Ela tinha vindo parar em um local desconhecido, com pessoas completamente estranhas por um motivo que não poderia ser mais displicente. E estava na Escócia, sendo mais precisa, no extenso e frio reino de Hogwarts, convivendo com lordes e monarcas ingleses com costumes totalmente distintos dos seus esperando criar laços com o desprezível príncipe Harry James Schneider Potter para que pudessem enfim se casar e fazer finalmente a união dos dois reinos.
Ginevra tinha chegado em Hogwarts com certas expectativas, pensara que o castelo fosse menor e mais aconchegante, as paredes frias e a extensa área tinham sido uma surpresa.
-Por aqui, senhorita. –Disse um senhor pálido e mal cuidado, Argo Filtch, que mantinha uma corcunda, uma expressão desagradável e uma voz esganiçada. –Potter as está esperando há horas a fio... Ele não estava muito contente pela manhã e creio que agora não deve estar com um temperamento muito agradável, suas malas já foram levadas aos seus respectivos aposentos, podem seguir pela direita, subam as escadas até o sétimo andar, acho que não preciso explicar mais. –Ele saiu correndo deixando Gina com uma expressão de desagrado no rosto e, depois de subiram os respectivos degraus e chegarem finalmente aos quartos elas decidiram não descer até o escritório de Potter, se ele quisesse, viria até elas como um típico príncipe simpático, não um desprezível fanfarrão.
-Sinto muito por tudo isso. –Disse Lavender. –Logo sua mãe desistirá dessa ideia maluca e voltaremos á Beauxbatons.
-Não tenta tanta certeza. –Ela disse rindo. –Acho que precisaremos nos acostumar ao sotaque britânico e á esse castelo frio, já tenho minhas duvidas sobre meu futuro e não quero ficar pensando nisso, talvez ele seja um homem agradável.
-Com uma aparência agradável, você quis dizer. –Lilá deitou-se esperando Gina dizer algo ou finalmente poder considerar a conversa encerrada.
Alguém batera firmemente na porta, que Ginevra fez questão de abrir, e viu diante de si o corpo grande e bem estruturado de Potter. Com uma expressão firme e bela, não parecia dócil e sim um alazão indomado, com braços aparentemente fortes e olhos verdes extremamente cativantes, enquanto ela o analisava, Harry fazia o mesmo olhando toda a extensão dos cabelos ruivos, os olhos claros e doces, a postura totalmente ereta e os braços levemente postos sobre a cintura, e não podia deixar de notar, é claro, o decote não muito grande que tampava o suficiente dos seios fartos e bem desenhados que ela possuía.
-Não se acostume com isso, -ele começou- nunca virei até seu quarto novamente para chama-la, considere isso somente um... Um mero capricho de um homem entediado. Precisamos conversar e resolver tudo o quanto antes para que possa voltar ao seu reino de contos de fadas o mais antes possível, considero essa situação tanto desconfortável quanto você e saiba que eu nunca tive tempo para francesas metidas.
Gina mantinha a expressão rígida quando falou, e evitava sorrir ou demonstrar qualquer indicio de felicidade ou satisfação.
-Fico feliz em não alimentar as esperanças de um homem como você. –ela saiu do quarto acenando brevemente á Lavender e em seguida fechou a porta, andando ao lado de Harry.
-Um homem como eu? –Ele queria mostrar curiosidade, mas aparentava cada vez mais tedio e ironia.
-Sim, senhor Potter, sei sobre seus casos, sei sobre o tipo de homem que você é. E sei o que fez com a senhoria Chang, você não ia me querer como esposa sim como não o quero como marido.
-Hum... Chang era uma garota ingênua e mal instruída, eu nunca aceitarei nenhum tipo de traição e a considero a criatura mais baixa e desprezível da Grã-Bretanha. Prefiro não passar o resto dos meus dias ao lado de uma moça tão mal humorada e séria como você, senhorita Chevalier, talvez eu a deseje, mas somente. –Ele segurou a mão da mulher posta em sua frente, estavam quase no primeiro andar. –Sei que está tarde, mas eu quero te mostrar algo.
