Ei, só uma coisinha. Eu tava em um blog que eu gosto, e achei um post que é a cara da visão da Rose sobre isso tudo. Quem quiser, pode ler: http://www.isabelafreitas.com.br/2011/10/nunca-achei-que-fosse-me-apaixonar.html
Enfim, bom capítulo, falo com vocês lá embaixo, enjoy.
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Goodbye Hogwarts
Meio de Março, chegada da Primavera britânica. Os passarinhos começavam a sair de seu estado hibernal e voltavam contentemente para seus galhos próximos ao castelo de Hogwarts. Flores começando a desabrochar por toda parte, o céu agora tão limpo que nada poderia ser mais agradável do que uma tarde a toa no jardim florido do castelo. Mas a realidade não era assim tão satisfatória. O fim de ano letivo se aproximava a cada dia, e as preocupações para notas no mínimo satisfatórias nos N.I.E.M.’s estava tirando o sono de alguns alunos do sétimo ano. Alguns estavam totalmente relaxados, como Alvo e Anne, que tinham empregos garantidos depois de saírem de Hogwarts. Já Rose, estava a ponto de uma síncope: não dormia direito, andava para cima e para baixo com a mochila abarrotada de livros, passava a maior parte do tempo enfornada na biblioteca e não tinha tempo nem para os amigos. Scorpius, por incrível que pareça, também vinha estudando mais do que o que fora visto em todos os anos de Hogwarts, e parecia buscar com garra a vaga de Inominável no Ministério da Magia. Jesse também corria de um lado para o outro, treinando feitiços em alunos desprevenidos (e isso acabou por lhe resultar em uma detenção) ou repassando em voz alta os tópicos de alguma prova. Tudo parecia mais bagunçado impossível, mas era por pouco tempo.
Mesmo com toda a correria e o desespero, Rose vinha mantendo seu segredo crucial. Nesse instante, a mesma estava deitada nos braços de certo loiro, cobertos somente por um fino lençol.
-... então ela simplesmente subiu na mesa e ameaçou tirar o roupão na frente de toda a família. Que mais eu poderia fazer? A agarrei e levei pro meu quarto. – Rose chorava de rir da história sobre a prima bêbada de Scorpius no Natal.
- Tudo isso pra passar a noite com você? Por Morgana, essa Tracy é completamente maluca.
- Ah, isso sempre foi. E por falar em malucos, ouvi um murmúrio por aí de que você está saindo com o Max Turner, e que vocês iriam até morar juntos quando terminassem Hogwarts.
Rose caiu na gargalhada, acompanhada de Scorpius que contará o burburinho já em tom de piada.
- Essas garotas não param de inventar, não? Meu Merlin, nós só nos beijamos, eu já havia lhe contado, foi no dia em que a Mary te agarrou na saída da aula de Poções.
- Eu sei, me lembro, mas não sabia que estavam assim tão adiantados. Me avise o dia que eu irei comprar um presente para o seu chá de bebê. Daqui a pouco dizem que você está grávida dele. – Eles riram mais um pouco.
- No ritmo que as coisas vão com o Max, eu não duvido nada. – a voz risonha a deixou ainda mais encantadora, e Scorpius acordou de seu devaneio a partir da própria frase.
- O quê? – Ele levantou um pouco a cabeça para olhá-la.
- Ah, você sabe. O Max é bom. Capitão do time de quadribol da Corvinal, bonito, inteligente, divertido, e tem um corpo que... Santo Quadribol.
- Só falta dizer que ele é melhor do que eu.
- Isso eu já não posso dizer, já que não cheguei a prová-lo.
- E vai chegar?
- Ora, mas é claro. Irei morar com ele depois que terminar a escola, lembra? – E eles caíram na risada novamente.
Era domingo a noite, e todos acreditavam que Rose estava na biblioteca, pra variar, enquanto ela pensava em seu futuro deitada nos braços de Scorpius.
- Sabe, eu ainda não acredito que terminou com a Soph.
- Mas eu terminei. E ela reagiu tão bem que se soubesse, teria terminado bem antes.
- Disseram por aí que ela está tendo um caso Aaron Smith dos Chudley Cannons.
- Então que digam a ela que eu estou tendo um caso com a melhor amiga de infância dela.
- Pára, ela me mataria se descobrisse que perdeu seu loiro délicieux para mim.
- Seu francês tem melhorado ultimamente.
- A Anne me obrigou a treinar com ela, nós vamos passar as férias de verão em Paris.
