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4. Lucidez


Fic: Insane - Femmeslash


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Estava lúcida. Só o fato de saber disso comprovava o pensamento. Estava lúcida. Sentada na beirada de seu colchão duro, Bellatrix estava consciente de si e do lugar à sua volta como não estivera em meses. Anos, talvez. Estava lúcida o bastante para saber que tinha se perdido na linha do tempo.


Era impossível contar a passagem dos dias naquele cômodo quadrangular 2x2, onde era sempre frio e estava sempre escuro. A única pequena janela na parede abria-se para um exterior nublado, onde sol e lua tinham o mesmo brilho fosco. Indistinguível.


A um canto havia uma bacia flutuante, com água e uma toalha áspera pendurada. Perto da porta - ou da abertura onde deveria haver uma porta - ficava a bandeja de ferro onde os alimentos se materializavam algumas vezes por dia. Era toda a decoração de que dispunha.


Lestrange ergueu-se da cama e caminhou até a bacia. A água estava plácida, limpa. Tão imóvel que ela pôde ver o próprio reflexo. O que enxergou não tinha nada da mulher que se acostumara a confrontar no espelho, mas não se surpreendeu. Um corte cicatrizava em seu supercílio. Havia um hematoma arroxeando a lateral de seu maxilar. Seus cabelos estavam embaraçados e seus olhos fundos, alegorias apagadas em seu rosto sujo.


Bella abriu suas vestes puídas, descartando peça por peça para desnudar um corpo esguio, forte, embora também colorido por hematomas de todos os tons - teria feito isso a si mesma? Não se lembrava. Despiu-se calmamente até que estivesse completamente nua, pisando sobre suas roupas. Então pegou a toalha e mergulhou a ponta do tecido na bacia, fazendo a água tremular em ondas contínuas do centro à borda. Seu cérebro pareceu tremular também, como se uma pedra tivesse sido atirada no lago de suas memórias e agora toda sua mente reverberasse com o fluxo de lembranças.


 


Se entendera direito, ela estava para chegar a qualquer momento. É claro que havia a possibilidade de não ter entendido direito. Bellatrix se aproximou para checar melhor os números inscritos na parede desgastada da Casa dos Gritos. Tinham desenvolvido um código de datas e horários rabiscados e apagados naquelas paredes, em tentativas quase sempre falhas de marcar um encontro. Podia estar entendendo errado aquela sequência de números, mas, para o raro caso de estar certa, Bellatrix esperou.


Horas se passaram, o sol percorreu mais da metade de seu percurso no céu, enquanto Bellatrix dava voltas impacientes pelo terreno silencioso. Apenas quando a tarde já alcançava seu estágio final, ouviu um familiar estalo na lateral da casa. Conteve o impulso de se adiantar até lá, permanecendo onde estava, nos fundos da propriedade, até que Lily viesse a seu encontro.


- Você está aqui! - a ruiva exclamou, abrindo um de seus grandes sorrisos satisfeitos.


- Obviamente.


- Está esperando há muito tempo?


- Acabei de chegar. - mentiu, vendo Lily caminhar na sua direção.


- Senti sua falt... - Bellatrix engoliu o fim da frase da ruiva ao colar suas bocas. Odiava o sentimentalismo barato de Lily. Estava viciada nele.


Já era noite quando seus corpos acalmaram-se, nus e suados. Estavam dentro da Casa dos Gritos, Lily deitada sobre suas capas estendidas no assoalho empoeirado. Bella deitou sobre o corpo dela, a cabeça apoiada em seu colo, ouvindo as batidas do coração da ruiva diminuir o ritmo lentamente. Ficaram assim, naquela languidez sem pressa, por pelo menos uma hora inteira. Em silêncio. A verdade é que raramente se falavam. Não tinham absolutamente nada em comum. Não tinham lido os mesmos livros, não ouviam as mesmas músicas, não acreditavam nas mesmas coisas. Nada as unia. E, ainda assim, nada as separava.


 


Bellatrix limpou o sangue seco de seu rosto, jogou água nos pelos empoeirados sobre sua pele e desteceu o cabelo com os dedos até senti-los escorrendo, macios, por seus ombros. O vento uivava do lado de fora, como o prenúncio de uma mudança iminente. Podia sentir isso em seus ossos e no destemor com que acordara naquela manhã.


Sacudiu o pó de suas roupas, resmungando sobre a falta de um elfo doméstico para servi-la. Vestiu-se calmamente, fechando os poucos botões restantes de suas vestes velhas. Pela primeira vez em muito tempo, não sentia frio. Não havia uma névoa espessa no chão ou em seu cérebro. Seu corpo não doía, nem por dentro, nem por fora. Estava forte de novo. Estava inteira.


E naquele dia – rangeu os dentes como forma de se firmar naquela posição – nem as lembranças que lhe inundavam seriam capazes de tirar isso dela. Não se despedaçaria.


