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9. Contra a Parede


Fic: O Mistério de Starta - por Livinha e Pamela Black - Último Capítulo no AR!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 9

Contra A Parede


O som da descarga chegou mais uma vez aos ouvidos de Rony Weasley, fazendo-o suspirar. Logo, levantou-se da cadeira e foi até o banheiro. Parou ao batente da porta, recostando-se, e cruzou os braços.

- Por que você não vai procurar um curandeiro de uma vez?

Contudo, o rapaz não obteve resposta. Revirou os olhos e pigarreou. Hermione apenas lhe lançou um olhar irritado e foi até a pia. Abriu a torneira e encheu a boca de água, limpando-a. Somente quando abria o armário do banheiro e retirou sua escova e a pasta de dentes, que falou:

- Não é necessário, Rony. O que estou sentindo é normal.

- Hermione, você mal acordou e já vomitou duas vezes. O que é? Ainda estou cheirando àquele perfume?

A moça sorriu.

- Não - falou, cuspindo a espuma da pasta. - Seu cheiro está maravilhoso. E eu já lhe disse isso.

- Eu sei. Mas é bom ouvir de vez em quando - Rony falou, dando de ombros.

Hermione virou-se para encará-lo. No entanto, antes que falasse algo, Rony já disparava:

- Mione, sério. Você precisa ir ver um curandeiro. Você está passando muito mal. E também emagreceu demais. Só agora que está voltando a ter o peso de sempre.

- Rony... - argumentou Hermione, cansada.

Eles estavam nessa conversa há uma semana. Os enjôos de Hermione ficaram muito mais constantes naqueles dias, quando alcançava o terceiro mês de gestação. Ela falava que era cansaço, alimentação irregular. Os preparativos do casamento estavam muito intensos, uma vez que eles queriam se casar antes que a barriga dela começasse a se mostrar. Na verdade, quem quisera isso fora Hermione. O que Rony concordou sem pensar duas vezes. Queria estar integralmente junto àquela mulher o quanto antes.

Entretanto, a moça teve que deixar que apenas a mãe comparecesse aos compromissos daqueles dois últimos dias. Monica não deixara a filha acompanhá-la de maneira alguma, uma vez que, ao chegar à casa de Hermione, a vira no banheiro. Ela não conseguiu sair de lá tão cedo. Tempo bastante para a Sra. Granger conseguir preparar um chá para lhe acalmar o estômago.

Rony recebera um sermão quando chegara à casa da noiva, àquele dia. Ele estivera fora vendo sua roupa, com a mãe. Segundo as mães dos noivos, era totalmente inadequado e prejudicial ao casamento que eles vissem as roupas a serem usadas na cerimônia antes da mesma. E quem seriam eles, Rony e Hermione, para contradizê-las?

“Você irá levá-la ao médico amanhã mesmo, Ronald Weasley”, a Sra. Granger o intimara ao fim do discurso. “E quanto a você, mocinha”, ela continuou para a filha quase encolhida no sofá, “ficará de repouso e se alimentará decentemente. Deus me livre daquela geladeira, Hermione! Você vive de quê? De água, apenas?”.

Porém, Hermione não estava disposta a visitar um médico. Como o chá da mãe fizera um ótimo efeito, ela resolvera apenas ficar com a bebida. Não queria ouvir que teria de tomar algum remédio. Poderia prejudicar o bebê! Rony, entrementes, não sabia de onde a noiva tirava tanta irracionalidade.

- O chá acabou - Hermione disse, tentando sair de dentro do banheiro. O cheiro estava deixando-a enjoada novamente.

- Aquele chá não serviu para nada, você sabe disso - Rony contestou, não querendo sair da frente.

- Rony, dê licença, por favor. Não quero continuar nesse banheiro.

- Não é o que parece, já que está vindo para cá com mais freqüência do que qualquer um gostaria - retorquiu Rony, contudo, dando licença para Hermione. Seguiu-a até a sala e sentou ao seu lado, no sofá. - Mione, qual o problema em visitar um curandeiro? - insistiu o rapaz.

- Não quero ir, só isso. Já, já vou ficar bem, Rony, verdade.

- Desde quando você é tão irracional? - falou cansado.

Hermione sorriu para ele e se inclinou, deitando no peito do noivo, que a abraçou e, automaticamente, já acarinhava seu braço delicadamente.

- Eu só preciso ficar aqui junto de você, quietinha, que logo fico melhor.

- Você precisa de algum remédio, isso sim.

