OITO
Tudo bem, talvez Cortar Gastos não tenha funcionado. Mas não faz mal, pois tudo é passado. Aquilo foi um pensamento negativo – agora estou voltada para o pensamento positivo. Para a frente e para cima. Crescimento e prosperidade. G. M. D. É a solução óbvia, quando se pensa nisso. Ganhar Mais Dinheiro combina muito mais com a minha personalidade do que Cortar Gastos.
Na verdade, já estou me sentindo mais feliz. Só o fato de não precisar fazer desagradáveis sanduíches de queijo e não ir a museus tirou um enorme peso da minha alma. Já posso comprar todos os cappuccinos que quiser e voltar a olhar as vitrines. Ai, que alívio! Até joguei o livro Controlando seu dinheiro no lixo. Nunca achei que fosse bom mesmo.
Só uma coisinha – um pequeno detalhe – da qual ainda não estou certa é como vou fazer isso. Quero dizer, Ganhar Mais Dinheiro. Mas agora que já decidi ir em frente nesse caminho, alguma coisa vai aparecer. Tenho certeza.
Quando chego no trabalho, na segunda-feira, Lilá Brown já está em sua mesa, surpresa, e ao telefone.
- Sim – diz, suave – Suponho que a única resposta seja planejar com antecedência. Sim.
Quando me vê, para meu espanto, ela fica ligeiramente ruborizada e vira o rosto para o outro lado. Sim, eu compreendo – sussurra e rabisca em seu caderno de notas. – E como foi... a resposta até agora?
Deus sabe por que está sendo tão reservada. Como se eu estivesse interessada em sua vida entediante. Sento à minha mesa, ligo alegre meu computador e abro a minha agenda. Ah, que bom, tenho uma entrevista coletiva no centro da cidade. Mesmo que seja alguma dessas apresentações maçantes de algum fundo de pensão, pelo menos significa uma saída do escritório e, com alguma sorte, uma boa taça de champanhe. O trabalho pode ser bem divertido às vezes. E Philip ainda não chegou, o que significa que podemos sentar e fofocar um pouco.
- E então, Lilá – digo quando ela coloca o fone no gancho. – Como foi o seu fim de semana?
Olho para ela esperando ouvir a habitual descrição emocionante de o que pendurou em sua prateleira com seu namorado – mas Lilá nem parece ouvir o que eu digo.
- Lilá? – digo, confusa. Ela está olhando para mim ruborizada, como se eu a tivesse pego roubando caneta do armário de material de escritório.
- Ouça – diz ela, rápido. – Aquela minha conversa que você acabou de ouvir... poderia não mencioná-la a Philip?
Olho para ela perplexa. Do que ela está falando? Minha nossa, ela está tendo um caso? Ele é seu editor, não seu...
Ah, meu Deus. Ela não está tendo um caso com Philip, será?
- Lilá, o que está acontecendo! – digo ansiosa.
Há uma longa pausa e Lilá fica muito vermelha. Não consigo acreditar. Um escândalo no escritório, finalmente! E envolvendo Lilá Brown, logo quem!
- Ora, Lilá, francamente – sussurro. – Pode me contar. Juro que não digo nada a ninguém. – Me inclino em sua direção com um ar solidário de compreensão. – Talvez possa ajudá-la.
- Sim – diz Lilá esfregando a face. – Sim, é verdade. Um conselho pode ser bom. A pressão está começando a me incomodar.
- Comece desde o início – digo calma, como uma tia agoniada. – Quando foi que tudo começou?
- Tudo bem, vou contar – diz Lilá bem baixinho e olha em volta nervosa. – Foi há uns... seis meses.
- E o que aconteceu?
- Tudo começou naquela viagem à Escócia – conta ela lentamente. – Eu estava longe de casa... e disse sim sem nem pensar. Acho que fiquei envaidecida, mais do que qualquer outra coisa.
- É a velha história – eu disse com ar de sabedoria. Deus, eu vou gostar disso.
- Se Philip soubesse o que eu estava fazendo, ia enlouquecer – diz ela desesperada. – Mas é tão fácil. Eu uso um nome diferente... e ninguém sabe!
- Você usa um nome diferente? – digo impressionada, sem querer.
