"Covardia demais não assumir o que sempre existiu, mas que ninguém teve a capacidade de aceitar, de respeitar, de querer fazer acontecer."
I remember years ago (Lembro de algus anos atrás) Someone told me I should take (Alguém me disse que eu deveria) Caution when it comes to love (Tomar cuidado quando se trata de amor) I did, I did (Eu tomei, eu tomei)
POV Hermione Já não estávamos mais em Hogwarts; o ano havia acabado e com ele, sete anos intensos de coisas que provavelmente não vou viver em mais uns 60 anos de vida. Tudo havia dado certo, enfim: Harry se matriculou em um curso pra aurores depois de obter ótimos notas nos NIEM'S e nas provas finais, Gina ficou de vez com ele, Rony e eu nos acertamos amigavelmente - é, nós acabamos não ficando juntos como achávamos que seria - e parece que está muito feliz com Luna.
Bom, eu resolvi alugar uma casa no centro de Londres com um cômodo espaçoso onde pudesse criar uma biblioteca para acomodar os tantos livros que adquiri ao longo do tempo. Meu amor por medicina falou mais alto e consegui um estágio no St. Mungus, onde chego muito cedo e saio sabe Merlin a que horas. Essa minha nova vida me permitia pensar mais em mim, e ao mesmo tempo esquecer o tanto de coisas que passei no sétimo ano, graças a Draco Malfoy. Eu não estava preparada pra um relacionamento, e além de mim quem sabia bem disso era Gina. Gina, minha melhor amiga. Só sabe mais coisas que Harry sabe sobre mim porque ela é mulher, e como eu, passou (e passa) pelas mesmas coisas. E ela sabe o que houve nos três últimos meses entre eu e Malfoy. E ela sabe também que saí mais ferida do que na última guerra.
And you were strong and I was not (E você era forte e eu não) My illusion, my mistake (Minha ilusão, meu erro) I was careless, I forgot (Eu era descuidada, eu esqueci) I did (Eu esqueci)
POV Draco Acho que eu não sabia fazer nada tão bem quanto atormentar a vida da Granger. Eu sabia que era errado, mas quando eu fazia parecia que tudo fazia sentido, e parecia que estava mais do que certo. Só era injusto com ela. Eu sabia, mas não queria entender, pois se eu entendesse não poderia voltar a procurá-la e bagunçar a vida dela. No fundo eu sei disso, mas convêm fazer vista grossa.
E por isso fui atrás dela naquele trem, no dia que pudemos passear pela Londres trouxa. Weasley estava muito ocupado dando uns amassos na Lovegood em um vagão qualquer, enquanto pude ver Potter puxando Weasley fêmea pra algum canto do trem que eu provavelmente conhecia. Eu conhecia todos os cantos secretos do Expresso, muito mais que qualquer um dali. Mas não precisei me valer de nenhum deles quando fui atrás dela, na cabine de sempre, o penúltimo deles. Ela era tão previsível que a flagrei com um livro em mãos, absorta, usando uma camiseta simples por dentro do jeans escuro, e tênis. Algumas mechas caíam pelo seu rosto, não me deixando ver muito dela.
Não pedi licença; abri as portas da cabine e entrei, a vendo tomar um susto daqueles. Com aquela careta insolente (de sempre), ela pôs o livro de lado, se levantou e disse:
_ O que faz aqui, Malfoy? Não devia estar na sua cabine? _ Devia mas não quis. _ Eu também sabia ser insolente, era o meu maior dom. _ Me dê licença, por favor? _ ela disse, apontando a saída com a mão estendida.
Me aproximei devagar dela, ela me provocava reações que eu desconhecia.
