Esse capítulo contém trechos da música Criminal - Britney Spears, diferentemente do prólogo que eu utilizei versos da música Broken Strings - James Morrison ft. Nelly Furtado.
Harry Potter e cia. não me pertencem!
Boa leitura ;)
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Hermione Granger era o tipo de mulher que qualquer pessoa que conhecesse Draco Malfoy diria que ele desprezaria. Não era alta e loira, não tinha pernas longas ou olhos azuis brilhantes, muito menos uma conta bancária enxuta. Pelo contrário, era de estatura mediana, morena, com pernas normais, olhos castanhos e uma conta bancária razoável. Normal era o que a definia e Draco Malfoy nunca se interessava por aquilo que era considerado comum.
No entanto, sabe-se que o fruto proibido é sempre o mais interessante e isso fazia jus a Hermione. Ingressara em Oxford com notas máximas, rapidamente ganhou a admiração do corpo docente por seu brilhantismo, logo se tornou conhecida pelos seus colegas pela perspicácia e é claro por ser namorada de Harry Potter, o garoto de ouro de Oxford, literalmente, pois descendia de uma das famílias mais influentes e ricas da Grã-Bretanha e ainda por cima era conhecido por sua benevolência e beleza.
Draco Malfoy e Harry Potter se conheciam desde a infância já que participavam do mesmo círculo social, portanto era de se esperar que ambos fossem amigos. Era, já que na verdade detestavam-se. As más línguas diziam que quando criança Draco tentou ser amigo de Potter, contudo humilhou o jovem Ronald Weasley – fiel companheiro de Harry – o que o desagradou, logo quem acabou sendo dispensado fora o próprio Draco. Segundo as fontes, o garoto Malfoy até então nunca tinha deixado de conseguir o que desejava, e perdeu de maneira estúpida a chance de ser amigo do menino mais bem visto e posicionado da sociedade além dele, o que o deixou furioso. Outro fator importante foi a crescente rivalidade entre a família Potter versus a família Malfoy.
A primeira, originalmente britânica, sempre foi reconhecida pelos inúmeros projetos de proteção aos direitos humanos oriundos da Segunda Guerra Mundial, apoio a diversos órgãos da ONU, famosa por inúmeras doações aos necessitados e obviamente pelo pioneirismo na área petroquímica o que tornou a pequena empresa em uma gigante companhia. Era a típica família para inglês admirar.
Já a segunda, originalmente francesa, possuía uma mancha desagradável em seu passado, pois fora duramente criticada no período Pós - Segunda Guerra devido ao apoio aos nazi-fascistas e de denúncias sobre abuso de poder nesse período. O enlace do primogênito Lucius Malfoy com a caçula dos Black, Narcissa, foi uma sagaz oportunidade de purificar o nome dos Malfoy perante todos, e claro unir dinheiro e poder já que a família Black apesar de toda aparência passava por difíceis tempos. Após o matrimônio, Lucius passou a tomar conta do patrimônio dos Malfoy e começou a explorar diamantes na África, os famosos diamantes de sangue, o que novamente fez a família ser manchete de inúmeros escândalos. Passada a desordem, Lucius resolveu investir na área petroquímica, que estava em seu auge, portanto tornou-se concorrente direta da Cia. Potter.
James Potter achara isso uma deslealdade da parte de Lucius, afinal ambos estudaram juntos em Eton e Oxford e Malfoy sabia muito bem dos planos da família Potter para James e a corporação, tendo a intenção de transformá-la na maior companhia petroquímica do Reino Unido, agora Lucius resolvia investir na área dele.
Intrigas a parte todos sabiam que o repentino investimento da família Malfoy na área petroquímica afetou a relação com os Potter, porém ambos fingiam que tudo corria normalmente.
Anos se passaram e já não era mais segredo para a sociedade a competitividade entre as famílias Malfoy e Potter.
Draco Malfoy e Harry Potter representavam com perfeição cada família.
Não era novidade que Draco Malfoy sempre cobiçou o que pertencia a Harry Potter e com Granger não era diferente.
Ele a teria a qualquer custo.
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Era quarta-feira quando Hermione resolvera ficar estudando até mais tarde na biblioteca da universidade para uma prova que teriam e esta ocorreria dali a dois dias. Harry protestou veementemente e quase discutiu com a namorada, contudo sabia como a garota era teimosa e que ela não mudaria de idéia, até tentou a convencê-la a estudarem juntos, o que foi negado por Hermione em primeira instância afirmando que a última coisa que fariam juntos seria estudar. Porém a fez prometer que iria embora de táxi sem pegar carona com qualquer outra pessoa.