- Irei te visitar por lá.
- Então terei que reservar uma suíte em algum Motel perdido pela cidade.
- Há-há-há, – Ele riu sem graça – só sirvo pra isso?
- Mostre-me outras qualidades suas.
- Quer em ordem alfabética ou pode ser aleatoriamente mesmo?
- Ah, cala essa boca e me beija logo, eu prefiro essas qualidades que você tem me mostrado.
- É pra já.
Algum tempo depois, quando já haviam parado de se beijar, Rose tocou num assunto que os vinha perturbando.
- O que será quando acabar Hogwarts?
- Bem, Derick vai te pedir em casamento na mesma semana, eu irei virar um Inominável e sumir por esse mundo, e mandarei um presente para seus trigêmeos daqui a uns dois anos. – Rose deu-lhe um tapa – Ai Rose!
- Estou falando sério, Malfoy.
- Eu não sei. Provavelmente nós iremos nos falar por aquele tefelone – “telefone”, Rose o corrigiu – e marcaremos de nos encontrarmos por aí.
- Mas, bem, eu já estou acostumada em faltar aulas, fugir de detenções, mentir para os curiosos, só para ficar aqui. Sei lá, vai ser estranho depois de todo esse tempo ter uma cama só pra mim.
- Ei, eu nunca mais inventei de transfigurar uma cama de solteiro. Foi só aquele dia na Torre de Astronomia, porque eu tava tentando ser rápido. Aquela sua calça era impossível de abrir.
- Sei. Mas não será estranho?
- Mais do que estranho. O que, por Merlin, seria acordar sem cabelos ruivos na sua cara? – Rose começou a rir como louca. – É sério, esse cheiro de chocolate tem melhorado meus sonhos.
- Eu já te falei que eu comprei um apartamento pra mim? – Ele negou com a cabeça. – É, foi o apartamento da mamãe antes de ela se casar, e estavam vendendo a preço de suco de abóbora, então eu usei o dinheiro do carro trouxa para ter minha liberdade. Fica perto do Beco Diagonal, e irei morar sozinha. Quando eu já estiver por lá, poderá ir me visitar quando quiser.
- Vou com as minhas malas inclusive.
- Vai passar mais tempo na minha casa do que na sua, sim ou claro?
- Quando me dará uma chave reserva?
- Assim que me fixar como Medibruxa e arrumar a bagunça que está aquilo lá.
- Se precisar de ajuda...
- Precisarei. Vou te passar o endereço antes de irmos embora.
- O que aconteceu com os cachos do seu cabelo?
- Lily alisou tudo com um feitiço ontem de manhã.
- Gosto mais dele cacheado.
- E você lá tem que gostar?
- Quando tiver filhos, quero que as garotas tenham cabelos cacheados.
- Quantos filhos pretende ter?
- Ah, o suficiente para jogar quadribol na Mansão Malfoy.
- Merlin, coitada de sua esposa.
- Ela vai gostar.
- Me conte quem é a louca quando descobrir.
- Contarei.
Ficaram em silencio por mais algum tempo, enquanto Scorpius enrolava seus dedos nos longos cabelos ruivos.
- Ficou sabendo que Jesse pediu a Lílian em namoro?
- Ah, fiquei. Ele disse que terá que ir para a casa dos seus avós no feriado de Páscoa, né?
- Isso mesmo. Será tão engraçado ver a cara do tio Harry quando descobrir que Lily está namorando um sonserino.
- Algum preconceito? – Scorpius ergueu uma sobrancelha, desafiador.
- Não, imagina. Conheço alguns sonserinos são uma lou-cu-ra na cama.
- Alguns?
- É, alguns aí...
- Estou valendo por quantos?
- Hahahahaha fica quieto aí. Vou dormir. Me acorde lá pelas três da manhã, é a hora que a minha poção vai terminar de cozinhar.
- Que poção? – Sorriu vendo Rose coçar os olhos como criança, durante um bocejo.
- Oras, para não engravidar. Duvido muito que nossos pais ficariam felizes em ganhar um netinho nessa altura do campeonato.
- É, verdade. Durma que eu te chamo.
- Obrigada. – Ela levantou a cabeça, antes repousada sobre o peito de Scorpius, e roçou de leve seus lábios nos dele.
Ele suspirou depois de ela pegar no sono. Seria possível que eles estivessem se apaixonando de novo? Sem um pedido de desculpas nem nada? E dessa vez, a qual haviam começado mais errados impossível, estava tudo esplendidamente bem.
