Hum capitulo atualizado, mas será que posto,mais capítulos hj ????Será que devo ?Hum vou pensar rsrsrsrs Hj autora esta má kkkkk(Tem mais dois capitulos vou pensar talvez mais tarde poste mais alguns capitulos ,enquanto isso divirtam-se com mais das maluquices de Gina Weasley
QUATRO
Às oito e meia da manhã seguinte ainda não me levantei. Não quero me mexer um centímetro. Quero ficar nessa cama linda e confortável, enrolada nesse deslumbrando edredom branco.
- Você vai ficar aí o dia inteiro? - pergunta Harry, sorrindo para mim. E eu me enrosco nos travesseiros, fingindo que não estou ouvindo. Simplesmente não quero me levantar. Estou tão aconchegada, quente e feliz ali!
Além do que - só um detalhe muito pequeno - ainda não tenho nenhuma roupa.
Já liguei secretamente para a recepção três vezes perguntando pelo pacote da Special Express. (Uma quando Harry estava no banho, uma enquanto eu estava no banheiro - do chiquérrimo telefone do banheiro - e uma muito rapidamente quando mandei Harry ao corredor porque disse que ouvi um gato miando).
E ainda não chegou. Não tenho nenhuma roupa. Necas.
Coisa que até agora não teve importância, porque só estive de preguiça na cama. Mas não posso mais comer croissants nem tomar mais café, nem posso tomar outro banho, e Harry já está meio vestido.
Ah, meu Deus, não tem saída - simplesmente vou ter de colocar de novo as roupas de ontem. O que é odioso, mas o que posso fazer? Vou fingir que sou sentimental com relação a elas, ou talvez esperar que consiga vesti-las e Harry nem perceba. Quero dizer, será que os homens realmente notam quando você...
Espere.
Espere um minuto. Onde estão as roupas de ontem? Tenho certeza de que as deixei ali caídas no chão...
- Harry?- digo do modo mais casual possível. Você viu as roupas que eu estava usando ontem?
- Ah sim - diz ele, levantando a cabeça perto da mala. - Mandei para a lavanderia hoje cedo, junto com as minhas.
Eu o encaro, incapaz de respirar.
Minhas únicas roupas em todo o mundo foram para a lavanderia?
- Quando...quando elas voltam?
- Amanhã de manhã. - Harry se vira para me olhar. - Desculpe eu deveria ter dito.Mas não é problema, é? Quero dizer, não creio que você precise se preocupar. Eles fazem um serviço excelente.
- Ah, não! - digo numa voz aguda e entrecortada. - Não, não estou preocupada!
- Bom - ele sorri.
- Bom - eu sorrio de volta.
Ah, meu Deus. O que vou fazer?
- Ah, e há bastante espaço no armário se você quiser que eu pendure alguma coisa... - Ele estende a mão para minha maletinha e, num pânico, eu me ouço gritando:
- Nãããão! - antes que consiga me conter. Está tudo bem - acrescento, enquanto ele me olha surpreso. - Minhas roupas são principalmente... de malha.
Ah, meu Deus.Ah, meu Deus. Agora ele está calçando os sapatos. O que eu vou fazer?
Tudo bem, ande, Gina, penso freneticamente. Roupa. Algo para usar. Não importa o quê.
Um dos ternos de Harry?
Não. Ele vai achar estranho demais, e de qualquer modo os ternos dele custam umas mil libras cada, de modo que eu não vou poder enrolar as mangas.
O roupão do hotel? Fingir que roupão e chinelos são a última moda? Ah, mas eu não posso andar por aí de roupão como se pensasse que estou num spa. Todo mundo vai rir de mim.
Qual é, deve haver roupas num hotel. Que tal... os uniformes das camareiras? É, isso tem mais a ver! Eles devem manter uma pilha de uniformes em algum lugar, não é? Vestidinhos arrumadinhos com chapéus combinando. Eu poderia dizer ao Harry que era a última moda de Prada - e só esperar que ninguém pedisse para eu limpar um quarto...
- À propósito - diz Harry enfiando a mão na mala dele -. você deixou isso no meu apartamento.
Ergo os olhos, espantada, e ele joga alguma coisa para mim. É macia, é de tecido... Quando pego, quero chorar de alívio. É uma roupa!Uma camiseta Calvin Klein grande, para ser mais exata. Nunca fiquei tão feliz em ver uma camiseta simples, cibza e desbotada em minha vida.
