N/A.: Esse capítulo contém trechos do livro original.
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Cuidando das garrafas empoeiradas na prateleira, Aberforth tentava manter o que restara de seu bar em ordem. Quando as pessoas daquele lugar ouviram falar que Voldemort havia retornado, elas correram para as lojas e fizeram estoques dignos de tempestade, trancando-se em seguida e saindo em raríssimas ocasiões. Por mais que os mais velhos dissessem que estava tudo bem, eles preferiam não ariscar. Aqueles tempos estavam ainda mais perigosos do que da primeira vez.
O velho arrastou-se por entre as mesas vazias e sacudiu o pó como de costume. Enquanto o fazia, resmungava baixinho algumas palavras incompreensíveis. Não muito longe, um outro senhor observava tudo em silencio, tentando conter um riso sarcástico que Aberforth odiava ouvir:
- Vai ficar aí rindo da minha cara ou vai me ajudar a limpar? – pergunta Aberforth, irritado – Acha que sou seu criado para trabalhar enquanto você só dorme?

- Desculpe, caro irmão. – responde Dumbledore, estendendo sua varinha e limpando o ambiente – Pronto.
- Essa sua mania de achar que a magia resolve tudo é irritante, sabia? – resmunga o velho, guardando o espanador – Lendo esse velho jornal novamente?
- Estava refletindo sobre algumas coisas. – responde Dumbledore, vagamente – As palavras de Eliphas ajudam meu cérebro processar melhor as informações.
- Coisa de velho.
- Você reclama de mais Abe. – sorri o irmão mais velho, pegando uma garrafa de fire whiskey e servindo-se – No fundo, eu sei que me acolheu porque me ama.
Mas Aberfoth não respondeu aquilo. Dumbledore sorriu e levantou-se, saindo com a garrafa e o copo, deixando o jornal na mesa:

- “Em memória de Albus Dumbledore, por Eliphas Doge”. – lê Aberforth, pegando o jornal – “Conheci Albus Dumbledore aos onze anos, em nosso primeiro dia em Hogwarts. Nossa empatia mútua se devia inquestionavelmente ao fato de ambos nos sentirmos excluídos. Eu havia contraído varíola dragonina pouco antes de chegar à escola e, apesar de não estar mais na fase contagiosa, meu rosto bexiguento e a tonalidade esverdeada não encorajavam muitos a aproximarem-se de mim. Albus, por outro lado, chegou a Hogwarts sob o fardo da notoriedade indesejada. Quase um ano antes, seu pai, Percival, fora condenado por um ataque selvagem e amplamente divulgado contra três jovens trouxas.” -- Idiota! – resmunga, continuando a ler – “Albus nunca tentou negar que o pai (que viria a morrer em Azkaban) cometera esse crime; ao contrário, quando criei coragem para lhe perguntar, me assegurou saber que o pai era culpado. Fora este comentário, Dumbledore recusou-se a falar do triste acontecimento, apesar de muitos tentarem levá-lo a isso.” – Aberforth segura o jornal com força – “Alguns, de fato, estavam dispostos a elogiar os atos de seu pai e presumiam que Albus também odiava os trouxas. Não podiam estar mais enganados. Como qualquer um que tenha conhecido Albus poderia atestar, ele nunca revelou a mais remota tendência antitrouxa. Na realidade seu apoio determinado aos direitos dos trouxas lhe trouxe muitos inimigos nos anos subseqüentes.” – continua a ler – “Contudo, em questão de meses, a própria fama de Albus começou a eclipsar a do pai. Ao final do seu primeiro ano, ele nunca mais seria conhecido como o filho de alguém que odiava trouxas, mas sim como nada menos que o estudante mais brilhante já visto na escola. Aqueles de nós privilegiados por serem seus amigos fomos beneficiados por seu exemplo, sem mencionar sua ajuda e encorajamento, com os quais sempre era generoso. Ele me confessou, mais tarde na vida, saber desde aquela época que seu grande prazer estava em ensinar. Albus não apenas ganhou todos os prêmios importantes que a escola oferecia, mas também logo mantinha correspondência regular com os mais notáveis nomes mágicos da época, incluindo Nicolau Flamel, o célebre alquimista, Batilda Bagshot, a notória historicista, e Adalberto Waffling, o teórico de magia. Vários de seus ensaios abriram caminho até publicações eruditas como Transfiguração Hoje, Desafios em Feitiços e Prática em Poções. Parecia provável que a carreira futura de Dumbledore seria meteórica, e a única questão que restava era a de quando se tornaria Ministro da Magia. Embora freqüentemente se predissesse, em anos posteriores, que ele estava a ponto de aceitar o cargo, Dumbledore nunca teve ambições ministeriais. Três anos após iniciarmos em Hogwarts, o irmão de Albus, Aberforth, chegou à escola. Eles não eram parecidos: Aberforth nunca foi estudioso e, diferente de Albus, preferia resolver uma briga com duelos ao invés de discutir racionalmente.” -- Puxa saco miserável! – reclama, continuando a ler – “Entretanto, é errado sugerir, como alguns fizeram, que os irmãos não eram amigos. Eles conviviam tão tranqüilamente quanto seria possível a dois garotos tão diferentes. Fazendo justiça a Aberforth, deve-se admitir que viver à sombra de Albus não deve ter sido uma experiência inteiramente confortável. Ser continuamente ofuscado era um dos ossos do ofício de ser seu amigo, e não pode ter sido muito melhor para o irmão.”
Aberforth amassa o jornal de vez, irritado com o que fora escrito sobre ele:
I have never craved the system's sympathy (eu nunca quis a simpatia do sistema)
I get restless over pitys smiles (eu fico revoltado com sorrisos de piedade)
- Devia continuar a ler. – diz Dumbledore, colocando o copo já limpo junto com os demais.
- Para engrandecer sua pessoa? Não. – responde ele.
Dumbledore pega o jornal e continua a leitura:
- “Quando Albus e eu saímos de Hogwarts, pretendíamos fazer juntos a então tradicional excursão pelo mundo, visitando e observando bruxos estrangeiros antes de seguirmos, separadamente, nossas próprias carreiras.” – lê ele – “Entretanto, a tragédia sobreveio. No dia anterior à nossa viagem, a mãe de Albus, Kendra, faleceu, deixando-o como o chefe e único arrimo financeiro da família. Adiei minha partida o suficiente para prestar meus respeitos a Kendra no funeral e então me fui, para o que agora seria uma jornada solitária. Com irmão e irmã mais novos para cuidar e o pouco ouro deixado para eles, não poderia haver dúvidas de que Albus não me acompanharia. Aquele foi o período de nossas vidas em que tivemos o menor contato. Eu enviava cartas a Albus descrevendo, talvez insensivelmente, as maravilhas de minha jornada: desde fugas por um triz de quimeras, na Grécia, até experimentos de alquimistas egípcios. Suas cartas contavam pouco de sua vida cotidiana, que eu acreditava ser frustrantemente monótona para um bruxo tão brilhante. Imerso em minhas próprias experiências, foi com terror que ouvi dizer, ao final de meu ano de viagens, que ainda outra tragédia atingira os Dumbledore: a morte de sua irmã, Ariana. Apesar de Ariana ter a saúde debilitada havia um longo tempo, o golpe, vindo tão cedo após a perda de sua mãe, teve um profundo efeito nos dois irmãos. Todos os mais próximos a Albus, e eu me incluo entre os afortunados, concordam que a morte de Ariana e o sentimento de responsabilidade pessoal de Albus por ela – apesar, é claro, de ele ser inocente – lhe deixaram uma marca por toda a vida.”
