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Fic: Doce resgate


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Capítulo 12

Não encarou muito bem a novidade. Durante um prolongado instante, simplesmente se negou a acreditar que Gina pudesse ser Pagam. Só um homem poderia cometer atos tão atrevidos – pensou - Só um homem.

Remus, Moody e Ronald o observavam com atenção. Harry negou com a cabeça, e os outros três assentiram ao uníssono.
- Vejo que custa a acreditar - disse Remus, com expressão de simpatia - Mas é verdade, Harry. Moody lhe pôs esse apelido faz anos, porque...

- Eu o direi - interrompeu Moody - Foi pela cor do cabelo, filho. Quando era pequena, era vermelho como o fogo.

A expressão de Harry indicava às claras que ainda não podia acreditar. Moody achou que não entendia o motivo para um apelido tão especial.

- Naquele tempo, também era selvagem como o demônio – explicou - Como uma pequena infiel.

A expressão de Harry passou lentamente do ceticismo à fúria, e Remus e Moody se inquietaram. Só Ronald desfrutava da situação.

- Harry, por acaso um homem pensaria em deixar uma rosa quando partisse? - disse, com a intenção de esfregar sal na ferida - É o trabalho de uma mulher, me espanta que ninguém, até agora, tenha se dado conta disso. Não acha, Remus?

- Sim - respondeu Remus, com o olhar fixo no irmão - É espantoso.

Depois dessa afirmação, ninguém disse uma palavra por um bom tempo. Moody e Ronald esperaram que Harry começasse a digerir a verdade.
Remus conhecia melhor seu irmão que seus amigos, e esperou, sem impacientar-se, que Harry explodisse.

Gina estava no salão, ajudando Stems a arrumar a mesa. Assim que o mordomo lançou uma olhada para o semblante da moça, compreendeu que algo de ruim acontecia: estava pálida como a toalha.

A única coisa que Gina disse foi que seu tio tinha chegado, e que ele e quatro de seus homens jantariam antes de partir. Também insistiu que usassem a melhor louça.
Stems foi à cozinha ordenar que fosse feita a comida, coisa que provocou na cozinheira e em Bemice, a ajudante, um frenesi de atividade, e logo o mordomo voltou para salão.

Encontrou Gina observando uma bandeja de prata.
- Meu tio gostará dessa peça – comentou - O desenho é magnífico.

Stems assentiu.

- É um presente do rei – explicou - Quando o marquês recebeu seu título, Remus deu uma festa maravilhosa em sua honra. O rei estava nela e lhe deu esta bandeja. Se virá-la, verá a inscrição. Gina negou-se com a cabeça e lançou a bandeja em direção a Stems.
- Esconda-a.

- Como diz?

- Esconda-a, Stems - repetiu, olhando ao redor, e depois perguntou - Há outras coisas que Harry teria especial interesse em conservar?

- O jogo de chá de prata, ao lado do bar – disse - Acho que é especial para milorde.

- Foi presente do rei também?

- Não, foi sua vó que lhe deu de presente.

- Esconda-o também, Stems. Ponha essas coisas sob a cama de Harry: ali estarão seguras.
- Milady, sente-se bem?

- Sim.
- Não parece - afirmou Stems – Anda como se estivesse em transe. Sei que não está bem.

Gina foi para a porta, e uma vez ali, voltou-se para Stems.
- Você foi muito bom comigo. Nunca o esquecerei:
Stems se sobressaltou. Gina estava a ponto de fechar a porta, quando Harry chegou em sua busca.
- Gina!

O bramido fez as taças de cristal tremerem e Gina não reagiu, mas Stems deu um pulo.

- Acho que seu patrão acaba de ouvir notícias inquietantes - disse a moça - Esperava que meu tio aguardasse... Bom, não importa.

Stems a seguiu para a entrada, e, quando começou a subir as escadas, chamou-a:

- Acho que milorde gostaria que você fosse se unir a ele, lady Gina.

Gina continuou subindo.

- Eu ficaria ao seu lado - prometia o mordomo - Sei que, em certas ocasiões, seu humor pode ser assustador.

Stems esperou que Gina desaparecesse, e depois correu para o salão.

Ao ver Remus, o mordomo teve dificuldades para manter sua rígida compostura.
- Meu Deus, Remus, é você! - balbuciou.
- Olá, Stems - disse Remus – Fico feliz em vê-lo. Continua dando ordens ao seu senhor?

Stems demorou a se recuperar.
- Faço o melhor que posso.

- Ele é um criado? - perguntou Moody.
- É um ditador, não um criado – afirmou Remus, sorrindo.

Stems virou-se para o homem mais velho que, evidentemente, não enxergava muito bem, e tentou não soltar uma exclamação.

- Meu jantar ainda não está servido? – vociferou Moody.

Stems chegou à conclusão que aquele devia ser o tio de Gina. O estranho sentado junto a Remus era muito jovem.

- Já está quase pronto – disse por fim, virando-se para Harry – Milorde, tenho que falar com o senhor, imediatamente, no vestíbulo. É uma questão muito importante.

- Agora não, Stems - disse Harry, em tom fatigado - Falaremos depois.

- Talvez não me tenha escutado – insistiu Stems - Há um problema que requer solução imediata. Trata-se de lady Gina.

Harry não se surpreendeu absolutamente.
- O que ela queimou agora? A cozinha?

- Milorde, não é hora de brincar - replicou o mordomo.

- Acha que estou brincando, Stems?
O mordomo cruzou os braços sobre o peito.
- Neste momento, lady Gina não está queimando nada: está indo embora.

Essa notícia obteve a reação que Stems esperava. Ao ver que o senhor ficava de pé, saiu do caminho e fez um gesto de satisfação, quando Harry vociferou:
- Não sairá daqui!

O mordomo esperou a que o patrão saísse, e se dirigiu outra vez para o tio de Gina:
- O jantar será servido em um momento – anunciou, já recuperado o tom altivo.

Harry subiu os degraus de dois em dois. O coração retumbava com força. Pela primeira vez na vida, sentia pânico, e aquele sentimento não o agradava nenhum pouco.
Assim que abriu a porta do quarto de Gina, viu-a e o pânico o abandonou imediatamente. Bateu a porta com força e se apoiou contra ela.

Inspirou profundamente, tentando se acalmar. Gina fingia não vê-lo e, de pé junto à cama, dobrava um vestido de cor dourada. A bolsa estava aberta e cheia quase até o borda.

- Pode parar de arrumar - disse, espantado por sua voz soar tão enérgica - Não irá à parte alguma.

Gina virou-se para enfrentá-lo. Estava resoluta em acertar as contas e mostrar exatamente o que pensava daquilo tudo, antes de partir, mas, quando viu a expressão, o coração parou e esqueceu tudo o que queria dizer.

Sua fúria era evidente pela contração dos músculos de sua face. Enquanto tentava recuperar a coragem, Gina o contemplava fascinada.

- Nunca deixarei que me abandone, Gina - disse Harry - Nunca. Ouviu bem?

Toda aldeia tinha escutado, pensou Gina, com o grito de Harry ainda retumbando nos ouvidos.

Teve que recorrer a toda sua força de vontade para enfrentá-lo e moveu com lentidão a cabeça.
- Me chamou de rameira - murmurou.

A angústia que ressonava em sua voz fez Harry estremecer e parte da ira dissipou.
- Não, não a chamei de rameira.

- Pensou - replicou a jovem - Estava a ponto de dizê-lo.

- Não é assim - respondeu o homem - Gina, neste momento temos um assunto mais importante para tratar.