-Já ouvi falar sobre isso, sobre você. Mesmo na França você é muito comentado. Primeiro as enche com historias sobre seu passado, depois as “mostra algo” e em seguida avança como um abutre, esse tipo de truque já é um tanto passado.
-Não, -Ele disse rindo.- Eu nunca beijaria uma boca por onde saem coisas tão imundas. Além disso, me comparar a um abutre é um tanto grosseiro!
-Eu fico feliz em saber que nunca nos beijaremos, eu não seria nem a primeira nem a ultima a encostar nesses lábios.
-Você tem razão. –Ele disse. –Não seria nem a primeira, -ele fez uma pausa que ele chamaria de dramática- nem a ultima. Nem a melhor.
-Está questionando minhas...
-Não estou questionando nada, agora se apresse, está escurecendo e eu não quero ter de levá-la ás pressas.
Gina apenas assentiu, apesar de se sentir um pouco contrariada, ela continuou andando, descendo escadas e passando pelos enormes salões mal iluminados até chegarem a um local sombrio e abafado, não se viam janelas, apenas paredes escuras e manchadas.
-Onde estamos? –Ela disse.
-Masmorras. Assustador, não?
-Não. –Ela respondeu imóvel.- Por que estamos aqui?
-É aqui onde eu guardo meus prisioneiros.
-Prisioneiros?
-Cedrico Digory morreu aqui, aquele desgraçado mereceu a morte que teve.
-E por que me trouxe aqui?
-Eu definitivamente não sei, talvez você não fosse durona o bastante pra isso.
-Escuta, -ela disse voltando cada vez mais rápido para a porta- eu não sei que tipo de pessoa você é senhor Potter, mas não é uma boa pessoa. Se eu me casar com você, que eu me case sem saber muito sobre essa vida imunda que você leva, se você se contenta com isso, saiba que eu nunca sujaria minhas mãos ou minha boca para tirar a vida de alguém, e não gostaria de me casar com alguém que o faz tão cruelmente afinal, se você nunca matou ninguém com as próprias mãos, com certeza as ordens de cada uma das mortes saíram dessa sua boca, eu nunca beijaria uma boca por onde saem palavras tão cruéis, eu nunca deixaria que me tocasse com essas mãos que podem já ter tirado a vida de um homem. –Ela fez uma pausa recuperando todo o folego. Estava nervosa e suava desesperadamente. - Saiba, Potter, que se eu precisar usar uma de minhas mãos para lhe fazer algum mal- Disse apontando para ele, que estava numa distancia razoável e não ousara se mexer- eu usaria e não pensaria duas vezes.
-isso é uma ameaça?
-Entenda como quiser. Senhor Potter. –Ela se virou, mas antes de sair, abriu a boca sem o mínimo de juízo e disse suas ultimas palavras naquela noite. - Posso estar no seu castelo, mas continuo vivendo sobre minhas regras.
Gina saiu correndo pela noite densa e a unica conclusão em que chegara não era nenhuma novidade: Harry Potter era um ser desprezível.
Gina abriu os olhos, parecia descansada e pronta para enfrentar outro dia exaustivo. Puxou a manta de seda que estava sobre a poltrona e a puxou até ela, cobrindo-se com o tecido. Estava frio, mas agradável e por baixo das camisolas de renda e cetim, ela estava totalmente vulnerável e sem expectativas.
Ao sentar-se a mesa para tomar café-da-manhã, Gina e Harry se encaravam como dois inimigos prontos para sacar uma arma a qualquer segundo. Gina, pensara Harry, era como uma felina. Com movimentos suaves e calculados, apenas se preparando para agir. Com aqueles olhos esmagadores e suas mãos cuidadosas.
E enquanto ele a analisava perigosamente, Gina sentiu toda sua fúria quando tocou o bule de chá, que ela teve a capacidade de pedir. Mas ao invés de fechar a cara e começar o dia igualmente mal, ela suspirou, bebeu um gole ou dois do chá e disse algo um tanto agradável, se é que podemos chamar assim.
