-Pobre e tolo Malfoy. –sorriu diante do jardim que cercava o chalé. O homem ao seu lado tinha uma expressão tensa e preocupada, Bela sorriu novamente. – Ora ora, Edmund...está com medo? Cuidado para não borrar as calças..
O homem a fitou com aborrecimento proeminente em seu rosto, a mulher lhe devolveu o olhar em um claro desafio. Edmund apertou os lábios e voltou a encarar a pequena casa, não era idiota o bastante para aborrecer Belatriz. Haviam procurado por eles 5 dias e 5 noites, sem descanso, Belatriz sentia a obsessão por capturá-los fincar em cada parte de sua alma, acabara tornando-se um jogo de caça e caçador. Não foi muito difícil descobrir que a sangue ruim ainda respirava, Pobre e tolo Malfoy, sempre fazendo merda, assim como seu querido pai . Ficaram dias ali, espiando entre as árvores da densa floresta, cada movimento dentro do chalé, cada sussurro, alguma evidência de cúmplices naquela traição, mas não aparecera ninguém. Quando descobriu que Malfoy não matara Granger, a mulher não pôde evitar a satisfação de encontrar o pequeno segredo de Draco, nada lhe daria maior satisfação de vê-lo ser castigado por mentir para seu Lorde, porém só depois da segunda noite entre aquela floresta que cercava o chalé foi que descobriu a profundidade da omissão, da mentira por um pequeno capricho, era muito mais do que aquilo, Como pôde trair seu sangue seu garotinho sem escrúpulos, como pôde trair seu mestre...ficara alarmada ao ver a garota sair para o pequeno jardim, livre, sem nenhum tipo de corrente lhe prendendo, nem ao menos um ferimento, o último encontro que tiveram, Granger estava fraca, ensangüentada e mais desacordada do que consciente, a surpresa fora abruptamente interrompida pela fúria que cresceu dentro da mulher. Se vingaria daquele traidor que ousara acolher uma sangue ruim dentro de uma propriedade de bruxos de alto nascimento e sangue puro, era uma afronta ao Lorde das Trevas e a nova era que ele construíra, era uma afronta até mesmo para sua estúpida irmã que o pariu um dia.
-Quando vamos invadir o chalé? –Edmund já estava impaciente, mais um dia observando aquele maldito chalé e desistiria de tentar fazer o que lhe fora ordenado.
-Agora. –disse mostrando seus dentes apodrecidos em forma de um sorriso cruel.
-Mas Draco não está lá dentro, nos foi ordenado...
-Vamos entrar agora, Edmund!-respondeu friamente. –E quando Draco abrir a porta, terá uma pequena surpresa. –os pelos da nuca do outro comensal eriçaram-se em resposta ao sorriso da mulher.
********************************************
Os raios de sol já iluminavam o horizonte e Marcus e Luna não tinham dado nenhum sinal de que tudo havia corrido bem, Marcus estava a procura de alguns velhos amigos que poderiam ajudá-los, mas assim como os quatro, o pequeno grupo de pessoas que eram contra as idéias de Voldemort viviam entre os ratos e becos, sempre escondidos, sempre mudando de cidade e por vezes de país. Neville passava as horas sentadas na poltrona de frente pra janela, esperando, esperando por dias, semanas, a esperança de que veria Luna novamente era tão escassa quanto a possibilidade de acharem aliados. Não devia tê-la deixado partir. No começo, se opôs a viagem, mas Luna sempre conseguia o que queria. “Dessa vez vai dar certo Nev, eu sinto que vai” disse a ele antes de beijá-lo nos lábios.
-Neville, precisa descansar, não pode ficar olhando essa janela para sempre. –aconselhou Gina, uma vez que perdera o sono e o encontrara ali.
-Deveria ter ido no lugar dela. –a culpa corroia seu peito cada noite que percebia que eles nunca voltariam, poderiam estar mortos, ou muito pior, capturados.
-Seria imprudente fazer isso, e foi por isso que não o fez. Marcus é um bruxo muito mais experiente do que nós, e Luna sabe usar sua varinha também, e além disso são amigos, foi mais proveitoso Luna ir com ele, do que eu ou você, nem sequer sabemos quem são essas pessoas que eles estão procurando.