Gina abafou uma exclamação:

- Mais importante do que me chamar de rameira?
Harry se afastou da porta e foi em sua direção, imediatamente, Gina retrocedeu.

- Não se aproxime. Não quero que volte me tocar.

- Nesse caso, será desventurada o resto de sua vida, Gina, pois estarei tocando-a todo o tempo.

- Não me quer, realmente - gritou Gina - A que quer é à mulher vulnerável e fraca que fingi ser. Não conhece a verdadeira Gina. Não, não a conhece - insistiu, ao ver que o homem negava com a cabeça - Na verdade, sou muito forte e decidida. Só fingi precisar, seu tolo, para que se sentisse obrigado a ficar comigo, por honra!
Além disso, usei todas as artimanhas que essas mulheres frágeis usam. Sim, fiz isso! Reclamei com freqüência e chorei sempre que aparecia uma oportunidade.

Harry a agarrou e a segurou com brutalidade contra si.

- Irei embora - exclamou Gina - Não pode colocar isso na...?

- Ficará.

- Odeio você - murmurou Gina, para depois explodir em lágrimas.

Harry apoiou o queixo sobre cabeça de Gina.
- Não, não me odeia - sussurrou.

- Odeio tudo que tem a ver com você - gemeu, entre soluços - Mas, sobre tudo, odeio a forma como me contradiz.

- Gina.

- O que?
- Neste momento, suas lágrimas são uma farsa?
Gina não conseguia parar de chorar tempo suficiente para responder com clareza.

- Claro que sim – balbuciou - Eu nunca, jamais choro - adicionou, um instante depois – Só mulheres fracas choram.

- Mas você não é fraca, não é, meu amor?

O sorriso de Harry era tão tenro quanto sua voz, mas continuava apertando-a com mãos de ferro, embora Gina já não lutasse para se soltar.

Sentia vontade de ser abraçada para o resto de sua vida.
- Gina.
- E agora, o que é?
- Amo você.

A única resposta de Gina foi estremecer. Harry compreendeu que a aterrorizava.
- É a mulher mais confusa que conheço - murmurou, suspirando - Entretanto, que Deus me ajude, pois a amo!

- Eu não te amo - balbuciou Gina - Não gosto de você e muito menos confio.

Concluiu a declaração com um soluço. A rejeição de Gina não fez efeito nenhum em Harry.

- Amo você – repetiu - Agora e para sempre.
Gostava de abraçá-la enquanto chorava. Por Deus, quantas lágrimas armazenadas!

Deviam ter ficado ali, abraçados, cerca de dez minutos, antes que Gina pudesse recuperar-se. Enxugou as faces com as lapelas da jaqueta masculina, e se separou dele.

- Será melhor que desça - murmurou.
- Não sem você.

- Não - replicou Gina - Ronald e Moody perceberão que estive chorando. Ficarei aqui.

- Gina, não pode... - interrompeu-se na metade da frase, e perguntou – Qual é o problema de chorar?
- Não é que esperam de mim - respondeu.

- Tente explicar o que quer dizer – pediu com gentileza.
Gina o olhou, zangada:
- Harry, temos que cuidar das aparências.
Gina foi até a cama e se sentou.

- Não quero falar sobre isso. - Suspirou e depois adicionou - OH, está bem, nos veremos lá embaixo...
Harry já meneava a cabeça.
- Esperarei por você.

- Não confia em mim?
- Não.

Harry esperava que Gina explodisse, mas ela o surpreendeu, pois se limitou a encolher os ombros.

- Bom – disse - Não confie em mim, Harry. Partirei à primeira oportunidade. Não ficarei aqui, esperando que me abandone. Não sou tão tola.

Por fim, o homem entendeu: Gina já não podia esconder o quanto se sentia vulnerável diante ele.
- E está totalmente certa de que vou abandoná-la, não?
- É obvio.

A réplica foi tão cândida que Harry não soube como proceder.
- Embora eu diga que te amo,...

- Ronald e Moody também me amam - interrompeu-o.

Harry desistiu de convencê-la, pois supôs que seria inútil. Compreendeu que teria que esperar e procurar outro modo de derrubar as barreiras de Gina.

De súbito, Harry sentiu vontade de descer e matar Ronald e Moody. Mas não podia desfazer o passado da mulher que amava. Não, só podia brindá-la um futuro seguro e sólido.

- Nunca a abandonaria... - interrompeu-se, e depois disse - Muito bem, Gina, pode ir quando quiser.

Ao ouvi-lo, os olhos da moça se abriram, surpresos. Pareceu a ponto de chorar novamente, e Harry se sentiu como um ogro.

- Pode ir embora quando quiser.
Gina baixou o olhar.
- Obrigado.

- Não há de que - respondeu Harry, marcando as palavras.

Caminhou para ela, a fez ficar de pé e erguendo sua cabeça.
- Só um pequeno detalhe - adicionou.
- Qual?

- Cada vez que partir, eu irei atrás de você. Não haverá lugar no mundo onde possa se esconder, Gina. Eu a encontrarei e a trarei de volta. Este é seu lugar.
A moça tentou afastar a mão de seu queixo.
- Nunca me encontraria - murmurou.

O homem percebeu o pânico na voz da mulher, inclinou-se para beijá-la, mas não encontrou sua boca, pois Gina afastou o rosto. Então Harry segurou sua cabeça entre as mãos e capturou os lábios suaves com os seus.

A língua tomou posse. Quando Gina o beliscou, Harry gemeu e depois aprofundou o beijo. Por fim a língua da moça se esfregou contra a dele, já dissipada toda resistência.

Rodeou a cintura masculina com os braços e pareceu derreter-se contra ele.
- Amo você - repetiu Harry, ao erguer a cabeça.
Gina começou a chorar outra vez.

- Cada vez que eu disser que te amo vai chorar? - perguntou o homem.

Não estava irritado e sim divertido. Gina negou com a cabeça.

- Ainda não compreendes, Harry. Não entrou em sua cabeça.

- O que é que não entendo? - perguntou, com voz doce de ternura.
- Não entende quem sou – exclamou Gina.

Harry suspirou outra vez. Tomou a mão e saíram do quarto. Só quando estavam na metade de caminho para o vestíbulo, dignou-se responder:

- Entendo muito bem quem é: é minha.

- Também detesto sua possessividade - disse Gina, às costas de Harry.

Harry se deteve na porta do salão e então soltou sua mão.

- Se tentar se afastar de mim enquanto estou aqui, juro que a envergonharei do pior modo. Entendeu?

Gina assentiu. Quando Harry começou a abrir a porta, captou a mudança na expressão de Gina: já não existia a mulher vulnerável que estava entre seus braços instantes atrás. Gina tinha um ar sereno, e Harry ficou tão atônito que moveu a cabeça.

- Já estou preparada - anunciou Gina - Mas, se contar a Moody que dormimos juntos...

- Não o farei - interrompeu-a Harry, antes de que começasse outra vez a assusta-la - A menos que me abandone, é obvio.

Gina lhe lançou um breve olhar de recriminação, depois compôs um sorriso e entrou no salão. Assim que ela e Harry entraram, a conversa cessou. Gina se sentou no braço da poltrona junto ao fogo e fez gestos para que se sentasse.

- Falta pouco para que meu jantar seja servido? – perguntou Moody.

- Em um ou dois minutos - respondeu Gina - Tio, insisti que preparassem o melhor para você, e isso leva um pouco mais de tempo.

Moody a olhou, radiante.

