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13. Cap Treze


Fic: Os delírios de Consumo de Gina Weasley


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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TREZE

Ah, Deus. Isto é ruim. Quero dizer, não estou sendo paranóica, estou? Isto é muito ruim.
Quando sento no metrô, no caminho de casa, olho para minha imagem no espelho: por fora calma e relaxada. Mas, por dentro, minha cabeça mais parece uma aranha correndo apressada em círculos, tentando achar uma saída. Busca, busca, as pernas oscilando, sem escapatória... Tudo bem, pára. Pára! Acalme-se e vamos examinar as opções mais uma vez.

Opção um: Ir à reunião e dizer a verdade.

Não posso. Simplesmente não posso. Eu não posso ir lá no banco, na segunda-feira, e admitir que não existem 1.000 libras da minha tia que e que nunca haverá. O que eles vão fazer comigo? Ficarão muito sérios, não é? Vão me sentar na cadeira e começar a examinar todos os meus gastos e... Ah, Deus, fico doente só de pensar. Não posso fazer isto. Não posso ir. Fim da história.

Opção dois: Ir à reunião e mentir.

Então... o que... dizer a eles que as 1.000 libras estão a caminho e que outras quantias virão em breve. Humm. Possível. O problema é que não acho que eles vão acreditar. E então ainda ficarão muito sérios, me sentarão na cadeira e me darão um sermão. Não. Nem pensar.

Opção três: Não ir à reunião.

Mas se eu não for, Derek Smeath telefonará para Philip e eles começarão a conversar. Talvez toda a história apareça e ele descubra que na verdade não quebrei minha perna. Ou não tive febre ganglionar. E, depois disso, eu não poderei jamais voltar a entrar no escritório. Ficarei desempregada. Minha vida vai terminar aos vinte e cinco anos de idade. Mas então, talvez este seja um preço que valha a pena pagar.

Opção quatro: Ir à reunião com um cheque de 1.000 libras.

Perfeito. Entrar feliz, entregar o cheque, dizer “Alguma coisa mais?” e sair feliz outra vez. Perfeito.
Mas como vou arranjar 1.000 libras até a manhã de segunda-feira? Como?

Opção cinco: Fugir.

O que seria muito infantil e imaturo. Não vale a pena considerar.

Fico imaginando para onde eu poderia ir. Talvez algum lugar do exterior. Lãs Vegas. Sim, eu poderia ganhar uma fortuna nos cassinos. Um milhão de libras ou algo assim. Até mais, talvez. E depois, sim, depois eu mandaria um fax para Derek Smeath, dizendo que estou fechando minha conta bancária devido à sua falta de confiança em mim.

Deus, sim! Isto não seria fantástico? “Prezado Sr. Smeath, fiquei um pouco surpresa com a sugestão recente de que eu tenha insuficiência de fundos para cobrir minha conta com garantia e também por seu jeito sarcástico. Como este cheque de 1,2 milhão (um vírgula dois milhão) demonstra, tenho fundos suficientes ao meu dispor e que dentro em breve estarei mudando para um de seus concorrentes. Talvez eles me tratem com mais respeito. PS: estou enviando cópia desta carta para seus superiores.”

Gosto tanto da idéia que me abandono um pouco nela, corrigindo a carta mais e mais na minha cabeça. “Prezado Sr. Smeath, como procurei informá-lo discretamente em nosso último encontro, sou de fato uma milionária. Se pelo menos o senhor tivesse confiado em mim, as coisas poderiam ter sido diferentes.”

Deus, ele vai se lamentar, não? Isto vai ensiná-lo. Ele provavelmente vai me telefonar e se desculpar. E não adianta se rastejar e dizer que não tinha intenção de me ofender. Porque será tarde demais. Muito tarde. Ah! Hahahaha...

Droga. Perdi minha estação.

Quando chego em casa, Mione está sentada no chão rodeada de revistas lustrosas.


