— Achei que ia perder essa, com toda essa demora. – disse Guilherme abrindo a porta e deixando Teddy entrar.
— E você acha que eu ia perder essa? Ainda mais no nosso último ano? – exclamou Teddy enquanto passava de fora para dentro de casa.
Quando entrou, viu uma casa completamente branca. As únicas coisas que não eram brancas eram um tapete vermelho que cobria os degraus da escada e outro tapete, porém azul, que ficava no centro da sala. Eram dessas cores, sabia Teddy, para representar as casas que os pais de Teddy pertenceram quando estudavam em Hogwarts, Grifinória e Corvinal.
Scott Lettieri, pai de Guilherme, estava sentado na cozinha e lia o Profeta Diário daquele dia com bastante interesse, aparentemente não fora trabalhar. Vestia um suéter com uma camisa azul listrada, calça social bege, típico trouxa, qualquer um confundiria.
Natally Lettieri, mãe de Guilherme, usava um vestido florido que ia até o joelho e uma sandália branca.
— Boa tarde Sr Lettieri, Sra. Lettieri – Teddy cumprimentou ambos com um aceno de cabeça, respondido com um “olá” de Natally e outro aceno de cabeça de Scott.
— Vem, vamos subir. – disse Guilherme puxando-o para subir a escada.
Subiram as escadas e entraram no quarto de Guilherme, era o último, mais ao fundo da casa, no fim do corredor, em frente ao banheiro.
— Senta aí. – Guilherme apontou para a cama, enquanto se sentava a mesa com um computador.
— Você ainda usa um computador? – exclamou Teddy surpreso.
— Sim, moramos numa região com muitos trouxas, tenho muitos amigos trouxas que vêm aqui, precisamos aumentar o disfarce. Ainda somos uma família de bruxos mesmo assim, minha mãe cozinha num caldeirão, mas o enfeitiça para parecer um fogão normal. Nossos quadros e pinturas se mexem aos olhos de bruxos. Eles sempre estão praticando algum tipo de feitiço que querem desenvolver no porão. Ainda somos bruxos.
— Eles se disfarçam bem de trouxas.
— Os dois são nascidos trouxa... eles têm uma certa experiência.
— Entendo. – Teddy parou para pensar como devia ser viver ali, praticamente tendo que se esconder a vida inteira. Bem diferente d’A Toca, onde todos se vestiam como bruxos e não se importavam com trouxas. – Mas, que horas é lá?
— Começa às nove.
— E acaba...?
— Quatro. Minha mãe disse que você pode dormir aqui se quiser, tem outro quarto, é para hóspedes e tal... Ela acha tarde para você voltar para casa. Daí depois você volta para sua casa e tudo.
— Beleza então. Posso usar coruja para avisar minha vó onde estou? Ela saiu para comprar meus materiais e não voltou quando saí.
— Pode. – E apontou para a gaiola com uma coruja marrom – Ela também disse que a gente pode trazer gente para cá... se não fizermos muito barulho.
Teddy sorriu maliciosamente.
— Não sei se aguento até chegar aqui. E com certeza não vou conseguir não fazer muito barulho.
— É, foi mais ou menos o que eu disse para ela. – e juntos riram mais uma vez.
Teddy rabiscou um bilhete para Molly dizendo que voltava para casa amanhã, porque aceitara o convite de seu amigo. Amarrou-o no pé da coruja marrom, de nome Eliot, e despachou.
Passaram a tarde toda conversando sobre o que fizeram nos dias que não tinham saído juntos. Fora uma tarde relaxante para Teddy, principalmente depois da briga que tivera com Victoire. Aliás, o nome Victoire não tinha nem sido pensado por Teddy ainda, parecia que seu cérebro fizera o trabalho de ocultá-lo no lugar mais fundo da mente humana sozinho.
— É muito longe daqui? – perguntou Teddy, quando o assunto “Copa Mundial de Quadribol”, que durou no mínimo duas horas, acabou.
— O quê? O lugar? Não, nem é. É bem pertinho, na verdade. Três quarteirões. – respondeu Guilherme
— Isso é perto desde quando? – ironizou Teddy.
— Vai, Teddy, deixa de ser preguiçoso. Nem é tão longe. A gente já correu mais em Hogwarts, fugindo dos inspetores.
— É, verdade. Mas tenho que guardar energia, né.