- Obrigada - digo, e me forço a contar até dez antes de acrescentar casualmente: - Na verdade, talvez eu use isso hoje.
- Isso? - Harry me dá um olhar estranho. Eu pensei que era uma camiseta de dormir.
- E é! É uma camiseta... um vestido de dormir - digo, enfiando-a pela cabeça. E graças a Deus ela chega no meio das minhas coxas. Poderia facilmente ser um vestido. E ha! Eu tenho uma faixa de cabeça elástica na bolsa de maquiagem, que serve muito bem como cinto.
- Muito bonito - diz Harry enigmaticamente, olhando enquanto eu me enfio no cinto. - Um pouquinho curto...
- É um mini vestido - digo com firmeza e me volto para olhar o reflexo no espelho. E... ah, meu Deus, está meio curto. Mas é tarde demais para fazer alguma coisa a respeito. Calço as sandálias laranja-claro e sacudo o cabelo para trás, sem me permitir pensar em todas as roupas fantásticas que eu tinha planejado para esta manhã.
- Aqui - diz Harry. Ele pega a echarpe Denny and George e a enrola devagar no meu pescoço. - Echarpe Denny and George, sem calcinha. Do jeito que eu gosto.
- Eu vou usar calcinha! - falo indignada.
O que é verdade. Vou esperar até Harry ter saído e pegar uma de suas cuecas.
- Então, de que se trata a sua reunião? - pergunto apressada, para mudar de assunto. - Alguma coisa empolgante?
- É... bem grande - diz Harry depois de uma pausa. Ele levanta duas gravatas de seda - Qual das duas vai me dar sorte?
- A vermelha - digo depois de pensar um pouquinho. Olho enquanto ele amarra a gravata com movimentos rápidos e eficientes. - Ande, diga. É um cliente novo e importante?
Harry sorri e balança a cabeça.
- É a NatWest? Eu sei, o Lloyds Bank.
- Só digamos que... é uma coisa que eu quero muito - diz Harry por fim. Uma coisa q eu sempre quis. Agora... o que você vai fazer hoje? - pergunta num tom diferente. Você vai ficar bem?
Agora ele está mudando de assunto. Não sei porque ele tem de ser tão cuidadoso quando se trata de trabalho. Puxa, será que ele não confia em mim?
- Você ouviu dizer que a piscina está fechada hoje de manhã? - pergunta ele.
- Eu sei - falo, pegando meu blush - Mas isso não importa. Eu vou me divertir com facilidade.
Há silêncio e eu levanto a cabeça, vendo Harry me examinar em dúvida.
- Você gostaria de que eu pedisse um táxi para levá-la até as lojas? Bath fica bem perto daqui...
- Não - digo indignada. - Não quero fazer compras!
O que é verdade. Quando Hermione descobriu quanto custou aquela sandália laranja-claro, ficou preocupada com a possibilidade de não ter sido suficientemente rígida comigo e me fez prometer que não compraria nada neste fim de semana. Me obrigou a fazer o sinal-da-cruz e jurar...bem, pelas próprias sandálias laranja-claro. E vou fazer um esforço real para manter a promessa.
Puxa, Hermione está completamente certa. Se ela pode ficar uma semana inteira sem fazer compras, eu deveria ser capaz de suportar quarenta e oito horas.
- Vou fazer todas as adoráveis coisas rurais - falo, fechando o estojo de blush
- Tipo...
- Tipo olhar a paisagem... e talvez ir a uma fazenda e ver as pessoas tirando leite das vacas, ou alguma coisa...
- Sei... um sorriso minúsculo retorce sua boca.
- O quê? - digo cheia de suspeitas. O que isso significa?
- Você vai simplesmente aparecer numa fazenda e perguntar se pode tirar leite das vacas?
- Eu não disse que eu vou tirar leite das vacas - falo com dignidade. - Disse que eu ia olhar as vacas. E, de qualquer modo, talvez eu não vá a uma fazenda, posso ir olhar algumas atrações locais. - Pego uma pilha de folhetos sobre a penteadeira. - Tipo... esta exposição de tratores. Ou... o Convento de St. Winifred com seu famoso Tríptico de Benvigton.
- Um convento - repete Harry depois de uma pausa.
