“Longos cabelos loiros numa única trança, olhos azuis que sem dúvida relembravam a mãe. Altura média. A maioria das vezes que olhava para mim tinha um olhar zangado, que podia relembrar seu pai em seus piores momentos. Modo fantástico de tratar animais mágicos vindo de seu único tio que cuida de dragões. Graciosidade com feitiços complicados que conseguem aumentar sua beleza, o que eu achava impossível. Seu patrono é um beija-flor, só a vi conjurá-lo uma vez. Ela estava em seu terceiro ano. O feitiço que ela melhor sabe fazer, tão precoce, tão cedo, tão antes do normal. Foi isso que me atraiu. Além do realce que o beija-flor deu em seus olhos.”
Era isso que lia Teddy quando abria a primeira folha de seu “caderno de desabafo”, muitos diriam que aquilo era um diário e, de fato, era. Teddy tinha consciência disso. Mas ele utilizava mais para desabafar do que para realmente contar sobre seu dia. Fora o único método encontrado para conseguir não chorar. Não chorava por dor física, isso nunca acontecera, na verdade. Era dor emocional. Mas era mais que apenas um amor não correspondido.
Teddy perdera seus pais durante a segunda Guerra bruxa, em Hogwarts. Sua mãe, Nifadora Tonks, fora assassinada por Belatriz Lestrange, e seu pai, Remo Lupin, por Antonio Dolohov, ambos seguidores cegos de Lord Voldemort. Quando eles morreram, Teddy era apenas um bebê, praticamente tinha acabado de nascer. Desde então, mora com sua avó, Andrômeda Tonks.
Além de morar com sua avó, ele passa boa parte de suas férias n’A Toca junto com seus primos, ou na casa de seu padrinho, Harry. No momento estava n’A Toca, no fim de suas férias, depois dela entraria para seu último ano em Hogwarts.
Passar as férias lá era a melhor coisa que podia fazer. Mesmo que todos seus primos fossem muito mais novos que ele, eles conseguiam se divertir muito. Exceto a pessoa que ele sempre quis que se divertisse com ele, Victoire. Ela não falava direito com ele, a maioria das vezes o tratava mal, ele nunca entendeu o porquê disso. E as grosserias que ela falava para ele, normalmente, era o que causava toda sua tristeza, Teddy sempre tentava puxar assunto, mas nunca conseguia, pois sempre é cortado.
Além de ficar a maioria do tempo n’A Toca, Teddy também saia com o único amigo de Hogwarts que tinha mais contado, Guilherme, durante as férias. Eles iam para festas no mundo trouxa, para “ficar com o máximo de garotas que conseguirem”. Em Hogwarts, eles eram uma dupla bem conhecida, tinham uma fama de “pegadores” o que é bom ou ruim, depende do ponto de vista e eram bons alunos, sempre um dos melhores do ano deles.
Mesmo que saíssem durante as férias e fossem para Hogsmead juntos durante o período letivo, Teddy e Guilherme não falam de muita coisa, eles só falam de garotas, nada mais, não tinham uma afinidade muito grande. Nem mesmo Guilherme sabe sobre o que ele sente por Victoire Weasley.
Teddy estava acordado durante uma madrugada quieta, estava deitado em sua cama, no quarto que antes pertencera ao seu Tio Rony. Ele estava sozinho no quarto, aquela noite, pois seus primos resolveram dormir no jardim, para aproveitar o céu estrelado e temperatura relativamente alta.
Não estava conseguindo dormir, por isso abriu seu “caderno de desabafo” e começou a folheá-lo. Certamente não fora a coisa mais certa a se fazer, porque aquilo só o fez sentir-se mal.
Lágrimas foram inevitáveis, foram bem poucas no começo, mas foram ficando mais intensas conforme ele ia passando as páginas e lendo o que já havia escrito. Quando deu conta, já tinha molhado quase todo o lençol onde estava dormindo. Ele sentia vontade de gritar. Por que não podia ter Victoire? Por que não conseguia falar com ela normalmente? Por que ela o odiava tanto?
Essas perguntas aumentaram a quantidade de lágrimas, tempo depois, jogou seu caderno o mais longe possível, estava irritado:
— Por que ela é assim comigo? O que eu fiz? – cochichou para si mesmo depois de deitar na cama e se acalmar.
Ouviu um barulho vindo da escada, alguém estava subindo. Teddy rapidamente tratou de fechar os olho e fingir dormir.
A porta se abriu, alguém caminhou até sua cama, aparentemente olhou para Teddy e disse:
— Saiba que eu te amo, Teddy.
Era a voz do seu padrinho Harry, às vezes ele ia lá de noite, após terminar de fazer uma parte de seu trabalho, para ver como estavam seus filhos.
Aquilo realmente animou a desgraça que tinha sido a madrugada até então.