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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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11. Namoros e ano novo


Fic: Não olhe para trás com raiva SUPER ATUALIZADA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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no cap anterior



“Não tem porque Hermione, por favor, fique. Nós já vamos para casa, quer dizer, vou deixar Astoria no flat e eu e Scorp iremos para casa. Os meninos devem estar querendo se divertir um pouco mais com os pais. Scorp está cansado e comemos em casa mesmo, minha mãe adora nos engordar!” – Draco estava sendo gentil de novo e dessa vez com Hermione, o que só aumentava a fúria de Astoria e a desconfiança de Ron.

“Bom, então acho melhor irmos entrando não é meninos, está muito frio aqui fora. Mande lembranças à seus pais Draco, Scorpius, foi muito bom te rever. Astoria, não sou mal educada, por isso, tenha uma boa tarde. Por mais que não mereça.” – Hermione deu uma última olhada para Draco que entendeu como um “a gente se entende mais tarde”.

“Até mais Scorp, sr. Malfoy. Mãe do Scorp.” – Rose acenou para o amigo e para Draco, que corresponderam, enquanto Astoria fingiu não ter ouvido a garota.

Os quatro adentraram o restaurante e Draco saiu abraçado ao filho e Astoria vinha logo atrás amaldiçoando a recepcionista, Hermione, a neve, a lama, a rua, a vida.



************************************************************************************



A familia Weasley se sentou em uma mesa próxima a janela. Hermione, por impulso, se sentou bem ao lado da vidraça, e ficou fitando a rua. Lá fora ainda podia se ver a cabeleira loira de Draco e Scorp se afastando. Logo atrás, a morena Astória, com sua pose de mulher importante. A castanha suspirou, não conseguia entender por que de Draco estar ali, com aquele mulher. O que estava acontecendo afinal?

- Hermione! – Rony sacudia as mãos na frente da ex esposa, tentado chamar sua atenção, que continuava lá fora, mesmo que a família Malfoy já não pudesse ser mais vista.

- Oh, sim, Rony, diga! – Ela disse desanimada, Rony a olhou confuso.

- Bem, querem saber o que você vai querer. – Apontou para um garçom sorridente que estava a ponta da mesa.

- Claro. Pode ser a carne assada caramelada, uma salada simples e ah, uma taça de vinho por favor. – O garçom anotou tudo rapidamente e ainda sorrindo se retirou.

- Vai beber assim? Num simples almoço? – Rony ainda não conseguia entender a mudança de humor da ex esposa. Rose tentava não olhar para mãe e acabar a denunciando com algum gesto. Já Hugo estava alheio a tudo, apenas admirando o interior do restaurante.

- É apenas uma taça Rony, e estou com frio, vinho ajuda a esquentar. – Respondeu a castanha, brincando com o guardanapo de pano que estava em cima da mesa.

- Você fiou muito estranha Hermione. Qual o problema? O que está acontecendo? – Hermione por fim encarou o ruivo a sua frente tentando formular uma resposta rápida e boa. Rose, que estava ao seu lado, começou a tossir furiosamente, chamando toda a atenção da mesa para ela.


- O que foi querida? Se engasgou? – Hermione perguntou preocupada pelo acesso da filha. Rony também preocupado, começou abanar a filha com seu guardanapo, do outro lado da mesa. Hugo apenas ria de tudo. Com alguma dificuldade, Rose conseguiu dizer.

- Ar, er.. hum.. engasguei com a saliva mamãe. Ah, vou beber um pouco dessa água e já fico bem. Mas quero lavar meu rosto antes, está queimando. Você vem comigo ao banheiro? – Ela praticamente suplicava a mãe com os olhos.

- Mas claro que sim, meu amor. – As duas então se levantaram e foram em direção ao banheiro.

- Pare de rir de sua irmã Hugo! – Rony tentava ficar sério, mas estava falhando miseravelmente.

- Ah papai, fala que não foi engraçado ver a Rose ficar tão vermelha quanto os cabelos de Merlin nos salve, dela?!

- Não fala assim da dela, coitada. – Mas Rony ria da piada de seu filho.

- Está melhor querida? – Hermione perguntou assim que chegaram ao banheiro e Rose parou em frente ao espelho.

- Estou ótima mamãe. – Rose a encarou e Hermione começou entender o que estava acontecendo.

- Você não se engasgou não é? – Colocou as mãos nos bolsos de seu casaco cinza. Rose por sua vez cruzou os braços a altura do peito.

- Não. Me desculpe por mentir assim, sei que é errado, mas mamãe, você nem disfarça. – Rose revirou os olhos. – Até o papai que é lerdo percebeu seu humor alterado.

- Rose, do que você está falando? – Hermione realmente não queria falar sobre aquele assunto com sua filha de onze anos.

- Você esta com ciúmes do senhor Malfoy.

- Que isso minha filha! – Hermione começou, de repente, a se interessar muito pela decoração do banheiro.

- Ora mamãe, vai negar? Olha, tente se acalmar se não papai vai perceber mais ainda, e eu não posso ficar me engasgando toda hora. – Hermione riu e voltou a olhar para filha.

- Obrigada Rose. Que situação, que situação. Bem, mas vamos voltar então, acho que seu pai já se esqueceu o que me perguntou.


- Aposto que sim.- As duas então voltaram para a mesa, encontrando dois ruivos muito sorridentes.

- Qual foi a piada?

- Você não vai querer saber maninha! – Hugo ria mais ainda e Rony tentava se conter. Hermione o encarou autoritária, entendendo que eles estavam zombando de Rose.

- Já chega vocês dois.

- Está melhor Rosinha?

- Estou papai, mas tire esse Rosinha do seu vocabulário, por favor. – A menina respondeu com tédio.

- Por que você tem que ser tão parecida com sua mãe desse jeito?

- Talvez porque o Hugo se pareça com você?! – Rony sorriu orgulhoso.

- Isso é bom. – Bagunçou os cabelos ruivos do filho. Logo a comida chegou e a mesa ficou um pouco em silencio. Hermione voltou a ficar área, pensando em Draco, em Astória, e toda a loucura que a sua vida tinha se transformado nos últimos meses. Só voltou para o presente, quando sentiu um cutucão de Rose em sua costela, percebendo que Rony estava falando com ela.

- Desculpe Ron, o que você disse mesmo?

- Estava falando do Malfoy, Hermione. Estava dizendo que talvez você não precise mais trabalhar para aquele fuinha loiro.

- Como assim?


- Ora, de passeio com a ex esposa, sendo todo cordial, talvez eles estejam voltando, sei lá. Esse povo rico é bem instável, você sabe. – Rony dizia como se fosse perito nesse tipo de assunto. Hermione franziu o cenho.

- Não sei se isso é possível.

- Ah, tudo nessa vida é possível Mione. E isso na verdade seria ótimo.

- Eles voltarem?

- Sim.

- Por que Rony?

- Porque assim você não precisaria se misturar tanto com essa família. Não gosto deles, nunca vou gostar.

- Eu também não gosto. – Hugo disse rápido.

- Isso porque você um sem opinião Hugo. Você não conhece ninguém da família Malfoy e não gosta deles. Você não tem motivo, só vai na onda do papai.

- Ta dizendo isso só porque ta toda derretida por aquele loiro aguado miniatura. – Rose estatelou os olhos e voltou a corar.

- O QUE?!

- Ronald! Se contenha! – Hermione disse diante do quase grito do marido.

- Mas, que historia é essa?

- Não tem história alguma. Hugo que gosta de pegar no pé da irmã, até parece que você não conhece os filhos que tem. E Hugo, não fale de coisas que não sabe, você pode causar problemas. – Hermione olhou dura para o filho, que fez cara de inocente para a mãe.

- Mas mãe, eu sei. O Albus mesmo tava comentando la na casa da avó que esses dois são muito amigos. Não se largam na escola, e que a Rose fica toda diferente perto desse menino. Foi o Albus que me contou! – Hugo deu de ombro. Rony fechava a cara para a filha e já ia dizer algo quando foi interrompido por Hermione.


- Por Merlim vocês dois! Parem! Albus disse a verdade, afinal Rose e Scorp são amigos e é natural que andem juntos. Quanto a Rose ficar diferente, é obvio, vocês não querem que ela trate um “estranho” como trata o primo que cresceu com ela. E Rony, nem pense em dizer algo sobre a amizade deles. Você não gostar dos Malfoy é algo totalmente compreensível, mas não vou permitir preconceito no seio da minha família. Nossos filhos tem o direito e o dever de escrever historias diferentes da nossa. Que isso sirva para você Hugo, pois você não tem motivo algum para não gostar do Dra, er, Malfoy e nem do filho dele. E já chega disso. Estou de fato cansada, com frio. Eu quero ir pra casa. – Ninguém ousava contradizer Hermione quando ela usava aquele tom de voz, baixo, rápido e autoritário.

Em menos de 10 minutos eles já estavam saindo do Beco Diagonal. Hermione com os filhos, aparatou ate a esquina de seu apartamento, enquanto Rony voltou para a Toca. Emburrada com o irmão, Rose não lhe deu nem resposta quando ele a convidou para jogar vídeo game. Foi para seu quarto tirar uma soneca. Hermione, depois de um banho extremamente quente, achou que era hora de começar a entender as coisas. Pena e pergaminho na mão, escreveu um primeiro bilhete.

