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15. VIDRO


Fic: Isolamento - Fic Recuperada


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Os últimos dias de novembro foram nebulosos e amargos, e dezembro rastejou-se antes que ela sequer pudesse notar.

As noites eram do tipo que fazem você ansiar por companhia, frias e estranhamente silenciosas, enquanto a natureza lentamente morria pela geada. Os ventos tinham desaparecido, e ela era grata por isso, mas Oh Deus o silêncio era uma assombração.

Ela estava fazendo todo o possível para manter-se ocupada, desperdiçando menos tempo em seus aposentos, e esvoaçando entre a biblioteca e os preparativos do Baile junto a Michael e os monitores. O dormitório tinha se tornado tão sufocante após sua briga com Draco, e ela não se atreveu a gastar mais do que alguns momentos na sua presença. Apesar do fato de que sua briga tempestuosa tinha acontecido há pouco mais de duas semanas atrás, ela ainda se sentia inquieta. Nada mais do que um momento era necessário para que seu corpo começasse a reagir, o calor rastejando em suas bochechas e fadas esvoaçando no estômago.

Draco, por outro lado, parecia procurá-la sempre que podia, casualmente emergindo de seu quarto quando ela estava na cozinha ou na sala de estar. Na última quinzena, eles haviam cruzado caminhos não menos do que dez vezes, e foi tudo devido aos esforços dele, era demais para sua confusão. Ela sempre saía rapidamente e tentava evitar os olhos de Draco, temendo que eles a arrastassem para o garoto, mas ela havia cedido e os capturado uma ou duas vezes. Sua respiração parava e sua boca secava, mas ela sempre conseguia manter sua expressão indiferente enquanto enfiava-se em seu quarto, com o olhar dele sempre perfurando suas costas.

Nos dias que seguiram a briga pós-beijo, Draco parecia estar se deteriorando, suas feições tornando-se desgastadas e derrotadas. Ela sofria por interagir com ele, mesmo que apenas para afastar um pouco da dor gravada no rosto do garoto, mas estava determinada a manter uma distância saudável dele. Hermione ainda cozinhava as refeições, é claro, mas esta era a extensão de suas atividades relacionadas a Malfoy, mesmo que ela ansiasse por mais do que isso.

Apesar de seus esforços, ela ainda se importava.

Mas as distrações eram muitas com Michael exigindo a sua ajuda para o Baile, e com o prazo dos arranjos terminando, e Gina com sucesso conseguindo convencê-la a ir comprar vestidos. Os alunos tinham recebido o dia de hoje, domingo, para visitar Hogsmeade e comprar suas roupas formais, e Hermione esperava que a atmosfera festiva da aldeia aquecesse seu humor.

Ela sempre amou o Natal, mas a alegria parecia forçada e estranha este ano, e ela estava muito consciente de que não iria passar com Harry e Ron ou com sua família. Os riscos eram simplesmente muito elevados. Mesmo a neve, que ela adorava com o apetite de uma criança, parecia estar se escondendo, e nem sequer um floco tinha caído neste inverno.

Ainda havia tempo...

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"O que você acha?" Gina perguntou enquanto puxava a cortina do provador. Hermione levantou a cabeça e sentiu um sorriso verdadeiro passar por seus lábios. Sua bela amiga tinha escolhido um vestido preto encantador com uma decoração complexa de pérolas por todo o busto e bainha, que lhe convinha perfeitamente. "Bom?" ela solicitou ansiosamente, sacudindo os cabelos de fogo por cima do ombro. "Está legal?".

"Você está deslumbrante," Hermione disse carinhosamente. "Realmente, Gina. Você não gostou no espelho?".

"Os espelhos são encantados para parecer que todos os vestidos ficam bonitos," a bruxa mais jovem zombou. "Tem certeza de que não está apenas sendo educada?".

"Não," ela balançou a cabeça. "É esse, Gina. Você está maravilhosa.".

Ela sorriu e alisou o tecido. "Obrigada," disse ela. "É bom o suficiente para que eu deva tirar umas fotografias para quando Harry voltar?".

