FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

3. CAP TRÊS


Fic: GINA WEASLEY:DELÍRIOS DE CONSUMO NA QUINTA AVENIDA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

TRÊS

Às cinco para meio-dia do dia seguinte estou sentada sob as luzes fortes do estúdio do Morning Cofee, imaginando quanto tempo mais isso vai demorar. Normalmente meu segmento de conselhos financeiros termina Às 11:40, mas eles ficaram tão envolvidos com a paranormal que disse ser o espírito reencarnado da rainha Mary da Escócia que tudo ficou embolado. E Harry vai chegar a qualquer minuto, e eu ainda tenho de trocar essa roupa...

- Gina? – diz Emma, que é uma das apresentadoras do programa e está sentada diante de mim num sofá azul. – Isso parece um tremendo problema.

- Absolutamente – digo, arrastando a mente de volta para o presente. Olho para a folha diante de mim, depois dou um sorriso simpático para a câmera. – Então, para recapitular, Judy, você e seu marido Bill herdaram algum dinheiro. Você gostaria de investir uma parte na bolsa de valores, mas ele está recusando.

- É como falar com uma parede de tijolos! – ressoa a voz indignada de Judy. – Ele diz que eu vou perder tudo, e que o dinheiro é dele também, e se o que eu quero é jogar, que eu posso ir...

- Sim – Interrompeu Emma suavemente.- Bom, isso parece difícil, Gina. Dois parceiros discordando com relação ao que fazer com o dinheiro.

- Eu simplesmente não entendo o que ele quer! – exclama Judy. – É a nossa única chance de fazer um investimento sério. É uma oportunidade fantástica! Por que ele não consegue ver isso?

Ela pára, e há um silêncio expectante no estúdio. Todo mundo espera minha resposta.

- Judy... – faço uma pausa, pensativa. – Posso fazer uma pergunta? Que roupa Bill está usando hoje?

- Um terno – diz Judy parecendo perplexa. – Um terno cinza, para trabalhar.

- Que tipo de gravata? Lisa ou estampada?

- Lisa - diz Judy imediatamente. – Todas as gravatas dele são lisas.

- Ele usaria, digamos... uma gravata com personagens de desenho animado?

- Nunca!

- Sei. – Levanto as sobrancelhas. – Judy, seria justo dizer que Bill geralmente é uma pessoa pouco aventureira? Que não gosta de correr riscos?

- Bem... sim – responde Judy. – Agora que você diz, eu acho que é.

- Ah! – diz Rory subitamente, ao lado oposto do sofá. Rory é o outro apresentador do Morning Coffee. Ele tem uma aparência fantástica e adora seduzir estrelas de cinema, mas não é exatamente o cérebro da Grã- Bretanha.

- Acho que vejo onde você quer chegar, Gina.

- Sim, obrigada, Rory – diz Emma, revirando os olhos para mim. – Acho que todos vemos. Então, Gina. Se Bill não gosta de riscos, você quer dizer que ele está certo em evitar a bolsa de valores?

- Não – respondo. – Não estou dizendo isso, de jeito nenhum. Porque talvez o que o Bill não esteja vendo é que existe mais de um tipo de risco. Se você investe na bolsa de valores, sim, você se arrisca a perder dinheiro a curto prazo. Mas se simplesmente deixá-lo guardado no banco durante anos e anos, há um risco ainda maior que, com o tempo, a herança seja minada pela inflação.

- Ahá – intervém Rory sabiamente. – Inflação.

- Em vinte anos o dinheiro pode acabar valendo muito pouco, comparado com o que provavelmente renderia na bolsa. Então, se Bill tem apenas trinta e poucos anos e quer fazer um investimento de longo prazo, ainda que pareça arriscado, em muitos sentidos é mais seguro escolher uma carteira de ações equilibradas.

- Sei – diz Emma, e me dá um olhar cheio de admiração. – Eu jamais veria a coisa desse modo.

- Investimento bem-sucedido costuma ser simplesmente uma questão de pensar criativamente – digo com um sorriso de modéstia.

Deus, eu adoro quando consigo a resposta logo e todo mundo fica impressionado.

- Isso ajuda a você, Judy? – pergunta Emma.

- Ajuda. Ajuda, sim!Eu gravei em vídeo esse telefonema, para mostrar ao Bill hoje à noite.