- Sou um homem de sorte, Pagam, em ter você cuidando de mim - gorjeou.

- Não a chame de Pagam.

O áspero murmúrio de Harry fez Gina estremecer, pela fúria que vibrava nele.

Ronald riu sarcástico, enquanto Moody olhava para Harry com os olhos surpresos.
- Por que não? É seu nome.

- Não, seu nome é Gina - replicou Harry.
- Meu nome é Pagam.
A voz de Gina era gélida.

- Lamento que não goste, Harry, mas é...

Quando Moody segurou sua mão e começou a apertá-la Gina interrompeu a explicação.
- Não acredita - disse Moody.

Gina não respondeu o tio, mas, achou que estivesse certo. Se o tivesse compreendido, Moody não haveria apertado sua mão dessa forma.

- Tio, ele acha que todas as mulheres são fracas - murmurou Gina.

Moody bufou, e estava a ponto de contar algumas de suas histórias preferidas a respeito das habilidades de Gina, quando os homens que tinha mandado à aldeia retornaram de sua tarefa.

Os homens se aproximaram de Moody com passo cambaleantes.
- E bem? O que conseguiram, rapazes?
- Onze pares - respondeu o mais recupeado dos dois marinhos.

Sob o olhar cada vez mais atônito de Harry, começaram a aparecer óculos de todos os tamanhos e formas, que caíam sobre o colo de Moody. O velho provou o primeiro par, olhou de esguelha para Harry, tirou os óculos e aos jogou sobre o ombro.
- Não servem - murmurou.

A cerimônia se repetiu com os outros óculos, até que no oitavo, deu um suspiro feliz.
- Estes servem - afirmou.

- Tio, prove os outros - propôs Gina - Talvez haja outro par que goste mais.

Moody fez o que aconselhara e colocou outro par de óculos em seu bolso.
- Moços, cumpriram bem a tarefa; estou orgulhoso de vocês.

Harry deixou cair a cabeça. A imagem de como os homens de Moody tinham conseguido os óculos o obrigou a sorrir contra a vontade.
- Antes que Moody chegue em sua casa, meia Inglaterra estará entreabrindo os olhos – predisse Remus, rindo divertido.

-Está me ofendendo, moço? - perguntou Moody.
- Não, me limito a ser sincero – respondeu Remus.
Sterns abriu as portas e anunciou que o jantar estava servido.
Moody pulou da cadeira. Ronald e Remus saíram de seu caminho justo no momento em que o tio chutava o banquinho.

-Vem comigo? – perguntou Moody, passando junto a Gina.

Harry apertou sua mão com mais força.
- Não, tio, fico aqui. Tenho algo a explicar. Que você e os rapazes desfrutem da comida.

Assim que Moody saiu; Gina indicou aos homens que o seguissem. Arthur pareceu a ponto de discutir a ordem. A expressão do homem estava cheia de hostilidade, e seu alvo era Harry.

Gina se limitou a olhá-lo. A mensagem sem palavras obteve seu objetivo, e o grandalhão se apressou em sair do aposento.

- Feche as portas - ordenou Gina.
- Se me chamar, não a ouvirei – disse Arthur.
- Ouvirá - prometeu Gina.

- Eu também - disse Ronald, entre dentes - Sou capaz de cuidar de minha irmã, Arthur.

- Isso eu quero ver - murmurou Arthur, alto o bastante para que se ouvisse. Lançou um último olhar carrancudo para Harry, e saiu, fechando as portas.
- Está tranqüilo o bastante para explicar o problema a Harry?

Na realidade, Remus, queria terminar com aquilo para poder ir.

- Sim, estou tranqüilo - disse Remus.

Voltou-se para Ronald, que lhe fez, um gesto afirmativo, e depois se concentrou em Harry.

- Quando eu cursava meu último ano em Oxford, um homem chamado Willburn abordou-me. Era do Escritório de Guerra, e estava recrutando homens para fazer um trabalho de inteligência para a Inglaterra. Nosso país ainda não estava em guerra oficialmente com a França, mas todos sabíamos que era questão de tempo. De qualquer modo, Willbum sabia que trabalhava para Cornelius. Naquele momento, devia ter perguntado por que não podia comentar minhas tarefas com você, Harry, mas não perguntei. Você nunca falava de seu trabalho, e eu cheguei conclusão que era assim que devia ser. Para ser sincero, achei que estava apaixonado pela espionagem. - Adicionou, com expressão humilde - De todos os modos, me via como o El Salvador da Inglaterra.
- Como conheceu Ronald? – perguntou Harry.
- Quase um ano depois de ter começado a trabalhar para Willburn. Foi recrutado quase do mesmo modo que eu. Depois, Ronald e eu nos tornamos bons amigos. - interrompeu-se, para sorrir em direção ao amigo - Ronald não é fácil de gostar.

- Percebi - disse Harry.
- Continue, Remus - exigiu Ronald.

- Levou muito tempo conquistar a confiança de Ronald, de fato, quase outro ano trabalhando juntos. Até então, não confiava em mim. Mas depois, em uma viagem de volta a França, contou-me por carta que tinha encontrado Pagam.

Remus mudou de posição, fazendo caretas de dor. Ronald se deu conta antes que ninguém, e imediatamente acomodou o tamborete melhor sob a perna do amigo. Com delicadeza surpreendente em um homem tão corpulento, ergueu a perna ferida de Remus, deslizou uma almofada sob o tornozelo e perguntou:
- Assim está melhor?

Harry observava Ronald e viu a preocupação refletida em seus olhos, de repente compreendeu que, afinal de contas, não poderia odiá-lo.

Semelhante revelação foi uma decepção amarga, pois Harry queria odiá-lo. Aquele canalha tinha abandonado sua própria irmã, deixou-a para que se virasse sozinha. Por sua culpa, Gina construíra tantas barreiras em torno de seu coração, por esse motivo guardava em seu interior tanta dor.

Mas Remus estava vivo.

- Harry - disse Remus, guiando outra vez o irmão para a conversação - Acha possível que um governo paralelo opere dentro desse governo?

- Tudo é possível - respondeu Harry.
- Já ouviu falar do Tribunal? - perguntou Remus, apenas em um sussurro.

Remus e Ronald balançavam a cabeça, preparando-se para escutar a negativa de Harry, e depois o deixariam estupefato quando contassem o que tinham descoberto.
- Sim, ouvi falar do Tribunal.
Remus ficou atônito.
- Ouviu?

- Quando? - quis saber Ronald - Como?

- Ronald, pouco depois da morte de seu pai, houve uma investigação e se vinculou ao conde todo tipo de atividades subversivas. Confiscaram suas terras, os filhos ficaram na pobreza...
- Como sabe disso? - perguntou Ronald.
Antes de responder, Harry olhou para Gina.

- Quando ela me disse quem era seu pai, pedi para que James fizesse averiguações.

- Quem é esse James? - perguntou Ronald.
- Nosso amigo - respondeu Remus.

- Pode-se confiar nele? - perguntou Ronald.

- Sim - respondeu Remus, antes que o irmão - Harry, essa foi uma escolha prudente: James não teria interrogado às pessoas erradas, como eu fiz.

Gina começou a sentir dor nas costas pela posição incômoda, e soltou sua mão da de Harry, surpreendida quando ele não a reteve.
Mas, sabia que não devia ir. Estava certa que Harry cumpriria a ameaça e a envergonharia, então se sentou na cadeira vazia.

- James não interrogou ninguém - explicou Harry - Limitou-se a procurar a informação nos arquivos.