- Como ousa a falar tranquilamente da morte da Ariana?! – grita Aberforth, irritado – Quem aquele homem pensa que é para escrever sobre ela?!
- “Voltei para casa para encontrar um jovem rapaz que havia experimentado o sofrimento de uma pessoa muito mais velha.” – continua Dumbledore, sem se importar – “Albus estava mais reservado que antigamente, e muito menos despreocupado. Para ampliar seu sofrimento, a perda de Ariana levou, não a uma aproximação renovada entre Albus e Aberforth, mas a uma desavença. Com o tempo ela se dissipou. Em anos posteriores eles restabeleceram uma relação, se não estreita, certamente cordial. Entretanto, desde então raramente falou sobre seus pais ou Ariana, e seus amigos aprenderam a não mencioná-los.”
- Você enganou todo mundo... – observa Aberforth.
- Não fale assim, Abe. – pede Dumbledore, sorrindo cansado – Eu já te expliquei...
Some precaution wouldn't harm my history (algumas precauções não causariam dano a minha história)
If I had the will to wait a little while (se eu tivesse a vontade de esperar um pouco mais)
Harry e Rony aparataram numa floresta próxima ao vilarejo bruxo de Wild Valley. Aquele lugar era conhecido do menino-que-sobreviveu através de Dumbledore, que lhe falara um pouco antes do começo do sexto ano letivo que naquele lugar Tom Riddle começou a fazer suas reuniões para atrair seguidores. Devido a uma forte barreira mágica que rondava o lugar feita através de um pacto entre os moradores depois que o Lorde das Trevas tentou tomar o poder pela primeira vez, nenhum bruxo que não tivesse ligação sanguínea com algum dos moradores poderia avançar mais do que os limites da floresta:
- O que faremos primeiro? – pergunta Rony, terminando de montar a barraca.
- Vamos nos organizar para o nosso primeiro ataque. – responde Harry, tirando de sua mochila alguns mapas – Assim que o Snape contou sobre os planos de Voldemort, eu sondei a mente dele e descobri esses esconderijos de comensais. – diz o rapaz, mostrando um dos mapas para Rony.
- “Mansão McLaggen”? Mas essa é a casa do Cormac. – espanta-se Rony – Será que Snape não te mostrou em sua mente o que ele queria que você visse? – desconfia ele.
- Precisamos arriscar. – diz Harry, cansado.
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Regan nunca se acostumou com a visão desoladora do longo inverno islandês. No ano seguinte, se a guerra acabasse de uma vez, ela finalmente iria para a escola que sempre sonhou. Seus pais, o casal Gudjonsen, ficaram relutantes devido a eminente ameaça de Voldemort à Grã-Bretanha estar tomando uma proporção tão grande que poderia chegar facilmente à França:
- Tem certeza que não prefere concluir os estudos aqui mesmo, minha filha? – pergunta a senhora Gudjonsen.
- Mamãe, esse lugar é muito frio! Quero um pouco mais de sol, conhecer outras pessoas... – insiste Regan, sorrindo.
- Ao menos ela não quis ir para Hogwarts. – comenta o senhor Gudjonsen, sorrindo.
- Se bem que, um dia, pretendo conhecer esse país. Não sei porquê sempre tive vontade de ir lá.
O casal se entreolha desconfiado, desconversando e voltando para suas atividades comuns.
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A senhora Weasley, após uma madrugada difícil, preparou a mesa do café-da-manhã ainda muito abalada. Por mais que ela quisesse avisar a Charles e Bill o que tinha acontecido, enviar cartas era algo muito perigoso.
Artur e Snape passaram o dia analisando o feitiço de proteção da casa e constataram o pior: o feitiço estava cada vez mais fraco e a localização estava ameaçada:
- Meu bem, acho que devemos voltar para a Toca. – sugere Artur, sério.
- Não há quartos suficientes lá. – responde Molly, terminando de colocar a mesa, mantendo a cabeça baixa e a voz suave.
- Isso é o de menos! Estamos correndo perigo aqui. O feitiço está muito frágil.
- Agora que Evelyn Scott resolveu ajudar Voldemort temos uma chance ainda maior de sermos atacados. – comenta Snape, sério.
- Vou chamar as crianças. – diz Molly, saindo do cômodo, com a mesma expressão.
- Precisa tirá-la daqui, Weasley. Seus filhos e ela. – sugere Snape.
**
Draco acordou depressa, como se tivesse no meio de uma batalha, levantando de uma vez da cama. Virando o rosto, ele depara-se com Hermione dormindo no sofá. Ela estava com o rosto avermelhado e seu corpo estava encolhido como se ela procurasse conforto em si mesma:

- Hermione? – chama ele, acordando-a com cuidado.
- Draco... – responde ela, acordando – são que horas?
- Cedo. – responde o rapaz, tentando sorrir – Aconteceu alguma coisa?
- Harry e Rony decidiram que deviam lutar com mais afinco e foram embora. – responde Hermione, desviando o olhar.
- Mas não é isso que te deixa triste, não é? – insiste Draco, sentando-se ao lado dela.
- Eles me colocaram contra a parede! – diz ela, angustiada – Pediram para eu escolher entre ir e ficar, interpretando minha decisão como algum tipo de traição.
- Você ficou por minha causa? – pergunta ele, tentando confortá-la.
- É incrível como todo mundo acha que eu não sou capaz de viver sozinha! – irrita-se ela, soltando-se dos braços de Draco – Eu não quis ir porque eu não acredito que uma matança desenfreada vá acabar com a guerra.
- O que vai acabar com a guerra é a derrota de Voldemort. O quanto antes você colocar na sua cabeça que é impossível de manter o Lorde das Trevas preso, melhor! – irrita-se Draco, levantando-se – É melhor você descer para o café-da-manhã.
- Também acho. – responde ela, saindo do quarto e batendo a porta atrás de si.
You cut the silence like a knife (você corta o silêncio como uma faca)
Um pouco mais tarde, Aberforth aproveita-se dos passeios matinais de Dumbledore e entra no quarto dele. Aquelas coisas que Eliphas Doge escrevera sobre ele eram uma distorção da verdade, mas, ainda que machucasse, ele precisava ver até onde aquilo ia.
Sob a mesinha de cabeceira havia uma pilha enorme de edições do Profeta Diário, todas falando sobre Voldemort da primeira e segunda vez que ele havia tentando tomar o poder. Por mais que ele procurasse, parecia que a cópia que ele amassara era a única, pois a cada jornal retirado as datas iam regredindo fora de ordem. Ainda assim, Aberforth insistiu em continuar.