Gina, sei que você está atarefada com os meninos todos em casa, mas preciso de uma ajuda sua.

Tenho que resolver umas questões urgentes, e por Merlim, não pense besteiras. Não sei mais com quem contar para ficar com Rose e Hugo. Posso abusar da sua sempre boa vontade?

Abraços e beijos de sua amiga mais fraterna,

Hermione Granger.


Com a coruja que usava para se comunicar com Draco, ela enviou esse bilhete a sua amiga ruiva e esperou, sabia que a resposta não demoraria a chegar. E não demorou mesmo, cerca de 20 minutos depois, o tempo da coruja fazer seu vôo, o bilhete de Gina chegou.


Harry vai pegar os meninos via flú daqui uns, 10 minutos ok? Ele nem pergunta mais o que você vai fazer, ai coitado do meu maridinho...

Não estou pensando besteiras, não dessa vez. Rony passou aqui e disse que viu Malfoy com a mulherzinha e o filho. Fica calma amiga, afinal se você pode sair com seu ex por que ele não pode? Ok, eu sei que são situações diferentes, mas tudo tem uma explicação.

Depois me conte tudo, mas é tudo mesmo, inclusive a reconciliação, que é sempre a melhor parte.

Beijos mil.

Gina Potter. (Adoro esse meu nome, ai ai)


Hermione não pode evitar o riso ao acabar de ler as palavras da amiga sempre tão espirituosa. Chamou os filhos e os avisou que teria que resolver uns assuntos no Ministério e que, sendo assim, eles ficariam um tempo na casa do tio Harry. Hugo amou a idéia de ter com quem jogar seus games, já Rose demonstrou desanimo, mas não reclamou. Sabia bem que tipo de assuntos a mãe ia resolver, ou ao menos, fazia uma idéia.

Assim que Harry, com cara de poucos amigos, partiu com os filhos, Hermione voltou para seu quarto e escreveu mais um bilhete.

Daqui a uma hora te espero no lugar de sempre.

Não precisa responder, pois nem aceito outra resposta, que não seja sim.

Não se atrase, sabe que odeio esperar.

Hermione Granger.


A coruja parda partiu mais uma vez, mas desta vez ela seguia para uma mansão e para um loiro que já estava preocupado com que tinha se passado naquela tarde.


Draco chegou meia hora antes do combinado. Na verdade, assim que recebeu a coruja de Hermione se dirigiu para o flat que usavam para seus encontros no centro de Londres. Optou por deixar o ambiente iluminado apenas pela luz da lareira, que aquecia a sala conjugada com a cozinha. Sentado no sofá, bebendo um pouco de whisky de fogo, ouviu a chave rodar na fechadura, respirou fundo, sabia que a conversa não seria muito agradável, ao menos de inicio.

Hermione sentiu o perfume de Draco antes mesmo de abrir a porta. Seu coração disparou, quanto tempo eles não ficavam juntos? Quase um mês. Mas controlou sua ansiedade por ele, por seus carinhos e atenção, agora era hora de colocar alguns pingos nos is. Rodou a chave decida na fechadura, e entrou de uma vez, batendo a porta atrás de si.


“Por que essa penumbra?” – Perguntou parada de pé em frente a porta, não era aquele clima que ela queria naquele momento, aquilo dificultava seu auto controle, sempre tão pouco perto dele. Draco se levantou.

“Apenas acendi a lareira. Não vi necessidade de acender as luzes, mas pode fazer se quiser. Bebe alguma coisa?” – Ele se controlou o máximo que pode. A vontade era de correr para os braços dela, mas sabia que se assim fizesse seria rejeitado.

“Tanto faz. Quanto a bebida, eu aceito vinho, mas pode deixar que eu pego, afinal isso tudo aqui é um pouco meu.” – Hermione se dirigiu a bancada da cozinha.

“Mas é claro, se sirva do que lhe agradar.” – Draco sentou novamente, percebeu que ela estava mais nervosa do que ele imaginara, péssimo sinal. Hermione se serviu calada. Depois se encaminhou para o sofá a frente de Draco, cruzou as pernas e o encarou.

“Então, como foi o passeio em família?” – Tomou um bom gole de vinho.

“Tedioso como todos os outros. Mas não foi bem em família, Astória não faz mais parte da minha família.” – Respondeu calmo, bebendo de seu whisky.

“Ela jamais deixará de ser parte da sua família, ela é a mãe de seu filho.”

“O que a liga a Scorp, não a mim.”

“Então o que você estava fazendo com ela hoje? Uma social?” – Hermione riu sem humor, bebendo o resto de seu vinho de uma vez.

“Scorp me pediu muito para ir junto, não queria ficar com a mãe sozinho. Não tinha como negar isso a ele.” – Draco se levantou e foi até o bar se servir de mais whisky.

“Sei, e para isso precisava ser todo cordial com ela, segurar embrulhos e ...”


“Chega disso Hermione!” – Draco a interrompeu, mas ainda falava calmo. – “Eu só estava sendo educado com ela, pois foi assim que aprendi a tratar as mulheres. E como você mesma disse, ela é a mãe do meu filho, por mais que hoje eu quisesse que fosse diferente. Não posso mudar esse fato para te satisfazer. Se é para cobrar passeios em família, o que me diz do seu? Afinal você estava com o cenoura ambulante a tira colo hoje!” – Hermione se levantou de uma vez, Draco percebeu que tocara no ponto fraco dela.

“Não ouse ofender o Ronald! Ao contrário da sua querida Astoria, Rony é um pai perfeito e foi um bom marido, e ainda por cima não quer me tomar nenhum dos meus filhos, pois confia em mim, sabe que vou dar conta do recado!” – Ela quase gritou e Draco perdeu a paciência.

“O que você quer dizer com isso? Que Astoria quer me tirar Scorp por acreditar que eu não seja capaz de cuidar dele? É isso que você acha? Qual o seu problema Hermione? Eu não estava com a minha mulherzinha planejando a ceia em família do ano novo. Eu não estava almoçando com ela no restaurante mais caro do Beco como se fossemos o casal perfeito com a família perfeita. Eu simplesmente estava apoiando meu filho, e se isso significar aturar aquela maluca, eu vou fazer, você goste ou não!” – Draco falava alto também, atrás do bar. Hermione continuava em pé, próxima ao sofá, cada vez mais furiosa.

“Espera ai. Ta insinuando que é isso que eu e o Rony somos? O casal perfeito?”

“Talvez sejam não é? Ou talvez vocês se esforcem pra que seja!”


“Vai ver é isso, então eu devo voltar pra ele e pra minha família perfeita?”

“Você gosta de perfeição.” – Draco bradou em tom de acusação, Hermione deu alguns passos em direção a ele, mas ainda se manteve distante.

“Não seja hipócrita. Essa conversa era sobre você e Astoria!”

“Por isso que essa conversa é sem sentido Hermione, não existe eu e Astoria e você sabe disso, ta cansada de saber. O que se passa nessa sua cabeça afinal?”

“Se eu e Rony somos o casal perfeito, você e Astoria não estão longe. Dois esnobes, preconceituosos, ricos, sangue puros, sonserinos.” – Hermione enumerava os fatos com os dedos.

“Preconceituosos? Se fosse assim eu não estava com você minha cara sangue ruim.”

“O que?” – Hermione perdeu o fio do pensamento, ele a chamara de que? Draco viu que tinha falado algo que não devia, e abaixou o tom de voz, saindo de trás do bar e indo ao encontro de Hermione, que se afastou dele.

“Me perdoe, eu não quis dizer isso, eu...”

“Foi o que você disse.” – Ela respondeu seca. “Eu pensei que isso tivesse acabado.” – Ela o olhava com magoa, o que fez o coração de Draco doer mais ainda.

“Acabou Hermione, foi o calor da discussão. Hábito.”
“Hábito?”

“Sempre que brigávamos, era automático te chamar assim. Saiu sem que eu percebesse. Você falando de coisas absurdas, eu fiquei na defensiva, não consegui evitar.”

“Não conseguiu evitar? Sabe por que você não conseguiu evitar? Porque é isso que você de fato acredita. É o que está dentro do seu ser, e literalmente tatuado na sua pele.” – Hermione já tinha lágrimas nos olhos, mas estava se esforçando para não chorar. Ele se aproximou mais uma vez.

“Por favor Hermione, não. Eu sei que você sabe que não é isso. Eu sou um estúpido, idiota, mas não sou preconceituoso, eu sei que você sabe disso.” – Tentou tocar os cabelos dela, mas ela o afastou.

“Vai se sujar, melhor não me tocar.”


“Me perdoe, por favor. Por favor!” – Hermione estava ofendida, mas sabia que ele não falara aquilo por maldade, mas não cederia assim.

“Talvez fosse melhor conversamos outro dia. Estamos ambos alterados.” – Ela ia se virar pra sair, mas ela a pegou pelo braço.

“Não Hermione, por favor. Não vamos deixar pra depois.” – Ela o encarou, mas não se afastou.