- Não pôde tê-lo feito - interveio Gina - Pois o arquivo de meu pai não existe.

Ante uma afirmação tão significativa, Harry ergueu uma sobrancelha.
- E como sabe que falta?
Gina encolheu os ombros com delicadeza.
- Porque eu o tirei - admitiu.
- Você o quê?

- Harry, neste momento o arquivo não é o assunto em questão - precipitou-se, tentando apaziguá-lo.

- Como foi que James...? - começou Ronald.

Enquanto respondia o irmão, Harry continuou olhando, carrancudo, para Gina.

- Cornelius também era diretor de James, além de meu, e possuia seus próprios registros. Foram esses que James leu.

- Depois da investigação, meu pai foi inocentado? - perguntou Ronald.

- Não - respondeu Harry - Tampouco foi condenado, Ronald, pois não havia provas suficientes.
- Agora há - murmurou Gina.

- Prova para inocentar seu pai? - perguntou Harry.
- Não, para condená-lo. Li as cartas de papai.
A tristeza que transparecia na voz de Gina oprimiu o coração de Harry. Ainda sentia vontade de estrangulá-la por havê-lo enganado, mas, ao mesmo tempo, queria beijá-la.
- Harry, como pode sorrir? - perguntou Remus - Isto não é...

- Perdão - disse Harry, que não sabia que estava sorrindo - Estava distraído.

Enquanto falava, olhava para Gina que, por sua vez, olhava suas mãos.

- Continue, Remus - ordenou então Harry, concentrando-se outra vez no irmão.

- Depois do funeral do pai, Pagam... quero dizer, Gina, partiu com Moody . O conde confiava por inteiro em Moody.

- Isso é difícil de acreditar - comentou Harry.
- Moody é um bom homem - disse Gina - Tem bom coração.

- Estou certo que sim - afirmou Harry - Mas você falou de outra amiga íntima, de uma mulher chamada lady Briars, que estava disposta a levar você e Ronald para a casa dela. Não entendo por que seu pai preferiu aum ladrão, em lugar de...

- Foi uma questão de confiança – explicou Ronald - Meu pai havia trabalhado contra a Inglaterra, Harry, e pensou que nenhum de nós estaria a salvo aqui. Moody era a melhor possibilidade.

- Por que acreditou que não estariam seguros?
- As cartas - respondeu Remus - O conde conservava todas as que recebeu dos outros dois.

O nome operativo do pai de Ronald era Raposa, e era um dos três integrantes do Tribunal. Os outros dois eram Ice e Príncipe.

- Meu pai era muito idealista - interveio Ronald - No começo, acho que guardou as cartas para as gerações futuras. Estava convencido de que fazia algo heróico pela Inglaterra. Não obstante, as coisas se deterioraram com muita rapidez. Logo, faziam apenas pelo bem do Tribunal. Qualquer coisa era válida se contribuísse para reforçar o poder deles.

- Foi uma lenta metamorfose - disse Remus - A primeira carta, fechava-se com a frase: pelo bem da Inglaterra. Logo, depois da décima carta, ou possivelmente a décima primeira, a frase mudou.

- Para qual? - perguntou Harry.

- Começaram a usar a frase: pelo bem do Tribunal - respondeu - Ice foi o primeiro a usar essa saudação, e os outros dois o seguiram. Com isso então a corrupção se fez completa.

- Remus, muito antes disso começaram a agir de forma independente - assinalou Ronald.

- O fim justificava os meios - explicou Remus a Harry - Sempre que acreditassem que o que faziam era pelo bem da pátria, eram capazes de justificar qualquer coisa.

- Uma atitude muito similar à sua, Gina - afirmou Harry.
O comentário a surpreendeu tanto, que arregalou os olhos.

- Não, não se parece com minha atitude – replicou - Harry, eu não pareço com meu pai, não aprovo o que fez. Embora seja um pecado admitir, tampouco tenho algum sentimento por ele. Meu pai escolheu seu próprio caminho.

- As terras de seu pai foram confiscadas, e tiraram sua fortuna - disse Harry.
- Sim - admitiu Gina, perguntando-se aonde ele queria chegar.

- Por isso rouba os ricos, Gina. Eu diria que assim está olho por olho.
- Não é verdade!
A interjeição indicou ao Harry que a opinião a aborrecia.


- O poder corrompe – assinalou - E o poder absoluto corrompe de modo absoluto.

- Não preciso que cite Maquiavel, Harry. Admito que o Tribunal pretendia o poder absoluto.
- Estava no mesmo caminho.

- Não! - exclamou a moça.
- Estava, Harry? - perguntou Remus.

- Estava - confirmou Harry, em tom bastante áspero.

- Isso significa que você... - começou Remus.
- Agora não, Remus - ordenou.

- Do que estão falando? - perguntou Gina - Eu jamais persegui o poder absoluto.

Harry não lhe deu ouvidos.
- Conte-me o que falta - ordenou a Ronald.

- Nosso pai mudou de idéia – disse Ronald - Quando seu diretor, um sujeito chamado Hammond, foi sancionado, a consciência começou a importuná-lo.
- Sancionado? - burlou-se Remus - Que palavra amável para um fato tão terrível!

- Hammond era o diretor dos três - interveio Ronald - Eram Ice, Príncipe e Raposa. De todo jeito, no princípio, faziam tudo o que lhes ordenava. Mas, não passou muito tempo até que começaram a agir de maneira independente. Hammond começou a inteirar-se do que faziam, e os três estavam seguros de que cada vez se tornava mais poderosos. Ice teve a a idéia de sancioná-lo.

- Meu pai não queria matar Hammond - disse Gina – Ia para Londres, avisar ao diretor, quando o mataram. Ao menos, isso foi o que pudemos deduzir.

- Quem foi assassinado? Seu pai ou Hammond? - perguntou Harry.

- Nosso pai - respondeu Ronald - Tinha enviado uma nota a Hammond, dizendo que tinha que vê-lo o mais depressa possível, que era urgente, uma questão de vida ou morte.

- E como puderam deduzir? –perguntou Harry.

- No funeral de meu pai, Hammond me mostrou o bilhete - respondeu Ronald - Perguntou se eu sabia algo a respeito desse problema urgente. Certamente, eu não sabia de nada, estava na escola, e Gina era muito pequena.

- Nosso pai confiou em Moody e lhe deu as cartas que tinha guardado.

- E, quando era mais velho, Moody contou tudo? - perguntou Harry a Gina.

A jovem assentiu, mas sem olhá-lo, com os olhos fixos em seu próprio colo.

- Moody queria que Ronald fosse conosco. Papai tinha um navio, e Harry estava inclinado a se transformar em um pirata. Ronald queria terminar os estudos. Pensou que Moody me levaria para uma ilha do sul, e que eu estaria segura até que ele pudesse ir me buscar.

- Quando comecei ouvir a respeito das incursões de um pirata chamado Pagam, confesso que jamais teria ocorrido que poderia ser Moody - comentou Ronald.

- Por que não foi procurar Gina? - perguntou Harry.

- Não podia - respondeu Gina, sem dar tempo ao irmão - Moody e eu nunca estávamos tempo suficiente em um lugar. Por outro lado, naquele tempo Ronald tinha seus próprios problemas.
Os inimigos de papai sabiam que ele tinha conservado as cartas, e estavam desesperados para encontrá-las. Depois de ter revistado a casa de Ronald, deixaram-no em paz... ao menos por um tempo, até que começaram uma nova investigação em nossa cidade.

