Tic-Tac, Tic-Tac.
O relógio continua marcando a hora, não importa se ela está aqui ou lá.
Não importa se digam que ela não deveria estar aqui, mas não aqui, naquela sala, o aqui que ela não deveria estar era aqui a respirar. Era lá que deveria estar, quer dizer, era lá que dizem que deveria esta.
Mas se não deveria estar, por que estava? Não, não, isto estava errado. Então para onde ir? Aqui ou lá?
“Lá” – Diz uma voz sempre quando o relógio mostra o agora.
- Lá onde? – Pergunta Alice como sempre.
“Lá onde quer que seja!” – A voz feminina debochava e ria.
“Não faça isso, ela precisa saber, senão como irá chegar?” – A voz masculina, sempre ranzinza respondia.
“Não seja estraga prazeres. Ela sabe onde é, e como chegar.” – A voz feminina estava às suas costas quando falou, e ela deu um pulo para o lado.
- Não, não. Não sei não! – Correu para o outro lado da sala, para longe daquelas pessoas que não conseguia ver, talvez estivessem com capas de invisibilidade. Mas foi pra longe da mulher e o homem onde estava?
“Você esta certa, ela sabe.” – E lá estava sua resposta, ele se encontrava atrás dela.
- JÁ FALEI QUE NÃO SEI. – Ela grita, e percebe que estava sozinha, onde tinham levado seu marido, e o seu bebê? Seu bebê! Não sabia onde ele estava há muito tempo. Ou talvez não fizesse tanto tempo, afinal quanto tempo fazia?
“Faz algum tempo.” – A mulher falou.
“Não faz tempo nenhum, mas eu sei onde achá-lo.” – A voz masculina disse.
- Onde? – Perguntou gaguejando, agora olhando o outro lado da sala, onde o homem deveria estar.
“Lá, onde mais?”
- Como faço para chegar... Lá?
“Aqui é que não é” – A voz feminina sempre lhe confundindo.
“Para chegar lá, basta se matar” - o homem sempre lhe respondia.
- Não, não, e meu marido e minha vida, se me matar estarei acabando com minha vida.
“Decida-se. Seu bebê, ou sua vida?” – O homem disse se calando em seguida, quando a porta começou a se abrir.
Era um homem de rosto redondo e bonito que entrava.
E quando o viu, o relógio voltou, voltou a tocar. Ela viu o relógio, ele estava ali, acima da porta. Não, não era o relógio que tocava, o relógio que tocava estava distante, o som era distante.
- Olá, está tudo bem? – O homem a chamou fazendo-a prestar atenção nele esquecendo o relógio.
- Estou bem? Sim, sim estou bem e você quem é? – Falou, fitando os olhos dele, tão lindos, gostava dele, ele calava as vozes.
- Sou... Seu amigo. – Puxou ela para sentar-se na cama, ao seu lado.
Havia uma cama, mas antes não tinha nada na sala, ou tinha?
- E qual é seu nome amigo? – Ela sorriu, pois podia ver de onde vinha a voz dele, a voz dele vinha dele.
- Meu nome é Neville.
Ela conversava com ele durante algum tempo, como se ele fosse seu amigo há muito, mas há quanto tempo?
Olhou para o relógio, o relógio que marcava o tempo, não o relógio que marcava a hora.
“Não o relógio marca o agora.” – A voz feminina voltou rindo.
“Vamos você tomou sua decisão, pegue a varinha e se mate, encontre seu bebê.” – A voz masculina falou bem ao seu lado e ela o procurou, tateando.
- Ele é meu amigo. – Ela balbuciou, como se confessasse algo.
- Você está bem? – Neville perguntou preocupado.
Ela olhou para onde estava a voz masculina, então o relógio marcava o tempo ou o agora?
- Acho que tenho de ir. – Neville anunciou incerto.
- Não, não vá, não me deixe com as vozes! – Ela choramingou, mas ele a olhou com lágrimas nos olhos e saiu.
Ela escutou murmúrios no corredor, mas a voz feminina veio para seu lado.
“O relógio, o que marca?”
“Você não se matou, como vai encontrar seu bebê?” – O homem disse.
Ela se levantou, correu e sentou num canto da sala chorando e puxando os próprios cabelos. O relógio silenciou mais uma vez, mas as vozes continuavam falando coisas que ela não escutava e não entendia, agora sabia que o relógio marcava o agora.