_ E se eu não quiser ir embora? _ eu disse, em tom baixo. _ Eu... eu... vou gritar! _ ela se alterou, mas eu fui mais rápido e lancei um 'Abaffiato' na cabine. _ Acho que ninguém vai te ouvir, querida. Ah, e só por precaução _ eu disse, lançando um feitiço de ilusão onde estávamos, e ao mesmo tempo a desarmando de sua varinha _ permita que ninguém nos veja e que você não possa fazer nada contra mim _ concluí, pegando a sua varinha e a jogando em algum lugar junto da minha. Me aproximei mais, enquanto ela estava sem reação alguma. _ Porque tá fazendo isso? Falta tão pouco pra gente se livrar um do outro, pra quê fazer essas coisas? _ ela me perguntou com um tom de quem não entendia nada do que eu estava fazendo. Mas fazia tempo que eu sabia o que eu queria, e era ali que eu conseguiria o que planejava. Toquei seu rosto, e pra minha surpresa ela não reagiu mal. _ Quero saber como é estar com uma garota linda como você, Granger... _ eu sussurrei, e ela fechou os olhos. Apenas isso fez com que todo o meu corpo reagisse de uma forma louca, que pela primeira vez me deixou com receio. _ Você tem todas as meninas que quiser, Malfoy, não precisa fazer isso comigo _ ela me disse, ainda com os olhos fechados e um tom rouco. Eu não suportaria muito tempo. _ Não tenho você _ eu disse simplesmente, tão próximo dela que podia sentir seu corpo bem moldado ao meu. Nunca tão perfeita.
POV Hermione Meu corpo nunca tinha se encaixado tão perfeitamente com o de outra pessoa que não fosse ele, e foi o que me fez estremecer quando eu permiti que ele colasse o dele no meu. Tão próximo, tão perigoso e ao mesmo tempo tão adorável... eu era capaz de ficar horas ali, daquela forma. Mas ele queria mais e eu, inconscientemente, também.
_ Porque você me quer? _ perguntei, com resquícios de força pra me proteger, mas nunca suficientes pra mandá-lo embora.
Ele não me respondeu, não com palavras. Ele tocou mais uma vez o meu rosto, a respiração rápida e quente arrepiando minha pele onde era atingida, e estão me senti enlaçada pela cintura, um aperto firme, e não consegui ver muita coisa, apenas sentir seus movimentos. Não tive coragem de repelí-lo; por mais que eu quisesse, naquele momento queria provar do que ele estava me oferecendo. Foi, certamente, o meu maior erro.
POV Draco Rocei devagar minha boca na dela, era tão macia. Com certeza era o lugar mais certo que eu queria estar. Puxei devagar seu lábio inferior, senti um suspiro contido dela. Mas não me demorei muito, eu queria mais. Levei a mão livre para sua nuca e a puxei mais de encontro a mim, lhe dando o melhor dos meus beijos. Eu realmente a queria, quase não conseguia controlar meus atos. Senti sua mão apertar meu ombro e a outra puxando meu cabelo de leve, na altura da nuca. Ela estava tão entregue... me permitiu ser mais íntimo, entreabrindo os lábios pra que eu pudesse aprofundar meu beijo. Estávamos no meio da cabine, sem apoio, enquanto o trem em movimento permitia pouco equilíbrio.
Andei com ela abraçada a mim até a parede, a encostando nela, e a beijando com mais vontade, se é que era possível. Senti suas mãos passarem pela gola da minha jaqueta em menção de tirá-la, e isso extinguiu todo o resto de sanidade que eu ainda tinha. Parei o beijo pra que ela conseguisse tirar a minha jaqueta, a girei comigo trocando de lugar com ela, me recostando na parede e jogando a jaqueta em algum lugar que eu não faço ideia. Eu não conseguia pensar em mais nada.
And now when all is done (E agora quando tudo está feito) There is nothing to say (Não há nada a dizer) You have gone and so effortlessly (Você se foi e sem esforço) You have won (Você ganhou) You can go ahead tell then(Você pode ir em frente, diga a eles)
POV Hermione Ele levou as mãos pra minha cintura, fortes, ágeis, que percorriam aquela região como brasa. Eu o agarrei com força e o puxei mais pra mim, e então senti que suas mãos desciam pelas minhas coxas e de repente me senti elevada do chão. Ele tinha me pego no colo, passando minhas pernas pelo seu quadril e sendo mais ousado nos carinhos que fazia. Minha intimidade foi de encontro à dele, e senti meu rosto pegar fogo. Nunca alguém tinha feito um décimo daquilo que Malfoy fazia comigo, e nem me provocava tais reações.
