Dois dias haviam se passado desde da conversa que tive com a Gina. Minha relação contiuava a mesma com o Rony, aliás... parecia até que nunca tinhamos tido um relacionamento profundo, só aquela mesma relação de amigos, como sempre.
O recesso do Natal já estava próximo, seria apenas dali a uma semana. Nesse periodo todos relaxavam nas aulas.Os professores mal davam aulas pois os alunos estavam todos de saco cheio, e quase ninguem prestava atenção.
Nem mesmo eu, que adorava estudar, agora não conseguia mais prestar atenção em quase nada.
Nesses dois dias que se passaram, eu não havia visto mais a Parkinson nas aulas, parece que ela estava mesmo mal ou talvez só quisesse me evitar (?) Enfim... eu queria mesmo descubrir o que estava acontecendo com ela, talvez eu até pudesse ajudar!
Quando caiu a noite fui até a torre de astronomia e assim que cheguei la, automaticamente lembrei-me do último encontro que tive com a Parkinson naquele mesmo local.
Fiquei lá, um pouco pensativa, sentindo a brisa tocar o meu rosto, observando as estrelas brilhando no céu e tentando não pensar em nada ... Ah, estava me sentindo tão carente...Era nessas horas que eu sentia falta do Ron. E assim, passei um bom tempo, imersa em minha solidão.
Minutos depois, abri os olhos e percebi que havia adormecido. Estava deitada no chão. Quando fiquei de pé, senti como se um trator tivesse passado por cima de mim, adormecer no chão duro e frio, era horrivel!
Imediatamente comecei a fazer meu caminho de volta pra o dormitório feminino. Já estava quase chegando quando senti uma mão agarrar minhas vestes e me puxar para dentro de uma armário escuro.
Bom, eu acho que já imaginava de quem deveria ser aquelas mãos.
A garota segurou meu rosto entre suas mãos e de repente, nervosamente e desesperadamente começou a explorar a minha boca. O beijo transbordava desejo, intensidade, desespero... senti que também continha um pouco de medo? Esperai, aquele beijo não se parecia nada com o da Parkinson...
Procurei despeseradamente minha varinha nos bolsos e ..
- Lummus! - a luz inrrompeu da ponta da varinha e assim que meus olhos se acostumarão com a claridão... Tomei um susto ao constatar quem era a dona das mãos que me agarrara.
- Oi Mione. - a garota pregou seus os olhos em minha face. E ainda estando um pouco assustada deu aquele sorriso de lado, super envergonhada.
Passei longos trinta segundos tentando recobrar os sentindos.. Eu queria que alguem me beliscasse para que eu pudesse voltar a realidade, era mesmo aquela pessoa que estava a minha frente?
- Gina...você... como...
- Calma Mione, eu posso explicar...
Fui incapaz de pronunciar qualquer outra palavra e então preferi continuar calada, esperando a explicação da ruiva. Então ela continuou:
- Desculpe Mi, é que depois daquela conversa que tivemos aquele dia.. ah, eu fiquei um pouco curiosa... senti uma vontade louca de te beijar... agi por impulso... agora... Desculpe! Você... você.. poderia me perdoar? - a garota me lançou aquele olhar de cachorro pidão e foi quando eu relaxei um pouco.
- Tudo bem Gina. Eu não fiquei chateada, só um pouco supresa! Você é uma moleca sabia? - sorri tristonha - A verdade é que, imaginei que fosse outra pessoa...
- ... a Parkinson..
- Exatamente!
- É Mi, meus pesames, parece que você está mesmo apaixonada por aquela sonserina enjoada! - ela fez cara de nojo - Mas então, será que a gente agora ja poderia sair desse armário apertado?
- Ah sim - disse enquanto abri a porta pra que pudessemos sair - Mas foi você que me puxou pra cá.
- Ta bom, eu sei, eu sei! - resmungou a ruiva no mesmo instante em que revirava os olhos.
E como se nada tivesse acontecido momentos antes, fomos as duas para o dormitório enquanto conversavamos sobre o que poderia estar acontecendo com a Parkinson.
Quando chegamos no corredor que dava acesso as várias portas de quartos do dormitório feminino da grifinória, eu e a ruiva imediatamente paramos e ficamos observando uma a outra.
