Todos os dias ela voltava para seu dormitório, e ele estava lá. Pronto para perfurar seu cérebro com insultos e reclamações, o que estava começando a sugar a vida dela para fora de si. Ela iria terminar a aula e voltar para o dormitório de monitora-chefe para completar a lição de casa, sabendo que a biblioteca estaria muito lotada até por volta das oito da noite, e ele estava sempre lá. Apenas esperando, sua língua úmida e preparada para incita-la com argumentos que poderiam durar minutos ou horas, dependendo inteiramente do quanto ambos estavam teimosos.
Eram sempre as mesmas palavras de desprezo.
Imunda.
Vagabunda.
Sangue-ruim.
Sangue-ruim...
Às vezes as palavras machucavam, em outras nem tanto. Ela foi lentamente desenvolvendo uma imunidade a elas, mas de vez em quando Draco lançava algo novo, e isso mexia completamente com ela. Então, novamente, Hermione dava o máximo de si. Eles estavam bastante equilibrados na competição ela imaginou, mas após uma semana de dores de cabeça pulsando e a voz dele trovejando em seus ouvidos, Hermione estava farta.
No oitavo dia da estadia de Draco - uma sexta-feira - durante a aula Aritmancia, Hermione teve uma epifania, que veio na voz de sua mãe.
Nada irrita mais um valentão do que você não reagir. Ou melhor ainda, ser agradável com ele.
Ela realmente nunca tinha dado muita atenção aos conselhos meio bobos que seus pais davam, já que frequentemente não traziam nenhum benefício, mas esse ela poderia usar. Malfoy certamente a atormentava porque estava entediado, e se ela se recusasse a reconhecê-lo, ou simplesmente parecesse legal, faria a cabeça dele explodir. E se ele ficasse muito irritado, ela poderia simplesmente prendê-lo no quarto até que ele se acalmasse.
Ela nunca tinha estimado tanto sua varinha.
Apenas mais duas aulas e ela teria terminado por hoje. E ele estaria lá. Esperando. E ela iria ignorá-lo. Não importa o quanto ele a ferisse, ela não reagiria.
Ela não iria reagir da maneira como ele queria.
Apenas Poções e Herbologia para ir, e ela poderia testar sua pequena teoria.
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Havia 405 telhas entre a cozinha e o banheiro. Todas brancas, e 56 tinham rachaduras. Levou três dias para verificar isso, pois a maldita interrupção da Granger fez com que ele tivesse de checar duas vezes.
Ele tinha voltado sua atenção para o assoalho então. Havia 97 ao todo, 38 em seu quarto, excluindo o quarto de Granger, é claro. Ele havia tentado invadir os aposentos dela há dois dias, recebendo a mesma sensação ardente que ele obteve da porta principal.
Queimou as pontas dos dedos. Ótimo.
Havia acordado às duas da tarde hoje, depois de uma noite tempestuosa. Mais pesadelos, eles estavam ficando muito piores. Seus olhos tinham automaticamente ido até a cabeceira para estudar sua arte, assim como fazia todas as manhãs de antemão. Tal como estava, ele tinha seis pontos, e Granger tinha cinco. De acordo com a sua memória, e recordando que em alguns dias eles discutiram mais de uma vez, ele adivinhou que era sexta-feira.
Ele chegou até a sexta-feira, o que fazia deste dia como sendo o seu oitavo no inferno.
Pelo menos ele estava conseguindo manter o curso do tempo. Espécie de...
Realmente teria sido mais sensato marcar os dias em sua cabeceira, em vez de registrar as brigas. Mas foda-se. Ele estava ganhando, então poderia ficar como estava.
Ele deixou a cama, trocou de roupa, e foi em busca de algo para fazer. Para contar. Só até Granger voltar e então eles poderiam ter sua usual batalha de inteligência.
Granger...
O cheiro dela estava em todo lugar, nublando a atmosfera como um nevoeiro de verão. Aquele cheiro de alguma fruta no sabonete ela usava, uma pitada de chuva de verão, e que Draco tinha finalmente identificado como cereja. Doce com um pouco de tempero. Não totalmente desagradável, apenas irritantemente sufocante quando ele tinha que inalar o dia todo, todos os dias. O aroma dela tinha vazado até para o seu quarto, e agora estava permanentemente preso em algum lugar entre os seios da face e seu lóbulo frontal.
