Fazia duas semanas que Voldemort fora derrotado de uma vez por todas. Os comensais capturados foram levados para Azkabam e aguardavam julgamento pelos seus atos. Diferente da maioria, por intercessão da Ordem da Fênix, Narcisa, Snape, Evelyn e Draco aguardavam em liberdade, mas recebiam visitas constantes dos aurores para certificar-se que eles estavam se “comportando bem”.
E um dia antes de ir para o julgamento dos ex-comensais, os Weasleys aproveitavam também para reorganizar a casa que Sirius deixara para Harry. O lugar estava um caos, mas em pouco tempo, com toda mão de obra que eles arrumaram (inclusive Charlie, Bill e Fleur, que foram para Londres só para ajudar), o lugar ficou pronto para que Harry se mudasse de uma vez:

- Essa é a nossa última noite de folga. – comenta Hermione, sorrindo cansada.
- Pensei que você passaria essa última noite na casa do seu namorado. – comenta Rony, num tom irônico.
- O Ministro em pessoa me pediu que não me comunicasse com ele até que o julgamento acontecesse.
- Rony só está brincando, Mione. – diz Harry, quebrando a tensão que começava a se formar – Ele sabe da determinação ministerial.
- Estou ansiosa pelo meu primeiro ano tranquilo em Hogwarts. – a castanha gargalha gostosamente em seguida, contagiando seus dois melhores amigos.
- Nem faço ideia de como pode ser. Os anos anteriores foram um caos! – comenta Rony, ainda rindo a valer.
One other year has left my life (Um outro ano deixou minha vida)
One year bygone so soon (um ano passado tão rápido)
- Com licença, pessoal. – pede Gina, entrando no cômodo onde os três estavam – Posso ter meu namorado?
- Claro que sim, amor. – diz Harry, abraçando a ruiva e a beijando – Fique aqui conosco.
- É tão bom ver que a paz chegou. – ela comenta com um tom esperançoso.
- Estávamos comentando isso agora mesmo. – diz Hermione – Primeiro ano “normal” em Hogwarts.
- Ah, a propósito. – Gina tateia seus bolsos e tira um envelope de dentro de um deles – Malfoy mandou uma carta.
Hermione esboçou um sorriso gigantesco no rosto e abriu a carta com pressa, mas procurando não danificar muito o envelope. Seus olhos encheram-se de lagrimas no instante que ela começou a ler e ela demorou quase o triplo do tempo necessário para terminá-la:
- Como ele está? – pergunta Harry num misto de “convenção social” e verdadeiro interesse.
- Solitário. – ela responde – A mãe dele e ele podem sair apenas para fazer compras e, quando encontram um conhecido, eles têm que conversar rapidamente.
- Nossa... – comenta Gina, com pena – deve ser horrível.
- Azkabam seria pior. – comenta Rony, dando de ombros.
- Ele diz algo mais que possamos ouvir? – provoca Gina, sapeca.
- Diz, claro! – responde Hermione, corando levemente – Ele disse que viu Evelyn Scott um dia desses no Beco Diagonal. Ela o cumprimentou com um aceno seco e praticamente correu.
- O que será que deu nela? Ela é apaixonada pelo Malfoy... – comenta Rony, levando um tapa de Gina – O que foi? – reclama, massageando a área atingida.
- Sua falta de cuidado com as palavras. – ela repreende.
- Tudo bem. – diz Hermione – Deve estar sendo muito pior para Evelyn do que é para Draco. Ela não tem ninguém... até o professor Snape tem uma família para ir...
- É mesmo... mencionaram por alto essa história. – diz Harry, curioso – Como é essa história mesmo?
- Snape teve um caso com uma aluna alguns anos depois de Voldemort sumir pela primeira vez. Desse caso, ela engravidou, mas a criança foi dada para adoção sem que o professor soubesse. Quando eu fui resgatada, ele decidiu ir atrás de sua filha.
- E ela o aceitou?
- Aí eu já não sei. Sei que ele está morando com a mãe da filha dele. Depois de muito negociar, o ministério acabou cedendo.
- Bem, a conversa está ótima, mas é melhor dormirmos para acordar cedo para ir ao julgamento. – diz Gina.