Para sua surpresa ele não encontrou apenas o que procurava, mas também um documento que ele pensou que há muito tinha sido destruído:
- “Gellert, sua opinião sobre a tomada de poder dos bruxos PARA O PRÓPRIO BEM DOS TROUXAS... isso, eu creio, é o ponto crucial. Sim, a nós foi dado poder e sim, esse poder nos dá o direito de governar, mas também nos dá responsabilidades em relação aos governados. Devemos enfatizar este ponto, que será a base sobre a qual construiremos. Onde sofrermos oposição, como certamente ocorrerá, esta deve ser a base de toda a nossa contra argumentação. Nós tomamos o controle PELO BEM MAIOR. E a partir daí, conclui-se que onde encontrarmos resistência, devemos usar apenas a força que for necessária e não mais. (Esse foi o seu erro em Durmstrang! Mas eu não estou reclamando, porque se você não tivesse sido expulso, nós nunca teríamos nos conhecido).” – observa Aberforth, lendo-a – Me lembro dessa carta.
- Não devia mexer no que não é seu. – diz Dumbledore, entrando no quarto.
- Estava procurando esse jornal quando reencontrei uma velha conhecida. – responde Aberforth, sério – Eu me lembro do dia em que você pegou essa carta, Albus. Pegou para encobrir sua verdadeira face!
- Será que você nunca vai entender? – debocha ele, sentando na cama – Isso não é nada de mais.
- “Para o próprio bem dos trouxas”... – lê Aberforth – bem nobre de sua parte. – ironiza.
- Eu não fiz nada de errado. Se você terminar de ler esse jornal que você estava procurando você vai ver.
Desconfiado, Aberforth faz o que Dumbledore disse:
- “Outras penas descreverão os triunfos dos anos seguintes. As inumeráveis contribuições de Dumbledore para o estoque de conhecimento bruxo, incluindo a descoberta dos doze usos do sangue de dragão, beneficiarão gerações por vir, como também a sabedoria que demonstrou nos muitos julgamentos que realizou enquanto Cacique Supremo da Suprema Corte dos Bruxos. Dizem ainda que nenhum duelo bruxo já esteve à altura daquele entre Dumbledore e Grindelwald em 1945. Os que o testemunharam descrevem o terror e o deslumbramento que sentiram ao assistir aqueles dois bruxos extraordinários em batalha. O triunfo de Dumbledore, e suas conseqüências para o mundo mágico, são considerados pontos de inflexão na história mágica, a rivalizar com a introdução do Estatuto Internacional de Sigilo em Magia ou ainda a queda d’Aquele-que-não-deve-ser-nomeado.” O que isso tem a-- – diz ele, levantando o rosto e vendo que seu irmão não estava mais ali – Sinceramente não sei porque ainda te ajudo. – diz ele, avulso, guardando a carta e jornal.
You know I can't repent for all (você sabe que eu não posso me arrepender de tudo)
Draco e Hermione descem para o café em silêncio. A tensão na mesa começava a incomodar os presentes, mas além de a senhora Weasley perguntar onde estava Harry e Rony, ninguém falou mais nada.
Logo, Artur Weasley falou sobre a mudança de sede, devido ao risco que corriam ali com tantas pessoas sabendo a localização. Todos concordaram com o patriarca e seguiram para seus quartos para arrumar suas malas:
- Hermione, desculpe por mais cedo. – pede Draco, sério.
- Tudo bem. – responde ela, tentando sorrir – Você tem razão sobre Voldemort.
- Tem certeza que não quer lutar com seus amigos?
- Não faz muito meu estilo matar.
- Então, pelo menos, lute ao lado da Ordem. – pede Draco, procurando olhá-la nos olhos.
- Não acredito que está me pedindo isso.
- É minha única chance de me vingar dele por tudo o que ele fez para minha família.
- Sabe que isso significará lutar contra seu pai, não é?
- Lucius deixou de ser meu pai quando abandonou minha mãe a própria sorte. – responde Draco, irritado – Vou arrumar minhas coisas. Mais tarde, fale com a Weasley, Lovegood e o Longbottom para organizarmos treinos pesados. Precisamos ser úteis agora que a guerra aproxima-se do fim.
- Como pode ter tanta certeza? – pergunta Hermione, intrigada.
- O Potter finalmente decidiu cumprir a Profecia.
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Voldemort estava visivelmente irritado. Os seus Generais não encontravam a Sede da Ordem da Fênix de modo algum, mesmo sob a liderança de Evelyn, que esteve lá. As suas horcruxes ainda não haviam sido destruídas, ele podia sentir, mas estavam nas mãos dos seus principais inimigos. Era questão de tempo até que eles descobrissem como torná-lo mortal novamente.
Tirando todos os comensais de sua confiança de suas atuais missões, o Lorde das Trevas os convocou para aquele que seria o maior ataque de todos. Ele precisava urgentemente oprimir a população bruxa e firmar de uma vez seu nome para que todos o temessem. Ele precisava tomar o ministério.
O ataque foi organizado de modo que ninguém conseguiu reagir. Um grupo ficou com a distração, combatendo os aurores da entrada do Ministério e do saguão principal. Outro grupo ficou com as capturas, prendendo os chefes de departamentos ou simplesmente matando-os. O grupo principal, formado pelo próprio Voldemort e os Generais, foi direto para a sala do ministro, matando-o sem dar a chance de ele pronunciar uma palavra sequer:
- O MINISTRO CAIU! – grita Bellatrix, comemorando – TODOS SAÚDEM VOLDEMORT!
Uma grande salva ecoa janela a fora do ministério. Os bruxos ali presentes tremiam com a novidade: Voldemort tornara-se o bruxo mais poderoso do mundo.
A noticia espalhou-se como folhas ao vento e logo chegou ao conhecimento da Ordem da Fênix. Snape, Lupin, Xenofilus e Artur mais uma vez tentaram destruir as horcruxes sem sucesso. Molly e Narcisa passaram o dia com Tonks para dar assistência e evitar que ela se estressasse muito. Draco, Hermione, Gina, Luna e Neville foram para a sala de reuniões e ali ficaram esperando a hora de ir embora:
- Não podemos sair daqui agora. – diz Artur, sério – Voldemort está no controle e a mudança deixaria nossa guarda aberta.
- Estamos de guarda aberta de qualquer modo. – rebate Tonks, séria.
- Precisamos esperar anoitecer para sair.
- Como se isso fosse impedir que Voldemort nos atacasse. – comenta Snape – Precisamos mesmo é nos camuflar.
- Não temos um estoque de polissuco. – diz Lupin.
- Gente, discutir não vai adiantar de nada assim como ficar aqui também não! – diz Hermione, levantando a voz – Temos que sair daqui e devemos sim correr o risco.
- Concordo com Hermione. – diz Draco.
- Não temos alternativa. – comenta Gina.
- Então, ao anoitecer, vamos. – decide Artur, ainda que contragosto.