Ele não conseguia ficar longe disso. Longe dela. E isso estava arrastando a insanidade para seu cérebro apenas um pouco mais rápido.
Fazendo o seu caminho na direção da área de estar, ele pegou sua tigela de cereal de costume e uma maçã, procurando alguma coisa para contar... Mas não havia nada.
Então ele simplesmente olhou para o relógio, e viu os minutos passando, até que ela chegou às 03:40, como sempre fazia. Como um relógio. Sua diminuta carcaça mal entrou na sala e ele se entregou a um sorriso cruel.
Que comecem os jogos.
"Boa tarde, sangue-ruim," ele saudou com desafio, não particularmente incomodado quando ela não reagiu. Levava um tempo até que ela se irritasse no nível em que ele apreciava. "E o que a nossa traça de livros favorita achou das aulas hoje?".
"Boas, obrigada." ela respondeu de maneira uniforme, tomando seu lugar habitual no sofá.
Ele vacilou. O que? Nada de "Vá se fuder, Malfoy" hoje?
"Te fiz uma pergunta...”.
"E eu te dei uma resposta." respondeu ela calmamente. Muito calma.
"Não foi bom o suficiente." criticou, andando para mais perto dela.
Ela encolheu os ombros. Apenas deu de ombros e retirou um pergaminho para começar com seu dever de casa. O trato do silêncio, um desafio. Ok, ele poderia jogar com isso. Ela reagiria, eventualmente. Ela tinha de reagir. Ele esperou pelas faíscas nos olhos dela e pelas réplicas afiadas por mais de uma hora. Ele os queria. Cresceu sobre eles, na verdade.
"Que porra é essa?" cuspiu, pegando o pergaminho das mãos dela, os examinando criticamente. "Você até mesmo escreve como uma trouxa malformada. Os trouxas não conseguem ter uma caligrafia decente?".
Ela continuou não olhando para ele, só arrancou um livro de sua bolsa em vez disso, então começou a ler. Ele jogou a lição de casa para o lado e rosnou para ela.
"Você não está me enganando, Granger," disse ele lentamente, ficando de pé diante dela e cruzando os braços. "Eu sei o que você está fazendo.".
"Estou lendo." ela disse-lhe calmamente, seus olhos com o brilho cor de canela trilhando as páginas escritas.
"Você sabe que você quer gritar comigo, Granger," ele demorou, convencido de que deveria estar brincando com o impulso dela de feri-lo tanto com as unhas quanto com insultos. "Ou vou ter que falar sobre o pentelho que não morreu e o seu animal de estimação laranja?".
Seu olhar de pedra deslocou-se para os lábios sempre carnudos dela e esperou pela contração habitual de sua boca. Quando você está isolado em uma sala com apenas uma pessoa para passar o tempo e observar, você nota o que os sinais dizem, e Granger era um espécime fascinante de ler. Bastava uma rápida ofensa para com seus “amigos especiais", e seus lábios sempre demonstravam remorso. Em seguida, as pupilas dilatariam e um rubor agitado mancharia seu rosto antes das respostas espirituosas saírem de sua boca.
Mas não houve contração hoje. Não, a boca dela não se mexeu. Ela tinha quebrado a sua rotina. A rotina que ele tinha quase decorado. Como ela ousa.
Ele pegou o livro também, e descartou áspero por trás dele.
"Olha pra mim, Granger!" ele exigiu arrogantemente. "Agora!"
Ela lentamente levantou seu olhar de mel para ele, mas estava completamente em branco. Entediado mesmo. Ignorá-lo foi realmente mais fácil do que ela esperava, obteve muita prática abafando as conversas de Harry e Ron sobre Quadribol. Ela tomou este momento apenas para estudar as características dele enquanto o bruxo vociferava sobre o quanto o sangue dela era imundo, tomando nota de sua pele de boneca de porcelana. Estranho. Normalmente se ajustava a ele, mas ela poderia jurar que estava quase virando cinza.
“...não vai ser ignorado por você!" continuou ele, mas ela realmente não estava prestando atenção. "Granger, estou...”.
Ela deslizou os olhos pelo rosto dele e percebeu como ele parecia esgotado. Não privado de sono. Mas fraco e com os olhos de vidro sem energia. Ela respirou e ele estava perto o suficiente para que ela pudesse sentir o cheiro dele.