- Você é um remédio bom, Rony.

Rony sentiu seu corpo se aquecer ao ouvir aquilo. Mas não desistiu. Não estava gostando de ver Hermione teimar tanto como se fosse uma criança.

- Então, vou ser um remédio que coloca juízo em sua cabeça. Mione, por favor - ele continuou, não permitindo que ela o interrompesse -, se você não se importa em ir para o banheiro a cada cinco minutos, ao menos pense no bebê. Você emagreceu tanto, até sua mãe falou.

- Mas eu já consegui uns quilos, você disse.

- Ah, isso você ouviu, não é?

Hermione deu de ombros.

- Vamos, Mione... Faça isso por nós. Por mim e pelo bebê. Tenho certeza que ela não vai gostar de saber que a mamãe dela passou tanto mal. E à toa!

- Ela? - inquiriu Hermione, virando o rosto para encará-lo. Ela sorria.

- Ah, bem... - Rony sentiu suas orelhas esquentarem. - Eu sonhei que seria uma menina.

- Verdade?

- É... Tão linda quanto você.

Rony baixou o rosto apenas uns centímetros, tocando os lábios de Hermione. Para a moça, ele afastou-se rápido demais.

Os dois ficaram em silêncio em seguida e a ela voltou para a posição em que estava. Rony voltou a acariciar o braço de Hermione. Distraidamente, a morena passou a mão pela barriga, sentindo-a levemente arredondada. Soltando um suspiro, que para Rony pareceu resignado, falou em seguida:

- Tudo bem. Vou amanhã.

- Ah, que ótimo! Você vai ver que logo esquecerá esses enjôos. E eu vou me livrar de sua mãe, em meus pesadelos.

Hermione virou-se para ele novamente, divertida.

- Pesadelos com minha mãe?

Rony revirou os olhos.

- Faz três dias que estou tendo pesadelos com ela. - Rony remexeu-se no sofá, incomodado. - Não adiantou nada falar a ela que eu já estava insistindo feito um condenado para você ir ao hospital.

- Ela disse para você ser mais enfático - Hermione falou rindo.

- Humf! Eu deveria era ter te jogado no meu ombro e te levado à força.

- Rony!

Ele deu de ombros.

- Não seria a melhor opção, pois depois disso, com certeza, eu teria que ficar um bom tempo longe de você, para que se acalmasse. Ou então até que você percebesse que melhorara dos enjôos.

- Bom, então pode ficar tranqüilo. Vou amanhã. Espero que isso baste para você não ter mais pesadelos com minha mãe.

- Tomara! Era assustador, sabia?

- É... Ela sabe meter medo, quando quer.

- Talvez eu precise de ajuda, sabe... - Rony continuou, sua voz saindo indiferente. - Sabem o que dizem sobre sonhos?

- O que dizem sobre sonhos, Rony? - retorquiu Hermione, segurando um sorriso. Conhecia aquele tom muito bem para saber o que estava por vir.

- Que, quando você dorme bem e feliz, os sonhos são sempre maravilhosos. E faz muito tempo que não tenho sonhos maravilhosos.

- E o que se enquadra em seus maravilhosos sonhos?

- Algumas coisas. Às vezes prefiro nem sonhar. Sabe, quando se está cansado demais, é muito difícil sonhar.

- Hum...

Hermione esperou que ele terminasse de cheirar seu pescoço para então dizer:

- Cansaço... Sei...

- Isso mesmo - murmurou Rony.

- Tem uma academia aqui perto - ela tentou segurar o riso, mas estava cada vez mais difícil. Assim como também estava difícil controlar a respiração. - Vou te matricular nela. Com isso, você vai voltar bem cansado. E também tem a serotonina. Quando se faz exercícios vigorosos, ela é estimulada.

- Eu quero outros exercícios vigorosos...

Eu sei, Hermione pensou, mordendo o lábio inferior. A mão de Rony há muito deixara de acariciar apenas seu braço. E aquelas carícias também fizeram Hermione se esquecer do princípio de enjôo que fora estimulado à porta do banheiro, antes de ir para o sofá.

Quando Rony a virou para ficar de frente a ele, no entanto, ela praguejou:

- Droga!

- Que foi?

Mas a resposta dele não veio verbalizada, pois Hermione já tratava de correr para o banheiro. Rony deu um soco no sofá. Definitivamente, Hermione precisava ir se consultar um curandeiro.