Moonlight falling over me (a luz do luar cai sobre mim)
Sail on where the shadows hide (navegando onde as sombras escondem-se)
Harry e Rony estavam ouvindo o rádio quando a noticia que Voldemort havia tomado o ministério foi dada. Ambos preocuparam-se com os que ficaram na Sede, mas sabiam que se voltassem perderiam a oportunidade de dar a paz para todos.
Assim que escurece, eles desaparataram do acampamento e aparataram na frente da Mansão McLaggen. Com um feitiço de detecção de magia, eles verificaram os feitiços que protegiam o local e procuraram possíveis rotas para entrar na casa:
- Encontrei uma. – diz Harry, urgente – Tem uma tubulação que despeja dejetos diretamente no rio.
- Que nojo. – observa Rony.
- Fazer o que? Vamos mostrar a Voldemort que podemos fazer mais. – chama Harry, esgueirando-se pela rota encontrada.
Dentro da mansão, Cormac andava em direção ao seu quarto com uma expressão de desagrado. Mais uma vez, seu pai o deixara de fora da reunião dos comensais e isso deixava o rapaz irado:
- Será possível? Até mesmo agora que eu tenho a marca negra meu pai me trata como uma criança. – resmunga Cormac, trancando-se em seguida.
Pela porta da cozinha, Harry e Rony, após usar um feitiço para se limpar, entraram e caminharam com suas varinhas em punho na direção da sala principal. Mesmo com todo cuidado, uma criada os viu, mas ela foi facilmente desarmada e presa em um armário da escadaria:
- Para onde vamos? – pergunta Rony, sussurrando.
- Biblioteca? – sugere Harry, apontando para uma porta grande de madeira – No três. Um, dois... três!
Num chute, Rony abre a porta e lança um feitiço estuporante no comensal mais próximo, deixando-o desacordado. Harry dá cobertura para o amigo, protegendo-o de um contra-ataque. Três dos quatro comensais ainda em batalha atacam a dupla enquanto o outro corre para a rede de flú:
- O que está acontecendo aqui? – pergunta Cormac, entrando de vez na biblioteca.
- Estuperfaça! – conjura Rony, derrubando o rapaz.
- Cormac! – grita o senhor McLaggen, baixando a guarda.
- Petrificus Totalus! – conjura Harry, atingindo em cheio o dono da casa.
- Reducto! – conjura um comensal, jogando uma estante em cima de Harry.
- Bombarda Máxima! – conjura Rony, explodindo o armário em diversas partes.
- Avada Kedavra! – conjura Harry, matando o comensal que o atacara.
Com o dono da casa imobilizado, o comensal restante consegue quebrar a barreira mágica da casa e desaparatar dali, temendo ser morto pela dupla de “justiceiros”. Aproveitando a deixa, Rony ajuda Harry a se levantar, amarrando o senhor McLaggen e Cormac, só então lançando o contra-feitiço:
- Não acredito que você matou uma pessoa, Potter. – diz o senhor McLaggen, sério.
- Sempre há uma primeira vez. – responde Harry, com um ar de superioridade – Diga-me, onde fica o esconderijo principal? – pergunta, apontando a varinha para o dono da casa.
- Não faço idéia. – responde ele, permanecendo calmo.
- Rony, veritasserum. – pede Harry, pegando o frasco que o amigo tirara da bolsa e fazendo o comensal beber – Onde fica o esconderijo principal?!
- Voldemort nos chama quando precisa! Ele não diz para todos! – responde McLaggen, contra a sua vontade.
- Pare de fazer isso com meu pai! – grita Cormac, agoniado.
- Cale a boca! – reclama Rony, acertando o rapaz com um soco – Isso é por Hermione!
- Eu não fiz nada para ela!
- Você tentou!
- Mas ela estava namorando o Malfoy e não me deu a mínima! – grita Cormac, vendo a expressão de espanto dos dois amigos – Quer dizer que Hogwarts inteira sabia, menos vocês, os melhores amigos dela?
- Como assim? – pergunta Harry, sério, apontando a varinha para ele.
- A primeira missão do Cormac como comensal era seduzir a Granger para que ela fosse tirada do caminho. – responde o senhor McLaggen, ainda sob efeito do veritsserum – Só que Draco Malfoy chegou primeiro, o que não deixou o Lorde das Trevas satisfeito.
- Não vamos conseguir nenhuma informação útil aqui. – comenta Harry, vendo que Rony apertava a varinha em sua mão com bastante força – Vamos embora, Rony.
- Claro. – responde Rony, baixinho, desaparatando dali com seu amigo.
Moonlight crawling down on me (a luz do luar rasteja até mim)
Just like you couldn't compete with my pride (Como se não pudesse competir com meu orgulho)
De volta ao acampamento, os dois amigos jogam-se no chão:
- Hermione sempre foi uma ameaça. – diz Rony, sério – Voldemort a queria fora do caminho mesmo.
- Ela era tudo que ele desprezava, mas era muito inteligente. – comenta Harry.
- A missão de hoje não foi um fracasso total. Nós lutamos contra quatro comensais e sobrevivemos.
- E eu matei um...
- Como se sente? – pergunta Rony, preocupado.
- Confuso. – responde Harry, levantando-se e sacando sua varinha.
- Hei, aonde vai? – pergunta Rony, levantando com urgência.
- Vou ao restante dos esconderijos. Estou com uma sede de sangue que eu nunca tive antes. – responde Harry, segurando no braço do amigo e aparatando dali.

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- Mandou chamar, meu senhor? – pergunta Evelyn, humildemente, entrando no antigo escritório do ministro.
- Não pense que eu me esqueci de sua missão, senhorita Scott. – diz Voldemort, indo direto ao ponto – Você está responsável por descobrir a localização da Mansão Black e eu ainda estou aguardando seu relatório.
- Yaxley precisou da minha ajuda com a nova lei que o senhor pediu, milorde. Não tive tempo depois disso. – responde Evelyn, séria.
- A lei é dever apenas de Yaxley e seus subordinados. Você está dispensada para cumprir sua tarefa.
- MILORDE! – grita um comensal, entrando de uma vez na sala de Voldemort – MILORDE, ACONTECEU ALGO TERRÍVEL!
- Como ousa entrar em meu escritório assim?! – grita Voldemort, sacando a varinha.
- PERDÃO, MEU SENHOR, MAS O POTTER ENLOUQUECEU DE VEZ! – implora o comensal, caindo de joelhos.
- “Potter enlouqueceu”? – repete Evelyn, curiosa.
Voldemort abaixa sua varinha. Interessado, ele pede que o comensal sente-se e conte tudo o que houve. O homem corpulento com um olhar assustado contou ofegante tudo sobre o ataque de Harry e Rony à mansão McLaggen. A cada palavra Voldemort cerrava os punhos com mais força e a irritação era visível. Evelyn, que estava na extremidade oposta da sala, ouvia atentamente o relato, sem conseguir imaginar um feitiço sequer, principalmente a maldição da morte, sendo lançada pelos rapazes:
- E como estão os McLaggen? – pergunta Voldemort, sério.