Maçãs e sono. Sempre maçãs e sono.
Um pensamento cruzou sua mente e seus lábios se separaram com interesse. De repente ela estava de pé em uma batida do coração dele, roçando nele ao passar e indo para a cozinha.
"Onde diabos você está indo?" ela vagamente o ouviu perguntar. "Eu perguntei onde você está indo!".
Draco era um borrão distante atrás dela quando Hermione começou a abrir todas as portas do armário e examinar o conteúdo, ao mesmo tempo tentando lembrar o que havia comido nos últimos dias. Merlin, como poderia não ter percebido isso antes?
"Hey!" ele chamou, marchando atrás dela. "Sangue-ruim vadia! Eu lhe perguntei...”.
"O que você anda comendo?" Hermione questionou drasticamente, girando nos calcanhares, e o encontrando um pouco mais perto do que ela gostaria.
Ele piscou confuso. "O que...”.
"O que você está comendo?" ela repetiu, dessa vez mais severa. "Tal como eu posso ver, você não tocou em nenhum dos alimentos, exceto algumas maçãs e leite.”.
"Que porra isso tem a ver com você?".
"Isso é tudo o que você comeu?" perguntou ela, encontrando-se horrorizada por algum motivo. "Maçãs e leite?".
Ele encobriu seus olhos para mascarar a sua perplexidade e fez uma careta para o comportamento estranho dela. Por que exatamente ela estava tão ofendida com seus hábitos alimentares? "E cereal." ele murmurou, sem saber o que mais ele deveria dizer, mas sentindo uma necessidade de se defender.
"Só isso?" ela franziu a testa, lançando um suspiro triste que ele realmente desprezou. "Malfoy, você não pode sobreviver com esse tipo de dieta...”.
"Por que...”.
"Você está se tornando anêmico," continuou ela, e de repente ele deu um passo para trás, como se tivesse acabado de se lembrar de que o sangue impuro dela poderia ser contagioso. "E provavelmente você está desenvolvendo uma deficiência de proteínas...”.
"Será que esta palestra chata sobre o corpo humano tem um objetivo?" ele vociferou impaciente, fingindo examinar as unhas.
"Você precisa comer mais," Hermione disse a ele, percebendo que havia uma irritante insinuação de preocupação em seu tom de novo. Maldição dos genes benfeitores em seu sistema. "Por que você não...”.
Ela parou quando a realidade amanheceu sobre ela, e ela analisou-o enquanto as feições do garoto trituravam como um aviso para não comentar o que estava na ponta da sua língua. Mas a bravura Grifinória e todo esse barulho em sua cabeça... ela era uma bruxa teimosa.
"Você não sabe cozinhar sem mágica," ela supôs, os olhos arredondados e a voz um pouco mais quieta. "Você...".
"Vá se fuder, Granger.".
Isso significava sim. Oito dias com ele, e ela já tinha um pequeno tradutor de Malfoy embutido em seu cérebro. Havia novas adições todos os dias, mas "Vá se fuder, Granger" era definitivamente um código para "sim, e eu não vou admitir isso.".
"Por que você não disse nada?" a bruxa questionou com cuidado, inclinando a cabeça para o lado de uma forma que fez Draco querer quebrar o pescoço dela. "Eu poderia ter...”.
"Poderia ter o que, Granger?" ele perguntou, dando um passo à frente e entrando no espaço dela novamente. "Me dirigido esse estúpido olhar de pena que você tem agora? Mantido isso na minha cabeça...”.
"Eu não teria...”.
"Eu não quero sua ajuda," disse ele com um sussurro cruel. "Esqueça isso...”.
"Eu não posso," ela murmurou, e houve um ligeiro pedido de desculpas em seu tom. "Você precisa comer...”.
"Isto serviria ao seu propósito de me ver apodrecer no corredor!” Draco rosnou, erguendo-se sobre Hermione para que seu hálito deslizasse sobre as maças do rosto dela. "Por que você se importa com...”.
"Eu simplesmente me importo!" ela falou cuspindo, compensando sua falta de altura com volume. "É apenas o meu jeito...”.