- Oi!- diz ela radiante. – Advinha o quê? Vou aparecer na Vogue!

- O quê? – digo sem acreditar. – Você foi pega na rua ou algo assim? – Depois percebo que não devia parecer tão surpresa. Quero dizer, Mione tem um corpo excelente. Ela poderia facilmente ser modelo. Mas... Vogue!

- Não eu, boba! – diz ela. – Minhas molduras.

- Suas molduras vão estar na Vogue? - Agora eu realmente não acredito.

- No número de junto! Vou aparecer numa matéria intitulada “Relaxe- designers estão trazendo de volta a diversão para os interiores.” Legal , não é? O único problema é que até agora eu só fiz duas molduras, portanto preciso fazer um pouco mais para o caso de quererem comprá-las.

- Certo – digo, tentando organizar minhas idéias sobre tudo isso. – E então, como a Vogue está fazendo um artigo sobre você? Eles... ouviram falar de você?

Como eles podem ter ouvido falar dela? Estou pensando. Quero dizer, ela só começou a fazer molduras quatro dias atrás!

- Não, boba! – diz ela e ri. – Telefonei para Lally. Você conheceu a Lally? – Balanço minha cabeça indicando que não. – Bem, ela é editora de moda da Vogue agora e falou com Perdy, que é o editor de interiores, e Perdy me telefonou de volta. E quando eu disse a ela como eram minhas molduras, ela ficou louca.

- Nossa – digo. – Muito bem.

- Ela me explicou o que devo falar na minha entrevista também – acrescenta Suze e limpa sua garganta de um jeito importante. – Quero criar espaço para as pessoas se divertirem, não para admirarem. Há um pouco de criança em todos nós. A vida é curta demais para minimalismos.

- Ah, certo – digo. – Fantástico!

- Não, espere, havia outra coisa também. – Mione franze a testa pensativa. Ah, si, que meus desenhos são inspirados no espírito imaginativo de Gaudi. Vou telefonar para Charlie agora- ela acrescenta entusiasmada. – Tenho certeza de que ela é alguma coisa na Tatler.

- Fantástico – digo novamente.

E é fantástico.

Estou realmente feliz por Mione. Claro que estou.

Mas há uma parte de mim que está pensando como tudo acontece tão fácil para ela? Aposto que nunca teve que encarar um gerente de banco desagradável na vida dela. E aposto que nunca teta tampouco. Desanimada, sento no chão e começo a folhear uma revista.

- Por falar nisso – diz Mione, olhando para mim do telefone. – Rony ligou há mais ou menos uma hora para combinar sua saída. – Ela sorri maliciosa. – Você está ansiosa?

- Ah – digo, com ar meio de tédio. – Claro que sim.

Eu havia me esquecido disso, para ser sincera. Mas tudo bem, só vou esperar até amanhã de tarde e dizer que estou com cólica menstrual. Fácil. Ninguém jamais questiona isto, especialmente os homens,

- Ah, sim – diz Mione, apontando para uma Harpers & Queen aberta no chão. – E olha quem eu acabei de encontrar agorinha na lista dos Cem Solteiros Mais Ricos! Ah, olá, Charlie – diz ela ao telefone. – É Mione! Ouça...

Olho para a Harpers & Queen aberta e gelo. Harry Potter está me olhando da página 31, diz a legenda. Idade 32. Fortuna estimada: 10 milhões de libras. Empresário de uma inteligência assustadora. Mora em Chelsea, atualmente namorando Romilda Vane, filha do bilionário francês.

Não quero saber disto. Por que eu estaria interessada em quem Harry Potter está namorando? Ruidosamente viro as páginas e começo a ler sobre o Número 17, que parece muito melhor. Dave Kington. Idade 28. Fortuna estimada: 20 milhões de libras. Anteriormente jogador do Manchester United, agora é guru da administração e empresário de roupas esportivas. Mora em Hertfordshire, recentemente separou-se da namorada, a modelo Cherisse.

