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13. SOZINHO


Fic: Isolamento - Fic Recuperada


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Hermione não recordava de jamais ter se sentido tão quente e satisfeita.


 


Ela lançou um murmúrio preguiçoso enquanto as descidas rítmicas de um peito masculino embalavam suas costas para este purgatório maravilhoso entre o sono e a realidade. Um cheiro gostoso de menta e pecado Sonserino fez cócegas em seu nariz, e ela piscou para longe os restos de um sonho feliz quando se lembrou de onde estava.


 


A julgar pelas respirações pesadas brincando com seus cabelos, Draco estava ignorante para o mundo, mas seus braços deveriam ter serpenteado em volta dela durante a noite, e ela não pôde evitar empurrar seu corpo um pouco mais para ele. Ele parecia tão bom embrulhado em torno dela como estava, e Hermione queria absorver o máximo que podia antes que a negação e discussão inevitáveis viessem. Franzindo a testa com esse pensamento, ela percebeu que era provavelmente melhor que fosse embora antes que ele se mexesse, apenas para salvá-los do constrangimento e aborrecimento.


 


Sem ter certeza do motivo, mas incapaz de resistir, ela esticou o pescoço para dar um beijo demorado contra a linha da mandíbula de Draco, antes de remover-se cuidadosamente do poder dele.


 


A ausência de seu toque a deixou sentindo-se negligenciada e fria, e com um segundo pensamento, ela puxou para baixo um dos cobertores de Draco para cobri-lo. Com um último olhar triste, Hermione virou para ir embora, ignorando o par de olhos cinzentos que abriam lentamente atrás dela.


 


Draco levou as pontas dos dedos para onde os lábios de Hermione haviam estado, e olhou para ela de volta enquanto a garota o deixava sozinho. A ideia aleatória roubou seu cérebro, e ele levantou-se silenciosamente, só conseguindo segurar a porta antes que ela se fechasse atrás de Hermione. Ele enfiou a cabeça através da abertura e forçou sua capacidade auditiva para pegar a senha com sucesso.


 


Lutra, lutra?


 


Ele não tinha idéia do que isso significava, nem se importava, ele apenas sentia-se satisfeito que as coisas poderiam ser um pouco mais justas agora. Se ela era tão ansiosa para passear em seu quarto sempre que quisesse, agora ele poderia fazer o mesmo. Disse a si mesmo que era puramente para fins táticos, mas enquanto levantava os dedos novamente para sua mandíbula marcada por Granger, não pôde evitar se perguntar se não havia motivos mais sombrios para suas atitudes bisbilhoteiras.


 


.


 


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Depois de um almoço leve e uma visita à biblioteca, Hermione voltou para seu quarto, encontrando Hedwiges em sua janela.


 


A bruxa leu a carta novamente, e seu sorriso se alargou. O envelope tinha sido endereçado exclusivamente para ela, então ela não tinha procurado Gina desta vez. Depois de semanas de nada além de decepção e combustível para seu pessimismo crescente, finalmente houve uma luz na escuridão. A nota foi rabiscada com a letra familiar e desajeitada de Ron, mas as palavras estavam claras e fortes em todo o pergaminho.


 


Encontramos. Ele está destruído.


 


Procurando as outras.


 


Sinto saudades de você.


 


R & H


 


Não havia dúvida sobre o que 'ele' era. Tinham encontrado o medalhão. Sua curiosidade sobre os detalhes teria que esperar, ela sabia que era muito arriscado para Harry e Ron fornecerem a ela muita informação. Mas no momento, ela não se importava, eles estavam um passo mais perto de derrotar Voldemort e terminar esta Guerra.


 


Sinto saudades de você.


 


Seu largo sorriso enrugou em uma carranca triste quando a culpa a dominou. Visões de suas recentes... atividades com Draco valsaram através de sua consciência, e ela percebeu, encolhendo-se, que não havia antes considerado como seu comportamento afetaria sua amizade com os meninos, especificamente com Ron. Os detalhes de seu relacionamento com ele eram complicados para dizer o mínimo, e ela supôs que deveria ser culpa de ambos, por nunca terem tido uma conversa civilizada sobre o assunto.