- Você tinha as cartas? - perguntou Harry - Ou Moody as escondia em lugar seguro?

- As tínhamos no Emerald - respondeu a moça.
- Quero-as - exigiu Harry - O navio está perto o bastante para enviar um de meus homens?

Interrompeu-se ao ver que Gina movia a cabeça.
- Não há necessidade de ir busca-las: eu posso dizer o conteúdo.

- Palavra por palavra - confirmou Remus - Pagam só precisa ler algo uma vez, para gravar o resto de sua vida.

Se para Harry pareceu um talento estranho, não o disse, e Gina agradeceu que guardasse silêncio.
- Pagam, recite as cartas para Harry - propôs Ronald.
- Se a chamar de Pagam mais uma vez mais, baterei em você até que perca os sentidos.

Ronald dirigiu a Harry um longo olhar furioso, e depois se rendeu.

- Está bem – resmungou - Chamarei-a de Gina, mas só porque não quero que ninguém ouça o apelido.

- Não me importa por que o faz, mas faça-o - disse Harry, chiando os dentes.

- Diabos, Remus, tento ser complacente, mas juro que quando isto terminar, espancarei este sujeito até acabar com sua arrogância!


Gina achou que a briga era iminente, e atraiu a atenção de todos ao começar a recitar o conteúdo das cartas. Levou mais de meia hora, mas não esqueceu uma só palavra. e quando terminou, todos guardaram silêncio um longo tempo. Cada um tentava assimilar a informação que acabava de receber.

Por fim, Remus falou.

- Muito bem - começou, com voz cheia de entusiasmo - Essa primeira carta estava dirigida a Thorton... ou seja, ao pai de Ronald e Gina, é obvio, e estava assinada por um tal William.
- Ainda não possuiam nomes operativos - informou Gina.

- Sim - admitiu Remus - Depois, Thorton se transformou na Raposa, e William em Príncipe. Ice é outra questão. Não temos nenhuma pista de quem seja.

- Remus, logo poderemos especular a respeito da identidade desse sujeito - interrompeu-o Ronald.
Remus assentiu.

- Fui ver o Willburn e contei das cartas. Ronald e eu decidimos que tínhamos que confiar nele. Afinal de contas, era nosso diretor e nunca nos decepcionou. Até hoje, não acho que esteja envolvido com o Tribunal.
- É um inocente - murmurou Ronald - Claro que conhecia esses canalhas.

- Para me convencer, terá que me demonstrar isso argumentou Remus - Então acreditarei.

Ronald negou com a cabeça e se voltou outra vez para Harry.

- Nos enviaram para o sul, no que agora sabemos era uma combinação. Tínhamos que nos encontrar com dois informantes no porto. É obvio, era uma armadilha. Antes que soubéssemos o que estava passando, estávamos os dois atados, amordaçados, e nos tinham jogados naquelas águas cálidas.
- Não dirá tudo, não é? – perguntou Gina - Não é necessário.
Nem Ronald nem Remus detectaram o temor na voz de Gina, mas Harry percebeu, e imediatamente a olhou.
- Continue, Remus - murmurou Ronald.

Harry viu que Gina retorcia as mãos e supôs que devia ter presenciado algo que a aterorizava.
- Eu fui o primeiro em cair à água - disse Remus, atraindo outra vez a atenção de Harry - Primeiro me fizeram cortes grandes e superficiais nas pernas com as facas e depois me atiraram do mole. Ronald compreendeu o que iam fazer, mas eu dou graças a Deus que, naquele tempo, não compreendi. Eu acreditei que ainda tinha uma possibilidade, entende?

O semblante de Remus se tornou cinzento, e o de Ronald também era sombrio.

- Como Shallow Wharf estava perto, passamos vários dias com Gina e Moody. Naquela época, Remus não sabia que ela era Pagam, e se apaixonou perdidamente por minha irmãzinha – continuou Ronald.

- Sim, é verdade - disse Remus, virando-se para Gina e piscando um dos olhos - Ainda estou, Gina, e se me desse a menor oportunidade...

A moça ruborizou e negou com a cabeça.
- Você é impossível...

- Remus a seguia como um cachorrinho - disse Ronald - Quando compreendeu que ela não tinha interesse, ficou tão decepcionado que embebedou-se.

- Ronald, naquela noite, me apaixonei por outras duas damas –lembrou-o Remus.

- Não eram damas - comentou Gina.

- Não, não eram - admitiu Ronald - Não sei como pode lembrar, Remus: estava tão ébrio, velho.

Remus riu:
- Lembro-me de tudo–gabou-se.

Harry se conteve, pois as expressões lúgubres dos dois jovens indicavam que precisavam brincar para poder superar essa lembrança. Gina não teve tanta paciência.

- Tommy e eu seguimos Ronald e Remus quando foram ao encontro. Guardavam tanto segredo sobre seus planos, que despertaram a curiosidade. Também tinha a sensação de que algo não estava certo.

- Quem é Tommy? - perguntou Harry.
Gina pulou da cadeira e correu para o outro lado do salão.
- Ronald, termine a história enquanto eu vou procurar alguns refrescos. Estou cansada de falar disto.

Ronald começou a chamá-la, mas Remus o deteve, apoiando uma mão no braço do amigo.
- Ainda é difícil para ela - murmurou.
Ronald assentiu.

- Claro que é difícil para ela – interveio Harry, em tom duro - Meu Deus, ter presenciado como você...!

- Não viu - sussurrou Ronald - Como explicava Remus, assim que fizeram talhos nas pernas, eu compreendi o que pretendiam. Quando tentaram fazer a mesma coisa comigo, eu lutei, e acabaram atirando em mim. Quando caí à água, senti como se meu ombro estivesse em fogo.

- Certamente, nos cortaram para atrair os tubarões. A baía está cheia desses predadores, por causa do lixo que jogam ali. Claro, o sangue os atraiu como um cadáver às moscas.

Remus percebeu que a paciência de Harry estava esgotando-se; o irmão se inclinava para diante na cadeira, com uma expressão turva no rosto.
- Tenha paciência, Harry: este não é uma lembrança agradável para nós.
Ronald assentiu.

- Acabava de terminar o crepúsculo - começou.
- Mas eu ainda via as luzes – interveio Remus.

Harry estava sentado no bordo da cadeira. Agora compreendia a causa dos pesadelos de Gina; sonhava com os tubarões. Por Deus, o terror que suportou espremia o coração de Harry!

- Pagam ordenou ao Tommy que procurasse um bote, pegou uma faca e se atirou à água atrás de nós. Os homens que nos atiraram estavam certos de que estávamos perdidos, e já tinham partido. Pagam... quero dizer, Gina, chegou primeiro a mim, suponho que porque estava mais perto. Seja como for, ergueu-me até o bote. Enquanto estavámos subindo, um tubarão carregou um bom bocado de minha perna. Tommy perdeu o equilíbrio e caiu sobre a amurada. Nunca reapareceu.

Remus interrompeu-se, voltou-se para Ronald, e este retornou o relato.

- Ainda não entendo por que, mas os tubarões se mantiveram longe de mim. Estavam frenéticos, e Tommy se transformou em sua presa. Neste momento, Gina já tinha subido Remus no bote.
- Eu tentei ajudar - murmurou Remus, com voz rouca - mas desmaiei. Quando voltei a abrir os olhos, estava a bordo do Emerald. O homem, com aparência mais estranha que eu tivesse visto, insistia para jogar xadrez comigo. Para ser preciso, Harry, achei que estava no Céu ou no Inferno. Então, vi Ronald dormindo numa cama de armar, junto a mim. Também vi sua irmã, e de repente lembrei de tudo. Parecia que tudo acabava de acontecer, mas descobri que estava inconsciente há bastante tempo.

