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25. O bicho papão


Fic: O preço do amor- Capítulos revisados-AGORA COM CAPA!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Mesmo sem a marca da história da reconciliação deles no pescoço de Hermione, levou menos de 45 minutos para a Sra. Weasley perceber que eles não estavam mais brigados. Ela teria descoberto mais cedo, mas o fato de Rony ter perdido o café da manhã a induzira para uma falsa sensação de segurança. Até ela colocar a cabeça na pequena sala do térreo e perceber que nada era como antes.


 


Como ela esperava, Hermione estava fazendo exatamente o que tinha sido instruída. Era Rony que estava enrolando. Ele nem tinha tocado as prateleiras superiores do armário ainda. Ele estava simplesmente parado no meio da sala, com um pano limpo na mão, olhando provocantemente para Hermione, que estava de joelhos, esfregando o chão. O olhar em seu rosto e o fato de que seus olhos estavam fixos em suas partes traseiras, eram mais do que suficientes para dar uma pista para sua mãe.


 


— Ronald Weasley! – ela sibilou, pouco antes de se lançar em sua direção, agarrá-lo pela orelha e puxá-lo para fora da sala.


 


— O qu...? – ele começou a protestar e depois, rapidamente, mudou o tom – AAIIII! MAMÃE!


 


Completamente surpresa, Hermione se virou para ver o que causava aquela comoção toda, mas Rony e sua mãe não estavam em nenhum lugar onde pudessem ser vistos. Largando a escova no balde de água ao seu lado, ela se levantou e foi para a porta bem em tempo de ver a Sra. Weasley empurrar o filho em direção às escadas. Ela não fazia ideia do que tinha acontecido, mas o que quer que ele tenha feito era ruim o bastante para sua mãe separá-los.


 


Rony não retornara quando ela terminou com o chão e com a estante de livros, o que significava que provavelmente ele não voltaria. Com suas tarefas completas, Hermione decidiu que devia cuidar do armário sozinha.


 


                              ***


 


Molly Weasley estava sentada na mesa da cozinha, tendo uma calma conversa com Tonks e Remo, quando um grito horripilante ecoou pela casa. Por uma fração de segundo, tudo pareceu parar, incluindo seu coração. Deixando o copo cair de sua mão, Molly pulou da cadeira e correu para as escadas com os companheiros em seus calcanhares.


 


— NNNNÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO!


 


Na hora em que os três chegaram ao saguão, o retrato da Sra. Black estava praguejando irritada, mas mesmo seus berros não eram o bastante para abafar os gritos angustiados que vinham da sala diretamente à sua frente. Ignorando o retrato, Molly entrou explodindo pela porta da sala, onde encontrou Hermione ajoelhada ao lado de uma pessoa de bruços.


 


— O que aconteceu? – Lupin perguntou, empurrando Molly para dentro da sala na tentativa de entrar.


 


Foi quando ela percebeu que Hermione estava ajoelhada sobre seu filho mais novo. Com um gritinho de terror, Molly cobriu a boca e sufocou um soluço.


 


— O QUE ACONTECEU? – Lupin gritou de novo, ao avançar lentamente na direção de Hermione. Era tarde demais, ele sabia. Ele tinha visto aqueles olhos abertos sem vida em muitos rostos para manter alguma esperança. Ela não precisava responder para ele saber que tinha sido a maldição Avada Kedavra. Mas ele precisava saber quem tinha feito isso e para onde tinha ido.


 


— Hermione – Lupin disse suavemente, ao se curvar ao lado dela – Quem fez isso?


 


— QUEM ENTROU NESSA SALA? – Tonks gritou para o retrato de sua tia – PARA ONDE FORAM?


 


— SUA MESTIÇA IMUNDA! SAIA DA MINHA CASA!


 


— ME RESPONDA SUA VELHA GAGÁ! ELES SUBIRAM OU SAÍRAM PELA PORTA DA FRENTE?


 


— Hermione – Lupin tentou de novo, o desespero evidente em sua voz. Mas ele também podia falar para a parede. Ela não respondia. Ela nem parecia saber que tinha mais alguém com ela na sala. Ela continuou se balançando para frente e para trás, inteiramente concentrada no corpo a sua frente.


 


— HERMIONE! O QUE ACONTECEU? – Lupin gritou, agarrando-a pelos ombros e sacudindo-a – QUEM FEZ ISSO?