Ele nos girou mais uma vez, me apoiando na parede da cabine, e desceu seus beijos para meu pescoço, deixando uma trilha de fogo. Seus dedos foram até o primeiro botão da minha camisa xadrez, e ao mesmo tempo que ele me segurava pela cintura e sentava no banco comigo no colo. Aqui estava ficando muito perigoso, e eu tinha total noção disso.
POV Draco Eu tive receio de estar excitado o bastante pra que ela percebesse, já que estava sentada no meu colo. Continuei a beijar o pescoço ali, tão vulnerável a mim, até que ela timidamente me parou. Então eu soube que estava indo longe demais, ainda que eu quisesse, precisava parar. Por ela.
_ Desculpa, eu fui longe demais _ me antecipei em dizer, enquanto ela me olhava ainda sentada no meu colo. _ Eu não devia... _ ela disse, suspirando e passando as mãos nervosamente pelos cabelos. E então ela me disse o que não devia ter dito: _ Foi um erro, Malfoy, por favor, saia daqui.
A ergui do meu colo e levantei junto com ela, mas não lhe dei muito tempo: a beijei novamente, e percebi que o que ela dissera não era verdade, já que correspondera à altura. Fiquei extasiado e interrompi o beijo.
_ Não, você sabe que não foi um erro. Mas eu te darei algum tempo pra pensar melhor sobre isso _ eu lhe disse, buscando a minha varinha. Ela me olhava sem entender. _ Não preciso de tempo, Malfoy, já te dei minha resposta. Ignorei o que ela disse. _ Quando tiver pensado sobre o que aconteceu aqui, vou estar esperando por você na Torre de Astronomia depois da ronda, hoje às onze. Sem falta. Ainda que seja pra me dar a mesma resposta que me deu agora. _ Mas será o que você vai ouvir de mim. Sem nada a mais. Peguei minha varinha, desfiz os feitiços e devolvi a varinha a ela, antes de sair, concluí: _ Tenho certeza que não, Granger. Bom passeio.
POV Hermione O desgraçado teve coragem de me deixar naquelas condições e sair como se não tivesse feito nada, e ainda por cima deixando um ultimato que eu sequer tinha coragem o bastante de dizer algo além de 'não'. Mas eu não tive paz desde então; por todo o passeio eu não conseguia pensar em outra coisa, e pra piorar ainda tive um pequeno problema na cabine que só não ficou maior graças a Gina.
_ Meninos, podem comprar alguns doces pra gente? _ pediu Gina a Harry e Rony. _ Tudo bem _ disse Harry _ vamos, Rony.
Gina observou os dois saírem e então se virou pra mim, se levantando de onde sentara, revelando uma recém-conhecida jaqueta de couro preta. Engoli em seco.
_ Mione, tenho certeza que Harry não tem uma dessas e muito menos meu irmão. Então você poderia me contar quem esteve aqui e teve o descuidado de largar essa jaqueta aqui? _ ela perguntou, séria. Como explicar a ela que estive de amassos com Draco Malfoy na NOSSA cabine? Gaguejei, óbvio. _ Eu... bom, estive com alguém aqui sim _ foi tudo o que consegui dizer. _ Quem, Mione? Não podia esconder. Não dela. Baixei os olhos pro chão, sem coragem de encarar minha melhor amiga. _ Draco Malfoy.
Percebi que ela ficou sem reação de início. Mas não demorou muito pra começar o interrogatório. _ O que vocês fizeram? Eu suspirei. _ Nos beijamos. _ E? _ perguntou, desconfiada. Entendi a pergunta muda. _ Claro que não transamos, Gina! _ exclamei, sentindo o rosto arder. _ Ele veio aqui e... bem, me disse que queria saber como é ficar comigo, e eu fui uma idiota em me deixar levar, aquele sedutor barato... _ escondi meu rosto entre as mãos, enquanto ela ria. _ Os meninos estão voltando, falamos disso depois. Vou pôr isso na sua mochila e você vai entregá-lo ao Malfoy, juntamente com a sua resposta final. Cuidado, amiga. Suspirei pesado. _ Eu sei, Gina, eu sei.