Tentando aliviar a tensão dos ombros, Harry se reclinou na cadeira. Respirou profundamente, uma, duas vezes, e viu que Remus e Ronald faziam o mesmo.
- Quando se jogou na água... ela sabia que havia tubarões?

- Oh, sim – sussurrou Ronald - Sabia.
- Meu Deus, quanto coragem teve que ter...!
- Não quer falar disso - interveio Remus.
- Sonha com isso.

- O que? - exclamou Ronald.
- Tem pesadelos - esclareceu Harry.

O irmão de Gina assentiu com lentidão.
- É obvio, Lino e Arthur queriam ir atrás dos miseráveis que tentaram nos matar – disse Remus - Mas Gina não deixou: tinha bons motivos. Queria que informassem a seu superior que estávamos mortos. Segundo ela, era o único modo de nos manter a salvo. Acho que foi uma decisão correta. Ronald e eu concordamos em passar por mortos um tempo, até que descubramos quem diabos está por trás de tudo isso.

- Demônios, Harry, puniu-nos o nosso próprio governo!

- Não - replicou Harry - Seu governo não sabia que trabalhavam para eles. Eles os apresentaram ante Cornelius, ou seus superiores? Acaso estavam inteirados de...?

- Vamos, diga - interrompeu-o Remus.
- Certo - respondeu Harry - Vocês trabalhavam para o Tribunal.

- Sabia que diria isso - murmurou Remus.
- Não pode estar certo - argüiu Ronald.

- Até que foi informado de suas mortes, nem Cornelius sabia que trabalhavam para esse departamento, Ronald. Agora está investigando.

- Então, o matarão - predisse Ronald.
- Ele fará tudo com discrição - precisou Harry.
- Maldição, sei que cometi enganos - murmurou Ronald - Remus, quase fiz que o matassem: nunca devia o ter colocado nisto.
Remus negou com a cabeça.
- Fomos companheiros, lembra? - Voltando-se para o irmão, adicionou – Tem certeza que pode confiar em Cornelius?

- Por completo. Gina terá que lhe entregar as cartas o mais depressa possível, ou recitar o conteúdo.

- Podemos escrevê-las - propôs Remus - Assim, as originais permanecerão a salvo. Ninguém as encontrará no Emerald.

- O nome do navio foi por ela, não? - perguntou Harry, com um leve sorriso – Devia ter adivinhado antes.

- Sim, Harry batizou o navio em homenagem a Gina - disse Remus - Agora compreende por que se converteu no alvo?

Harry assentiu.
- Sim: eu procurava Pagam, e o Tribunal não podia correr o risco de que eu descobrisse o pirata e soubesse a verdade.

- Ainda corre risco, Harry - recordou-o Remus.
- Mas não por muito tempo - respondeu o aludido - Tenho um plano.
Remus sorriu para Ronald:
- Falei com você que ele teria um plano.

O alívio foi inocultável na voz do jovem. Gina voltou ao aposento, com uma aparência mais calma, quase serena. Harry notou que não o olhava, não lhe dirigia nenhuma olhar e se situava outra vez na cadeira que estava junto à lareira.

- Sterns ordenou que preparassem dois quartos para você e para o Ronald - disse a Remus - Assim que estiver preparado tem que subir e descançar.

- Tem certeza de que temos que ficar aqui? - perguntou Ronald, dando uma cotovelada em Harry - Minha casa de campo está em um local bem isolado, e antes de nossa última tarefa, tinha terminado de reformá-la - adicionou, lançando um olhar em direção a Remus - Ficaríamos bem lá.

Remus riu sem humor.

- Ouvi falar tanto desse palácio que conheço de cor, cada aposento. Não ouvia falar em outra coisa.
- Então, concorda comigo. Harry, é a casa mais bela de toda a Inglaterra neste momento...Gina, por que balança a cabeça? Por acaso não concorda que minha casa é grandiosa?
A irmã se apressou a sorrir:
- OH, sim, Ronald, sua casa era grandiosa.
Ronald se sobressaltou:

- Disse era?
- Temo ter que lhe dar uma notícia decepcionante, Ronald.

O irmão se inclinou para frente:
- Quanto decepcionante?
- Bem, houve um incêndio...
- Um incêndio?

Parecia engasgado, e Remus teve que resistir a tentação de bater em suas costas.
- Foi um incêndio bem grande, Ronald.

A voz de Gina transbordou de simpatia, e Ronald se encolheu.
- Quão grande Gina?

- O edifício principal ardeu até o porão.

Ao mesmo tempo Ronald murmurava uma fileira de obscenidades, Gina se voltou para o Harry:
- Disse que ele que ficaria decepcionado.
Para Harry, Ronald parecia algo mais que decepcionado: parecia disposto a matar alguém. Harry simpatizou-se com ele, pois quando soube que tinham destruído seus estábulos, teve o mesmo tipo de reação. Ronald respirou profundamente, e se voltou para Remus, dizendo com tom choroso:

- Acabava de terminar o último maldito aposento.
- Sim, claro - interveio Gina, apoiando ao irmão – O último maldito aposento.
Harry fechou os olhos.

- Gina, eu achei que era tudo mentira.
- O que era tudo mentira? - perguntou Remus.
- Não menti a respeito de tudo - disse Gina, ao mesmo tempo.

- Seja precisa: sobre o que não mentiu? - exigiu Harry.

- Senhor, não me fale comigo nesse tom - respondeu a jovem - Só menti quando disse que presenciei um assassinato - adicionou, com um gesto de afirmação - Na precipitação do momento, foi o melhor que me ocorreu. Ao menos, acredito que só menti nisso. Se lembrar algo mais, direi, certo? E agora, por favor, pare de franzir o cenho, Harry. Não é momento para críticas.

- Vocês, poderiam deixar a discussão para depois? - exigiu Ronald - Gina, me diga como começou o incêndio. Acaso foi um descuido de alguém?
- Foi deliberado, não por descuido – esclareceu Gina - Quem quer que tenha incendiado sua casa, sem dúvida, sabia o que fazia. Foram muito meticulosos: destruíram até o porão, Ronald.

- Demônios, a adega dos vinhos! - exclamou Ronald.
- Acredito que tentavam destruir as cartas - disse Gina - Quando saquearam a casa não puderam as achar, e então...

- Saquearam minha casa? - perguntou Ronald - Quando?

- No dia antes de incendiá-la - respondeu a irmã - OH, acabo de recordar - exclamou, lançando um olhar em direção a Harry - Menti também ao te dizer que caí pela escada. Sim, eu...

Ronald suspirou, atraindo outra vez a atenção da irmã.
- Quando isto terminar, reconstruirei a casa – anunciou - Gina, o que me diz dos estábulos? Deixaram-nos intactos?

- OH, sim, não os tocaram, Ronald. É uma preocupação a menos.

Como Harry observava Gina, viu que a aflição no semblante da moça era evidente; não compreendia por que Ronald não se dava conta de que ainda lhe faltava receber outras decepções.

- É uma pena o incêndio de sua casa - disse Remus.
- Sim - respondeu Ronald - Mas os estábulos estão bem. Remus, tem que ver meus animais. Um cavalo em particular, um potro árabe que me custou uma fortuna, mas que vale cada centavo. Chamei-o Raio.

- Raio? - riu Remus, divertido pelo nome - Tenho a impressão de que Moody teve algo que ver na eleição do nome.