- Eu saí assim que Potter matou Lewis. – responde o comensal, um pouco mais calmo.
- LORDE DAS TREVAS! – grita um outro comensal, entrando de uma vez na sala.
- O QUE FOI DESSA VEZ?! – pergunta Voldemort, irritado.
- Potter e Weasley, senhor! Eles estão atacando as mansões que serviam como bases secretas! – responde o comensal, urgente.
- Isso virou piada?! – Voldemort ergue ainda mais a voz e vira-se para Evelyn – Esqueça a Ordem da Fênix. TRAGA AQUELES MOLEQUES PARA MIM, AGORA!
- Sim, senhor. – responde Evelyn.
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- Estava me procurando? – pergunta Draco, entrando no quarto de Snape.
- Sim, sente-se. – convida Snape, apontando a cadeira no canto do cômodo.
- E então?
- Sobre aquela história que eu te contei da minha filha... – começa Snape, sentando-se em frente para Draco – eu quero encontrá-la. Sinto que Dumbledore vai usar isso contra mim até o seu último dia de vida.
- Acha mesmo que ele vai arriscar sua reputação com isso?
- Quem confiaria na palavra de um ex-comensal, Draco?
- É irônico, sabe? – diz Draco, tentando sorrir – Passei a minha vida toda achando que o vilão era Voldemort.
- Há coisas no passado de Dumbledore tão obscuras que assustariam a todos que o endeusam. – comenta Snape, vagamente.
- Isso está ficando assustador... – comenta Draco, desconfiado – bem, como o senhor pretende encontrar sua filha? Tem alguma pista?
- Infelizmente não, mas tenho um palpite. Precisarei falar com Regan...
- Ainda não entendo onde eu entro nessa história.
- Preciso que me acompanhe, Draco. Assim como você, sou um desertor de Voldemort. Sozinho eu não tenho a mínima chance contra ele.
- Não posso abandonar minha mãe de novo. – responde Draco, em dúvida.
- Ela estará segura enquanto estiver com a Ordem. Eu nunca te pedi nada, Draco... – insiste Snape, nervoso.
Draco fica pensativo. A aflição nos olhos do ex-professor de poções o angustiava também. Severus sempre foi um bom amigo da família e o ajudou no momento mais critico de sua vida.
Com um aperto de mãos, ele finalmente responde:
- Eu te ajudarei, Snape.
Compensation for the missconducted life (recompensa para uma vida mal conduzida)
Is it way too much to ask? (será que é muito para pedir?)
Dumbledore caminhava tranquilamente pelo vilarejo cumprimentando as poucas pessoas que encontrava com um sorriso no rosto. No céu, nuvens pesadas começavam a se juntar, fazendo com que as donas de casa recolhessem suas roupas do quintal e colocassem as crianças para dentro:
- Isso não é uma chuva comum. – observa Dumbledore, sério – Bem, acho melhor voltar.
O que parecia ser somente chuva começa a se revelar uma ameaça. As nuvens começaram a tomar forma de caveira, cujo de sua boca saia uma serpente que deslizava pelo céu. Aberforth, após observar a marca negra, corre até os fundos de sua residência, de onde pode ver um estrondo vindo da direção da floresta. Com sua varinha em punho, ele corre para investigar a fonte do barulho temendo ameaçar o pouco de paz que ele tinha vivendo naquele lugar:
- Bombarda Maxima! – conjura Aberforth, atingindo os comensais que corriam pela floresta atrás de dois jovens.
- Não se meta, velho! – grita um dois comensais, levantando-se com dificuldades.
- Arestum Momentum!
Finalmente começa a chover. Dumbledore preparava um pouco de chá quando Aberforth entrou ensopado pela porta dos fundos, trazendo consigo dois jovens desacordados. O ex-diretor de Hogwarts quase teve um enfarte quando reconheceu os rostos:
- Por que os trouxe para cá?! – grita ele, nervoso.
- Eles estavam em perigo na floresta. – responde Aberforth, tranqüilo, colocando os rapazes no sofá.
- Os deixasse lá!
- O que é isso, Bryan? – ironiza Aberforth, debochado – Onde está sua nobreza?
- Você sabe muito bem quem é esse rapaz. – diz Dumbledore, respirando fundo para tentar manter-se no eixo.
- Harry Potter, não é? O garoto que você tentou matar enviando atrás das horcruxes sem nenhuma informação.
- Já vi que não posso mais ficar aqui. Vou procurar outro lugar para me esconder.
- Que tal nossa velha casa em Godric’s Hollow? – debocha Aberforth, sem conseguir conter o riso de satisfação ao ver o irmão tão descontrolado.
- Vai se arrepender por isso, Abe. – ameaça Dumbledore, desaparatando dali sem levar nenhum de seus pertences consigo.
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Hermione estava ansiosa pela mudança e não conseguia se distrair com nada. Ainda assim ela tentava imaginar como seus melhores amigos estavam se saindo em sua “caçada”. Em meio aos seus pensamentos, ela percebeu algo que devia ter visto há muito tempo: desde que Draco e ela saíram do esconderijo para o qual ele tinha levado-a, eles não tinham um momento a sós onde podiam aproveitar a companhia um do outro:
- Draco? – chama ela, com a voz suave.
- Hermione, oi. – responde ele, deitado em sua cama.
- Já está com as suas coisas arrumadas? – pergunta ela, sentando-se ao lado dele.
- Sim. Mas eu preciso ir a outro lugar.
- Como assim?
- Snape me pediu para acompanhá-lo numa viagem. – responde ele, vagamente.
- Viagem? Do que? Co-- Draco! – reclama ela, nervosa – Eu pensei que nunca mais nos separaríamos!
- Por favor, não vamos brigar de novo... – pede ele, sentando-se e tentando abraçá-la.
- Desculpa por isso, mas vamos sim! – grita Hermione, empurrando-o – Eu abandonei meus amigos por sua causa!
- Ah, então aquele discurso sobre como eu sou egocêntrico era apenas para que você pudesse sair por cima mais uma vez?! – grita ele, nervoso.
- Não é isso... – responde ela, tentando se acalmar – Draco... para quê você vai com o Snape?
- Ele precisa da minha ajuda!
- Eu preciso de você ao meu lado!
- Snape me ajudou quando ninguém mais acreditava em mim. Ele me ajudou quando meu pai abandonou minha mãe e eu! – responde Draco, decidido – Sinto muito, Hermione, mas eu vou com ele. Por favor, cuide de minha mãe por mim.
- Você é muito egoísta! – diz Hermione, chorando.
- Você que está sendo egoísta, Hermione! – grita Draco – O mundo não gira ao seu redor. Meu mundo não gira ao seu redor!
Hard to wake up (difícil de acordar)
With your heart and soul deprived (desprovido de coração e alma)
- Então você não me ama? – pergunta ela, triste.