- Esperava isso de Hermione, não de você, amor. – comenta Harry, beijando-a – Mas ela tem razão. Boa noite, pessoal.
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Na mansão Malfoy, Narcisa e Draco terminavam de arrumar as coisas do rapaz e preparar o que levar para o tribunal. Em jogo estava muito mais do que o retorno do jovem para Hogwarts (bem como a manutenção do emprego de Snape e o ingresso de Evelyn em Hogwarts), era a reinserção dos sonserinos na sociedade.
Entre outras milhares de recomendações, o ministro da magia disse que “em hipótese alguma os réus que aguardavam julgamento em liberdade deveriam ter momentos sociais com quem não morasse sob o mesmo teto”. Com isso, Draco só podia se comunicar com Hermione por cartas:
- Boa noite, mãe. – despede-se Draco, sério.
- Boa noite, meu querido. – ela responde, cansada – Espero que tudo dê certo amanhã.
- Eu também. – ele desejou Draco, respirando fundo.
These were the days I sacrificed (esses foram os dias que eu sacrifiquei)
These days were lived for you (esses dias foram vividos para você)
- Querido, atenda a porta, por favor. – pede Regan, falando da cozinha.
- Um instante. – responde Snape, caminhando na direção da porta enquanto lia o Profeta Diário – Em que pos--
E antes que pudesse terminar de falar, o ex-comensal derrubou o jornal de suas mãos e ficou encarando a garota em sua frente sentindo uma onda gigantesca de sentimentos. Ele queria, na verdade, dar-lhe um abraço bem apertado, mas não sabia se seria o certo a fazer:
- Quem é, amor? – pergunta Regan, também ficando em estado de choque ao ver quem os visitava.
- Não vão me convidar para entrar? – pergunta Regan Gudjonsen, sorrindo cansada.
- Claro... – responde Snape, ainda sem saber muito bem como reagir – entre, por favor, Regan.
Some came with winter in white (alguns vieram com o inverno em branco)
Do alto da colina, observando a passagem das nuvens pesadas de chuva, Evelyn imaginava se, quando tudo acabasse, ela finalmente teria uma vida normal. A casa que eram de seus avos paternos fora deixada de herança para ela e parecia um bom lugar para se esconder enquanto a poeira baixava. Sua semelhança com Hermione ainda a incomodava, mesmo que não com a mesma intensidade que antes, mas ela ainda passava horas olhando para seu reflexo e vendo sua rival e lembrando de momentos tensos onde ela a encontrou.

~ FLASH BACK
- Como ousa trazer ela aqui, Rony?! – grita Hermione.
- Ela salvou minha vida! – rebate Rony, no mesmo tom e altura.
- Não precisa gritar com ele, Granger. – interfere Evelyn, sacando sua varinha.
- Não ameace Hermione! – interfere Draco, entrando na frente dela.
- Não seja hipócrita, Malfoy! Você escondeu de Hermione a existência de Evelyn! – grita Rony, irritado.
- Posso ter feito isso, mas eu não sou mais um comensal! – rebate Draco, olhando com desprezo para Evelyn.
- O q--? – diz Harry, entrando na mansão e deparando-se com uma cena que o deixa mudo.
- Eu vou embora. – diz Evelyn, séria, andando na direção da porta.
- Ainda temos muito que conversar Evelyn Scott. – diz Hermione, séria, com a varinha apontada para ela.
- Sobre o que? Sobre como eu nunca passei de um premio de consolação para quem não ficasse com a perfeita Hermione Granger?! – grita Evelyn, avançando para cima de Hermione.
- Scott, vá embora. – pede Harry, sério.
Evelyn lança um último olhar de desprezo para Hermione e sai enfim da mansão após sussurra ameaçadoramente ao ouvido de sua rival:
- Teremos nossa conversa brevemente. Aguarde meu contato.
**
- Não preciso de sua pena. – diz Evelyn, com desprezo.
- Você está mal... – rebate Hermione, engolindo o orgulho e tentando parecer simpática.
- Posso acabar com você do jeito q estou. – desafia Evelyn, levantando-se e sacando sua varinha.
- Não me faça rir. – diz Hermione, irritando-se – Você mal consegue ficar de pé!