- Ah, certo! – digo. –Bem, primeiro veja que tipo de gravata ele está usando.

Todo mundo ri, e eu me junto a eles depois de uma pausa – mesmo que na verdade não estivesse brincando.

- Hora de mais uma ligação do telespectador – diz Emma. – Estamos com Enid de Northampton, que quer saber se tem dinheiro suficiente pra se aposentar. É isso, Enid?

- É, é isso mesmo – vem a voz de Enid pela linha.

- Meu marido, Tony, se aposentou recentemente, e eu tirei folga semana passada; só fiquei em casa com ele, cozinhando e coisa e tal. E ele... nós começamos a pensar... se eu também deveria me aposentar antes do tempo. Mas eu não tinha certeza se o dinheiro guardado era suficiente, por isso pensei em ligar.

- Que tipo de aplicação financeira você fez para a aposentadoria, Enid? – pergunto.

- Eu contribuí a vida inteira para um fundo de pensão – diz Enid, hesitando- e tenho umas duas poupanças... e recebi uma herança há pouco tempo, que deve pagar a hipoteca...

- Bem! – diz Emma, animada. – Até eu posso ver que você está bem preparada, Enid. Eu diria: feliz aposentadoria!

- Certo – diz Enid. – Sei. Então...não há motivos para eu não me aposentar. É o que Tony diz. – Há um silêncio, a não ser pela sua respiração insegura na linha, e Emma me lança um olhar rápido. Eu sei o produtor Barry deve estar gritando a ponto de preencher o espaço em seu ponto eletrônico.

- Então boa sorte, Enid! – diz ela toda animada. – Gina, falando em planejamento para a aposentadoria...

- Só... espere um momento – falo, franzindo a testa ligeiramente. – Enid, não existe motivo financeiro óbvio para você não se aposentar. Mas... e quanto ao motivo mais importante de todos? Você quer se aposentar?

- Bom – a voz de Enid hesita ligeiramente. – Eu estou com cinqüenta e poucos agora. Puxa, a gente tem de mudar a vida, não é? E, como diz Tony, isso vai dar chance de nós passarmos mais tempo juntos.

- Você gosta do seu trabalho?

Há outro silêncio.

- Gosto. Sim. O pessoal é bom. Eu sou mais velha do que a maioria, claro. Mas de algum modo isso não parece importar quando a gente está se divertindo...

- Bom, acho que só temos tempo para isso – interrompe Emma, que esteve escutando atentamente seu ponto eletrônico. Ela sorri para a câmera. Boa sorte na aposentadoria, Enid...

- Espere! – digo rapidamente. – Enid, por favor, fique na linha se quiser conversar mais um pouco sobre isso. Certo?

- Sim – diz Enid depois de uma pausa. – Sim, eu gostaria.
- Agora vamos para a previsão do tempo – diz Rory, que sempre se empertiga quando a parte financeira termina. – Alguma palavra final, Gina?

- O mesmo de sempre- digo, sorrindo para a câmera. – Cuide de seu dinheiro...

- ... e seu dinheiro cuidará de você! – entoam Rory e Emma. Depois de uma pausa congelada, todo mundo relaxa e Zelda, a assistente de produção entra no estúdio.

- Muito bem! – diz ela. – Material fantástico. Agora, Gina, nós ainda estamos com Enid na linha 4. Mas podemos nos livrar dela se você quiser...

- Não – digo surpresa. – Eu quero falar com ela. Você sabe, eu acho que ela não quer se aposentar.

- Tanto faz – diz Zelda, marcando alguma coisa em sua prancheta. – Ah, e Harry está esperando por você na recepção.

- Já? – Olho o relógio. – Ah, meu Deus... Certo, você pode dizer que eu não vou demorar?

Honestamente não pretendo passar muito tempo ao telefone. Mas assim que começo a falar com Enid, tudo sai – como ela está morrendo de medo de se aposentar, e como o marido só quer que ela fique em casa pra cozinhar pra ele. Como ela realmente ama o trabalho e estava pensando em fazer um curso de informática, mas o marido diz que é desperdício de dinheiro... No fim estou completamente chocada. Falei exatamente o que penso, várias vezes, e estou no meio de perguntar a Enid se ela me acha uma feminista, quando Zelda me bate no ombro e de repente me lembro de onde estou.