- Vários – diz ela e dá um risinho amargo. – É provável que você já tenha visto alguns deles por aí. – Ela expira bruscamente. – Sei que estou me arriscando, mas não posso parar.
Para ser sincera, você se acostuma com o dinheiro.
Dinheiro? Será que ela é uma prostituta?
- Lilá, o que exatamente você...
- No princípio era só um pequeno artigo sobre hipotecas no Mail – diz ela como se não tivesse me ouvido. – Achei que conseguiria lidar com aquilo. Mas depois me pediram para fazer um artigo inteiro sobre seguro de vida no Sunday Times. Depois Pension and Portfolio entrou em cena. E agora são uns três artigos por semana. Preciso fazer tudo isso em segredo, tentar agir normalmente... – Ela pausa e balança a cabeça. – às vezes me deprime. Mas não posso mais dizer não. Estou viciada.
Não acredito. Ela está falando de trabalho. Trabalho! Só Lilá Brown poderia me proporcionar tal decepção. Lá estava eu acreditando que ela estava tendo um caso cabeludo, pronta para ouvir todos os detalhes excitantes e o tempo todo era só o velho e chato...
E então uma coisa que ela disse fica na minha cabeça. – Você disse que o dinheiro era bom? – digo casualmente.
- Ah, sim – diz ela. – Umas trezentas libras por artigo. Foi assim que pudemos comprar nosso apartamento.
Trezentas libras!
Novecentas libras por semana! Santo Deus!
Esta é a resposta. É fácil. Vou me tornar uma jornalista freelancer ambiciosa, como Lilá, e ganhar novecentas libras por semana. O que preciso fazer é começar a me mexer, circular e fazer contato nos eventos em vez de sempre sentar no fundo da sala e rindo com Elly. Preciso cumprimentar todos os editores financeiros, usar meu crachá bem à vista em vez de guardá-lo logo na bolsa e, depois, telefonar para eles discretamente quando voltar para o escritório com idéias. E então terei 900 libras por semana. Ah!
Assim, quando chego na entrevista coletiva, prendo bem firme o crachá com meu nome, pego uma xícara de café (nada de champanhe – bah) e dirijo-me para Moira Channing do Daily Herald.
- Olá – digo acenando a cabeça de uma maneira que imagino séria. – Gina Weasley, Successful Saving.
- Olá – responde ela sem interesse e se volta novamente para a outra mulher no grupo. – Então eles voltaram ao trabalho e realmente demos ordem para dispersar o comício.
- Ah, Moira, pobrezinha – diz a outra mulher. Procuro ler seu crachá e vejo que é LAvinia Bellimore, freelancer. Bem, não faz sentido impressioná-la, ela é a competição em pessoa.
De qualquer modo, ela não me dirige um segundo olhar. As duas conversam sobre reajustes e mensalidades escolares, me ignorando completamente, e depois de um tempo murmuro “Prazer em conhecê-las” e me afasto. Deus tinha esquecido como são antipáticas. Mas não faz mal. Só vou precisar encontrar outra pessoa.
Assim, após um tempo, me dirijo para um rapaz bem alto que está sozinho e sorrio par ele.
- Gina Weasley, Successful Saving- digo.
- Geoffrey Norris, freelancer – diz ele e me mostra seu crachá. Ah, pelo amos de Deus. O lugar está fervilhando de freelancers!
- Para quem você escreve? – pergunto educada, achando que pelo menos eu poderia conseguir algumas dicas.
- Depende – responde ele esquivando-se. Seus olhos ficam correndo para frente para trás, e ele se recusa a me encarar. – Eu estava no Monetary Matters. Mas me dispensaram.
- Ah, imagine! – exclamo.
- Aqueles ali são uns sacanas. – Indica um grupo e engole seu café num trago. – Uns sacanas! Nem se aproxime. É meu conselho.
- Está bem, vou me lembrar disto! – digo alegre, saindo de fininho. Na verdade, eu preciso agora... Viro e me afasto correndo. Porque estou sempre falando com gente esquisita?