-Não importa Gina. –respondeu um pouco mais seco do que desejava. –Luna está correndo perigo e eu estou aqui sem poder fazer nada, nem ao menos sei para onde eles foram. Ela é tão teimosa, deveria ter ficado aqui com você. –suspirou irritado.
-Oh Neville, nós dois sabemos que isso não teria ornado corretamente. –murmurou desconfortável, Neville fitou-a confuso. –Luna e eu não conseguiríamos ficar sob o mesmo teto sem você, nem por um dia.
-Vocês eram melhores amigas, Gina. O que aconteceu? Mal se falam agora, se dirigem uma a outra apenas para dizer o essencial.
Gina desabou na poltrona ao lado de Neville, parecia tão cansada e frágil, diferente do que mostrava ser na maioria das vezes, sempre tão feroz, inabalável e rude, por um instante teve vontade de abraçá-la e fazê-la rir como quando eram jovens.
-Eu não sei o que aconteceu comigo e Luna, parece que tudo mudou e nada restou de nossa amizade, depois que Harry...depois de sua morte, parece que nossa amizade partiu junto à ele. Dividíamos segredos e agora se dividimos um cômodo por meia hora é muito. Queria que tudo voltasse a ser como era antes. –seus olhos estavam cheios de lágrimas, a última vez que Neville viu Gina chorar fora logo depois de fugirem de Hogwarts. O jovem se aproximou e envolveu a ruiva em seus braços. –Maldito seja Voldemort. –sussurrou amarga. –E Harry também.
Os ombros do Neville ficaram tensos após ouvir Gina, tentou se afastar educadamente mas a mulher o puxou com força.
-Não me deixe Neville, você é o único que sempre esteve comigo, sempre, nunca me deixou. –ela o fitou melancólica e o rapaz desviou os olhos corando. –Deveria ter feito tudo diferente, você era o meu melhor amigo e me amava...- Neville saltou da poltrona aflito.
-Gina, do quê está falando...isso faz muito tempo, muito tempo.-repetiu tentando dar ênfase no quão errado era falar sobre aquilo. Ela o encarou envergonhada e abaixou os olhos rapidamente. Como ela ousa me lembrar desses sentimentos. Faziam tantos anos, mas não o suficiente para as memórias terem um gosto menos amargo.
-Me desculpe, Neville, oh Merlin, estou enlouquecendo! Não tenho direito algum de fazer isso, escolhi o Harry. –seus olhos tinham tanta culpa, mas não foi o suficiente para silenciá-lo.
-Sim, você escolheu o Harry, Gina, eu sempre estive com você e mesmo assim você sempre o escolheu. –não pretendia respondê-la com tanto ressentimento, mas quando percebeu já havia dito. Ela arregalou os olhos em surpresa, seus lábios apertaram-se com tanta força que chegou a deixá-los sem cor, seu rosto e pescoço tomaram uma tonalidade de vermelho vivo, assim como seus cabelos.
-Sim eu o escolhi e o quê você fez?! Não fez nada, nunca fez nada. O que queria que eu fizesse? Tanto tempo para se declarar e você o fez justamente quando eu e Harry estávamos prestes a dizer a todos que não éramos somente amigos, tanto tempo Neville, por quê? Deveria ter dito, deveria ter lutado por mim, mas não, eu lhe disse que estava namorando com Harry e você me abraçou parabenizando-me por isso! –só então Gina percebeu que estava gritando.
-Nada que eu fizesse seria o suficiente para fazer você mudar de idéia! –disse agarrando os braços da garota com um força exagerada. –Você sempre foi insana quando se tratava do Harry, pare de dizer que eu nunca fiz nada, eu fiz tudo que podia, eu estive com você por todos esses anos, quando você era invisível e quando se tornou parte do time de quadribol, eu estive com você quando ele só a via como uma garotinha e depois, quando ele percebeu que tinha o amor da melhor garota do mundo. Eu amei você de todas as formas, Gina! –e naquele momento se esqueceu de tudo, a única coisa que conseguia pensar era em fazer o que sempre teve vontade. Enroscou seus dedos entre o cabelo avermelhado de Gina e a puxou para beijá-la, sentiu uma corrente elétrica passar por todas as veias de seu corpo, imaginou que ela o empurraria mas em uma feliz surpresa sentiu seus lábios envolvendo os dele docemente, assim como as pequenas mãos enterrando seus dedos em sua nuca. Sentiu que as barreiras que ambos tinham imposto para prezar a amizade haviam sido esmagadas por cada beijo que davam e recebiam, por cada suspiro de prazer que escapavam dos lábios quando o outro ousava mais nas carícias.