- Mais do que tudo nessa vida. Só que eu tenho a cabeça na realidade, Hermione. – responde ele, aproximando-se dela e abraçando-a – Está havendo uma guerra e as pessoas precisam, se por um acaso surgir uma brecha onde se possa lutar, deixar tudo de lado.
- Não vou dizer que estou contente com essa decisão que você tomou. – diz Hermione, aproveitando o abraço – Só me prometa que você vai voltar e, quando isso acontecer, não haverá mais segredos.
- Prometo. – diz ele, beijando-a – Eu te amo, Hermione. Sou tudo o que sou hoje porque seu amor me transformou.
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Antes que pudesse abrir os olhos, o som do crepitar do fogo na lareira e o cheiro de chá de camomila despertaram os sentidos de Harry. Ele levantou-se sentindo o corpo meio mole e esfregou os olhos, só assim notando que não estava mais no meio da floresta de Wild Valley. Ele virou-se para o lado com urgência e tranqüilizou-se ao ver que Rony dormia próximo a ele:
- Que bom que estão bem. – comenta Aberforth, servindo um pouco de chá para Harry.
- Quem é o senhor? – pergunta Harry, intrigado – Nos conhecemos?
- Me chamo Aberforth Dumb-- Aberforth. – responde ele, desviando o olhar.
- Sobrenome? – insiste Harry.
- Você realmente não é mais aquele garotinho magricela que Bryan fazia o que queria. – comenta Aberforth, sorrindo.
- Bryan? O senhor quer dizer... o senhor conhece o professor Dumbledore? – espanta-se o rapaz.
- Ele é meu irmão mais velho. O mesmo tom de surpresa de sempre, não é, senhor Potter?
- Li sobre o senhor no jornal.
- Você e o resto do mundo. – comenta Aberforth, dando as costas – Tome o chá. Vai fazer bem.
- Eu sinto muito pela sua perda, senhor. – comenta Harry, triste.
- Sente muito? Minha perda? – repete ele, zombeteiro – Eu não perdi nada!
- Seu irmão, senhor... – diz Harry, chocado com a frieza de Aberforth.
- Eu não perdi irmão nenhum.
- Não sabia que o senhor odiava seu irmão...
- Há muitas coisas que você não sabe sobre meu irmão, garoto. Ele não é quem todos pensam. Ele não é um herói, é um covarde!
- Mais respeito com os mortos, por favor!
- Que morto que nada! – irrita-se Aberforth – Bryan está vivinho.
Harry fica pálido...
- Ele fugiu assim que eu os trouxe para cá. – conclui Aberforth, sorrindo vitorioso.
- Não pode ser. – diz Harry, ainda em choque – Eu o vi ser atingido pela maldição da morte. Eu estava no enterro! Eu... eu...
- A “maldição da morte” lançada pelo capacho dele? – zomba Aberforth – Ah, ok. Bryan iria morrer pelas mãos de um homem tão fraco...
- Não é possível...
- Não negue para se mesmo a lógica, meu rapaz. Use o bom senso e veja que a morte dele foi um truque.
Harry pára para pensar. Procurando raciocinar melhor e processar as idéias que lhe eram entregues daquela forma, ele pediu algo que Aberforth ansiava desde que o rapaz passou pela porta de sua casa:
- Conte-me tudo, por favor, sobre o passado do professor Dumbledore.
When morning comes (quando a manhã vem)
the second to your last (a sua penúltima)
Agonizando de dor, um comensal, no seu último suspiro, envia uma mensagem para Voldemort dizendo onde Harry e Rony estavam. Quase que imediatamente, o Lorde das Trevas aparata no local, acompanhado de Bellatrix e Evelyn:
- Para onde eles foram? – pergunta Voldemort ao comensal que estava no chão.
- Um velho os levou para fora da floresta. – responde ele, apontando para o horizonte.
- Não vejo nada. – comenta Evelyn, forçando a vista.
- É cega por um acaso? – zomba Bellatrix – Tem um vilarejo bem na sua frente.
- Não vejo nada também. – comenta um outro comensal.
- Milorde, destrua esses inúteis! Eles não servem mais para nada! – pede Bellatrix.
- Eu sei por que só você vê, Bella. – diz Voldemort, sério – Aqui é a floresta de Wild Valley. Somente aqueles que possuem ligação sanguínea com os habitantes de lá podem vê-lo.
- Eu buscarei os garotos para o senhor, Milorde. – diz Bellatrix, curvando-se levemente em reverência.
- Essa é minha tarefa! – reclama Evelyn, séria.
- Saia da minha frente, garota intrometida, antes que eu destrua você. – ameaça a comensal, sacando a varinha.
- Deixe-a, Bella! – ordena Voldemort – Você tem meia hora para atrair os dois até aqui, onde eu posso pegá-los. – diz ele, virando-se para Evelyn.
- Sim, milorde. – diz Evelyn, correndo na direção do vilarejo e torcendo, em sua cabeça, que Harry e Rony pudessem vê-la de onde estavam.
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Rony espreguiçou-se no sofá e deu uma boa olhada em volta. Quando ele deparou-se com o rosto espantado de Harry e a o olhar vazio do velho em frente a ele:
- Onde estamos? – pergunta Rony, confuso.
- No vilarejo de Wild Valley. – responde Aberforth, sério.
- Pensei que a barreira mágica impedia que entrássemos aqui.
- Vocês devem ter sangue Black. Um monte de gente tem aqui.
- Isso é um perigo, pois Bellatrix Lestrange também tem sangue Black e ela é o braço direito de Voldemort. – comenta Harry.
- É um risco que corremos. Mas, como dizia Bryan, esse vilarejo não é mais interessante aos olhos de Voldemort.
- Quem é Bryan? – pergunta Rony, confuso – Ou melhor, quem é o senhor?
- Rony, esse é Aberforth Dumbledore, irmão do professor Dumbledore, que, por um acaso, é Bryan. – responde Harry, cansado – Ele estava prestes a me contar sobre seu irmão.
- Ah, puxa, eu sinto muito pela morte do professor. – diz Rony, alheio a verdade.
- Ele não morreu.
- Não sabia?
- O professor está vivo, Rony. Ele estava escondido aqui e, quando o senhor Dumbledore nos salvou e nos trouxe, ele fugiu. – esclarece Harry, levemente irritado.
- Na certa com medo de deixar de ser perfeito. – atiça Aberforth – Bem, como me pedira, senhor Potter, vou contar sobre o passado do meu irmão. Antes, leia isso. – pede ele, entregando a carta que Dumbledore enviara para Grindelwald.
Rony procurou sentar-se próximo a Harry para ler junto com ele o conteúdo daquele papel. A reação dos rapazes não poderia ser outra. A decepção pelas idéias expressas no papel era tamanha que Harry, num fio de voz, disse:
- Não sei o que pode ser pior...
- Eu sei. – responde Aberforth, agora com um olhar frio – Ele é responsável pela morte da minha irmã, Ariana.