Demoro mais cinco minutos para pedir desculpas a Enid e dizer que tenho de desligar, depois pra ela se desculpar comigo – e nós duas dizemos “adeus” e “obrigada” e “não precisa falar” umas vinte vezes. Então, o mais rápido possível, vou para o camarim e troco a roupa do programa pela roupa de viagem.

Fico bem satisfeita com a aparência quando me olho no espelho. Estou usando uma mini blusa multicolorida estilo Pucci, calça curta jeans franjada, minha sandália nova, óculos Gucci (liquidação na Harvey Nichols – metade do preço!) e minha adorada echarpe azul-clara Denny and George.

Harry tem um treco de verdade quando vê minha echarpe Denny and George. Quando as pessoas perguntam como nos conhecemos, ele sempre diz: “Nosso olhos se encontraram sobre uma echarpe Denny and George” – o que é meio verdade. Ele me emprestou parte do dinheiro que eu precisava para comprar, e ainda afirma que nunca paguei, de modo que ela é em parte dele. (O que é não tão verdade. Eu paguei a ele imediatamente.)


De qualquer modo, tendo a usá-la um bocado quando nós saímos juntos. E também quando ficamos em casa juntos. De fato, vou lhe contar um segredinho – algumas vezes nós até...

Na verdade, não. Você não precisa saber disso. Esqueça que eu falei.

Enquanto finalmente vou correndo para a recepção, olho o relógio – e ah, meu Deus, estou quarenta minutos atrasada. E lá está o Harry sentado numa poltrona mole, todo alto e lindo na camisa pólo que eu comprei pra ele na liquidação da Ralph Lauren.

- Sinto muitíssimo- digo. – Eu só estava...

- Eu sei – diz, Harry, fechando o jornal e se levantando. – Você estava falando com Enid. – Ele me dá um beijo e aperta meu braço. – Eu vi os últimos dois telefonemas. Foi um bom trabalho.

- E você não acreditaria em como é o marido dela- digo, enquanto passamos pela porta de vaivém saindo no estacionamento. – Não é de admirar que ela queira continuar trabalhando!

- Eu posso imaginar.

- Ele só acha que ela está lá para lhe dar uma vida fácil.- Sacudo a cabeça ferozmente. _ Meu Deus, você sabe, eu nunca vou simplesmente ficar em casa preparando o seu jantar. Nem daqui a um milhão de anos.

Há um silencio curto, e eu levanto os olhos e vejo um sorriso minúsculo nos lábios de Harry.

- Ah... você sabe- acrescento rapidamente. – O jantar de ninguém.

- Fico feliz em ouvir isso – diz Harry afavelmente. – Fico especialmente feliz porque você nunca vai me preparar um cuscuz marroquino de surpresa.

- Você sabe o que eu quis dizer - digo, ruborizando ligeiramente. – E você prometeu que não ia falar mais nisso.

Minha famosa noite marroquina foi logo após termos começado a sair. Eu realmente queria mostrar a Harry que podia cozinhar- e, de acordo com o programa sobre culinária marroquina que assisti, tudo parecia muito fantástico e impressionante. Além disso, havia algumas louças marroquinas em liquidação na Debenhams, então tudo deveria ter sido perfeito.

Mas, ah meu Deus. Aquele cuscuz encharcado. Foi a coisa mais revoltante que já vi na vida. Mesmo depois de ter experimentado a sugestão de Mione, de fritá-lo com chutney de manga. E havia tanto, tudo inchado em tigelas em toda parte.

De qualquer modo. Tanto faz. No fim nós comemos uma bela pizza.
Estamos nos aproximando do conversível de Harry no canto do estacionamento, e ele o abre com o controle remoto.


- Você recebeu meu recado, não foi? – pergunta ele. – Sobre a bagagem.

- Recebi. Olha só.

Presunçosa, entrego a ele a maletinha mais graciosa do mundo, que comprei na loja de presentes para crianças em Guildford. É de lona branca com corações vermelhos impressos em volta, e eu uso como frasqueira.

- É só isso? – diz Harry, pasmo e eu contendo um risinho. Há! Isso vai mostrar a ele quem consegue viajar com pouca bagagem.