Se ele voltar...

"Definitivamente," ela balançou a cabeça em vez disso, decidindo que estragar o clima era desnecessário. "Ele iria gaguejar como um bobo se a visse nesse vestido, embora eu tenha certeza de que Neville vá fazer o mesmo.".

"Não," Gina riu. "Os olhos de Neville estão direcionados para Ana Abbott agora.".

"Sério? Então por que ele não a convidou para ir?".

"Você sabe como ele fica tímido," ela falou dele com carinho. "Além disso, eu o convidei antes que ele realmente tivesse a chance de perguntar a qualquer pessoa. Eu queria um par em quem eu confiasse. Algo que você deveria ter feito, Hermione.".

"Michael é inocente o suficiente...”.

"Ele tem uma quedinha por você," Gina interrompeu com um tom de desaprovação. "Eu sei que ele e Ron não eram próximos, mas ainda assim, ele deveria saber...”.

"Ron e eu nunca fomos oficiais," lembrou à ruiva. "E Michael é apenas um amigo, Gina...”.

"Bem, se ele tentar qualquer coisa, vai vomitar lesmas durante uma semana.".

Hermione não pôde deixar de rir, e sentiu-se bem por isso. "Seu irmão gosta de feitiços de lesma também.".

"Mesmo depois de o tiro sair pela culatra?" Gina sorriu, arqueando uma sobrancelha divertida. "Ok, bem, meu vestido foi escolhido. Qual deles você gosta?".

"Tenho vestidos...”.

"Mas você deve comprar um novo," ela insistiu, apontando para a variedade de vestidos na Trapobelo Moda Mágica . "Aquele azul-marinho ficaria bonito em você...”.

"Eu não vejo o motivo de comprar um vestido para um Baile que eu nem quero ir," argumentou Hermione, embora o vestido tivesse prendido sua atenção por um momento. "E não é como se eu quisesse impressionar meu par...”.

"Não faça isso por ele, faça por si mesma," disse Gina enquanto movia-se para arrancar o vestido do trilho. "Essa cor é linda, e ele não tem nenhum dos enfeites que você odeia.".

Hermione hesitou e estendeu a mão para tocar o vestido de chiffon, simples comparado aos outros vestidos que decoravam a loja, mas ela sempre seguia o princípio de que menos é mais. "É muito bonito," ela murmurou pensativa. "Mas eu...”.

"Basta experimentá-lo.".

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A Monitora-Chefe voltou para seus aposentos com alguns presentes de Natal e o vestido novo nas mãos. O comportamento incorrigível e convincente de Gina era o culpado, mas Hermione admitia que sentia-se um pouco mais relaxada depois de algumas compras e uma cerveja amanteigada no bar recém-decorado, mas a sensação se dissipou quando ela parou na frente de sua porta.

Respirando fundo como sempre fazia, ela a abriu e amaldiçoou-se mais uma vez por esquecer-se de sua bolsa encantada enquanto lutava com suas compras. Seu plano de fazer sua entrada tranquila e rápida era impossível quando ela tropeçou, e algumas de suas sacolas voaram por todo o assoalho.

"Droga..." ela murmurou, ajoelhando-se para recolhê-las.

Ela agarrou o item final, ao mesmo tempo em que ouviu a porta Draco abrir, e então manteve os olhos baixos enquanto ele entrava na sala de estar. O ar no dormitório de imediato mudou e foi ficando mais pesado, e ela engoliu de volta alguns nervos quando se levantou e revirou os ombros.

"O que é isso?" ele questionou criticamente, apontando para o vestido na capa transparente.

Ele estava bloqueando parcialmente seu caminho, e a resposta saiu de sua boca antes que ela pudesse segurá-la. "Baile de Natal," ela murmurou rapidamente, passando desajeitadamente ao redor do sofá, mas ele se mudou para seu caminho de qualquer maneira, com os olhos persistentes no vestido. "Saia do meu caminho, por favor...”.

"Você vem me evitando," acusou em voz áspera. "Por quê?".