Levantando do sofá, foi até o banheiro, mas, não sem antes pegar um gelado copo d’água para a noiva e, claro, para si mesmo.

xxx---xxx


Harry olhou para o espelho mais uma vez e passou as mãos no cabelo para tentar dar um jeito neles. Mais pelo hábito do que para realmente ajeitá-los. Eles não mudavam nunca. Sempre bagunçados, como os de seu pai. Sorriu com esse pensamento.

Estivera pensando muito no pai, ultimamente. Não sabia se ele tivera os mesmos receios e hesitações que ele sentia agora. Um medo irritante que contrastava com uma vontade imensurável.

Desde que comprara o anel de noivado para Gina, não conseguia tirar esses conflitos da cabeça. Às vezes era um alívio, quando conseguia se concentrar em outra coisa. Tanto é que sempre treinava intensamente com os outros aurores, quando tinha tempo.

Quando ficava sozinho com Gina, entretanto, sempre se concentrava numa ótima oportunidade para pedi-la em casamento. Queria um momento especial. No entanto, ele custava a aparecer e, quando acontecia, eram interrompidos antes que ele criasse a devida coragem. Por duas vezes, jurara de morte os irmãos dela. Pareciam até praga, surgindo do nada! Ainda não conseguia entender como Carlinhos e Sonia - a noiva do rapaz - os encontrara naquele parque, ao centro de Londres. Duvidava que eles fossem sempre ali, o que a feição aborrecida da moça confirmava.

Harry estava começando a se sentir perseguido. Ou seria apenas uma impressão?

Meneando a cabeça e murmurando “idiota” para o próprio reflexo no espelho, foi vestir a camisa. Estava com pressa, pois marcara de sair com Gina àquela noite. Mas, antes de sair do quarto, abriu a gaveta de seu criado-mudo e retirou de lá uma pequena caixinha de veludo negra. Caixinha esta que ele carregava para cima e para baixo sempre que estava com a namorada. Por hábito, a abriu, verificando que o anel de ouro branco estava lá dentro com seu pequeno diamante reluzente encimado. Fechando-a num estalo, colocou no bolso e, finalmente, saiu de casa, aparatando na Toca.

- Boa noite - cumprimentou quando entrou pela porta aberta da cozinha.

- Ah, boa noite, Harry. - A Sra. Weasley foi ao encontro do rapaz, recepcionando-o com um beijo. - A Gina já está descendo, querido. Quer um pedaço de torta de amora? Acabei de fazer.

- Não, obrigado, Sra. Weasley.

- Tem certeza?

- Tenho sim...

- Nós combinamos de jantar, mamãe. - Gina acabara de chegar na cozinha.

O sorriso surgiu no rosto de Harry automaticamente ao ouvir a voz da moça, assim como seus olhos logo trataram de focalizá-la. O sorriso, no entanto, oscilou, ao mesmo tempo em que os olhos do rapaz brilhavam. Não entendia como Gina conseguia ficar mais linda a cada dia. Contudo, ela usava apenas uma calça escura e uma blusa branca com discretas rendas; os cabelos soltos e lisos emolduravam seu rosto perfeito.

- Bem, se você não quer, Harry, vou levar um pedaço a Arthur - falou a Sra. Weasley, subindo as escadas. - Tenham uma boa noite, queridos.

- Obrigada, mamãe - falou Gina. Ela foi em direção do namorado e esticou seu casaco para ele. - Me ajuda?

Harry sorriu. Pegou o casaco e a ajudou a vesti-lo. Entretanto, ainda segurava-o. Puxou Gina para mais perto de seu corpo até as costas dela tocarem seu peito. Respirou fundo o perfume dos cabelos dela, sentindo-a se encolher levemente em seus braços.

- Você está linda.

- Obrigada - ela sorriu. - Vamos? - perguntou, girando para encará-lo.

- Se eu pudesse, não saía daqui - Harry retorquiu, apertando-a. Gina riu.

- Se eu pudesse, te matava, Harry.

Harry riu, erguendo os olhos levemente e deu de ombros. Gina, entretanto, foi mais concisa.

- Fred, vá ver se estou na esquina.

- Sou o Jorge. E, se você estivesse na esquina com o Harry, eu já teria te trazido para dentro de casa.

- Só em seus sonhos, Fred.

Fred deu de ombros, mas continuou encarando o casal. Ouvira Harry chegando e, depois de também ouvir a mãe subindo as escadas, resolveu que seria melhor descer até a cozinha. Não era bom dar tanto espaço assim para o casal. Afinal de contas, Gina ainda era sua irmã e morava debaixo do mesmo teto que seus pais. E ele, mesmo morando fora, ainda era um Weasley, além de freqüentar mais a casa dos pais do que a sua própria.

