protetor.

– Não sei qual é a sua idéia, Milord.

– Ora, você sabe que tudo o que Lord Guismore quer é uma oportunidade para cortejá-la de forma correta, Marian. A rainha já expressou o desejo de ter você com ela no Natal e ele estará junto ao Príncipe John na mesma ocasião. Com certeza, vocês dois terão tempo de se conhecerem melhor. Creio que nesse ritmo, podemos esperar um noivado para a primavera.

O jeito como Lily se mexeu na cadeira deu a entender que não fora apenas Harry que percebera o mal estar de Marian. Hermione também parecia estar atenta à forma como a moça reagia às palavras.

– Peter – disse Lily – você não pode presumir desde já que a corte feita pelo rapaz dará certo. Marian pode não se empolgar com ele.

– Ah Lily, claro que vai. Conheço Guismore. É rico, tem um bela presença e uma excelente família, qualquer moça ficaria encantada em tê-lo como pretendente. – Ele dirigiu um olhar paternal para Marian, mas havia algo nele que negava qualquer chance de rebeldia à moça. – Seu pai exultaria com esse casamento, minha cara.

Fred e George lançaram uma torrente de injúrias e palavrões em voz baixa contra Peter e o tal Sir Guy de Guismore. Marian ampliou seu sorriso educado, mas os movimentos dela ficaram muito rígidos como bem notou Hermione num sussurro para Harry. O garoto percebeu que nem seu pai, nem nenhum dos outros, parecia ter a mesma empolgação de Peter a respeito do tal noivado. Mas nenhum deles poderia interferir até onde Harry entendia o funcionamento dos casamentos entre as pessoas comuns. O próprio Peter apenas devia estar cumprindo o que eram os desejos da rainha, concluiu Harry, cheio de pena por Marian.

– Isso é horrível! – revoltou-se Ginny aos sussurros. – É óbvio que ela não gosta da idéia. Lembrem-me de nunca desejar ser uma lady!

– Os bruxos não costumam obrigar casamentos como os comuns – consolou-a Ron.

– Em que mundo você vive, Ron? – perguntou Hermione incrédula. – Você parece achar que os bruxos são tão melhores que os outros. Para a sua informação: não são não.

– Meus pais se casaram porque se gostavam – reclamou o garoto. – E os do Harry também, eu acho que...

Ginny deu um puxão nada discreto na manga da túnica de Ron, obrigando-o a sentar. As palavras dele, de alguma forma, feriram profundamente Hermione. A garota corou violentamente, mas se negou a baixar a cabeça. Harry não precisou muito para compreender que sua situação de bastarda, mesmo tendo sido aceita pelo irmão, não era nem confortável, nem elogiosa. E isso se aplicava tanto ao entendimento dos comuns quanto dos bruxos, até onde ele podia saber. Talvez, se seu avô tivesse sabido da existência dela, antes de morrer, as coisas fossem diferentes, mas não tinha sido assim e isso sempre renderia vergonha para Hermione. Foi Ginny quem ajudou a dissolver o mal estar.

– Mione... nós não poderíamos tentar ajudar Marian? Digo, você poderia falar com Sir James. Ele a ouviria e, quem sabe, fizesse Sir Peter mudar de idéia.

Hermione ficou pensativa.

– Talvez. Mas não sabemos o que ela realmente pensa a respeito, Ginny. Ela pode não querer se casar com ele, mas e se a alternativa a isso for um convento?

A outra menina arregalou os olhos, chocada. Contudo, Ginny estava penalizada demais com a sorte de Marian para desistir.

– Poderíamos falar com ela. Ver se ela quer que você tente.

– Eu também poderia falar com o meu pai – disse Harry. Ele se sentiu desconfortavelmente excluído da armação delas e um pouco incomodado por Ginny não considerá-lo como uma ponte melhor que Hermione até James. – E com Peter também – usou o primeiro nome como forma de enfatizar sua intimidade.

As duas garotas não pareceram impressionadas.

– Obrigada pela ajuda, Harry – disse Hermione formalmente. – Mas acho que nesse caso, uma perspectiva feminina possa ser mais convincente.
Nem Harry, nem Ron pareceram entender. Hermione revirou os olhos e fez uma expressão convencida.

– Minha abordagem seria algo do tipo: James imagine que eu estivesse no lugar dela, que você não estivesse comigo e alguém me obrigasse a casar contra a minha vontade.

– Acha que isso funcionaria? – questionou Ron.