Hermione desviou o olhar. "Você sabe por que, Draco," ela retrucou. "Saia do meu caminho...”.

"Exatamente quanto tempo você pretende manter este tratamento de silêncio?" ele continuou, irado. "Está começando a me deixar puto...”.

"Eu não vou pedir de novo," disse ela entre os lábios tensos, desajeitadamente procurando sua varinha na bolsa. "Saia do meu caminho, ou eu vou fazer com que você saia.".

Ele a considerou com olhos confusos, mordendo o interior de sua boca com irritação, antes de dar um passo para o lado com um suspiro resignado. Os punhos cerrados tremiam ao seu lado quando ela passou por ele, e ela tentou desesperadamente ignorar a brisa do seu cheiro reconfortante. A respiração dele acariciou todo o entorno de sua orelha, mas ela conseguiu abafar o arrepio que ameaçava trair sua fraqueza.

"Já havíamos discutido antes, Granger," disse ele antes que ela pudesse alcançar a porta, sua voz quase desanimada. "Por que está tão... afetada desta vez?".

Ela parou seus passos e sentiu a ira subir em seu peito. "Você me pediu para deixá-lo sozinho," respondeu ela friamente. "E é isso que eu estou fazendo...”.

"Mas eu...”.

"Você fez esta cama, Draco," ela disse com firmeza, determinada a não ser arrastada a outra discussão. "Então se acomode nela.".

Atrapalhada com sua varinha, ela lançou um rápido Abaffiato para sussurrar sua senha recentemente trocada. Bichento. Ela duvidava que Draco soubesse o nome de seu amado animal de estimação, e agora sabia que devia ter cuidado ao entrar em seu quarto. Ela pensou tê-lo ouvido murmurar algo enquanto adentrava o quarto, mas se recusou a esperar pelas palavras.

"Espere." murmurou Draco, mas ela bateu a porta, de qualquer maneira.

Ele se lembrou daquela frase inconstante que sua mãe havia usado quando ele começou a frequentar Hogwarts, e negou que sentiria falta da Mansão, você não percebe o que você tem até que o perca. Depois de duas semanas com apenas um punhado de frases trocadas, ele estava começando a lamentar a maneira como havia lidado com aquela briga tempestuosa, e Hermione estava aparentemente inflexível a ponto de nem mesmo olhar para ele. Isso estava começando a corroer lentamente a sua vontade de fingir que a situação não o incomodava, mas a verdade que condenava seu orgulho era que ele estava ansiando por algo dela.

Uma briga apaixonante, uma discussão educada... um beijo.

Qualquer coisa.

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A quarta-feira teve o ritmo de um Bicho-Preguiça.

As aulas de Hermione tinham passado rápido, e ela passou o resto de sua tarde ajudando a finalizar as decorações do Salão Principal. Ela tinha conseguido fugir dos monitores excessivamente entusiasmados e passar algumas horas na biblioteca, mas sua pesquisa sobre Horcruxes tinha sido frustrantemente improdutiva. Foi por volta de dez da noite que ela decidiu ceder às suas pálpebras pesadas e voltar para seu dormitório, esperando que Draco não estivesse vagando pela sala de estar.

Ela conseguiu esgueirar-se silenciosamente para dentro e pegar um copo de água, mas uma batida na porta principal a surpreendeu. O vidro estilhaçou aos pés dela, que amaldiçoou em voz baixa, lançando um olhar cauteloso ao quarto de Draco.

"Você está bem, Hermione?" A voz de Michael a chamou, e ela revirou os olhos. "Eu ouvi...”.

"Estou bem," ela devolveu. "O que você quer Michael?".

"Só ter uma palavra...”.

"Estou prestes a ir para a cama," disse a ele, evitando cuidadosamente os cacos. "Podemos discutir isso amanhã...”.

"Não vou demorar," insistiu. "Vamos, Hermione, são só dez horas.".

A bruxa exalou e massageou a testa, virando-se para dar à porta de Draco um olhar incrédulo. Certamente ele sabia que não devia revelar-se quando ela tivesse um convidado, mas ele era sempre imprevisível. Decidindo que era melhor se livrar de Michael o mais rápido possível, ela transfigurou suas roupas em pijama e tirou os sapatos, deixando sua bolsa e a varinha na cozinha antes de atender a porta.