“O que foi que aconteceu com a gente? Você só era o fuinha, filhote de comensal do Malfoy e eu a sangue ruim Granger. O que foi que aconteceu?” – Ela começou a chorar, ele a enlaçou, colocando a cabeça dela em seu peito.

“Eu também não sei. Mas não me importo na verdade. Seja lá o que for que aconteceu, estou imensamente feliz. Talvez você não tenha percebido, mas eu te amo de verdade Hermione, como jamais pensei que pudesse amar. Aprendi a amar a mim mesmo e só. Me doar, me envolver, eram coisas inaceitáveis pra mim. Mas com você tudo aconteceu tão rápido, tão natural, que quando percebi, já estava em suas mãos.” – Ele suspirou e apertou mais. Fazia tanto tempo que queria dizer isso a ela.

“Você não está nas minhas mãos, Draco.” – Foi a primeira vez que ela dissera seu nome, desde que chegara. Ela levantou o rosto e olhou fundo nos olhos dele. “Você está no meu coração. Na minha pele, no meu ar. Aconteceu, eu também te amo.”

Ainda com algumas lágrimas escorrendo por seu rosto, Hermione o puxou para um beijo profundo e apaixonado. Ambos queriam expressar naquele contato toda a intensidade e carinho que sentiam um pelo outro. Naquele momento, mais forte do que nunca, descobriram já não ser possível um viver sem o outro.


Depois do beijo o casal resolveu se sentar no sofá e conversar mais calmamente. Não tinham muito tempo para namorar, Hermione prometera a Harry que não demoraria a buscar os filhos.

“Como foi seu resto de natal Draco?” – Hermione estava deitada, com as costas no peito de Draco.

“Ah, normal, tirando o fato da Astoria aparecer. Na verdade nem tão normal assim, tive uma conversa reveladora com a minha tia.” – Draco acariciava os cabelos dela.

“Sobre o que?”

“Sobre nós.” – Hermione se desencostou dele e o encarou.

“Como assim, sobre nós?” - Ela tinha o cenho franzido.

“Bem, minha tia é muito observadora e logo soube que havia algo a mais entre nós. E ela entendeu rápido também que a nossa situação é bem complicada. Então ela teve uma idéia para nos ajudar.” - Hermione olhava desconfiada para o loiro na sua frente, mas o incentivou a continuar.

“A idéia seria?”

“Arrumamos namorados.”

“Que?”


“Simples Mione. Você arrumaria um namorado de fachada e eu também. Assim, qualquer especulação sobre nos dois seria desviada e esquecida. Não teria lógica nós dois termos um caso se eu e você estivéssemos comprometidos.” – Draco percebeu a mudança de humor na fisionomia de Hermione. Como ele previra, ela não estava gostando daquele plano.

“Mas isso é um desproposito Draco. Eu jamais vou aceitar ver você com outra. E para que esse plano desse certo teríamos que contar para mais pessoas sobre nós, o que torna tudo mais arriscado.” -Draco sorriu feliz ao ouvi-la falar com tanto ciúmes dele.

“Calma. As coisas não precisam ser assim. Hermione, eu arrumaria uma garota tola o suficiente que ficaria satisfeita com o status de minha namorada sem querer mais nada de mim.” – Hermione se levantou e colocou as mãos na cintura.

“Como você pode pensar que alguém vai ser a sua namorada pelo simples fato de ser? Namorados fazem coisas senhor Malfoy, que vão do simples ato de dar as mãos.” – Draco se levantou também e a puxou pela cintura.

“Não seja tão maliciosa Hermione.” – Ela corou sem graça. – “Não necessariamente. E eu já ate tenho uma idéia de quem possa ser essa criatura tola que aceite se passar de namorada comigo.”

“Você está adorando isso não é? Mas antes de se empolgar lembre-se que eu não aceitei essa coisa toda. Muito complexo.”

“Você há de concordar que é uma boa idéia Hermione. A Astoria ficaria confusa e qualquer outra pessoa que pudesse desconfiar de nós desistira da idéia.”

“Você realmente acredita nisso?” – Hermione passou os braços pelo pescoço de Draco.

“Bem, eu acho que pode dar certo sim.” – Draco começou a beijar o pescoço de Hermione delicadamente. Ela fechou os olhos automaticamente.

“Hum... eu, bem, vou pensar.” - Nada mais foi dito, pois Draco ocupou a boca dela com a sua. Com certa rapidez e urgência dos dois, logo foram para o quarto e fizeram amor como estavam desejando fazia semanas.


Hermione não demorou muito mais, tinha que buscar os filhos na casa de Harry e sabia que ainda teria que encarar o amigo mal humorado e a amiga curiosa para saber o que aconteceu nas ultimas três horas de sua vida.

“Que bom que chegou Hermione” – Harry estava sentando na sua sala, como Profeta na mão.

“Aconteceu alguma coisa Harry?” – Hermione começou a se preocupar.

“Rony, ele esteve aqui e bem, ele não tem 10 anos como o Hugo para acreditar que você estava trabalhando em coisas do Ministério em pleno feriado de fim de ano.” – Hermione engoliu em seco e sentou ao lado do amigo.

“O que vocês disseram?” – Harry por fim largou seu jornal e olhou a amiga. Com esforço visível se acalmou.

“De certa forma a verdade. Bom, eu disse que você teve que encontrar com Malfoy com urgência por causa do processo contra a ex esposa dele. Que parecia que ela estava armando e você teve que ir ajudá-lo a solucionar a questão.” – Hermione soltou um suspiro.

“Ele deve estar nervoso não é?”

“Tanto que levou os meninos com ele.”

“Como é que é?” – Hermione quase gritou.

“Uma maneira de você não fugir dele Hermione. Você vai ter que ir a Toca buscar a Rose e o Hugo, aí ele vai te impressa.” -Gina disse entrando na sala com um rosto cansado.

“Oi Gina! Nossa, o Rony esta ficando impossível!” – Gina sentou no braço do sofá próxima ao marido.

“Temos que dar um jeito nessa situação Mione. O Rony esta muito desconfiado mesmo. Ele falou do seu comportamento pra lá de suspeito na hora do almoço quando viu o Malfoy.” – Gina disse afagando os cabelos de Harry.


“É, eu sei. Não consegui disfarçar mesmo, sou péssima com essas coisas, vocês sabem. Eu não sei o que fazer na verdade, mas não acho que seja a hora de contar essa história ao Rony, sinceramente.” – Hermione se reencostou melhor ao sofá e encarou o casal de amigos com um ar derrotado.

“Também achamos que não, por isso eu e Gina andamos conversando, como te disse que ia fazer.” – Harry sorriu para a esposa e a puxou para sentar em seu colo. Ela em retribuição lhe deu um selinho rápido. Hermione sorriu com a demonstração de carinho.

“É Mione, conversamos e chegamos a uma conclusão.” – A ruiva deu um sorriso sapeca que a fez parecer ter de volta seus 16 anos.

“E eu posso saber que idéia foi essa que os senhores Potter tiveram?”

“Vocês dois precisam de namorados.” – Foi Harry quem respondeu.

“Ah, eu não acredito!” – Hermione baixou a cabeça e a esfregou uma das mãos rapidamente na testa.

“Que foi?” – Gina perguntou desta vez seria.

“É que o Draco acabou de me propor uma coisa do tipo.”

“O fuinha não é tão burro quanto parece!”

“Harry, não fala assim do Malfoy.” – Gina deu um tapinha no ombro de Harry.

“Por que você está o defendendo?”

“Porque a Mione gosta muuiitto dele, e esse ela gosta é porque ele tem algumas coisas boas, com certeza.” – Gina piscou para amiga que apenas sorriu e balançou a cabeça levemente. Harry fechou a cara.

“Na verdade quem teve essa idéia não foi ele Harry.”

“Ah, claro!” – Harry quase sorriu.

“Quem foi então?”

“Foi a senhora Tonks. Me parece que eles andaram conversando e ela deu essa idéia para ele, que me pareceu bem empolgado com tudo isso.”

“Eu não acredito Hermione! Você ta com ciúmes daquela coisa loira??”

“Ai da um tempo Harry! Você não tem ciúmes de mim?”

“Gina, é completamente diferente!”


“Por quê?”

“Porque eu sou seu marido.”

“Harry eles se amam como nós nos amamos, é natural ter ciúmes.” – Hermione deu uma leve tossida.

“Eu ainda estou aqui caso vocês tenham esquecido.” – Os dois riram sem graça.

“Mione, voltando ao assunto então. Eu acho que não há nada demais de vocês arrumarem namorados falsos.”

“Gina onde eu vou arrumar um cara que queira namorar comigo sem namorar de verdade? Além disso ele terá que encarar meu filho que é a cópia do pai, esse que, vai querer quebrar a cara do infeliz!” – Gina ficou pensativa.

“Essa parte do Rony é verdade, mas damos um jeito nele. Quanto a arrumar alguém, tenho certeza que arrumaremos. Não é Harry?” – Gina disse o final com uma voz autoritária que Hermione sabia bem que se Harry estava pensando em dizer não ele mudaria de idéia na hora.