 


Enquanto ela não se arrependia de ter perdido a virgindade com seu melhor amigo, isto havia deixado perfeitamente claro para Hermione que era tudo o que ela e Ron seriam. Amigos. Nunca houve nenhuma paixão entre eles, apenas paixonite e curiosidade que já tinha sido, para ela, saciada. Ela o amava muito, mas queria aquela luxúria sobre a qual todos falavam, aquela queima pulsante dentro de sua alma que faz você desejar o toque de alguém.


 


E esse alguém não era Ron.


 


Mas Draco...


 


Draco tinha essa... intensidade em tudo o que fazia, e isso fazia algo atrás de seu umbigo arder. A sensação era nova e estranha a ela, que não tinha ideia se poderia chamar isso de luxúria ou simplesmente intriga, mas era diferente e emocionante. Isso a encorajava a interagir com ele e vê-lo, e na solidão segura de seu banho ou seu quarto, às vezes ela não podia deixar de imaginar...


 


Hermione balançou a cabeça para afastar os pensamentos picantes e lembrou-se que havia acabado de receber uma notícia promissora.


 


Prioridades, Hermione...


 


.


 


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Após dois dias de olhares desajeitados e uma relutância óbvia para enfrentar a noite em que passou em braços proibidos, Hermione estava começando a perceber que realmente sentia falta da companhia de Draco. Ela ainda estava lutando para identificar o que sentia de verdade pelo colega de quarto Sonserino, mas estava dando seu melhor para ignorar a curiosidade e se concentrar na pesquisa sobre as Horcruxes. Mas não podia negar o seu interesse nele, nem podia realmente entender o motivo de desejar passar mais tempo com ele, quando tudo o que ambos pareciam fazer era brigar.


 


Talvez fosse porque ela estava assistindo ele baixar sua guarda lentamente, ou possivelmente porque as discussões a faziam lembrar que ela ainda tinha algum fogo trovejando em seus ossos. Inferno, talvez ela só gostasse das pequenas agitações que espasmavam em seu intestino sempre que Draco se aproximava...


 


Era terça-feira, o que significava que Hermione visitaria Tonks em dois dias, e ela precisava contar a Draco. Sufocando a sua ansiedade e armando sua coragem, ela saiu de seu quarto, impulsionada pelos ventos que cortavam a noite, e bateu de leve contra a porta de Draco.


 


"Por que você se incomoda em bater?" a voz de Draco falou lá de dentro. "Você virá se eu disser que pode ou não.".


 


Ela encontrou um pequeno sorriso brincando com sua boca enquanto usava sua varinha para destravar a porta, e então lambeu os lábios secos antes de colocar seus pés descalços sobre a soleira. Ele estava sentado na cama, os ombros curvados e os cotovelos apoiados contra as pernas cruzadas, enquanto um dos livros de Hermione descansava perto de seus pés.


 


"O que você quer, Granger?"  perguntou ele, a fitando apenas pelo canto dos olhos.


 


"Eu queria falar com você sobre uma coisa...”.


 


"E você decidiu que três horas da manhã era o melhor momento para isso?".


 


"Eu tenho estado muito ocupada," ela mentiu, abaixando-se com cuidado para se sentar ao pé da cama. "E nós dois estávamos acordados, então eu pensei...”.


 


"Fala de uma vez então," disse ele, cansado. "Na verdade eu planejava dormir esta noite.".


 


"Ok," ela suspirou, hesitando enquanto tentava selecionar suas palavras. "Na quinta-feira, vou ficar em Hogsmeade por dois dias...”.


 


"O quê?" ele deixou escapar. Sua cabeça se levantou com as palavras, e uma sensação violenta de pavor tomou seu peito. O pensamento de ser deixado sozinho neste buraco faminto por sanidade o fez sentir-se mal do estômago e um arrepio arranhou sua espinha. "Que diabos você quer dizer com isso?".


 


"Bem, eu vou visitar alguém," explicou ela, escondendo nervosamente um cacho rebelde atrás da orelha. "Vou deixar bastante comida para você e...”.