Naquele exato momento, toca uma campainha e as pessoas começam a procurar seus lugares. Deliberadamente dirijo-me para a segunda fileira, apanho o folheto em papel brilhante que espera por mim na cadeira e pego meu caderno de anotações. Eu queria usar óculos; ia parecer ainda mais séria. Estou escrevendo Lançamento do Fundo de Pensão da Administradora de Bens Sacrum em letras maiúsculas, no alto da página, quando um homem que nunca tinha visto antes de aboleta ao meu lado. Ele tem cabelos castanhos desalinhados e cheira a cigarro, e observa tudo com olhos castanhos brilhantes, da mesma cor que os cabelos.
- É uma piada, não é? – Murmura ele depois me encara. Todo esse brilho. Todo esse show. – Gesticula a mão em círculos mostrando em torno. – Você não cai nessa, cai?
Ah, Deus. Outro esquisito.
- Claro que não – digo educadamente, procuro seu crachá, mas não consigo achar.
- Bom saber – diz o homem e balança a cabeça. – Malditos empresários gananciosos. – Aponta para a frente, onde três homens bem-vestidos, usando ternos caros, estão sentados atrás da mesa. – Você consegue imaginá-los sobrevivendo com cinqüenta libras por semana?
- Bem... não- digo. – Estão mais pra cinqüenta libras por minuto.
O homem dá uma risada de aprovação.
- É uma boa frase. Eu poderia usá-la. – Estende sua mão. – Eric Foreman. Daily World..
- Daily World? – exclamo impressionada, sem querer. Nossa, o Daily World. Devo confessar um pequeno segredo aqui, eu realmente gosto do Daily World. Sei que é só um tablóide, mas é tão fácil de ler, especialmente no trem. (Meus braços devem ser muito fracos ou algo assim porquê segurar The Times me faz sentir dor depois de algum tempo. E todas as páginas ficam bagunçadas. É um pesadelo.) E alguns dos artigos na seção “Mundo Feminino” são bem interessantes.
Mas espera aí, é claro que já conheci o editor financeiro do Daily World. Não é aquela mulher sem graça chamada Marjorie? Então quem é este cara?
- Ainda não o tinha visto antes – digo casualmente. – É novo
Eric Foreman dá uma risada.
- Estou no jornal há dez anos. Mas esse negócio de finanças geralmente não é a minha praia. – Abaixa a voz. – Estou aqui para provocar um pouco de confusão, sempre que possível. Os editores me colocaram na pauta para uma nova campanha que estamos iniciando. “Os homens do Dinheiro São Confiáveis?”
Ele até fala com linguagem de tablóide.
- Parece excelente – digo educadamente.
- Poder ser, pode ser. Contando que eu consiga entender toda essa parte técnica. – Ele faz uma careta. – Nunca fui bom em números.
- Eu não me preocuparia – digo amável. Na verdade não é preciso conhecer muito. Logo você aprende o que é importante.
- É bom ouvir isto – diz Eric Foreman. Ele dá uma olhada no meu crachá. – E você é...
- Ginevra Weasley, Successful Saving- digo num tom bem profissional.
- Prazer em conhecê-la, Ginevra – diz ele e procura no bolso um cartão.
- Ah, obrigada – digo, buscando apressadamente na bolsa meus próprios cartões. Sim! Penso triunfante quando o entrego. Estou me relacionando com os jornais de circulação nacional. Estou trocando cartões!
Naquele exato momento os microfones emitem um chiado de retorno e uma mulher de cabelo escuro no pódio limpa a garganta num pigarreio para falar. Atrás dela, está uma tela acesa com as palavras ADMINISTRADORA DE BENS SACRUN, tendo como fundo uma imagem de um pôr-do-sol.
Lembro-me dessa moça agora. Ela foi muito esnobe comigo numa coletiva ano passado. Mas Philip gosta dela porque lhe manda uma garrafa de champanhe todo Natal, portanto vou ter de preparar um bom artigo para este novo fundo de pensão.
- Senhoras e senhores – diz ela. – Meu nome é Maria Freeman e estou feliz em recebê-los para o lançamento do Fundo de Pensão da Administradora de Bens Sacrum. Trata-se de uma série inovadora de produtos, projetada para combinar flexibilidade e segurança com o excelente desempenho associado à Sacrum.