Junho, domingo à noite, véspera dos N.I.E.M.’s. Todos naquele castelo poderiam notar que em instantes a ruiva Weasley teria um infarto nervoso. Estava agarrada a um grosso livro de Herbologia, folheando como louca e repetindo as informações em voz alta. Jesse estava sentado com sua agora namorada, Lily, na mesa da Sonserina. Scorpius conversava com algumas garotas sem muito interesse no assunto, vendo pelo canto do olho uma ruiva desesperada pela prova. Ele e Jesse haviam decidido que estudar assim, na última hora, não adiantaria de nada, então seria mais fácil relaxar para fazer uma boa prova no dia seguinte. Mas só em ver a ruiva correndo de um lado ao outro numa pilha de nervos o deixava apreensivo. Finalmente dando-se por vencido, Scorpius pediu licença às meninas que se ofereciam para ser sua acompanhante no baile de formatura e se dirigiu a passos rápidos ao local onde Rose andava indo e vindo ao longo da mesa da Grifinória. O olhar de todos no salão o seguiu, e ele ignorou, usando sua melhor feição arrogante no momento em que a agarrava pelo braço.
- Ai, quem você pensa que é para... – foi elevando a voz enquanto virava-se para ver quem a interrompera.
- Temos uma ronda agora, e acho bom você largar esse livro e prestar atenção no seu serviço, Weasley. – disse pausadamente, como se houvesse nojo na voz. Era assim que eles conversavam na frente dos demais.
- Ei, pode largar o braço da minha irmã ou terei que estuporá-lo pra isso? – Hugo ia se levantando da mesa, varinha em punho.
- Não se meta nisso, Hugo. Se esse energúmeno não soltar meu braço nesse instante – ela frisou num ranger de dentes – eu usarei por minha conta um bom feitiço que venho planejando treinar em alguém há alguns bons anos.
- Vamos logo. – Ele revirou os olhos, enquanto a soltava e ia em direção a saída do salão.
Rose bufou de raiva, e saiu andando atrás dele, mantendo distancia. Todos no Salão, antes silencioso por apurarem a discussão, voltaram a suas conversas. Assim que a ruiva saiu, foi puxada para o lado.
- Você poderia ser menos agressivo, sabe? Não precisa fingir tão bem. Veja, sua mão ficou inteirinha marcada em meu braço.
- Desculpe. – Ele riu rouco enquanto beijava o pescoço dela. – Vamos sair daqui. – Ele a puxou e eles correram em uma direção já muito conhecida por eles: a Torre de Astronomia.
Enquanto se beijavam por lá, Rose sentada numa mesa enlaçando com as pernas a cintura de Scorpius que estava na sua frente, ela ainda tentava pará-lo e voltar para seus estudos.
- Por que mesmo eu devo ficar aqui te beijando ao invés de ir estudar?
- Porque – pausa para morder o lábio da garota – você – outra pausa para continuar beijando-a – precisa relaxar.
- Hm, é mesmo? E quem disse que eu não estou relaxada? – Riu enquanto ele beijava seu pescoço.
- Você ta tensa. As meninas que estavam comigo na minha mesa chegaram a dizer que você iria explodir a qualquer momento.
- Ridículas
- Elas são bonitas. – Agora era Rose quem beijava o pescoço dele. – Ai, Rose! – Ela o mordera fortemente de propósito quando ele as elogiou.
- Ui, perdoe-me, foi sem querer. O que dizia mesmo? – Ela o empurrou enquanto dobrava as pernas para longe dele. Usava a voz sedutora que normalmente o enlouquecia – São bonitas não? – Ela se deitou na mesa, ignorando a cara de ódio que ele lhe lançou.
- São, lindas.
- Imagino também que sejam agradáveis. – Ela levantou-se novamente e começou a desabotoar lentamente a camisa dele.
- Muito. – Ele ofegou, quando ela mordeu seu lábio inferior, enquanto passava as mãos espalmadas pelo peito dele.
- Devem ter um corpo lindo. – Ela fingia que o ia beijar, e se afastava quando o mesmo tentava capturar seus lábios. – E provavelmente lhe deixam louquinho.
- Deixam sim...
- Então, Malfoy – ela sussurrou o sobrenome dele, mais sensual do que pode-se imaginar – VÁ ATRÁS DELAS! – O empurrou, se levantou agarrando seu livro e saiu.
