Elisabeth, acorde ! Você vai se atrasar - gritou Mary Sowier, do pê da escada
Já vou , mãe – gritou Elisabeth de volta
Saindo debaixo das cobertas , a caçula dos Sowier lançou um olhar avaliativo em seu quarto , que estava, embora sendo de manha cedo , imaculadamente arrumado.
As paredes eram num tom de lilás claro, havia uma televisão no canto em uma mesa e um armário repleto de roupas e livros, fora a ausência do berço ,o quarto era o mesmo desde que ela chegara aquela casa, e sim , ela sabia que não era filha biológica dos Sowier, mas ela não se importava , esse era um dos seus menores problemas.
Elisabeth foi ate o armário, tirou seu uniforme; camisa pólo com o emblema da escola , saia preta ate o joelho e sapatilhas da mesma cor, e dirigiu-se ao banheiro
- Bom dia , mãe – disse ela, quando desceu as escadas
- Bom dia minha filha, não vai tomar café
- Não da tempo
Dito isso, Elisabeth foi ate o hall de entrada , abriu a porta e se deparou com um belo dia de sol, perfeito para tudo, menos para ir a escola. Mas como Elisabeth era uma Sowier, ela tinha que ser perfeita em tudo, seus pais não esperavam menos disso, principalmente por conta dos vizinhos fofoqueiros .Ainda perdida em seus pensamentos, ela não percebeu outra pessoa na rua ate que esbarrou nela.
- Desculpa , eu não vi você – falou um garoto de intensos olhos verdes e cabelos negros e desgrenhados
- Não foi nada – disse Elisabeth – Qual seu nome? – completou ela, após perceber que aquele devia ser o único vizinho com quem ela nunca tinha falado.
- Harry, e o seu? – perguntou o garoto
- Elisabeth Sowier – falou ela enquanto ajeitava sua mochila nas costas – Bom , eu tenho que ir. Ate mais, Harry – disse ela , voltando a sua caminhada. Porem, ainda conseguiu ouvir um outro garoto dizer.
- Exigida!
Elisabeth fingiu não ouvir. Ela estava acostumada com isso. Desde que chegara ao batente da casa dos seus pais, os vizinhos a olhavam torto. Este era um dos muitos motivos pelo qual ela sempre lutava para ser a melhor.
Ela seguiu seu por uma longa estrada ate que entrou em um pequeno café.Pequeno, porem charmoso.
- Elly! – exclamou uma garota loira – Senta ai!
- Bom - dia, Amélia – disse Elisabeth , ao constatar o uso do apelido que a amiga lhe deu quando se conheceram
- Ai, amiga , por favor ! Eu já te disse, Amélia não, Amy, entendeu? A-M-Y – disse Amy, fazendo careta – Mas, eu perdoou, afinal, e seu aniversario!
- Pois e ,ne? Grande dia, onze anos – disse Elly, desanimadamente.
- Poxa , você e a única pessoa que eu conheço que fica assim , tão desanimada, no próprio aniversario – disse Amy, abocanhando um pãozinho – Mas, diz ai. Qual e o motivo dessa tristeza?
- E que o Lucas não me ligou
- Ah! Elisabeth Sowier, tenha do ! O seu irmão esta na faculdade, ele deve estar ocupado.Medicina não e fácil, mas como você e ele dizem “ Se e fácil, não e para os Sowier”.
- Você deve ter razão... – começou Elisabeth
- Me diga quando eu não tenho! - se gabou Amy – Se anima, hoje tem aula de equitação!
- Mas hoje e quarta-feira – lembrou Elly – E a nossa professora de Matemática vai passar uma penca de dever
- Você só enxerga o lado negativo de tudo,ne Sowier?
- Eu sou realista, Chase . – disse Elisabeth, usando o sobrenome da amiga assim como essa havia feito – Agora vamos, ou a gente vai se atrasar
- Santo mau- humor – disse Amy ,levantando as mãos para o seu – Já to acabando, Senhorita Perfeicao
- Há ,há, há... Que engraçado! – disse Elisabeth, forçando uma risada dramática – Agora vamos, temos de nos apressar
As duas saíram do café e seguiram ate o metro mais próximo, situado na rua vizinha.
- Elly? – perguntou Amy.
- Que foi? – respondeu Elisabeth.
- Por que tem uma cobra saindo da sua bolsa? – disse Amy ,choramingando.
Elisabeth levantou de um salto da cadeira de plástico.Era verdade, havia uma belíssima cobra coral saindo da sua bolsa, após o susto ela a reconheceu, era Escarlate,a cobra que ela mantinha sem a permissão dos seus pais em seu quarto desde seus sete anos.
- Ah! – disse Elisabeth – Amy, essa e Escarlate. Escarlate, essa e Amélia Chase , não morda ela ok!
- Que diabos de língua e essa? – indagou Amy
- A mesma que eu falo com você? – disse Elisabeth, com aquela cara de “Você bebeu?”
- Aham, vou fingir que acredito
Nesse momento o trem parou, e as duas saíram.
Elas caminharão ate uma rua de grandes e imponentes casarões de pedra.
- Bem, chegamos – disse Amy, meio tranqüila demais
- E , finalmente ultimo dia de aula,mais tempo para nos dedicar a cavalos e competições - disse Elly
Duas horas de aula depois
Valeu por ter incendiado o cabelo da professora, Elly – agradeceu Amy
Para de falar disso – pediu Elisabeth, o fato de ter feito o cabelo da professora de matemática pegar fogo ainda a assustava
- Bom – disse Amy – Finalmente acabou
Dito isso, as duas seguiram cada uma o seu caminho, Elisabeth resolveu ir de táxi
Ela passou por quase todo o seu bairro ate chegar
Ela desceu do táxi e pagou o homem. Ao entrar em casa deu de cara com a cena; um homem de cabelos e barbas alvíssimas, olhos bem azuis estava sentado no sofá, conversando com Mary e James. Ele se virou em direção a recém-chegada e disse
Finalmente, minha querida! Estávamos te esperando
Me esperando pra que e quem e o senhor?
Isso não importa agora, apenas leia isto – o homem estendeu para ela uma carta de papel pardo endereçada a ela – E tudo estará esclarecido
Ao ler a carta inteira, Elisabeth levou um susto e não conseguia proferir palavra alguma, mas parecia que o misterioso senhor sabia o que se passava em sua mente