- É, um convento! - Dou-lhe um olhar indignado. - Por que eu não visitaria um convento? Na verdade eu sou uma pessoa muito espiritual.
- Tenho certeza de que é, querida. - Harry me dá um olhar irônico. Talvez você possa querer vestir algo mais do que uma camiseta antes de ir...
- É um vestido, digo baixando a cabeça em cima da bunda. - De qualquer modo, a espiritualidade não tem nada a ver com as roupas. "Pense nos lírios do campo". Lanço-lhe um olhar satisfeito.
- É bem justo. - Harry ri. - Bom, divirta-se. - Ele me dá um beijo. - E eu realmente lamento tudo isso.
- É, tudo bem - digo, e dou uma leve cutucada no peito. - Só garanta que esse negócio misterioso valha a pena.
Estou esperando que Harry ria, ou pelo menos sorria - mas ele faz um minúsculo movimento de cabeça, pega a pasta e vai até a porta. Meu Deus, ele leva os negócios a sério, às vezes.
Mesmo assim não me importo de ficar sozinha esta manhã, porque secretamente sempre quis saber como é estar num convento. Quer dizer, eu sei que não vou exatamente à igreja toda semana, mas me parece óbvio que há uma força lá fora, maior do que nós, meros mortais - e é por isso que eu sempre leio o horóscopo do Daily World. Além disso, adoro aquele cantochão que eles entoam nas salas de ioga e todas as velas lindas e o incenso. E Audrey Hepburn no papel de freira em Uma cruz à beira do abismo
Para dizer a verdade, parte de mim sempre se sentiu atraída pela simplicidade da vida de freira. Sem preocupações, sem decisões, sem ter de trabalhar. Só cantar e andar por ali o dia inteiro.
Assim, depois de terminar a maquiagem e assistir a um pouco de Trisha, vou à recepção e depois de perguntar de novo infrutiferamente pelo meu pacote (honestamente, vou processá-los), pego um táxi para Sy. Winifred. Enquanto sacolejamos por estradas campestres, olho aquela paisagem linda, e me pego pensando em qual pode ser o negócio que Harry veio fazer. O que, diabos, é essa "coisa misteriosa que ele sempre quis?” Cliente novo? Escritório novo? Expandi a empresam talvez?
Franzo o rosto, tentando lembrar se entreouvi alguma coisa recentemente - depois, com um choque, lembro de tê-lo ouvido ao telefone há algumas semanas. Estava falando sobre uma agência de publicidade, e mesmo na hora eu me perguntei por quê.
Publicidade. Talvez seja isso. Talvez, secretamente, ele sempre tenha desejado ser um diretor de arte ou coisa do tipo.
Meu Deus, sim. É óbvio, agora q penso nisso. O negócio é esse. Ele vai expandir a empresa de relações públicas e entrar no ramo da publicidade.
E eu posso fazer parte! Sim!
Estou tão empolgada com a idéia que quase engulo o chiclete. Eu posso participar de um comercial. Ah vai ser tão incrível! Talvez eu participe de um daqueles comerciais da Bacardi em que todo mundo está num barco, rindo, fazendo esqui aquático e se divertindo de montão. Puxa, eu sei que geralmente são modelos que fazem isso - mas e poderia estar no fundo, não é? Ou poderia estar pilotando o barco. Meu Deus, vai ser tão fantástico!
Vamos de avião até Barbados ou algum lugar assim e vai estar quente, ensolarado e cheio de glamour, com um monte de Bacardi grátis, e vamos ficar num hotel incrível... vou ter de comprar um biquíni novo, claro... ou talvez dois... e uma sandália de borracha nova.
- St. Winifred - diz o motorista de táxi. E com um susto eu volto a mim. Não estou em Barbados, estou? Estou no meio de uma porcaria de lugar nenhum, em Somerset.
Paramos perto de uma antiga construção cor de mel, e eu espio curiosa pela janela. Então isto é um convento. Não parece tão especial - só parece uma escola, ou uma grande casa de campo. Estou pensando se devo me incomodar em sair, quando vejo algo que me deixa ligeiramente paralisada. Uma freira ao vivo. Caminhando, de hábito preto, touca e tudo. Uma freira de verdade em seu hábito real. E é completamente natural. Nem mesmo olhou para o táxi. Isso é como estar num safári!