- Sim - confessou Ronald, sorrindo - Mas cai bem: é veloz como o vento. Espere e verá...

Ronald deixou de alardear ao ver que Gina negava outra vez com a cabeça.

- O que acontece, Gina? Não está de acordo em que Raio é rápido como o vento?

- OH, sim, Ronald, Raio era rápido como o vento.
Ronald parecia a ponto de chorar.
- Era?

- Temo ter mais notícias decepcionantes para ti, Ronald. Houve um assalto e dispararam em seu esplêndido cavalo no meio dos encantadores olhos castanhos.
Harry se tornou outra vez para diante. Só nesse momento captou todas as implicações da que Gina lhe contava ao irmão.

- Isso significa que tampouco mentia a respeito disso?
A moça negou novamente com a cabeça.

- Diabos! - gritou Ronald - Quem disparou em Raio?
Gina dirigiu ao Harry um olhar indignado.
- Disse-lhe que se decepcionaria.

- Sem dúvida, isso não é minha culpa - murmurou Harry - De modo que deixe de me olhar assim.

- Acaso Harry atirou nele? - rugiu Ronald.
- Não - apressou-se a dizer Gina - Só que não acreditava que você se decepcionaria tanto. Naquele momento, eu não conhecia Harry.

O irmão se reclinou sobre os almofadões e cobriu os olhos com a mão.
- Acaso não há nada sagrado? - bramou.
- Ao que parece, Raio não o era - comentou Harry, com secura.
Ronald o olhou, carrancudo.
- Era um cavalo magnífico.
- Estou seguro de que o era – afirmou Harry, para logo se dirigir a Gina - Se o que me diz é verdade, isso significa que...

- Agradeceria que deixasse de me insultar, Harry - espetou-lhe Gina.

- Gina sempre diz a verdade - defendeu-a o irmão.

- Sério? - disse Harry, entre dentes - Ainda não conheço esse aspecto de Gina. Desde que a conheci, não fez outra coisa senão mentir. Não é assim, amorzinho? Mas agora isso mudará, não é verdade?

Gina não lhe respondeu.
- Amor, por que não dá a Ronald o resto das más notícias?

- O resto? Meu Deus! Há mais?
- Só um pouco mais – respondeu a irmã - Lembra-se de sua linda carruagem nova?

- Minha carruagem não, Gina! - resmungou Ronald.

Enquanto Ronald repassava a lista de blasfêmias, Gina se dirigiu ao Remus.
- Deveria tê-la visto, Remus. Era esplêndida, seu interior era amplo e cômodo. Ronald fez fazer os respaldos dos assentos em um couro muito suave.
Remus tentou demonstrar simpatia:
- Era?

- Alguém lhe jogou uma tocha – informou Gina.
- Como há pessoas capazes de destruir um veículo tão bom?

Harry foi o que respondeu:
- Sua irmã esqueceu mencionar um importante detalhe: acontece que ela estava dentro quando o incendiaram.

Remus foi o primeiro a reagir:

- Meu Deus, Gina, nos conte o que aconteceu!
- Harry acaba de dizê-lo.

- Não, nos diga exatamente o que ocorreu - insistiu Remus - Poderiam ter te matado.

- Essa era a intenção - disse Gina, exasperada - Queriam me matar. Depois de destruírem sua casa, o carro estava preparado para partir para Londres. Queria te encontrar, Ronald...

- Quantos homens foram contigo? - interrompeu Harry.
- Hudson mandou dois homens para me acompanhar - respondeu a jovem.

Harry moveu a cabeça.
- Acredito que me disse que fazia só duas semanas que retornou a Inglaterra.

- Bem, na realidade, era um pouco mais - respondeu Gina, com evasivas.
- Quanto tempo?

- Dois meses - confessou a moça - Nisso, menti.
- Poderia me haver dito a verdade.

Harry estava zangando-se, mas Gina estava muito irritada para que se importasse.

- Ah, e teria acreditado se te dissesse que eu era Pagam e que acabara de raptar o Dr.Winters e entregar-lhe a Ronald, e que nesse momento tentava...? OH! Do que serviria? Não teria me escutado.

- Espera um minuto - interrompeu Ronald - Quem é Hudson, Gina? Disse que Hudson mandou dois homens contigo, recorda?

- É o mordomo que lady Briars contratou para você.
Ronald assentiu.
- E o que aconteceu logo depois? - perguntou.

- Estávamos nos subúrbios de Londres, quando esses três homens nos apanharam. Obstruíram o caminho com ramos grossos. Quando ouvi os gritos, apareci pela janela para ver o que acontecia, e alguém me golpeou no lado da cabeça, Ronald. Tirou-me o fôlego. Embora me envergonhe admiti-lo, devo ter ficado desacordada. - voltou-se para Harry - Desmaiar não é próprio de mim.

- Gina, está divagando - assinalou-lhe Harry.
Gina o olhou, indignada, e se voltou outra vez para o irmão.

- O interior do carro ficou feito migalhas. Os assaltantes destroçaram o estofo com as facas. Eu cheirei a fumaça e, é obvio, saí em seguida.

- Procuravam as cartas? - perguntou Remus.
- Limitou-se a abrir a porta e sair? - perguntou Ronald. ao mesmo tempo.

- Sim, e não - respondeu Gina - Sim, acredito que pensaram que eu poderia ter escondido as cartas dentro do estofo. Não. Ronald, não abri a porta, pois havia ramos bloqueando os dois lados. Passei com esforço pelo guichê. Graças a Deus. O marco não era tão sólido como pensava. Na realidade, Ronald, agora que tenho tempo de pensá-lo, acredito que pagou muito por esse veículo. As dobradiças não eram nada sólidas, e...
- Gina.

- Harry, não me levante a voz - repreendeu-lhe Gina.

- Escapou desse perigo por um fio - comentou Remus.

- Estava muito assustada - murmurou Gina, voltando-se para Harry - Não tenho nenhuma vergonha em admiti-lo.

Harry assentiu: o tom de Gina o desafiava a que a contradissesse.
- Não, não é uma vergonha sentir medo.

Gina pareceu aliviada. Isso significa que necessita minha aprovação? perguntou-se Harry. Pensou um bom momento nessa possibilidade e assinalou:

- Agora entendo como se machucou nos ombros. Foi quando passou com dificuldade pela janela, não?
- Como diabos sabe que ela tem machucados nos ombros?
Ronald o perguntou vociferando, pois acabava de compreender o significado do comentário de Harry.
- Vi-os.

Se Remus não lhe tivesse posto uma mão no peito, Ronald se teria arrojado ao pescoço de Harry.

- Depois, Ronald – afirmou - Mais tarde, Harry e você poderão resolver a disputa. Ao que parece, vamos ser seus convidados durante bastante tempo.

Ronald tinha uma expressão como se lhe houvessem dito que tinha que nadar outra vez com os tubarões.

- Se partirem, você e Remus estarão em perigo - disse Gina - Seria muito perigoso.

- Temos que permanecer juntos – adicionou Remus.
Ronald assentiu.

- Harry - disse Remus - Quando começou a perseguir Pagam, colocou-se em perigo. Os membros restantes do Tribunal não podiam arriscar-se que encontrasse o pirata.

- Existia a possibilidade de que Pagam te convencesse de que não tinha nada que ver com a morte de seu irmão. Sim, era muito risco.

- E por isso, mandou Gina - disse Harry.
Ronald negou com a cabeça.