E de qualquer modo, Harry Potter é chato. Todo mundo diz isso. Só faz trabalhar. Obcecado por dinheiro, provavelmente.

Número 16. Ernest Flight. Idade 52. Fortuna estimada: 22 milhões de libras. Diretor e acionista majoritário da empresa de alimentos Flight. Mora em Nottinghamshire, recentemente divorciado de sua terceira esposa Susan.

E eu nem acho ele é tão bonito assim. Alto demais. E provavelmente não freqüenta uma academia ou algo assim. Ocupado demais. Ele deve ser horrível sem roupa.
Número 15. Ronald Granger. Idade 26. Fortuna estimada: 25 milhões. Dono de terras desde que herdou o enorme patrimônio da família aos 19 anos de idade. Muito tímido quanto à publicidade. Mora em Pethshire e Londres com uma velha babá; atualmente solteiro.

Além do mais, que tipo de homem compra malas de presente? Quero dizer, uma valise, pelo amor de Deus, quando ele tinha a Harrods inteira para escolher. Ele poderia ter comprado para a namorada um colar ou umas roupas. Ou poderia ter... Ele poderia ter...

Espera um momento, que foi isso?

O que foi isso?

Não. Não pode ser. Claro que não...

Ah, meu Deus.

E de repente não consigo respirar. Não consigo me mexer. Minha estrutura toda está concentrada na foto não muito nítida na minha frente. Ronald Granger? Rony, primo de Mione? Rony?

Rony... tem... 25... milhões... de libras?

Acho que ou desmaiar, se eu não puder tirar minha mão desta página. Estou olhando para o décimo quinto solteiro mais rico da Inglaterra e eu o conheço.

Não só o conheço, mas ele me convidou para sair.

Vou jantar com ele amanhã à noite.

AI-MEU-DEUS.

Vou ser uma milionária. Uma multimilionária. Eu sabia. Eu não sabia? Eu sabia. Ronald vai se apaixonar por mim e me pedir em casamento e nós vamos nos casar num belo castelo escocês exatamente como em Quatro casamentos e um Funeral (só que ninguém vai morrer no nosso.) E vou ter 25 milhões de libras.

E o que Derek Smeath vai dizer depois? Hah!

Hah!

- Quer uma xícara de chá? – diz Mione, desligando o telefone. – Charlie é um doce. Ele vai me levar no programa de “Novos Talentos da Inglaterra”.

- Excelente – digo vagamente, e limpo minha garganta. – Só... só estava olhando para Ronald aqui.

Preciso verificar. Preciso verificar se não há algum outro Ronald Granger, algum primo que eu não tenha ouvido falar.Por favor Deus, por favor deixe-me estar saindo com o rico.

- Ah, sim – diz Mione casualmente. – Ele sempre está nessas coisas. – Deus, eles sempre exageram tudo. Vinte e cinco milhões de libras!

- Então ele não tem 25 milhões de libras?- digo, parecendo desinteressada.

- Ah, não! – Ela ri como se a idéia fosse ridícula. – O patrimônio vale uns... Ah, não sei. Uns 18 milhões de libras.

- Essas revistas! – digo eu, e reviro meus olhos solidária.

- Chá Earl Grey? – diz Mione levantando-se. – Ou normal?

- Earl Grey – digo, apesar de, na verdade, preferir Typhoo. Porque é melhor eu começar a agir como uma aristocrata, não é, se vou ser a namorada de alguém com o nome de Ronald Granger.

Ginevra Granger.

Ginevra Granger.

Olá, aqui fala Ginevra Granger. Sim, a esposa de Ronald. Nos conhecemos na... sim, eu estava usando Chanel. Como você é esperta!

- Por falar nisso – acrescento -, Ronald disse onde devo encontrá-lo?

- Ah, ele vem buscá-la – diz Mione.

