Flora passa alguns dias no hospital até que o ferimento do braço para de sangrar. Estava muito debilitada, Hermione ficara de acompanhante, já que Felipe estava com os filhos em casa. Harry passava diariamente no hospital para visitá-la. No penúltimo dia da internação Hermione pede para que Harry fique no lugar dela por algumas horas, para poder ir para casa ver os filhos que estavam de férias. Harry e Flora não conversavam a sós desde que ela viera para o hospital. Ele pergunta, preocupado:
- Como você está?
- Fisicamente bem. Quero voltar para casa. Meu braço parece curado, apesar de doer um pouco. Mas dói bem menos que aqui (ela aponta para o peito, ele segura sua mão).
- Também estou muito angustiado com essa situação, dói muito no peito, não sei o que fazer.
- Não há nada para fazer.
Ela responde, numa tentativa desesperada de esconder de si mesma seus sentimentos.Ele comenta, um pouco nervoso:
- Eu sei. Mas não consigo me afastar de você.
- Não se afaste. Aos poucos a energia se transforma. Seremos como irmãos, então...
Flora ri. Harry passa a mão na testa, puxando os cabelos para trás. Fecha os olhos. Ele não queria mais continuar, então sutilmente muda o assunto:
- De certa forma, já somos parentes.
A mudança brusca na conversa a pega de surpresa:
- Como assim?
- Temos um ancestral comum, Perverell. Existe até um conto sobre os irmãos Perverell, Hermione pode contar para você, ela é melhor nisso que eu.
- Pedirei a ela, então...
Ela comentou, mas não queria ter mudado de assunto, sentia-se confusa, não esperava que ele aceitasse tão facilmente a proposta de serem só amigos. Na verdade ela não desejava isso, apenas quis ser educada. Ao mesmo tempo que sentia que deveria respeitar a vontade dele. A conversa que se deu em seguida começou ainda mais tensa:
- Mas não é só pelo que sinto por você que meu peito dói tanto: o que vai ser de mim? Da minha família?
Harry respira fundo, por um momento havia esquecido tudo o que ela passara, depois continua:
- Você foi inocentada. Já dei um jeito de colocar no Profeta Diário o desmentido sobre você sair atacando trouxas indefesos... Não sei até que ponto isso vai dar um fim na perseguição da sua família, mas foi o que pude fazer. Felizmente gozo, atualmente, de certo respeito.
Flora fica aliviada com a resposta. De fato, ela já havia conversado sobre tudo isso com Hermione, mas precisava ouvir de Harry para se sentir segura:
- Imagino... Um certo todo respeito do mundo. Obrigada. A nenê de Neville e Hannah nasceu? Está bem?
E Harry aliviado com a mudança de assunto, chaga a sorrir:
- Nasceu. Está muito bem, a mãe também. Neville não para de falar que apesar de ser sua filha, a menina é linda. Ele tem razão. Nas duas coisas, acho.
- Qual é o nome dela?
- Joanne, em homenagem à mãe de Hannah. Todos acabamos fazendo isso, dar o nome dos nossos pais.
Flora fica em silêncio. Harry começa a comentar:
- O que aconteceu na casa dos gritos...
- Esse é o nome daquela casa? Que interessante... Por mais que seja impossível esquecer, logo será uma agradável lembrança. Fique tranqüilo, se a casa não gritar, ninguém saberá.
- Não, ela não grita. (Ele ri, olhando curiosamente para ela).
- Por que esse nome?
- É uma longa história...
Harry suspira. Flora comenta, sorrindo:
- Acho que dá tempo de você me contar até eu pegar o próximo trem.
Ele chacoalha a cabeça, como se não compreendesse:
- Você vai pegar um trem?
Flora mostra o braço ainda cheio de curativos, de onde saía um pequeno dreno. Harry sorri amarelo:
- Ah, entendi: temos muito tempo você não vai a lugar algum. Estou fora de órbita, não consigo pensar direito, é muito difícil ficar aqui do seu lado, mas já venci batalhas piores...
Flora comenta, concordando:
- Acredito que estar próximo de meus pais era ainda pior...
Desconcertado, Harry diz, erguendo as sobrancelhas enquanto apertava os lábios:
- Na verdade não, pois com eles estava claro que eu deveria lutar... Ao seu lado eu luto contra mim mesmo...
Harry respira fundo, a olha nos olhos. Flora morde os lábios e ergue as sobrancelhas, tomando fôlego:
- Harry, logo tudo estará em seu lugar. Até as dores da alma cicatrizam...Você ia me contar sobre a casa do choro...
- Gritos, casa dos gritos. Bem, a casa era um esconderijo para meu compadre Remo Lupin se esconder nos seus tempos de escola, durante o período da lua cheia. Não lembro se lhe contei, ele conheceu meu pai na escola e foram grandes amigos. Ele era lobisomem, os gritos ou uivos eram dele. Ele, Sirius, meu pai e o Pedro Pettigrew - conhecido como Rabicho, o traidor que deu o endereço dos meus pais para Voldemort - eram grandes amigos. Meu pai, Sirius e Rabicho eram animagos, se transformavam em animais para fazer companhia para Lupin, pois é muito perigoso para um homem ficar com um lobisomem, mas não para um animal. A casa é ligada à Hogwarts por um túnel, cuja entrada fica embaixo de um salgueiro lutador, poucas pessoas sabem como imobilizá-lo para poder usar a passagem. Conseguiu entender? Pareço a Hermione, estou falando se parar.
- Claro... Puxa! Eu não sabia que bruxos podiam se transformar em animais...
- Ah, podem. Mas não são todos. A professora McGonagall se transforma em gato, meu pai era um cervo, Sirius era um cachorro enorme todo preto... Isso faz tanto tempo...
Então Harry se distrai contando, animado, as muitas vezes em que viu o padrinho em sua versão cão Almofadinhas. E ambos se divertem em pensar como seria a vida com um rabo para abanar.