"Malditos Grifinórios." resmungou, saindo de perto dela rapidamente, deixando apenas um olhar enojado para trás. Ela o assistiu desaparecer atrás da porta, e o frio de outubro de repente encontrou-se com ela.
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Dentro de seu quarto e longe da maldita preocupação de Hermione, ele deslizou pela porta e deixou o rosto cair nas palmas das mãos suadas. Esta foi definitivamente uma novidade, simpatizando com ela. E as coisas foram diferentes hoje, houve uma falha na rotina em que ele e ela tinham acidentalmente tropeçado. As paredes se arrastaram um pouco mais para perto de novo.
Ele nem se incomodou em levantar-se para colocar uma marca na cabeceira da cama. Na medida em que ele poderia dizer, nem tinha ganhado essa discussão.
Ele ficou nessa posição derrotada por uma hora ou quatro, ouvindo os movimentos de Granger e inevitavelmente inalando o cheiro dela. Ele ouviu a porta principal se fechar, presumivelmente com a saída da garota, então se levantou trêmulo, de repente ciente da forma apática que seus músculos estavam realizando o movimento. Ele voltou para a sala de estar e outra coisa encheu o ar.
Comida. E cheirava malditamente magnifica.
Olhou a panela fumegante de sopa no balcão com cautela. Ela tinha deixado descaradamente para ele e seu orgulho estava tentando anular os burburinhos em seu estômago. Mas Merlin , cheirava incrível, e a tentação foi forte demais.
Havia o suficiente para três pessoas e ele comeu a coisa toda. Foi perfeito.
E então ele se sentiu desorientado. Muitas mudanças também tinham acontecido hoje. Eles não tinham gritado inconscientemente um com o outro como normalmente acontecia, e depois essa coisa toda de comida...
Ela está enroscando a sua cabeça.
E não havia mais nada para contar! Merda, merda, merda!
Ele precisava manter-se distraído ou padeceria. Seus olhos deslocaram-se para os livros de Hermione e ele decidiu que era sua única opção. Inferno, ele tinha se alimentado da comida preparada por uma sangue-ruim, quanto mais ele poderia se infectar ao ler um dos livros dela?
Selecionando um livro simples sobre Poções que ele provavelmente já tinha lido antes, Draco começou a ler.
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"Bom, senhorita Granger!" McGonagall elogiou, disparando mais um feitiço na direção da bruxa mais jovem. "Mantenha o escudo!".
Hermione podia sentir o suor sair de sua testa e deslizar até sua coluna vertebral. O bíceps do braço da varinha estava doendo como tortura, mas ela continuou em posição defensiva. Este foi definitivamente o tempo mais longo que ela já tinha segurado um feitiço escudo e ele estava começando a vacilar, para sua frustração.
Apenas um pouco mais...
A diretora disparou outra magia, e ela penetrou na sua proteção. Repreendeu seu braço e ela bateu no chão com um grunhido desapontado. Levou apenas um momento para recuperar o fôlego antes de saltar para cima de seus pés. "Mais uma vez." ela ofegou, agachando-se em posição.
"Isso é o suficiente por hoje," Minerva disse a ela, baixando a varinha. "Está ficando tarde...”.
"É sábado amanhã," ela disputou. "Vamos, só mais um...”.
"Você deve aprender a parar quando está à frente, Senhorita Granger," a mulher grisalha aconselhou. "De qualquer forma, tem algumas perguntas que eu gostaria de fazer.".
"Sobre o quê?".
"Sr. Malfoy," ela respondeu, como se fosse óbvio. "Eu pensei que você teria muito a dizer sobre ele, mas você não o mencionou sequer uma vez. Está tudo bem? Eu esperava que você fosse me pedir para removê-lo de lá imediatamente.".
"Acho que estou lidando com isso melhor do que eu pensei que poderia," Hermione explicou com um encolher de ombros cansados. "Eu acho que seis anos aguentando a boca suja dele me prepararam muito bem.".
"Eu sabia que você não iria me decepcionar," a professora ofereceu-lhe um raro sorriso carinhoso. "Então ele se comportou?".
Hermione não pôde deixar de bufar. "Eu acho que é um pouco diferente disso," disse ela. "Mas eu mal o vejo entre meus estudos e meus treinos com você. Brigamos muito, mas não é nada que eu não tenha ouvido antes, eu posso lidar com isso.".
