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2. Troca Justa


Fic: Speculum Narcissus - Femmeslash


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Minha família estava despedaçada.


 Lucius havia, por conselho meu, se entregado ao Ministério.


 Draco lutava para legalizar nossa fortuna.


Era verdade que minha conta em Gringotes não havia sido congelada – o que nos permitia, ao menos, um pouco de conforto. A de meu marido, entretanto, estava na lista negra ministerial. Nenhum analista financeiro ou advogado aceitava minhas propostas.


Eu precisava libertar Lucius.


Eu precisava assegurar que a nossa fortuna continuasse intacta.


 Eu precisava proteger Draco.


Das minhas metas, nenhuma fora satisfatoriamente concluída até então. Draco era apenas uma criança, por Merlin. Podia ter sido um comensal, mas não era uma má pessoa. Não havia se voluntariado para a causa. Havia sido arrastado. Sem piedade.


Meu marido estava já há um mês em Azkaban. Não havia mais dementadores na prisão, mas os feitiços que lançaram... eram suficientes para enlouquecer qualquer um. Eu conseguira me livrar e livrar Draco do lugar. Implorando perdão, implorando uma segunda chance. Coisa que nem meu sangue Black e nem meu nome Malfoy são acostumados a fazer. Cobrei alguns favores importantes e salvei Draco. Se havia algo que eu tinha que admitir era que o novo Ministério não era injusto. Era compreensível... até certo ponto.


Minha suposição que o Ministério pouparia Lucius caso ele se entregasse estava errada. Embora os dementadores tivessem sido afastados, o ministro concedeu a algumas pressões sociais: últimos beijos seriam reservados para os que foram mais fiéis ao Lord das Trevas. Meu marido estava sendo considerado. O máximo que eu conseguira, embora ele tivesse que esperar em Azkaban, foi adiar seu julgamento. Seria o último. Eu teria um bom tempo para preparar sua defesa.


E os meus antepassados são prova de como eu tentei. E tentei. E tentei. Dividia-me dia pós dia entre ajudar Draco a administrar nossos negócios, e entre procurar alguém disposto a defender o caso de meu marido. Não havia ninguém. Os bons advogados do mundo bruxo se segregaram em dois tipos. Os que jamais ajudariam alguém com o meu histórico familiar, e os que estavam sendo investigados – e, portanto, proibidos de advogar até o fim das investigações. Aqueles raros que não se enquadravam nem em um nem em outro grupo, recusavam qualquer ligação conosco. Tinham medo. Medo de também serem caçados.


Claro que eu me lembrava do voto perpétuo realizado por Ophelia Greengrass, mas de nada me serviria. Além do mais, os Greengrass, astutos demais para o meu gosto, haviam fugido todos para a França.


Era uma tarde de Julho, eu já estava quase perdendo a esperança de encontrar alguém decente para defender Lucius, quando vi uma matéria no Profeta. Poderia até ser informação inútil para a maioria dos bruxos... certamente só estava lá a título de curiosidade... para quem ainda se importava com o trio de ouro que salvara o mundo bruxo. Mas para mim, era quase como a salvação. “A bruxa mais brilhante de sua geração” era a chamada que captou minha atenção. E lá estava recheado de informações sobre Hermione Granger. A garota que passara na prova do Ministério com a mais alta nota já vista em cento e cinqüenta anos. Recém formada em Hogwarts. “Ótimo” em todos os N.I.E.M’s. Abri um largo sorriso quando reconheci a oportunidade.


Alguém como eu foi criada para observar. Para analisar. Para converter situações em vantagens. Sempre fui particularmente boa nisso. Boa na mesma medida em Bella era eficiente em feitiços, e Andrômeda era especialista em disfarces. Eu tinha esse sexto sentido. Eu farejava, sentia quando algo ou alguém poderia ser útil. Não tive dúvida na hora de mentir para o Lorde das Trevas sobre a vida do garoto Potter. Eu precisava encontrar Draco, e essa era a única atitude que me levaria até ele rapidamente. Também não tive dúvida quando percebi, na festa de fim de ano do Ministério, os lânguidos olhares trocados pela mais nova dos Greengrass e a tal Granger. Não hesitei em segui-las, intervir quando necessário... fazê-las entender que eu sabia.


E agora era a hora de cobrar um preço pela verdade. Algo que, no momento, apenas a bruxa mais brilhante de sua geração poderia me oferecer.