Foi preciso um instante para cair a ficha de que ela havia se irritado.
- Ah, Rosiê! Volta aqui! – Ele corria atrás dela, e um não foi ouvido num eco escada abaixo. – Para com isso, elas não são como você!
- Ah é? Não são como eu? – Ele finalmente a alcançou, e ela parecia irada.
- Nem se comparam a você. E o que é que você tem? TPM? Eu não te fiz nada.
- Ah, vá para o inferno! – Ela ia continuar descendo, quando ele a puxou pelo braço e a prensou contra a parede.
- Atualmente, o inferno para mim seria viver sem você.
- Idiota. – Ela revirou os olhos, antes deles se beijarem.
Por fim, Rose acabou relaxando no decorrer daquela noite, mas o desespero que a acompanhou a partir do instante em que acordou num tapete da Torre de Astronomia consumiu qualquer sentimento de calma que Scorpius poderia ter lhe passado.
- Fica calma, você vai se sair bem. – Ele sussurrou no ouvido dela, antes de lhe roubar um selinho e sair do quarto dela.
Ela bufou, decidiu tomar um banho antes de se arrumar e depois seguiu para a prova prática de Transfiguração.
O dia passou rapidamente, e quando o relógio bateu seis da tarde, alunos zonzos saíram de salas diversas de todo o castelo. Alguns discutindo questões, outros chorando de nervosismo, outros correndo para vomitarem e alguns tão perdidos que não sabiam nem para onde iam enquanto seguiam a multidão de alunos. Rose era uma das poucas que ia rindo e dando pulinhos enquanto procurava Anne. “Não acredito que era só isso!” ela disse rindo, quando abraçou a amiga meio pálida.
- Eu não entendo o porquê de exigirem um Ótimo em Herbologia para entrar na redação do Profeta Diário! Por Merlin, eu não faço a mínima idéia de pra que serve um Visgo do Diabo.
- Não era essa a pergunta, Anne. Eles queriam saber como se livrar de um. Mamãe está cansada de contar sobre a aventura no alçapão atrás da Pedra Filosofal. É só usar luz.
- AH, EU SABIA QUE CONHECIA ESSE NOME DE ALGUM LUGAR!
- Agora já era também, não? Mas tenho certeza de que se saiu bem.
- Você já é quase uma medibruxa, depois dessa prova que você diz fácil.
- Pare de drama, foi simples.
- Ah, sim, foi. Aliás, por onde você esteve ontem à noite? Não estava no dormitório, e quando fui ao seu quarto de monitora-chefe para pedir uma ultima explicação sobre kappas, a porta automática disse que não tinha ninguém.
- Oh, é, eu... Estava na biblioteca. – Rose evitou olhar para Anne, já que a amiga sempre fora uma boa Oclumente e descobria no mesmo instante.
- Às onze da noite? Faça-me rir, a biblioteca tem fechado as nove desde que me conheço por gente.
- Ah, me deixa ok, Anne? Não sou obrigada.
- Sinto informar, mas acho que descobri que você anda saindo com um garoto. – Rose engasgou. – A-há, se entregou. Me diz quem é?
- Você ficou louca ou abusou de algum medicamento novamente? É claro que não. Não tem ninguém.
- E eu sou a encarnação do Olho-Tonto, prazer.
- Eu vou para o meu quarto descansar um pouco antes do jantar, ok? Te vejo depois. – E saiu correndo, sem dar tempo para Anne rebater.
Quando chegou a seu quarto, Scorpius estava esparramado em sua cama, somente com a calça social.
- Você não tem um quarto não?
- Não tenho, sinto-lhe informar. – Ele disse sorrindo, enquanto se sentava na cama e a enlaçava pela cintura para perto de si. – Como foram as provas?
- Ah, foram ótimas. – Ela instantaneamente recomeçou a sorrir. – E as suas?
- Chatas, como sempre. Mas acho que fui bem. – Disse entediado, enquanto Rose se sentava em seu colo.
- Como medibruxa, desejo que não se machuque ao ponto de eu ter que curá-lo. Muitos aurores se machucam e ficam meses internados por lá.
- Não irei me machucar, mas tenho que confessar: sempre achei aquele uniforme sexy.
- Um fetiche? – Ela começou a rir, acompanhada por ele. – Quem sabe um dia você possa passar lá em casa antes de eu ir para o hospital. Brincar de médico, talvez.
Eles continuaram rindo por um bom tempo, antes de Rose dar um selinho rápido nele e dizer que iria tomar um banho.