A mulher mais velha ponderou por um segundo. "E as brigas têm sido violentas?".
"Ele tentou me apanhar algumas vezes," lembrou-se com os olhos apertados. "Mas eu tenho a minha varinha, então não me preocupo.".
"Bom," McGonagall acenou com a cabeça, estendendo uma mão. "Passe-me sua varinha, Senhorita Granger. Pensei em um feitiço que poderia ajudar. É uma espécie de feitiço repelente de trouxas que queima a mão de quem tentar tocá-la.".
"Mas Malfoy não é trouxa...".
"Eu estou ciente disso," McGonagall franziu a testa enquanto realizava o feitiço silencioso, e Hermione olhava o brilho verde que envolvia a varinha por um momento. "Mas ele não tem uma varinha por isso vai funcionar bem. Vou ter que renovar o feitiço a cada nove ou dez dias.".
"Obrigada." ela murmurou enquanto sua varinha era devolvida a ela.
"E o comportamento do Sr. Malfoy?" a diretora continuou. "Ele está tendo qualquer alteração estranha?".
A testa úmida de Hermione enrugou com o pensamento. "Eu... Eu realmente não sei," ela murmurou finalmente. "Como eu disse, eu realmente não...”.
"Bem, eu gostaria que você prestasse um pouco mais de atenção nele a partir de agora." a professora disse a ela com sua voz familiarmente clínica.
A morena empalideceu. "Por que eu...”.
"Aquele rapaz esteve preso em um galpão durante quase cinco meses," explicou McGonagall lentamente. "E agora ele foi forçado a ficar no seu pequeno quarto. Confinamento pode fazer coisas prejudiciais com a mente, Senhorita Granger, e eu imagino que ele deva estar bastante... conturbado, com tudo isso.”.
"Bem, isso é problema dele.”.
"Eu duvido que lidar com um Draco Malfoy instável será benéfico para você," a bruxa disse sabiamente, apontando para que Hermione a seguisse até a porta. "E pode fazer bem a você lembrar que ele foi forçado em sua missão, quando você estiver lidando com ele.".
A jovem bruxa mordeu o lábio, pensativa. Ela sabia que ele nunca tinha sido de Malfoy a ideia de matar Dumbledore, e que ele tinha sido ameaçado de morte caso fracassasse. Harry havia lhe dito tudo isso, um tanto a contragosto depois de ela ter perguntado a ele sobre o que tinha ouvido naquela noite, mas isso nunca tinha esmaecido o seu ódio pelo Sonserino. O luto por Alvo e a preparação para a guerra haviam entrado em seu caminho antes de tentar entender o que aconteceu... tentar entender ele...
Ela percebeu então que, apesar de certo da iminente ira de Voldemort, ele não tinha assassinado Dumbledore mesmo assim, e isto a acalmou completamente. Ele não fez isso, mesmo com a vida ameaçada caso fracassasse.
Ela balançou a cabeça e bufou enquanto McGonagall a levava para o corredor de saída, e sua respiração teimosa voou pela passagem.
Não. Isso era irrelevante. Então ele não era um assassino, o que não diminuía suas outras qualidades perversas. Ele ainda era um valentão vingativo e muito mal.
Mas...
No entanto, algo estremeceu em sua cabeça. Algo próximo à intriga, e ela se perguntou se era por isso que ela tinha se preocupado em deixar-lhe uma refeição quente. Ela realmente não tinha descoberto ainda de onde esse ato de bondade tinha vindo.
"Professora" ela começou relutantemente enquanto caminhavam. "Por que você acha que ele não fez isso?".
Hermione lembrou-se de nunca ter visto a diretora parecer hesitante ou incerta, mas ela estava naquele momento. "Eu acho que só o Sr. Malfoy sabe o motivo," disse ela finalmente, parando quando chegaram à porta. "E talvez a razão não seja tão importante.".
"O que você quer dizer?".
"Talvez a única coisa importante seja que ele não fez isso," McGonagall ofereceu, sua voz rica de sabedoria e maturidade que Hermione sempre achou esclarecedoras. "E eu recomendo que você se concentre nisso durante o resto da estadia dele.".
Seus dentes perfuraram o lábio inferior com um pouco mais de força. "Tudo bem," ela concordou. "Vou fazer o meu melhor.".