“Claro querida, vamos dar um jeito.” – Hermione se deixou vagar em pensamentos por uns instantes. Refletia se valia a pena correr tantos riscos, mentir daquela maneira, envolver seus amigos naquela historia. Respirando fundo foi capaz de sentir o perfume de Draco ainda impregnado em sua pele e perceber o corpo relaxado e satisfeito por causa dele. Naqueles segundos sentiu todas as emoções que era capaz de ter só pelo fato de lembrar dele. Então ela teve certeza. Sim, qualquer coisa valeria a pena para poder ter ele por perto.



O último dia daquele ano de 2016 começou como qualquer outro dia de inverno em Londres, nublado com o sol dando as caras de vez em quando, e frio com as ruas cobertas pela neve fresquinha que caíra no raiar do dia. Seria sim como qualquer outro, mas o último dia de um ano tem o estranho poder de fazer as pessoas repensarem todos os 364 dias passados, relembrando as coisas boas, esquecendo de novo as desagradáveis, e com Draco não foi diferente.

Enquanto criava coragem para sair da cama e enfrentar o frio de – 5° que fazia em Wiltshire naquela manhã, ele pensava no rumo totalmente inesperado que sua vida tinha tomado. Antes vivendo em um país que não era o seu, sempre trabalhando, casado com uma mulher que não amava. Agora estava de volta à Inglaterra, trabalhando no Ministério e se via perdidamente apaixonado pela pessoa mais improvável de todas. Riu de si mesmo com gosto, muito também por estar correndo na ponta dos pés agora gelados pelo chão frio, até o banheiro o mais rápido que podia, como costumava fazer todos os dias nas masmorras em Hogwarts, quando adolescente.

Hermione acordou com Rose e Hugo sentados de pernas cruzadas, ao pé de sua cama. Não entendeu muito bem por que os dois estavam ali, tão quietinhos como nunca eram. Levantou a cabeça do travesseiro e encarou-os.

“Ta bom, quem morreu?” – perguntou já preparando um sorriso.

“Bom, a senhora vai se não tiver pronta em..” – Rose para e olha para o relógio de pulso da Hello Kitty que ganhara da avó Granger, de natal. – “..dez minutos.”

“Hã? Rosie, o que vocês dois estão falando? Ta cedo ainda, e ta muito frio gente, venham cá, deitem aqui com a mamãe, vamos dormir mais um pouquinho...”



“Ta. Então vai lá mandar uma coruja pro pai Rose, diz que não vamos ao jogo.” – Hugo falou com certa ironia na voz.

“O JOGO! MERDA! Ahhh vocês não me ouviram falar isso! Não se atrevam a repetir estão me ouvindo!” – Hermione levantou de supetão, jogando as cobertas para o alto. – “Rápido gente, o que vocês estão fazendo de pijamas ainda? Vão se trocar! Rose, liga a cafeteira elétrica, Hugo, banho! Você ta fedendo garoto, o que você fez a noite passada? Limpou um estábulo? Meu Deus! Anda gente! O Ron vai me matar...” – e cada um seguiu seu rumo.

Na última vez que se encontrara com Draco, Ron havia levado as crianças para a Toca, fazendo com que Hermione fosse até lá e ele pudesse então cobrar-lhe algumas explicações. Foi duro, ele pressionou-a de todos os lados e por um momento de loucura, ou lucidez, ela não se decidiu ainda, quase contou para o ruivo sobre seu romance com o Malfoy. Ele alegou que ela estava muito displicente com Hugo, disse que ela constantemente “largava o pobre” na casa de Gina e que o motivo era sempre o mesmo: trabalho. Ela então prometeu a ele que tentaria conciliar o trabalho com o resto da sua vida e garantiu que os três estariam na Toca no dia 31 para a já tradicional “Copa Weasley de Quadribol do Último Dia do Ano”.

****
Draco subiu ao seu quarto depois de tomar seu café da manhã e pôs-se a escrever um bilhete para Hermione, “convocando-a” para um encontro no 365° dia do ano. Enrolou o pedaço de papel na garra de sua coruja e soltou-a janela afora. Agora era só esperar pela resposta e iniciar os preparativos para a noite romântica que teriam com uma boa comida, velas, música, champangne para brindar, lareira e a companhia um do outro. Sabia que ela não poderia recusar, daria um jeito de escapar, agora mais ainda com a ajuda da ruiva mulher do Potter. Surpreendera-se quando Hermione contou que o “Testa Rachada” e a ruiva sabiam dos dois e estavam de acordo em não se meter, isso facilitava muito as coisas, afinal, pior que o ex marido da castanha, só mesmo Harry.



Passaram-se duas horas e só quando Draco terminou de organizar os preparativos para a noite, foi que ele percebeu que tinha se distraído e não viu se tinha recebido uma resposta de Hermione. Subiu até seu quarto e encontrou um pequeno pedaço de papel enrolado, em cima de sua escrivanhinha. Pegou-o e reconheceu de imediato a letra dela.

Draco.

Desculpe, mas não poderemos nos ver hoje. Prometi aos meninos que comemoraríamos juntos, como fazemos todos os anos. Não posso deixar que eles se sintam mal porque eu e Ron não estamos mais juntos, por isso vamos passar o ano novo na Toca. Meus pais estarão lá, todos os Weasleys...eu devo isso a eles Draco. Devo isso à Rose e Hugo, afinal esse ano não foi nada fácil pra nenhum de nós, muito menos pra eles.
Por favor, entenda...e acredite, só tem um lugar (além de ao lado dos meus filhos) que eu gostaria de estar hoje e esse lugar é do seu lado.
Que sua noite seja maravilhosa e que esse ano que começa em algumas horas seja o ano de nossas vidas. Juntos. Você e Scorpius. Eu e meus filhos. Você e eu.
Um beijo, na verdade um não, muitos, vários. Guarde todos, vou querê-los de volta quando nos encontrarmos depois.

Hermione.


A decepção ficou estampada nos olhos cinza dele. Mas o que ela disse no bilhete, que desejava que ficassem juntos, aquilo fez com que ele se sentisse quente por dentro, uma sensação de conforto, de que ele podia contar com ela e foi aí que Draco percebeu que faria tudo para realizar esse desejo. Ficariam juntos, mesmo que tivessem que contrariar meio mundo bruxo e trouxa, e ele já sabia exatamente por onde começar.

***

Dez da manhã e a Toca já estava apinhada de gente. Não que não fosse assim em todos os feriados e nos fins de semana, eram seis filhos e doze netos, um neto emprestado, mais amigos que sempre apareciam, a casa estava sempre cheia. Mas aquele dia sempre fora especial, era quando todos se reuniam com um só propósito: jogar quadribol. E comer, óbvio, ninguém resistia aos dotes culinários de Molly.


Hermione cumprimentara a todos na chegada e até já havia batido um animado e rápido papo com Fleur e Audrey, porém ainda estava com o coração apertado por ter recusado o convite de Draco para passarem aquela noite juntos, contudo explicou à ele que devia isso ao filhos, além de também querer estar ali com todos que também amava. Foi tirada dos seus devaneios por Harry.

“Pensando nele né?” – Harry entortou a boca quando terminou de falar.

“Inevitável, já que ele me conquistou né?” – Hermione riu.

“É. Sabe que eu nunca vou me acostumar com essa coisa toda não é?”

“Não estou pedindo pra se acostumar querido, só que me apóie, como um lindo, charmoso, cheiroso e perfeito melhor amigo.” – ela passou o braço esquerdo pelo ombro do amigo, bom, pelo menos ela tentou já que ele era bem mais alto que ela.

“Chantagem não vale hein...” – ele abraçou-a pela cintura equanto caminhavam pelo caminho limpo de neve que levava até o campinho onde aconteceria o jogo.

“Ele queria que nos encontrássemos hoje. Eu recusei. Não podia.”

“Isso é bom. Quer dizer, sua cara ta péssima, mas você tem bom senso, ainda. Apesar de estar com ele.” – Hermione bateu de leve na cabeça de Harry, que sorriu e fingiu incômodo.

“Ai Harry, o que aconteceu na minha vida! Esse ano foi o mais maluco de toda ela!”

“Mais até do que aqueles sete depois que me conheceu?”

“Claro. Porque naqueles sete, entre salvar o mundo com você e o Ron, eu só tinha que odiar e quebrar o nariz do Draco e não beija-lo, abraça-lo, sentir o cheiro, o calor, as mãos...”

“TÁ TÁ TÁ! Para por favor Mione, to quase vomitando aqui, sério.” – Harry fez cara de nojo. – “Mas e aí? Pensou naquilo que conversamos outro dia? Sobre os namorados?”

“Na verdade pensei sim. Por mais que seja uma loucura, acho que pode dar certo. Vai distrair a atenção de quem precisa ser distraído e vamos poder ficar mais tranqüilos com o processo.”

“Hmmm. Ele já arrumou uma outra doida pra ficar com ele?”

“Harry...”


“Desculpa, você sabe que eu realmente não resisto em falar mal do Malfoy né? Ta no sangue...enfim, ele já arrumou alguém?”