Tell them all I know now (Diga a eles tudo o que sei agora) Shout it from the roof top (Grite de cima do telhado) Write it on the sky line (Escreva no horizonte) All we had is gone now (Tudo o que tínhamos se foi agora)
POV Draco Ouvi alguns passos ao longe, e calculei que pudesse ser Granger. Olhei o relógio e sorri: eram onze em ponto. Ela era pontual. Não me virei pra vê-la, apenas fiquei encarando a lua enorme no meio do céu limpo, o vento frio batendo no meu rosto. Os passos cessaram, mas nenhuma voz foi ouvida. Eu sabia que era ela.
_ Bela noite, não, Granger? _ perguntei, me virando pra encará-la. Ela me olhava, segurando algo que me era muito familiar. Ela estendeu a peça pra mim. _ Você esqueceu sua jaqueta na minha cabine mais cedo. _ Obrigado, eu realmente não me lembrava _ agradeci, pegando a peça das mãos dela. _ Mentira _ ela disse, andando em direção à varanda da Torre _ você deixou de propósito, pra que eu viesse te entregar. _ Ela tinha toda a razão, nunca me decepcionaria com tamanha perspicácia. _ Mais do que isso, eu quero ouvir o que você tem a me dizer _ fui direto ao ponto. Ela se virou de frente pra mim, me encarando. _ É impossível qualquer coisa entre a gente, Malfoy, até mesmo um 'bom dia'. Minha resposta continua a mesma que te dei mais cedo. Agora me dá licença que preciso voltar pro meu dormitório.
Ela passou por mim indo em direção à saída, mas não dei tempo pra que ela me deixasse daquele jeito, depois de dizer o que queria. Agora era vez dela me ouvir. A puxei pelo braço, e com o susto ela parou pra me encarar.
_ Malfoy, por favor... _ ela pediu, mas eu não ia dar a ela o que ela pedia, mas sim o que ela queria. _ Não, Hermione _ frisei bem seu primeiro nome, o que surtiu efeito. Ela me encarou, espantada. _ Vamos falar de igual pra igual agora. Sem reservas, sem Malfoy, sem Granger, só Draco e Hermione, ok? Ela deu um suspiro pesado, mas não me respondeu. A encarei por alguns instantes, esperando por uma resposta, e então ela disse: _ Tudo bem, podemos conversar.
Soltei seu braço pra segurar sua mão, e a conduzi até a um dos grandes pufes que tinham por ali. Sentei ao lado dela, ainda sem soltar a sua mão.
_ Não tenho nada pra te dizer, Ma...Draco _ ela disse, hesitante, baixando os olhos. _ Tem sim, não é o que seus olhos me dizem. Olha pra mim _ pedi, e ela me encarou. _ Só quero uma chance de... _ Destruir minha vida? Não, obrigada _ ela me interrompeu bruscamente, e o que ela disse me incomodou além do que deveria. _ Não quero destruir sua vida, Hermione. Eu quero mesmo tentar algo com você... _ tentei explicar, mas mais uma vez ela me cortou. _ Tentar o quê? Não temos nada em comum, Draco! Nada! _ ela exclamou, tirando a mão dela da minha. _ O que você quer é usar e depois sair esfregando na cara de todo mundo que pegou a "inalcancável sabe-tudo da Granger". Eu não sou pra brincar, e não quero ficar de amasso com um cara que não tá nem aí pra...
Não deixei ela concluir: a puxei pela nuca e a beijei com desejo. Eu queria provar que ela estava errada, só não sabia como. Então, que começasse assim.
Tell them I was happy (Diga a eles que eu era feliz) And my heart is broken (E meu coração está quebrado) All my scars are open (Todas as minhas cicatrizes estão abertas) Tell them what I hoped would be (Diga a eles o que eu esperava ser)
POV Hermione Porque sempre tinha que ser daquela forma? No fim, Draco me beijava e parecia que tudo estava bem. Ele sempre encerrou nossas discussões - que não foram poucas, mas quem somos mesmo? - me calando com um beijo. E assim como esse, todos os outros terminavam na cama. Eu entreguei a ele o que eu jurei entregar apenas ao cara que eu amasse, mas talvez até mesmo ele seja. Da forma errada, mas talvez seja.