"E isso é tudo que eu peço," disse a bruxa envelhecida. "Quer que eu a acompanhe até seus aposentos?".
"Eu vou ficar bem," ela rejeitou, dando alguns passos para deixar a diretora para trás. "Boa noite, Professora.".
Ela usou o tempo em que voltava para o dormitório para considerar como exatamente ela deveria manter um olho em Malfoy, quando tudo que ela queria fazer era bloquear a porta e nunca mais vê-lo novamente. Seus pensamentos anteriores sobre Dumbledore a fizeram se questionar se o nível de seu desgosto por Malfoy era justificável. Ela teria que pensar sobre isso.
Metade dela gostaria que ele estivesse esperando por ela, pronto para derramar o caldo da panela em sua cabeça por ofendê-lo de tal maneira. Ela sabia que ele iria ver isso como um insulto ao seu orgulho puro-sangue, mas o cara precisava comer. Ponto final.
Se ela vai sofrer um atentado de ensopado por sua tentativa ingênua de bondade, então que assim seja.
Mas ele não estava lá.
E o pote estava vazio.
Ele realmente comeu...?
Outro sorriso sem vontade causado por Malfoy manchou seus lábios, e ela sentiu a intriga florescer em seu peito. Talvez a magnitude do seu ódio em relação a ele não se justificasse. Ou então, talvez ele estivesse apenas com fome, e ela sempre era muito rápida para procurar o lado bom das pessoas.
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Puta que pari...
Ele acordou com lambidas salgadas tracejando seu rosto, e ele realmente não tinha ideia se era suor ou lágrimas.
Malditos pesadelos.
O fim de semana havia passado muito rápido, com mais refeições fumegantes feitas pela sangue-ruim e viagens maçantes em dois livros. Ele só deixou seu quarto para usar o banheiro e pegar comida. Se ele visse Granger, então poderia fingir que não era ela quem deixava a comida.
Ele poderia fingir que ele não estava aceitando seus gestos de bondade.
Porque a própria expectativa o fazia querer bater a cabeça na parede até apagar. Ou talvez vomitar, mas não podia desperdiçar líquido. Especialmente porque acordava suando diariamente.
Ele não sabia o que era pior, que ela tivesse tempo e se esforçasse para preparar a refeição, ou o fato de ela ter certeza de que a comida estaria quente para ele, com o que ele supôs ser uma espécie de feitiço de aquecimento. Por que não deixar esfriar? Por que desperdiçar sua magia em certificar-se que ele gostaria da refeição? Era humilhante.
Era segunda-feira, e ela estava no chuveiro novamente, o que significava que ele tinha acordado muito cedo, se ela ainda não tinha ido para a aula. O tamborilar penetrante da água dançava em seu quarto como um sonho úmido. Ele desesperadamente não queria voltar para os pesadelos. Eles eram violentos agora, e ele estava começando a reagir fisicamente. Eles machucavam. Pulsavam em sua têmpora por horas depois, e ele não podia parar o tremor que abalava seu corpo também.
Eles estavam quebrando ele...
Um dos gemidos de felicidade dela no chuveiro estremeceu em seu quarto, e ele poderia jurar que sua dor de cabeça havia diminuído um pouco. Lambeu os lábios e esperou pelo próximo, só para verificar.
Outro ronronar feminino, um momento depois.
Sim, foi definitivamente nublando seu cérebro e afugentando o pulsar em seu crânio. Ele queria questionar isso, mas não se atreveu.
Em vez disso, ele se viu saindo da cama, rebocando o cobertor por trás para combater a manhã de outono. Ele fez do tecido grosso um casulo e se colocou contra a parede que separava seu quarto do banheiro. Ele odiaria a si mesmo mais tarde, mas pelo túmulo de Merlin, ele estava disposto a fazer qualquer coisa para afugentar os abalos e tremores dolorosos de seus pesadelos.
Com um gemido derrotado, ele descansou seu ouvido contra a parede e se aqueceu com os ruídos molhados e sons guturais de Hermione. Um miado particularmente agradável despertou um arrepio em sua coluna, e ele nunca havia estado tão relaxado desde a noite na Torre da Astronomia.
A água e a bruxa foram embalando-o de volta ao sono, e mesmo sabendo que os sons eram agradáveis aos seus ouvidos e ao seu psicológico, ele nunca se odiou tanto.