“Não. Não que eu saiba. Se ele tiver arrumado sem me consultar antes ele morre.” – Hermione não escondeu nenhum pouco a irritação na voz, ao que Harry riu.

“Ok. Ele que se vire então. Quanto à você mocinha, a Gina fez uma coisa que, NA MINHA OPINIÃO, você vai odiar e vai com certeza querer matar minha ruiva, mas, nunca se sabe né? Vai que dá certo...”

“O que ela fez Harry? O que a Gina fez? Harry...”

“Ahá! Aí está você!” – Hermione ouviu a voz da ruiva ao pé do outro lado da pequena colina que ela e Harry estavam subindo.

“Oi Gi, tudo bem?” – a castanha perguntou com certa desconfiança enquanto descia a colina.

“Tudo ótimo! É... Mione, você se lembra do nosso colega de casa?” – Gina se afastou um pouco, dando visão à Hermione para um homem alto, cabelos castanhos claros encaracolados, olhos verdes, atlético, um perfeito deus grego. A mulher não conseguiu segurar o queixo que fez com que sua boca se abrisse levemente, arrancando um sorriso perfeito do homem à sua frente.

“Como vai Hermione?” – ele perguntou aproximando-se.

“Vou bem. Bem. Muito bem. Obrigado. McLaggen.” – ela falava com certa dificuldade, sem conseguir tirar os olhos dele.

“Cormac, por favor, sim? Acho que temos intimidade o suficiente para me chamar pelo meu nome... Então, Gina me convidou para participar da tão famosa “Copa Weasley de Quadribol do Último Dia do Ano” e eu não podia recusar. Muito menos com você aqui.”


“Pois é Mione, olha só! Eu passei na sede da Hollyheads e quem eu encontrei? Cormac! Ele decidiu se aposentar, porque você sabe, ele foi um dos melhores jogadores profissionais que já vimos, e aí resolveu ficar nos bastidores. Ele comprou os Chudley Cannons. É, COMPROU. O time é DELE agora. E eu tenho fé que os Cannons vão voltar a ser o que eram antes sabe...” – Gina falava desesperadamente quando ficava nervosa. Seu medo era que a amiga lançasse uma Imperdoável ali mesmo, bem no meio de sua testa.

“Er...interessante. Quem sabe né Gi? Se tudo der certo...Vai Cannons!” – Hermione deu leves soquinhos no ar com o punho direito fechado enquanto falava a última frase. – “Gi posso falar com você um pouquinho? Ali do lado? Sim? Pode ser? Agora?”

Gina olhou assustada para o marido que segurou uma risada, mas resolveu ajudar, ou não.

“Vem McLaggen, vamos ver como ta esse campo, deixe a Mione matar minha mulher ali um pouco. Se você puder deixar pelo menos a parte de cima pra ela cozinhar pra mim Mione, eu vou agradecer!” – e saiu rindo alto da cara que a ruiva fez para ele, sendo seguido por Cormac.



“Antes que você atente contra minha vida tenho que dizer que eu tenho três filhos, amo muito meu marido, te considero uma irmã e sei que você e o Draco precisam de ajuda e eu posso oferecer e aí pensei: ei! Porque não?! Eles precisam de toda ajuda que conseguirem! Então, por favor, Hermione, não acabe com minha vida e, por favor, dá uma chance pra coisa toda, ou melhor, pro McLaggen ali?” – Gina falou em um só fôlego.

“Eu não vou te matar Gina.” – Hermione disse fazendo uma cara de tédio. – “Na verdade....acho que você pode ter feito uma coisa certa.”

“Então você vai concordar com essa coisa toda?”

“Já concordei. Mas....McLaggen??” – Hermione olhou pelo ombro da ruiva e viu que o antigo colega de casa exibia alguns movimentos de defesa.

“Ah Mione, até parece que você não gostou né? Se quiser eu posso te arrumar alguém menos, digamos, visualmente interessante.” – Gina deu um sorrisinho maroto.

“Annnnn...nááááá, acho que dá pra fazer com o McLaggen! SER! SER com o McLaggen!” – Hermione de repente ficou corada ao que Gina riu vigorosamente.

****

Logo o campo montado atrás da Toca começou a encher de gente e Hermione parou para pensar em como a família Weasley tinha crescido desde que os conhecera, com todos os filhos, à exceção de Fred que se foi muito cedo, mais os netos e amigos que não partilhavam do sangue, mas o amor devotado era o mesmo. Instantâneamente lembrou dos Malfoy e chegou à conclusão que, mesmo com todas as diferenças, família era família, não importava muito o sobrenome ou a pureza do sangue, contanto que houvesse amor verdadeiro entre as pessoas.


Rapidamente os times foram divididos entre os Dragões de Ottery composto por Charlie, George, Gina, Teddy, Igor, o filho mais velho de Kingsley e amigo de Teddy, Victoire e Ron, e os Quimeras Vermelhas que tinha como jogadores Harry, Angelina, Bill, McLaggen, Lucy, Oliver Wood e James que apesar da pouca idade já demonstrava que havia herdado o talento dos pais para o esporte. Subiram então em suas vassouras e ganharam o céu que, apesar do tempo frio, estava azul e sem nenhuma nuvem sequer.

Hermione acomodou-se em um dos bancos que haviam sido colocados na colina para que a visão dos jogadores fosse a melhor possível e puxou a filha mais pra perto de si já que a menina tremia o queixo devido ao vento frio que soprava. Hugo por sua vez estava de pé no banco, balançando freneticamente uma flâmula com o escudo dos Dragões de Ottery, o time do pai. Aproveitando a distração do irmão, Rosie falou à mãe:

“Então. Esse tal de McLaggen...é verdade que vocês namoraram no colégio?” – Uma das características mais marcantes de Rose era a sinceridade direta da menina.

“Er...bom, mais ou menos meu bem. Nós saímos umas duas vezes, mas na verdade eu só estava fazendo isso pra tentar fazer ciúmes no seu pai. O ruivo idiota achava que eu era um menino como ele e Harry e por isso eu precisava mostrar pra ele que eu não era né? Tinha que fazer ele ver que tinha sim quem se interessasse por mim. E aí apareceu o Cormac, bonito, atlético...mas era só abrir a boca que desmoronava tudo!” – Hermione caiu na risada e levou Rose consigo. – “Olha só, vai começar!”


Arthur, o juiz da partida, se preparava para dar o apito inicial, como fez logo em seguida. Imediatamente Charlie, um dos artilheiros, pegou uma das goles e partiu em direção ao gol de McLaggen, enquanto Gina e Victoire, as duas artilheiras, cobriam o jogador e tentavam pegar as outras duas goles. George e Igor, os batedores faziam seu trabalho com os balaços rebatidos e Teddy, o apanhador, voava pelo campo atrás do pomo de ouro. No outro lado, Harry, Angelina e Lucy, os três artilheiros do Quimeras, lutavam pelas goles e tentavam impedir o avanço de Charlie, Oliver e Bill rebatiam alucinadamente os balaços que vinham de George e Igor e voando furtivamente pela confusão de goles e balaços ia James. A jogada culminou com um gol de Charlie, o que fez sua agora namorada, Dani, vibrar na arquibancada ao lado de Molly.

Rapidamente o Quimeras se reagrupou e em posse de duas goles, Harry e Angelina voavam cortando o ar frio até o gol de Ron. Um balaço passou tão perto de Angelina que os belos cabelos negros dela voaram para o lado no rabo de cavalo, Harry passou Gina quase encostando na vassoura da mulher, o que a fez xingar um nome não muito bonito, arrancando risos da torcida e do marido. Lucy tentava bloquear a prima porque o tio era impossível de ser bloqueado, Victoire, contudo conseguiu despista-la com um movimento rápido que deixou o pai orgulhoso no outro time, fazendo com que ele quase fosse atingido por um balaço em partes não muito agradáveis para um homem, mas felizmente foi salvo por Oliver. Numa jogada também rápida, Harry e Angelina marcaram dois gols, ao mesmo tempo, o que colocava os Quimeras na frente no placar. O que se seguiu foram jogadas rápidas e bonitas, com destaque para grandes defesas de Ron e McLaggen e um gol simplesmente lindo de Gina, onde ela com uma girada de vassoura e uma jogada de cabelo conseguiu despistar o marido e marcar o ponto no arco do meio.


O jogo estava duro e os Dragões venciam por 30 pontos. Restavam 5 minutos para o apito final quando James que estava praticamente passeando pelo campo, visto que o pomo parecia ter desaparecido, viu Teddy erguer-se de repente em sua vassoura. Era ele, o pomo dourado. Rapidamente James foi na mesma direção que Teddy e quando estava emparelhados, olharam para frente e viram as pequenas asinhas douradas batendo. James sabia que não seria páreo para Teddy que fora apanhador pela Grifinória nos seus últimos três anos em Hogwarts e, portanto tomou uma decisão arriscada, decidiu ir por cima ao invés de competir com o primo em velocidade. Deu uma guinada na vassoura e subiu o máximo que conseguiu, avistou o rapaz de cabelos roxos em uma trajetória reta em direção ao pomo e então apontou a vassoura para baixo, em um ângulo que o deixasse sempre um pouco à frente do rapaz e desceu. O vento em seu rosto era cortante, os cabelos pretos batiam em seus olhos, mas ele não parou e como um raio viu Teddy ficar pra trás e como mágica sentiu uma cosquinha na mão direita. Eram as asinhas do pomo que ainda insistiam em bater, mesmo tendo sido apanhado.

