As pessoas mentem, isso é um fato óbvio. Provavelmente a mentira deve ter aparecido juntamente com o homem na terra. É da natureza dos seres humanos mentir.
Normalmente as pessoas mentem 15 vezes por dia.
Porém, há um garoto que ultrapassa qualquer estatística sobre mentirosos.
O nome dele é Scorpius Malfoy e é bem como o ditado diz: ele ‘mente que nem sente’.
E é sobre ele e algo completamente inusitado que acontece em sua vida, que falará essa história.
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PoV Scorpius
O barulho irritante do despertador entrou por meus ouvidos, soando agudamente e fazendo-me tapar minha cabeça com o cobertor.
Volta às aulas.
Não havia nada mais torturante do que isso. Ou melhor, havia, pois a comida de minha mãe ultrapassava qualquer sinônimo de ‘torturante’.
Não que ela soubesse disso.
– SCORPIUS! – ouvi a voz de meu pai soar no corredor em que ficava meu quarto.
Revirei os olhos.
Meu pai era aquele tipo de pessoa que sempre estava ‘andando na linha’. Era advogado e sempre usava ternos em perfeito estado, o cabelo extremamente arrumado e possuía um vocabulário tão culto que quase ninguém entendia o que ele falava, exceto seus colegas tão estranhos quanto ele do trabalho. Para ele se atrasar era uma demonstração de inutilidade.
Eu sabia que para ele a palavra inútil havia sido criada por minha causa.
Mas eu tinha outro conceito sobre atrasos.
Na verdade eu admirava as pessoas que se atrasavam. Você vê, se elas se atrasaram, normalmente é porque elas estavam fazendo algo muito interessante anteriormente, e que tiveram de deixar de fazer essa coisa interessante, para atender às suas responsabilidades.
Era a maior demonstração de força de vontade!
Como eu, por exemplo, tendo que deixar minha cama quente e confortável para aturar um dia completamente chato e entediante na escola.
A única parte boa seriam as garotas. Porque ter de aturar o bando do time de futebol ficando em cima de mim, tentando falar como eu, agir como eu e pensar como eu, era uma das coisas mais insuportáveis que existia.
Tirando é claro a volta as aulas (e a comida de minha mãe).
– Já vou! – falei alto para que ele ouvisse.
Escutei seus passos se afastarem da porta de meu quarto e utilizando de toda minha força de vontade, consegui levantar da cama.
Suspirei e olhei para o amontoado de cobertas onde antes dormia profundamente.
E me atirei sobre ela novamente.
Quero dizer, era o primeiro dia de aulas, quase ninguém ia. Nenhum professor daria alguma matéria, eles apenas ficariam em frente à classe e discursariam sobre as regras da escola e todo aquele blábláblá.
Eu não perderia nada.
Estava quase adormecendo novamente, sentindo as cobertas praticamente abraçadas ao meu redor, quando minha mãe entrou em meu quarto.
– Scorpius! Era para você estar de pé! Ande, você vai chegar atrasado – ela disse e puxou as cobertas de cima de mim.
Astoria Malfoy, minha mãe, era uma mulher muito bonita e jovem para sua idade. Era bem menos rígida que meu pai, porém era mais teimosa que uma mula empacada.
O que me fazia crer que ela não me deixaria ficar em casa dormindo porque o primeiro dia não era importante.
A menos, é claro, que eu a convencesse amigavelmente.
Gemi num tom convincente e a encarei aparentando sofrimento.
Deu certo. Sua expressão de insatisfação foi substituída pela de preocupação quase imediatamente.
– Aconteceu alguma coisa meu amor? – ela perguntou, aproximando-se de minha cama.
– Dor no estômago – foi a primeira coisa que me veio à mente, e eu fiz mais uma careta enquanto colocava uma mão sobre minha barriga destapada, apenas para dar ênfase em meu sofrimento.
Ela franziu a testa enquanto passava a mão por minha testa.
– Oh Deus, deve ter sido por causa da pimenta que eu coloquei na comida ontem – ela balançou a cabeça. – Seu pai me falou que não era para colocar demais...
Se minha dor de estomago fosse verdadeira eu poderia dizer que não havia sido efeito da pimenta, e sim da comida toda. Mas como eu era um ótimo filho, apenas assenti com a cabeça, fechando meus olhos teatralmente e suspirando.
– Bem, você não vai à escola desse jeito – ela murmurou. – Não mesmo e nem ouse me contestar – ela me encarou como se eu fosse mesmo fazer aquilo.
Fiz um beicinho e ela sorriu amavelmente para mim.
– Tudo bem mãe, acho que vou dormir um pouco e ver se passa – disse com a voz trêmula.
Minha mãe assentiu com a cabeça e se afastou em direção à porta.
– Não quer que eu faça um chá querido? – ela perguntou e eu me esforcei para não fazer uma expressão muito desesperada.
– Não mamãe, tudo bem, vai passar – eu disse e sorri, enquanto mentalmente rezava para que ela não fizesse chá nenhum.