Saio, pago ao motorista e, enquanto vou em direção à grossa porta da frente, sinto pontadas de mistério. Há uma mulher indo ao mesmo tempo, e parece conhecer o caminho - por isso acompanho-a ao longo de um corredor em direção à capela. Quando entramos, tenho uma sensacão espantosa, sagrada, quase eufórica. Talvez seja esse cheiro maravilhoso no ar, ou a música de órgão, mas definitivamente estou capturando alguma coisa.
- Obrigada, irmã - diz a mulher idosa à freira, e começa andar para a frente da capela. Mas eu fico imóvel, ligeiramente hipnotizada.
Irmã. Uau.
Irmã Ginevra.
E um daqueles lindos hábitos esvoaçantes, e uma fantástica pele de freira, clara, o tempo todo.
Irmã Ginevra do Sagrado...
- Você parece meio perdida, querida - diz uma freira atrás de mim, e eu pulo. - Está interessada em ver o Tríptico de Bevigton?
- Ah - digo. - É...sim. Sem dúvida.
- É lá. - Ela aponta, e eu ando hesitante para a frente da capela, esperando que se torne óbvio o que é o Tríptico de Bevington. Uma estátua, talvez? Ou... uma tapeçaria?
Mas quando alcanço a senhora idosa, vejo que ela está olhando para uma parede inteira de vitrais. Tenho de admitir, é bem espantoso. Quero dizer, olhe só aquele enorme azul no meio. É fantástico.
- O Tríptico de Bevington - diz a mulher idosa. - Simplesmente não tem paralelo, não é?
- Uau - suspiro cheia de reverência, olhando com ela. - É lindo.
É realmente espantoso. Meu Deus, a coisa simplesmente se revela, não há como se equivocar com uma verdadeira obra de arte, há? Quando a gente encontra um gênio de verdade, ele salta para você. E eu nem sou especialista.
- Cores maravilhosas - murmuro.
- Os detalhes - diz a mulher, cruzando as mãos - são absolutamente incomparáveis.
- Incomparáveis - repito.
Estou para apontar o arco-íris, que acho um toque realmente legal - quando subitamente noto que a mulher idosa e eu não estamos olhando para a mesma coisa. Ela está olhando para um negócio de madeira pintada que eu nem tinha notado.
Do modo mais discreto possível, viro olhar - e sinto uma pontada de desapontamento. Isso é o Tríptico de Bevington? Mas nem é bonito!
- Ao passo que esse lixo vitoriano - acrescenta a mulher de repente, selvagemente - é absolutamente criminoso! Aquele arco-íris? Não causa enjôos? - Ela faz um gesto para meu grande vitral e eu engulo em seco.
- Sei - digo. - É chocante, não é? Absolutamente...Sabe, acho que vou andar um pouquinho.
Recuo apressadamente, antes que ela possa falar mais. Estou recuando pela lateral dos bancos, imaginando vagamente o que fazer em seguida, quando noto uma capelinha lateral no canto.
Retiro espiritual, diz uma placa do lado de fora. Um lugar para ficar no silêncio, rezar e descobrir mais sobre a fé católica.
Cautelosamente enfio a cabeça na capela lateral - e há uma freira velha, sentada numa cadeira e bordando. Ela sorri para mim, e nervosamente eu sorrio de volta e entro.
Sento-me num banco de madeira escura, tentando não fazer nenhum som estalante, e por muito tempo fico pasma demais para dizer qualquer coisa. Isso é simplesmente espantoso. A atmosfera é fantástica, tudo quieto e imóvel - e eu me sinto incrivelmente limpa e santa só de estar ali. Sorrio de novo para a freira, timidamente, e ela pousa o bordado e me olha como se esperasse que eu fale.
- Eu realmente adoro as velas de vocês - falo numa voz baixa e reverente. - São da Habitat?
- Não - diz a freira, meio espantada. - Acho que não.
- Ah, certo.
Dou um bocejo minúsculo - porque ainda estou sonolenta com todo esse ar campestre - e, ao fazer isso, percebo que uma das minhas unhas se lascou. Assim, muito silenciosamente abro o zíper da bolsa, pego a lixa e começo a lixar. A freira ergue os olhos, eu lhe dou um sorriso triste e aponto para a unha (em silêncio, porque não quero arruinar a atmosfera espiritual). então, quando termino, a bolsa está parecendo meio desigual - por isso pego meu esmalte Mabelline de secagem rápida e enquanto estou terminado ela diz:
- Minha cara, você é católica?