O que se viu em seguida foi uma explosão de alegria, James havia capturado o pomo e o Quimeras venceu o jogo por 270 a 150. Harry voou ate o filho e o abraçou forte, talvez se lembrando da primeira vez que apanhou o pomo ele mesmo, em Hogwarts. Gina veio apressada e também abraçou o filho, e foi seguida pelos irmãos e demais companheiros de time, pois, afinal de contas, ali não existia rivalidade, eram apenas uma grande família se divertindo, como sempre haviam sido.




***


Não importava o que Draco fizesse durante aquele dia, ele sempre acabava pensando nela. E foi em um desses momentos em que ele, sentado numa confortável poltrona da biblioteca da mansão, encarando o campo aberto atrás da casa coberto de neve, foi tirado de seus pensamentos por seu pai.

“Sua mãe quer saber se teremos visitas essa noite, sabe? Visitas.”

“Não. Ela não vem. Está na Toca.” – Draco respondeu. – “Engraçado, a vida inteira eu ouvi esse nome “Toca”, mas não faço idéia de como ou onde é. Mas não sei por que, me parece um bom lugar.”

“Bom, deve ser mesmo. Sempre tive minhas diferenças com o Weasley, mas tenho que admitir agora uma coisa: ele sempre soube como manter um lar para sua família, ao contrário de mim.”

“Pai...isso é passado. O que importa é que hoje o senhor reconhece seus erros cometidos lá, mas os deixe lá.”

“Você tem razão filho, sempre teve. Só acho que se fosse um pouco mais ousado, conseguiria muito mais.”

“O que foi isso agora?”

“Nada. Nada. É só um velho falando besteira.”

“Velho...sei...e desde quando você se deixa chamar de velho? Quer dizer, com exceção da mamãe?”

“Quem disse fui eu não foi? Pois então, eu posso. Agora vai fazer uma coisa útil e vai ver sua namorada na Toca. Anda. Ou será que vou ter que te expulsar de casa, de novo?” – Lucius aiu do cômodo entretido com seu cachimbo que insistia em não acender. – “Cissa, porque essa coisa não acende? Mas que coisa...Cissa! Cissa!”


Draco fechou a boca e encarou a neve mais uma vez. Será que o pai tinha razão? Devia ir até lá? Hermione certamente o mataria, mas ele podia sempre dar uma desculpa, falar que precisavam discutir uma coisa sobre o caso da guarda. Mas no ano novo? Não ia colar. E se ele dissesse que Scorpius queria ver os amigos? Rose e os filhos do Potter? Talvez funcionasse...não. Ele não podia usar o filho assim.

“Que foi pai?” – Scopius entrou no aposento.

“Hã? Ah, nada não.”

“O vô falou que você ta precisando de ajuda. Disse que você precisa de uma desculpa pra ir até a Toca, a casa dos avós da Rose e do Al. Eu topo, tava mesmo querendo ver a Ros..Rose e o Al, os dois. É, os dois. E aí, acho que não tem problema a gente dar uma passada lá né? Voltamos antes da ceia de ano novo.”

“O seu avô ta impossível mesmo...”

“E aí? Vai demorar muito pra decidir?”

“Não sei Scorp....”

“Pai, anda, vamos lá. Eu até já sei como faremos pra chegar lá.”

“Sério?”

“Ahãm.”

“Pegue seu casaco Scorp.”


Draco e o filho se agasalharam bem e já iam saindo quando foram abordados por Narcissa.

“Onde os dois pensam que vão?”

“Er...mãe...bom, nós vamos dar uma saída rápida, mas voltamos à tempo da ceia, não se preocupe.”

“Vai ver Hermione?” – a loira questionou.

“Vou.”

“Na casa dos Weasleys?”

“Sim.”

Narcissa aproximou-se o filho e lhe deu um beijo na face completando:

“Tente não se machucar muito tudo bem? E não suje a roupa de sangue...é um custo pra fazer isso sair, mesmo com magia.”

“Mãe! Não vai haver briga nenhuma! E se houvesse eu certamente não sairia machucado...”

“Scorp faça um favor à vovó sim, tome conta do seu pai.”

“Sim senhora vó, pode deixar!”

“Mais essa agora...um me ameaça de despejo se eu não for, a outra acha que se eu for, vou apanhar! Belos pais eu fui arrumar hein Scorp?”

“Não olha pra mim, tenho nada com isso...” – Scorpius riu do pai com gosto.

Os dois despediram-se de Narcissa e ganharam o ar frio daquele último dia de 2017. Iam andando pelo caminho salpicado pela neve da manhã, que levava até os portões de bronze da mansão, sem muita pressa.

“E então sabichão, como faremos pra chegar até a Toca?” – Draco indagou o filho.

“Fácil. Rosie me falou que fica em Ottery St. Catchpole, Devon. Você nos aparata até lá e daí alguém nos mostra o caminho.”

“Alguém nos mostra o caminho? Scorp, Ottery St. Catchpole é um vilarejo trouxa pelo que eu saiba, como espera que alguém saiba onde fica uma casa estranha cheia de gente esquisita?”

“Pai, fica tranquilo aí. Só nos aparate tudo bem?”

Draco lançou um olhar desconfiado ao filho que simplesmente segurou a mão do homem e o olhou como se disse “e aí, vamos?”. Scorp então sentiu uma tontura, um aperto no estômago, pensou que ia vomitar, raramente aparatava com o pai ou a mãe, e nunca gostava de sensação.


Com um puxão no braço Scorpius percebeu que haviam chegado ao vilarejo. Desaparataram em um campo atrás de uma colina, que subiram e lá de cima puderam avistar as casinhas e as ruas pequenas e estreitas. Desceram até la e começaram a andar por entre os passantes.

“Ok. Estamos aqui. Faça sua mágica oh poderoso mestre!” – Draco brincou com o menino.

Scorpius então tirou do bolso uma pequena moeda, um galeão. Draco olhou curioso para a mão do filho e só então percebeu que não era um galeão comum, era um dos galeões que usara para se comunicar com Madame Rosemerta enquanto essa estava enfeitiçada, a fim de ajudar na invasão de Hogwarts pelos comensais, quando estava no seu sexto ano. Invasão esta que culminou com a morte de Dumbledore. Mas o que ele se lembrou também foi que aos tais galeões falsos enfeitiçados com o feitiço de Proteu foram feitos por ninguém menos que Hermione, na época da Armada Dumbledore, quando Harry ensinou o que sabia a um grupo de alunos no quinto ano.

“Onde arrumou isso Scorp?”

“Rose me deu. Um pra mim e um pro Al. Disse que era pra caso a gente precisasse de alguma coisa. Mas o senhor sabe o que é isso?”

“Sei sim. Só queria não ter sabido antes...mas me diga, você sabe usar?”

“A Rosie disse que eu só preciso dizer o que eu quero e ela vai ficar sabendo. Eu já disse que preciso que ela nos ajude a chegar na Toca. Vamos esperar.”

Os dois ficaram ali por um tempo, provavelmente uns 15 minutos, sentados em um banquinho em uma pracinha, Draco comprou um jornal trouxa, para não parecer muito estranho os dois ali, parados, sem fazer nada. Foi então que Scorpius, que a todo momento andava até a borda da praça que dava para uma ruazinha que terminava em um pequeno caminho, avistou uma cabeleira ruiva e a reconheceu como sendo da amiga Rose.

“Pai! A Rose! Ela ta vindo!”

“Ela veio sozinha Scorp?”

“Hum...parece que sim...”

Logo a menina despontou no final da ruazinha e rapidamente chegou à praça.

“Oi Scorp. Oi Sr. Malfoy.” – a menina ofegou um pouco.


“Rose, como vai?” – Draco sorriu.

“Ei Rosie, e aí?” – Scorpius corou levemente.

“Vou bem, obrigado. Mas e vocês? O que fazem aqui? Quero dizer, que legal que vieram, mas er...hum...” – ela encarou o chão.

“Nós sabemos Rose, não somos bem vindos na Toca, é só que o Scorp queria muito te ver sabe?”

“Pai! Deixa de ser mentiroso!” – o menino ficou muito vermelho e embaraçado – “Não! Quero dizer, eu queria sim, mas é que ele também queria muito ver a sua mãe. Será que não podemos ir até lá, só um pouqinho?”

Rose bufou, pois já previa a reação do pai quando visse os dois Malfoys chegando na Toca, contudo, a mãe merecia isto.

“Olha, vocês sabem que lá ta cheio de Weasleys né? Meus tios estão todos aí, os amigos da família, meu PAI também ta...não vai ser fácil....”

“Nós entendemos querida, e acho que se você não se sente confrotável, podemos ir embora.” – Draco se solidarizou com a menina.

“Não. Vamos lá, se vocês estão dispostos...” – Draco lembrou muito de Hermione ao ver a determinação da garota.