 


- Eu odeio você! Eu odeio você! – a ruiva gritou repetidamente, seus punhos fechados acertando Bellatrix com força, onde quer que alcançassem.


- Qual é o seu problema?! – exclamou, empurrando-a energicamente para longe de si. Poderia usar a varinha, mas a verdade é que não se sentia impelida a tomar nenhuma medida que fosse afastar Lily definitivamente.


- Por que a família McKinnon? O que eles fizeram a você? Sua desgraçada!


- Cale a boca, Lily! – Bellatrix ordenou, segurando-a com força pelo maxilar e mirando a varinha entre seus olhos.


- Me solta. – a mulher balbuciou entredentes e Bellatrix sorriu ao sentir a varinha dela espetar seu estômago. Aquela era a Lily que conhecia. – Por quê?


- Eles não foram os primeiros. Tampouco os primeiros dos quais você soube. Qual é o seu problema?


- Filha da puta! – Lily gritou e Bella desaparatou e reapareceu do outro lado da Casa dos Gritos a tempo de escapar de uma azaração.


- O que foi? Seu marido não te comeu direito essa noite? – provocou quando Lily virou-se para ela, os olhos em chamas.


- Ela era a minha melhor amiga!


- Ah, então é isso... – Bellatrix sussurrou, aproximando-se destemidamente da ruiva que ainda empunhava a varinha – Não importa quem eu matar, desde que não signifique nada para você. Sua hipócrita.


- Eu tenho nojo de você! Nojo de você! – Lily voltou a usar os punhos quando as lágrimas borbulharam em seus olhos e escorreram por seu rosto pálido – Eu tenho nojo de você! Eu tenho nojo de mim... – soluçou e apoiou a cabeça no ombro de Bellatrix.


A morena não recuou, embora nem lhe ocorresse a ideia de um afago ou consolo. Fez o que tinha ido até ali para fazer. O que lhe era certo e seguro, o que tinha para oferecer e para tomar de Lily. Abriu-lhe a capa lentamente e a empurrou para o chão.


- Bella, não.


- Não seja cínica. – a morena disse, segurando o tecido da camisa larga que Lily usava.


- Não! – a ruiva exclamou, um momento tarde demais, quando sua camisa já fora aberta com um único puxão violento.


Lily tentou se cobrir rapidamente, mas os olhos de Bellatrix haviam sido mais velozes. A morena cambaleou para trás, sua mão voltando rapidamente à varinha. Mal tinha tocado nela e foi desarmada. O olhar de Lily havia se tornado subitamente feroz.


- O que...? – perguntou, tolamente.


- Eu estou grávida. – Lily disse o óbvio, finalmente voltando a cobrir sua barriga ligeiramente arredondada. Ela pescou a própria capa no chão, se aproximou e beijou os lábios de Bellatrix delicadamente – É aqui que nos despedimos, Lestrange. – disse e desaparatou.


 


Bellatrix nunca dera um passo – desde seu primeiro – que não fosse para alcançar um objetivo. Não fazia movimentos aleatórios, não era movida por futilidades emocionais. Não que fosse racional demais. Riria de si mesma antes de se qualificar dessa forma – racional. Bellatrix Lestrange era movida a fé e fogo. Mas sempre havia um objetivo a ser alcançado. Para sua causa. Para seu sucesso. Para seu futuro.


Era, de cima a baixo, mergulhada em paixões. Porque fora alimentada com elas durante toda sua vida. Principalmente a paixão por si mesma. Por seu nome. Por seu sangue. Sua pureza, sua superioridade e a certeza em todas essas coisas. Porque era tudo que possuía, sem sombra de dúvidas.


Mas tinha que admitir que, por meses, fora tentada pela proposta de possuir algo mais. Algo que – esse pensamento era angustiante e asqueroso – era mais puro que sua estirpe mágica. Tinha sido tentada, como um cão faminto é seduzido por um pedaço de osso roído. Tinha sido terrivelmente tentada a possuir Lily.


Perdoava-se por um único motivo: tinha resistido.


 


- Um não poderá viver enquanto o outro sobreviver. – Snape estava dizendo, em sua voz rouca e conspiratória que guardava para as grandes notícias. O silêncio no cômodo era profundo e tenso, como sempre.


O Lord das Trevas sentava-se confortavelmente na cabeceira da grande mesa, sua atenção voltada inteiramente para as palavras de Severus. Bellatrix torcia as mãos, muda e concentrada, completamente consciente da dimensão do que estava sendo dito. Uma profecia nunca era algo a ser tratado levianamente.


- Um garoto nascido no fim de julho. – Snape continuou e as palavras ecoaram na cabeça de Bellatrix como gongos. Lily materializou-se em seu cérebro de súbito, seu ventre protuberante entregando seu estado de gravidez. Sua voz suave anunciando o fato: “estou grávida”.