- Ei, eu também preciso de um banho. Posso ir com você? – Ele fez aquela cara de criança pidona que sempre fazia Rose rir, enquanto a olhava ir tirando a roupa pelo caminho.
- Não, essa banheira é só minha. – E o mandou um beijo, antes de entrar somente de lingerie no banheiro.
- Como se uma fechadura fosse me barrar. – Ele revirou os olhos, enquanto pegava a varinha de cima do criado mudo e sussurrava um Alohomora seguido de um click da porta abrindo. Ele riu ao ouvi-la gritar de susto, antes de entrar no banheiro com ela. E por fim, eles finalmente se sentiram seguros para fazerem as provas do dia seguinte.
Algumas semanas depois, e agora nos depararíamos com alunos desesperados. Não, não tem nada haver com as aulas ou provas de sempre. Esse era o último dia em Hogwarts. Alunos do sétimo ano tentavam fazer tudo que não tinham feito até ali naquele dia. As meninas não paravam um instante sequer, atrás de roupas ou acessórios. Os mais atrasados, convidavam garotas para o baile em cima da hora. Rose tinha os olhos vermelhos de tanto que já chorara até ali, e Anne se fingia de forte enquanto se despedia de todos os outros amigos que não iriam ao baile. Os alunos das outras séries, que não foram convidados por nenhum dos formandos, partiriam em no Expresso Hogwarts às três da tarde. Era um sábado quente de verão na Inglaterra, e também o dia da formatura.
Oito da noite, e a ponta da escada que levava ao Salão Principal estava cheia de garotos a espera de seus pares. As primeiras garotas com seus vestidos longos já começavam a descer, deixando seus acompanhantes deslumbrados. Lílian desceu junto com Anne, e elas estavam muito bonitas, deixando Jesse e Alvo com sorrisos bobos estampados. Scorpius acabara por convidar Natasha Cleaver, uma garota da Lufa-Lufa que também iria se formar, e que havia saído com ele no primeiro ano. Ela namorava com um garoto da Durmstrang, e por isso aceitou ir com Malfoy como velhos amigos. Ele a esperava, quando viu a bela ruiva descer as escadas. O tomara que caia vinho era colado em seu corpo e ficava largo na altura dos joelhos; o cabelo preso num coque despenteado e a maquiagem escura, com seus lábios vermelhos; um salto muito alto, escondido pelo vestido longo, e jóias que vieram como um presente no seu aniversário (que fora duas semanas antes). Scorpius havia dado aquele conjunto de brincos e colar de esmeraldas, e ele não a havia contado que aquela era uma legitima jóia da família Malfoy. Quando Rose passou por ele, fez um breve movimento com os lábios, interpretado por ele como um beijo sínico. Ele riu, e piscou para ela, fazendo-a sorrir antes da mesma se dirigir a Max Turner, seu atual “namorado”. Ninguém jamais poderia imaginar, mas o assunto “baile” rendera uma árdua discussão entre Malfoy e Weasley. Pior ainda fora no momento em que Rose o confessou ter sido pedida em namoro por Turner: ela nunca vira Scorpius tão bravo. Ele só se controlou quando a garota o disse que não sentia nada por Max, e nem ele por ela: eram só negócios. Ela havia aceitado para ajudá-lo a fazer ciúmes numa garota a qual ele era apaixonado, mas ainda assim Scorpius o estuporou pelas costas num corredor deserto, como “vingança por tentar roubá-la de mim”.
As mesas do Salão Principal haviam sido afastadas e no lugar das quatro de sempre, havia inúmeras mesinhas para os alunos e famílias. Rose sorriu ao ver de longe seus pais e avós acenando, e mandou beijos quando passou pela mesa dos Potter. A diretora Minerva fizera questão de que os formandos e seus pares dançassem uma valsa como a entrada principal a blá-blá-blá. Alvo não conseguia parar de rir enquanto dançava com Anne, e eles olhavam para Jesse que não parava de pisar nos pés de Lily. Depois do “mico de despedida”, como Alvo nomeara a dança, eles finalmente puderam ir para a mesa de suas famílias. Rose despediu-se com um selinho rápido de Max e o viu seguir para a mesa da família Turner. Enquanto ia em direção a sua mãe, viu o olhar matador de Scorpius ao longe, e não resistiu a uma boa gargalhada.