Então o casal saiu, sabendo que não conseguiriam mais aproveitar os minutos que a Sra. Weasley deixara para eles, na cozinha da Toca. Chegaram ao cinema, em Londres, quase em cima da hora. Um filme era tudo o que precisavam. Ao menos fora isso que Harry dissera a Gina. E logo ela entendia o porquê.

Quando saíram, só se lembravam dos dois primeiros trailers que passaram. Foram caminhando até o apartamento que Harry e Rony dividiam. Obviamente, Rony não estava lá.

- A Mione ainda está passando mal? - Gina perguntou enquanto apontava a varinha para a lareira, acendendo-a.

- Está. Mas o Rony falou que ela vai amanhã ao Saint Mungus.

Gina revirou os olhos.

- Não sei por que ela demorou tanto.

Harry riu.

- Acho que o bebê está sugando toda a inteligência da Mione.

- Provavelmente.

Harry aproximou-se de Gina, que ainda estava perto da lareira, se aquecendo. Ficou atrás dela, colocou as mãos sobre os ombros da moça e, mais uma vez, como se fosse um vício - o que realmente não deixava de ser -, cheirou seus cabelos enquanto beijava seu pescoço.

- Então, já se esquentou? - ele murmurou.

- Mais ou menos.

- O bastante para retirar o casaco?

- Com certeza...

Mais tarde, com Gina deitada sobre si no sofá, a coberta encima dos corpos de ambos, Harry já voltava a pensar no que sempre o tomava, quando a cabeça estava livre de tudo. Os olhos verdes do rapaz foram para a calça jogada no chão, bem ao seu alcance. Olhou para Gina, que ressonava levemente, e esticou o braço. Precisou se mover um pouco, o que fez Gina gemer sonolenta e prender-se mais a ele.

Lançando outro olhar para a ruiva em seus braços, apenas para verificar se ela ainda dormia, Harry conseguiu retirar a caixinha de dentro do bolso. Tomara uma decisão. Assim que ela acordasse, a pediria em casamento. Demorara tempo demais. Até para seus próprios padrões. O fato de ter demorado tanto para perceber que gostava da irmã de seu melhor amigo e ter demorado mais ainda para finalmente começarem a namorar, não significava que ele deveria demorar mais uma eternidade para pedi-la em casamento.

Gina remexeu-se mais uma vez, murmurando o nome de Harry, o que fez o rapaz olhar para ela enquanto baixava a caixinha fora da visão da moça. Ela ainda está dormindo, seu covarde!, praguejou. Harry bufou. Bem mais fácil falar (ou pensar) do que realmente fazer.

Mas só vou esperá-la acordar. Verificou mais uma vez o anel. Parecia até que esperava que ele, de repente, ficasse preto e o diamante se tornasse carvão, novamente. Revirou os olhos.

- Uau...

O corpo de Harry retesou ao ouvir esse sussurro. Na verdade, Gina mais expelira o ar do que realmente disse alguma coisa.

- Harry? - Agora ele ouvira perfeitamente.

Ele olhou para ela. A sala toda estava desfocada, mas ele achara realmente bom Gina estar tão perto a ponto de não precisar dos óculos para olhá-la perfeitamente. No entanto, o que havia nos olhos dela?

- Desculpe - ele falou.

- Desculpar? - Ela piscou e o encarou, desviando os olhos do anel à mostra. - Por quê?

- Por isso.

A expressão de Gina dizia claramente que não estava entendendo o que ele falava. Desculpar-se por ter comprado um anel de... Ela engoliu a seco.

Harry sentou no sofá, obrigando-a a fazer o mesmo.

- Desculpe por demorar tanto. E, quando você percebeu o que estava havendo, não foi da melhor maneira. - Harry respirou fundo. - Gina, você me disse uma vez que, quando uma mulher recebe uma proposta de casamento, ela só quer que o homem a ame e que a queira ao seu lado pelo resto da vida.

Harry ergueu levemente a caixinha, finalmente mostrando seu conteúdo para Gina.

- Gina, eu a amo. Quero passar o resto da minha vida ao seu lado. Quero ter filhos com você. - Ele pausou, ao que a moça o encarou. - Quer se casar comigo?