Ficaram discutindo o modo de ir um bom tempo. Teddy queria aparatar para lá, mas Guilherme disse que não tinha nenhum lugar escondido onde eles pudessem aparecer. No fim, acabaram decidindo ir andando. Mesmo que Teddy estivesse com muita preguiça.
O tempo passou mais rápido enquanto tiveram aquela pequena discussão. Pouco tempo depois, Sra. Lettieri veio e os chamou para jantar.
Todos se sentaram à mesa do jantar e deliciaram uma fantástica refeição preparada gostosamente por Natally. Quando terminou, Teddy colocou seu prato na pia e se ofereceu para lavar a louça. A mãe de Guilherme não deixou, havia praticamente quase enfeitiçado o garoto por ter insistido em lavar, então Teddy subiu as escadas e voltou para o quarto.
— Saiu correndo quando minha mãe quase te ameaçou? – perguntou Guilherme rindo.
— Aham.
— Ela nunca faz isso, só com você, acho que ela gosta bastante de você. Isso é bom, porque ela não gosta de muita gente.
— Vou tomar isso como um elogio e não como um xingamento de estranho.
Guilherme riu.
— Cara, vou tomar banho e depois a gente sai, beleza? Se quiser trocar de roupa, não sei, pode pegar roupa minha no armário, elas devem servir em você.
— Beleza, valeu.
Guilherme saiu do quarto e foi para o banheiro, fechou a porta ao sair.
Teddy se levantou e foi até o guarda roupa ver se algo cairia bem nele. Ele era cheio de roupa, cheio de roupa mesmo. Parecia ser pior que o armário de sua tia Hermione, coisa que ele achava isso impossível. Passava cabide por cabide e nada o agradava realmente. Até que passou por um cabide com uma calça skinny preta e viu, uns cabides na frente, uma camiseta gola V branca.
— It sounds perfect.
Tirou a calça e a camiseta do cabide e os experimentou, “É, ficou bom”. Olhou para o tênis marrom, pegou sua varinha e deu um leve toque nele, magicamente transformou-se num tênis vermelho escuro. Seu cabelo, ainda bem preto, com um pouco de esforço tornou-se castanho escuro. “É, vou assim.”
Sentou-se na cama para esperar Guilherme voltar. Encostou-se na cabeceira da cama para pensar. Fechou os olhos e cenas apareceram de repente.
Teddy e Victoire brincavam felizes no jardim d’A Toca. Entretanto, eles eram muito mais novos do que o tempo atual. Teddy parecia ter oito anos, e Victoire cinco. Brincavam em volta de uma árvore, Victoire desde pequena com jeito para animais e Teddy querendo mostrar-se para ela escalando a árvore. A garota apenas ria.
— Teddy, você é muito legal!
— Obrigado, Vick. Você também é.
— Teddy, olá? – era Guilherme cutucando-o.
— Quê? Oi?
— Acorda, cara. A gente já, já sai... – Guilherme deixou a toalha jogada em cima da cama enquanto foi procurar uma camiseta para vestir. – Tava sonhando com o quê? Tava até sorrindo.
— Ah, nada – “Eu me lembro daquilo, quando a gente era mais novo. Eu e Vick costumávamos brincar sossegado, éramos amigos, será que ela não se lembra?”.
— Nada? Você sorrindo e não tava sonhando com nada? Aham, tá bom, Teddy. Me engana. Você já tava sonhando com mulheres antes de sairmos, isso sim. Só não fica excitado aí que não quero presenciar o momento.
— Vai se ferrar. Não preciso sonhar com mulher, já tenho elas para mim. – Teddy sorriu maliciosamente – É sério, foi nada. Se fosse eu te contava, não tenho porque esconder.
Mentira. Teddy disse aquilo na cara larga e Guilherme não percebeu, o que foi bom, de certa forma. Ele realmente queria contar para ele sobre tudo que sentia por Victoire, mas achava que o amigo iria começar a zoar da cara dele por ele sentir esse tal de “amor”. Ele tinha medo de perder a única pessoa que conversava com ele Hogwarts.
— Oi? Terra para Teddy? Porra, cara, de novo?
— Desculpa, eu só tava pensando.
— Você pensa? Nossa, isso é novidade para mim.
— Ah, vai se foder. – disse Teddy irritado.
— Nossa, mas já perdeu a linha? – Guilherme riu.
— Vamos logo? – perguntou Teddy impaciente.