Os pais de Anne não puderam comparecer, já que sua mãe (uma aurora famosa) sofrera um acidente numa missão e ficara internada no St. Mungus. Nada muito sério, mas deveria ficar em observação por mais três dias, então seu marido resolveu fazer-lhe companhia. Eles pediram desculpas a Anne num bilhete que viera junto com o vestido de formatura enviado pela mãe, e a garota se segurou muito para não desistir da formatura e ir passar a noite com a mãe. Derick tentara de tudo, mas não fora dispensado de seu trabalho, e também não poderia vir. Ficando sem uma mesa então, Anne fora convidada para sentar-se junto com os Weasley, sua segunda família.
- Mas como essas minhas filhas estão lindas! – Hermione chorava emocionada, enquanto abraçava sufocadoramente Anne e Rose ao mesmo tempo. – Olha só pra vocês! Parece que foi ontem mesmo que as duas explodiram o quarto de Hugo treinando um feitiço escondido. – Ela fungou enquanto as duas riam.
- Nós crescemos, mãe. – Rose quase chorara, mas se lembrou da demora para fazer aquela maquiagem.
- Percebe-se. Ah, Anne querida, fui visitar sua mãe no hospital hoje, e ela está bem. Mandou lhe dar um beijo por ela, e disse que ganha seu presente de formatura amanhã.
- Obrigada, tia Mione. Oi, tio Ron.
- Oi Anne, oi filha. Estão lindas. Se eu não fosse casado, ai ai...
- Ronald Weasley, pare de cortejar todas as garotas que passam por aqui!
Os Potter logo vieram cumprimentar a todos, e eles acabaram por juntar as mesas. Passou-se quase uma hora, até que as homenagens de formatura começaram. Uma por cada, as quatro casas de Hogwarts se despediu de seus alunos. Fora uma onda de choros e despedidas no momento em que acabaram-se os discursos. A euforia por terminarem o colégio quase se ofuscava com a tristeza aparente de que nunca mais iriam passar uma tarde ensolarada debaixo de alguma arvore no jardim, ou fariam uma guerra de bolas de neve, ou dariam risadas dos alunos engraçados nas aulas, nem aprontariam e tomariam detenções, ou chorariam de tanto rir, nem fariam festas clandestinas, ficariam bêbados e passariam mal, nem mais passeios a Hogsmeade, jogos de quadribol ou disputa pela taça das casas. Rose chorava de soluçar, abraçada a algumas amigas das quatro casas. Prometiam umas as outras que não perderiam o contato, mas sabiam que mais cedo ou mais tarde o tempo apagaria as evidencias de suas adolescências, e elas se perderiam de vez.
Pouco tempo depois, o jantar foi servido, e cada um voltou para sua mesa. Rose saiu à procura de um banheiro para retocar a maquiagem agora borrada, e Scorpius a seguiu sem que ninguém percebesse. Foi fácil encontrá-la, já que a porta entreaberta deixou que o garoto a visse lá dentro. Ela já ia saindo do banheiro, quando ele entrou.
- Está esplêndida hoje, Weasley. – Ele entrou sorrindo, e ela segurou um sorriso de satisfação por ele a ter elogiado.
- Hunf, e por acaso devo agraceder, Malfoy? – Ela empinou o nariz, e fingiu que sairia do banheiro.
Ele riu, e puxou Rose pelo braço, colando seus corpos.
- Isso me lembra a nossa convivência em todos esses anos, sabia? – Ela também riu.
- Ainda bem que passamos essa fase.
- É, mais ou menos. – Ele aproximou seu rosto do dela, enquanto a empurrava até encostarem-se na pia do banheiro. – Está linda.
- Obrigada. – Ela agradeceu sorrindo quase contra os lábios dele, antes de se beijarem. A partir daí, foi uma seqüência de mãos, beijos, suspiros. A camisa de Scorpius estava jogada a algum canto, enquanto Rose estava sentada na pia, com o garoto a sua frente, os dois se beijando como loucos. Ele seguia a mão até o zíper na parte de trás do vestido dela quando batidas na porta foram ouvidas. Eles não haviam nem se lembrado de trancar a porta ou de que estavam no meio de um banheiro público. Scorpius olhou aflito para Rose, ele tinha a boca manchada de vermelho pelo batom dela. Ela apontou para uma das cabines, a qual Scorpius rapidamente entrou e se fechou. A garota se olhou no espelho, e tomou um susto. A boca estava em pior estado do que a de Scorpius, e seu cabelo estava uma completa bagunça, tirando o fato de que uma mancha incrivelmente vermelha em seu pescoço denunciava algo errado. Ela limpou a boca o mais rápido que pode, soltou o cabelo do coque já desmanchado e começou a aplicar base no pescoço, voando contra o tempo, quando bateram outra vez na porta.