"Posso entrar?" o Monitor-Chefe perguntou uma vez que ela abriu uma fresta.

"Agora não," ela balançou a cabeça, cansada demais para até mesmo inventar uma desculpa. "O que você precisa?".

"Bem, eu só estava me perguntando como estão os preparativos para sexta-feira?".

"Você sabe o que está acontecendo," ela franziu a testa. "Eu te enviei todos os detalhes.".

"Eu quis dizer sobre nós," esclareceu ele, esfregando a nuca. "Eu te pego aqui? Ou você...”.

"Ah isso," ela murmurou, tentando ser paciente. Não era culpa dele que ela estivesse bastante exasperada recentemente. "Não, tudo bem, Michael. Nós todos concordamos em nos encontrarmos fora do Salão Principal, por isso vamos fazer isso também.".

"Ok," ele balançou a cabeça, mal escondendo seu desapontamento. "Tem certeza de que não quer me encontrar antes?".

"Não, estaremos sendo apressados assim, por isso é apenas mais fácil nos encontrarmos lá," explicou ela, fingindo abafar um bocejo. "Há alguma outra coisa? Estou muito exausta.".

"Hum, não," ele encolheu os ombros derrotado. "Isso era tudo. Vejo você amanhã, então.".

"Boa noite," Hermione ofereceu, fechando a porta prontamente e ouvindo os passos de Michael ecoar pelo corredor. Ela silenciou a respiração quando sentiu aquele formigamento familiar em seus ombros e costas, sabendo que seu colega de quarto Sonserino estava atrás de si. "Do que você está brincando?" ela questionou, virando-se e cometendo o erro de capturar os olhos dele. "Você está tentando ser pego?".

As feições de neve de Draco estavam enrugadas em uma dolorosa carranca que a fez vacilar. Ele parecia... traído. "Você disse que não havia nada acontecendo entre você e Corner." ele rosnou sombrio, e o peito dela contraiu.

Hermione tentou sair, mas ele previsivelmente obstruiu o caminho para seu quarto. "Não há nada," ela murmurou hesitante. "Saia, Draco...”.

"Claramente há bastante coisa acontecendo para que você vá ao Baile com ele," continuou Draco com a voz rouca, lentamente caminhando na direção dela. "Eu não imaginava que você fosse mentirosa, Granger...”.

"Eu não estou mentindo," argumentou, encolhendo-se quando lembrou que tinha deixado sua varinha no balcão da cozinha. "Deixe-me ir para o meu quarto...”.

"Ele gosta de você, Granger," disse a ela. "Posso dizer...”.

"Você está sendo ridículo," ela o repreendeu, nervosa com o seu tom estoico. "Saia do...”.

"Me faça sair," ele desafiou. "Eu não terminei de falar sobre aquele idiota.".

Decidindo que a situação exigia algum tipo de assistência mágica antes que ela ficasse muito absorvida, seus olhos piscaram para a sua varinha descartada, e Hermione avançou para ela. Ela gritou quando pisou na água que havia derramado antes, caindo com força contra o assoalho e batendo a mão no vidro quebrado.

Hermione choramingou enquanto a dor pulava de sua palma para seu pulso, e então para o resto de seu braço. Ela olhou para baixo e encolheu-se quando viu o caco do tamanho de um galeão esfaqueando sua mão e derramando sangue quente entre os dedos. Tentou levantar-se apoiada contra os armários, e antes que ela pudesse realmente entender, Draco estava ajoelhado ao seu lado, com o rosto calmo e calculista, mas com uma sombra que poderia ter sido interpretada como preocupação.

"Passe-me sua mão," instruiu de forma tranquila. "Eu preciso tirar o vidro...”.

"Não, está tudo bem," ela sibilou com dor. "Basta me dar minha varinha...”.