 


"Você vai com aquele idiota do Corner?" ele sussurrou baixinho, fitando-a com um olhar feroz. "Uma orgia romântica para os monitores-chefes no Três Vassouras?".


 


Hermione se encolheu. "Não, isso não...”.


 


"Suponho que eu deveria ser grato que você não está mordendo a cabeceira da cama em seu próprio quarto," continuou ele violentamente. "E se você quer sair com essa escória...”.


 


"Draco, pare com isso!" ela gritou ofendida com sombras de lágrimas arranhando seus olhos. "Vou encontrar uma amiga, por Godric! Por que você sempre tem que fazer isso?".


 


Ele fechou a boca enquanto desejava que seus pensamentos tempestuosos parassem de ferver, e então se perguntou por que tinha pensado que seu discurso retórico era necessário. Draco considerou a possibilidade de que ela estivesse blefando para salvar a pele, mas duvidou que Granger fosse capaz de mentir, e em um mundo cheio de decepções, ele achava a honestidade dela quase refrescante.


 


"Desculpe.".


 


As palavras saíram às pressas e passaram por seus lábios antes que ele pudesse detê-las, mas por um breve momento, pensou que a suavidade encantadora do rosto de Hermione valia a pena o seu erro. O jeito que ela olhou para ele, então, como se ele valesse mais do que a bagunça lamentável que ele sentia, fez esse desejo incessante de tocá-la agradar a ponta dos dedos.


 


"Sinto muito por não ficar aqui esses dois dias," disse ela antes que Draco pudesse retratar o seu comentário, e ele se viu tecendo os dedos para manter as mãos ocupadas. "Eu vou arranjar alguma maneira para que você entre em contato comigo se precisar de qualquer coisa...”.


 


"Eu sou perfeitamente capaz de sobreviver por dois dias sozinho," ele zombou rapidamente, mas a ideia de ela não estar por perto para afugentar seu tédio fazia sua alma doer. "É uma vergonha que você não me deixe sozinho com mais frequência.".


 


"Talvez...”.


 


"Você está muito mais... alegre recentemente," comentou ele de repente, dando a ela um olhar desconfiado. "É chato.".


 


Hermione franziu o cenho e se perguntou se sua reação à carta de Ron tinha sido um pouco mais óbvia do que ela pensava. "O que faz você pensar que eu estou mais feliz?".


 


"Está escrito em seu rosto," disse ele com um rolar de seus olhos esfumaçados. "E se eu estou supondo corretamente, esta amiga que você irá encontrar é membro da Ordem. Será que eu estou certo em presumir que seu lado está indo bem, e que é o culpado por seu bom humor?".


 


"Você sabe que eu não posso falar sobre isso com você...”.


 


"Por que não?" ele respondeu. "Eu dificilmente sairei pela porta da frente para derramar todos os seus segredos para o homem que me quer morto.".


 


Hermione exalou cansada e girou o corpo para encará-lo. "Eu só acho que não devemos falar sobre isso...”.


 


"Tenho certeza de que todo mundo está falando sobre isso," ele murmurou pensativo. "Por que deveríamos fazer diferente?".


 


"Porque nós somos diferentes, Draco," disse a ele, um tanto triste. "Estamos...”.


 


"Em lados diferentes," ele terminou por ela, curvando a cabeça para esconder seus olhos.


 


Hermione inclinou a cabeça, confusa sobre o traço de melancolia no tom de Draco. Ele parecia incomodado esta noite, como se uma horda de perguntas estivesse fluindo através de seu cérebro e ele não tivesse ideia de qual responder primeiro. Ela podia ver que os músculos do rosto dele estavam tensos, numa tentativa de manter o que estava se formando em sua cabeça escondido dela, talvez até de si mesmo. Aquela vulnerabilidade rara estava lá outra vez, na contração sutil dos lábios ou nas agitações ansiosas dos dedos de Draco, então ela se perguntou quando havia aprendido a lê-lo tão bem.


 


"Lados diferentes," ela repetiu em um tom solene. "Você ainda se considera um dos deles, Draco?".


 


Essa era a pergunta...