Estou tão satisfeita comigo mesma! Tudo que tenho nessa mala é minha maquiagem e o xampu – mas Harry não precisa saber, precisa?

- Bom, é isso – digo, levantando as sobrancelhas ligeiramente. – Você disse para “viajar com pouca coisa”.

- Disse mesmo. Mas isso... – Ele faz um gesto para a maleta. – Estou impressionado.

Enquanto Harry abre o porta-malas, eu me sento no lugar do motorista e puxa o banco para a frente, para alcançar os pedais. Sempre quis dirigir um conversível!

O porta-malas é fechado e Harry aparece, com um olhar interrogativo.

- Você vai dirigir, é?

- Parte do caminho, eu pensei – digo descuidada.

- Só para tiras a pressão de cima de você. Você sabe, é muito perigoso dirigir durante muito tempo.

- Você consegue dirigir com esses calçados, é? – Ele está olhando minhas sandálias laranja-claro; e eu tenho de admitir que o salto é meio alto para os pedais. Mas não vou admitir pra ele. – Elas são novas, não é? – diz Harry, olhando mais atentamente.

Estou pra dizer “sim” quando me lembro que na ultima vez que o vi estava usando calçados novos – e na anterior também. O que é realmente estranho e deve ser uma daquelas coisas que às vezes acontecem seguidamente.

- Não – respondo. – Eu tenho há séculos. Na verdade... – pigarreio – são os meus calçados para dirigir.

- Seus calçados para dirigir – ecoa Harry com ceticismo.
- Sim – digo, e ligo o motor antes que ele possa falar mais alguma coisa. Meu Deus, este carro é espantoso! Solta um rugido fantástico, e uma espécie de guincho quando engreno a marcha.

- Gina...

- Eu estou bem! – digo, e lentamente vou do estacionamento para a rua. Ah, este é um momento fantástico. Imagino se alguém está me olhando. Imagino se Emma e Rory estão olhando pela janela. E aquele cara do som que se acha tão maneiro com sua moto. Ha! Ele não tem um conversível, tem? Acidentalmente de propósito, encosto na buzina e, enquanto o som ecoa pelo estacionamento, vejo pelo menos três pessoas se virando para olhar. Há! Olhem para mim! Hahaha...

- Minha flor – diz Harry ao lado. – Você está causando um engarrafamento.

Olho pelo retrovisor – e lá estão três carros se arrastando atrás de mim. O que é ridículo, porque eu não estou indo tão devagar.

- Tente acelerar um pouquinho – sugere Harry. – Digamos vinte quilômetros por hora, está bem?

- Eu estou acelerando – digo irritada. – Você não pode esperar que eu saia de vez a um milhão de quilômetros por hora! Há um limite de velocidade, você sabe.

Chego à saída, dou um sorriso casual para o porteiro que me lança um olhar surpreso e saio à rua. Sinalizo para a esquerda e olho uma ultima vez para trás, para ver se alguém que eu conheço acabou de sair e está me olhando cheio de admiração. Então, enquanto o carro atrás de mim começa a buzinar, paro cuidadosamente junto à calçada.

- Cá estamos – digo. – É a sua vez.

- Minha vez? – Harry me encara. – Já?

- Preciso fazer as unhas agora – explico. E, de qualquer modo, eu sei que você acha que não sei dirigir. Não quero que fique fazendo caras e bocas pra mim até a gente chegar a Somerset.

- Eu não acho que você não sabe dirigir- protesta Harry, meio rindo. – Quando foi que eu disse isso?

- Não precisa dizer. Eu posso vê saindo da sua cabeça um balãozinho de pensamento:

“Gina Weasley não sabe dirigir.”

- Bom, nisso você está errada. Na verdade o balão diz: “Gina Weasley não consegue dirigir com sua nova sandália laranja porque o salto é alto e pontudo demais.”

Ele levanta as sobrancelhas, e eu me sinto ruborizando ligeiramente.

- Esses são os meus calçados de dirigir – murmuro, passando para o banco do carona. – E eu tenho há quatro anos.

Enquanto enfio a mão na bolsa para pegar uma lixa de unha, Harry senta no lugar do motorista, inclina-se e me dá um beijo.