O que ambos não perceberam é que alguém escutava atentamente todo aquele diálogo.
“Quando o gato sai, o rato brinca. Divirtam-se roedores.” – Gossip Girl
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Já passava das 22:00 quando Hermione se deu conta que precisava voltar para casa. Morava em um pequeno apartamento não muito distante dali e poderia ir facilmente caminhando, mas o horário e a chuva que caía naquele momento a impedia. Não era a famosa chuva britânica, era uma verdadeira tempestade com fortes raios e trovões. Por mais que odiasse admitir ela detestava tormentas, sentia-se como uma criança indefesa e se tinha algo que ela não gostava era de relembrar sua infância.
Saiu a passos rápidos da biblioteca com medo de ficar sem transporte com isso acabou não percebendo que alguém a seguia discretamente. Chegou à entrada da universidade e começou a procurar algum táxi que teimosamente não passavam. Fazia cerca de 20 minutos que estava ali e nenhum sinal do táxi enquanto isso a chuva apenas piorava deixando-a ainda mais apavorada.
“Quem está na chuva é para se molhar, literalmente.” pensou Hermione, assim resolveu caminhar em meio daquela tempestade. Andava quase correndo em uma fracassada tentativa de chegar mais rápido ao seu destino, no entanto a água começou acumular em seu calçado e suas roupas, atrapalhando-a. De repente, um luxuoso carro preto encostou ao seu lado.
Seu coração começou a disparar, afinal por que aquele carro estava parado ali? O vidro fumê desceu lentamente revelando um elegante homem dentro do carro.
I know you told me I should stay away
(Eu sei que você me disse que eu deveria ficar longe)
I know you said he's just a dog astray-ay
(Eu sei que você disse que ele é só um cão perdido-do)
– Carona? – o desconhecido oferecera.
– Não aceito caronas de desconhecidos. – respondera rudemente.
– Granger, largue de frescura tudo que você ganhará é uma pneumonia desse jeito.
A garota arqueou as sobrancelhas e indagou:
– Como me conhece?
– Sou de Oxford também, temos aula de Penal juntos. – Inclinou-se afim de que Hermione o reconhecesse, o que funcionou, ela se lembrara dele. – Vamos lá, essa tempestade está piorando cada vez mais e sua indecisão está me custando o banco do carro.
Ainda hesitante e não muito convencida, Hermione adentrou no carro e pode conferir que realmente conhecia o homem.
– Onde lhe deixo?
– Duas quadras após o St.Peter’s College.* A propósito, como me conhece? – questionou.
– Já disse fazemos aulas de Penal juntos. Curso Direito também. – respondeu calmamente.
– Mesmo assim – continuou – Nunca havíamos conversado. Como sabia o meu nome? – perguntou de forma intimadora.
– Nunca conversei com pelo menos dois terços da sala. – respondeu - Você é famosa na universidade, Granger. – dera um sorriso de lado enquanto a garota arqueava as sobrancelhas – Você é a Sabe-Tudo de Oxford, Nove em cada 10 professores já mencionaram você durante alguma aula além do que é namorada do Potter. – falou a última parte de maneira desgostosa.
He is a rebel with a tainted heart
(Ele é um rebelde com um coração estragado)
And even I know this ain't smart
(E até eu sei que isso não é bom)
– Algo contra? – perguntou irônica.
– Em quais partes? – respondeu debochado.
– Diria em todas, mas principalmente na última, você fala de modo como se conhecesse Harry intimamente...
– Conheço Potter há algum tempo, mas não somos amigos. – respondeu seco.
– Percebe-se pela maneira como você se refere a ele.
– Chegamos. – disse o homem a fim de extirpar o assunto.
– Obrigada. – disse humildemente – Você sabe quem eu sou, mas eu ainda não sei seu nome.
– Anthony Patch.**
– E eu sou Gloria Gilbert***.
– Se você diz...
– Ok, Sr. Mistério – sorriu - Não vou insistir mais. Novamente, obrigada pela carona.
– Por nada, Granger. – respondeu o loiro sorrindo – Nos vemos na universidade.