Mas naquela noite ele conseguiu tudo o que ele queria, porque eu não resisti. Não tive capacidade pra dizer não por muito tempo. A cada 'não' dito minhas forças se esvaíam e eu já não era mais convincente nas minhas palavras. O beijo durou tanto tempo que quando dei por mim estava sem minha camisa e deitada no maldito pufe por baixo dele. Totalmente dominada. Ele me tomava como se eu fosse única, os beijos eram destinados a mim. Ele me enlouqueceu e fez amor comigo, ali mesmo, naquele sempre maldito pufe. Malditos, os dois.
E foi dessa forma que meus últimos três meses se desenrolaram em Hogwarts. Encontros às escondidas, beijo, pele, fogo, sexo. Raramente algumas risadas depois. Mas ele era carinhoso. Tudo corria insanamente bem até o Baile de Formatura. Claro que não fomos juntos, mas convidei Neville pra ir comigo, e a Astoria Greengrass o acompanhava, cheia de si. Percebi ali que o pior tinha me tomado: eu estava me apaixonando por ele. E o que ele me deu em troca? Uma traição nojenta, uma transa na mesa de uma das estufas das aulas de Herbologia com a maldita Astoria. No dia seguinte fiz minhas malas e fui embora, sem deixar rastros, sem sequer falar com meus melhores amigos. O que eu soube daquele dia em diante era que Draco Malfoy era o meu maior veneno, e eu precisava me livrar dele.
Impossible, impossible (impossível, impossível) Impossible, impossible (impossível, impossível) POV Draco Eu sempre fui canalha com quem quer que fosse, mas devo perdão eterno a Hermione. Eu nunca devia ter bebido demais (e não culpo a bebida) e transado com a Astoria. Mas eu fui, fiz a besteira, e quando eu tava criando coragem pra dizer a ela o que nunca tinha dito ela se foi. Me senti um idiota por tudo o que tinha feito com ela, mas não ia dar o braço a torcer.
Os meses passaram e nenhuma notícia dela, os amigos dela se recusaram a me dizer algo, e não consegui nenhuma informação. Mas essa vida que a gente leva é irônica, e precisei me acidentar pra finalmente achá-la. Tive meu braço queimado seriamente por causa de um dragão da minha criação, e fui levado pro St. Mungus pra ser hospitalizado. E aí ela veio, parecia um anjo, de branco, com uma maquiagem leve e um tubo de poção na mão. Quase não pude acreditar, e mesmo com muita dor não pude deixar de dar uma risada. Então ela viu que era eu.
_ Rodei Londres inteira atrás de você e precisei me queimar pra te achar _ eu disse, em tom de surpresa. _ Andou brincando com fogo, sr. Malfoy? _ ela perguntou sem me olhar, com uma ironia que já sabia existir nela faz tempo. _ Há um ano atrás o tipo de fogo com o qual eu brincava era mais divertido e gostoso do que esse que fez essa coisa no meu braço _ provoquei. Mas estava com muita dor. _ O que vai fazer? _ O que deve ser feito pra você ter alta em poucos minutos _ ela respondeu, ignorando minha frase anterior. Só ela sabia me tirar do sério, em todos os sentidos.
A vi dosar a poção que havia trazido, em silêncio, e pegar um chumaço de algodão. Não sabia que ela podia ficar incrível vestida de branco, eu adorava vê-la de vermelho ou de verde. Eram cores que foram feitas pra ela, mas o branco a deixava infernalmente angelical. Eu quase esqueci a dor observando a roupa que ela usava milimetricamente, ajustada no corpo, uma saia lápis elegante com camisa de linho e sapatos altos. Os cabelos presos num coque, e aquelas mechas rebeldes que eu sabia bem, nunca ficavam no lugar se não presas com presilha. Ela se voltou pra mim, embebedando o algodão com a poção e aplicando no meu braço.
_ Não vai arder muito, eu garanto _ ela disse, profissional, enquanto aplicava a tal poção no local da queimadura. _ Vai ficar uma cicatriz, mas deve sumir em uma semana com a pasta que o doutor irá te receitar. Se usá-la corretamente _ ela disse, finalizando o curativo _ vai ficar bom logo.