- Mesmo assim, obrigado por ter ajudado. Tenho certeza que isso vai diminuir o risco de eu ficar exausto na estrada.

- Bem, que bom! – digo, começando a lixar as unhas. – Você precisa conservar a energia para todas aquelas longas caminhadas pelo campo que faremos amanhã.

Há um silêncio, e depois de um tempo eu levanto a cabeça.

- Sim – diz Harry, e ele não está mais sorrindo. – Gina... eu ia falar sobre o amanhã com você. – Ele faz uma pausa e eu o encaro, sentindo meu sorriso desbotar ligeiramente.

- O que é? – digo, tentando não parecer ansiosa.

Há um silêncio. Depois Harry expira com força.

- O negócio é o seguinte. Surgiu uma oportunidade de negócios que eu realmente gostaria de... de aproveitar. E há umas pessoas dos Estados Unidos com quem eu preciso falar. Com urgência.

- Ah – digo insegura. – Bom, está certo. Se você trouxe seu telefone...

- Não pelo telefone. – Ele me olha direto. – eu marquei uma reunião para amanhã de manhã.

- Amanhã? – ecôo, e dou um risinho. – Mas você não pode ter uma reunião. Nós vamos estar no hotel.

- E as pessoas com quem eu preciso conversar também estarão. Eu convidei.

Encaro-o chocada.

- Você convidou gente de negócios pro nosso fim de semana juntos?

- Só pra reunião. No resto do tempo seremos só nós dois.

- E quanto tempo vai durar a reunião? Não me diga! O dia inteiro.

Simplesmente não posso acreditar. Depois de esperar todo esse tempo, depois de ficar toda empolgada, depois de fazer todas as malas...

- Gina, não vai ser tão ruim assim...

- Você prometeu que tiraria uma folga! Disse que nós passaríamos um fim de semana romântico.

- Nós vamos passar um fim de semana romântico.

- Com todos os seus amigos empresários. Com todos os seus horríveis contatos, fazendo uma rede como... como vermes!

- Eles não estarão fazendo rede conosco – diz Harry com um riso. – Gina... – Ele tenta pegar minha mão, mas eu a afasto.

- Para ser franca, não vejo sentido em ir se você só está fazendo negócios – digo arrasada. – Eu poderia muito bem ficar em casa. Na verdade... – abro a porta do carro. - Na verdade, acho que vou pra casa agora mesmo. Vou ligar do estúdio pedindo um táxi.

Bato a porta do carro e começo a andar pela rua, minhas sandálias laranja-claro fazendo claque-claque na calçada. Quase cheguei ao portão do estúdio quando ouço a voz dele, tão alta que várias pessoas se viram.

- Gina! Espere aí!

Paro e giro lentamente – e o vejo de pé no carro, digitando um número no celular.

- O que você está fazendo? – grito cheia de suspeitas.

- Estou telefonando para meu horrível contato nos negócios. Para desmarcar. Cancelar.

Cruzo os braços e o encaro com os olhos apertados.

- Alô – diz ele. – Quarto 301, por favor. Michael Elli. Obrigado. Acho que terei de pegar um avião e me encontrar com ele em Washington- acrescenta pra mim num tom cara-de-pau. – Ou esperar até a próxima vez que ele e seus sócios estiverem todos juntos na Inglaterra. O que pode demorar um tempo, tendo em mente as agendas completamente malucas deles. Mesmo assim, são só negócios. Só um contato. É o único contrato que eu venho esperando fazer há...

- Ah... pára com isso! – digo furiosa. – Pára. Tenha a sua reunião estúpida.

- Tem certeza? – diz Harry, pondo a mão sobre o fone. – Certeza absoluta?

- Certeza - digo dando de ombros morosamente. – Se é tão importante assim...

- É bem importante- diz Harry, e me olha nos olhos, subitamente sério. – Acredite, caso contrário, eu não estaria fazendo isso.
Volto lentamente para o carro enquanto Harry guarda o celular.

- Obrigado, Gina – diz ele quando eu entro. – Sério. – Ele toca meu rosto suavemente, depois estende a mão para a chave e liga o veículo.

Enquanto vamos até um sinal de trânsito, olho para ele, e depois para o celular, ainda se projetando do bolso.

- Você realmente estava telefonando para o seu contato nos negócios?