"Eu não posso tocar sua varinha," ele lembrou à bruxa. "Deixe-me tirá-lo e você poderá curar o ferimento quando estiver calma...”.

"Me ajude a levantar...”.

"Fique parada," disse a ela com firmeza. "Vamos, Granger. Passe-me sua mão e eu vou fazer isso rápido...”.

"Ow ow, ow," ela respirou quando ele gentilmente pegou seu pulso e deu um olhar mais atento ao dano. A ternura inesperada e equilibrada a acalmou, e seu olhar confuso estudou a expressão pensativa e suave de Draco, antes de expirar em submissão. "Ok," ela suspirou. "Eu estou pronta.".

Hermione se engasgou com um suspiro quando ele segurou o vidro e tentou arrancá-lo de sua carne. "Dói," ela deixou escapar antes que pudesse se conter, engolindo um gemido. "Draco...”.

"Está tudo bem," ele a silenciou, dando um puxão final, que arrancou o caco. "Aqui, está pronto.”.

Draco assistiu o alívio nadar pelas feições de mel de Hermione, e sentiu uma pontada no peito. O sangue dela estava riscado em seus dedos e cravado por baixo de suas unhas, e enquanto ele estava ciente que essa situação deveria tê-lo deixado enojado, isso não aconteceu. Seu polegar distraidamente esfregou círculos invisíveis sobre o pulso de Hermione enquanto ela tomava algumas respirações profundas para ajudar a dor em sua palma diminuir. O inevitável silêncio tenso encaixou entre eles, e Draco a observava com expectativa, esperando que ela dissesse algo.

"Accio varinha." ela sussurrou, tirando sua atenção dele.

Draco relutantemente largou seu pulso quando ela começou a reparar o corte bagunçado, mas permaneceu agachado ao seu lado. Granger não havia o permitido chegar um centímetro próximo a ela, e ele aproveitou a oportunidade para saborear a sua proximidade antes que ela voltasse ao seu plano de evitá-lo. Ele umedeceu os lábios com um toque de sua língua serpentina e forçou-se a ser paciente, observando-a com olhos avalistas e percebendo que teria que ser tático, se quisesse acabar com isso também.

"Eu poderia ter feito isso sem você." ela disse-lhe firmemente, aparentemente satisfeita com seu feitiço de cura.

"Talvez," ele admitiu com o rosto abaixado. "Tenho...”.

"Isso não muda nada," ela disparou, inclinando-se e atirando-lhe um olhar de advertência. "Eu ainda estou com raiva de você...”.

"É por isso que você está indo para o Baile com o maldito Corner?" ele rosnou, o ciúme rico na sua voz, muito a seu desdém. "Para provar algo?".

"Não tenho nada para provar a você!" ela reagiu, impulsionando-se até ficar de pé e indo direto para seu quarto. "Você deixou sua opinião sobre mim muito clara...”.

"Não fuja de mim, Granger!" ele gritou atrás dela. "Por que o inferno desta vez é tão diferente?".

"Você sabe por quê!" ela gritou, as bochechas vermelhas e os olhos começando a marejar. "Estou cansada de você me jogar de lado e enroscar com a minha cabeça! Eu deixei o que sinto por você óbvio, e você só...”.

"Como você se sente sobre mim?" repetiu ele, o coração martelando em suas costelas. "O que você está...”.

"Isso não importa mais," ela interrompeu apressadamente, repreendendo-se por ter deixado que as palavras deslizassem. "Você não queria nada de mim, e é isso que você pode ter...”.

"Granger espere!" Ele rosnou, mas a única resposta que recebeu foi a batida estridente da porta. "Pelo amor de merda." ele sussurrou para o espaço vazio, fazendo o seu caminho em direção ao banheiro para lavar o sangue que manchava a ponta dos dedos.

Ele não se preocupou em analisar o sangue à procura de sujeira desta vez, sabia que era igual ao seu.

Draco debruçou-se sobre a pia e abriu a torneira, olhando o redemoinho de seda vermelho-líquido em torno da pia até ele desvanecer em um rosa suave. Rangendo os dentes e apertando a porcelana, ele se segurou quando um latejar doloroso ultrapassou seu peito. Esta separação que ela havia forçado a eles estava o deixando para baixo, e depois de duas semanas, ele estava começando a esquecer como ela era, qual o gosto dela.