Ela se afastou pra arrumar os frascos e os potes que tirou do lugar, e eu a observava. Não queria ir embora, a não ser que fosse com ela.
Falling out of love is hard (Deixar de amar é difícil) Falling for betrayal is worse (Deixar de amar por traição é ainda pior) Broken trust and broken hearts (Confiança quebrada e corações quebrados) I know, I know (Eu sei, eu sei)
POV Hermione Vê-lo ali me perturbou profundamente, logo quando tudo ia bem, e eu até havia tomado coragem pra sair com um colega de trabalho, naquele mesmo dia em que ele apareceu. Ironias... Porque aquilo, Merlin? Eu tinha vontade de socá-lo o quanto pudesse, de xingá-lo com todos os palavrões que eu conhecia, ao mesmo tempo que queria me derreter nos braços dele, mas ele não merecia o melhor de mim. Só conseguia encará-lo, então.
_ Já posso ir? _ ele perguntou, se levantando com cuidado da maca do quarto. _ Sim, passe no consultório do dr. Paul que ele vai lhe dar a receita que falei. Até mais, sr. Malfoy _ eu respondi, formalmente, cumprindo meu trabalho.
Ele se levantou, ajeitou a blusa que vestia e se encaminhou pra saída. Quando meu cérebro finalmente raciocinou de que não era possível que Malfoy tinha aceitado a derrota tão fácil, só deu tempo de ouvir a porta do recinto batendo e me sentir sendo prensada contra ela. É, ele não aceitaria fácil.
_ Você não achou que eu fosse embora sem nada de você depois de todo esse tempo, né? _ ele perguntou em tom baixo, rouco, perto do meu ouvido e me fazendo arrepiar a pele. Gostava do toque dele, sempre gostei, desde o primeiro contato. _ Não, não pensei. Você não tem jeito mesmo _ eu disse, contrariada.
E então ele me beijou, um beijo urgente, e ali eu senti o quanto precisava daquele carinho. Mesmo vindo dele, que nunca me faria feliz, mas conseguia me fazer feliz naqueles pequenos momentos.
_ Que saudade do seu gosto, do seu beijo, de você inteira, Hermione... _ ele sussurrou em meu ouvido, e eu me sentia derreter em seus braços. Como sou idiota. _ Eu detesto admitir isso, mas senti sua falta, Draco _ assumi, já não tinha jeito mesmo. _ Posso pegar você no fim do expediente? Prometo que farei tudo certo daqui por diante, morena.
And now when all is gone (E agora quando tudo está feito) There is nothing to say (Não há nada a dizer) And if you're done with embarrasing me (E se você terminou de me envergonhar) On your own you can go ahead tell them (Você pode ir em frente sozinho)
POV Draco A senti se desvencilhar dos meus braços, e ajeitar sua roupa. Ela foi pro outro lado da sala, e se virou pra mim. Meu peito doeu a ver a expressão dela, de repente ficou triste, e eu sabia, era tudo culpa minha, desde sempre.
_ É a última oportunidade que te dou, Malfoy. Está avisado _ ela disse, indo abrir a porta que eu havia fechado. _ Às nove, em ponto. Sem atrasos, sem mentiras _ ela concluiu. _ Sem atrasos, sem mentiras _ repeti com toda sinceridade que podia transmitir.
Saí dali e voltei pra casa, pra tomar um banho e pensar no que faria pra dizer tudo o que era preciso. Saí pra comprar algumas coisas, e torci pra que tudo desse certo. Nove em ponto eu a esperava na escadaria da saída principal do hospital, e então a vi, linda e simples em um vestido verde de renda e sapatos pretos, de salto alto. O cabelo continuava preso no coque que a vi usando mais cedo.
_ Boa noite, Malfoy _ ela disse, sorrindo. _ Essa noite pode ser como na primeira? Apenas Draco e Hermione? Por favor _ pedi a ela de uma forma que nem eu mesmo me reconheci falando. _ Pode sim. _ ela me disse simplesmente. _ O que tem atrás de você? _Ah _ eu suspirei, rindo _ são flores pra você. Sei que são suas favoritas _ disse, lhe estendendo o buquê. Ela riu, pegando-o da minha mão. _ Draco Malfoy, tão previsível _ ela disse, irônica. _ São lindas, obrigada. Espero que sejam mágicas, pois como levar pra casa agora? Com um floreio da varinha o buquê sumiu, pra espanto dela. Respondi a pergunta muda. _ Está na sua casa, relaxa. Vamos jantar? _ perguntei, oferecendo meu braço. _ Vamos _ ela disse, enganchando seu braço no meu, em meio à risadas.