Primeiro de Setembro. O dia, eu jamais me esqueceria, que era o primeiro do ano letivo de Hogwarts. Mas era também o início do serviço dos novos contratados do Ministério. Fui cedo para lá, sob o pretexto de confirmar algumas informações sobre o julgamento de meu marido.


Então eu a vi chegando. Radiante e empolgada como alguém que conquistou seu primeiro emprego, mas também receosa e insegura. Pensei um instante nas minhas possibilidades. Uma abordagem direta seria burrice. Decidi ver para onde ela iria. Livrei-me da mulher da nova recepção e segui para o mesmo elevador que Granger esperava.


Seu olhar cruzou com o meu e ela rapidamente desviou, obviamente muito preocupada com os próprios problemas para gastar tempo pensando no que eu estava fazendo ali. Ela desceu no andar do Departamento de Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas, onde li que ela trabalharia. Pessoalmente, considerei um total desperdício de potencial. Abri espaço e a acompanhei. Imagino que aquele dia eu estava com sorte, pois ela entrou no banheiro.


Encontrei seus olhos castanhos novamente, dessa vez pelo espelho. Sorri friamente, e lembrei-me dos detalhes da festa. Quando eu a flagrei com Astoria Greengrass, por um instante eu tive inveja. Inveja que elas ainda poderia se dar ao luxo de trocar uns beijos escondidas. Inveja que elas não tinham porque se policiar. Se limitar. Se negar. Por um instante, eu invejei a juventude.


- Algum problema, Malfoy? – Sua voz irritada cortou meus pensamentos.


Percebi que ainda a encarava, mas tinha certeza que minha expressão estava vazia.


Olhei ao redor rapidamente e constei que de fato estávamos sozinhas.


- Ah... por acaso tenho um problema sim, Granger. – Comecei suavemente, atenta às suas expressões. – Gostaria de discutir isso com você em algum outro lugar.


Durante um pequeno segundo a sangue-ruim demonstrou surpresa. Mas rápido como surgiu, o espanto se desfez em uma onda de indiferença velada. Não me enganava. Havia um brilho característico. Curiosidade.


- Não vejo onde seu problema me concerne. – Ela disse formalmente. Quase com desprezo.


- Tenho certeza que posso encontrar onde meu problema te interessa. - Abri um novo sorriso. Não frio. Triunfal. Não havia saída, e ela se lembrou.


Alguns segundos de silêncio se passaram. O azul de meus olhos batalhava com o chocolate dos dela.


- Dezoito horas. Encontre-me ao lado da cabine telefônica. Devo ir agora.


E ela se foi.


Soltei o ar com certo alívio. Não foi tão difícil essa etapa. A complicação ainda estava por vir.   Fui para casa, almocei com meu filho, repassei a estratégia. Não havia espaço para recusa.


Vesti-me com uma roupa mais discreta. Eu estaria em um centro trouxa, afinal. Uma saia azul justa até os joelhos. Uma blusa formal branca. Um Scarpin. Um delicado colar de pérolas. Pessoas da minha procedência sempre sabem se vestir para a ocasião. Seja ela qual for. Reservada, mas nobre. Se eu tivesse que me macular com uma roupa trouxa, o bom gosto e a classe seguramente seriam mantidos. 


Pontualmente às dezoito horas eu a encontrei.


- Vamos a um lugar particular, mas público. – Foi o que ela disse quando me viu.


Assisti seus olhos vagarem pelo meu corpo em uma aprovação desgostosa. Minha vaidade acendeu algo em mim. Seria satisfação porque eu estava vestida propriamente? Analisei-a também. Uma simples roupa bruxa preta. Acrescida de uma gravata vermelha e dourada poderia se passar facilmente por uniforme de Hogwarts. Mas havia toques que amadureciam a roupa. Ressaltava a cintura fina, revelava um pequeno decote e as panturrilhas bronzeadas. Possivelmente esteve em algum destino quente recentemente. Talvez uma praia.


– Venha. – Granger disse finalmente, interrompendo minhas involuntárias divagações, frutos do meu pendor para a observação.


Acompanhei-a em silêncio até um beco escondido do centro de Londres.


- Vamos aparatar. – Ela ergueu a mão. Eu hesitei.


O que me incomodava não era minha falta de confiança. Embora naturalmente não confiasse um fio de cabelo meu na garota, não acreditava que ela iria me levar a algum lugar indevido. Era uma maldita heroína, afinal. Mas precisava me lembrar que se tratava de uma sangue-ruim. Alguém que eu cresci para desprezar.


Você é uma hipócrita. Pensei com raiva. O toque de certa sangue-ruim não me incomodava nem um pouco no passado... a lembrança trouxe um gosto amargo para minha boca.