-Bom dia. Vejo que passou uma péssima noite, Senhor Potter. Devia descansar um pouco mais tarde. E faria um favor a todos nós. –Ela murmurou consigo mesma. E ele grunhiu mal-humorado. –Ficou pensando em como seria beijar esses lábios amaldiçoados, Potter? Ficara imaginando como seria o corpo por baixo desses tecidos pesados ou a textura dessa pele... Pensou em mim, senhor Potter? –Ela pronunciava cada silaba vagarosamente, para que ele sentisse aos poucos o poder das palavras. E ia o provocando cada vez mais, esperando um acesso de fúria enquanto o testava até o limite.
-Perdão?
-Não se faça de desentendido. Já que está tão acostumado com moças aos seus pés, por que não uma que lhe faça fazer o mesmo...?
-Você é chata e estranha. E instável.
-Vejo que levou minhas ameaças á sério.
-E não era isso o que eu deveria fazer?
-Certamente. –Ela disse, limpou o canto dos lábios com um guardanapo e se levantou majestosamente. –É isso que deveria fazer.
Lavender olhava fixamente aqueles olhos fulminantes, segurando o riso, com medo de alguma possível reação.
-Ela é sempre assim?
-Sempre.
-A coitada não sabe nem ao menos se portar em frente á um Lorde Inglês.
-O temido galanteador não sabe como tratar uma moça como Gina. Senhorita Chevalier, no seu caso. Não é homem para tal intimidade.
-Está dizendo até onde eu sou ou não... Homem?
-Não, só digo que não é homem o bastante para domar uma garota como Gina.
-Vocês francesas são todas iguais: ásperas e presunçosas.
-E vocês dois são como dois animais selvagens, indomados e teimosos. Por que insistir numa causa perdida. O casamento vai acontecer e você sabe disso, senhor Potter. Então por que não guardar um pouco o ego e tentar fazê-la gostar de você?! Por mais que se desentendam, há espaço mais que suficiente para os dois. –Ela deu uma risadinha e saiu, enquanto Harry olhava pela janela, questionando cada palavra que ela dissera, tentando convencer a si mesmo que não era verdade.
°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°Gina sentiu o corpo pesar e acabou deitando num dos sofás, a sala que adiantava os quartos era grande e espaçosa. Com quadros, cortinas e tapetes. Lembrava o estilo sofisticado e discreto de Harry Potter.
-Eu já sabia... As mulheres, nem a princesa de Beauxbatons, conseguem ser perfeitas o tempo todo. –Ele disse analisando a postura e a aparência cansada de Gina. E ela fingia nem ouvir. – Eu pedi um milhão de vezes para que colocassem suas coisas nas masmorras. Há quartos um tanto aconchegantes e eu gostava dessa sala... Eu vinha ler e pensar.
-O problema não é meu. Me sentiria desconfortável mesmo que colocassem uma cama na floresta.
-Agora está mal-humorada.
-Por que não cuida das suas coisas? Aposto um garanhão Lipizzaner que você não consegue me deixar em paz por só um segundo.
-Não estou interessado.
-Ótimo. Eu não abdicaria meu cavalo. Ele vale mais que você, eu tenho certeza. –Ela disse sem mudar uma mínima expressão no rosto. –É um puro sangue. Você saberia se entendesse de cavalos e certamente deve saber. Pelagem branca, perfeitamente domado. Chama-se Firenze, escolhi o nome por que... O compramos na Itália, quando fomos visitar tia Muriel e... Por que estou lhe dizendo isso? –Ela parecia indignada e constrangida.
-Não me importo com seus cavalos, mas vejo que entende. Poderíamos cavalgar.
-Como você disse, não se importa. E com certeza não se referia somente aos cavalos e eu estou começando a ficar confusa.
-Já faz um bom tempo que está aqui. Se a senhorita quisesse regressar á França, não estaria aqui nesse exato momento. E eu penso que você está começando a se mostrar uma moça carente e cheia de incertezas. Por que não me conta? Por maior que seja minha ignorância eu poderia ao menos fingir ouvi suas lamentações.