You cut the silence like a knife (você corta o silêncio como uma faca)
At the edge of my last defences (no limite de minhas últimas defesas)
You cut the silence like a knife (você corta o silêncio como uma faca)
You know I won't repent for all (você sabe que eu não me arrependerei por tudo)
Snape, depois de conversar com os demais membros da Ordem, chama Draco para enfim partirem. Hermione despediu-se dele com um longo abraço e ficou encostada na parede com um olhar triste e o rosto inchado de tanto chorar. Gina aproximou-se dela para dar apoio, o que fez a castanha ter forças para se expressar:
- Eu devia ter ido com Harry e Rony. – comenta Hermione, séria.
- Você não é do tipo de gosta de luta, Hermione. – diz Gina, amigavelmente.
- Não deveria ser assim. Tem uma guerra lá fora.
- O que pretende fazer?
- Vou procurar os agentes do ministério que estavam no pub aqui perto. Vou me juntar a eles.
- E a Ordem, Hermione? E a Armada Dumbledore?
- Lilá e Angelina são membros da Armada também. Vou falar com elas. – diz Hermione, decidida.
O que antes era um pub bem movimentado agora era apenas um prédio vazio. A fachada em ruínas nada lembrava o lugar onde Lilá um dia teve prazer em trabalhar, mesmo que de “faz-de-conta”. Fechando pela última vez a porta, ela vira-se suspirando cansada e dá de cara com uma antiga rival:
- Olá, Brown. – cumprimenta Hermione, sorrindo.
- Granger. – responde Lilá, séria – O que faz por aqui? É perigoso vagar pelas ruas agora que...
- Eu sei, mas eu estou aqui porque eu quero ser útil.
- O que quer dizer?
- Eu quero me juntar a vocês, do ministério.
Com aquela resposta, Lilá não pode conter o riso:
- O que foi? – pergunta Hermione, intrigada.
- Não existe mais um ministério, Granger. Voldemort tomou tudo! A nossa missão era apenas ficar de olho e tudo desmoronou no dia que Fred Weasley morreu! – responde Lilá, tensa – A decepção no rosto de Ronald é a primeira coisa que eu penso quando eu acordo e a última coisa que eu vejo antes de dormir. – confessa ela, triste.
- Você vai desistir assim?! Sabia que Harry e Rony saíram sozinhos para acabar com a guerra?! – intima Hermione, séria.
- Já estava na hora. – comenta Lila, avulso – Acredito que alguém já comentou com você sobre o fato de essa guerra ser uma piada, não é?
- Como assim?
- Me esqueci que você esteve “morta” por algum tempo. – comenta Lilá, debochada – Ouça atentamente, Granger: Voldemort tem o objetivo de tomar o poder, isso é fato, ninguém discorda. Mas o objetivo principal dele não é esse. Voldemort quer matar Harry pelo que ele aconteceu quando ele era um bebê.
- Um bruxo poderoso como Voldemort está mais preocupado em matar Harry do que dominar o mundo? – pergunta Hermione, incrédula.
- Absurdamente óbvio, não é? – sorri ela, virando-se – Adeus, Granger. Vou procurar um lugar seguro.
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- Como assim? – pergunta Harry, com medo da resposta, observando o olhar perdido do senhor em sua frente.
- Quando minha irmã era pequena, ela fazia truques de magia o tempo todo. – começa a fala Aberforth – Isso era normal, nenhuma criança consegue controlar a magia. Um dia, alguns garotos trouxas viram o que ela fez e a obrigaram a repetir. Ariana estava apavorada e não queria fazer nada daquilo. Irritados, os garotos espancaram minha irmã e xingaram-na de aberração. Meu pai ouviu o choro dela e correu até onde eles estavam, matando sem pestanejar os desgraçados! – termina ele, irritado.
- Puxa... eu... – tenta dizer Rony, triste – o que aconteceu com seu pai?
- Foi mandado para Azkaban e tachado de preconceituoso, claro. – responde ele, sério – Ele não disse o verdadeiro motivo pelo qual foi preso por uma razão bem simples. Ariana ficou traumatizada de tal modo que a sua magia trancou-se dentro dela, tornando-a praticamente um aborto. Minha mãe foi obrigada a se privar de muitas coisas para cuidar dela, mas eu estava lá com ela. Bryan, como sempre, apenas ficava trancado em seu quarto polindo suas medalhas e admirando seus prêmios como “prodígio”.
- Isso não parece em nada com o professor Dumbledore. – insiste Harry, confuso.
- Você não sabe do pior, garoto. – zomba Aberforth, com um misto de sarcasmo e tristeza – Como minha mãe e eu éramos os únicos que conseguiam acalmar Ariana quando a magia dela resolvia explodir, nós não fazíamos outra coisa nas férias alem disso... aí as minhas aulas recomeçaram... – suspira ele, cansado.
Moonlight falling over me (a luz do luar cai sobre mim)
Sail on where the shadows hide (navegando onde as sombras escondem-se)
Aberforth procurou manter-se centrado enquanto relatava para aqueles jovens em sua frente a maior dor de seu passado. Harry e Rony, apesar de todos os anos de credibilidade para com o diretor de Hogwarts, aceitavam aquela história sem duvidar da palavra do homem que a contava:
- Senhor, isso parece difícil, por que não nos mostra as lembranças? – sugere Harry.
- Não, eu preciso falar... – responde Aberforth – Eu estava em Hogwarts na festa de despedida de Bryan quando a notícia chegou. Ele estava de malas prontas pra viajar com Doginho e a morte da minha mãe acabou com tudo. Ele passou o velório todo sério e as pessoas achando que ele estava daquele jeito para manter Ariana e eu calmos... por mim, eu ficaria sozinho com ela enquanto ele corria atrás de suas ambições, mas ele era o mais velho e eu menor de idade.
- Doginho é Eliphas Doge? – pergunta Rony e Aberforth confirma com a cabeça.
- O professor Dumbledore estava irritado com a morte da mãe porque isso interrompeu a viagem dele? – pergunta Harry, bestificado.
- Isso não é o pior. – responde Aberforth, servindo-se de mais chá – Pior foi quando ele apareceu...
- Ele quem?
- Grindelwald. Finalmente meu irmão tinha alguém do nível dele para conversar, alguém tão brilhante e talentoso quanto ele era. Cuidar de Ariana ficou em segundo plano. Grindelwald era, nas palavras de Bryan, “um homem único e interessante”. Por diversas vezes surpreendi os dois conversando por cartas de madrugada, algumas com um teor homossexual.

Naquele momento, Harry e Rony, que estavam atentos a cada virgula, gritaram em uníssono:
- Dumbledore é gay?!
- Não entendo a surpresa. – diz Aberforth, calmo – Nunca me enganou. Uma noite eu vi os dois se beijando e foi grotesco, mas eu já esperava essa conduta. Ser o rapaz mais inteligente e promissor de Hogwarts fazia com que todas as garotas quisessem ficar com ele, mas ele nunca se interessou por nenhuma. Apenas Doginho era visto com ele, mas, naquele tempo, esse tipo de especulação não era tão comum como hoje em dia.
- Eliphas Doge e Dumbledore tiveram um romance? – pergunta Rony, assustado.