- Estuperfaça! – conjura Evelyn, atingindo Hermione em cheio e a lançando no final do corredor – O que dizia? – zomba ela, sentindo suas pernas vacilarem ainda mais.
- Ora, sua... – diz Hermione, levantando-se e sacando sua varinha – Impedimenta!
Com muito esforço, Evelyn desviou do feitiço de Hermione, mas, ainda assim, partiu para cima da sua rival com toda sua força. Os feitiços variavam entre simples feitiços para desarmar até feitiços pesados que poderiam até mesmo matar.
Ao ouvi o barulho que dali vinha, os demais tentaram interromper a luta, mas Evelyn lançou um campo de força ao redor de Hermione e ela. Aproveitando esse momento de distração da ex-comensal, Hermione lançou um feitiço estuporante, ignorando a gravidade dos ferimentos de Evelyn e lançando-a no chão com violência.
O que antes era uma dor que ia e vinha devido ao esforço mágico agora era algo constante e fino, que chegava a enlouquecê-la.
FLASH BACK ~.
Some days were blown away (alguns dias foram explodidos)
Some came with sultry summer nights (alguns vieram com noites quentes de verão)
Contudo, mesmo diante dos momentos tensos que ela passou, a confiança que ela sentiu vir do lado daqueles que a julgaram sem antes conhecê-la também veio através de lembranças, de modo que ela lembrou-se dos momentos finais da batalha, quando Harry “ressuscitou”:
~ FLASH BACK
Hermione virou-se na direção que o comensal olhava espantado e quase caiu para traz quando viu seu melhor amigo mais vivo do que nunca, correndo para um abraço sem pensar duas vezes:
- Harry, oh Merlin! – ela diz, quase chorando.
- Quando eu acabar de vez com Voldemort a gente continua esse abraço. – sorri ele, soltando-se e encarando Evelyn – Vou para meu duelo, Scott. Dessa vez para ganhar.
- Assim é que se fala, Potter. – diz Evelyn, sorrindo de um modo quase orgulhoso do rapaz.
FLASH BACK ~
- De algum modo estranho sinto que sentirei falta dessas pessoas. – Evelyn notou, sorrindo cansada, caminhando de volta para dentro sua casa.
Uma fina chuva começava a cair...
Some with October rain (alguns com a chuva de outubro)
O novo Ministro da Magia se preparava para assumir seu posto com uma responsabilidade enorme: julgar os ex-comensais que auxiliaram a Ordem da Fênix na batalha de Hogwarts. Mais do que uma simples condenação ou absolvição, ele estava com um fato que entraria para os livros de história nas mãos.
E como se não bastasse, urgente, seu secretario entrou ofegante em seu escritório com uma bomba ainda maior:
- Senhor! O cofre de Voldemort foi aberto! – disse o rapaz, segurando-se na poltrona do chefe para recuperar o fôlego.
- O que encontraram lá? – perguntou o Ministro, indiferente.
- Uma grande fortuna. A contagem estava em 2 milhões de galeões quando eu sai do cofre e não era nem a metade. Tem dinheiro bruxo e trouxa, além de escrituras de propriedades no Reino Unido e em outros países...
- Tudo isso será revertido na restauração do que foi destruído por ele. – disse o Ministro, sorrindo vitorioso.
- Receio que... não... senhor. – disse o rapaz, nervoso – Isso também estava no cofre.
O Ministro quase não pôde acreditar no que seus olhos viam. Em suas mãos estava um envelope protegido com 5 selos mágicos, onde dois já estavam rompidos. Escrito por fora estava “Testamento de Lorde Voldemort”, bem como uma lista com os nomes dos úni
cos capazes de romperem os selos:
- Edward, quero que envie uma coruja para Harry Potter e Neville Longbottom pedindo que ele compareça ao Ministério da Magia amanha, da hora do julgamento, bem como os já convocados. – disse o Ministro, sério, guardando o envelope num compartimento secreto de sua mesa.
Oh, how I long for utter silence (oh, como eu desejei silêncio absoluto)
But who am I to know (mas quem eu sou para saber)
When rain will turn to snow? (quando a chuva virará neve?)
If life brings another day (se a vida trás um outro dia)
FIM