 


Ele engoliu em seco afastando o coágulo de angústia que estava em sua garganta e mordeu a língua. Era a pergunta que ele vinha fazendo a si mesmo desde que tinha sido forçado a fugir de Voldemort, pois como ele poderia realmente ser parte de um lado cujo líder queria que ele apodrecesse em uma cova rasa? A questão tinha crescido mais barulhenta e dominante desde que Granger tinha começado a invadir seus sentidos. Tudo estava monumentalmente fodido, e ela parecia ser o único aspecto seguro e, ele se atrevia a pensar, bom de sua patética pseudo-vida como prisioneiro. Ele poderia detestar a maneira como reagia a ela e ansiava por sua companhia, mas não havia como negar que a presença dela havia acalmado sua alma fraturada.


 


Salazar perdoe-me por isso.


 


Mas ele não podia evitar. Ela foi a primeira e única pessoa a fazê-lo desafiar as crenças que tinham sido gravadas em seu crânio. Como ele poderia realisticamente seguir os ideais psicopáticos daquela criatura que havia colocado um preço sobre sua cabeça? Como poderia realmente acreditar que nascidos trouxas eram inferiores, quando Granger era a mais brilhante bruxa que havia tropeçado em Hogwarts durante décadas? Como ele poderia... Como ele poderia fingir que esses preconceitos ainda faziam sentido, não importava o quanto ele desejasse isso?


 


"Você não?" ele perguntou distraidamente, tirando o braço nu debaixo do cobertor para mostrar a sua Marca. "Isso não me faz um deles?".


 


Hermione franziu a testa para a mancha feia e torcida na pele de neve à sua frente e ficou surpresa ao descobrir que isso não a incomodava mais, não a dele de qualquer maneira. Talvez fosse porque a voz dele estava mais suave hoje, ou pela queda derrotada de seus ombros, mas ela sentia-se como se estivesse rompendo as barreiras de seu companheiro brigão. Ela aproximou-se um pouco mais e com cuidado estendeu a mão para acariciar a pele ainda não curada de Draco, e sentiu-se encorajada quando ele não arrancou imediatamente o seu braço para longe dela.


 


"Essa marca não define você," ela disse suavemente, pegando os olhos confusos de Draco propositadamente. "Da mesma forma que meu sangue não me define. Você define quem você é, Draco, suas ações e seus pensamentos...”.


 


"E se eu não souber quem eu sou?" ele questionou, com a voz tremendo ligeiramente. "E se eu estiver... perdido?".


 


Uma assustadora crise de afeto disparou em seu peito. "Então só faça o que parece certo," ela pediu ansiosamente. "E o resto se seguirá.".


 


A testa de Draco enrugou-se e seu olhar distante caiu para os dedos calmos de Hermione, ainda provocando suavemente a cicatriz sensível em seu antebraço. Quando Hermione achava que ele estava começando a absorver as suas palavras, ele bufou e se afastou de suas carícias tentadoras.


 


"Você Grifinórios são tão rápidos para procurar o lado bom das pessoas, para presumir que as pessoas podem mudar," ele a desprezou com alegria questionável. "Algumas pessoas estão além da mudança, Granger...”.


 


"Não você", ela protestou rapidamente. "Não você, Draco.".


 


A dúvida cintilou em seu olhar cinza, mas ela podia ver que ele estava determinado a resistir a ela hoje à noite. "Você deve ir." disse a ela, acenando com a cabeça em direção à porta.


 


Ela pensou em dizer que queria ficar, em entregar seu orgulho e admitir que se sentia segura com ele, e que nunca tinha dormido melhor em sua vida do que quando ela havia sido amparada em seus braços. Mas a perspectiva de ele rir na cara dela e a rejeitar fez o frio arranhar sua pele, e ela decidiu não forçar sua sorte. Deixando a cama de Draco, ela saiu do quarto, mas parou no aro da porta.


 


"São apenas rótulos, você sabe," ela murmurou, mantendo-se de costas para que ele não visse a primeira lágrima rolar em seu rosto. "Sonserina, Grifinória, puro sangue. E sangue-ruim. Eles não ditam como devemos viver nossas vidas.".