Aparece um gráfico na tela à nossa frente, com uma linha vermelha trêmula sobre uma preta mais fina.
- Como o gráfico 1 indica – diz Maria Freeman confiante, apontando para a linha vermelha ondulada – nosso fundo de pensões do Reino Unido tem tido um desempenho melhor do que o resto desse setor específico.
- Humm – murmura Eric Foreman para mim, franzindo as sombrancelhar ao olhar o folheto que recebeu. – E então, o que está acontecendo aqui, afinal? Ouvi uns rumores de que a Administradora de Bens Sacrum não ia tão bem assim. – Ele fura o gráfico. – Mas veja isto. Tenho um desempenho melhor que o resto do setor.
- É, certo – murmuro de volta. – E que setor seria esse? O Setor de Investimento de Porcaria? O Setor Perca Todo Seu Dinheiro?
Eric Foreman olha para mim e sua boca torce levemente.
- Você acha que eles fraudaram esses números? – murmura.
- Não é exatamente fraudar – explico. – Mas eles só se comparam a quem estiver pior do que eles mesmos, e depois se dizem vencedores. – Aponto para o gráfico no folheto. – Veja. Elas na verdade não especificaram qual é esse tal setor.
- Eles que se danem – diz Eric Foreman, e olha para o grupo da Sacrum sentado na plataforma. – Eles são uns sacanas espertos, não são?
Este cara realmente não tem a menor idéia. Quase sinto pena dele.
Maria Freeman está de novo falando com voz monótona e eu sufoco um bocejo.
O problema de sentar na frente é precisar fingir que estou interessada tomando notas. Pensões – escrevo e sublinho com uma linha ondulada. Depois faço a linha estar dentro do caule de uma videira e começo a desenhar pequenos cachos de uvas e folhas em toda ela.
- Num instante estarei apresentando Mike Dillon, que chefia o grupo de investimentos. Ele lhes falará um pouco sobre seus métodos. Enquanto isso, se houver alguma pergunta...
- Sim – diz Eric Foreman. – Eu tenho uma pergunta. – Levanto o olhar da minha videira para ele, um pouco surpresa.
- Ah, sim? – Maria Freeman sorri docentemente para ele. – E o senhor é...
- Eric Foreman, Daily World. Eu poderia saber quanto vocês todos ganham? – E faz com a mão um gesto que acompanha o comprimento da mesa.
- O quê? – Maria Freeman fica rosa, depois recupera sua compostura. – Ah, o senhor quer dizer os custos. Bem, nós vamos tratar disso...
- Não estou falando dos custos – diz Eric Foreman. – Quero dizer, quanto vocês ganham? Você, Mike Dillon. – Aponta para ele com o dedo. – Quanto você ganha? Algo com seisdigítos? E, considerando o desastre que foi o desempenho da Administradora de Bens Sacrum, no ano passado, não deveriam estar todos na rua?
Estou absolutamente pasma. Nunca vi nada igual numa entrevista coletiva. Nunca!
Há uma agitação na mesa, e depois Mike Dillon se inclina para seu microfone.
- Se pudéssemos continuar com a apresentação – diz ele – e... e deixar outras perguntas para mais tarde. – Está, visivelmente, pouco à vontade.
- Só mais uma coisa – diz Eric Foreman. – O que você diria para um de nossos leitores que investem no seu plano de Perspectivas Garantidas e perderam dez mil libras? – Ele olha rapidamente para mim e dá uma piscada. – Mostrariam um bom gráfico tranqüilizador como esse, mostrariam? Diriam a eles que vocês foram “os melhores do setor”!
Ah, isso é fantástico! Todas as pessoas da Sacrum parecem querer morrer.
- Um realease sobre o assunto de Perspectivas Garantidas foi distribuído na época – diz Maria e sorri friamente para Eric. – Contudo, esta entrevista coletiva é restrita ao tema da série de novas pensões. Se o senhor puder aguardar até o fim da apresentação...
- Não se preocupe – diz Eric Foreman à vontade. – E não ficarei para ouvis essa merda. Suponho que já tenho tudo de que necessito. – Ele se levanta e sorri para mim. – obrigado.