- ENTRA! – Rose gritou, no instante em que a mancha ficara quase toda oculta pela maquiagem. Ela viu pelo espelho Lily entrar. – Ah, oi.
- Por que demorou a abrir?
- Demorei?
- Eu já tinha batido antes.
- Ah, desculpe, nem ouvi.
- O que aconteceu com seu cabelo? Estava tão bonito preso.
- Hãn, papai foi me abraçar e bagunçou ele todo, aí tive que soltar. Me ajuda a prender de novo?
- Claro, vem cá. Nossa, você ficou sabendo que a Sophie ta enrolada com Aaron Smith, dos Chudley Cannons?
- Ouvi falar... – Rose respondeu entediada, enquanto a prima prendia seu cabelo de volta.
- Parece que ela não sofreu nem um pouco a separação com Scorpius.
- Foi o que disseram, mas eu não sei, ela não respondeu minha ultima coruja.
- E você, superou Scorpius? – Rose suspirou. – Não que eu queira me meter, mas é que agora você está namorando o Turner, mas não parece gostar dele.
- Lily, eu já te disse que é um acordo. Estou “namorando” com ele para fazer ciúmes para a Nicolle Wayter, e parece que tem funcionado, já que eu a vi conversando com ele no fim da homenagem.
- Você não respondeu minha pergunta.
- Desnecessário.
- Você gostava muito dele...
- Lily... – Rose tentava fazê-la parar de falar, pois sabia que Scorpius, dentro de uma cabine, ouvia tudo.
-... e quase entrou em depressão quando vocês brigaram. Eu sei, eu vi tudo de perto, eu tive que te obrigar a comer, a voltar à vida normal, a reagir. Eu nunca te vi sofrer tanto por alguém quanto como você sofreu por ele. – Rose bufou, resignada. – Não adianta se fingir, todo mundo te viu morrer pelos cantos.
- Ok, já chega. Eu o superei, se é isso que quer saber. Eu estou ótima, e posso afirmar que nunca mais me viu chorando por aí. Não tenho mais nenhum problema com o que passou, e que se dane tudo que aconteceu.
- Sabe, eu quase não te reconheço mais. – Rose virou-se para o espelho, para terminar de arrumar a maquiagem, enquanto Lily sentava-se em uma das pias. – Você ficou fria, seca, parece que quando Scorpius se foi, ele levou seu coração consigo e deixou uma pedra de gelo no lugar.
- Quem sabe tenha sido isso mesmo a acontecer. – Lágrimas arderam nos olhos de Rose, mas ela nem olhou para a prima. – Vai demorar muito aqui? Jesse deve estar te procurando. Vai indo pro Salão, eu já vou.
- Tudo bem, estou indo. Não demore. – Lily, que conhecia Rose tão bem quanto se podia conhecer, sabia que a prima queria ficar sozinha.
Assim que a porta se fechou atrás de Lílian, Rose suspirou e sentou-se na pia. A porta de uma cabine à direita de Rose se abriu, mas ela não teve coragem de olhá-lo. Ouviu passos, e sentiu quando ele levou a mão ao seu queixo, forçando-o para cima.
- Como você agüenta? – A voz dele era rouca, e quando Rose olhou-o nos olhos, ele viu os dela marejados.
- O quê?
- Passar todas as noites comigo, como se nada tivesse acontecido. Me ver todos os dias, e saber que eu despedacei seu coração. Ter me visto com outras garotas, e não ter sucumbido a vontade de me confrontar.
- Eu sou uma bela atriz. Sou ótima em esconder sentimentos, às vezes até de mim mesma. E acima de tudo, eu não sou nada sua para tê-lo confrontado. E se você, assim como Lily, quiser saber como eu consegui voltar a minha vida, eu só te digo que eu me amo acima de qualquer coisa no mundo.
- Amor próprio. – Ele disse depois de um assovio baixo que soou como um “uau” – Então realmente dá certo?
- Mais do que se pode imaginar. – Ela enlaçou os braços no pescoço dele.
- Será que um dia você irá me perdoar? – Ele olhou-a nos olhos, e antes que pensasse em fazer uso da oclumência, ela o respondeu.
- Eu já te perdoei.