Após isso o carro saiu em disparada pelas tranqüilas ruas de Oxford.
–X-
– Harry, Cadê a Mione? – perguntou um ruivo de encantadores olhos azuis.
– Eu não sei, Ron. Falei com ela ontem às 19h, ela disse que ainda estava aqui terminando de estudar e que logo iria para casa, mas você a conhece, eu duvido que ela realmente tenha ido àquela hora. Estou preocupado. – admitiu – Liguei várias vezes e vai direto para caixa postal.
– Você precisa fazer algo, Harry. – cochichou Ron – Mione nunca se atrasa quanto mais perde aula, principalmente Penal.
– Eu sei disso. Não me coloque mais pressão. Minha vontade é sair daqui e ir atrás de Hermione, mas não posso. Snape me odeia e não preciso dar mais motivos a ele. Fique quieto senão nós dois nos ferraremos. – pediu.
Severus Snape era o temido professor de Direito Penal, era conhecido pela extrema inteligência e cobrança, e claro possuía a fama de ser o carrasco de Oxford tanto que os índices de exame e reprovação em sua disciplina eram elevados. Não era dado a favoritismos com exceção de Malfoy, detestava Harry e não tinha nenhum pudor em disfarçar.
– Atrapalho, Sr.Potter? – indagou Snape – Caso o senhor acredite que a minha aula seja irrelevante sinta-se a vontade para se retirar.
– Desculpe, professor. – respondeu Harry discretamente.
– Então feche a boca enquanto eu estiver falando. Estejam cientes que isso vale para todos: Qualquer tentativa de atrapalhar minha aula, juro que farei a vida desse estudante um inferno até o final do curso. – afirmou perigosamente –
Passado o aviso, Snape continuou sua aula tranquilamente e todos prestaram mais atenção do que o normal devido ao ultimato do professor.
Estaria tudo bem caso Hermione tivesse chegado e Malfoy não estivesse olhando tanto para a direção de Harry e Ron de maneira que os garotos perceberam. Harry iniciou uma conversa com Ron através de um papel.
– Sabe o que Malfoy perdeu aqui? - H.
– Não, achei que VOCÊ soubesse. Ele aprontou alguma? - R.
– Não, ele está muito quieto. Deve estar tramando algo. – H.
– Você já avisou Hermione sobre ele? – R.
– Não. Ainda não. – H.
– Então faça logo, não queremos que ela tenha o mesmo fim que Laureen não é mesmo? – R.
– Por favor, não me lembre disso. – H.
– Certo, no entanto o aviso está dado. Fale logo a Hermione sobre ele. – R.
– Ok. – H.
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Hermione quase corria pelos corredores em uma tentativa de chegar a tempo para a última aula de Penal antes do teste, contudo falhara. Chegou alguns minutos após o professor fechar a porta, desde que fosse outra aula ela entraria tranquilamente sem problema algum, entretanto sabia como Snape era e que ele não a pouparia de um sermão perante toda a classe.
Enquanto esperava resolveu ler sobre a matéria que Snape provavelmente estaria explicando, todavia os 50 minutos nunca lhe pareceram passar tão lentamente. Finalmente, a aula findara e os alunos saíam calmamente. Viu o loiro da noite anterior sair e ir em sentido contrário onde ela estava.
Realmente, ele não mentira. – pensou Hermione, logo resolveu ir em sua direção, porém escutou um grito.
– Hermione! – virou-se e encontrou um Harry alarmado - O que aconteceu? Fiquei preocupado, você está bem? – Disse enquanto a envolvia em um caloroso abraço.
– Hey, acalme-se. – deu-lhe um selinho – Estou bem, por que você está assim? –abraçou-o. – Já cheguei, houve um pequeno imprevisto, mas estou bem. – disse sorrindo.
– Você nunca chega atrasada quanto mais falta aula, Mione. Falei com você ontem à noite antes daquele temporal acontecer, depois não nos falamos mais. Liguei milhares de vezes e você não atendia... Não acha que eu tinha motivos para ficar assim? – respondeu.
– Pare de manha, Sr.Potter – disse rindo – Tire essa zanga de seu rosto por que não combina contigo. – brincou – Eu acordei atrasada, meu bem. Estava tão cansada que quando cheguei em casa não lembrei de ligar para você, me desculpe sim? – beijaram-se até serem interrompidos por certo ruivo.