– Estende sua mão e eu aperto, sem saber bem o que estou fazendo. Depois, quando todos estão se virando nas suas cadeiras e sussurrando, ele caminha ai longo da fila e sai da ala.
- Senhoras e senhores – diz Maria Freeman com dois pontos brilhantes queimando na face. – Devido a essa pertubação, faremos um breve intervalo antes de retomarmos com o tema. Por favor sirvam-se de chá e café. Obrigada. – Desliga o microfone, desce do pódio e corre para o grupo da Administradora de Bens Sacrum.
- Você nunca deveria tê-lo deixado entrar! – Ouço um deles dizer.
- Eu não sabia quem era! – replica Maria na defensiva. – Ele disse que era um jornalista do Wall Street Journal!
Bem, isso está ficando bom! Não vejo tanta excitação desde que Alan Derring do daily Investor levantou-se numa entrevista coletiva da Provident Assurance, informou a todos que estava se transformando em mulher e queria que o chamássemos de Andréa.
Dirijo-me ao fundo para pegar outra xícara de café e encontro elly em pé ao lado da mesa. Excelente. Não a vejo há séculos.
- Oi. – sorri ela. – Gosto de seu novo amigo. Muito divertido.
- Eu sei! – digo maravilhada. – Ele não é legal? – Estendo a mão para pegar um biscoito de chocolate embrulhado num papel laminado e dou minha xícara para a garçonete encher novamente. Depois pego mais dois biscoitos e jogo na bolsa (não faz sentido desperdiçá-los).
À nossa volta há um burburinho animado de conversa; o pessoal da Sacrum ainda está reunido lá na frente. Isto é ótimo. Poderemos bater papo horas.
- E aí – dirijo-me a Elly -, você se inscreveu para algum emprego recentemente? – Tomo um gole de café. – Porque vi um para New Woman outro dia no Media Guardian e pensei em ligar para você. Dizia que era essencial ter experiência num catálogo de consumidor, mas achei que você poderia dizer...
- Gina – interrompeu Elly numa voz estranha – você sabe que tipo de emprego eu estou buscando.
- O quê? – Olho para ela. – Não aquele de gerente de fundos. Mas aquilo não era sério. Era só um instrumento de barganha.
- Eu o peguei – diz. Olho para ela chocada.
De repente, uma voz vem do pódio e nós duas olhamos.
- Senhoras e senhores – Maria está dizendo. – Se quiserem retornar aos seus lugares...
Sinto muito, mas não posso voltar a sentar lá. Preciso ouvir isto.
- Vem cá – digo rápido para Elly. – Não precisamos ficar. Temos os releases. Vamos almoçar.
Faz-se uma pausa e por um momento terrível penso que ela vai dizer que não, que quer ficar e ouvir sobre os fundos de pensão. Mas sorri e pega meu braço e, para o óbvio espanto da garota à porta, saímos da sala bailando.
Há um Café Rouge na outra esquina. Entramos direto e pedimos uma garrafa de vinho branco. Ainda estou meio chocada, para dizer a verdade. Elly Granger vai se tornar uma gerente de fundos, na Wetherby’s. Está me abandonando. Não terei mais com quem brincar.
E como ela pode? Queria ser editora de beleza da Marie-Claire, pelo amor de Deus!
- E então? – o que você decidiu? – digo cautelosa quando nosso vinho chega.
- Ah, eu não sei – diz ela e suspira. – Só fiquei pensando... para onde estou indo? Sabe, sempre me inscrevo para todos esses empregos fascinantes do jornalismo e nunca sequer consigo uma entrevista...
- Ia acabar conseguindo – digo com firmeza. – Sei que iria.
- Talvez. – diz ela. – Ou talvez não. Enquanto isso, estou escrevendo sobre toda essa coisa financeira chata e de repente pensei, por que não simplesmente esquecer isso e fazer a coisa financeira chata? Pelo menos terei uma carreira boa.
- Você estava numa carreira boa!
- Não, eu não estava, eu estava sem esperança! Estava remando por aí sem um propósito, nenhum futuro. – Elly se interrompe quando vê minha expressão. – Quero dizer, eu estava bem diferente de você – acrescenta rápido. – Você é muito mais resolvida do que eu era.