– Não sei. Mas é uma possibilidade.

Eles decidiram que perguntariam a Marian se ela queria a interferência deles. Contudo, só puderam confrontá-la no dia seguinte. Os quatro saíram em busca da jovem visitante logo que tiveram um período de descanso, pois Ron e Harry foram tirados da cama praticamente de madrugada por conta da intensificação de seus treinamentos. Os dois, mais Neville e os gêmeos, foram reunidos no pátio interno do castelo e tiveram de espantar o sono antes que um deles se machucasse por desatenção. Sirius partiu logo após o almoço e isso baixou bastante o moral do grupo, especialmente, dos “professores”. Ao menos, a mudança de humor serviu para liberar os garotos, exaustos, um pouco mais cedo.

Antes que pudessem aproveitar o descanso, Lily os chamou para informar que havia recebido uma carta e que, no início de setembro, Madame McGonagall e Dumbledore viriam para colocar em funcionamento a pequena escola de bruxos que passaria a existir no castelo. Os gritos exultantes morreram quando Hermione, que estava ao lado da cunhada, informou que isso significava que a partir do dia seguinte todos iriam dedicar horas de estudo às letras, especialmente ao latim. Ofendida, ela ignorou os protestos grosseiros dos gêmeos, os resmungos de Ron e fez que não viu a expressão doente que Harry lhe devolveu com a notícia.

Finalmente, no meio da tarde, os quatro puderam sair atrás de Marian para falarem com ela. Foi Neville que lhes disse que ela estava no pequeno passeio que existia na parte de trás do castelo. Para chegar lá se descia por escadas que ficavam escondidas sob a enorme sacada que se estendia do grande salão por sobre o lago. Molly plantara algumas flores por ali e o lugar, que dava para a margem mais distante do lago, se convertera numa paragem agradável e segura para caminhar.

Neville não tinha ouvido a conversa deles na noite anterior. Ele passara todo o jantar cumprindo suas funções de escudeiro, servindo Sir Peter. Por um instante, Harry achou que ele podia se opor à interferência deles, mas Neville lhe pareceu mais fiel a Marian que ao cavaleiro a quem servia.

– Não é uma questão de fidelidade – objetou Neville quando Harry falou. – Bem, ou é... mas eu conheci o tal Guismore quando estivemos na corte da última vez.

– Como ele é? – quis saber Ginny.

– Asqueroso – respondeu, sem titubear.

– Mas Peter disse que ele é... – falou Harry.

– Ah, ele é tudo aquilo. Isto é, rico, boa família, com presença. É um dos favoritos do príncipe John, mas isso realmente não deve ser contado como elogio. Então, é mais uma coisa... sabem? No jeito dele. Eu gosto de Lady Marian, ela me trata como a um irmão. Eu realmente não gostaria de vê-la casada com aquele lá.

Marian demorou a perceber a chegada deles e quando o fez, ficou bem óbvio que ela tinha estado chorando. Hermione e Ginny correram para consolá-la. As três sentaram de mãos dadas, lado a lado, sobre uma parte gramada ao lado do passeio e os meninos se aproximaram sem saber bem o que fazer. Foi Hermione fez um carinho nos cabelos da jovem.

– Não chore Lady Marian. Nós podemos tentar ajudá-la. Olhe, falarei com meu irmão, ele com certeza convencerá Sir Peter a não insistir no casamento com Sir Guy.

Marian a olhou como se tentasse compreender o que ela dizia. Depois lhe deu um sorriso fraco.

– É muito gentil da sua parte, Lady Hermione.

– Apenas Hermione – corrigiu a garota.

– Apenas Marian para você também – respondeu a outra. Ela olhou rapidamente para Ginny e encarou os três garotos. – É muita gentileza de todos vocês se preocuparem comigo, mas não há o que possam fazer.

– Como não? – rebelou-se Harry. – Sempre há o que fazer.

Os ombros de Marian sacudiram e ela negou com a cabeça, como se nada importasse.

– Eu realmente invejo a certeza e a fé de vocês, mas já perdi a minha faz algum tempo. – O grupo tentou protestar. – Olhem, vocês são ótimos garotos e eu aprecio muito a disposição em me ajudar. De verdade. Acontece que, se houvesse qualquer coisa que eu pudesse e quisesse fazer, eu já teria feito.

– Vai, então, se casar com um homem que a faz chorar só de pensar nisso? – perguntou Ginny, incrédula.

Marian riu de um jeito triste.