– Cof, cof. Srtª. Granger não sabe que beijos nos corredores de Oxford é proibido? – disse imitando uma antiga professora que ele e Hermione tiveram quando crianças - Principalmente quando a Srtª não cumprimenta o seu lindo amigo ruivo. – brincou.
– Ron – desvencilhou de Harry e abraçou-o – Seu palhaço... Está bem?
– Sim, Mione. O que aconteceu com você?
– Perdi o horário – respondeu pela enésima vez – O que perdi na aula? – perguntou afim de terminar com o assunto.
– Nada demais para você, exceto que Snape deu um sermão em Harry.
– O que você fez, Harry? – perguntou séria.
– Eu estava conversando com Ron sobre o porquê de você não estar na aula – admitiu – Snape aproveitou-se desse acontecimento para dar uma bronca em mim para não perder o costume. – resmungou.
– Sei... – ela disse – Espero que vocês não tenham discutido.
– Claro que não. Snape me odeia e como ele mesmo falou fará um inferno na vida de quem o perturbar, por mais que minha vontade fosse de sair de sua aula, a razão falou mais alto.
– Hum... Qual o próximo período de vocês? – questionou visto que ambos eram da mesma sala.
– Horário vago e você? – respondeu Harry.
– Economia política, preciso ir. Vejo vocês mais tarde. Cuidem-se. – despediu-se de Harry com um beijo e de Ron com um abraço.
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A caneta corria rapidamente pela folha do caderno em uma tentativa de anotar os possíveis tópicos de uma futura prova. A sala estava escura devido aos slides que o professor exibia e Hermione inexplicavelmente sentia calor. Estavam em pleno outono, contudo um pequeno suor roçava entre suas pernas o que fez a castanha se perguntar por que estava usando aquele maldito jeans. A fim de amenizar aquele incomodo, resolveu retirar o pequeno cardigã verde que usava, entretanto o resultado ainda não fora suficiente assim abriu dois botões da camisa que usava.
– Granger, por mais que a ideia seja tentadora a sala de aula não é o melhor lugar para começar um striptease. – uma voz rouca disse em seu ouvido o que quase a fez cair da cadeira, e provocou uma risada baixa e sensual do desconhecido. Virou-se e viu que o “desconhecido” era o homem da carona.
– Algum problema, Srtª. Granger? – indagou o professor e ela indicou que não com a cabeça de modo que o professor continuou sua aula.
– O que quer? – perguntou séria encarando loiro o que a fez reparar como ele era bonito. Possuía traços marcantes, mas nenhum pouco desagradável, o cabelo era de um loiro platinado quase branco contrastando com o negro de Harry, já seus olhos eram lindos, não eram verdes como o de Harry que lhe transmitiam uma paz e pureza infinita, mas eram de um cinza inexplicável com um brilho de auto-suficiência, poder e por que não dizer malícia.
“Fala como um anjo, se veste como um anjo... Mas é o diabo disfarçado.” – Gossip Girl
– Se você continuar me encarando desse jeito vou acreditar que está afim de mim, Granger. – disse sorrindo.
– Quanta prepotência, Sr. Mistério. – respondeu – O que está fazendo aqui?
– Vim declarar-me para você. – respondeu sério e viu a garota arregalar os olhos – É óbvio que o mesmo que você, Granger. Estou estudando ou fingindo que estou de maneira mais convincente que você. Vire para frente caso não queira mais uma advertência do professor, pois ele está olhando para nós – cochichou. Contrariada, Hermione virou-se rapidamente, no entanto não foi rápida o suficiente.
– Srtª. Granger e Senhor...? – disse o professor
– Malfoy, senhor. – respondeu o loiro
– Srtª. Granger e Sr. Malfoy há algo que queiram compartilhar com o resto da turma? – questionou o professor.
– Não. – responderam em uníssono
– Portanto, calem-se!
Pelo menos Hermione descobrira o sobrenome do desconhecido: Malfoy, mal desconfiava que fosse o início de seus problemas.
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Notas:
* St.Peter’s College existe e é um colégio próximo a universidade de Oxford.
** Anthony Patch é o protagonista do livro "Os Belos e Malditos" de F. Scott Fitzgerald.
*** Gloria Gilbert também é uma personagem do livro "Os Belos e Malditos" de F. Scott Fitzgerald.
Caderninho azul: Caroools, obrigada pelo comentáário *---*
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