- Você realmente estava indo para casa? – responde ele, sem mexer a cabeça.

Isso é que é tão irritante em sair com Harry. Você não consegue vencer nunca.

Viajamos durante uma hora pelo campo, paramos para almoçar num pub de um povoado, depois seguimos por mais uma hora e meia até Somerset. Quando chegamos a Blakeley Hall, sinto-me uma pessoa diferente. É tão bom estar fora de Londres-e já me sinto incrivelmente energizada e renovada por todo esse maravilhoso ar campestre. Saio do carro espreguiço-me algumas vezes – e, honestamente, já me sinto mais em forma e tonificada. Admito que se fosse ao campo toda semana perderia uns três quilos, se não mais.

- Você vai querer mais disso? – fiz Harry, baixando a mão e pegando o pacote quase vazio de Maltesers que eu estive beliscando. (Eu preciso comer no carro; caso contrário, fico enjoada.) – E essas revistas? – Ele pega a pilha de revistas que tinham estado aos meus pés, depois segura direito quando elas começam a escorregar de suas mãos.

- Eu não vou ler revistas aqui – digo surpresa. – Estamos no campo!

Honestamente. Será que Harry não sabe nada sobre a vida rural?

Enquanto ele está tirando a bagagem do porta-malas, eu vou até a cerca e olho pacificamente para um campo cheio de coisas marrom-amareladas. Você sabe, admito que tenho uma afinidade natural com o campo. É como se eu tivesse todo esse lado protetor, tipo mãe-terra, que veio gradualmente brotando em mim sem que eu notasse. Por exemplo, um dia desses eu me peguei comprando uma blusa de malha Fair Isle, no French Connection. E recentemente comecei a praticar jardinagem! Ou pelo menos comprei uns lindos vasos de cerâmica no Píer, escritos com “Manjericão”, “coentro” e coisas assim – e definitivamente vou comprar uma daquelas plantinhas no supermercado e botar uma fileira delas na janela. (Puxa, elas só custam uns cinqüenta centavos, de modo que se morrerem basta você comprar outra.

- Pronta? – pergunta Harry.

- Sem dúvida! – digo, e volto meio cambaleando até ele, ligeiramente xingando a lama.

Vamos pelo chão de cascalho até o hotel – e eu tenho de dizer que estou impressionada. É uma grande casa de campo em estilo antigo, com jardins lindos, esculturas modernas no pátio e um cinema próprio, segundo o folheto de propaganda. Harry já esteve aqui algumas vezes, e diz que é seu hotel predileto. E um monte de celebridades também vem aqui! Tipo Madonna. (Ou seria a Spice Sporty? Alguém sei lá.) Mas aparentemente elas são sempre muito discretas e ficam em algum chalé separado, e os funcionários nunca deixam ninguém entrar.

Mesmo assim, enquanto entramos no saguão eu dou uma boa olhada em volta, só para garantir. Há um monte de gente bacana com óculos da moda e jeans, e há uma loura que tem casa de famosa, e paro ali...

Ah, meu Deus. Sinto-me congelar de empolgação. É ele, não é? É Elton John! O próprio Elton John está parado ali, só a uns...

Então ele se vira – e é só um cara baixinho de agasalho e óculos. Droga. Mesmo assim, era quase Elton Jhon.

Agora chegamos ao balcão de recepção, e um funcionário vestido num elegante paletó estilo Nehru sorri para nós.

- Boa tarde Sr. Potter – diz ele. – E Srta. Weasley. Bem vindos ao Blakeley Hall.

Ele sabia nossos nomes! Nós nem precisamos dizer! Não é de se espantar que as celebridades venham pra cá.

- Coloquei vocês no quarto 9 – diz ele, enquanto Harry começa a preencher a ficha. – Dando para o jardim de rosas.

- Fantástico – responde Harry. – Gina, que jornal você gostaria de ler de manhã?

- O Financial Times – digo tranqüila.

- Claro – concorda Harry, escrevendo. – Então é um FT e um Daily World pra mim.

Dou-lhe um olhar cheio de suspeitas, mas seu rosto está completamente inexpressivo.

- Gostariam de chá de manhã? – pergunta o recepcionista, digitando no computador. – Ou café?