Ele não podia realmente culpá-la por agir desta forma, mas a perspectiva de ela desistir do que havia entre eles o deixava doente. Tinha sido muito bom brincar com as emoções dela quando havia a promessa latente de que ela iria continuar indiferente, mas ele conhecia o comportamento teimoso de Hermione o suficiente para reconhecer que desta vez era diferente.

Tinha a chateado demais, e estava pagando o preço.

Doía a ele reconhecer isso, mas Draco a queria, e a intensidade e brutalidade disso dominava a voz em sua cabeça dizendo-lhe que estava errado. Ele podia sentir a necessidade de agir em seu anseio por ela que fermentava em seu intestino, e estava muito consciente de que algo iria acontecer em breve.

Ele estava começando a ficar inquieto.

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Hermione deu de ombros para seu reflexo e passou uma camada final de bálsamo nos lábios.

O vestido azul-escuro parecia desperdício, já que ela não tinha nenhuma expectativa para o Baile, mas passou um pouco de maquiagem leve para passar o tempo. Gina tinha dado a ela um spray para acalmar os cachos, similar ao produto que ela tinha usado para o Baile de Inverno, mas Hermione tinha deixado seus cabelos soltos desta vez. Ela não tinha dúvida de que em qualquer outra noite, ela se sentiria bastante elegante e animada, mas não poderia mudar a nuvem melancólica que vinha bagunçando seu cérebro desde quarta-feira.

O comportamento atencioso e tranquilo de Draco quando ela feriu a mão havia a desnorteado completamente. Ela poderia ter abandonado tão facilmente sua promessa para ficar com ele naquele momento, mas tinha que permanecer lógica. Um flashback das palavras 'foda conveniente’ a deixou sóbria, mas ela vinha ponderando sobre a delicadeza dele desde então. Ele a tratou como se fosse de vidro frágil, e ela tinha ficado fascinada pela natureza estranhamente atenciosa dele. Talvez a distância estivesse tendo efeito sobre ele...

Ela balançou a cabeça para banir seus pensamentos saudosos, e decidiu que havia adiado descer para o Salão Principal tempo suficiente. Deixou cair a varinha em sua bolsa encantada e saiu do quarto, congelando no aro da porta quando viu a figura solitária sentada em um dos sofás.

A cabeça de Draco estava abaixada e os ombros caídos derrotados, enquanto ele distraidamente tamborilava as unhas contra o joelho. De repente ela se viu consciente de sua aparência, apesar de sua anterior indiferença, e correu as mãos sobre o tecido macio enquanto seu estômago dava um giro nervoso. Ele deve ter ouvido o barulho silencioso do vestido, e sua cabeça se levantou, seus olhos arregalaram-se quando ele começou a degusta-la, o calor correu para o rosto de Hermione enquanto ele a estudava com interesse desinibido.

Draco sentiu seu coração acelerar quando a absorveu, e seu plano de tratar desta situação com habilidade e calmamente foi rapidamente descartado. Ela estava simplesmente demasiado atraente para que ele permanecesse prudente, e não podia deixá-la sair daqui sabendo que ela estaria na presença do Corvinal retardado, intenções inocentes ou não.

"O que você está fazendo aqui?" perguntou ela, rompendo seu transe. "Eu...”.

"Não vá com ele," desabafou, e ele realmente não se importava se estivesse soando patético. "Não vá com ele, Granger.".

Hermione franziu os lábios. "Você não tem nada a ver com isso...”.

"Sim, eu tenho," argumentou, levantando de seu assento. "Fique aqui...’.

"Por que eu deveria?".

"PORQUE EU NÃO AGUENTO MAIS!" ele gritou, todos os músculos do seu corpo inchando. "Eu não posso... eu não posso fazer! Não me peça para fazer isso!".