POV Hermione Ele me levou pra jantar em um bom restaurante italiano. Ele sabia que massa era meu prato preferido, sabia que eu gostava de sentar nas mesas mais intimistas, pra duas pessoas, no fundo do local. Sabia que eu gostava de um bom vinho branco suave, e que eu gostava de colocar dois dedos do líquido na taça. Sabia que eu não gostava de entradas, mas que amava e não dispensava a sobremesa. E ele o fez ali, conseguindo me impressionar. Filho da puta.
Draco tirou uma caixa preta do bolso, pegou minha mão direita e encaixou no dedo anelar um solitário de brilhante que era a coisa mais linda que eu tinha visto.
_ Não encare isso como pedido de casamento, mas como pedido de desculpas por tudo o que fiz com você. Eu nunca tive esse direito. E saí queimado dessa também. _ Literalmente _ eu brinquei, meus olhos querendo marejar. Droga. _ Esse anel pode representar o que você quiser, independente se ficar comigo ou não. Mas se não quiser, Hermione, juro que irei te entender. Mas não me peça pra desistir de você. _ Porque, Draco? _ perguntei, os olhos cheios d'água, não demorariam pra molhar meu rosto. _ Porque eu amo você. Quero você todos os dias da minha vida, poder acordar e dormir com você, poder dividir os problemas, poder discutir com você e depois fazer amor contigo no tapete da sala mesmo. Por isso e por mais um monte de coisas que prefiro fazer do que dizer.
Eu chorei. E então ele percebeu que eu era dele, como realmente era. Desde o primeiro beijo. Nós fomos pra casa dele, fizemos amor, e depois notei o buquê que ele me dera quando me buscou no trabalho.
_ Mas você trouxe pra cá _ disse, percebendo as flores ali. _ Sim, aqui é a sua casa, junto comigo e dos nossos filhos _ ele disse, me beijando o nariz. Eu sorri. _ Não sei se devo, Draco...
_ E então vocês resolveram fazer a terapia de casal? _ perguntou Gary, o terapeuta de Draco e Hermione. _ Sim, talvez eu consiga me livrar desses fantasmas do passado _ disse Hermione, ainda deitada no divã, de costas para Draco, que estava deitado em outro divã. Ambos com os dedos entrelaçados. _ Bela história, srta. Granger, mas a única forma mesmo é tentar fazer acontecer. Desenterrar o passado é ruim pros dois, arranque essas páginas do caderno e escreva novas. Se não der certo, ao menos vocês tentaram _ aconselhou Gary, sorrindo para os dois, que se levantavam e sentaram ao lado do outro. _ Vamos decidir isso então _ Draco disse, pegando Hermione de surpresa no colo e a levando pra saída do consultório _ obrigado, doutor, mas talvez o vejamos em nosso casamento.
Gary riu, enquanto via os dois saindo. _ Esses casais...
_ O que vai fazer, Draco Malfoy? Me ponha no chão, seu louco! _ ela exclamou, dando gritinhos. Estávamos no meio da rua, em plena rua movimentada. _ Te levar pra casa e fazer amor até à exaustão, até te fazer entender que é comigo que deve ficar _ disse Draco, a beijando com paixão e a pondo no chão. _ Convencido! _ Diz que me ama e então serei convencido pra sempre! _ Eu amo você, seu idiota estúpido! _ ela gritou, rindo. _ E eu amo você, Hermione Jane Granger _ Draco disse, correndo até ela. A abraçou e roçou seu nariz contra o dela. E sussurrou: _ Meu amor.
I remember years ago (Lembro de algus anos atrás) Someone told me I should take (Alguém me disse que eu deveria) Caution when it comes to love (Tomar cuidado quando se trata de amor) I did (Eu tomei)
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