Os olhos de Gina brilhavam e Harry nunca vira aqueles olhos tão lindos como naquele momento. Ele não precisava da resposta que sairia dos lábios vermelhos, mas, quando a ouviu, foi o melhor som que ele já escutara em toda a sua vida:

- Sim, Harry. Eu quero me casar com você. E ter filhos... E compartilhar a minha vida...

Tão decidido como nunca, Harry retirou o anel de dentro da caixinha e o colocou no dedo de sua futura mulher. Encaixara-se perfeitamente. Combinava com ela. Sorrindo, ele disse:

- Vamos ter que esperar o casamento do Rony e da Mione para dizer? Por mim, eu me casaria agora...

Gina riu.

- Eu também me casaria agora, se pudéssemos. Mas, quanto a ter que esperar o casamento deles, no mês que vem, para dizer algo... Harry, você realmente acha que ninguém vai reparar nesse anel?

- É verdade. Não havia pensado nisso. O que vamos fazer? Tirá-lo do seu dedo? - ele perguntou, sorrindo.

Gina ergueu as sobrancelhas, falsamente aborrecida.

- Infelizmente, terei que ficar com ele. Um feitiço adesivo muito forte já o prendeu ao meu dedo no momento em que você o colocou aqui.

- Feitiço incômodo...

Gina acompanhou o sorriso de Harry. Ele então se inclinou e a beijou novamente.

- Vamos então contar aos seus pais amanhã - ele falou depois do beijo.

- Tudo bem. Mas, amanhã os Granger também vão à Toca. Sabe como é... Vai ser assim até o Rony e a Mione se casarem.

- É mesmo... Havia me esquecido. Vou mais cedo, então - ele concluiu numa voz óbvia, mas que Gina percebeu tremer.

- Com medo dos meus pais, Harry? - perguntou, tentando não rir.

- Não. Claro que não. - Ele a encarou. - Não tenho mais medo de ficar com você, Gina.

Gina sentiu seu corpo se aquecer. Aquelas palavras a levaram para um passado que ela fazia questão de ficar enterrado. Ao menos a parte que antecedia tais palavras. Ficar longe de Harry enquanto a guerra acontecia foi a pior coisa que poderia ter lhe acontecido. Ele insistira em manter-se longe simplesmente para que ela não fosse um alvo fácil para Voldemort e os Comensais da Morte. Saber que Harry Potter tinha uma namorada e que a amava mais do que a própria vida seria uma boa opção para forçá-lo a se entregar à morte.

- Em que você está pensando? - Harry perguntou ao notar os olhos de Gina desfocados.

Ela sorriu e levou a mão até o rosto dele, acariciando-o levemente.

- Que hoje você está me fazendo muito feliz, Harry Potter.

Harry segurou a mão dela e a beijou.

- Você me faz muito feliz todos os dias, Gina Weasley.

Ela sorriu e se deixou levar - como sempre fazia - quando ele apertou seu corpo contra o dele, deitando-a novamente naquele sofá.

xxx---xxx


O enorme carvalho, mesmo sem suas folhas, ainda conseguia fazer uma sombra gostosa. O tronco incrivelmente grosso tomava conta de que o sol não a alcançasse, permitindo, assim, que lesse seu livro tranquilamente.

Syndia encontrava-se na casa dos pais àquele dia. Aproveitara o domingo para visitá-los, já que há duas semanas não os via. O pai, como sempre, parecia que recebia um presente, já a mãe só não dava saltinhos de alegria por ser refinada demais. E Syndia, como em todas as vezes, achava difícil tirar o enorme sorriso que enfeitava seu rosto quando estava na presença deles.

Não era nada difícil sentir-se feliz quando estava naquela casa. Os muros encobertos de heras da casa dos Vechten pareciam uma proteção contra o mundo e tudo o que ele proporcionava de ruim. Naquele lugar, Syndia se sentia segura. Era sua fortaleza mais do que a própria casa. Ela crescera ali, aprendera tantas coisas... Compartilhara suas tristezas adolescentes com a mãe, chorara no colo dela quando se desiludira com o primeiro amor da escola, recebera bronca também quando duelara com os colegas dos Estados Unidos - mas, do pai, recebera técnicas de aperfeiçoamento.

Syndia riu ao se lembrar disso. Quando os pais souberam de sua briga no colégio, mandaram duas cartas. Contudo, a carta de Oren fora enviada na surdina pelo mesmo. Lyx só soube da existência dela semanas depois.

