REGINA NOX
Prólogo
Hermione Granger era de família pertencente à recém-nascida burguesia agrária britânica. Eu era ninguém, apenas um homem órfão de pai e mãe. De um pai que, enquanto vivo, empenhava-se em destratar-me e de uma mãe omissa. Minha menina possuía uma mãe justa e tolerante e um pai que por ela e por seus irmãos tudo seria capaz de fazer, alguém que lhe deu exemplos de como agir. Exemplos que, no futuro, ela pouco seguiria. Eu tinha apenas a mim mesmo. E à senhora Dor, minha mais fiel companheira.
No aconchego de seu lar havia uma enorme biblioteca, com livros cujas páginas, embora as devorasse tão avidamente, ela persistia em contrariar.
Hermione carregava o nome de uma personagem de uma peça Shakespeariana – “O Conto de Inverno”. E amá-la para mim, entrementes, era um inferno interno. Um inverno eterno.
Minha Hermione também seria protagonista de uma peça. Dantesca, mas tão... minha. Ou nossa.
E – voilà! – eis o primeiro ato.