Mas claro que vem. O décimo quinto solteiro mais rico da Inglaterra não se encontra com você na estação do metrô, não é? Ele não diz simplesmente “Vejo você debaixo do grande relógio, na Waterloo”. Ele vem e pega você.

Ah, é isto. É isto! Minha nova vida finalmente começou. Eu nunca passei tanto tempo me arrumando para um encontro na minha vida. Nunca. O processo começa às oito horas do sábado de manhã – quando olho para meu guarda-roupas aberto e percebo que não tenho uma única roupa para usar – e só termina às sete e meia da noite quando passo nos cílios outra camada de rímel, me borrifo com Coco Chanel e entro na sala de visitas para o veredicto de Mione.

- Uau! – diz ela, olhando para mim de uma moldura que está forrando de brim desbotado. – Você está... simplesmente incrível!

E devo dizer, concordo. Estou toda de preto mas preto caro. O tipo de preto profundo e suave que encanta. Um vestido simples sem manda, da Whistles, o mais alto dos sapatos da Jimmy Choos e um par de brincos estonteantes de ametista não lapidada. E por favor não pergunte quanto tudo custou, porque é irrelevante. É uma compra de investimento. O maior investimento da minha vida.

Não comi nada o dia todo, portanto estou linda e magra, e desta vez, pelo menos meu cabelo ficou ótimo. Eu estou... bem, nunca estive melhor em toda a minha vida.

Mas claro, a aparência é apenas parte do pacote, não é? Por isto, eu astutamente parei na livraria Waterstone’s, no caminho para casa, e comprei um livro sobre Wagner. Li a tarde inteira, enquanto esperava minhas unhas secarem, e até decorei algumas pequenas passagens para soltar na conversa.

Não sei bem o que Ronald gosta além de Wagner. Mesmo assim, isto deve ser suficiente para sustentar a conversa. E de qualquer modo, espero que ele esteja planejando levar-me em algum lugar realmente glamouroso com uma banda de jazz, portanto estaremos muito ocupados dançando de rosto colado para podermos conversar.

A campanhia da porta toca e eu começo a me movimentar. Devo admitir, meu coração está batendo fortemente de nervoso. Mas, ao mesmo tempo, me sinto estranhamente calma. É isto. Aqui começa minha nova existência de multimilhões de libras. Harry Potter: morda-se.

- Vou atender – diz Mione, sorrindo para mim, e desaparece no hall. Um instante depois ouço-a dizer – Rony!

- Mione!

Me olho no espelho, respiro fundo e viro para o lado da porta, justo quando Ronald aparece. Sua cabeça está ossuda como sempre e ele está usando outro de seus ternos antigos e estranhos. Mas de algum modo nada disso parece importar agora. Na realidade, sua aparência não está me mobilizando. Só estou olhando para ele. Olhando e olhando para ele, incapaz de falar, incapaz de ter qualquer pensamento exceto: vinte e cinco milhões de libras.

Vinte e cinco milhões de libras. O tipo de pensamento que faz você se sentir tonta e estimulada, como numa corrida de um brinquedo num parque de diversões. De repente quero correr pela sala, gritando “Vinte e cinco milhões! Vinte e cinco milhões!” jogando notas no ar como se eu fosse uma dessas dançarinas de comédia Hollywoodiana.

Mas não faço isso. Claro que não. Digo “Oi, Ronald” e dirijo-lhe um sorriso radiante.

- Oi, Gina – diz ele. – Você está linda.

- Obrigada – digo, e abaixo o olhar recatado para meu vestido.

- Vocês querem ficar para um titchi? – diz Mione, que está muito afetuosa como se fosse minha mãe e esta fosse minha noite de formatura e eu estivesse saindo com o garoto mais popular da escola.

- Ermmm... não, acho que vamos indo – diz Rony, encontrando meu olhar – O que acha, Gina?

- Claro – digo. - Vamos.




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