Enquanto a carta de Lyx era pura reprimenda e palavras desgostosas, a de Oren, mesmo tendo uma reprimenda em algumas linhas, continha técnicas de dar o troco em pessoas, porém, sem feri-las a ponto de enviá-las desacordadas para a enfermaria. “Faça os cabelos crescerem ao invés de nocautear, Syn. Ou então as unhas, os dentes. Há também uma maneira de crescer verrugas. Mas não lance mais esse feitiço. Pode realmente prejudicar uma pessoa. Já pedi a você para não ligar para essas pessoas que se sentem maiores em tudo, mesmo não tendo um pingo de dignidade e caráter.”

O fato ocorrera por Syndia não conseguir se segurar quando uma garota dissera que Syndia era medíocre na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Uma das coisas que ela nunca tolerou foi desconfiarem de sua eficiência, e, além disso, a tal garota lhe roubara o namorado. Bem, agora, já adulta, ela percebia que fora ridícula por ter agido daquela maneira. Certo, não se arrependia integralmente. Apenas se arrependia por ter dito que o feitiço era também pelo ex-namorado.

Syndia suspirou. Ainda bem que conseguira se tornar mais contida e madura, quando o assunto era desafios. Já sabia dar o troco quando alguém duvidava dela: apenas mostrava sua eficiência. Fora exatamente por isso que conseguira trabalhar no Gringotes assim que saiu da escola. Era difícil ter uma mulher no setor que trabalhava. Era mais fácil ver homens. Eles agüentavam mais o tranco, era o que diziam. Então, no momento em que desconfiaram de sua força e eficiência, ela mostrou que poderia fazer melhor do que qualquer homem daquele banco. E realmente provou isso.

Só não conseguira ser eficiente o bastante para impedir a morte de Adam.

Meneando a cabeça, Syndia se levantou. Não pensaria em tristeza, agora. Adam era a parte feliz de sua vida.

- Você é meu arco-íris, Adam - ela falara de repente, como se tivesse acabo de constatar tal fato.

Ele fez uma careta.

Eles estavam na casa de Syndia. Adam estava deitado no tapete da sala, a mesa de centro deixada num canto. A cabeça dele, no colo dela.

- Isso soa tão homossexual, Syn - falou. - Tem certeza que sou um arco-íris?

- O que você quer ser, então? - ela perguntou, rindo.

- Sei lá, qualquer coisa. Menos arco-íris.

- É que você é tão alegre. Faz-me lembrar cores. Muitas cores.

Adam rolou os olhos e suspirou, cansado.

- Por que você não diz que sou seu caleidoscópio de cores? É mais másculo.

Syndia riu mais ainda.

- Caleidoscópio de cores é um nome muito grande.

- Combina comigo perfeitamente - ele retorquiu dando um meio sorriso e fazendo Syndia corar.

- Você é um idiota - resmungou, parando de passar a mão pelos cabelos dele.

- Posso ser um idiota, mas sou seu caleidoscópio de cores - ele retorquiu e colocou a mão dela de volta onde estava.

- Continua sendo um idiota. - Ela retirou a mão.

- E você sempre será certinha demais. Não acredito que ficou corada por causa disso.

- Esse mundo é muito malicioso para mim. Sou uma mulher casta - ela concluiu piscando várias vezes e sorrindo calidamente. As bochechas, entretanto, ainda coradas.

- Pois é... Esqueci-me deste pequeno detalhe.

- Nunca se esqueça disso, meu caro.

Adam apenas sorriu. Syndia voltou a passar a mão pelos cabelos dele.


- Sinto saudades, Adam... - murmurou Syndia. - Ainda mais agora.

Ela precisava tanto de conversar com o amigo. Dentre todos os amigos que tivera, incluindo a mãe e a Sra. Prescott, ele fora o único que realmente a entendera, que sabia dar as respostas certas ou simplesmente não dá-las. Se Syndia conversasse com a mãe ou com a Sra. Prescott sobre o que tanto a atormentava, sabia muito bem a resposta que teria.

“Que ótimo, Syndia!”. Ou: “Finalmente, Syndia!”. Sem falar do: “E por que você ainda está tão indecisa?”.

Respirando fundo, caminhou pelo jardim. Conseguiu ver a mãe cuidando dos seus adoráveis jasmins, na estufa. O pai continuava no gazebo, aproveitando o fim da tarde para ler também. Ela preferiu entrar e, quando o pai a olhou, Syndia gesticulou, mostrando o livro que tinha em mãos e que iria guardá-lo.