- Não, na verdade, não sou.
- Há alguma coisa que você queira falar?
- Hmm... na verdade não. - Passo a mão afetuosamente no banco que estou sentada e dou um sorriso amigável. - Esse entalhe é realmente lindo, não é? Toda a mobília de vocês é tão linda assim?
- Isto é a capela - diz a freira, dando-me um olhar estranho.
- Ah, eu sei! Mas a senhora sabe, hoje em dia um monte de gente também tem bancos em casa. Eu vi um artigo na Harpers...
- Minha filha... - a freira levanta a mão para me interromper. - Minha filha, este é um lugar de retiro espiritual. De quietude.
- Eu sei - digo surpresa. Foi por isso que entrei. Pela quietude.
- Bom - diz a freira, e nós caímos no silêncio de novo.
À distância sinos começam a tocar, e eu noto que a freira começa murmurar bem baixinho. Imagino o que estará dizendo. Ela me faz lembrar quando minha avó tricotava coisas e ficava murmurando os pontos consigo mesma. Talvez tenha perdido a conta do bordado.
- Sua costura está indo muito bem - digo em tom encorajador. - O que vai ser? - Ela leva um susto minúsculo e pousa o bordado.
- Minha cara - diz ela, e expira com força. Depois me dá um sorriso caloroso. - Minha cara, nós temos campos de lavanda muito famosos. Gostaria de ir vê-los?
- Não, está tudo bem. - Sorrio. - Eu só estou feliz, sentada aqui com a senhora. - A freira sorri e oscila levemente.
- E a cripta? Estaria interessada nisso?
- Não em particular Mas, honestamente, não se preocupe. Não estou entediada! Aqui é tão lindo. Tão tranqüilo. Igualzinho a A noviça rebelde.
Ela me encara como se eu estivesse falando grego e percebo que a mulher provavelmente está no convento há tanto tempo que não sabe o que é A noviça rebelde.
- É um filme... - começo a explicar. Então me ocorre que talvez ela nem saiba o que é um filme. - É tipo, imagens em movimento - digo cautelosamente. - A gente assiste numa tela. E havia uma freira chamada Maria...
- Nós temos uma loja - interrompe a freira ansiosa. - Uma loja. O que acha?
Uma loja! Por um momento me sinto toda empolgada e quero perguntar o que eles vendem. Mas então me lembro da promessa que fiz a Hermione.
- Não posso - digo, lamentando. - Eu disse à minha colega de apartamento que não iria fazer compras hoje.
- Sua colega de apartamento? O que ela tem a ver com isso?
- Ela fica preocupada demais com meus gastos...
- Sua colega de apartamento manda na sua vida?
- Bom, é só que eu fiz uma promessa muito séria há um tempo. A senhora sabe, meio como um voto, eu acho...
- Ela não vai saber! diz a freira. - Se você não contar.
Eu a encaro, meio perplexa.
- Mas eu me sentiria muito mal se quebrasse a promessa! Não, só vou ficar aqui com a senhora um pouco mais, se não fizer mal. - Pego uma estatueta de Maria que atraiu o meu olhar. - Isso é bonito. Onde a senhora comprou?
A freira me encara, com os olhos se estreitando.
- Não pense na coisa como uma compra - diz finalmente. - Pense como uma doação. - Ela se inclina para a frente. - Você doa o dinheiro e nós lhe damos uma coisinha em troca. Você não pode considerar que é um compra. É mais como... um ato de caridade.
Fico quieta alguns instantes, deixando a idéia se assentar. A verdade é que eu sempre pensei em fazer mais caridade - e talvez essa seja a minha chance.
- Então... será como... fazer uma boa ação? - pergunto, só para ter certeza.
- Exatamente a mesma coisa. E Jesus e todos os seus anjos vão abençoá-la por isso. - Ela segura meu braço com bastante firmeza. - Agora vá e dê uma espiada. Ande, eu mostro o caminho.
Quando saímos da capela lateral, a freira fecha a porta e tira a placa de Retiro espiritual.
- A senhora não vai voltar? - pergunto.
- Não, hoje não, e me lança um olhar. - Acho que por hoje basta.