 


— Vol... Vol... Voldemort... – ela gaguejou entre soluços.


 


Molly soltou um gemido e Tonks, desistindo do retrato de sua tia, foi imediatamente para o lado dela.


 


— Mamãe, ouvimos alguém gritando – Gina disse, correndo para a sala tão rápido que quase colidiu com as duas mulheres paradas perto da porta.


 


— O que acon... – seu irmão começou a perguntar quando apareceu atrás dela. A cena a sua frente era tão chocante que, por um momento, tudo que ele podia fazer era ficar parado e olhar para seu próprio corpo – QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI?


 


Todo mundo, exceto Hermione, se virou e olhou para Rony, enquanto ele tentava entender o que estava vendo. O alívio imediatamente tomou conta dos rostos dos adultos e antes que Rony pudesse dizer mais uma palavra, Molly o puxara num abraço muito apertado.


 


— Solta – Rony disse, afastando sua mãe – MAMÃE! ME DEIXA! – ele gritou, empurrando-a para chegar à sua namorada que ainda estava soluçando histericamente no chão, distraída de tudo o que acontecia a sua volta.


 


— Hermione – Rony disse, colocando as mãos em seus ombros ao se ajoelhar ao lado dela – Está tudo bem.


 


Ela não o ouvia. Ela não o via. Ela não estava lá. Ela estava perdida atrás de uma mortalha de dor. Rony percebera isso na hora em que a olhara de perto.


 


— HERMIONE! – ele gritou, agarrando o rosto coberto de lágrimas e virando-o na direção do seu – Olhe para mim – ele mandou – Eu estou bem aqui – levou um segundo ou dois, mas ele finalmente viu uma centelha de reconhecimento nos olhos dela.


 


— R-Ron? – ela perguntou, ao se jogar contra ele, abraçando-o como se sua vida dependesse daquilo.


 


— Sim – ele disse sem jeito, olhando para seu próprio cadáver enquanto a abraçava.


 


— Leve-a daqui – Lupin ordenou, se inclinando para ajudar Rony a puxar Hermione.


 


Infelizmente, a agonia de Hermione parecia aumentar enquanto o transe e o choque desapareceriam. Rony esperava que ela parasse de chorar quando percebesse que ele estava bem, mas ao invés de se acalmar, seus soluços pareciam se tornar ainda mais altos. Ela continuava abraçada a ele desesperadamente e seu corpo tremia cada vez que respirava fundo.


 


Molly ainda estava horrorizada, apesar de seu filho estar parado à sua frente, muito vivo. Ela queria se concentrar nele, mas seus olhos continuavam naquela forma sem vida contra sua vontade. E essa era só uma das batalhas internas que ela estava tendo. Mais do que qualquer coisa, ela queria tocar seu filho. Ela queria abraçá-lo e sentir que ele era real. Mas ele a tinha afastado. Ela tinha sido deixada de lado. Ela sabia que não havia nada de mal nisso. Ela podia ver isso agora, Hermione precisava do contato mais que ela. Arthur estava certo. O primeiro instinto de Rony era confortar Hermione. Todo o resto, incluindo ela, vinha em segundo lugar. Mas entender isso e aceitar não a impedia de se magoar.


 


Assim que levaram Hermione para uma boa distância, Lupin a soltou, apontou a varinha para o corpo e avançou. Ele estava a quase um metro, quando houve um barulho alto e o corpo se transformou numa brilhante esfera branca.


 


Rony soltara um risinho para si mesmo.


 


— É apenas um bicho-papão – ele disse para Hermione, o alívio claro em sua voz – Você sempre fica meio perdida quando se recupera de um bicho-papão.


 


— Cala a boca – Gina exclamou, encarando o irmão – Como você pode insultá-la numa hora dessas?


 


— RIDDIKULUS!


 


— Pelo menos McGonagall não a está perseguindo pela casa, gritando que ela ficou reprovada nos N.O.M.s.


 


— Seu insensível – Hermione resmungou contra o pescoço dele, ao esmurrá-lo fracamente no braço.


 


— Se sentindo melhor agora, não é? – Rony perguntou, visivelmente aliviado pelo fato de ela estar falando.


 


— Não – Hermione respondeu, enquanto o fogo em seus olhos era sufocado pela dor do que ela tinha visto.