Tão logo colocou os pés dentro da cozinha - e, principalmente, longe do alcance dos olhos dos pais -, Syndia permitiu que seus pensamentos a assaltassem completamente e se rebolissem em sua mente.

Aborrecida, pensou que, uma semana atrás, não tinha esses problemas. Na verdade, há muito tempo não os tinha. Deixou-se cair na poltrona do escritório-biblioteca de Oren. Mordia o lábio inferior e uma ruga se mostrava em sua testa. As lembranças do domingo anterior fervilhando cada vez mais.

Ela recebera uma carta de Draco Malfoy. Ele dizia na carta que realmente apreciara a noite passada e que gostaria muito de repeti-la (ela percebeu que ele tomara cuidado em não dizer a palavra “encontro”). Contava encontrar-se com ela no Ministério para poderem combinar novamente. No entanto, Syndia fizera de tudo para não se encontrar com Draco Malfoy.

Gui, claro, a ajudou com esmero. Entretanto, o amigo, mesmo a contragosto, não entendera muito bem essa fuga de Syndia. Ela dissera a ele que gostara do jantar. A companhia de Draco, para sua total surpresa - assim com o a de Gui -, foi realmente agradável. Ela não vira nenhum traço arrogante nele. Muito embora esse traço tenha se mostrado no Ministério, na primeira vez que eles se viram - e Syndia, acidentalmente, derrubou vários papéis dele no chão.

E onde estava o grande problema disso tudo a ponto de ela pedir ajuda a Gui para que não topasse com Draco Malfoy no Ministério?

A questão era que Syndia realmente gostara daquela noite. Apreciara a companhia de Draco. E o pior era que se lembrava claramente do arrepio que a percorreu quando ele a tocou deliberadamente - sim, ela sabia! - ao ajudá-la com o casaco. E depois aquele passeio no parque, o braço dele ao redor de seu ombro, depois as mãos deslizando em seus braços para aquecê-la...

Ela não podia estar sentindo tudo isso. Não devia! Fora apenas um encontro, por todos os santos! Ele era arrogante! Preconceituoso!

Mas vocês jantaram num restaurante trouxa.

Jogada de mestre, ela sabia. Mas, por que não conseguia retirar esses pensamentos tão aflitivos de sua mente? Por que era tão difícil retirar aqueles olhos cinzas e aquele olhar tão intenso que ele lhe dirigira?

- Não - Syndia disse a si mesma. - Não é nada. É atração. Só isso. Ele é um homem charmoso e que sabe como conquistar.

E como sabia! Syndia não soube onde colocar tantas flores, essa semana. A cada dia, Draco lhe mandava um buquê. Na primeira vez, flores do campo. Depois, rosas amarelas. Então, lírios. Em seguida, rosas cor-de-rosa. Na sexta-feira, mandara-lhe lindas e amarelas margaridas. Finalmente, no dia anterior, um incrível arranjo de margaridas brancas com lilases.

Sabia que naquele domingo estava livre. Não poderia haver uma floricultura aberta. As pessoas tinham vida! Até os floricultores.

Sorrindo satisfeita consigo mesma por tal conclusão, Syndia colocou na estante o livro que estava lendo. Estava decidido: Draco Malfoy era um conquistador arrogante e ela não seria uma de adolescente naquele momento. Conseguiu até rir. Realmente estava imune de se portar feito uma patética adolescente. Era uma mulher adulta, graças a Merlin.

Virou-se para sair da biblioteca e foi até o pai, no gazebo. Sentou-se numa das espreguiçadeiras e tentou curtir o silêncio. Tentou concentrar-se em algo, mas não havia pássaros cantando. Silêncio não era bom. Não era nada bom. Fazia a mente começar a trabalhar, a querer buscar memórias, manipular lembranças...

- O que você está lendo, papai? - Syndia perguntou de supetão.

Podia muito bem ver o título na capa, mas preferiu quebrar logo aquele silêncio incômodo.

Contudo, antes que Oren respondesse, Syndia ouviu a mãe lhe chamando.

- Ah, com licença, papai.

Oren observou sua filha se levantar e ir até Lyx. Franziu o cenho. O que aquela garota estava escondendo?

Pensando que finalmente distrairia sua mente, Syndia entrou na estufa. Porém, o que a recebeu não foi apenas Lyx e suas flores muito bem envasadas. Nos braços da mãe, havia um belo ramalhete de rosas vermelhas.

Inconscientemente, Syndia gemeu. Lyx nem sequer ouviu.

