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7. Arrependimentos


Fic: Behind the Facts - RxHr - Capítulo 9, Bitches!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Disclaimer: Harry e seus personagens pertencem à Jo e à WB, todos nós sabemos, o que vocês não sabem é que se a mim pertencessem, eu sinceramente não teria poupado a vida de alguns personagens... #badgirl :P



Novembro de 1997


 


Mais uma noite em claro.


 


Essa era a rotina desde o dia em que Ron Weasley aparecera no Chalé das Conchas. Sem muitas perguntas, Bill o recebeu. Quis saber apenas onde Harry e Hermione estavam, porque não estavam juntos e o que havia acontecido. Ron não respondeu, preferiu o silêncio a ter que admitir que era um covarde.


 


O ruivo aparatou diante do jardim em uma manhã ensolarada de sábado. Ele não via o chalé, mas esperaria até que Bill ou Fleur aparecessem. Durante algumas horas, Ron teve a oportunidade de refletir sem ser incomodado; apenas o barulho das ondas morrendo na praia como companhia. Ele deixara Harry e Hermione para trás havia dois dias e o remorso já o corroía por dentro como uma poção mal preparada.


 


Sem o peso do tormento do medalhão e depois da pequena aventura para se livrar dos sequestradores, Ron sentou-se em uma pedra e esperou e pensou e se envergonhou. Era ridículo ter fugido daquela forma. Era ridículo estar ali sentado, deveria procurar por Harry e Hermione, deveria achá-los e se juntar a eles novamente e... Ele deveria várias coisas.


 


A princípio, aparatou de volta à clareira onde estavam, mas já era tarde. Harry e Hermione não estavam mais lá e a pequena esperança que Ron tinha de poder se desculpar evaporou. Ele ficou parado no meio da floresta durante uma hora, sem saber o que fazer e para onde ir. Sentou-se no chão úmido e começou a sentir-se o fracassado de sempre, agora com um adicional de covardia injustificada.


 


Depois de lamentar o que podia, Ron aparatou na orla de uma floresta próxima a um vilarejo onde ele, Harry e Hermione haviam passado uma noite. Precisava comer algo, tentou pensar em uma maneira de conseguir comida, mas estava sem dinheiro e não poderia convocar nada, afinal não era normal comida sair flutuando por aí.


 


Teve vontade de ir a Londres tentar falar com o pai, mas sabia que era muito perigoso; a família estaria em perigo se ele fosse visto em qualquer lugar. Sem um lugar para se refugiar, ficou andando às tontas pelas ruas de Liverpool, quando avistou dois comensais da morte próximos ao prédio da prefeitura da cidade. Ron deu meia volta, entrou numa viela suja e escondida e desaparatou.


 


Sem saber por que, aparatou perto do lago onde estiveram apenas dois dias antes de ele agir como um estúpido. Jogou a mochila no chão e sentou-se, com a certeza absoluta de que não teria onde se esconder. Estaria à mercê dos comensais assim que encontrasse um inteligente o suficiente para perceber que ele havia enganado a equipe do ministério.


 


O vento soprou levemente e Ron lembrou-se do Chalé das Conchas. Será que ele vai me aceitar? O que custa tentar?


 


E assim, naquela manhã, depois de dois dias miseráveis, Ron aparatou próximo ao lugar onde sabia estar o Chalé das Conchas. Não o via e sabia que havia um feitiço fidelius ali. Teria de esperar, mas o faria pacientemente, afinal aquele seria o único lugar seguro no mundo para ele.


 


Xxx


 


- Ron? – O sotaque e a voz suave de Fleur encheram o quarto. O ruivo estava de pé junto à janela observando o mar.


 


- Fleur! Bom dia! – tentou sorrir, embora fosse inútil. Não havia motivos para fingir que estava... como ele estava se sentindo afinal?


 


- Bill pediu para eu ver se você já estava de pé. Bom, ele quer falar com você.


 


- Ok, eu desço daqui a pouco, obrigado!