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Quando Draco acordou novamente, ele julgou o tempo pelo ângulo em que as nuvens abraçavam o sol. Avaliou que era início da tarde, então se vestiu com as usuais calças pretas e suéter também preto, percebendo que suas roupas exigiriam ser lavadas em breve. Ótimo. Outro favor dela.
Aquela gravata Grifinória em torno de sua garganta estava se tornando muito mais tentadora a cada minuto que passava. E ele não pretendia usar para fins de moda. Como se fosse usar vermelho e dourado.
Ele entrou na sala de estar encontrando uma caçarola o esperando no local de costume no fogão, e outro pedaço de seu orgulho se esvaeceu quando ele abriu a gaveta para pegar um garfo. Ele deve ter aberto a gaveta errada porque se viu olhando para três pequenos frascos de líquido claro e alguns tubos cilíndricos com uma agulha no final.
Mas que diabos?
Olhou os objetos estranhos com cautela por alguns momentos antes de chegar à conclusão de que eles deveriam ser algumas coisas estranhas de trouxas.
Olhou para o relógio em seguida, e gemeu quando percebeu que havia calculado mal as horas. Ao mesmo tempo em que o pensamento tinha se esculpido em seu cérebro, a porta principal se abriu e Granger tropeçou no quarto, aparentemente tendo um pequeno problema com sua bolsa.
Ela parece diferente...
E ela realmente estava. Ele não tinha ideia do que era, mas algo tinha mudado definitivamente.
Ela era a única pessoa que Draco via já há dez dias, e ele podia admitir que havia aprendido as características dela razoavelmente bem, mas algo estava realmente diferente. Ela ainda não havia notado sua presença, então ele trilhava seus olhos prateados pelo rosto dela para encontrar a mudança.
Mesmos lábios de pétala de rosa.
Mesmos olhos de calda dourada.
Mesma pele manchada do sol.
Mesmos respingos de pequenas sardas na ponte de seu nariz.
Certamente o mesmo ninho de coruja catastrófico que ela chamava de cabelo.
Ela ainda estava lutando com sua bolsa quando fechou a porta atrás de si, e depois de mais alguns segundos, ele creditou sua "mudança" por não vê-la por dois dias. Isolar-se em seu quarto provavelmente não ajudou seu cérebro, que provavelmente estava pregando peças nele. Não seria a primeira vez.
Ela levantou a cabeça, e ele se viu preso em um daqueles concursos irritantes de olhares que ele se recusava a participar quando criança.
Sim, com certeza os mesmos olhos dourados.
Levou seis batimentos cardíacos antes que ela mudasse o rosto para uma careta cansada e se afastasse dele em direção ao seu quarto.
"Eu não estou com disposição para discussões hoje, Malfoy," ela murmurou, caindo no sofá sem graça. "Então, se você...”.
"Cai fora, Granger," ele interrompeu, observando que sua voz estava um pouco enferrujada depois de seus dois dias de silêncio. "Eu tenho coisas melhores a fazer do que perder meu tempo com você.".
Ela teve a ousadia de rir. "Sério?" ela zombou. "E o que seria isso exatamente? Se escondendo em seu quarto...”.
"Me escondendo de você?" Draco bufou friamente, esquecendo a sua comida no momento. "Não me faça rir, Granger. Prefiro ficar no meu quarto do que correr o risco de ver sua cara.”.
"E o que exatamente você faz no seu quarto, Malfoy?" ela questionou, mascarando sua curiosidade com um tom zombeteiro. "Eu notei que um par de meus livros está faltando.".
Merda...
Ele não queria que ela percebesse que estava pegando os livros. Agora ela tinha mais coisas para prender sobre a sua cabeça, e seu orgulho seria espancado ainda mais.
"Você tem algum problema com minhas leituras, Granger?" ele desafiou em tom indiferente, decidindo que a negação era realmente inútil quando ele era o único culpado possível.
Hermione fez uma pausa para considerá-lo por um segundo, e reconheceu que, na realidade, ela realmente não se importava se ele queria ler seus livros ou não. A não ser que ela precisasse deles, isto realmente não a afetaria. A tentação de ser mesquinha e argumentar novamente permaneceu em sua mente, mas no que exatamente isso iria dar?