Quando perceberam já estavam deitados no velho carpete do cômodo.
*****************************
Draco. Draco, não volte agora, não volte, por favor.
Sentiu o gosto de sangue na boca após outro forte tapa.
-Crucio! –e mais dor, era tão forte e permanente, todos seus ossos doíam, seus olhos ardiam e seus dentes latejavam, os dedos dos pés estavam endurecidos e formigavam.
Draco, não volte, vão matá-lo, não volte, Malfoy.
-Sentiu minha falta, Granger?-Belatriz sorriu novamente , fazendo Hermione desviar os olhos. A mulher ergueu a varinha para a morena novamente mas sua expressão ficou séria e então virou-se defensivamente para a porta, o homem que estava com ela virou-se também erguendo a varinha, um pequeno barulho preencheu o chalé, o outro comensal juntou-se a eles. Hermione estremeceu ao vê-lo.
-Não, Draco! –gritou horrorizada ao pensar no que poderia acontecer à ele. O loiro não a encarara desde que chegara, sua varinha estava apontada para os outros dois comensais.
-Cale-se, maldita sangue ruim! –Hermione gritou de dor ao sentir a dor em seus joelho direito, onde o homem a chutara. Draco avançou um passo e Belatriz puxou Hermione pelos cabelos, pressionando a ponta da varinha contra seu pescoço.
-Não se atreva! Se machucá-la novamente, juro que mato você! -Belatriz riu em escárnio.
-Como percebeu que estávamos a sua espera, sobrinho? –perguntou a comensal fingindo interesse.
-Consigo sentir o cheiro dos meus, tia Bella, cheiramos todos a morte. –sorriu para ela.
-Você é tão estúpido, Malfoy, pensei que você fosse idiota como seu pai era, mas é muito mais do que isso. –O deboche da mulher foi substituído por ódio. –Você é como Snape, traiu seu mestre por uma sangue ruim, assim como ele! Mas você irá morrer também, o meu Lorde irá puni-lo , mas antes, você a verá morrer, eu a matarei lentamente Malfoy e você irá assistir! –Draco fitou Hermione sem expressão, mas ela pode notar o desespero oculto em seus olhos acinzentados.
-Sectumsempra!-gritou Draco , o feitiço chicoteou e Belatriz empurrou Hermione para o outro comensal.
-Avada Kedavra! –Hermione congelou ao ouvir o feitiço, a sala iluminou-se com luzes verdes e brancas, os feitiços mergulhavam no ar de um modo violento, havia flashes como raios por todos os lados.
Hermione percebeu que o homem estava mais preocupado em ter que dar reforço a Belatriz do que imobilizá-la, e quando o homem desviou os olhos dela novamente ela fechou seu punho esquerdo e socou a virilha do comensal com toda a sua força. O homem urrou de dor, foi o bastante para a morena conseguir agarrar sua varinha.
-Experlliarmus! –o homem foi atingido e jogado contra a parede, Hermione se virou e um flash verde passou por sua face a centímetros de distância, lançou um feitiço na direção de Belatriz mas essa desviou com outro feitiço. Hermione viu o corpo de Draco no chão e o por um momento pensou que tudo estava perdido.
-Avada Kedavra!
-Estupefaça! –a luz vermelha atingiu a comensal no peito, atirando-a para longe. Hermione não olhou para trás, apenas segurou Draco pelos ombros e aparatou.
Para longe, bem longe. Tum, Tum.
Abriu os olhos e eles arderam com a claridade do Sol, tentou reconhecer o lugar onde aparatou , mas a casa a sua frente estava em ruinas, tentou buscar alguma lembrança do lugar e então seu coração perdeu o compasso. Isto é o que sobrou da Toca.
COMENTEM!