 


Fleur fechou a porta e Ron voltou a olhar o mar. Ele sabia que tinha uma conversa séria pela frente.


 


Xxx


 


Quinze minutos se passaram quando Ron desceu as escadas. Ele, Bill e Fleur tomaram café em silêncio. Até as ondas haviam se acalmado e o barulho que vinha do mar era quase um sussurro.


 


Meia hora de silêncio e Ron começou a ficar nervoso, queria que Bill começasse logo a falar o que queria; suspeitava que não seria uma conversa agradável e ele não sabia exatamente o que esperar, já que jamais teve uma conversa séria com o irmão.


 


- Ron, você pode me acompanhar?


 


- Er... claro!


 


- Vamos. – e seguiram para o jardim atrás da casa.


 


Xxx


 


O Chalé das Conchas ficava em uma praia relativamente deserta com areia muito fina e branca. Havia um paredão de rocha maciça no lado esquerdo que se erguia a 50 metros de altura e à direita a extensão da praia de onde não era possível ver a cabana mais próxima. Pertencia à Muriel, que cedeu o espaço para Bill e Fleur poderem viver até que pudessem ter sua própria casa.


 


Ron lembrava-se de fins de semana durante as férias quando a família ia junta ao Chalé. Fred e George gostavam de pular do penhasco. Ginny ficava sempre por perto de Molly. Ron costumava correr pela praia enquanto Arthur observava o horizonte ao lado de Molly. Aqueles foram dias felizes.


 


Bill sentou-se sobre a pedra onde Percy costumava passar horas lendo. Esperou Ron acomodar-se.


 


- Ron, não me entenda mal, por favor, mas eu preciso entender o que está havendo.


 


- Parece justo.


 


- Onde estão o Harry e a Hermione?


 


- Não sei.


 


- Como não sabe? Você aparece aqui, sozinho, com jeito de que estava fugindo de alguém...


 


- Eu não sei, Bill. Eu te contei que fugi de sequestradores, tive que me virar pra eles não me pegarem. Esses caras são perigosos, mesmo que o bando que tentou me pegar não fosse o mais inteligente.


 


- Não se faça de inocente, Ron. Você sabe muito bem do que estou falando.


 


- Não, não sei! – Bill impacientou-se.


 


- Ron, o que houve? Será que você pode pelo menos me dizer por que razão apareceu aqui sozinho? Acho que você me deve essa explicação.


 


O ruivo ficou olhando para o horizonte. Como iria dizer ao irmão que havia se portado como um covarde e abandonado seus amigos por uma razão totalmente ridícula? Será que teria a coragem de admitir sua fraqueza? Porque isso significaria admitir que não era confiável, que poderia até mesmo abandonar sua família e... Não, minha família não.


 


- Bill, olha eu queria poder te contar tudo, tudo mesmo, mas eu não posso. Só o Harry vai poder te contar e se ele quiser, o que eu acho impossível.


 


- E por que você não me diz pelo menos onde estão os seus amigos. Me desculpe a insistência, mas desde que eu conheci o Harry, vocês são muito próximos, dividiam o quarto na Toca, jogaram juntos no time de quadribol da escola. Ron, você não precisa me contar detalhes, eu não quero saber deles, mas não gosto de ver meu irmão desse jeito, desolado, como se o mundo inteiro não tivesse importância alguma.


 


E não tem mesmo.


 


- Obrigado por tudo, Bill. Eu sei que deveria te contar tudo, mas eu realmente não posso. Não cabe a mim te contar o que estamos fazendo e...


 


Ron estava tão acostumado a sempre estar com Harry e Hermione e pensar juntos, agir juntos que ele sentiu uma pontada diferente no peito quando falou como se eles estivessem do outro lado do jardim. De repente, a ideia exata de que já não fazia parte do Trio o atingiu como um raio. Ele abaixou a cabeça, incapaz de conter a onda de amarga tristeza que o tomou.


 


- Ron? – Os punhos estavam cerrados e quando voltou a falar, o ruivo parecia estar com os dentes trincados, como se estivesse fazendo um esforço enorme para conter alguma emoção.