Segurei na mão de Granger para que pudéssemos aparatar. E o contato quente foi a única sensação boa durante o sufocante deslocamento.


Paramos em um outro beco, e caminhamos meia quadra. Granger parou em um pequeno estabelecimento, mas ao menos parecia aconchegante. Entramos.


- Um café trouxa. – Ela disse pra mim, quando sentamos em uma mesinha ao canto.


- Entendo. – Disse. Peguei o cardápio e vi algumas bebidas curiosas. O que diabos deveria ser um “frappuccino”?


- Um café. Preto. – Granger pediu para a garçonete.


- Uma xícara chá. – Optei pelo caminho seguro.


Esperamos nossas bebidas em silêncio. Eu podia ver a impaciência da mulher se manifestando. A forma como ela me encarava desafiadora, os dedos brincando com a colher do açucareiro, os pés balançando levemente por baixo da mesa. Eu cruzei as pernas e me mantive em uma polida imobilidade, movendo apenas os olhos.


Quando eu bebi o primeiro gole de meu chá, ela se manifestou.


- E então? – Perguntou, olhando-me sugestivamente.


Bebi outro gole calmamente.


- Eu preciso que faça algo para mim. – Disse por fim.


- Você está me pedindo um favor? – Ela começou, a voz irônica e objetiva.


- Pode chamar assim, se desejar. – Respondi secamente. Malfoys não pediam favores. Exigiam, era uma palavra melhor.


- E o que te leva a crer que eu tenho o mínimo interesse nisso? Se pensa que pode me chantagear por algo que viu, Malfoy, você está muito engana...


- Sim, eu penso. – Interrompi-a. – E você também pode chamar de chantagem, se desejar, mas eu prefiro “troca justa”.


Ela riu sem humor algum.


- Diga-me logo o que quer.


Eu sorri, igualmente sem humor.


- Antes, talvez, você deva escutar o que ganhará se fizer o que preciso.


- Um modo agradável de colocar a situação. Mas eu não vejo nem como posso ter algo que você precisa, muito menos creio que seria correto começar com o que eu possa... ganhar. – Granger argumentou com esperteza. Aquela garota certamente não era uma qualquer.


Eu entendi o que ela estava fazendo ali. Estava sondando. Foi movida inteiramente pela curiosidade, e queria descobrir o que me levou a procurá-la, sem, contudo, ser atingida. Granger em momento nenhum se sentiu acuada. Não sentia temor algum em ser chantageada. Claro que ela não sabia do trunfo que eu tinha na manga, mas certamente supunha que minha ameaça seria crua. Tola e infantil. Talvez pensasse que eu simplesmente diria que contaria a todos o que vi. Era inteligente, mas não tinha a mesma malícia e experiência que eu.


- Vou esclarecer, então. – Levei a xícara à boca. - Não me importa se o que você fez com a Greengrass foi ou não clandestino. Não pretendo levar para além dessa mesa o que presenciei àquela noite. Você não deve se enganar dessa forma inocente. O que eu tenho é muito mais sério que isso.


Os olhos de Granger se estreitavam à medida que eu falava.


- Não gosto dos seus joguinhos. – Ela exclamou bruscamente.


- Não sou a única no jogo. – Eu disse apenas, mexendo displicentemente o chá. – Você não achou que eu cairia tão fácil na sua sondagem, achou?


A mulher bufou.


- Diga de uma vez o que tem contra mim, e no que quer que eu te ajude. Se viável for, discutiremos termos.


Assenti. Parecia-me bom.


- Tem tido contato com Astoria, Granger? – Perguntei.


- Não vejo como isso possa ser da sua conta. – Ela respondeu com a expressão indiferente.


Sorri duramente.


- Eles estão na França, não é mesmo?! Há oito meses pelas minhas contas...


- Achei que agora seriamos diretas. - A mulher disse com reprovação.


Deixei que meus olhos se instalassem nos dela fixamente. Não que já não mantivéssemos constante contato visual. Aprendi cedo quais eram os momentos em que deveria mantê-lo. Esse era um deles. Eu, sendo a que necessitava de algo, deveria tentar dominar a situação. Mas o olhar dessa menina era diferente. Intimidador. Mais inteligente do que me convinha. Mais corajoso do que era sensato. Entendi rapidamente que esse era um dos olhares mais difíceis de se domar.