"Não, está tudo bem," ela murmurou finalmente, não percebendo a centelha de choque que espirrou no rosto pálido de Draco. "Eu só gostaria que você tivesse pedido.".
Ele não tinha ideia do que isso queria dizer. A perspectiva de realmente lhe pedir algo era repulsiva, e esmagava as coisas em seu intestino. Não, não tinha chance nesta vida ou na próxima. Se ela queria se exibir e insistir em fazer-lhe comida e tudo o mais, então essa era a pá dela no cemitério, mas dizer que queria alguma coisa dela era algo que a sua criação e orgulho não permitiriam.
"Você pode ter treinado bem a bicha ruiva e o órfão imortal," ele sussurrou cruelmente, embora se possa notar que a aspereza familiar foi um pouco deficiente. "Mas posso te assegurar de que não vou pedir nada.".
Ela simplesmente suspirou para ele. "Isso é bom," ela ofereceu. "Eu imaginei que seria assim. Como estou cozinhando?".
Ele não esperava isso, e as sobrancelhas subiram no alto da testa. "O quê?".
"Minha culinária," ela repetiu, talvez um pouco tímida, mas escondeu bem. "Está ok?".
Um pequeno estrondo gutural tremeu dentro de sua boca, e a necessidade de responder era um indesejável estímulo em seu peito. "É... satisfatório," ele ofereceu rapidamente, lamentando-se de imediato. Especialmente quando um pequeno sorriso roubou a boca dela. Foi o primeiro que tinha visto desde que ele tinha sido forçado a viver com ela, e era uma visão perturbadora. Se adequava a ela, contudo.
"Bom." ela balançou a cabeça, e a necessidade de mudar de assunto trouxe de volta a dor de cabeça de Draco.
"Granger," ele começou cautelosamente, olhando para a gaveta com os itens estranhos que ele tinha descoberto anteriormente. "O que são essas coisas na gaveta?".
"Que coisas?" perguntou ela, levantando-se de seu assento e se aproximando de Malfoy. Ela percebeu que era provavelmente o mais próximo que ela já tinha estado dele, sem um deles gritando no rosto do outro, e ela sentiu-se um pouco desconfortável quando acidentalmente roçou nele. Ela sacudiu isso de sua mente, e abriu a gaveta para a qual ele apontava, com um olhar de compreensão em seu rosto. "Oh isto? São injeções para a minha alergia.".
"Injeções de alergia?" Ele repetiu, dando um passo para longe dela. Muito perto da sangue-ruim...
"Sou alérgica a picadas de abelha," ela explicou calmamente, segurando uma das seringas preparadas para demonstrar. "Se eu for picada, preciso injetar-me com alguns destes. Há Epinefrina aqui, e a agulha tem que ser colocada...”.
"Não tem nenhum feitiço ou alguma coisa para isso?" ele questionou.
"Pode haver," ela deu de ombros. "Mas eu estou acostumada a fazer desta maneira.".
Seu olhar cético passou entre ela e a agulha. "Isso é nojento, porra." ele deixou escapar finalmente, passando por ela e pegando sua caçarola e um garfo enquanto ia para seu quarto. "Trouxas estúpidos.".
Ela revirou os olhos para o comentário preconceituoso, mas estava secretamente aliviada de que eles tinham de alguma forma conseguido evitar uma discussão inflamável. Foi certamente a primeira vez desde que ele se mudou. Talvez as coisas estivessem melhorando.
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A manhã seguinte encontrou Draco de pé muito cedo, e mais uma vez encostado à parede com a concha de sua orelha pressionada contra a superfície fria.
Ele nem sequer tentou resistir aos murmúrios suaves do ritual matinal de Hermione desta vez. Não era como se ela, ou qualquer outra pessoa que importasse, pudesse vê-lo ouvindo o coro calmante dos gemidos do banho dela. Era muito sedutor... Muito tranquilizante.
O antídoto mais eficaz para suas dores de cabeça por conta de seus pesadelos. O cheiro dela sempre presente ainda estava preso em suas narinas também... mas isso não era tão ruim. Quase como um daqueles remédios de ervas de que todos os Herbologistas falavam.
E ele poderia jurar, pouco antes de os ruídos o deixarem dormir, que as paredes haviam recuado. Talvez apenas uma polegada ou duas... mas o quarto definitivamente parecia maior.