- Café, por favor – diz Harry. – Para nós dois, acho. – Ele me olha interrogativamente, e eu confirmo com a cabeça.

- Vocês acharam uma garrafa de champanhe de brinde no quarto – diz o recepcionista. – E o serviço de quarto funciona vinte e quatro horas por dia.

Esse é realmente um lugar de alta classe. Eles conhecem sua cara imediatamente, dão champanhe – e nem mencionaram ainda minha encomenda do Special Express.

Obviamente sabem que é uma questão de discrição.

Sabem que uma garota não quer necessariamente que seu namorado saiba sobe cada pacotinho que é entregue para ela – e vão ter de esperar até Harry estar fora do alcance da audição antes de me dizer. E vá falar em serviço personalizado! Isto é que vale se hospedar num bom hotel.

- Se quiser mais alguma coisa, Srta. Weasley – diz o recepcionista, olhando-me significativamente – por favor, não hesite em dizer.

Está vendo? Mensagens em código e tudo.

- Direi, não se preocupe – digo e lhe dou um sorriso cheio de conhecimento. – Num instante. – E pisco os olhos significativamente na direção do Harry, e o recepcionista me dá um olhar vazio, exatamente como se não tivesse idéia do que eu estou falando. Meu Deus, esse pessoal é bom!

Harry termina de preencher as fichas e as entrega. O recepcionista entrega a ele uma grande chave de quarto, antiquada, e chama um carregador.

- Acho que não precisamos de ajuda – diz Harry, com um sorriso, e levante minha mala minúscula. – Não estou exatamente com um fardo enorme...

- Suba você – digo. Eu só quero... verificar uma coisinha. Para amanhã. – Sorrio para Harry e, depois de um momento, para meu alívio, ele vai para a escada.

Assim que ele está fora do alcance auditivo, giro de novo para o balcão.

- Vou pegar agora – murmuro para o recepcionista que se virou e está olhando numa gaveta. Ele levanta a cabeça e me olha, cheio de surpresa.

- Perdão, Srta. Weasley?

- Tudo bem – digo mais à vontade. – Você pode me entregar agora. Enquanto Harry não está aqui.

Um brilho de apreensão passa pelo rosto do recepcionista.

- O que exatamente...

- Você pode entregar meu pacote. – Eu baixo a voz. – E obrigado por não dar a entender.

- Seu... pacote?

- O pacote da Special Express.

- Que pacote da Special Express?

Encaro-o, sentindo que há algo errado.

- O pacote com todas as minhas roupas! O que você não quis mencionar...

Eu desmonto diante do seu olhar. Ele não faz a mínima idéia do que eu estou falando, faz? Tudo bem. Não entre em pânico. Alguém deve saber onde ele está.

- Deveria haver um pacote para mim – explico. – Mais ou menos deste tamanho...

Deveria ter chegado hoje de manhã.

O recepcionista está balançando a cabeça.

- Sinto muito, Srta. Weasley. Não há nenhum pacote.

De repente me sinto meio oca.

- Mas... tem de haver um pacote. Eu mandei pela Special Express ontem. Para Blakeley Hall.

O recepcionista franze a testa.

- Charlotte? – diz ele, chamando para uma sala dos fundos. – Chegou um pacote para Ginevra Weasley?

- Não – diz Charlotte, saindo. – Quando deveria chegar?

- Hoje cedo – digo, tentando esconder minha agitação. – “Qualquer coisa, em qualquer lugar, amanhã de manhã”! Puxa isso significa em qualquer lugar, não é?

- Sinto muito – diz Charlotte -, mas não chegou nada. Era muito importante?

- Ginevra? – vem uma voz da escada, e eu me viro, vendo Harry me espiando. – Alguma coisa errada?

Ah, meu Deus.

- Não – digo toda alegre. – Claro que não! O que poderia estar errado? – Giro rapidamente para longe do balcão e, antes que Charlotte ou o recepcionista possam dizer alguma coisa, corro para a escada.

- Está tudo bem? – pergunta ele quando o alcanço, e me sorri.

- Sem dúvida! – digo, com a voz dois tons acima do habitual. – Está tudo absolutamente ótimo!

Isso não pode estar acontecendo. Eu não tenho roupas.

Estou passando um fim de semana com Harry, num hotel chique – e não tenho roupas. O que vou fazer?