"Eu não estou pedindo que você faça nada!" ela respondeu, esperando que a emoção não fosse muito forte em sua voz. "Michael é apenas um amigo! E mesmo que não fosse, não tem nada a ver com você...”.

"Então faça com que tenha a ver comigo!" ele gritou, marchando em direção a ela. "Torne um problema meu...”.

"Não chegue perto de mim," alertou, mas era fraca. "Por favor, Draco...”.

"Fica," pediu novamente, movendo-se perto o suficiente para que sua respiração despertasse arrepios na clavícula de Hermione. "Fica," ele repetiu, desta vez mais suave. Ela fechou os olhos e ele tentou inclinar-se e beijá-la, convencido de que tinha vencido esta batalha, mas ela o empurrou desesperadamente antes que ele pudesse pegar sua boca. "Granger...”.

"Não!" Hermione protestou, sacudindo a cabeça. "Eu lhe dei tantas chances, Draco! E você sempre faz a mesma coisa! Sou capaz de lidar com os comentários de sangue-ruim, mas eu não vou deixar você mexer com meu coração! Você me machucou!".

A onda de culpa que o atingiu o mutilou. "Eu não vou...”.

"Sim, você vai!" ela gritou, apontando um dedo trêmulo para ele. "Eu não sou uma coisa para você usar e depois jogar fora!".

Ele tentou novamente aproximar-se dela, mas ela evitou-o antes que ele pudesse alcançá-la. "Granger...”.

"Diga-me que eu não seria uma foda conveniente!" ela cuspiu as palavras como se elas estivessem queimando sua língua. "DIGA!".

Ele se encolheu, mas viu a escuridão nos olhos dela. "Você é tudo, menos conveniente, Granger," ele disse-lhe honestamente. "Mas eu sei que você quer que eu... te toque...”.

"Pare com isso," ela murmurou sem fôlego, esfregando uma lágrima. "Isso é o suficiente...”.

"Eu sei que você quer me tocar também," Draco continuou corajosamente, entrando no espaço dela novamente e agarrando seus ombros. "Você me disse...”.

"Eu sei o que eu disse," ela o calou, não fazendo nenhum esforço válido para sair do seu domínio desta vez. "Mas você disse...”.

"Foda-se o que eu disse," ele rosnou com a voz rouca, inclinando a cabeça. "Se você me disser para não beijá-la, eu não vou.".

Os limites de sua paciência foram julgados por milésimos de segundos, enquanto seus olhos corriam pelo rosto de Hermione. Ela parecia petrificada, mas algo que se assemelhava a aceitação enfeitou suas feições quando o terceiro segundo passou, e ele decidiu que já havia esperado vinte dias para desperdiçar outro momento.

Draco a beijou violentamente, incapaz de segurar-se e pronto para se afogar dentro dela se ela o deixasse. Hermione respondeu quase imediatamente, separando os lábios para que ele pudesse lamber e chupa-los com facilidade. Ele podia sentir os batimentos cardíacos de Hermione nervosos contra seu peito enquanto ela segurava o seu rosto, as unhas desenhando em seus ouvidos e seu pescoço. Agarrando os quadris da garota, ele a chocou de costas para a parede mais próxima e sentiu o gemido dela vibrar na parte de trás da boca. O gemido escorreu pela sua espinha e agitou aquela contração perigosa entre seus quadris, e ele a beijou com mais força.

Sons molhados e doces se misturavam entre eles enquanto seus movimentos se tornavam mais frenéticos, e Draco arrastou os dentes pelo lábio inferior de Hermione, passando por seu queixo até chegar à garganta da garota. Os batimentos dela zumbiam contra a sua língua enquanto os suspiros sonhadores de Hermione passavam por sua testa, e ele mordiscou avidamente a carne dela.

Gostasse ou não, essa tensão e necessidade estiveram borbulhando dentro dele por semanas, e ele não pôde evitar deslizar a palma da mão através da barriga de Hermione, e depois mais abaixo. Ele sabia que estava se apressando, mas depois de incontáveis manhãs de fantasias inspiradas pelos banhos dela, ele não conseguiu evitar enfiar a mão ansiosa entre as coxas da garota.