 


Atrás dela, Draco lutou arduamente para ignorar as batidas acelerando contra a sua caixa torácica. Quando ela desapareceu, ele olhou para a sua Marca de novo, e ainda podia sentir o formigamento persistente de seu toque. Ele se sentiu tão sozinho naquele momento, quase ciente de que os restos frágeis de seus preconceitos teimosos estavam começando a se quebrar e ruir sob o peso das palavras de Hermione. Ele sabia que a ausência dela, mesmo que fosse apenas por um par de dias, faria coisas prejudiciais para seu cérebro confuso.


 


Como que para confirmar que ele tinha finalmente cedido aos primórdios pouco felizes da loucura, ele esperou uma hora antes de rastejar-se silenciosamente para fora do quarto, e viu-se fora de sua porta. Ele brincou com o pensamento de murmurar a senha de Hermione e escorregar para dentro, mas não tinha ideia do que pretendia fazer.


 


Seu idiota patético...


 


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"Michael e eu concordamos sobre o Baile de Natal ser no dia onze de dezembro," Hermione explicou. "Eu sei que é um pouco mais cedo do que o habitual, mas você mencionou que pode ter alguns problemas com o transporte de alguns alunos este ano.".


 


"Sim, é verdade," assentiu McGonagall. "Eu decidi que seria sábio enviar pequenos grupos de alunos para casa nas férias de Natal durante uma semana, se for o caso. Eu não tenho certeza se usar o Expresso de Hogwarts é uma boa ideia também, mas existem alternativas. Dia onze é um bom dia.".


 


Hermione suspirou e esfregou os olhos. "Nós precisamos continuar com essa farsa, professora?" perguntou ela em tom cansado. "Parece bobagem ter um baile quando estamos em guerra...”.


 


"Você sabe que eu quero manter ânimo," a diretora disse uniformemente. "Hogwarts está agindo como um refúgio agora, e eu gostaria que os alunos se sentissem seguros aqui...”.


 


"Mas eles...”.


 


"Dia onze está bom," a bruxa mais velha a silenciou. "As aulas vão terminar dia dez, o que proporciona a mim e aos outros professores duas semanas para garantir que todos chegarão em casa com segurança. Você vai ficar aqui, senhorita Granger?".


 


"Sim," ela respondeu um pouco triste. "Eu disse aos meus pais que vou ficar na Toca. Eles ainda não sabem muito sobre o que está acontecendo, e eu gostaria de manter isso assim.".


 


McGonagall enrugou a testa. "Você já pensou um pouco mais sobre esse feitiço da memória que me falou?".


 


"É um último recurso," Hermione disse à professora rapidamente. "Eu não quero usá-lo a menos que eu seja absolutamente necessário.".


 


"Bem, vamos apenas esperar que as coisas não cheguem a esse ponto," ela suspirou. "Falando sobre coisas mais positivas, soube que Ninfadora está esperando por você quando estiver pronta.".


 


As feições estressadas de Hermione instantaneamente iluminaram-se com essa informação. "Eu mal posso esperar para vê-la," confessou. "Você precisa de mais alguma coisa de mim? Ou posso...”.


 


"Você está mais do que permitida para ir agora," McGonagall ofereceu com uma expressão calorosa. "Você quer que eu peça ao Professor Slughorn para escoltá-la?".


 


"Eu vou ficar bem," ela assegurou rapidamente, levantando-se de seu assento. "Eu preciso voltar para meu dormitório primeiro, de qualquer maneira.".


 


"Muito bem," a diretora balançou a cabeça. "Te vejo na aula de Transfiguração amanhã, então. E eu espero que você esteja no Baile de Natal, Hermione.".


 


Ótimo.


 


"Ok," ela balançou a cabeça com relutância. "Vejo você amanhã, professora.".


