Infantil
-Eu beijo melhor que você, Pontas. É óbvio. Veja todas as garotas fazendo fila para ficar comigo, uma vez que seja. Minhas habilidades linguais deveriam ir para a história de Hogwarts – Sirius dizia aquilo jogado no sofá, no Salão Comunal da Grifinória.
Estavam de férias, mas os Marotos quiseram ficar no colégio, que estava praticamente vazio à essa altura.
Remus suspirou.
-É claro que não, Sirius! Eu tenho tantas fãs quanto você. Além do que, nunca saímos com a mesma garota para poder confrontar. É uma comparação ridícula, eu beijo melhor que você – James estava sentado no tapete, brincando com a varinha nos dedos.
Os dois pareciam relaxados, mas Remus podia ver aquele músculo na têmpora de James latejando, assim como o pequeno músculo na mandíbula de Sirius. A qualquer momento eles se atracariam na sua frente, Remus pensou, voltando a virar-se para o livro.
-E agora todas as garotas decentes do colégio estão fora para as férias. Não temos como decidir – Sirius reclama, jogando o cabelo longo para trás.
-Temos Remus – James disse e um calafrio de susto desceu na espinha do loiro. Como era?
O licantropo levantou o rosto, apenas para se apavorar, vendo os dois amigos fitando-o como se ele fosse apenas a solução para mais uma de suas competições estúpidas. Sirius sentou-se no sofá e olhou para James.
-Ah, não vale. Ele te come com os olhos quando você sai do banho de toalha. Ele já tem tesão em você, claro que vai achar melhor que eu – O moreno reclama, fazendo James abrir um sorriso.
Remus sentiu o rosto esquentar. Eles notavam? E... Não ligavam? Remus sempre soubera que sentia atração por garotas e garotos, mas achara inconveniente contar para os amigos. Aparentemente, seus olhares furtivos não haviam passado despercebidos, o que fazia o pulso de Remus acelerar consideravelmente, em vergonha.
-Ele olhou para Emma ontem como se estivesse disposto a dar um braço para você estar engolindo-o do jeito que engoliu ela nos jardins ontem, Sirius. Estamos quites – James comenta casualmente e dá de ombros.
Remus fecha o livro com força, suas mãos um tanto trêmulas. Eles tinham que falar assim da intimidade dele? Tudo bem que eles perceberam, mas, expor o rapaz daquela maneira, como se ele nem estivesse ali, era no mínimo constrangedor.
O loiro fez menção de levantar da poltrona, mas James se levantou do chão. Era mais alto que Remus, o que fez o loiro recuar. Acabou caindo sentado na poltrona novamente.
-Relaxa, Remmie. – Sirius disse levantando-se do sofá também. Remus tensionou os lábios, trêmulo. – Queremos apenas que tire essa dúvida para nós – Eles o encurralaram contra a poltrona. O loiro sentia o coração batendo na garganta freneticamente. Eles estavam malucos?
-Eu não vou simplesmente beijar vocês dois! – Ele declarou com voz trêmula, tentando recuperar o controle.
-Não precisa. Nós beijamos – Remus ia protestar, mas, depois de dizer isso, James já tinha se abaixado na frente da poltrona, ficando cara a cara com ele.
O rapaz engoliu todos os protestos débeis que se formaram em sua garganta ao fitarem o olhar predador e divertido que se dirigia a ele por trás dos óculos.
James fechou um pouco as pálpebras, fitando os lábios do outro como se estivesse faminto. Remus sentiu a boca seca e lambeu os lábios. Arrependeu-se, é claro, pois pelo sorriso de James, o rapaz tomara aquilo como uma provocação.
Potter deixou a respiração descansar sobre os lábios de Lupin, que tremia. Tirou os óculos e deixou-os de lado. Roçou o nariz no nariz do loiro, e foi inclinando o rosto, observando com satisfação Remus inclinar o próprio para o outro lado, cedendo. Receptivo.