Guilherme assentiu e eles desceram. Chegaram ao térreo, despediram-se e saíram. Antes da porta fechar, eles ouviram o pai de Guilherme falar:
— Estão levando proteção trouxa?
— Sempre! – gritaram num único som e riram.
Andar pelas ruas de Londres pode ser um pouco perigoso à noite, como em qualquer rua, mas Guilherme e Teddy não se importavam com os possíveis perigos que teriam. Exceto se fossem perigos bruxos, aí a coisa podia complicar um pouco. Mas eles dariam um jeito, como sempre faziam.
Os três quarteirões tão reclamados por Teddy acabaram passando mais rápido do que pensara. Quando se curte uma situação, ela sempre acaba durando pouco, era psicológico.
Chegaram ao lugar onde aconteceria o evento. Parede vermelha por fora e uma porta preta, essa era a fachada.
— Nove e meia. Chegamos cedo, até. – comentou Guilherme olhando no relógio.
Passaram pela porta e entraram numa espécie de recepção. Precisavam mostrar suas identidades para provarem que já eram maiores de idade. Teddy e Guilherme já eram maiores de idade no mundo bruxo, já que já tinham feito dezessete anos. Porém, no mundo trouxa a maior idade era atingida aos dezoito anos, o que facilitava a mentira, pois era apenas um ano a menos do que tinham.
Mostraram suas identidades falsas e entraram na balada sem nenhum problema.
O espaço interno era bem escuro, exceto por luzes multicoloridas que iluminavam o espaço em pequenos intervalos. Não estava muito cheio, mas a tendência era aumentar conforme mais tarde ficava. Foram para o bar e pediram alguma coisa para beber, Guilherme pediu cerveja e Teddy pediu tequila, o que surpreendeu.
— Cara, vai com calma aí. Você não é muito forte com bebida. – advertiu seu amigo.
— Ixi, relaxa que eu sei o que to fazendo.
As bebidas chegaram, Teddy pegou a dele, passo sal na boca, com um único gole bebeu a tequila toda e depois chupou o limão. Pediu mais um. Guilherme já tinha saído para a pista e deixou o amigo sozinho no bar, não foi a coisa mais inteligente no mundo para fazer. Teddy repetiu o primeiro passo mais duas vezes, o álcool já tinha afetado o cérebro dele, ele estava ficando tonto, não conseguia saber muito bem o que ia fazer. Talvez seu corpo, por ser de um bruxo, conseguiu dar mais resistência do que ele de fato tivesse. Pelo menos ainda conseguia distinguir rostos e distâncias, coisa que normalmente não seria possível.
Com a visão meio turva, Teddy conseguiu ver que Guilherme já arranjara alguém. Eles dançavam uma música agitada juntos, ela estava em frente a ele dançando de um jeito que sóbrio e à luz do dia ninguém faria. Teddy achou graça da cena e riu.
Ele ainda estava sentado no banco do bar, vendo se achava alguém que valesse pena investir. Olhava de um lado para o outro e não encontrava nada. Resolveu, então, olhar para a porta e ver se alguém chegava. Pouco tempo depois viu uma linda menina ruiva entrar. Tinha corpo escultural que deixou Teddy bem animado. O garoto se levantou e quase não conseguiu sustentar seu próprio corpo.
Andou até a menina tentando não demonstrar que havia bebido muito.
— E ai, beleza, gata? Sou Teddy.
De primeiro encontro, a menina pareceu se assustar com o garoto. Mas quando parou para olhá-lo percebeu que era bonito, atraente e tinha um físico desejável.
— Sou Mônica.
— Quer dançar? – perguntou Teddy.
— Claro!
Teddy puxou a garota e foram para a pista de dança. A música era bem rápida, o ritmo lembrava eletrônica. Mônica começou a dançar com Teddy assim como a menina que estava com Guilherme dançava. Teddy olhou rápido pela pista de dança e não foi difícil encontrar Guilherme. Agora, a menina estava na parede e Guilherme beijava-a com vontade, a garota passava a mão pela barriga definida de Guilherme enquanto ele passava a mão pelo corpo da garota.
Teddy voltou sua atenção para Mônica. Ela dançava de um jeito que estava deixando ele louco. Logo, logo não aguentaria aquele jeito sem ter que fazer como Guilherme. A dança daquele jeito durou mais dez minutos. Até que Teddy agarrou-a pela cintura e a beijou com vontade, ela respondeu ao beijo com mais vontade ainda. Davam pequenas pausas e voltavam a se beijar. Quem via de longe podia pensar que eles não faziam isso há meses.