 


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Hermione tamborilou ansiosamente suas unhas contra a parede ao lado da porta de Draco. Ela estava persistentemente no mesmo local há cerca de cinco minutos agora, perguntando-se por que estava tão preocupada com suas palavras de despedida ao hóspede loiro. Desde a sua conversa razoavelmente intensa, ela tinha mantido distância, decidindo que havia, mais uma vez, provavelmente colocado muito de sua esperança nele. Mas ele tinha sido tão humano... praticamente em um nível de vulnerabilidade que tinha deixado ela com o coração palpitante de confiança e um novo lote de emoções que ela não entendia.


 


E se eu estiver... perdido?


 


Ela poderia ter clamado por esse comentário. A arrogância costumeira de Draco tinha momentaneamente derretido para mostra-la que talvez todos os seus esforços não tivessem sido em vão. Talvez ela tivesse alimentado a semente de dúvida na mente dele o suficiente para que finalmente estivesse começando a florescer... Ou talvez ela estivesse se adiantando. O flash de decência dele tinha diminuído tão rapidamente, que ela estava começando a se perguntar se isso realmente tinha acontecido.


 


"Existe uma razão para que você esteja se demorando na porta meu quarto?" a voz de Draco interrompeu seus pensamentos, abafada pela porta de madeira.


 


Respirando fundo, ela empurrou a porta e encontrou-o, mais uma vez, casualmente sentado na cama com um de seus livros no colo. "Desculpe," ela murmurou. "Estou interrompendo você, ou...”.


 


"Sim, porque eu tenho muito que fazer," disse ele depreciativamente, revirando os olhos. "O que você quer, Granger?".


 


"Eu estou indo para Hogsmeade agora," disse a ele. "Preparei comida suficiente para que você passe os próximos dois dias...”.


 


"Cai fora, então," Draco cuspiu friamente. "O que você esperava, Granger? Uma porra de festa de despedida?".


 


"Eu não estava esperando que você ficasse tão furioso," ela murmurou, dando alguns passos na direção dele. "E eu certamente não sei por que você está zangado.".


 


Nem ele.


 


"Eu não estou furioso," defendeu rapidamente. "Eu simplesmente não entendo por que você achou necessário cambalear até aqui novamente e me incomodar com sua merda de novo. Você já me disse que iria no outro dia.".


 


"Sim, mas eu...”.


 


"Já acabou?" ele estourou. "Eu poderia ter mais o que fazer, mas eu prefiro fazê-lo sem você aqui.".


 


Hermione suspirou e virou-se para remexer na bolsa enfeitiçada, na qual ela tinha guardado todos os pertences que precisaria em sua estadia com Tonks. Depois de algumas mexidas, ela retirou um pequeno globo de neve que continha uma réplica em miniatura do castelo de Hogwarts dentro, rodeado por neve falsa. Draco arqueou uma sobrancelha quando ela descansou o pequeno objeto no próprio colo e acariciou o vidro cuidadosamente antes de capturar os olhos do rapaz.


 


"Eu o enfeiticei," disse ela lentamente. "Se você agitá-lo cinco vezes, ele irá disparar um alarme no meu relógio. Eu o estendi às proteções também, então se você tentar sair, também indicará no meu alarme.".


 


Ele não deveria ter ficado impressionado com as habilidades mágicas de Granger, mas mais uma vez, sentiu uma sensação desagradável de admiração por ela. Ele fez uma careta para esconder qualquer aparência de respeito que poderia tê-lo traído, e zombou arrogantemente.


 


"Eu não preciso disso...”.


 


"É apenas uma precaução," ela o deteve. "No caso de você cair e quebrar a perna, ou algo...”.


 


"Esperançosa, Granger?" ele disse com um sorriso leve. "Você não encheu o dormitório com armadilhas, não é?".


 


Os lábios de Hermione se contorceram em um quase sorriso, e ela inclinou-se para frente para colocar o globo de neve ao lado de Draco, na cama. O flash de humor que tinha se adaptado tão bem às feições dele desapareceu quando ele olhou o item delicado com desgosto e empurrou-o para longe de si, e Hermione quis muito tocá-lo naquele momento. A tentação a pegou com tanta rapidez que a fez recuar de repente, apertando as mãos em um esforço para ignorar o aperto em seu estômago.