- Jura? – Ela riu, enquanto lágrimas silenciosas riscavam a bochecha vermelha de blush.
- Eu sou uma mulher de palavra. – Ele sorriu para ela. – Eu evitei essa conversa por meses, e não imaginei que seria tão simples.
- Você só fez uso da sinceridade.
- Acho que está bom por hora, não? – Ele confirmou com a cabeça, antes dela selar seus lábios nos dele. Ambos sentiram que aquele beijo fora o mais calmo até ali, cheio de sentimentos.
Eles sorriram um para o outro, quando se separaram, e trocaram um ultimo beijo antes de votarem um por vez para a festa. Uma balada havia começado, e todos estavam na pista de dança. Som alto, músicas animadas, pessoas suadas pulando, casais se beijando, alguns alunos saindo de fininho com seus pares para aproveitarem a ultima noite no castelo, outros bêbados se declarando, e Rose sorriu ao ver seus amigos a esperando.
- Vou sentir falta de vocês. – Eles leram os lábios dela, já que ouvir alguém seria quase impossível.
- Nós também. – Jesse, Lily, Anne e Alvo disseram juntos, antes dos cinco correrem para um abraço.
E a noite de formatura logo chegou ao fim. Às quatro da manhã, os pais foram embora, e o baile acabou. Anne fora dormir com Alvo no dormitório masculino da Grifinória, Lily com Jesse no da Sonserina, e Rose, obviamente, dormira com Scorpius no quarto de monitores. Todos mais do que cansados, mas plenamente felizes com a noite que tiveram.
No dia seguinte, Rose acordou Scorpius com um beijo, e o mandou correr, pois o Expresso Hogwarts os levaria para casa em vinte minutos. Eles tomaram um banho rápido, se trocaram, e saíram em direção a Hogsmeade. Rose encontrou com os amigos no portão de Hogwarts, e Anne chorava assim como ela.
- E pensar que eu só voltarei aqui caso meus filhos façam alguma arte digna de ser convocada. – Anne fungou, enquanto abraçava a amiga.
- Passei os melhores anos da minha vida aqui, o que será agora?
- Eu não faço a mínima idéia.
Os cinco desceram até a estação, e embarcaram no Expresso. O trem foi quase vazio, já que os outros alunos haviam ido embora no dia anterior. Sendo assim, os monitores já haviam sido dispensados, e Rose ria na cabine com os colegas das outras salas. Normalmente, iam na cabine oito alunos no máximo, mas ali tinham mais de trinta. Apertados, gente no chão, no corredor, no colo dos outros, mas todos muito alegres. Scorpius estava entre eles, e ninguém reparou nos olhares furtivos que ele trocava com Rose.
Algumas horas depois, o trem finalmente parou em King Cross. Alunos recomeçaram a chorar, e se despediram pela última vez. Rose lembrou-se da primeira vez que embarcara, quando fora estuporada no corredor por Scorpius. Ela riu, e foi uma das ultimas a desembarcar. Antes que saísse, foi puxada por Scorpius para um ultimo beijo.
- Quando nos vemos? – Ele disse contra os lábios dela.
- Amanhã! Almoça comigo?
- Claro, aonde?
- Beco Diagonal, aquele restaurante novo que eu te falei. Te encontro meio dia e meia.
- Ok. Se comporte até lá.
- Vou tentar. – Eles riram, se beijaram uma ultima vez, e desembarcaram.
Rose olhou ao redor e encontrou seu pai lhe esperando.
- Onde está mamãe?
- Uma ressaca terrível. Ela abusou das bebidas na formatura, e a enxaqueca dela veio fazer companhia. – Eles riram. – E então, filha, o que vai fazer agora?
- Começar uma nova vida. – Eles sorriram um para o outro, e então foram embora, com a ruiva planejando o que fazer dali pra frente. A sua vida nova começava ali, e Scorpius já tinha papel principal nela.
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N/A: Oi *-* Estou tão feliz, escrevi esse capítulo e gostei tanto dele. Não sei, mas estou sentido falta de Hogwarts desde já. E aí, o que acharam? Queria agradecer muito pelos comentários, à quem tem me acompanhado desde o início, à quem chegou a pouco tempo e à quem ainda vai ler. Eu não seria nada sem vocês. Eu poderia dizer nome por nome, sou totalmente grata. Esse foi o anti-penúltimo capítulo, e se preparem para surpresas, tã tã tã tãããã (leiam como um som de suspense). Hahahaha, até logo, beijos.