Mônica levou Teddy para parede no outro lado do lugar. Teddy não conseguia responder muito bem aos movimentos, ele praticamente ia porque alguém o puxava. A garota pervertida enroscou a perna na de Teddy, mordeu atrás da orelha de leve e depois começou a beijar o pescoço de Teddy que foi ficando cada vez mais vermelho.
Se tem uma coisa que bebida não faz é tirar a parte pervertida da pessoa, e sendo Teddy o que tinha teor alcoólico dentro de si maior, não deixaria apenas Mônica no controle. Segurou as pernas dela, enroscou-as em volta de sua cintura e segurou-a nas costas. Começou a beijar o pescoço e foi descendo até o decote. A garota não reclamou do gesto um tanto quanto abusado. Ficaram naquela agarração na parede um bom tempo, tempo esse que não importava para nenhum dos dois.
— Você quer um pouco mais? – cochichou Mônica no ouvido de Teddy, enquanto passava a mão na parte mais baixo da cintura dele.
— Achei que nunca fosse pedir. – respondeu sorrindo.
Deixou a garota descer e guiá-lo até o lugar que queria. O resultado foi o banheiro mais próximo. Teddy entrou nele depois de Mônica, fechou a porta e trancou-a com o toque da varinha sem que a garota percebesse. Foram para a parte mais distante da porta.
Lá, Mônica começou a beijar Teddy mais fervorosamente, se é que isso era possível. Fez com que ele tirasse a camiseta. Teddy não perdeu tempo e fez o mesmo com ela.
Não conseguia identificar muita coisa, só o geral: estava no banheiro, com uma linda garota ruiva e pervertida da qual o nome não tinha certeza e ela queria receber prazer. Não precisava saber mais de nada. Apenas aquilo já seria o suficiente para fazer da noite uma alegria.
Quando deu por si todas as suas roupas já jaziam no chão, e Mônica estava abaixada em sua frente. Não conseguia ver direito o que ela fazia, o álcool junto com o tempo e o calor do momento fez sua visão ficar mais embaçada ainda, mas mesmo que não visse, sentia, e era bom. Então fechou os olhos e aproveitou.
Teddy voltou a ter oito anos, desta vez, entretanto, estava na cozinha da casa de seu padrinho Harry. Parecia ser noite de Natal, toda a família estava reunida em volta de uma mesa, comendo a ceia magnificamente feita por Molly, Hermione e Gina. Até que deu meia noite e a troca de presentes aconteceu.
Teddy recebeu um pequeno embrulho de Victoire:
— Eu que comprei. Espero que você goste.
Teddy abriu o presente e era um anel com o símbolo de Hogwarts.
— Nossa, Vick, gostei mesmo. Obrigado.
Teddy abriu os olhos quando Mônica levantou e começou a beijar toda a barriga de Teddy. Olho rápido para sua mão esquerda e viu que o anel estava em seu dedo indicador.
Mônica ainda não estava completamente sem roupas. Ainda carregava as duas últimas a serem tiradas. Teddy deu fim a elas. Então ele que começou a beijar cada parte do corpo de sua companheira. Ela deixava sem nem pestanejar. Apenas aproveitava o momento, assim como ele fizera.
Os papeis foram invertidos, agora quem estava de joelhos era Teddy e Mônica que estava de olhos fechados, provavelmente nas nuvens. Tempo depois, Teddy se levantou, foi ao bolso de sua calça emprestada, e pegou a coisa que Scott perguntou se ele e Guilherme tinham.
Colocou-a.
E começou a usá-la.
O trabalho era praticamente todo de Teddy, mas ambos sentiam a mesma coisa. Teddy estava com os olhos fechados, tentando aproveitar cada segundo naquele banheiro. Mais uma cena apareceu em sua cabeça.
Agora Teddy parecia um ano mais velho e todos seus primos acompanharam o crescimento. Era aniversário de Victoire, aparentemente. Decoração toda lilás com branco, Teddy se lembrava daquele dia.
Era hora de cantar parabéns para você, todos se reuniram em volta da mesa com um bolo na forma de beija-flor, a linda e pequena Victoire era a única atrás do bolo. A música terminou e Victoire cortou um pedaço do bolo, era parte da cauda.
