“O último inimigo a ser aniquilado é a morte”
Adeus...
O silêncio tomava conta da fria casa. A solidão, como sempre, o atormentava e, mesmo longe de Askaban, sentia-se preso, mais uma vez precisava ser forte. Bebeu mais uma dose de vinho, sua única companhia. Olhou distraído para a parede do quarto, nela uma fotografia lhe chamou a atenção, entre os sorrisos de Harry e Rony, escondia-se o olhar discreto de Hermione.
Sírius levantou-se e retirou o pequeno porta retrato da parede. O olhou fixamente, eram raros os momentos que se permitia olhar para ela. Tão jovem, tão bonita, quase angelical...
Passou as mãos pelos cabelos. Tentava inutilmente controlar seus pensamentos. Seus desejos.
-Maldição! – Falou para si mesmo.
Ela era apenas um menina e, mesmo assim, a desejava, a queria para si. Andava de um lado para o outro em seu quarto quando percebeu alguém entrar.
-Belatriz... – Se surpreendeu. – O que faz aqui?
-Interrompi algo? – Perguntou a bruxa sinicamente apontando com a varinha para a foto.
Sírius a ignorou por completo. Ela se aproximou dele.
-É assim que você trata a sua priminha? Você não costumava ser assim quando éramos jovens.
-Eu não costumava ser várias coisas quando éramos jovens, mas a vida me ensinou, da pior maneira, que não devemos confiar em ninguém, principalmente se for da família.
Ele aproximou-se dela a ponto de sentir a sua respiração. Belatriz estava mais nervosa do que o normal.
-Vou perguntar mais uma vez: o que faz aqui?
Ela quase encostou sua boca na orelha de Sírius. Sua voz estava trêmula e rouca.
-Não vá atrás de Potter hoje, deixe-o cumprir o seu destino.
-Sempre louca, sempre insana. Quem você pensa que é para me pedir algo? – Alterou-se.
-Não me obrigue a matá-lo. Não me obrigue. – Ela gritou descontrolada.
Belatriz empunhou a sua varinha no pescoço de Sírius.
-Não quero matá-lo, não quero matá-lo, não quero matá-lo... - A fala da bruxa foi ficando baixinha e devagar.
Sírius compreendeu. Ela deveria matá-lo a pedido de Voldemort.
-Você não precisa me matar. Você não precisa obedecê-lo.
As palavras de Sírius a despertaram do transe em que se encontrava.
-Lord Voldemort é meu senhor! – Gritou. – Jamais desobedecerei uma ordem dada por ele.
-Então você terá que me matar. – Gritou Sírius também. – Aproveite Bella! Mate-me agora! Acabe com isso. – A desafiou de braços abertos.
Os olhos de Belatriz tremeram. Sua pele avermelhou. Desesperada, ela se jogou aos pés dele e abraçou suas pernas.
-Não me obrigue. Eu não quero matá-lo, não posso matá-lo.
-Seu argumento é fraco prima. Se Potter precisar, estarei lá.
Ela levantou-se abruptamente, subindo pelo corpo dele como uma serpente. Ao chegar perto do rosto de Sírius, passou a língua em seus lábios.
-Seu gosto ainda é bom. – Disse maliciosamente. – Não quero matá-lo porque você já me proporcionou momentos de profundo prazer.
Sírius a empurrou nervoso.
- Todos cometemos erros. – Afirmou.
As palavras dele a feriram por dentro. Ela fechou os olhos e respirou profundamente.
- Suas palavras são vazias. – Disse. – Sei o que é desejo, sei o que é prazer. Sei o que lhe proporcionei. Você não quer reconhecer, mas comigo você se libertou dos preconceitos idiotas de nossa família, comigo você descobriu o sexo, o prazer, a luxúria.
Ela foi ao encontro dele, o abraçou fortemente e lhe deu um beijo.
-Adeus. - Ela disse.
-Nos encontramos na hora de minha morte. – Ele respondeu secamente enquanto passava uma das mãos na boca, como se quisesse limpá-la do beijo.
-Será um prazer... – foram as últimas palavras de Belatriz antes de aparatar.
Sírius olhou para o relógio. O tempo havia esgotado. Ele foi ao antigo quarto de sua mãe, abriu o cofre e de dentro pegou uma linda corrente com um brilhante. Não era um brilhante qualquer, era uma espécie de amuleto, somente os Black o possuiam.
Se ele realmente morresse, queria deixar algo especial para Hermione. Não teria tempo para esperá-la crescer um pouco mais. De alguma forma queria protegê-la. Escreveu um bilhete e o colocou em um envelope endereçado à Minerva com os dizeres:
Entregue à Hermione quando ela estiver em um momento de profunda dúvida. A luz do colar a guiará pelo melhor caminho.
Sírius.
Mais uma vez ele olhou para a foto. Nela, a mais encantadora e inteligente bruxa que já havia conhecido.
Seu destino já estava traçado. Harry Potter precisava de sua ajuda. Foi ao encontro dele. Jamais regressou.