Sabe, é como dizem - a virtude é sua própria recompensa. Quando volto ao hotel de tarde, estou luzindo de felicidade por todo bem que fiz. Devo ter doado pelo menos cinqüenta libras naquela loja, se é que não foi mais! De fato, não é para me gabar ou coisa assim - mas obviamente eu tenho uma natureza muito altruísta. Porque logo que comecei a doar, não consegui parar mais. A cada vez que me separava de um pouquinho de dinheiro, sentia um tremendo barato. E apesar de ser algo totalmente incidental, acabei com umas coisas bem legais em troca. Um monte de mel de lavanda, óleo essencial de lavanda e chá de lavanda, que tenho certeza de que é delicioso - e um travesseiro de lavanda para me ajudar a dormir.
O espantoso é que eu nunca tinha pensado muito em lavanda. Só achava que era um planta no jardim das pessoas. Mas aquela freira jovem atrás da mesa estava certa - ela tem propriedades vitais, estimulantes, que deveriam fazer parte da vida de todo mundo. Além disso, a lavanda do convento de St. Winifred é completamente orgânica pelo que ela explicou - de modo que é tremendamente superior às outras variedades, mas os preços são muito mais baixos do que os de qualquer catálogo de vendas pelo correio. Foi ela quem me persuadiu a comprar o travesseiro de lavanda, e a pôr meu nome na lista de correspondência deles. Ela foi bem persistente, para uma freira.
Quando volto ao Bakeley Hall, o motorista do táxi se oferece para me ajudar a levar as coisas, porque a caixa de mel de lavanda é bem pesada. Estou parada no balcão de recepção, dando-lhe uma gorjeta gorda e pensando que eu poderia tomar um belo banho com minha nova essência de banho de lavanda... quando a porta da frente que dá na recepção se abre. Entra no hotel uma garota de cabelo preto, uma bolsa Louis Vuitton e pernas compridas e bronzeadas.
Encaro-a incrédula. É Cho Chang. Ou, como eu a chamo, Cho, a Vaca do Pernão. O que ela está fazendo aqui?
Cho é uma das executivas de contabilidade da Potter Comunication - a empresa de RP do Harry - e nós nunca nos demos exatamente bem. De fato, cá entre nós, ela é mesmo uma vaca, e secretamente eu gostaria de Harry a despedisse. Há um mês ela quase foi demitida - e isso meio que teve a ver comigo. (Na época, eu era jornalista financeira e escrevi uma matéria... ah, é uma história meio comprida.) Mas no fim ela só recebeu uma reprimenda, e desde então vem se esforçando bastante.
Sei de tudo isso porque de vez em quando bato uns papinhos com a secretária de Harry, Mel, que é um doce e me mantém a par de todas as fofocas. Um dia desses ela me contou que tem de admitir que Cho mudou mesmo. Não está mais legal - mas certamente trabalha mais. Dá em cima dos jornalistas até que eles ponham seus clientes nas matérias deles e freqüentemente fica até bem tarde no escritório, digitando no computador. Um dia desses ela contou a Mel que queria uma lista de todos os clientes da empresa, com nomes de contatos, para poder se familiarizar com eles, Mel acrescentou mal-humorada que acha que Cho quer uma promoção - e eu acho que ela pode estar certa. O problema de Harry é que ele só vê o quanto uma pessoa trabalha e os resultados que ela consegue - e não como ela é
uma vaca tão horrível. Então as chances são de que provavelmente ela consiga uma promoção e se torne ainda mais insuportável.
Enquanto a vejo entrar, metade de mim quer fugir e metade quer saber o que ela está fazendo ali. Mas antes que possa decidir, Cho me vê e levanta as sobrancelhas
ligeiramente. E, ah, meu Deus, de repente noto como devo estar - com uma velha camiseta cinza e desbotada que, para ser honesta, não se parece nada com um vestido, e com o cabelo numa bagunça e o rosto todo vermelho de carregar sacolas cheias de mel de lavanda. E ela está num imaculado conjunto branco.
- Ginevra! - diz ela, e põe a mão na boca fingindo perplexidade. - Você não deveria saber que estou por aqui! Finja que não me viu.
- O que... o que você quer dizer? - falo, tentando não parecer tão desconcertada como estou. - O que você está fazendo aqui?
- Eu só apareci para uma rápida reuniãozinha introdutória com os novos sócios. Você sabe que meus pais moram há poucos quilômetros daqui? Por isso fazia sentido.