Os lábios se roçaram e Remus deixou todo o ar dos pulmões escapar num pequeno gemido, nervoso. James afastou os lábios e Remus acompanhou-o, inconscientemente pedindo aproximação. O moreno então deu uma risada e lambeu os lábios, antes de unir a boca definitivamente à do amigo.
O beijo começou lento. Torturantemente lento. Provocantemente lento. Angustiantemente lento. Remus não pôde evitar senão pôr as mãos sobre a nuca do outro, tentando estimulá-lo, fazendo o outro dar uma risada. James, achando adorável aquela ansiedade do outro, que pedia-lhe submissamente para que desse o próximo passo, fez o que ele pedia e intensificou o beijo.
A língua passou a explorar a boca do outro, faminta, intensa, erótica. Remus gemeu, entrelaçando os dedos nos cabelos bagunçados do outro, e retribuiu empolgado. Sentia-se derreter sob a carícia intensa, a língua de James explorando-o, submetendo-o, devorando-o habilidosamente, sugando sua língua, lambendo seus lábios. Era o beijo mais fodidamente delicioso que já tinha provado.
James vai terminando o beijo, deixando-o lento e sensual, até parar. Quando se afastou, ele tinha um sorriso malicioso nos lábios, observando o amigo sentado. Remus estava ofegante, tinha as faces rosadas de desejo, os lábios inchados. Olhou o amigo e desviou o olhar, envergonhado, submisso, o que fez Potter rir, antes de voltar a se sentar no chão.
Sirius apenas esperava, sentado no braço do sofá. Os olhos mais escuros, entretanto, mostravam o perigo a Remus, que não se deixava enganar pela postura relaxada do outro.
Remus olhou de um lado para o outro, em pânico. Queria fugir, sair dali, antes que eles resolvessem continuar aquilo. Não conseguiria mais olhar para James sem corar imensamente. James era, claramente, um dominador. Um dominador sádico e fodido que adorava torturar e brincar com suas presas, sempre pronto para torna-las seu brinquedo divertido.
Remus não gostava de ser presa. E não se considerava, particularmente, divertido.
-Minha vez – Sirius, ao contrário de James, não deu tempo para que o outro protestasse. Segurou os braços do outro ao lado do corpo com um aperto de ferro. Começou deslizando o nariz e os lábios pelo pescoço de Remus acima, fazendo o licantropo fechar os olhos e gemer baixo, arrepiado, submetido em uma só carícia, esticando o pescoço e inclinando-o levemente para o lado contrário. Mal ouviu James protestar.
-Hey, Sirius, a aposta é só um beijo – James protesta. Sirius riu maliciosamente contra o pescoço do menor, que pensou que ia derreter. Estava sendo o brinquedo dos dois, sim. Mas, aparentemente, era muito divertido para eles lhe dar prazer.
-Deixa de ser um merda, James. Está com medo de perder? – Sirius voltou-se para o amigo. James, sentado de pernas cruzadas no chão, apoiado com os dois braços para trás, deu de ombros.
-Vá em frente – Remus observou com estômago afundando Sirius voltar-se para ele novamente.
O moreno mordiscou sua mandíbula, seu queixo e seu lábio inferior, antes de invadir sua boca com aquela língua ávida. Os lábios se moviam devagar, aconchegantes, mas aquela língua era possessiva, exigia tudo do licantropo, que tentava acompanhar o ritmo do amigo.
Os lábios de Sirius eram mais cheios e mais rígidos que os de James, e tomavam os de Remus de forma que ele não pudesse pensar em mais nada, demandando toda sua atenção. Ele puxou de leve os cabelos da nuca de Remus, que inclinou a cabeça e gemeu submisso.
Sirius explorava sua boca, e a doçura, a maciez de seus lábios contrastava imensamente com a língua imperiosa, potente, que sugava e lambia Remus a fundo, tomando-o para si. Sirius também era dominador, mas era mais afoito, mais agressivo, e não gostava de brincar com a comida. Alternava profundidade e intensidade com gentileza apenas para confundi-lo, segurando o rosto do loiro com uma mão suavemente.