-Você acha que eu não tenho ninguém por que... Ninguém me quer? –Ele assentiu.- Não é isso, eu simplesmente não acho correto pensar que eu só serei uma boa rainha se eu tiver um marido. Muitos homens me tentam, e muitos deles me atraem. Mas meus sentimentos estão bloqueados, entende? Não encontrei ninguém para quem pudesse mostra-los. Já tive vários homens na minha vida, mas se meus relacionamentos não deram certos, não vou sair por aí desesperada á procura de um que dê.
-Você fez novamente, -Ele disse, e em seguida se levantou. – falou sobre sua vida e seus sentimentos, e veja! Agora eu sei que a princesinha acredita no verdadeiro amor. E quer saber? –Ele se aproximou, inclinou-se e sussurrou.- Eu também. –E saiu com a mesma ironia com a qual entrara.
°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°° Estava ficando tarde quando Gina entrou cautelosamente na sala onde Harry estava. Era uma sala grande com um teto mais alto que o normal. Os livros preenchiam a maioria dos espaços, e os espaços vazios eram preenchidos com quadros, sendo vários deles de Harry. Ele parecia concentrado, porem entediado. Olhou por cima dos óculos de leitura e ajeitou a postura. Gina sentou-se com o proposito de resolver tudo, mas acabou em mais uma discussão.
-Pensei que não falaria mais comigo depois de ontem á noite. Mas aí você veio com o bom dia, e depois falando dos seus cavalos...
-Eu também. –Ela disse. - Mas dar-lhe o gostinho da vitória seria injusto.
-Aquela ameaça foi bastante intimidadora.
-Eu espero, quero que saiba com quem está lidando.
-Eu sei com quem eu estou lidando. –Ele disse enquanto ela o olhava atenciosa esperando que continuasse. – Para uma garota que não viu nada do mundo e prefere vidar uma solteirona amarga a se casar com um homem como eu.
-Sim. –Ela disse. - Mas isso não é tudo.
-Uma solteirona amarga e... Ameaçadora?
-Faça-me o favor, senhor Potter! Você se acha tudo enquanto você é só um pedaço da pior parte do mundo. Agora sente-se direito e recomponha-se, precisamos resolver as coisas, não estou para brincadeira.
-OK. Posso mandar prepararem a carruagem para agora mesmo, quero dizer, o quanto antes melhor.
-Concordo, mas toda essa historia do casamento...
-Eu acho que, apesar de querer vê-la bem longe de mim e do meu reino, - Ele disse enquanto analisava a expressão tranquila do rosto de Gina. - seria bom se déssemos uma chance ao acaso... Mostrá-la que eu vou muito além de olhos brilhantes e cortejos.
-Não acho uma boa ideia. Tenho medo de me apaixonar por você. –Ela disse rindo, totalmente irônica.
-Pode, por favor, não fazer isso?
-Ser irônica? É meio difícil...
-Não! Me apaixonar por mim. –Ele disse, e parecia nervoso.
-Eu posso fazer tal sacrifício.
-Então daremos uma chance ao acaso?
-Acaso? Chama isso de acaso?! É muito mais que isso, chega a ser uma obrigação, uma tortura! Mas eu fico desde que me prometa...
-Pule essa parte do bom comportamento e tudo isso mais.
-Na França as coisas são mais fáceis.
-Mas, como você sabe, estamos na Escócia. E eu nunca tive tempo para francesas, esse sotaque me... Me assusta.
-Normalmente os ingleses são refinados e românticos, não poéticos como os franceses, mas são bons homens. Você é um grosso! Ridículo, senhor Potter, desprezível!
-Se me permite: toda vez que me “ofende” me chama de “senhor Potter” isso acaba com a “força” das ofensas, então me chame de Harry.
-Se eu te chamar, você vai querer me chamar somente de Gina e eu não permitirei.
-Ginevra é um homem particularmente feio! Ginevra, esposa de Harry Potter... Hum... Não soa muito... Romântico, nem poético nem refinado, considero até um pouco grotesco.
-Você disse o mesmo quando disseram Cho esposa de Harry Potter?
-Não. Ginevra é grotesco, Cho é patético, assim como a garota que recebe o nome.