Não posso admitir a verdade para ele. Simplesmente não posso admitir que minha maletinha graciosa era apenas a ponta do roupaberg. Não depois de ter sido tão presunçosa em relação a isso. Vou ter de... improvisar, penso loucamente, enquanto viramos uma esquina e começamos a ir por outro corredor. Usar as roupas dele, como Annie Hall, ou... rasgar as cortinas e achar algum material de costura... e aprender rapidamente a costurar...

- Tudo certo? – pergunta Harry, e eu dou um risinho fraco de volta.

Calma, digo-me com firmeza. Só... calma. O pacote deve chegar amanhã de manhã, então só preciso agüentar uma noite. E pelo menos estou com minha maquiagem...

- Cá estamos – diz Harry, parando junto a uma porta e abrindo. – O que acha?

Uau. Por um momento minhas preocupações são varridas para longe enquanto olho o quarto enorme e arejado. Agora vejo porque Harry gosta tanto desse hotel. É estupendo – exatamente como o apartamento dele, uma cama enorme com um edredom gigantesco, um aparelho de som ultramoderno e dois sofás de lona.

- Dê uma olhada no banheiro – diz Harry. Eu o acompanho. E é estupendo. Uma gigantesca banheira de hidromassagem toda em mosaico, tendo em cima o maior chuveiro que eu já vi, e uma prateleira cheia de óleos de aromaterapia de aparência fenomenal.

Talvez eu pudesse passar todo o fim de semana no banheiro.

- Então – diz ele, virando-se de novo para o quarto. – Não sei o que você gostaria de fazer... – Ele vai até sua mala e abre. E eu vejo fileiras de camisas, todas passadas por sua faxineira. – Acho que primeiro a gente devia desfazer as malas...

- Desfazer as malas! Exatamente! – falo animada. Vou até minha maletinha e ponho o dedo no fecho, sem abrir. – Ou então... – digo como se a idéia tivesse acabado de me ocorrer. – Porque não vamos tomar alguma coisa e desfazemos as malas depois?

Gênio. Vamos descer e encher a cara de verdade, e amanhã de manhã eu simplesmente finjo que estou com muito sono e fico na cama até meu pacote chegar. Graças a Deus. Por um momento ali eu estava começando a...

- Excelente idéia – diz Harry. – Só vou mudar de roupa. – Ele enfia a mão na mala e pega uma calça e uma camisa azul passadíssima.

- Trocar? - digo depois de uma pausa. – Existe... algum código rígido de vestimenta?

- Ah, não, não rígido. Você só não vai querer descer usando... digamos, isso que você está usando agora.

- Ele aponta para minha calça jeans curta, rindo.

- Claro que não! – digo, rindo como se a idéia fosse ridícula. – Certo. Bem... Eu só vou... escolher uma roupa, então.

Viro-me de novo para a maleta, abro, levanto a tampa e olho para a sacolinha de esponjas.

O que vou fazer? Harry está desabotoando a camisa. Está calmamente pegando a azul. Num minuto vai levantar a cabeça e dizer: você está pronta?

Tudo bem, preciso de algum plano de ação radical.

- Harry... mudei de idéia – digo, e fecho a tampa da maleta. – Não vamos descer ao bar. – Harry ergue a cabeça, surpreso, e eu lhe dou o sorriso mais sedutor que consigo. – Vamos ficar aqui, pedir o serviço de quarto e... – dou alguns passos até ele, soltando a alça da mini blusa. - ...e ver aonde a noite nos leva.

Harry me encara, com as mãos ainda no gesto de desabotoar a camisa azul.

- Tire isso – digo com voz rouca. – De que adianta se vestir todo quando o que a gente quer é se despir um ao outro?

Um sorriso lento se espalha no rosto de Harry, e seus olhos começam a brilhar.

- Você está muito certa. – Ele vem até mim, desabotoando a camisa e deixando-a cair no chão. – Não sei no que eu estava pensando.

Graças a Deus!, penso, aliviada, enquanto ele estende a mão para a minha mini blusa e gentilmente começa a desamarrá-la. Isso é perfeito. Isso é exatamente o que eu...

Uuh. Mmmm.

Na verdade, isso é perfeito pra cacete.


Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.