— O primeiro pedaço vai para um grande amigo: Teddy.
Teddy colocou os pés no chão novamente. “Por que é que isso fica na minha cabeça, porra? Não quero me lembrar dela. Agora é o momento que eu realmente não ligo para ela.”
A fim de esquecer ela completamente. Teddy aumentou a velocidade do que fazia. Poucos minutos depois foi possível ouvir uma onomatopéia de prazer de ambos os lados. Haviam chegado ao auge. Ambos estavam ofegantes. Mônica abriu os olhos e disse:
— Quando perguntei se você queria mais, não sabia que você tinha todo esse poder.
Teddy sorriu satisfeito. De fato, aquilo fora muito bom.
Vestiram-se novamente e saíram. Ninguém pareceu notar que duas pessoas saiam do banheiro depois de entrar nele há muito tempo. O número de pessoas havia aumentado, talvez fosse por isso.
Teddy não conseguia achar Guilherme, provavelmente fora fazer a mesma coisa que ele. Mônica havia sumido enquanto Teddy ficara procurava pelo amigo. Não tinha ideia que horas era, ou quanto tempo tinha passado, mas realmente não se importava.
Sentou-se novamente no bar para descansar, precisava retomar toda energia. Pediu mais uma dose de tequila. Tomou-a mais rápido que as outras três. Aquela poderia ter sido a maior burrada da vida dele. Mas ele já tinha feito coisa pior. Ficar bêbado na balada não era novidade. Queria mesmo era aproveitar.
Cambaleando, voltou para a pista de dança, não ligava para Mônica mais. Queria mesmo era ficar com mais garotas, experimentar novas bocas. Dançava com qualquer uma que desse brecha para ele entrar. Ele beijava mais do que era beijado. Quem liga para Victoire quando se tem isso? Estava agora com uma menina de cabelo preto, não conseguia se lembrar do nome dela. Mas o jeito que dançava com ele era pior do que quando ele dançava com Mônica. Bêbado que estava, tonto e sem saber o que fazia direito, acabou chamando-a para ir ao banheiro, mesmo que não aguentasse fazer aquilo mais uma vez. Ela acabou recusando. Disse alguma coisa, Teddy não entendeu, mas era um fora de qualquer jeito. Teddy, incrivelmente, não insistiu, provavelmente o álcool já tinha mexido com seu cérebro de tal maneira que seus normais sensos foram ignorados.
Dançou que chegou a suar. Ficou com mais meninas que sua boca estava rachada. “Isso que é vida. Chorar pela Victoire? Não mais”. Foi ao bar e pediu mais uma dose. Quinta e ainda estava de pé. Ninguém normal beberia mais, trouxas normais já teriam parado e estariam provavelmente cambaleando por aí, aos prantos por um amor não correspondido ou talvez vomitando por mal-estar.
— O senhor já bebeu demais, não acha que deve parar? – disse o homem do bar.
— Eu... quero mais uma dose, agora – disse com a voz completamente embriagada.
Discutir com bêbados não é a melhor coisa a se fazer, principalmente num lugar cheio onde ele possa realmente causar muito estrago, então o homem cedeu e deu mais uma dose. Nem o tempo de a bebida passar pelo esôfago e Teddy já ria de tudo, olhava para a cara de qualquer um e ria. Sem motivo nenhum, sem ver ninguém ele estava rindo.
Sentiu uma pontada no estômago, ia vomitar. Não tinha tempo de chegar até o banheiro, se vomitasse na pista seria horrível. Foi para um canto que estava milagrosamente vazio e ali vomitou. Sentiu que até suas tripas saíram.
Não tinha força para se mexer mesmo se quisesse. Não conseguia formular uma só frase com sentido. Estava completamente tonto. Desabou no chão e apagou.
Vick e Teddy comiam juntos numa mesa. Era páscoa. Ele aparentemente tinha dez anos, agora. Victoire, então, tinha sete. Comiam, cada um, várias guloseimas que ganharam de seus pais, tios e avós. As outras crianças estavam ainda procurando mais doces. Teddy e Victoire já tinham achado o que queriam, então estavam comendo.
— Teddy, você é muito legal. Espero que sempre possamos ser amigos.
— Você também é legal, Vick. Eu vou ser seu amigo para sempre. Eu juro.