 


Rony a observava desamparadamente enquanto novas lágrimas caíam por seu rosto. Irritá-la funcionara por um minuto, mas obviamente não era o bastante. Confuso pelo que mais podia fazer, ele simplesmente ficou em silêncio e a abraçou enquanto ela chorava.


 


— Talvez devêssemos deixá-los sozinhos – Tonks sussurrou para Lupin.


 


Molly parecia ter saído de um transe quando Lupin tocara seu braço.


 


— Sim, talvez seja melhor – ela concordou, balançando a cabeça e colocando o braço ao redor dos ombros de Gina – Venha, querida – ela acrescentou, levando a filha para o corredor.


 


— Era só um bicho-papão, Hermione – Rony disse novamente – Não era de verdade.


 


— Vai ser – ela respondeu tão baixinho que ele não teria ouvido se a boca dela não estivesse a milímetros de sua orelha.


 


Uma expressão de dor cobriu o rosto dele como se o significado dessas palavras o tivesse golpeado.


 


— Você não sabe – Rony respondeu, instintivamente apertando-a.


 


— Sei sim – ela disse irritada – Não se atreva a mentir para mim. Nós dois sabemos que é verdade.


 


— Hermione...


 


— NÃO! – ela gritou, empurrando-o para que pudesse olhar em seus olhos – Nós dois sabemos o que vai acontecer. Eu conheço você, Ron. Sei o que pensa. Você vai se jogar na frente do Harry para bloquear aquele maldito feitiço. Você vai se sacrificar se tiver a chance – ela disse, olhando para o chão em frente ao armário onde o corpo dele estivera.


 


— Isso pode não acontecer – Rony disse numa voz tensa. Incapaz de olhar em seus olhos, ele a puxou de volta contra seu peito e abraçou para que ela não conseguisse ver a culpa em seu rosto.


 


— Melhor você acreditar que não vai – Hermione chorou, empurrando-o – Eu não vou deixar isso acontecer. E é melhor nem pensar em me defender também – ela acrescentou os olhos queimando de fúria – Juro, se você morrer tentando me salvar, eu nunca vou te perdoar.


 


Sem pensar, ele deu um passo para longe ao olhar para ela, chocado. ‘É a dor falando’, ele pensou, forçando um sorriso fraco para ela.


 


— NUNCA! – Hermione gritou – VOU ODIAR VOCÊ PELO RESTO DA MINHA VIDA!


 


Rony empalideceu diante daquelas palavras fortes. Podia ser a dor falando, mas ela o atingira onde ele era mais frágil e isso doía. Ele a olhava com a sobrancelha enrugada enquanto lutava contra a vontade de rebater.


 


— Não vai – ele declarou depois de um silêncio prolongado.


 


— Vou sim – Hermione murmurou, enquanto a raiva diminuía e a dor preenchia os olhos mais uma vez – Eu vou – ela disse novamente, como se para reafirmara si mesma. Olhando-o através das lágrimas, Hermione podia ver que Rony não acreditava mais do que ela. ‘DROGA!’, ela pensou ao cobrir a distância entre eles e deixar a cabeça cair contra peito dele.


 


— Vai ficar tudo bem – Rony disse, abraçando-a pelos ombros suavemente.


 


— Não, não vai. Não se você... se você... não posso – ela murmurou – Não me peça para aceitar isso, porque não posso. Não vou. E não estou sendo irracional.


 


‘Ela realmente sabe o que estou pensando’, Rony pensou com um sorrisinho culpado.


 


— Me recuso a deixar isso acontecer – ela disse obstinadamente – Não vou ficar sentada enquanto aquele bastardo malvado leva embora todo mundo que é importante pra mim. Não quero terminar como o Professor Lupin. Não serei a única deixada para trás. Se um de nós tiver que morrer, tem que ser eu.


 


— NÃÃÃÃO! – Rony berrou e, para sua surpresa, Hermione começou a rir.


 


— Você não consegue viver com a minha morte mais do que eu consigo viver com a sua.


 


— NEM PENSE NISSO! – Rony gritou, olhando para ela com um misto de raiva e medo nos olhos.


 


— Vou descobrir um jeito de nos livrarmos daquele maníaco de uma vez por todas – Hermione disse, a voz cheia de determinação – Eu sei que tem um jeito. Só tenho que descobrir. E quando eu conseguir...


 


— Você não vai chegar nem perto dele – Rony interrompeu – Está me ouvindo? Essa batalha não é sua.