*****
Depois de cerca de 10 minutos andando avistaram quatro ou cinco chaminés coloridas ao fundo da paisagem e à medida que iam subindo uma pequena colina podiam ver cada vez mais da tão famosa Toca. Cinco andares de uma construção torta, colorida, um jardim cheio de gnomos, um laguinho, muitas árvores e uma garagem e um pequeno galpão. Lá de cima já conseguiam também ouvir um pouco do alvoroço que ainda restava da partida de quadribol que terminara há cerca de uma hora. Desceram a colina e adentraram o jardim, e até ali não havia nenhum sinal de um Weasley furioso pelo caminho. Rose fez então sinal para que eles esperassem ali onde estavam, ela iria checar o que os esperavam.

“Bom, estão todos aqui atrás esperando a vó Molly servir o almoço daqui a pouco, inclusive papai.” – Rose se voltara para eles.

“Ok. E o que faremos então?” – Draco retorquiu.

“Ta.” – Rose coçou a cabeça e fechou os olhos, apertando-os. – “Vamos agir casualmente. Trabalhem comigo.Vamos lá.”


“Trabalhem comigo”, Draco achou graça da menina, apenas 11 anos e já tão esperta, tinha que ser filha de quem era mesmo. Ele então viu a menina virar a esquina da casa, em direção ao quintal posterior da construção, onde todos estavam. Sentiu então Scorpius puxando seu casaco e seguiu-os.

“Mas Bill, você não devia ter ido por aquele lado cara, ali ela te dominou muito fácil!” – Charlie falava sobre uma jogada que o irmão fizera no jogo.

“Charlie, não tinha como irmão, a garota é ágil, como o pai aqui HEHEHEH” – Bill encheu o peito de orgulho ao falar da filha jogando quadribol.

“Ah vá, a Vic é muito melhor que você Bill, ganha de longe!” – Rony entrou na conversa provocando o irmão.

Enquanto ele ria, percebeu que agora era só ele, e parou para ver o porquê de ninguém estar rindo de sua piada. Viu todos parados, estáticos, mirando uma mesma direção.

“Mas que ta havendo? O que ta todo mundo olhando?” – se virou e sua boca só não se abriu tanto quanto as outras porque ele tinha algo a dizer. – “O que significa isso? Rose Nymphadora Weasley, o que esse comensal sujo faz aqui?”

“Pai, calma...” – Rose tentou argumentar.

“EU NÃO QUERO SABER DE CALMA ROSE!” – Rony berrou, assustando a filha e Scorpius.

“Ron, segura a onda.” – Charlie e Bill já haviam se levantado e estavam agora ladeando o irmão.

“Que gritaria é essa que o Ron arrumou com a Rosie?” – Hermione veio apressada do fundo do quintal, onde conversava com Fleur, Gina e Angelina, junto com as três e Harry.

Ao ver Draco parado ali, no meio de pelo menos de três Weasleys e Harry, temeu pelo pior. Viu que Scorpius estava com ele e compadecendo-se da carinha assustada que o menino e a filha tinham no rosto, meteu-se no meio, ficando entre Draco e Ron.

“Draco! Algum problema? Astória aprontou alguma de surpresa?”

“HAHAHA, CLARO QUE ELE VEIO AQUI PRA ISSO, DISCUTIR CASINHO NÃO É HERMIONE? VEIO DISCUTIR O CASINHO DE VOCÊS NÃO VEIO SEU ASSASSINO?” – Ron berrava mais e mais.


“Ron para com o escândalo. Olha sua mãe como já está.” – Harry falou ao amigo, lhe mostrando Molly que agora estava sentada em um banco, sendo abananda por duas noras.

“Eu vim em paz Ronald. Precisava falar com a Granger e meu filho quis vir junto para desejar feliz ano novo à sua filha e aos filhos do Potter, eles são amigos, não sei se você sabe.” – Draco disse com muita naturalidade na voz.

“AMIGOS?? DESSE FILHOTE DE SERPENTE AÍ? NUNCA!”

“Olha como fala do meu filho. Não tem nenhum motivo pra falar dele assim e mesmo se tivesse, te aconselharia a ficar calado.”

“HAHAHA, DEFENDENDO A CRIA SERPENTE? ACHEI QUE VOCÊS DEVORAVAM OS FILHOTES, COMO SEU PAI QUASE FEZ COM VOCÊ!”

“Estou pedindo com educação: pare de insultar a minha família. Vim aqui com a melhor das intenções, não para brigar.”

“ENTÃO QUER DIZER QUE VOCÊ PODE INSULTAR A MINHA FAMÍLIA NÃO É? POR TODOS AQUELES ANOS E EU AGORA NÃO POSSO FALAR DOS TÃO PODEROSOS E ILUSTRES MALFOYS?? ME POUPE ESCÓRIA!”

“CHEGAAAAA!” – Hermione gritou com tanta força que sentiu uma pequena pontada de dor na cabeça. Não podia deixar aquilo continuar, não quando ela sabia que os insultos de Ronald não faziam mais sentido.

“Já pedi desculpas pelo que fiz à sua família Weasley e obtive perdão, vá em frente, pergunte ao seu pai. Tivemos uma excelente conversa no ministério quando voltei ao país.” – Draco não aumentara em nenhum momento o seu tom de voz, mas já estava ficando realmente difícil manter a calma.

“Ronald. Chega disso. Malfoy não deve nada à nós, suas desculpas foram sinceras e eu aceitei. Agora pare com esse escândalo e aja como homem!” – Arthur Weasley tomara a frente da discussão, a fim de termina-la de vez.


“Quê? Pai eu não acredito que você esteja me humilhando na frente desse...”

“Mas você é uma anta ou o que? Respeite ao menos o papai!” – Gina saiu de perto da mãe e deu um sonoro tapa no braço do irmão que a olhou irado. Harry seguiu os passos da esposa.

“Vem cara, não vale a pena mesmo se desgastar com isso.” – E puxou a camisa de Rony até fazer com ele se movesse. Quando isso aconteceu os outros também se afastaram um pouco, uns comentando a chegada inesperada de dois Malfoy’ s a Toca, outros simplesmente fazendo de conta que eles não estavam ali.

“Han, Malfoy? Er, vamos por ali, poderemos ter mais privacidade, e bem, você me conta o que aconteceu de tão grave.” – Hermione disse sem graça, se encaminhando para perto das pequenas arquibancadas que compunham o campo de quadribol improvisado da Toca. Draco a seguiu de bom grado. Enquanto isso, Rose e Scorp estavam no mesmo lugar desde a chegada, e agora passado o susto inicial estavam conversando animados, sem nem mesmo perceberem os olhares assassinos que Albus Severus os enviava da mesa onde estava sentado.


“Nossa, por um momento achei que ele ia me matar!” – Draco disse assim que chegaram ao lugar apontado por Hermione.

“Ah é, também achei! Mas você é mesmo um louco! Vir aqui num encontro da família?!” – Hermione tinha um sorriso doce para o loiro a sua frente, que nenhum dos Weasley’ s poderia ver, uma vez que ela estava de costas para eles.

“Mas eu realmente precisava te ver Hermione. Tinha tantos planos pra nós.” – Draco fazia uma cara de cão que caiu da mudança, ela alargou mais ainda seu sorriso.

“Ai, eu também, mas não podemos nos arriscar assim Draco, você sabe. Na verdade o que eu queria agora era te dar um beijo que estou com vontade desde a ultima vez que te vi, mas não podemos e isso é terrível.”

“É, apenas olhar para você não é o suficiente como eu achei.” – Hermione mordeu o lábio inferior e respirou fundo.

“Mas como vocês chegaram aqui?” – Ela tentou desviar um pouco da tenção que estava se formando entre eles.

“Ah, moedas encantadas. É não se assuste, sua filha as tem e deu para os garotos.” – Hermione realmente havia ficado surpresa.

“Mas a Rose, ela nunca tinha me dito nada disso.”

“Você não vai brigar com a pobre menina por causa disso, né?” – Hermione sorriu mais uma vez.

“Opa, um Malfoy preocupado com o bem estar de uma Weasley?” – Draco sorriu de volta, mais discretamente, pois ele sabia que muitos o estavam observando.

“Na verdade não. Tenho uma teoria muito satisfatória sobre a Rose. Ela na verdade é 95% Granger, os outros 5%, são os cabelos Weasley dela, então, está tudo bem.” – Draco falou solene, e Hermione provou ter um alto controle, pois tudo que queria era pular no pescoço daquele homem.


“Pena que não posso dizer a mesma coisa do seu outro filho ali. Se você pudesse ver o olhar assassino que ele manda a cada três segundos, rá, eu talvez já teria desmaiado.”

“Mas vejam só! É mesmo Draco Malfoy?” – McLaggen que estava dentro da Toca com Tedy e tinha perdido o show particular de Rony, estava chegando perto do casal que imediatamente parara de falar. Draco na verdade encarava aquele castanho alto e musculoso com curiosidade.

“Sim, sou eu mesmo, e você não é de todo estranho.” – Draco sorria, mas logo parou quando McLaggen simplesmente parou ao lado de Hermione e passou os braços em torno dos ombros dela. Ela ficou vermelha na hora e olhou para a grama embaixo dos seu pés.