Bellatrix tentou afundar a lembrança para os pântanos de sua mente, mas era tarde demais. Os dois grandes legilimens naquela mesa já tinham os olhos cravados nela. Snape parecia, de repente, aterrorizado. Seu rosto branco como cera, seus olhos enormes e opacos. Já o Lord das Trevas sorria de modo aprovador, meneando a cabeça.


- Você sempre superando as expectativas, cara Bellatrix. – ele sibilou e a morena fez uma reverência submissa. A satisfação de seu Lord duelava bravamente com o pânico sufocado em sua garganta.


Permaneceu imóvel pelo resto da reunião e foi impedida de se levantar, quando todos começaram a se dispersar, por uma mão pesada em seu ombro.


- O que quer, Snape?


- Aquela lembrança... Era... Lily Evans?


- Acredito que o nome correto é Lily Potter. – corrigiu-o e viu aqueles olhos negros se estreitarem perigosamente.


- Como você sabe que ela está...?


- Não é da sua conta. – fez menção de se erguer, mas Snape lhe segurou o braço e mirou os olhos nos seus intensamente.


Bellatrix não precisou ler-lhe a mente para desvendar o que se passava ali. Aquele horror latente, o desespero, a pouca discrição. Não importava como ou por que, o fato é que Snape a amava. Pôde ver o sentimento ali, explodindo bem perto da superfície. E, por um momento, teve medo de que Snape pudesse ver o mesmo nela.


- O problema é a criança. Talvez... se Lily se livrasse da criança... – ele disse e Bellatrix riu.


- Diga-me, Severus... Estamos falando da mesma mulher, aqui?


- Podemos conversar com o Lord. Ele só tem interesse na criança... Nós podemos...


- Nós? – Bellatrix riu com escárnio. – Não existe “nós”.


- Mas você...


- Eu não me importo.


 


Dizem que grandes bênçãos aguardam aqueles que resistem às tentações. Mas as coisas nunca tinham andado nos eixos para aquela Lestrange. Lily Evans – Potter – fora um desalinho. Nem fé, nem fogo, nem paixão. Não deveria ter se surpreendido que o dia da ruína dela fosse o dia de sua própria ruína.


Lembrava-se agora com clareza, com extrema limpidez. Lembrava-se do farfalhar do vento nas folhas. Do ranger do portão. Dos passos do Lord das Trevas ecoando até a porta daquela casa simples. Lembrava-se da impaciência de esperar do lado de fora. De esperá-Lo retornar. Nunca acontecera.


Tinha sido atingida pelos escombros quando parte da casa explodiu, as pedras voando pelos ares. Lembrava-se da solidez de sua varinha, de como a apertara com desespero, enquanto invadia a propriedade e corria pelas escadas, buscando... Por quem? Isso não sabia dizer, por mais que se esforçasse. Naqueles momentos de seus pés pisando sobre os destroços da construção, não sabia quem queria encontrar.


Tampouco teve tempo para descobrir, naquela noite ou nos meses e anos seguintes. Tudo que restara fora um corpo inerte caído no chão, envolto pelo choro convulsivo de uma criança. Aquele choro que arrepiou Bellatrix até a nuca. Ninguém teve a insensatez de tocar no bebê. E ele continuou lá, em seu berço de madeira, berrando a morte de Lily como Bellatrix nunca berraria.


Podia ouvir a balbúrdia feita pelos Comensais, os desentendimentos que começaram imediatamente ao sumiço do Lord. Ouvia o som de azarações sendo lançadas e de pedra estourando. Tão perto que poderia estar acontecendo na sala ao lado. Os ecos daquela noite morariam em sua cabeça por toda a eternidade.


Então passos se precipitaram pelo corredor e Bellatrix arregalou os olhos, em um impulso incontido, e se lançou pela porta.


- Lily! – exclamou, antes que pudesse conter a voz na garganta. Em resposta, levou um tapa seco na face esquerda.


- Nunca mais pronuncie esse nome. – disse a voz conhecida de Narcissa. Bellatrix ergueu a cabeça e mirou os olhos azuis de sua irmã – Ela está morta. E você está sendo resgatada. 

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N/A: Só pra entrar no clima do show, vou dizer "todo carnaval tem seu fim". hahaha Obrigada pra quem leu. Agradecimentos maiores ainda pra quem ler esse último capítulo. ;)) Espero que tenham curtido a viagem. 

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Comentários: 2

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Enviado por Willow Rosemberg em 04/07/2012

Wow, tudo de bom! Parafraseando a MiSyroff "De tirar o fôlego"!

Sério, foi uma das melhores que já li!

Nota: 5

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Enviado por MiSyroff em 21/06/2012

De tirar o fôlego...
E certos carnavais deviam ser eternos, mas por enquanto a gente brinca de ser feliz ^^ 

Nota: 5

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