- Não a mandamos. Foi ela quem concebeu o plano do começo ao fim, e nos inteiramos depois que partiu. Não tivemos participação nessa questão.

- Como faremos para afastá-lo dos bandidos? - perguntou Remus – Se for apanhado, não poderá nos ajudar a encontrar os culpados. - Lançou um prolongado suspiro, e murmurou - Diabos, é tudo confuso! Como encontraremos esses canalhas? Não temos nada no que nos apoiar.

- Engana-se, Remus - disse Harry - Temos bastante informação para começar. Sabemos que Hammond, o diretor do Tribunal, era um chefe de departamento legítimo. Os três homens que recrutou eram Ice, Raposa e Príncipe. Agora só vivem um ou dois, certo? E um, ou ambos, são diretores de Willburn. Então Willbum deve estar levando uma vida dupla. Deve estar trabalhando tanto para o governo como para o Tribunal.

- Do que o deduz? - perguntou Ronald.
- Quando nos inteiramos de suas supostas mortes, meu pai e eu enviamos arquivos onde figuravam algumas façanhas menores que, supostamente, tinham realizado em favor da Inglaterra. Remus, Willburn se protegia, e nenhum dos arquivos tinha informação importante que pudesse comprovar-se. É obvio, deu-se como desculpa a segurança. Então, lhes concederam medalhas de honra.
- Para que? - perguntou Remus.

- Para apaziguar - respondeu Harry - Remus, nosso pai é duque. Willburn não podia simplesmente deixar que o filho dele desaparecesse, pois fariam muitas perguntas.

- E o que houve a respeito de Ronald? - perguntou Remus - Por que se importaram em honrá-lo, mesmo acreditando que estivesse morto? O pai já estava morto, e não havia nenhum outro Waikefield com título. Queriam agradar a Gina?

Harry fez um gesto negativo.
- Esquece que Ronald tem muitos outros títulos: também é marquês de Weasley, lembra? O Tribunal deve ter considerado todas as conseqüências que haveria se essa turma fosse suspeita.

- Esqueci dos Weasley - disse Remus, voltando-se para o Ronald com um sorriso - Não falou muito desse ramo da família, Ronald.

- Você falaria? - respondeu, com secura.
Remus riu.

- Não é momento para discussões – murmurou Gina - Além disso, estou certa de que todos esses rumores a respeito dos Weasley são puro exagero. Sob toda essa rudeza, são homens muito bonsa. Não acha, Ronald?

Foi a vez de Ronald rir.
- Se os olhar com um olho fechado...

Gina o olhou, carrancuda, pelo excesso de sinceridade, e voltou sua atenção a Harry.

-Foi à cerimônia em que se honrava a Remus e Ronald? – perguntou - Foi agradável? Havia flores? Havia um público numeroso...?

- Não, não assisti à cerimônia - interrompeu-a Harry.
- Que vergonha! Homenageavam a seu próprio irmão, e você perdeu...

- Gina, eu estava muito indignado - voltou a interrompê-la - Não queria escutar discursos, nem receber medalhas em nome de Remus. Deixei que meu pai se ocupasse. Eu queria...

- Vingança - interveio Remus - Como quando foi procurar os irmãos Bradley.

Depois desse comentário, Remus relatou o incidente a Ronald. Gina se impacientou uma vez mais:
- Eu gostaria de voltar para o assunto original. Harry, já lhe ocorreu alguma solução?
O marquês assentiu.

- Acredito que tenho um bom plano para afastar esses chacais do meu rastro. De qualquer modo, vale a pena tentar, embora exista uma dificuldade: ainda temos que nos preocupar com Gina.

- O que quer dizer? - perguntou Remus.

- Remus, estamos considerando dois temas diferentes. De acordo: eu sou um deles. Temos que ter em conta o que sabem: eu não deixarei de procurar a Pagam, que é, para eles, um mensageiro.

- E isso o que tem que ver com Gina? - perguntou Remus - Não é possível que saibam que é Pagam.
Antes de responder, Harry suspirou:

- Comecemos do começo. É óbvio que os outros dois membros do Tribunal sabem que Raposa conservou as cartas. Como não puderam achá-las, fizeram o melhor que lhes ocorreu a seguir. Empregaram seu homem, Willburn, para recrutar Ronald, pois era o melhor modo de manter seu pai vigiado.

Não esperou resposta de Ronald, e continuou:
- Imagino que suas habitações em Oxford foram visitadas mais de uma vez, não é?

Ronald assentiu.
- Tinham que se assegurar bem de que tinha as cartas e, por um tempo, você foi o candidato lógico. Sua irmã era muito pequena, e Moody já a tinha levado. Agora bem - adicionou, com um gesto afirmativo - Ninguém podia acreditar que Raposa tivesse entregado as cartas a Moody: seu aspecto levaria qualquer pessoa a essa conclusão. Tampouco podiam saber que fazia tempo que Raposa conhecia Moody.

Gina quis lançar um suspiro de alívio, pois Harry raciocinava com uma lógica impecável. Sentiu como se tivessem lhe tirado um peso de seus ombros, e pela expressão do Remus, supôs que sentia o mesmo alívio.

- E? - insistiu Ronald, ao ver que Harry esperava em silêncio.

- Esperaram – respondeu Harry - Sabiam que, chegado o momento, as cartas sairiam à superfície. E isso é precisamente o que aconteceu. Moody entregou as cartas a Gina, ela as mostrou ao Ronald, e este compartilhou a informação contigo.

- Tudo isso já sabemos - exclamou Ronald.
- Se acalme, Ronald - sussurrou Gina - Harry analisa as coisas de maneira metódica e não temos que atrapalhar sua concentração.

- Quando Remus contou a Willburn o assunto das cartas, este, certamente, foi ao Tribunal.
- E por isso nos puniram - disse Remus - Confiei no homem equivocado.

- Com efeito: confiou no homem equivocado.
- Ainda estão procurando as cartas – disse Ronald.

Harry se apressou a assentir:
- Exato.

Remus se ergueu no assento.
- Ronald, agora que acreditam que estamos mortos, só pode haver outra pessoa que possua a maldita evidência.

Girou para Gina:
- Sabem que você tem as cartas.

- Não com certeza - argumentou Gina - Em caso contrário, já teriam me matado – adicionou - Por isso, ainda procuram, por isso, destruíram sua formosa casa, Ronald, e fizeram migalhas do seu carro...

- Gina, já não têm onde procurar. Fica só uma escolha - interveio Ronald.
- Tentarão apanhá-la - predisse Remus.
- Sim - acordou Ronald.

- Não deixarei que ninguém lhe aproxime – afirmou Harry - Mas não estou convencido de que estejam seguros de que ela tem as cartas. Existe a possibilidade de que suponham que um de vocês as escondeu, antes que lhes apanhassem. Contudo, deve deixá-los loucos a espera do reaparecimento das cartas. Imagino que se desesperarão.

- E o que podemos fazer? - perguntou Remus.
- Primeiro, lembremo-nos do início - disse Harry, voltando-se para Gina - Lembra o que me pediu quando foi ao bar?

Gina assentiu com lentidão:
- Pedi-o que me assassinasse.
- O que? - exclamou Ronald.

- Pediu-me que a assassinasse - repetiu Harry, sem tirar os olhos da moça.

- Mas ele se negou - explicou Gina - É obvio, eu sabia que se negaria. Mas o que isto tem a ver com seu plano?

Harry lhe sorriu, e a covinha reapareceu em seu rosto:
- É muito simples, meu amor. Mudei de idéia: decidi atende-la.

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