Ela saiu de meu quarto fechando a porta suavemente.
Novamente estava quase dormindo quando ouvi meu celular tocar.
– Droga – amaldiçoei enquanto esticava a mão até a mesinha onde meu celular estava depositado.
Olhei para o visor.
Juliet.
Juliet. Juliet... Quem diabos era Juliet?
Atendi o celular um pouco receoso, como se ele pudesse explodir a qualquer momento.
– Alô? – disse.
– Oi Scorp! O que houve bebê? Porque não veio à aula hoje? Estou com saudades –uma voz irritante e fracamente conhecida falou e eu franzi a testa tentando descobrir de quem era.
– Hum, eu tive dor de estomago – comentei com desinteresse.
– Oh, pobrezinho, porque não me avisou? Eu teria ido ficar com você – ela prosseguiu, agindo como se aquilo fosse a pior noticia do mundo.
Juliet... Juliet... Juliet...
Eu não conseguia lembrar. Isso somente comprovava o grau de importância que ela deveria ter tido em minha vida. Quase nada.
Franzi a testa.
– Oh, eu só não quis te preocupar – comentei e a ouvi suspirar.
Juliet... Juliet...
– Bem, eu vou tentar dormir agora, ver se a dor passa – disse à ela e desliguei a chamada antes que ela pudesse falar mais alguma coisa.
Tinha certeza de que se Hugo Weasley soubesse dessa ligação, riria de minha cara.
‘Não lembra mais do nome das pretendentes Scorp?’- a voz do ruivo soou em minha mente.
Revirei os olhos e desliguei o celular por precaução. E finalmente consegui dormir.
PoV Rose
– E essas são as regras da escola – Professor Slughorn disse após um longo e entediante discurso sobre as malditas regras da escola.
Naquele momento eu faria qualquer coisa para estar dormindo em minha cama.
– Estão dispensados – o professor disse e sorriu para a turma.
Lentamente juntei meus materiais, colocando-os dentro da mochila e saindo da sala.
Suspirei enquanto caminhava pelos corredores, vendo as lideres de torcida passar em grupinhos e os jogadores do time cheios de garotas em volta.
Como eles faziam aquilo? Quero dizer, a maior parte dos garotos do time tinha uma ervilha no lugar do cérebro – quando tinham -, não sabiam somar um mais um e eram tão egocêntricos que chegava a doer. E mesmo assim as garotas choviam ao redor deles, como se eles fossem as melhores coisas do mundo.
Ridículo.
Estava passando em frente à sala da direção quando ouvi alguém me chamar.
– Rose! – virei os olhos para a sala e me deparei com os meus três primos.
Lily, Albus e James Potter. Todos filhos da irmã e do melhor amigo de eu pai.
Sorri com a surpresa e caminhei até eles.
– O que vocês fazem aqui? – perguntei enquanto recebia um abraço extremamente apertado de minha prima.
Lily sorriu largamente para mim.
– Papai se aposentou da carreira e decidiu voltar para Londres.
Harry Potter era jogador de futebol no Manchester. Conhecido internacionalmente por ter ganhado 6 vezes o titulo de Melhor Jogador do Mundo.
Quando eu era pequena praticamente vivia na casa de Lily, como as melhores amigas, mas Harry entrou para o time e eles foram obrigados à sair de Londres.
– Acabamos de fazer nossa matricula – James, que estava encostado na porta e sorria para algumas garotas que passavam, comentou. – Nossa, aqui tem garotas bem mais gostosas do que em Durmnstrang – disse e eu revirei os olhos.
Albus bufou.
– Galinha como sempre – disse e me abraçou. – E você, como está?
– Indo – comentei e olhei para o relógio em meu pulso. – Yeah, preciso ir, se não mamãe enlouquece porque não cheguei à tempo para o almoço.
Lily riu.
– Hermione continua neurótica? – perguntou amigavelmente.
– Você não faz ideia – murmurei.
– Hey, se quiser nós te levamos – James puxou do bolso uma chave e piscou para mim. Revirei os olhos de novo.
– Como ele conseguiu passar no teste? – sussurrei para Albus.
– O treinador ficou com medo que ele voltasse para tentar de novo, e concedeu a carteira – ele sussurrou de volta.
– James no volante deveria ser considerado um crime – sorri.
Albus concordou com a cabeça enquanto caminhávamos pelos corredores em direção à saída.
Rose não percebeu, porém as pessoas começavam a comentar sobre ‘os filhos do Potter estarem em Hogwarts’. Talvez ela não se desse conta de que sua vida estava prestes a mudar drasticamente.
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N/A: Oiii gente! Como estão? Então, primeiro capítulo ai e espero que tenham gostado *--*
Queria agradecer aos reviews à Lana Sodré e Vanity Black pelos comentários na prévia, eu os ameeei :)
Por favor, nada de leitores fantasmas certo? Sejam bonzinhos e mandem o que estão achando da fic e eu prometo que posto rapidinho \o/
Beiiijoos :*