Resolvi cortar o silêncio.
- Sabe Gina... eu até que gostei do seu beijo.. - falei de súbito.
- Eu também Mi, você beija bem..
- Hum.. obrigado, você também! - dei um sorriso envergonhado e em seguida lancei um olhar intimador para a garota.
Não notei quando mas, nos aproximamos e de repente nos beijamos novamente. Só que dessa vez era um beijo mais calmo, tranquilo, sem aquele medo e desespero de antes. Não sei ao certo quanto tempo ficamos ali nos beijando, só sei que imediatamente paramos assim que escutamos um barulho vindo de um dos dormitórios.
Então, um pouco envergonhadas e meio sem jeito.. nos dirigimos imediatamente para os nossos quartos.
X-----X
Durante o recesso do Natal, resolvi ficar em Hogwarts. O Harry e Rony, apesar de muita relutância, haviam ido para a Toca, pois eles queriam saber o porquê que eu resolvera ficar. Na verdade, nem eu sabia o porquê. A única coisa que eu sabia e que queria ficar um pouco só e organizar as idéias. Depois da noite em que eu e a Gina haviamos nos beijado, o nosso relacionamento havia mudado um pouco, mal trocavamos algumas palavras e não conseguiamos mais nos olhar nos olhos. Aquilo foi um erro, eu não queria que a nossa amizade mudasse, e exatamente no momento em que eu mais estava precisando da amizade dela, pois só a Gina me entendia.
Fiquei completamente sozinha no castelo, as pessoas que eram mais próximas a mim foram passar o natal com suas familias. Apenas a Luna, uma garota da corvinal, na qual eu havia me aproximado no ano passado, estava no castelo.
Na vespera do Natal, estava eu perdida em meus pensamentos sentada a mesa para o café, quando de repente vejo a Parkinson sentar a mesa da Sonserina, eu não sabia que ela também resolvera ficar.Quando a vi, senti meu estômago revirar e não consegui mais comer. Ela ainda não notara que eu estava lá, só depois de algum tempo, foi quando ela olhou em minha direção. Eu desviei meu olhar do dela mas depois olhei novamente, só que agora ela já não olhava mais pra mim. Estava conversando com uma garota também da sonserina que acabara de sentar ao seu lado.
Fiquei desapontada, pois ela não tornou a olhar novamente em minha direção. Minha cabeça estava a mil, eu queria entender porquê ela estava me evitando. Luna acabará de sentar ao meu lado desviando um pouco minha atenção.
- Olá Hermione, Feliz Natal!
- Oi Luna - sorri - Feliz Natal também.
- Mione, isso é pra você.
Ela me entregou uma pulseira artesanal em que nela estava escrito: Hope - Esperança.Não entendi bem o significado daquilo e então olhei pra ela procurando alguma explicação e ela entendeu tratando logo de me explicar.
- Fui eu mesma que fiz!! Esperança Hermione, esperança de dias melhores. Você sabe, de tudo isso que esta por vim, com a volta de você-sabe-quem...
- Ah, entendo, obrigado Luna... e desculpe-me, mas agora eu não tenho nada pra te dar em troca.
- Não precisa Mione, Tenha um bom dia - e em seguida ela foi embora.
Fiquei sozinha novamente na mesa e arrisquei olhar mais uma vez na direção da Parkinson, mas ela não estava mais lá.
Novamente fiquei desapontada. Subi para o dormitório e la estavam os presentes do Rony, da Gina do Harry, dos meus pais, do Sr. e da Sra. Weasley e um estranho que eu não sabia de quem era.
Não me aguentando de curiosidade, foi o primeiro que abri.
Era um embrulho pequeno em que havia uma caixinha verde e dentro da caixinha tinha uma corrente de ouro com um pingente em forma de coração. Revirei o embrulho duas, três vezes tentando me certificar se tinha algum bilhete dizendo de quem era ou coisa do tipo, mas não encontrei. Foi quando peguei novamente a corrente em minhas mãos e observei que no pingente existia uma fecho que abria o coração e sem demora o abri. Dentro dele estava um pequeno bilhete e quem dizia: Se queres saber mesmo quem sou, se queres saber por quê andei fugindo de você esses ultimos dias, se queres saber o que realmente estou sentindo agora, me encontre na torre de astronomia, as 20:00 Hrs de hoje.