 


— É tão minha quanto sua – ela retrucou – E eu vou ficar bem ao lado de você e de Harry quando tivermos que enfrentá-lo.


— Não.


 


— Sim.


 


— NÃO!


 


— Você não pode me impedir.


 


— Duvido que eu não possa.


 


— Está planejando me enfeitiçar?


 


— Se for preciso.


 


— Você não vai.


 


— Vou – ‘Se for preciso’.


 


— Não vai, não.


 


‘Sim, eu vou’, ele pensou.


 


— Eu não quero brigar com você – Hermione disse, a voz tremendo levemente ao apertar o abraço – Não agora, tá? Eu não tenho forças. Podemos brigar sobre isso amanhã. Agora, eu só preciso que você me abrace. Por favor.


 


— Tudo bem, meu amor – Rony disse, soltando um suspiro ao descansar o queixo na cabeça dela.


 


— Ron?


 


— Sim?


 


— Eu nunca conseguiria odiar você – ela disse suavemente – Eu te amo.


 


                               ***


 


‘Chega’, Rony pensou quando seu estômago roncou ameaçadoramente mais uma vez. Ele sabia que tinha perdido o almoço e nem se preocupava. Não tinha a menor intenção de abandonar seu lugar no sofá, não importava o quão alto seu estômago pudesse protestar. Hermione não falara muito desde que ele a levara para estudar no primeiro andar, mas isso não importava. Ele não precisava falar para confortá-la. Contanto que ficasse sentado ao lado dela, ela estava contente.


 


Felizmente, sua mãe estava um passo à frente dele, o que não era nenhuma surpresa. Ela olhou para Hermione pelo canto do olho ao entrar na sala e colocou a bandeja de sanduíches na mesa em frente ao sofá.


 


— A faça beber esse chá todo – Molly disse ao filho, baixinho, ao sair.


 


Deu um pouco de trabalho, mas vez ou outra Rony conseguia fazer com que ela bebesse. Ele sabia que o único motivo para ela beber era calá-lo, mas isso não importava, na verdade. O importante é que ela bebera. Até ela terminar, ele não tinha percebido que não era um chá normal. Sua mãe, obviamente, colocara alguma coisa nele, provavelmente uma poção do sono, porque ela ficara estranha assim que abaixou a xícara.


 


Rony ficou sentado lá, com a cabeça de Hermione apoiada em seu ombro, e considerou deixá-la dormir no sofá. Mas, no final, ele decidiu que podia não ser uma boa ideia. Seus irmãos deviam chegar logo e ele não queria que eles a perturbassem.


 


— Mione? – Rony disse, cutucando-a gentilmente. Ele não esperava mesmo que ela acordasse, mas não custava tentar. Com suas suspeitas sobre o chá confirmadas, ele percebeu que o único jeito de levá-la para a cama era carregá-la.


 


Não era uma tarefa difícil. O quarto dela ficava a poucas portas do corredor e ela não pesava quase nada. A parte mais difícil era abrir a porta do quarto enquanto ela ainda estava em seus braços. Uma vez entreaberta, ele só abriu com o pé e a carregou para dentro.


 


O olhar furioso que ele recebeu do grande gato ruivo que estava dormindo no meio da cama dela fez Rony parar no meio do caminho.


 


— Saia – ele mandou, recusando-se a deixar o gato intimidá-lo.


 


Bichento se desenrolara e levantara vagarosamente. Mas em vez de fazer o que foi mandado, ele olhou para Rony com audácia e fincou as unhas num ponto ao se espreguiçar.


 


‘Esse desgraçado está me ameaçando’, Rony pensou, estreitando os olhos.


 


— Última chance, bola de pelo – ele alertou se aproximando da cama – Saia ou eu vou achatar você. E pare de me olhar assim – ele acrescentou quando o gato de Hermione caminhou para os pés da cama e sentou com o rabo balançando – Eu não planejei isso. Como eu ia saber que não era um chá normal?


 


‘Certo, é oficial’, Rony pensou ao colocar Hermione na cama e tirar seus sapatos. ‘Você passou dos limites, cara. Recomponha-se. Você está dando satisfações para um maldito gato’.


 


— Você pode me olhar o quanto quiser – Rony disse ao sentar na beira da cama de Gina e observar Bichento se recolocar ao lado de Hermione como um tipo de sentinela silencioso – Mas eu não vou a lugar algum. Então você pode se acostumar também.