-Eu não tenho tempo pra essa ladainha, sempre acaba na mesma e eu não quero viver fazendo ameaças ao homem com quem eu devo possivelmente estar casada em alguns poucos meses.
-Adeus donzela! Espero vê-la em breve, e nos casaremos e viveremos felizes para sempre! –Ele proclamou ainda dentro do gabinete. –Assim está bom para um príncipe encantado? Está bom para você? Patético... –Ele finalmente murmurou mal humorado.
Gina dera uns dois ou três passos para fora da sala, mas deu meia volta, se encostando-se à porta.
-Sabe, se eu não o conhecesse, poderia pensar que quer que eu fique e deseja que esse casamento aconteça.
Harry se sentira intrigado, e o sol já estava se pondo e ele não permitiria que Gina e ele trocassem as ultimas palavras antes do amanhecer.
-Todos. Todos os problemas! –Ela saiu esbarrando em Lavender para entrar no quarto, não era muito educado, e nem notara o fato da garota estar somente com as roupas de baixo. Na verdade ele notou, algum tempo depois.
-E eu posso saber... Que problemas são esses que envolvem Ginevra? –Harry se sentou.
-Você é muito curiosa. Mas eu queria conversar com ela...
-Aham... Você poderia apertar isso pra mim? –Ela disse se virando, ajeitando o corpete. Harry se levantou e puxou com força, amarrando-o bem rente ao corpo. Lavender tinha seios fartos, não como Ginevra, ele pensara. Mas era uma garota bonita. E ele, mesmo sem se dar conta disso, passava as mãos pela extensão entre os seios e o quadril, analisando as curvas que ela tinha, diferente de Ginevra, graças aos anos usando aquele corpete apertado. Abaixando cada vez mais as mãos, foi pego de surpresa quando Lilá se virou, deixando seu corpo bem próximo do dele. Ela encostara-se à cômoda enquanto Harry se aproximava cada vez mais, mesmo sem ter espaço para mais contato. Ia se aproximando seu rosto do da garota e, por um momento, poderia pensar em beijá-la, mas aproximou seus lábios do ouvido dela, que não estava interessada em nada que o envolvesse, na verdade, o considerava ridículo e prepotente.
-Para onde, -Ele disse separando silaba por silaba. –ela foi?
-Não... –Ela murmurou se sentindo ameaçada.
-Eu vou repetir mais uma vez: para onde ela foi?
-Você sabe. –Ela disse. –Você sabe e só me pergunta pra ver se eu estou do seu lado ou do dela. Acho que agora também já sabe sobre isso. Agora saia. –Ela estendeu o braço, com o dedo indicador na direção da porta.
-Obrigado. –Ele andou um pouco.
-Mas me diga... Você está planejando alguma coisa ou desta vez está sendo sincero.
-Sou sempre sincero.
-A ultima coisa que ela precisa é de um homem como você.
-Então eu estou planejando algo. É o que um homem como eu faria, não?
Harry caminhara muito e ao chegar à cabana de Hagrid mandou que ele providenciasse um cavalo. Ele não iria a Hogsmead andando. E Gina poderia esperar, ele estava exausto e Hagrid o oferecera uma boa dose de Uísque.
-Poderia me dizer ao menos... Para onde vai á essa hora? –Perguntou Hagrid enquanto servia o patrão com o uísque.
-Aquela garota patética. Ginevra. Ela se acha muito esperta...
-E ela é. –Ele soltou uma breve risada. –Conseguiu sair sem a sua permissão. Foi a única.
-Ela não é muito boa em pedir permissão. Se nos casássemos, a primeira coisa que eu trataria de fazer seria ensiná-la.
-Não seja tão cruel, Harry. E se eu te conheço bem, está se sentindo ameaçado.
-Ora Hagrid! Agora você também está apoiando aquela francesa antipática?! Traga-me o cavalo, já está ficando tarde e eu preciso resolver umas coisas com... Escute, Hagrid, você é homem, e é mais velho e... Diga-me: eu estou no caminho certo?
