Tínhamos acabado de chegar à Flaw. Era a terceira boate que ia naquela noite. Tenho que te dizer que apesar da má fama que nós, Malfoys, havíamos feito, a vida parecia mais fácil que nunca. Com meu pai morto, eu cuidando dos negócios e minha mãe sempre viajando, eu era dono de mim. Não que eu fosse um pau-mandado. Mas sabe como é, Malfoys gostam de poder. E meu pai era bem Malfoy.
Eu estava com alguns dos meus sócios e uns caras dos tempos de Hogwarts. Meu amigo era dono dali e eu era VIP. Meu falecido pai já dizia: “Tudo que você precisa pra ser alguém, é ter as amizades certas.” Aquele era um cara que sabia das coisas. Umas garçonetes meio putas vieram servir whisky pra gente. Eu me lembro de ter pensado “Que peitos”. Mas só de saber que eles poderiam ser meus a qualquer momento, todo o desejo desaparecia. Qual é a graça nisso? Quero dizer, cadê o desafio? E o prazer quando você conquista? Não. Eu gosto das inalcançáveis. Minha cota de piranhas da noite já tinha estourado. Tava na hora de arranjar uma séria. Uma que desse pra levar pra casa passar a noite. Só esta noite.
Fomos pra sala VIP, tinha umas putas lá. Nem eram tão boas assim. Era de se esperar que deixassem umas mais gostosas pra gente, mas foda-se, eu não ia ficar ali de qualquer jeito. Levantei e fui pra pista de dança. As mais gostosas sempre estão nas pistas de dança.
Tinha uma fumaça densa lá, tava difícil de ver alguém a mais de um metro de distância. Peguei meu copo de Whisky e derrubei no peito de uma puta que tava dançando olhando no meu olho. Ela riu e disse que eu podia limpar. Eu disse que passava. Isso sempre me diverte.
Senti um cheiro muito bom. Eu sabia que só uma mulher muito gata cheirava assim. Anos de experiência te dão essas certezas. Ela tinha um cheiro floral. Meu favorito. Olhei pros lados. Sabia. Tinha um cabelo vermelho escuro. Ela dançava do jeito certo, se movimentava com classe e sensualidade. Estava de costas. A experiência também me ensinou que mulheres assim não aceitam ser conquistadas, elas conquistam. Ela tinha que me querer e achar que eu não a queria. Fácil. Saí da pista de dança e entrei pelo outro lado, pra que ela me visse sem precisar fazer esforço. Escolhi uma outra mulher que não fosse uma vadia barata mas que deixasse eu dançar com ela sem que eu precisasse dizer nada, só pra chamar a atenção da ruiva. Estava logo ali, do lado da ruiva. Uma morena alta, magra, rosto bonito. Devia ser modelo. Comecei a dançar com ela. Não era difícil perceber porque nós dois sairíamos dali juntos aquela noite, eu e a ruiva. Eu era o cara certo e ela a mulher certa. A harmonia era total. Ainda dançando com a outra, percebi que a primeira parte do meu pequeno plano já tava funcionando. Podia sentir o olhar dela sobre mim. Olhei pra ela e ela virou o rosto. Não queria se mostrar interessada. Continuei dançando, cheguei perto da morena, aproximando nossos lábios. Só pra ruiva ter inveja. Ela tinha que me desejar muito mais do que eu a ela. Só assim o sexo ia ser foda de verdade. Comecei a passar a mão pela perna daquela morena. Pele macia. Ainda bem, até que ela não era de se jogar fora também, mas eu não podia me desfocar do meu objetivo. Ela gemeu no meu ouvido. Gemido de mulher é a minha perdição.
A ruiva tava se aproximando, um cara a puxou pra dançar e ela disse não. Ela continuou dançando sozinha e se aproximando. Ela não disfarçava. Olhava pra mim continuamente. Puta que pariu, ela era muito gostosa. Num movimento ousado larguei a morena e peguei a ruiva. Ousado demais? Talvez eu não devesse ter cedido aos meus desejos tão cedo. Mas a sorte tava do meu lado. Ela não recuou, deixou que meu corpo colasse ao dela e dançou comigo. Eu descia a mão pela cintura dela e ela sussurrou no meu ouvido: “ Você demorou.” Eu disse “A pressa é inimiga da perfeição”. Girei a ruiva e deitei suas costas na minha perna. Segurei a dela e passei a mão do seu pescoço até o umbigo e a levantei. Ela disse “Um fã de frases feitas”. E eu a corrigi, “Um fã de verdades”. Ela deu um meio riso e eu sabia que ela ia pra casa comigo aquela noite. “Conte-me uma verdade, então” – ela pediu. Essa era a minha deixa. “Você vai adorar o suco de laranja que eu vou fazer pra você de manhã quando a gente acordar.” Ela disse “Eu odeio laranja.” Eu fiquei meio sem saber se aquilo era um “não, eu não vou dormir com você” ou um “eu apenas não gosto de suco de laranja” quando ela continuou, “Mas eu vou gostar se você me trouxer um café”.
E eu ainda duvido do meu poder de persuasão.
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