- Com Doginho eu não sei, mas com Grindelwald foi bem mais do que isso. Bryan era obcecado por ele. Quando os dois começaram a tramar sobre o domínio sobre os trouxas eu ainda relevava. Eu achava que era só conversa jogada fora, mas, num belo dia, Bryan anunciou que ia viajar e, como éramos responsabilidade deles, íamos juntos. Eu, obviamente, fui contra. Começamos a discutir muito e Grindelwald se intrometeu, dizendo para Bryan que se ele desistisse ia ser horrível para ele. Naquele momento eu vi claramente nos olhos dele, enquanto ele abraçava meu irmão tentando dissuadi-lo a continuar com aquele absurdo, que ele não sentia amor nenhum por Bryan.
- Você disse isso para ele, não foi? – pergunta Rony, interessado.
- Do que adiantaria? Se alguém dissesse que a garota que está com você e que você ama está te usando, você acreditaria? Eu sabia que Bryan estava cego de paixão e fiquei calado sobre isso, apenas me colocando entre Ariana e ele para que ele não a levasse. Irritado, Grindelwald sacou a varinha e disse para Bryan que ia nos matar para nos tirar do caminho dele... e Bryan não fez nada...
- Grindelwald matou Ariana... – conclui Harry, de cabeça baixa.
- E só não me matou porque Dumbledore ouviu que alguém estava na porta. Ele deu cobertura para aquele assassino! – altera-se Aberforth, cerrando os punhos.
- Mas o professor Dumbledore combateu Grindelwald... – diz Rony, sério – se ele estava apaixonado por ele e acobertou a fuga, por que fazer isso?
- Batilda Bagshot, a famosa historiadora, era tia de Grindelwald. Ela guardou os pertences dele depois que ele fugiu e entregou a Bryan, pois eles eram “muito amigos”. Numa caixa lacrada estavam rabiscos de planos de dominação dos trouxas dele e, em um em particular, trazia detalhes sobre o relacionamento dele com Bryan. Ele me disse: “Vou caçar Grindelwald até o fim do mundo por ele ter brincado com meus sentimentos!”.
- Então foi por isso?! – espanta-se Rony – Dumbledore é o maior herói por causa de uma decepção amorosa?!
Moonlight crawling down on me (a luz do luar rasteja até mim)
Just like you couldn't compete with my pride (Como se não pudesse competir com meu orgulho)
Snape descobriu facilmente como encontrar Regan. Não foi muito difícil, já que enquanto ele estava ao lado de Voldemort ele tinha acesso aos mais diversos meios de se obter informações. Draco permanecia calado desde que os dois saíram na mansão Black. Seu olhar, por mais que ele quisesse negar, estava triste. Ele sentia falta de Hermione e queria voltar o mais rápido possível para o lado dela:
- Obrigado por vir comigo, Draco. – repete Snape, sério – Não sabe o quanto significa para mim saber que você me respeita como um amigo.
- Por nada, Snape. – responde Draco, respirando fundo e percebendo que ele parara em frente a uma casa simples – É aqui?
- Sim. Regan Davenport mora nessa casa.
Quando o ex-professor de poções faz menção de tocar a campainha algo acontece. A fechadura destranca-se sozinha e o portão de ferro abre-se vagarosamente, rangendo devido à ferrugem. Os dois se entreolham e decidem entrar em posição de guarda, temendo haver algum tipo de armadilha.
O aproximar-se da porta da casa, uma figura surgiu do interior, revelando-se uma mulher muito bonita de rosto assustado, apontando uma varinha para os dois:
- Severus? – pergunta ela, assustada.
- Regan... – responde Snape, erguendo as mãos em sinal de rendição.
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Estava tudo pronto para a troca de sede. Artur e Lupin guiavam a todos hes entregando um pouco de poção polissuco para ajudar no processo. Gina procurava dar suporte a Hermione, que ainda estava relutante em sair dali com Harry, Rony e Draco fora. Do lado de fora, a lua brilhava forte e imponente, surgindo vagarosamente detrás das nuvens:
- Oh Merlin... – espanta-se Artur, percebendo que Lupin ficara completamente hipnotizado – hoje é dia de lua cheia!
Shine on silver from the sky into the night (brilho prateado do céu noturno)
Gaia shivers and I need your leading light (Gaia estremece e eu preciso de sua luz guia)
Evelyn sabia que seria uma missão praticamente impossivel atrair Harry e Rony até fora da barreira de proteção do vilarejo. O tempo passava rapidamente e a solução que ela precisava não cairia do céu. Andando na direção do lugar do qual ela não via sequer uma cerca, ela praguejava o momento em que decidiu impedir Bellatrix de invadir o local. Na verdade, ela sabia por que tinha feito aquilo. Por mais que ela tenha se juntado a Voldemort para conseguir uma espécie de vingança, ela era uma boa pessoa. Ela sabia que os moradores daquele lugar não teriam mais paz se Bellatrix entrasse ali.
Num ato desesperado, ela pega uma pedra no chão e atira com toda sua força além, na esperança de que ela ao menos chamasse a atenção dos rapazes.
Moonlight falling over me (a luz do luar cai sobre mim)
Sail on where the shadows hide (navegando onde as sombras escondem-se)
- Nós passamos nossas vidas admirando uma pessoa egoísta! – reclama Harry, decepcionado.
- A verdade anula qualquer coisa “boa” que ele já tenha feito, não é? – atiça Aberforth, levantando-se – Vou pegar um pouco de lenha para a lareira. Está escurecendo e o frio a noite é muito pior.
- Eu ajudo o senhor. – oferece-se Rony, levantando-se – Preciso de ar fresco para pensar melhor no que eu acabei de ouvir.
- Três trabalham mais rápido. – oferece-se Harry, seguindo com os dois.
Quando Aberforth estava pronto para abrir a porta, um barulho chama a atenção dele. Através da janela na sala, uma pedra passou e atingiu em cheio um vaso de flores. Por instinto, Harry e Rony correram para fora para ver quem tinha feito aquilo e a surpresa foi inevitável:
- Evelyn? – diz Rony, olhando para o horizonte e vendo a morena – Vamos até ela!
- Calma, Rony! Como não vamos saber que não é uma armadilha? – impede Harry, olhando para ela.
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O tempo de Evelyn havia acabado. Voldemort não perdeu mais um segundo chamou Bellatrix para invadir o vilarejo. Evelyn apenas abaixou a sua cabeça e tentou não transparecer frustração:
- Eles estão ali, Milorde. – diz Bellatrix, apontando para o vazio.
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- Voldemort! – grita Harry, sacando a varinha e correndo na direção da floresta.
- Harry, espere! – chama Rony, correndo atrás dele.
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- Não precisamos invadir. Ele está vindo até nós. – diz Bellatrix, saindo da frente do Voldemort, que saca sua varinha com um sorriso vitorioso no rosto.
Moonlight crawling down on me (a luz do luar rasteja até mim)
Just like you couldn't compete with my pride (Como se não pudesse competir com meu orgulho)