 


- Eu não queria ter ido embora. Eu os deixei em uma floresta, desaparatei de lá no meio de uma tempestade. Eu estava... estava furioso e o ciúme estava me corroendo por dentro. Sei que é estupidez minha, mas eu simplesmente não consegui me conter, foi muito mais forte do que a minha vontade de parar de pensar em todas aquelas idiotices.


 


- Ron, você não precisa me contar agora. – Bill assustou-se com a reação do irmão. Algo de muito sério havia acontecido e ele não sabia exatamente como agir.


 


- Eu preciso falar com alguém, Bill. O remorso tá acabando comigo, não consigo sequer dormir direito porque não paro de imaginar o que pode estar acontecendo com eles. Não sei se estão a salvo. Vivos eu sei que estão, porque a primeira coisa que farão se pegarem o Harry é anunciar pra todo o mundo bruxo e isso não aconteceu... ainda. – ele acrescentou em um tom mórbido, cheio de desesperança.


 


- Pelo que eu vejo alguma coisa deu errada entre vocês. – Ron tentou falar. Bill o interrompeu. – Não, você não precisa me dizer nada. Eu já entendi que a razão principal para você, a Hermione e o Harry terem sumido não pode ser dita; entendi também que você os deixou e que está arrependido. E também entendi que eu tenho um irmão precioso.


 


- Você está brincando, não é? Eu deixei meus melhores amigos pra trás por puro egoísmo. Eu os deixei porque fui incapaz de pensar nos outros e só pensei em mim.


 


- Ron, todos nós fazemos isso. Não existe altruísmo puro e indelével. Todas as nossas atitudes são movidas por razões das quais não temos o menor conhecimento, a menor ideia de que existem até que elas nos atingem com a força de um feitiço estuporante. Você não é melhor nem pior por ter deixado o Harry e a Hermione, você foi apenas humano, e nós erramos. Todos nós erramos. – Bill colocou a mão no ombro do irmão, que levantou os olhos cheios de tristeza e remorso.


 


- Mas Bill, e se o Harry e a Hermione não quiserem mais ser meus amigos? Não sei se tenho o direito de pensar isso, mas eu queria acreditar que eles vão me perdoar um dia, que vão me entender. Queria poder acreditar nisso, mas tem sido difícil.


 


- Você é a única pessoa no mundo que tem a capacidade de saber se eles vão ou não te perdoar. Vocês são amigos muito próximos, sempre juntos. Pelo que entendi, quando o papai me contou que você havia conhecido o Harry, você foi o primeiro amigo de verdade dele. Não convivi tempo suficiente com ele para conhecê-lo, mas o pouco tempo que o observei, percebi que ele tem um coração bom e compassivo. Ele vai te entender. Me atrevo a dizer, inclusive, que ele está sofrendo porque você não está lá.


 


- Como é que você pode dizer isso? Como é que você sabe disso? Eu o abandonei quando ele mais precisava de mim.


 


- Você teve um momento de fraqueza, e todos nós temos esses momentos. Todo mundo pode errar, se deixar levar por um instante de desespero cego. E pelo que vejo, foi isso que aconteceu.


 


Ron abaixou a cabeça e preferiu não responder. Ele não sabia o que dizer. E apesar do otimismo de Bill, não tinha tanta certeza que Harry o perdoaria e muito menos que sentia a falta dele. Quem afinal sentira falta dele?


 


- E acho que a Hermione também deve estar sentindo a sua falta.


 


- Duvido.


 


- Mas você também não pode dizer que não. – O ruivo olhou para o mar.


 


- Antes de eu sumir, ela me pediu pra voltar, foi atrás de mim, gritou meu nome. Eu ouvi a súplica na voz dela, mas não liguei. Só que no minuto em que eu desaparatei, percebi meu erro, mas não tive como voltar.


 


- Eu já disse que não precisa me explicar nada. Você é o único que vai poder consertar o seu erro, seja lá qual tenha sido. E mantenho minha opinião: o Harry e a Hermione vão saber te perdoar, tenho certeza.