"Pare," ofegou Hermione, cravando as unhas nos ombros de Draco. "Eu preciso ir...”.

"Não," ele gemeu contra sua pele. "Granger...”.

"Está muito rápido," ela insistiu, e ele relutantemente afastou-se dela. "E-eu tenho que ir para o Baile...”.

"Não!" ele disse com mais força, tentando fazê-la encontrar seus olhos nebulosos. "Eu sei que você quer isto...”.

"Preciso pensar," ela murmurou, afastando-se dele e caminhando para a porta. "Você... você poderia apenas estar fazendo tudo isso para...”.

"Eu não estou!" ele argumentou, sentindo a raiva aumentando em sua voz. "Não se atreva a atravessar essa porta, Granger!".

"Eu... eu não posso." ela gaguejou, lutando para sair da sala.

Do outro lado da porta, Hermione tomou um longo minuto para recolher sua compostura e corrigir sua aparência amarrotada com alguma ajuda de sua varinha. Lágrimas quentes incharam atrás de seus olhos e seu peito continuava agitado, e seu corpo não parava de tremer.

Oh Deus, oh Deus, oh Deus...

Ela seguiu para o Salão Principal com as pernas trêmulas, usando as paredes para ajudá-la a passar pelos corredores. Estava atrasada, e podia ouvir a música ecoando entre a acústica antiga do castelo enquanto se aproximava do Baile. A batida parecia incentivar a palpitação sensível sob o seu estômago, e ela tentou ignorar o formigamento reminiscente entre as pernas. Hermione podia ouvir as vozes dos estudantes agora, e ela rapidamente doutrinou suas feições em uma fachada calma para esconder seu choque e angústia.

"Hermione!" A voz de Michael a chamou, e ela tentou não recuar quando ele entrou em sua visão. "Aí está você, eu estava preocupado que algo tivesse acontecido. Você está maravilhosa.".

Ele se aproximou dela e tentou ansiosamente beijar sua bochecha, mas ela conseguiu evitar o gesto desagradável. "Obrigada," ela balançou a cabeça educadamente. "Onde estão Gina e os outros?".

"Eles já estão lá dentro," explicou. "Você está pronta para entrar?".

"Hm... claro." ela murmurou, permitindo-lhe levá-la até a porta.

Eles fizeram uma pausa antes de entrar no salão enfeitado, e Hermione scaneou todas as decorações e utensílios os quais ela tinha passado semanas organizando. Ela o deixou parecido ao Baile de Inverno, mas tinha adicionado alguns extras, incluindo neve artificial que caía do teto, e esculturas de gelo que valsavam entre os alunos. Uma rápida olhada ao redor dos rostos familiares confirmou que todos estavam se divertindo, mas o ambiente alegre pelo qual ela vinha esperando desde o início do ano, nada fez para acalmar seu temperamento.

Tudo o que ela conseguia pensar era sobre os rastros dos lábios e dedos de Draco, ainda zumbindo em seus poros e enviando energia estática através de sua pele. Sim, ela tinha ficado nervosa sobre até onde a situação poderia chegar, mas havia fugido porque estava convencida de que as ações de Draco eram egoístas e conduzidas pelo desejo, mas agora ela tinha dúvidas. O comportamento dele esta noite e na quarta-feira tinha sido diferente e aparentemente verdadeiro, mas ela poderia estar tão facilmente iludindo a si mesma, ou ele poderia ser um ator brilhante.

Mas e se...

E se tivesse sido algo a mais, algo real? E se ela tivesse se precipitado ao escapar? Godric, ela precisava saber...

"Sinto muito, Michael," ela murmurou rapidamente, dando um passo para longe dele. "Eu não posso fazer isso.".

"O quê?" perguntou ele, dando a ela um olhar demorado e confuso. "O que você está falando?".

"Sinto muito," ela repetiu.

Sem esperar por resposta, ela girou nos calcanhares, e rompeu em uma corrida cheia de adrenalina que a guiou de volta ao seu dormitório. De volta para ele.

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