Lily sai do banho enrolada em uma toalha branca. Entra em seu quarto e, sobre a colcha rosada da cama, um corpo estranho ocupa o espaço que deveria ser só dela. Senta-se na cama e pega o pergaminho, deixando seus lábios entreabrirem.
Queria, realmente queria ficar braba com o autor daquela obscenidade, porém só consegue se maravilhar com a riqueza de detalhes, com a técnica, com o capricho e o talento do desenhista. Longe de estar vulgar, fora retratada como sensual, etérea, quase uma deusa. Vívida. Linda. Nunca se vira assim. Mas incógnita permanecia a razão de terem lhe enviado obra tão dúplice e pessoal – entende que aquela visão é, no mínimo, muito particular do autor.
Vira a folha pelo verso e vê seu nome escrito de um jeito que bem conhece. Abre a gaveta de fórmica e pega o primeiro pergaminho da pilha, apenas para, através da comparação, confirmar suas nítidas suspeitas.
Agora, com a certeza em mente, dá um sorriso malvado. Pega em seu armário uma prancheta, a pena e o tinteiro. Deitada de bruços em sua cama e põe-se a desenhar.
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James não sai de seu quarto há dias. Roupas, sapatos e objetos aleatórios pulverizam-se pelo carpete azul marinho e a luz do sol é bloqueada por pesadas cortinas da mesma cor. O rapaz, deitado na cama sob o pesado edredom, resfriada seu quarto a pondo de realmente precisar de um. Todo aquele ambiente escuro e bagunçado refletia seu estado interno desde que sua coruja acidentalmente levou a Lily Evans seu desenho sensual da garota.
Se ela não o processasse, no mínimo, o odiaria – e em ambos os casos, sua chance de consolidar sua paixão por ela tornara-se nula. Amava aquela garota, mas, por outro lado, tinha uma visão razoavelmente realista sobre o quão carola e puritana sua Lily era.
Agora se lamentava terrivelmente do ocorrido, sem ninguém para culpar, deitado em sua cama.
O túnel de esperança para Lily Evans fora fechado, e não havia mais luz.