 


"Você sabe, Draco," ela murmurou inquieta, franzindo a testa quando sua voz saiu. "Eu poderia combinar as coisas de outra maneira. Se você não quiser que eu vá, você só precisa dizer.".


 


Não vá...


 


"Se você não tem mais brinquedos inúteis em seu saquinho de truques," Draco resmungou. "Então eu não vejo nenhuma razão para você estar aqui, Granger.".


 


Ela estava certa de que ele podia ver a decepção atrás de seus cílios, mas rapidamente se transformou em irritação. "Tudo bem," disse ela bruscamente. "Se você insiste em ser tão frio o tempo todo...”.


 


"Eu não estava esperando que você ficasse tão furiosa," ele repetiu as palavras dela. "Tem algo mais que você queira, Granger?".


 


"Não," ela bufou, levantando-se rapidamente da cama. "Eu só não entendo porque você tem que ser como um bastardo sempre...”.


 


"Hey!" ele gritou, levantando-se e agarrando o pulso dela. "O que diabos você estava esperando, Granger? Gratidão por este enfeite idiota, quando você está me deixando sozinho nesta prisão de merda?”.


 


"Estou aprendendo a não esperar nada de você!" ela disparou de volta, trazendo seu rosto para perto do dele. "Quando eu penso que você pode ter um pingo de decência, você volta a ser um egoísta medíocre!".


 


"Que diabos você está falando...”.


 


"No outro dia," Hermione lembrou-lhe em voz baixa. "Quando nós estávamos falando sobre os lados...”.


 


"Você lê muito afundo as coisas," ele rosnou defensivamente. "Você já pensou que talvez este lugar esteja ferrando com a minha cabeça um pouco...”.


 


"Não tanto quanto você gosta de pensar," ela respondeu, engolindo em seco quando percebeu o quão perto eles estavam. "Por que você tem que atuar quando eu sou a única pessoa que vê você?".


 


Ele abriu os lábios, mas hesitou em dizer qualquer coisa. Havia algo familiar em seus olhos de ouro, que o lembrou do dia em que ela beijou-o, afetada pela neblina de sua alergia. Estava lá, no meio do olhar ansioso, uma centelha de coragem entre uma tempestade de nervosismo, e ele a sentiu inclinar-se sobre ele. Draco cerrou os olhos e considerou permitir que isso acontecesse, tentado a deixar cair todas as suas defesas, e deixá-la fazer tudo o que quisesse. Esta era a sua única oportunidade de obter uma dose final dela, aquele dilema proibido, antes que ela o deixasse sozinho com seus demônios. Eles já tinham se beijado antes, então que diferença faria se a provasse mais uma vez?


 


Mas quando o hálito quente de Hermione acariciou seu queixo, Draco foi arrastado de volta à realidade, e então a empurrou às pressas antes que ela pudesse tocá-lo. Ele a zombou quando ela tropeçou, mas o veneno em suas feições era forçado, apenas uma máscara para cobrir o quanto ele se sentia desorientado. Granger, por outro lado, não teve tempo de esconder a sua humilhação e surpresa, com seus movimentos bobos e olhos feridos. Draco estava quase gritando para que ela saísse, mas Hermione se virou e fugiu antes que ele pudesse até mesmo pensar em respirar.


 


O bater da porta ricocheteou em torno de seu quarto solitário, como o estrondo do martelo do tribunal do Ministério. Esta era a sua sentença, dois dias apenas com a sua sombra como companhia e se perguntando o que ele faria sem a presença dela para afastar a solidão condenatória.


 


Ele deveria tê-la deixado beijá-lo...


 


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O ar frio fez seus olhos molhados de lágrimas arderem.


 


O andar de Hermione a Hogsmeade era apressado, atormentado pela percepção de que ela estava começando a sentir coisas por Draco, que estavam longe de ser normais.


 


Na primeira vez em que ela havia o beijado, estava tonta e confusa, agindo sob um impulso forte demais para que sua lógica o reprimisse. Mas sua tentativa de sentir o gosto dele momentos atrás tinha sido diferente. Ela quis inclinar-se e testar a sua sorte. Tinha sido uma decisão consciente, que resultou em que ela se sentisse rejeitada e completamente mortificada. Os pensamentos em seu cérebro estavam confusos e mutilados em uma bagunça catastrófica, e ela não tinha ideia de como começar a lidar com eles.