Eu ja deveria saber... aquele presente era da Parkinson. Eu mal podia esperar para que anoitecesse e desse a hora marcada. Li e reli o bilhete inúmeras vezes tentando entender o que aquelas palavras significavam, o que ela queria dizer com : Se queres saber mesmo quem sou. E com: Se queres saber o que realmente estou sentindo agora.
Coloquei a corrente no pescoço e para que o tempo passasse logo, resolvi abrir o restante dos presentes. Abri o do Rony, fiquei surpresa com o que vi. Era uma langerrie branca, muito escandalosa e com detalhes vermelhos. Fiquei olhando paralisada para àquilo. Ele pensava que eu era o quê? AH, mas ele iria me explicar aquilo direitinho, mas que ousadia!
Joguei a langerrie de lado e abri o presente do Harry, era um livro do mundo trouxa, bastante interessante. O da Gina era um ursinho de pelúcia lindo e fofo, achei aquilo estranho mas não dei importância. Os meus pais haviam mandado dinheiro para que eu comprasse meu próprio presente e o presente do Sr. e da Sra. Weasley eram várias guloseimas que a própria Sra. Weasley havia feito. Eu já tinha mandado os presentes que comprara para todos eles um dia antes.
Quando terminei de abrir todos os presentes ainda eram 11:00 hrs, mas que saco, ainda tinha quase o dia todo para que chegasse as oito. Resolvi então ler o livro que Harry havia me dado de presente. Nele contava a história de duas garotas que estudavam na mesma classe mas que se odiavam e que por pura irônia do destino tornaram-se amigas e o ódio acabou transformando-se em uma paixão.
Fiquei me perguntando se o Harry sabia qual era o conteúdo daquele livro. Será que ele já estava desconfiando de algo? Talvez fosse só conhecidência mesmo.
Passei o dia todo lendo aquele livro que nem vi as horas passarem, não desci para almoçar, fiquei satisfeita em comer as guloseimas que a Sra. Weasley mandara. Quando consultei o relógio já eram seis horas da noite. Me dirigi em direção ao banheiro e tomei um delicioso e perfumado banho. Procurei uma roupa legal e acabei usando um vestido simples mas bonito. Calcei meu All Star e consultei o relógio novamente, ja passava das 19:30, então resolvi ir andando.
Caminhei pelos corredores vazios de Hogwarts, o castelo ficava ainda mais sombrio nessa época do ano. Quando cheguei na torre da astronomia faltavam dez minutos para às oito. Observei nervosamente tudo ao meu redor e me concentrei para tentar ouvir se tinha algum barulho de alguém vindo. Eu e minha anciedade. Os minutos pareciam horas. E a cada segundo meu nervosismo só aumentava, meu coração parecia que queria saltar para fora de mim.
Quando completou exatas oito horas vi a garota aparecendo subindo as escadas e vindo em minha direção. Estremeci. Paralisei. Senti uma pontada no meu coração. Minha boca ficara seca.
Ela me observou demoradamente tentando decifrar minhas expressões. Notei que ela também estava nervosa. Então ela chegou mais perto e me abraçou.
Eu nunca pensei que um dia poderia acontecer uma cena daquela e como tudo àquilo era estranho, eu e Parkinson nos abraçando...
Retrubui o abraço. Ela não falou nada, apenas ficou ali nos meus braços aspirando o perfume dos meu cabelos. Me sensibilizei e meus olhos se encheram de lágrimas. Eu não poderia descrever em palavras o quanto aquele abraço era caloroso. Transbordava medo, insegurança, esperança, saudades e medo novamente. Era uma abraço extremamente infeliz. Senti suas lágrimas molharem meus ombros e simplesmente chorei também. Foi quando fiquei mais desesperada ainda para saber o que estava acontecendo com ela. Era de cortar o coração. Eu não queria vê-la sofrer, seja lá pelo o que fosse que ela estava sofrendo.Aquilo me doia.