 


                             ***


 


Hermione estava acordada no quarto escuro, abraçando o travesseiro enquanto tentava desacelerar sua respiração. Lágrimas ferroavam os cantos dos seus olhos ao enterrar a cabeça e mentalmente se repreender. ‘Era só um sonho’, ela lembrou a si mesma pelo que parecia a centésima vez. Mas por algum motivo saber daquilo não a confortava muito. Podia ter sido um sonho, mas foi assustadoramente real.


 


Deitada lá, ouvindo a calma respiração que vinha da cama de Gina, ela não pôde evitar sentir inveja da paz que sua companheira de quarto encontrava em seu sono. Claro, não tinha como dizer quanto tempo duraria. Hermione sabia que Tom Riddle ainda assombrava sua amiga nos sonhos. Não acontecia tão frequentemente quanto nos verões passados, mas ele se mostrava presente.


 


Com um suspiro, Hermione desceu da cama e apanhou o roupão. Dormir não era uma opção para ela. Não esta noite, ao menos. Toda vez que ela fechava os olhos, as imagens do sonho passavam em sua cabeça. O lampejo de luz verde. A pancada repugnante que o corpo dele fez ao cair no chão. Os olhos dele. Aqueles penetrantes olhos azuis que normalmente eram cheios de vida, risadas e travessuras, olhando para ela, apagados, vazios, sem vida.


 


O corpo de Hermione tremeu involuntariamente ao revê-los. Para afastar a imagem que a atormentava, ela pegou o primeiro livro que viu na mesinha de cabeceira e saiu do quarto.


 


Foi só quando chegou ao escritório que ela olhou para o título do livro que carregava e quase o derrubou de susto. “Maldições que Matam”. De todos os livros que ela tinha no quarto, ela tinha que pegar justamente esse. O destino era cruel. Gui tinha devolvido para ela exatamente naquela manhã. Ela estava com tanta pressa para chegar ao quarto de Rony que o atirou em cima de seus livros de escola em vez de colocá-lo em seu malão, que era o lugar onde deveria ficar. E agora ele estava em sua mão, zombando dela.


 


Ela definitivamente não ia ler aquele livro esta noite. Por um momento, Hermione considerou voltar para o quarto e procurar por alguma outra coisa para se distrair, mas não quis arriscar acordar Gina.


 


O que ela realmente queria era Rony. Ela queria fugir para o quarto dele, subir em sua cama e abraçá-lo com força. Queria sentir o calor do corpo dele. Queria ouvir os batimentos ritmados do coração dele. Queria ver seu peito subir e descer a cada respiração. Se ao menos houvesse um jeito de fazer isso sem acordá-lo. Mas isso era impossível.


 


— Não, não vou fazer isso – ela murmurou ao se forçar a descer as escadas. ‘Talvez um copo de leite quente’, ela pensou, indo em direção à cozinha.


 


Somente quando estava quase em frente à porta da cozinha que ela percebeu que havia uma luz vinda do outro lado. Não sabia muito bem que horas eram, mas sabia que devia ser pelo menos duas ou três da manhã. Os membros da Ordem surgiam o tempo todo sem anunciar, mas mesmo assim, era muito tarde para uma reunião.


 


Com o ouvido na porta, Hermione procurou por algum sinal de vozes, mas a cozinha estava silenciosa. Ainda assim, alguém obviamente estava lá. Ela podia ver a luz passando pela fenda embaixo da porta. ‘Talvez eles tenham colocado um feitiço imperturbável na porta’, ela pensou, empurrando-a de leve. ‘Ou não’, ela acrescentou ao abrir e ver a Sra. Weasley sentada sozinha na mesa.


 


— Não consegue dormir, querida? – a Sra. Weasley perguntou, baixando a xícara de onde estava bebendo.


 


— Pesadelos – Hermione admitiu, se forçando a entrar na cozinha e sentar à mesa.


 


— O bicho-papão? – a Sra. Weasley pressionou.


 


Ao invés de falar, Hermione deixou os olhos caírem para a mesa e concordou com a cabeça.


 


— Tome um pouco de chá, querida – a Sra. Weasley disse, levantando-se, pegando uma chaleira do fogão e enchendo uma xícara — Isso vai ajudar — ela acrescentou, voltando à mesa e colocando a caneca em frente a Hermione.