– Ginny... é esse o seu nome, não é? Ginny, nós mulheres, em geral, queremos casar exatamente com os garotos que nos fazem chorar. Por isso, não se preocupe, não estou chorando por Sir Guy.

– É por causa do outro que você gostava, não é?

Harry só se deu conta que tinha falado em voz alta depois de ter falado e isso o congelou no lugar. Hermione olhou horrorizada para ele, depois, seus olhos voaram reprovadores para Ron. O garoto olhou para os céus, disfarçando, como se não fosse com ele. O fato é que comentar uma fofoca com o alvo dela era algo completamente indelicado e Harry fez uma anotação mental para bater com a cabeça na parede assim que o olhar chocado de Marian desviasse dele.

– Como sabe de Robin? – ela perguntou.

Houve um lampejo na frente dos olhos de Harry e ele piscou. Robin? Ele sabia que Lady Marian havia se envolvido com um rapaz, o qual, pelo que Ron lhe contara, fora preso por assassinato. Poderia existir dois Robins presos por assassinado? Seria o seu Robin, o que ele libertara e que ele achava ser caçado por Voldemort como ele, o mesmo Robin de Lady Marian?

– O rapaz que você gostava se chamava Robin? De Lockesley? – perguntou ignorando o olhar nervoso de Hermione.

– Como sabe dele? – Marian tinha se erguido do chão e seus olhos azuis, normalmente gentis, pareciam ter acendido. – Eu devia ter imaginado. Não é exatamente uma história que as pessoas não queiram passar adiante, afinal, a afilhada da rainha quase fugiu com um assassino, não é mesmo? Não adianta, saber que ele apenas se defendeu ou que o homem que ele matou era um dos assassinos do pai dele. O que isso importa? Um saxão cujo o pai foi considerado traidor... Quem lhe daria qualquer confiança? Eu...

– Eu o conheci – disse Harry e Marian calou, prendendo a respiração.

– Quando?

– Você nem acreditaria – ele respondeu. Não se importara com o ataque. A moça estava obviamente sofrendo com tudo aquilo. – Estavam-no levando para Londres, prisioneiro.

Ela fechou os olhos.

– Ele foi executado logo depois – falou baixinho. – Sir Peter me contou.

– Não! – indignou-se Harry. – Robin está vivo!

– O quê? Você não sabe o que está dizendo.

– É claro que eu sei! – Harry pela primeira vez se sentiu realmente presunçoso do seu feito. – Eu o salvei!

Marian balançou como se fosse desmaiar, mas aí sua respiração voltou a funcionar.

– Eu... como?

Todos eles sorriram. Até mesmo Neville que nem conhecia a história. Ele obviamente podia imaginar o que tinha acontecido. Ron foi quem respondeu com um sorriso torto quase tão presunçoso quanto o de Harry.

– Magia, é claro.

A moça levou as mãos ao peito e começou a rir, entre incrédula e maluca.

– Eu pensei... Onde ele está?

– Nas Cruzadas – respondeu Hermione e o riso de Marian sumiu.

– Mas não se preocupe – juntou Ginny. – Meu irmão Will está tomando conta dele. E se o Will está lá, nada vai acontecer a ele.

– Nisso ela tem razão – assegurou Ron.

– Mas eu... ah, quando ele volta? O que ele...? Eu queria...?

Mesmo que ela não terminasse nenhuma frase, os garotos tiveram exata dimensão do que ela queria.

– Ron – disse Harry – acho que está na hora de você me ensinar como funciona o tal do correio coruja.


XXX – XXX – XXX

N/B: Se James perder todas as suas propriedades e títulos, ele sempre pode ganhar a vida tirando os fregueses da Cassandra Trelawney! “– Acho que teremos um período bem interessante por aqui.” – Concordo com a visão profética dele, em gênero, número, grau e qualquer outro parâmetro que se apresentar!!! =D E mal posso esperar pelo que está por vir!!! – Ri muito, imaginando a cara de ressaca dele! Devia estar de por trasgos pra correr!  - A melhor, a mais completa e detalhadamente visual, transformação de anímagos que eu já li! BRAVO, Anam! - Então o Sirius foi buscar a sua dama, é? Ótimo! Já estou de bagagem pronta... ;D – Os quatro, (ou melhor, cinco com o Neville), ajudando a Marion, estão de derreter o coração! Tão corajosos, tão justos, tão... TÃO! =D – Ainda bem que as corujas são de fácil manuseio, então, logo, teremos notícias fresquinhas das Cruzadas e da fic,não é, Anam??? – (Pressionando? Eu??? Nunca! ;D) – Enfim, AMEI! Só posso renovar meus votos de admiração crescente e implorar, encarecidamente, por um novo capítulo em breve! (Ok, estou sendo interesseira... ;D, Mas, você me perdoa, não é?) – Beijo no seu coração talentoso! Até o próximo! – FANTÁSTICO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