- Não são lindas? - falou, entregando-o para a filha.

Syndia demorou alguns segundos para pegar o ramalhete. Procurou pelo cartão que ela sabia que teria e não demorou a encontrá-lo.

- Então? De quem é? - Lyx perguntou animadamente. E alto o bastante para Oren ouvir.

- De quem é o quê? - o homem perguntou.

- Syndia recebeu flores, Oren - Lyx falou à porta da estufa. Viu o marido se levantar e ir até elas.

- Flores de quem? - Oren perguntou quando chegou na estufa.

- Não sei - Lyx falou, voltando-se para a filha. - Vamos, Syn! De quem são?

Syndia suspirou. A animação da mãe parecia um martelo em sua cabeça.

Isso não está acontecendo. Não está acontecendo. Minha mãe não vai ficar a par sobre Malfoy tão rapidamente... Oh, Merlin, que você consiga segurá-la o necessário. Que ela não dê chilique ou grite de alegria.

Embora soubesse muito bem de quem aquelas flores eram, Syndia abriu o cartão. Não leu seu conteúdo, apenas verificou - desnecessariamente, ela tinha certeza - a assinatura e falou:

- São de Draco Malfoy.

Apenas de relance, Syndia viu a careta do pai, o que ela realmente adorou - mais um ponto contra! Lyx abriu um sorriso quando conseguiu ligar o nome à figura.

- Ele é um rapaz bem apessoado, não? Já o vi algumas vezes.

No entanto, Syndia não prestava atenção à pergunta da mãe. Estava mais concentrada no que o cartão dizia. Ele não era como os outros, onde Draco apenas lhe desejava bom dia e o desejo de revê-la. Naquele, ela percebeu uma ameaça. E ameaça direta.

Olá, Syndia.

Espero que seu domingo esteja agradável.
Só queria que soubesse que amanhã meu dia será agradável, pois, com certeza, me encontrarei com você. Gostaria de lhe falar e não vai adiantar fugir dessa vez. Na verdade, não há motivo para fazê-lo.

Até amanhã.

Draco Malfoy.


Sim, ela estava perdida. Ao menos não era como uma adolescente.

Ainda.




N/B: Eu até perguntei para as meninas se elas queriam notinha de beta, porque, na verdade, EU NÃO TIVE TRABALHO ALGUM de beta neste capítulo! Está todo redondinho, todo coeso, todo envolvente, todo muito bem escrito! Então, estou aqui como leitora e fã para prestar o devido aplauso! - PARABÉNS MENINAS! EXCELENTE! - Destaques para Rony e seu trauma pós pesadelo com sogra, bem como sua ternura para com Hermione, o pedido mais que esperado e tão lindo de Harry, e para o Draco, que mesmo sem surgir pessoalmente, encheu o capítulo de sedução cavalheiresca... Novamente, TUDO DE BOM Lív e Pam! De coração, eu aplaudo ruidosamente!!!!! =D - Beijos muitos e afofaaaaaados! Até o próximo! (Que eu espero, tenha alguns lençóis de seda enrolados em um certo loiro...) ;D - Até lá!

N/T: E nós bem respondemos à nossa beta: ela endoidou? Como assim, capítulo devolvido sem NB?? Os pitacos e a NB são a melhor parte da betagem! Aff... Mas, depois de a ameaçarmos com a chibata (sim, a mesma com que ela vive nos ameaçando..rs), ela fez o trabalho completo!

Até que não demoramos muito em atualizar, não? Em comparação com os outros..hehe..

Esperamos que vocês tenham gostado deste capítulo! E, no próximo, a conseqüência das flores..rsrs..

Nosso obrigada a:

Bernardo Cardoso: percebemos sua “não-resistência” quando o assunto é o Draco, Be. Mas, deixe estar...já estamos com um bonequinho e algumas agulhas (olhares malvados). Nosso muito obrigada pelos elogios! =D Beijos pra você!

Paty Black: sim, sabemos que você anda toda atolada (como foi na prova??). Quanto ao Draco em lençóis de seda..hum..a paciência é um dom divino! rsrs... Beijos, mana! (afofa e roda - isso vira montinho!hahaha)

Priscila Louredo: Pri, a gente só te perdoa pela demora, porque te amamos também. E sim, entendemos a relação Draco versus Draco..rsrs.. E que bom que está gostando! Beijos pra você, mana.

Beijos a todos, mesmo quem não comentou - o que ainda consideramos um crime - e até o próximo.

Livinha e Pamela Black.

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