Resolvida? Ela está brincando?
- Então, quando você começa? – digo, para mudar o assunto, porque, para ser sincera, sinto-me um pouco assustada com tudo isso. Não tenho um plano, não tenho um futuro. Talvez eu também não tenha esperança. Talvez eu deva repensar minha carreira. Ah, Deus, isto é deprimente. Meu emprego soa tão bom e excitante quando o descrevo para as pessoas como meus vizinhos, Martin e Janice. Mas agora Elly está me fazendo sentir como um completo fracasso.
- Na próxima semana – diz Elly e toma um gole de vinho. – Vou ficar no escritório da Silk Street.
- Ah, sim – digo com ar de tristeza.
- E tive que comprar muita roupa nova – acrescenta e faz uma careta. – O pessoal da Wetherby’s anda muito produzido.
Roupas novas? Roupas novas? Certo, agora eu realmente estou com inveja.
- Entrei na Karen Millen e praticamente comprei a loja inteira – diz ela comendo uma azeitona marinada. – Gastei mais ou menos mil libras.
- Caramba – digo sentindo-me levemente surpresa – mil libras, tudo de uma só vez?
- Bem, eu precisava – diz ela, desculpando-se. – E de qualquer modo, estarei ganhando mais agora.
- Verdade?
- Ah, sim – responde ela e dá um risinho. – Muito mais.
- Como... quanto? – pergunto, sentindo um ataque de curiosidade.
- Vou começar com quarenta mil libras – diz ela, e encolhe os ombros indiferente. – Depois disso, quem sabe? O que eles disseram foi...
E começa a falar sobre planos de carreira, hierarquia e bonificações. Mas não consigo ouvir uma palavra, estou chocada demais.
Quarenta mil libras?
Quarenta mil libras? Mas eu só ganho...
Bem, será que devo dizer a você quanto ganho? Não é um tema como a religião, que não deve se mencionar na frente dos outros? Talvez tenhamos permissão de falar sobre dinheiro hoje em dia. Mione saberia.
Ah, dane-se. Você sabe tudo o mais, não sabe? A verdade é que ganho 21.000 libras. E achei que era muito! Lembro-me muito bem quando mudei de emprego, pulei de 18.000 libras para 21.000 libras e achei que tinha feito um grande negócio. Estava tão feliz que escrevia listas sem fim do que compraria com todo aquele dinheiro extra.
Mas agora soa como se não fosse nada. Eu deveria estar ganhando quarenta mil libras como Elly, comprando todas as minhas roupas na Karen Millen. Ah, não é justo. Minha vida é um completo desastre.
Quando volto a pé para o escritório, estou bastante deprimida. Talvez eu devesse desistir do jornalismo e me tornar uma gerente de fundos também. Ou uma corretora. Eles ganham um bom dinheiro, não ganham? Talvez eu pudesse me juntar à Goldman Saks ou algo assim. Eles ganham mais ou menos um milhão por ano. Queria saber como se consegue um emprego desses.
Mas por outro lado... quero realmente ser corretora? Não me importaria em ter a parte referente às roupas da Karen Millen. De fato, acho que eu faria isso muito bem. Mas não estou bem certa quanto ao resto. A parte de acordar cedo e trabalhar como louca. Não que eu seja preguiçosa ou algo assim, mas gosto de poder passar a tarde na Image Store ou folhear os jornais fingindo que estou fazendo uma pesquisa, sem ninguém me pressionando. Não me parece que Elly irá fazer muito disso em seu novo emprego. Na verdade tudo parece meio ameaçador.
Hum. Se pelo menos tivesse algum meio de poder ter todas as roupas lindas, mas não ter que fazer o trabalho duro. Um mas não o outro. Se pelo menos tivesse um meio... Meus olhos estão automaticamente varrendo todas as vitrines das lojas por onde passo, examinando a mercadoria exposta e de repente meus pés grudam na calçada.
Este é um sinal de Deus. Tem que ser.
Estou em pé ao lado de fora da Ally Smith que tem uns sobretudos longos maravilhosos na vitrine e há um anúncio escrito a mão na vidraça da porta. “Precisa-se Ajudantes de vendas para sábado. Informações no interior da loja.”