Sirius agora introduzia e retirava a língua da boca do menor, derretendo o rapaz, fazendo-o suspirar fundo e rezar baixo para que algum milagre fizesse a própria ereção se manter quietinha no lugar. Ouvia a risada de James por trás, e algo como “assim não vale!”.
Sirius terminou o beijo com uma lambida nos lábios de Remus, e um pequeno beijo na trave. O sorriso que o moreno deu ao loiro ao se separar foi o sorriso mais safado que Remus já tinha visto. Naquele momento, Remus deu um suspiro longo, o coração se acalmando devagar.
Olhou para os outros dois, sentindo-se indignado, e, ao mesmo tempo, um saco mole de carne e ossos, com todos os músculos derretidos com as experiências anteriores.
Aqueles dois sabiam beijar.
- Então, Remmie? Quem beija melhor? – Sirius perguntou jogado no sofá. Remus quis estapeá-lo.
-Eu não vou dizer isso – Remus cruzou os braços. Não iria ficar submisso aos caprichos daqueles dois! Eles que se resolvessem, ele não tinha aceitado ser juiz daquilo.
-Podemos fazer de novo – James ameaçou, malicioso, divertido. Predador. Remus engoliu em seco, corando.
- O-os dois... Beijam muito bem. Eu não saberia escolher. – Admitiu corando, abaixando o rosto. Mas viu quando James mordeu o lábio inferior, balançando as pernas de um lado para o outro.
-O que acha, Sirius? Um desempate? – Sirius deu uma risada de latido ante ao olhar e a proposta do melhor amigo.
-E que tal Remus? O que achou dele, James? – Sirius rebateu a pergunta calmamente, os olhos passeando pelo rosto rubro do loiro. James voltou-se para Remus também.
- Deliciosamente submisso e adoravelmente ansioso. Eu poderia beijá-lo durante uma noite inteira, Sirius – Remus não pôde evitar um pequeno guincho sair de sua garganta ao ouvir James avalia-lo daquele jeito. Era ultrajante, mas lhe dava aquela sensação esquisita novamente. Aquela que não o deixava protestar demais.
- É, eu concordo. E ele é doce, por Merlin. Você chupou alguma bala, Remus? – A reação imediata do loiro foi negar com a cabeça para Sirius, que riu. – Naturalmente doce. – Sorri com satisfação. - É tímido como uma virgem rendida. – O olhar de Sirius foi quase cínica sob o olhar zangado de Remus.
-Então está decidido. Quem beija melhor é Remus. – James dá um suspiro e se deita no chão, voltando a brincar com a varinha, parecendo entediado.
Sirius se joga no sofá da mesma forma, brincando de estalar os dedos, ou algo parecido. Remus, ainda atordoado, forçou-se a voltar-se para o livro novamente, ignorando a infantilidade dos dois amigos e o próprio coração, ainda um tanto acelerado.
Quis cuspir o estômago quando captou uma movimentação dos outros dois. James e Sirius se fitavam daquela forma de novo, aquela forma que eles guardavam quando se entendiam sem palavras, antes de fazer marotagens.
- Eu aposto que sou melhor de cama que você – As palavras deslizaram pelos lábios de James e flutuaram no ar, enquanto o rapaz de cabelos negros e o de óculos olhavam para o loiro.
Remus não pensou duas vezes. Largou o livro de qualquer maneira e correu para o dormitório, seguido por risonhos e apressados Sirius e James. Trancou a porta com magia, a adrenalina correndo pelo sangue, as veias pulsando, ouvindo os dois amigos protestarem e baterem na porta ruidosamente.
Remus se afasta da porta e se deita na própria cama, ofegando levemente devido à corrida. Mas não evitou, antes de fechar os olhos para um cochilo, dar um pequeno sorriso.
Era o melhor beijador de Hogwarts.
Quem quiser continuação, me mande um e-mail.
Espero que tenham gostado. :D