 


Quando o Três Vassouras chegou a seu campo de visão, ela usou as mangas para afastar as evidências de seu choro e tentou reunir a compostura. Pelo menos a emoção de ver Tonks esconderia algumas de suas perguntas sobre Draco, e ela conseguiu dar um sorriso carinhoso enquanto entrava na pousada. Alguns dos visitantes habituais estavam espalhados pelo bar, mas ela mal os notou enquanto encontrava os olhos sábios de Madam Rosmerta. A bruxa mais velha ofereceu a Hermione um aceno de reconhecimento e discretamente passou uma chave à garota, que não perdeu tempo e foi correndo encontrar a amiga.


 


"Lá está ela!" Tonks sorriu quando Hermione invadiu o quarto. "Eu achei que você poderia ter se perdido no caminho.".


 


"É tão bom ver você," ela emocionou-se, correndo para um abraço, mas hesitou quando viu a pequena protuberância na barriga de Tonks. "Oh, Tonks! Está começando a aparecer!".


 


"Cuidado para não colidir," disse ela com sorriso brincalhão. "Já vou avisando que estou passando pela fase de desejos, por isso, se você me ver encolhida em um canto segurando um sanduíche de geleia e uma marmita, apenas ignore-me.".


 


Hermione sorriu, mas não conseguiu conduzir o sorriso que normalmente teria chegado tão naturalmente com o humor de Tonks. Uma imagem de seu encontro com Draco, quando os lábios dele estavam a um sopro de distância, dançou em suas pálpebras e deixou sua boca seca e seu coração pesado.


 


"Você está bem, Hermione?" Tonks perguntou. "Você parece um pouco perturbada.".


 


"Estou bem," ela mentiu rapidamente. "Eu só sinto falta Harry e Ron.".


 


"Claro que você sente," ela balançou a cabeça com simpatia, dando à bruxa mais jovem um sorriso caloroso. "Mas pelo menos você tem alguns amigos aqui com quem pode conversar. Como estão as coisas em Hogwarts?".


 


Hermione não pôde deixar de estremecer.


 


Complicado...


 


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Draco fez uma careta para a escuridão.


 


Já era tarde, e o brilho da lua não atingia a sala sem janelas, onde o silêncio badalava em seus ouvidos, um lembrete sonoro de que ela não estava aqui. O cheiro dela estava começando a desaparecer, o dormitório parecia estranhamente vazio, e tudo o que ele tinha feito nas últimas várias horas foi olhar para a porra do globo de neve.


 


Tudo o que ele tinha que fazer era sacudir o objeto feio, e então ela voltaria, e ele poderia roubar o gosto dela, como deveria ter feito antes que ela saísse.


 


Ele saltou em direção ao ornamento mágico e atirou-o na parede com um rugido alto rasgando sua traqueia. Observou o globo quebrar-se, antes de se virar nos calcanhares e marchar em direção ao quarto de Granger com respirações elevadas. Murmurando a senha dela, ele instantaneamente se acalmou quando inalou avidamente o ar do quarto.


 


Definitivamente Granger.


 


Ele estudou criticamente o seu entorno, à espera de encontrar uma enorme coleção de objetos pessoais, mas com exceção de algumas fotografias, a cama previsivelmente vermelha, e uma impressionante coleção de livros, era semelhante ao seu próprio quarto.


 


Draco olhou para as fotografias com mau humor, demorando-se particularmente em uma de Granger com os idiotas irresponsáveis que ela considerava boa companhia. Ele baixou todos os porta-retratos para que não precisasse vê-los e se acomodou na cama, distraidamente correndo os dedos sobre os cobertores dela. Suas pálpebras ficaram pesadas e ele se inclinou para trás, embalado pelo forte cheiro de Hermione, entranhado nos travesseiros e cobertores. Se ele dormisse aqui, cercado pelos sussurros suaves da presença dela, quem se importaria?


 


"Foda-se.".

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