N/A: Sim, eu sei que demorei bem mais do que o previsto e peço desculpas. Era para ser na semana passada, mas tive um período cheio de trabalho. Espero que o capítulo grande compense e que vocês realmente gostem dele. Talvez, por ter sido escrito um pouco à conta gotas, eu não consiga ter uma idéia dele como uma unidade, ainda assim, adorei escrevê-lo, pois tive a impressão de fazer a história andar.

Eu já coloquei na comu e vou adicionar aos meus álbuns, no Orkut e no Multiply, o desenho que a Sô fez do Harry com os Marotos, está divino, não deixem de conferir.

Por fim (desculpem a nota tão curta), aguardem para o próximo capítulo a chegada da mulher do Sirius. Tenho certeza de que vocês vão concordar comigo que ele não merece nada menos que ela.

Abaixo meus agradecimentos e a resposta a algumas perguntas:

Sô (te adoro, sabia? Espero que goste do desenlace dos nossos turrões mesmo não sendo o definitivo);

Guida Potter (seu pressentimento sobre Marian este certíssimo, ela vai se revelar muito nos próximos capítulos e tb vai contar um pouco da história dela e do Robin, serei fiel à lenda =D);

Tonks & Lupin (a verdade querida, é que ele mesmo vai precisar deixar de ser criança para vê-la com outros olhos, ou perceber que já a vê com outros olhos, hehe);

Charlotte Ravenclawn (mil perguntas e... respondi só uma hehe, que bom que gostou);

Bernardo Cardoso (quando esse teu trabalho vai te dar uma folga, hein? Apareceeeee!!);

Luísa Lima (espero que o próprio James tenha explicado o seu presente, hehe);

Clara, Pedro Henrique Freitas, Andressa J., Nath Evans, Kika (acho que vc vai achar a rival à altura, hehe);

Camila Martins, Eleonora;

Thiago Florêncio (respondendo às dúvidas: 1. Tenha em mente a história bruxa, as poções tiveram de ser inventadas um dia e por alguém, certo? Antes disso, ninguém sabia delas... posso parar de responder por aqui? 2. Os problemas do Robin começam mesmo antes, pois o reinado do pai de Ricardo, Henrique, também teve perseguição para com os saxões. Foi nesse período que o pai dele foi morto. Ricardo assumiu e poucos meses depois já viajou para as Cruzadas. O rei Ricardo só entende Robin como um herói, quando este passa a defender seu trono contra o usurpador. Antes disso, o nome do rapaz está perdido em meio às intrigas da corte. Digamos que Ricardo não é um soberano muito atento, está mais ligado em suas aventuras nas Cruzadas. 3. Acho que dei um toque pessoal ao Harry sim, espero não tê-lo descaracterizado muito. Acho Harry um garoto muito inteligente e, talvez, por ter entrado mais velho no mundo dos bruxos, ele tenha a necessidade de prestar mais atenção ao que o cerca. Expliquei tudo? =D Pode perguntar.);

Lica Martins (tudo a seu tempo, amiga ;-D);

Regina McGonagall (ah também acho aquela cerimônia de casamento mais do que perfeita, inclusive... ups... quietinha! Mas ficaria lindo com Sirius e Serenna, com certeza);

Gina Potter (obrigada pela fé, querida!);

Bruna Britti (Bru, qual é seu msn? Me manda por mensagem particular, ok? Beijos mil);

Mirella Silveira, Ginny Potter, W.Zaoldyeck.Potter, Thayse Couto, Naty L. Potter (não Naty, a Marian nada tem a ver com a Fleur, só a Fleur é a Fleur rsrs);

Tatiane Evans, Danielle Pereira, Alessandra Amorim (sim, Autum aparecerá nas lembranças, ela é realmente uma personagem que a gente lamenta já estar morta).




Um beijo bem estalado na bochecha de cada um e até o próximo
Sally


P.S.: Tenho postado algumas coisas novas na comu, inclusive sobre minha história original. Quem estiver curioso, fique atento! ;-)

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