 


- Quem sabe...


 


- Vou te deixar sozinho. Desculpe pela insistência, não vou mais te importunar com perguntas.


 


- Não tem problema. Obrigado por me ouvir.


 


- É para isso que os irmãos existem.


 


Xxx


 


Duas horas haviam se passado e Ron continuava sentado no mesmo lugar onde o irmão o havia deixado. Tentou de todas as formas se convencer de que as palavras de Bill tinham alguma lógica. Tentou agarrar-se a elas, uma esperança discreta de que fossem verdade, mas... Ele respirou fundo e ficou de pé sobre a pedra. O sol estava alto e o vento soprava forte; a praia sempre deserta parecia mais desolada ainda naquela manhã.


 


Na verdade, tudo parecia mais sombrio e solitário. Tudo parecia sem graça e sem sentido.


 


Bill soltou uma gargalhada alta e satisfeita. Estava na cozinha com Fleur e os dois conversavam animadamente. Ron observou a silhueta do casal pela janela distante e sentiu uma pontada de saudade diferente. E era sempre Hermione quem vinha à cabeça quando via o irmão e a cunhada juntos. Você tem muita sorte, irmão, muita sorte.


 


Será que ela sentia saudade dele também? Por que sentiria? Afinal, eu a deixei pra trás.


 


Será que ela pensava nele tanto quanto pensava nela? Ela tem coisas mais importantes em que pensar. Até parece que vai ficar se ocupando comigo.


 


Será que ela o perdoaria? Duvido! O que eu fiz é imperdoável.


 


“E acho que a Hermione também deve estar sentindo a sua falta.” Ron passou uma hora inteira pensando no que o irmão lhe dissera. Queria tantas coisas, mas dentre todas elas a que ele mais desejava era poder ter a certeza de que Hermione o perdoaria... um dia.


 


Eu queria tanto acreditar no que você me disse, Bill, tanto, mas como vou me convencer disso? Sou um belo covarde, cheio de medo e convencido de que não acrescento nada a essa guerra toda. Não sei por que inventei de acompanhar o Harry. Por quê? Pra quê? Só por que a Hermione disse que a gente deveria?


 


Ron não havia notado, mas estava longe do chalé. Sentou-se na areia.


 


Não, não foi porque ela disse que a gente deveria, foi porque eu acreditava no Harry e sabia que eu jamais o deixaria ir a qualquer lugar sozinho. Ele é meu melhor amigo, ainda é, e eu não poderia deixá-lo, foi por isso que abandonei todo o resto. Eu poderia ter ficado em casa, confortável e protegido pelo meu status, mas não quis assim. Preferi agir, assumir um lado dessa história e é o lado certo, eu sei disso.


 


Sentiu um calor diferente arder no coração.


 


Eu vou achar esses dois, não sei como, mas vou. E quando conseguir, vou fazer de tudo pra provar que nunca mais vou abandoná-los, nunca mais! Eu vou voltar, eu vou!


 


Xxx


 


Muito longe dali, sem razão nenhuma, Hermione pensou em Ron. Ele vai voltar, eu sei que vai.


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Oh my, perdão pela demora. Não sabia que ia demorar tanto tempo pra publicar. De qualquer forma, espero que tenham gostado do capítulo e vou tentar não demorar com os próximos capítulos (que serão 3 ou 4). Obrigada por terem lido e deixem seus comentários, é tão legal saber o que vocês estão pensando.

Até a próxima! \o 

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Comentários: 3

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Enviado por Babi Valerio em 06/12/2011

POOOOOOOOOOOSTAAAAAAAAAA LOGOOOOOOOO haushauhsuahsuaushuahs to amando <3

Nota: 5

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Enviado por lumos weasley em 21/09/2011

que bom que postou, gostei muito do capitulo. espero que o outro chegue logo. 

Nota: 5

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Enviado por o chapeu seletor em 19/09/2011

aah, ta ficando ótimo (: postem logo !

Nota: 5

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