 


— Não... não, obrigada — Hermione disse, olhando para o líquido marrom em frente a ela com medo. Ela sabia que a Sra. Weasley estava só tentando ajudar, mas ela não ia tomar mais aquele chá. Ele podia fazê-la dormir, mas também lhe tirava a habilidade de reagir às coisas a sua volta e isso podia ser perigoso.


 


Mais cedo naquela mesma noite, ela ouvira Gina tentando acordá-la para o jantar. Sua mente estava ciente. Ela ouvira cada palavra que Gina dissera, mas seu corpo simplesmente se recusava a obedecê-la. Sua pálpebras estavam tão pesadas que ela dificilmente conseguiria abri-las. Ela queria levantar, mas não conseguia. De jeito nenhum ela deixaria isso acontecer de novo. Certamente as chances de o Largo Grimmauld ser atacado eram pequenas, mas ela estaria louca se deixasse algum Comensal da Morte encontrá-la em um estupor induzido por uma poção.


 


— Vai ajudar — a Sra. Weasley disse novamente de modo tranquilizador — É uma mistura especial — ela acrescentou — Para noites sem sono. Gina passou por isso depois que... — ela parou incapaz de mencionar Riddle ou seu diário — Você não terá mais pesadelos — ela prometeu a Hermione com um sorriso encorajador.


 


— Como você faz isso? — Hermione perguntou, pegando a xícara e fingindo tomar um gole.


 


— Faço o quê, querida? – a Sra. Weasley perguntou, tomando um grande gole de seu próprio chá.


 


— Como vive com esse medo constante? — ela melhorou a pergunta.


 


A pergunta foi tão direta que pegou a Sra. Weasley de surpresa. Seus olhos se abriram um pouco mais ao baixar a xícara e olhar para Hermione de forma avaliadora por um momento. Ela estava triste pelo fato de alguém tão jovem ter que lidar com tanto. Seu primeiro instinto era protegê-la, mas no fundo ela sabia que era tarde demais para isso. Ela reconheceu a dor nos olhos da menina e soube que nada que ela fizesse iria acabar com isso.


 


— Eu queria que existisse algum truque que eu pudesse ensinar a você, – a Sra. Weasley respondeu, ao sentar-se em sua cadeira e observar Hermione — mas não há. Você apenas vive com isso, porque você não tem outra escolha.


 


— Às vezes isso me enche — Hermione disse sinceramente — Fico preocupada com os meus pais e com o que vai acontecer a eles. Fico preocupada com Harry e o que isso tudo está fazendo a ele.


 


— Sim – a Sra. Weasley suspirou — Estamos todos preocupados com Harry.


 


— Ele tem passado por tantas coisas e, agora com a morte de Sirius... ele se culpa. Ele não vai falar com nenhum de nós sobre isso. Está nos afastando e tentando superar sozinho — Hermione disse, antes de perceber o que estava revelando e se forçando a parar.


 


— E você está preocupada com Rony? — a Sra. Weasley perguntou, depois de um silêncio prolongado.


 


— Sim — Hermione admitiu, mas estava relutante em falar mais. Não podia dizer exatamente para a mãe dele que ela tinha medo que o motivo de Rony não se esforçar mais, ou fazer planos para o futuro, era porque ele não achava que teria um.


 


Sentada lá, fingindo beber o chá, os olhos de Hermione se desviaram para o livro que ela colocara em cima da mesa — Não vou deixá-lo fazer isso – ela sussurrou para si mesma, ao baixar a caneca.


 


— Fazer o quê, querida?


 


— Jogar sua vida fora — Hermione respondeu tranquilamente.


 


— Quem, querida? — a Sra. Weasley perguntou com uma expressão aflita. ‘Ela só pode estar falando de Harry’.


 


— Vou encontrar um jeito de evitar — Hermione respondeu com raiva, os olhos ainda no livro.


— Você não pode bloquear a maldição Avada Kedavra – a Sra. Weasley disse, o coração batendo mais rápido ao ver as palavras Maldições que Matam na capa do livro de Hermione.


 


— Vamos ver — Hermione disse a voz dura de determinação.


 


A Sra. Weasley estava tão surpresa com a teimosia e o ar desafiador que viu queimar nos olhos de Hermione que, por um momento, não soube como responder. O olhar no rosto dela era suficiente para mostrar o quanto ela estava falando sério. Estupefata, a Sra. Weasley apenas ficou lá sentada e observou Hermione se levantar da cadeira, pegar o livro da mesa e sair da cozinha.

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