Sinto-me quase meio trêmula ao olhar para o aviso. É como se um raio tivesse me atingido ou algo assim. Por que eu não pensei nisso antes? É uma idéia genial. Terei um emprego aos sábados! Trabalharei numa loja de roupas! Assim, farei um bom dinheiro extra e ainda terei desconto em todas as roupas! Convenhamos, trabalhar numa loja tem que ser mais fácil do que tornar-se uma gerente de fundos, não é? A única coisa a fazer é ficar de pé e dizer “Posso ajudá-lo?” Será divertido, pois posso escolher todas as minhas roupas enquanto atendo os clientes. No fundo estarei sendo paga para fazer compras!
Isto é fantástico, penso eu, entrando na loja com um sorriso amável no rosto. Sabia que alguma coisa boa estava para acontecer hoje. Tive um pressentimento de algo assim.
Meia hora depois saio com um sorriso ainda maior no rosto. Consegui o emprego! Tenho um emprego aos sábados! Vou trabalhar das 8:30 às 5:30 todos os sábados e ganharei 4,80 libras por hora, e com direito a 10% de desconto nas roupas passa para 20%! E todos os meus problemas de dinheiro terminaram.
Graças a Deus foi uma tarde tranqüila. Eles me deixaram preencher o formulário de inscrição ali mesmo e Danielle, a gerente, me entrevistou imediatamente. No início ela parecia em dúvida, especialmente quando eu disse que eu tinha um emprego de horário integral como jornalista econômica e estava fazendo isso para ganhar um dinheiro extra e roupas. “Será muito trabalho” – ela continuava dizendo. “Você percebe isso? Será um trabalho muito pesado.” Mas eu acho que ela mudou quando começamos a falar sobre o estoque. Adoro as coisas da Ally Smith, então claro que eu sabia o preço de cada item na loja e se eles tinham alguma coisa similar na Jigsaw ou na French Connection. Finalmente, Danielle me dirigiu um olhar estranho e disse “Bem, você obviamente gosta de roupas”. E então me deu o emprego! Mal posso esperar. Começo este sábado. Não é o máximo?
Quando volto para o escritório me sinto extasiada com meu sucesso. Olho à minha volta e de repente esta vida mundana de escritório parece muito chata e limitada para um espírito criativo como o meu. Não pertenço a este lugar, entre pilhas empoeiradas de releases e teclas de computadores batendo enfurecidas. Meu lugar é lá, entre os refletores reluzentes e suéteres de cachmere da Ally Smith. Talvez eu trabalhe com venda em horário integral, penso eu, quando recosto na minha cadeira. Talvez eu comece minha própria cadeia de lojas de grifes! Deus, sim. Serei uma dessas pessoas destacadas em artigos sobre empresários incrivelmente bem-sucedidos. “Gina Weasley estava trabalhando como jornalista quando criou o conceito inovador das Lojas Weasley. Uma cadeia de sucesso em todo o país, a idéia surgiu quando ela estava...”
O telefone toca e eu atendo.
- Sim? – digo num ar ausente. – Ginevra Weasley falando. – Quase acrescento – das Lojas Weasley – mas talvez seja um pouco prematuro.
- Srta. Weasley, aqui fala Derek Smeath, do Endwich Bank.
O quê? Estou tão chocada, deixo o fone cair na minha mesa com um ruído e preciso ficar procurando com a mão para poder pegá-lo. Enquanto isso, meu coração está pulando como um coelho. Como Derek Smeath sabe onde trabalho? Como conseguiu meu número?
- Você está bem? – pergunta Lilá Brown curiosa.
- Sim – engulo. – Sim, estou bem.
E agora ela está olhando para mim. Agora não posso colocar o fone no gancho e fingir que era engano. Terei que falar com ele. Está bem, serei realmente rápida e vivaz e procurarei livrar-me dele o mais depressa possível.
- Olá! – digo no telefone. – Desculpe. O problema é que eu estava um pouco ocupada com outra coisa. Sabe como é.
- Srta. Weasley, eu lhe escrevi várias cartas – diz Derek Smeath. – E não recebi uma resposta satisfatória de nenhuma delas.