-Ah! –Ele riu, boas e longas gargalhadas. – Você nunca está no caminho certo Harry! E com essa garota você tem que ser o oposto de tudo, entende? Oposto de você mesmo. Essa foi a melhor da noite... Harry me pedindo conselhos... Venha, Filtch está com o cavalo.
Harry saiu da cabana, um ar frio e úmido pairava, talvez devido ás árvores e umidade extrema da floresta, ou somente o tempo avisando uma futura tempestade.
O cavalo era acinzentado, quase branco. Um Lipizzaner, um belo Lipizzaner. E ao olhar aquele garanhão, sentiu algo arder em seu peito, algo forte, mais forte que ele, que fez sua garganta arder e suas mãos tremerem. Ele montou, estava sobre o casco daquele forte e imponente cavalo, e por que ele lhe lembrava tanto Ginevra?
Cavalgou até Hogsmead; não era uma longa distância apenas cansativa. Harry chegou ao pequeno vilarejo, o lugar que bancava somente para satisfazer caprichos pessoais. Passou por varias das pequenas lojas, mas ao chegar no três vassouras, ele arriou o cavalo. Percebendo um movimento maior que o normal. Abriu a porta, que rangeu avisando a todos que o príncipe acabara de entrar.
-Aaaaaaah, senhor Potter! Não me avisaram sobre sua visita! –Disse Madame Rosmerta. Que em seguida deu lhe um beijo em cada bochecha.
-Sim, foi uma visita inesperada. –Tão inesperado como o beijo, ele falou com certa antipatia, na verdade, a antipatia comum. –Mas você chegou a ver uma garota ruiva... Com um sotaque francês e... Grandes seios, com uma cara...
-Por favor, mais respeito senhor com a garota com quem o senhor vai desposar.
-O que? Gina não diria isso!
-Ela entrou meio perturbada, sabe... Estava meio triste. Aí pegou uma garrafa de uísque e se sentou ali no fundo.
Ele rapidamente virou as costas e atravessou o bar. Ginevra não tinha a melhor aparência do mundo, mas, mesmo com a maquiagem borrada e os cabelos presos com descuido, ela parecia uma princesa e futura esposa. Continuava com a aparência racional e mandona.
-Você terá de pagar por isso. –Ele disse apontando para a garrafa. Parou e se sentou, ficou paralisado vendo Gina daquele jeito. –Já se olhou no espelho?
-Não é prioridade agora. Algum problema? Nunca viu uma mulher afogando as magoas com uma garrafa de uísque barato? Francamente, Potter eu pensei que você comprasse o melhor, sempre o melhor.
-Deus, Gina, como você pode ser tão tola?
-Tola? Pensei que seu vocabulário também fosse melhor. Mas sim, eu sou tola o bastante para entender quando sou ou não vem vinda em algum lugar, e aqui eu definitivamente não sou. Mandei uma carta e por ser uma pessoa tola, espero estar partindo em breve. –Ele a fitava como se não acreditasse naquelas palavras e pensava consigo mesmo como as mulheres mesmo embriagadas conseguiam ser tão mais racionais e espertas.
Ele riu.
-Me dê isso. Acho que você já é inteligente demais pra ficar bebendo isso, eu acho que só piora...
-Isso foi quase um elogio.
-Quase. –Ele disse risonho. Como se estivesse quase feliz. Ao pegar a garrafa, bebeu o bastante pra sentir seu corpo queimar por dentro, e pela primeira vez, parecia que não era só o uísque.
-Belo cavalo. –Ela disse. –Mas Firenze é maior, e mais bonito. Eu garanto.
-Voltamos aos cavalos?
-Eles são interessantes. Eu digo, Firenze é interessante já a sua imitação barata de um Lipizzaner é... Patética.
-Delegado é um bom cavalo, bom.
-Delegado?! Que diabos de nome é... Delegado?
Que diabos? Ela disse mesmo que diabos? Pensou Harry.
-Ou era delegado, ou era príncipe. Acho que compartilhamos a mesma opinião desta vez, hein.