- Você já deve saber que a família Greengrass jamais se aliou ao Lorde das trevas, mas também nunca lutou pelo outro lado. – Comecei, minha voz assumindo um tom austero. – Entretanto, talvez não saiba que essa neutralidade o irritou. Veja bem, o Lorde não era nem um pouco complacente.


Fiz uma pausa proposital. Granger ouvia-me com uma atenção tremenda, e parecia beber cada palavra minha.


- Sou uma grande amiga da mãe de Astoria. – Continuei, após um momento de silêncio. – Uma grande confidente.


Bebi um gole do chá.


- Ophelia Greengrass veio a mim na época da guerra. Pediu ajuda. Precisava de um lugar para se esconder com toda a família... e, por acaso, ela sabia que eu tinha o lugar perfeito. Herdei de minha família uma antiga cabana, passada de geração a geração. Não é uma cabana qualquer. Conta com uma forte e ancestral proteção mágica. Eu a cedi aos Greengrass, correndo eu mesma perigo. Granger, nada no meu mundo vem de graça. – Parei para que ela absorvesse bem o que eu dizia.


- O que você pediu em troca? – Ela perguntou, mirando-me intensamente.


Dei um meio sorriso.


- Atente-se a essa parte. É a que te concerne. – Falei apenas para provocá-la. Se a garota se concentrasse mais, creio que a cafeteria explodiria. Eu já podia sentir as vibrações mágicas que desprendiam dela.


Hermione rolou os olhos castanhos, mas logo eles estavam novamente incrustados nos meus.


- Ophelia fez um voto perpétuo. Jurou que, quando a guerra terminasse, se ela e a família estivessem vivos, atenderia a qualquer desejo meu que pudesse realizar. Entende, a não ser que eu a peça algo impossível, ela é obrigada a fazer o que peço.


Então meu sorriso abriu-se por completo, solene.


Granger recostou-se à cadeira, tentando esconder a surpresa.


- Você não vai... você não... – Ela olhou para mim com incredulidade, e algo que se assemelhava à raiva.   


- Não vou. – Eu quase gargalhei. Sabia que ela já estava na minha mão. – Se fizer o que eu digo, Granger, nada farei contra Astoria.


Ela suspirou, praticamente uma rendição.


- O que quer de mim?


Eu não conhecia Hermione Granger. Mas eu conhecia grifinórios. Muito bem, inclusive. Há particularmente um aspecto em que eles se assemelhavam aos sonserinos. Cuidam muito bem de quem gostam. Por motivos talvez diferentes dos nossos, é verdade... mas ainda assim, protegem àqueles que lhes são caros.


- Você irá preparar a defesa que livrará Lucius Malfoy do beijo do dementador, e de Azkaban. – Lancei-lhe meu melhor olhar pedra de gelo. – Caso contrário, penso que Astoria Greengrass será a esposa ideal para Draco.

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Comentários: 4

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Enviado por Lai Prince Slytherin em 26/02/2013

Cara, o capítulo já começou foda *u* A preocupação da Narcissa em relação ao nome da família, à fortuna, ao Draco... O jeito de narrar e descrever tá MUITO Narcissa, atorei!

E meu, Narcissa/Lily nas entrelinhas ♥♥♥

Muito muito foda a conversa delas, pareceu mais uma batalha de intelectos, não sei qual das duas era mais ameaçadora ou mais sexy AEHUHAEUA

Nota: 1

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:: Página [1] ::

Enviado por MiSyroff em 21/09/2012

Wow, caralho!
Que narração é essa cara? Você realmente incorporou o espirito dos Malfoy, da Astória.
Sério, a filha da puta é envolvente pra caramba, e ainda estou sem palavras.
Mas ainda é uma fdp kkkkk

Seguindo em frente! 

Nota: 5

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:: Página [1] ::

Enviado por Lai Prince Slytherin em 09/01/2012

caralhos, Mila... poxa, eu podia acreditar que era a Narcissa narrando. é muito o jeito dela de pensar cara, você incorporou a mente de 'mãe desesperada' de forma bizarra D:

e suas Hermiones... comolidar? comoproceder? são todas fodas e apaixonantes, como você simplesmente consegue essas Miones fodonas, cara? t.t

 

e uma Lily/Cissa escondida aí ou é impressão minha? HUAHUAHUAHU

Nota: 1

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:: Página [1] ::

Enviado por Miss Granger em 25/12/2011

Putz...Narrativa da Narcisa...gelou meu estômago essa Narcisa... *-*
Cara e que FDP ela!
Muito bom!
Mães de família desesperadas... Dê a elas poder e eu fico apavorada OO

 

Nota: 5

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