“Estudamos em Hogwarts, no mesmo ano. Claro, eu era da Grifinória. Mas você deve ter me visto em jornais ou revistas, afinal, eu sou um famoso jogador de quadribol. Quer dizer, ex jogador, me aposentei faz pouco tempo.” – Draco apenas levantou uma sobrancelha e olhou para Hermione que ainda encarava o chão.

“Ah, claro, agora acho que me lembro de você. Mas, eu morei muito tempo fora do país, então, acho a lembrança que tenho de você, é na verdade, em Hogwarts. Mas me diga, o que faz por aqui?”

“Ora, fui convidado, um convite em tanto eu diria.” – McLaggen sorriu afetado e olhou para Hermione agarrada a ele, ainda olhando para baixo. Draco fechou a mão direita como se fosse dar um soco em alguém, sem mesmo perceber. Rose e Scorp, um tanto longe dali, os olhava com um ar de incompreensão, enquanto Rony era mais uma vez segurado por Harry, próximo a mesa.

“Mesmo? Que interessante. Não sabia que vocês eram amigos.” – Draco disse frio olhando mais uma vez para Hermione, que enfim, levantou o olhar e o encarou. Chegou abrir a boca para falar algo, mas foi interrompida pelo homem que ainda a abraçava.


“Ah, isso é antigo na verdade. Quer dizer, se não fosse aquela confusão toda da guerra, e a Mi aqui sair de viagem e tudo, acho que as coisas teriam amadurecido entre nós. Se é que você me entende né? Acredito que nem estaríamos aqui.” – Ele sorriu orgulho de si mesmo, Draco agora tinha as duas mãos fechadas em punho e Hermione os olhos arregalados. Delicadamente ela retirou o braço de McLaggen em torno de si e o disse com a voz um tanto falha.

“É, McLaggen, hum, eu e o Dra, er Malfoy, estávamos discutindo coisas do trabalho, coisas realmente serias, será que você poderia nos deixar a sós novamente?” – Ela tentou sorrir, sem sucesso.

“Trabalho? Mas é feriado de fim de ano, quem trabalha em um dia como esse?” – Ele olhou para os dois, Draco parecia estar segurando o ar dentro dos pulmões.

“Tem coisas que não esperam feriado para acontecer. Por isso temos pressa em resolver, ele precisa voltar pra casa e eu pra festa. Tudo bem?” – Ela realmente estava suplicando com olhar, mas McLaggen jamais entenderia o que um olhar queria dizer.

“Ah, ok! Mas então não demore sim?” – Ele deu um beijo na bochecha de Hermione que a fez dar um pulinho de susto. Draco agora apertava os lábios com força.

“Até mais Malfoy.” – O loiro se resumiu em acenar com a cabeça.

“Draco, eu” – Hermione tentou falar algo, coçando a parte de trás da nuca.

“Eu realmente não devia ter vindo, acho que atrapalhei alguma coisa aqui.” – Ele olhava Hermione com uma fúria contida, quase palpável.

“Não seja idiota.” – Ela estava perplexa com que ele tinha praticamente insinuado.

“Ah, sim, isso eu sou mesmo Granger.” – Ela colocou a mãos na cintura e o olhou desafiadora.

“O que Malfoy? Ta fazendo suposições sujas ai nessa sua cabeça loira de farmácia?”

“Você não quer mesmo começar a seção de insultos, quer?” – Ele cerrou os olhos para ela. Hermione respirou fundo, tentando manter a calma.

“Olha só, acho melhor você baixar essa crista aí. Tudo isso faz parte do seu planinho.”


“Que? Do exatamente você está falando?” – Draco sentia sua boca seca, ao mesmo tempo que amargava. Seria esse o sabor do ciúmes?

“Lembra? ‘ vamos arrumar namorados de fachada e blá blá blá” – Hermione falava isso com desdém e remexendo os braços.

“Lembro. E lembro também que você odiou a idéia. Pelo menos, era o que eu tinha entendido, mas acho que me enganei.” – Draco cruzou os braços a altura do peito.

“Não entendeu errado. Eu não gostei dessa idéia e continuo não gostando. Mas acontece que eu não fui capaz de encontrar outra solução para o nosso problema e bem, Gina resolveu como sempre nos ajudar. E foi isso que ela fez. McLaggen é idiota suficiente para eu usar como namorado figurativo sem nem mesmo perceber isso. E eu sei me livrar dele quando for preciso. Fiz isso em Hogwarts muito bem.” – Hermione de repente, se arrependeu de ter dito a ultima parte de seu discurso.

“Hogwarts? Então aquele coisa toda de amadurecimento e..”

“Draco, McLaggem me cantou durante o sexto ano todo. Eu sempre o achei um completo estúpido. Mas tava apaixonada pelo Ron, que vivia desentupindo a pia daquela Lilá. Enfim, eu o usei para fazer ciúmes no Rony, o que na verdade não adiantou muito, porque o Rony era outro estúpido.” – Hermione disse isso mais como um desabafo para ela mesmo.

“Eu realmente to passando o lugar de ouvinte das suas paixões adolescentes Granger, isso me incomoda demais.” – Draco disse com desgosto, mas com menos raiva na voz.

“Você ainda ta me chamando de Granger? Ótimo! To começando achar que você também é um estúpido.”

“Obrigado. O estúpido aqui já está de saída de qualquer forma.” – Draco fez menção de sair, mas Hermione segurou rápido e forte sua mão. Ele parou.


“Draco, por favor. Isso também não é fácil pra mim. Mas foi você mesmo que propôs tudo isso. De fato pode dar certo. Eu, eu não sei o que fazer mais!” – Hermione tinha uma voz arrastada e até mesmo embargada. Draco que se acalmou assim que ela tinha tocado em sua mão, ficou ate arrependido.

“Me desculpe.” – Ele sussurrou. “Droga Hermione, eu te amo demais, e te ver assim com outro, argh, nem sei o que dizer.” – Hermione sorriu, apesar dos olhos estarem marejados.

“Eu sei Draco, porque mesmo sem te ver com alguém, só de imaginar a situação, eu tenho vontade de morrer. Mas temos que ser fortes. Nosso amor vale a pena né?”

“Claro que sim. Mas, bem, de qualquer forma, eu já vou mesmo. Já foi uma aventura em tanto vir aqui. E confesso que ver aquele Mc não sei o que te comendo com os olhos a distancia e o ruivo te comendo com os olhos também ao mesmo tempo que esta fantasiando a minha morte, está me dando náuseas.” – Hermione gargalhou.

“Certo. De qualquer forma eu estou radiante pela sua visita. Prometo compensar todo esse seu transtorno.” – Eles já haviam começado a caminhar de encontro a Rose e Scorp, que ainda continuavam no mesmo lugar, afastados de todos também.

“Eu saberei cobrar isso.” – Draco lhe deu um sorriso que bem, Hermione agradeceu já estar próxima da filha, pois seria capaz de fazer uma besteira.

“Scorp filho, já passamos da hora.” – O menino o olhou com desagrado, mas concordou com a cabeça.

“ Como vai Scorp? Nem tive tempo de cumprimentar você antes.” – Hermione disse dando um abraço no loiro pequeno.

“Ah, tudo bem. Realmente as coisas esquentaram por aqui.” – Os quatro riram.

“Papai as vezes consegue me envergonhar.” – Rose disse revirando os olhos.

“Não fale assim do seu pai Rose. Ele tem os motivos dele para não gostar muito do Draco.”

“Não gosta muito? Ele odeia mesmo. Ah, me desculpem.” – Scorp baixou o rosto tingido de vermelho, assim que recebeu um olhar de repreensão do pai. Hermione riu.


“Tudo bem, você tem razão. Ron tem ódio por Malfoy. Coisas da vida, fazer o que.”

“Mamãe posso levá-los de volta ao povoado?” – Rose tinha os olhos brilhantes.

“Não será necessário te dar esse trabalho, já sabemos o caminho. Obrigado Rose.” – Hermione deu uma cotovelada nas costelas de Draco, mostrando como os sorrisos nos rostos dos meninos haviam sumido. Ele por fim entendeu. - “Oh, bem, na verdade, seria bom ter uma guia, quer dizer, eu ainda estou um tanto nervoso, posso me perder.” – Draco sorriu para os dois.

“Bem, nos vemos daqui uns dias no Ministério.” – Hermione estendeu a mão para Draco.

“Com toda certeza!” – Draco apertou a sua gentilmente. No fundo ambos sabiam que iam se encontrar um tanto antes disso, e num lugar bem diferente do Ministério.

“Podemos ir?” – Rose perguntou já tomando o caminho de volta, com Scorp ao lado.

“Vamos.” – E assim os dois Malfoy sumiram pela esquina da casa. Hermione ainda ficou um tempo parada ali, os vendo sumir, até que sentiu alguém atrás de si.





N.A: Bem, depois de seculos eu reapereci... aconteceram mts coisas e eu fiquei sem vir aqui por um tempo... mas estou de volta e espero que vc's curtem o post.. isso se ainda tiver leitores né? *esperança*



um grande beijo e obrigada!



\o/



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