-Não. Príncipe parece mais um nome que uma criança dá ao seu cavalo, é como... É como quando se aprende a cavalgar, aí você imagina um nome bem ridículo e pensa que o nome é perfeito pro cavalo, pro seu primeiro cavalo. Príncipe é um nome realmente inocente e meigo, se esse fosse o nome, eu acharia fofo e você poderia dizer que tinha o ganhado quando criança, mas voltando ao “delegado”, é um nome como eu disse: patético. –Ele se virou, fitando-a, puxou uma de suas mãos, macia e aveludada. –Me devolva isso.- Ela tentara puxar a garrafa de Uísque, mas Harr a segurava com força.
-Não. –Ele pegou a garrafa e bebeu mais alguns goles.
-Por favor! Devolva.
-Não! –Harry se inclinou e em seguida atirou a garrafa para o teto, havia uísque jorrando para todos os lados, desde as paredes, teto, até o vestido azul de Gina.
-Um bom amigo, o Hagrid. Quando paga a ele pra ser agradável?
-Acha que eu preciso subornar para ter amigos? Hagrid é diferente, ele é um homem legal. Quase, quase um pai.
-Veja quem foi que quase abriu seu coração desta vez!
-Quase. Você adora essa palavra.
-Tanto quanto você fala patético. Nem considero um insulto, você pode fazer melhor. -Gina se levantou, a conversa não os levaria a lugar nenhum e ela continuava magoada.- Pode pegar seu cavalo idiota, eu já sei o caminho e prefiro ir sozinha. Acho que quem paga agora é você.
-E você a deixou? Apenas saiu com seu cavalinho estupido deixando-a? –Rony se levantou.
-É. Acho que agora você finalmente entendeu.
-Eu posso me arrepender de dizer mas... Acho que eu preferiria Malfoy a você! -Harry puxou uma cadeira e se sentou.- O problema não é você e minha irmã se casarem, o problema é você ser um cara assim... E se você magoá-la, eu te mato. –Ele estava serio, pareci desapontado, mas não surpreso.
-Vamos deixar as ameaças pra outra hora. Você é meu amigo e eu acho que ao invés disso você devia me ajudar, já que é tão esperto.
-Duas semanas já se passaram, e temos poucos dias. Talvez meus pais resolvam te dar uns dias a mais, ou alguns dias a menos mas eu acho que essa grosseria e ignorância não vão te levar á onde você quer chegar.
-Se você quer romantismo e sutileza, pode preferir o Malfoy mas eu em algum momento pedi pra eles mandarem uma garota da França pra se casar comigo? Eu pedi, Ronald? –Rony tinha aberto a boca e ia começar a falar mas foi interrompido por Harry. –Não é só por que ela é sua irmã que eu vou medir as palavras, está ouvindo? Eu sei que ela também não pediu pra isso acontecer mas não tem um jeito de apressar as coisas ou só... Acabar com tudo de uma vez por todas?
Harry ouviu alguém bater na porta, os passos leves e cautelosos pelo corredor e finalmente Gina aparece pelo corredor, estava pálida- sim, ela tinha ouvido a conversa, pela menos uma parte- mas como previsto, entrou ansiosa pra cumprimentar o irmão.
-Rony! –Ela correu, abraçando-o- Por que não me avisou sobre... –Ela se virou pra Harry. –O que vocês estavam fazendo?
-Você não acha que se fosse pra você saber, falaríamos diretamente a você?
-Pode ser... Mas me incomoda o fato de meu irmão procura-lo ao invés de procurar a mim.
-Talvez seja por que ele prefira um velho amigo á uma irmã frustrada. –Ela virou-se, se dirigindo exclusivamente a Rony como se Gina não estivesse ali. –Suponho que você não esteja a par dos fatos ocorridos nessas ultimas semanas, Rony, sua irmã saiu como uma louca varrida pelo castelo a fora até Hogsmead, e pra que? Pra tomar uma garrafa de Uísque barato!
-Olha aqui, você não tem o direito de falar sobre mim para o meu irmão. Se ele precisar souber de algo, que seja eu a contar!
-Mas como você não vai contar... Eu o faço pra você. E você não percebeu que entrou aqui interrompendo nossa conversa particular?
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