- Ah, certo. Não, eu não sabia
- Mas Harry deu a todos nós instruções rígidas. Nós não deveríamos incomodar vocês. Afinal de contas, é o seu fim de semana juntos!
Há algo no modo como ela diz isso que me faz sentir como uma criança.
- Ah, eu não me importo - digo corajosamente. - Quando uma coisa tão...tão importante quanto isso está acontecendo. De fato, Harry eu estávamos falando sobre isso no café da manhã.
Tudo bem, então eu só mencionei o café da manhã para lembrá-la de que Harry e eu estamos juntos. O que eu sei que é totalmente patético. Mas sempre que falo com Cho, sinto que estamos numa competiçãozinha secreta, e se eu não contra-atacar, ela vai achar que venceu.
- Verdade? - diz Cho. - Que ótimo! - Seus olhos se estreitam ligeiramente. - Então... o que você acha desse empreendimento todo? Você deve ter um ponto de vista.
- Acho fantástico - digo depois de uma pausa. - Realmente fantástico.
- Você não se importa? - Seus olhos estão sondando meu rosto.
- Bom... na verdade, não. - Dou de ombros. - Quer dizer, deveria ser um fim de semana juntos, mas se é tão importante...
- Não estou falando das reuniões - diz Cho, rindo um pouco. Quero dizer..esse negócio todo. Todo o negócio de Nova York.
Abro a boca para responder - depois fecho debilmente de novo. Que coisa de Nova York?
Como um urubu sentido fraqueza, ela se inclina para a frente, com um sorriso minúsculo e malicioso nos lábios.
- Você sabe, não sabe, Ginevra, que harry vai se mudar para Nova York?
Não consigo me mexer por causa do choque. Harry vai se mudar para Nova York. É por isso que ele estava tão empolgado. Vai se mudar para Nova York. Mas..por que não me contou?
Meu rosto está bem quente, e há um aperto brutal no meu peito. Harry vai se mudar para Nova York e nem me contou.
- Ginevra?
Minha cabeça se sacode para cima, e eu rapidamente forço um sorriso no rosto. Não posso deixar Cho notar que isso é novidade para mim. Simplesmente não posso.
- Claro que eu sei - digo rouca e pigarreio. - Sei de tudo. Mas eu...eu nunca discuto negócios em público. É muito melhor ser discreta, não acha?
- Ah, sem dúvida. - E o modo como ela me olha me faz sentir que não se convenceu nem por um minuto. - Então você também vai pra lá?
Olho de volta, com os lábios tremendo, incapaz de pensar numa resposta, o rosto ficando cada vez mais vermelho - quando de repente, graças a Deus, um voz atrás de mim diz:
- Ginevra Weasley. Encomenda para a Srta. Ginevra Weasley.
Minha cabeça gira perplexa e... não acredito. Um homem de uniforme está se aproximando do balcão, segurando meu gigantesco e amassado pacote da Special Express, que eu honestamente tinha dado como perdido. Todas as minhas coisas, finalmente. Todas as minhas roupas cuidadosamente escolhidas. Posso usar o que quiser esta noite.
Mas de algum modo... não me importo mais. Só quero ir para algum lugar, ficar sozinha e pensar um pouco.
- Sou eu - digo, conseguindo sorrir. - Eu sou Ginevra Weasley.
- Ah, certo - diz o sujeito. - Então esta tudo bem. Se puder assinar aqui...
- Bom, eu não devo atrapalhar você! - exclama Cho, olhando meu pacote com ar divertido. - Aproveite o resto da estada, certo?
- Obrigada. Eu vou aproveitar. E sentindo-me ligeiramente atordoada, me afasto, agarrando as roupas apertadas contra o corpo.
Endwich Bank
AGÊNCIA FULHAM
3 Fulham Road
Londres SW6 9JH
Srta. Ginevra Weasley,
Apto. 2
4 Burney Road
Londres SW6 8FD
8 de setembro de 2001
Cara Weasley,
Obrigado por sua carta de 4 de setembro, endereçada ao Doce Smeathie, em que a senhorita pede que ele se apresse em aumentar seu limite de cheque especial "antes que o cara novo chegue".
Eu sou o cara novo.
Atualmente estou analisando todas as fichas dos clientes e farei contato com relação ao seu pedido
Atenciosamente
John Gavin
Diretor de Recursos de Cheque Especial
ENDWICH – PORQUE NOS IMPORTAMOS
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