Sem querer, sinto meu rosto corar. Ah, meu deus, ele parece realmente irritado. Isto é horrível. Que direito ele tem de entrar e estragar meu dia?
- Creio que tenho estado muito ocupada – digo. – Minha... minha tia estava muito doente. Precisei ficar com ela. O senhor compreende.
- Entendo – diz ele. – Entretanto...
- E depois ela morreu – acrescento.
- Sinto muito – diz Derek Smeath. Ele não parece sentido. – Mas isso não altera o fato de sua conta atual estar com um saldo de...
Esse homem não tem coração? Quando ele começa a falar sobre saldos, saques a descoberto e acordos, eu deliberadamente me desligo pois não quero ouvir nada que possa me preocupar. Estou olhando fixo para a minha mesa forrada de uma imitação de madeira, pensando se eu poderia fingir que o fone caiu acidentalmente bem na base. Ah, Deus, isto é horrível. O que vou fazer?
O que vou fazer?
- E se a situação não se resolver – ele está falando sério – creio que serei forçado a...
- Tudo bem – ouço-me interrompendo. – Tudo bem, porque... vou receber um dinheiro
em breve. – Mesmo quando digo as palavras, sinto meu rosto queimar de culpa. Mas, quero dizer, o que mais devo fazer? Tenho que dizer alguma coisa, do contrário ele nunca vai me deixar em paz.
- Ah, sim?
- É sim – digo e engulo. – O negócio é que minha... minha tia me deixou algum dinheiro no testamento.
Que é meio quase verdade, quero dizer, obviamente tia Erminitrude teria me deixado algum dinheiro. Afinal. Eu era sua sobrinha favorita, não era? Alguém mais comprou echarpes Denny and George para ela? – vou receber dentro de umas duas semanas – acrescento como boa medida. – Mil libras.
Depois percebo que eu deveria ter dito 10.000 libras – isso o teria realmente impressionado. Ah, bem, tarde demais agora.
- Está dizendo que dentro de duas semanas estará depositando um cheque de 1.000 libras na sua conta – diz Derek Smeath.
- Erm... sim – digo após uma pausa. – Creio que sim.
- Fico feliz por ouvir isso – diz ele. – Anotei nossa conversa, Srta. Weasley, e estarei aguardando a entrada das 1.000 libras na sua conta na segunda-feira, 27 de março.
- Está bem – digo confiante. – É só isso?
- Por hoje é só. Boa tarde, Srta. Weasley.
- Boa tarde – respondo e desligo o telefone.
Graças a deus. Me livrei dele.
Brompton’s Store
CONTAS DE CLIENTES
1 Brompton Street
Londres SW4 7TH
Srta. Ginevra Weasley
Apto. 2
4 Burney Rd
Londres SW6 8FD
10 de março de 2000
Prezada Srta. Weasley
Obrigada pela rápida devolução do cheque assinado no valor de 43 libras.
Lamentavelmente, apesar de o cheque estar assinado, ele parece estar datado de fevereiro de 2200. Sem dúvida foi um engano de sua parte.
A Brompton’s Store não pode aceitar cheques pré-datados como pagamento, portanto estou lhe devolvendo o mesmo com o pedido de que nos envie um cheque assinado com a data da assinatura.
Se preferir, poderá pagar em dinheiro vivo ou no boleto bancário que enviamos anexo. Segue também um folheto para sua informação.
Aguardo receber seu pagamento.
Subscrevo-me
Atenciosamente
John Hunter
Gerente de Contas de Clientes
N/T : Em relação ao Harry ele vai aparecer gente calma ainda tem bastante cap pela frente. Sou TOTALMENTE HG, ok rsrs
Hum lembrando de indicar a minha fic HP e as esferas do poder!!!!
o The best fic by leitoras
agora tb tem promessas de verão
espero que gostem
vou responder os comentarios amanha depois de voltar do curso e postar mais cap bjs galera
ps.2 Gente isso é uma adaptação so que to fazendo muito rapido e nao tenho beta entao se tiver algum erro como a cor dos olhos de Harry ou coisas do tipo com os nosso personagens lindos e preferidos por favor me dê um toque
bjs galera fica com JESUS
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