Capítulo 15 - O começo do fim.
Ela: E se eu não existisse?
Ele: Eu te inventaria.
Frio. Calor. Chuva. Sol. Noite. Dia. Hoje. Amanhã. Sonhos. Pesadelos. Pureza. Pecado. Isso era Draco Malfoy e Hermione Granger.
Mas também era amor... Ah, amor! O que dizer do amor? Não, eu não saberia descrever o que seria esse sentimento tão complexo. Ou tão simples. Mas quem sabe aqueles que já sentiram soubessem... Talvez não. Poderiam estar tão confusos quanto um ser que nunca sentiu pernas bambas e coração bombeando com tanta velocidade que seria capaz de quebrar uma das costelas! Porque é isso que o amor causa. Uma confusão deliciosamente inebriante.
E ali estavam eles, gritando um com o outro. Gritos altos, escandalosos e furiosos.
-ONDE VOCÊ ESTAVA? – Hermione perguntou de novo, mesmo que Draco já tivesse lhe respondido há cinco minutos.
-Eu estava trabalhando, Hermione! – ele gritou de volta, irritado. Foi até a janela e suspirou, tentando se acalmar.
-Ah, claro que sim. Porque eu não percebi antes? – ela riu, debochada. Olhou no relógio e fingiu surpresa – Oh, será por que já passa das onze da noite?
-Hermione... – Draco se virou de novo e viu que ela estava chorando. E Hermione nunca chorava na frente dele.
-Não, Draco. Eu não quero saber – ela se virou e pegou uma mochila dentro do armário. Em seguida, começou a jogar suas roupas dentro dela.
-O que você está fazendo? – ele perguntou, se aproximando da cama. Hermione limitou-se a dar mais uma gargalhada sarcástica.
-Estou indo embora. Eu estou...
-Está sendo idiota – ele falou, empurrando a mão dela e jogando as roupas para fora da mochila – Você não vai a canto algum.
-Como se você mandasse em mim – ela retrucou, se abaixando para apanhar as roupas, mas antes que ela chegasse ao chão, Draco segurou seus ombros e o choque de castanho com cinza foi inevitável. Os castanhos estavam furiosos e magoados. Os cinzas, nervosos e tristes.
-Eu sou seu marido.
-Marido não quer dizer dono – ela sussurrou. Estava perdendo a postura, pois ele estava beijando o lóbulo da orelha dela – Pare com isso.
-Eu não estou traindo você, Hermione. Eu nunca faria isso, porque eu lhe amo.
Hermione tentou não se abalar. Ele nunca dizia que a amava. Bem, quase nunca.
-Eu já não tenho tanta certeza – ela replicou, se afastando dele e voltando a jogar as roupas na mochila – Você é um cara de pau, Draco Malfoy...
-Um cara de pau que você ama – ele falou, malicioso, abraçando-a por trás. Ela lhe deu uma cotovelada e ele gemeu de dor.
-Não me toque nunca mais. Vá atrás de sua amante.
-Ah, por Merlim, eu não tenho uma amante!
-Então por que está chegando tarde?
-Por que...
-Viu! Você nem sabe o que dizer! Oh, minha nossa! – ela se apressou, reprimindo o choro – E imaginar que eu achava que poderia dar certo...
Foi rápido. Draco se levantou do chão e jogou longe a mochila de Hermione. E antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, Draco já estava em cima dela na cama, segurando-a pelos pulsos. Hermione estava sem reação. Draco parecia aflito.
-Estava planejando seu aniversario com seus amigos. Era pra ser uma surpresa.
-Você estava... Eu... – gaguejou, ligando os pontos. Agora o comportamento estranho dos amigos também fazia sentido.
-Fale – ele sussurrou no ouvido – Retruque, querida...
-Você estragou a surpresa.
As mãos de Draco voaram em sua direção. Hermione fechou os olhos, mas logo sentiu a língua dele invadir sua boca. Soltou um suspiro, aliviada. Por um momento achou que ele fosse lhe bater. Riu. Ele nunca faria isso.
-O que? Por que está rindo?
Hermione resmungou, pois ele havia interrompido o beijo.
-Nada, Draco. Por que você sempre pergunta tanto?
-Por que adoro ver você brava.
-Vou chutar seus testículos – ameaçou, com a voz rouca. Draco, ainda em cima dela, sorriu.
-Você é tão sensual.
Foi a vez de Hermione sorrir. Em um movimento rápido, ela inverteu as posições, ficando por cima dele.
-Adivinha só quem me escreveu?
-Quem? – Draco perguntou, sem o menor interesse. Mas como poderia, com ela ali em cima dele, uma camisola minúscula cobrindo-lhe o corpo, o cabelo bagunçado e os lábios vermelhos?
-Vítor Krum.
Draco subiu os olhos das coxas dela para o rosto.
-O que ele queria?
-Ver como eu estava.
-Isso não é da conta dele.
-Somos amigos.
-Eu sei – ele pareceu aliviado – Assim como espero que todos saibam que você é minha.
Hermione capturou os lábios dele com volúpia; Draco segurou a cintura dela. Eles nem perceberam quando as suas próprias roupas passaram a fazer companhia com as que estavam no chão...
Um mês depois.
-Hermione, o que você acha se nós fossemos ao... Hermione?
A mulher se encontrava parada na sacada do quarto, fitando as grandes arvores que se erguiam lá fora. Parecia alheia a tudo. Até a si mesma.
Depois de algum tempo, ela pareceu perceber que não estava só, por que se virou assustada na direção de Draco.
-Ah, oi.
-O que há com você?
-Nada – mentiu.
E Draco sabia. Ele a conhecia.
-Conte o que está acontecendo.
-Não posso.
-Por quê?
-Por que você vai me odiar.
-Você... Esta me traindo?
-Nunca – ela parecia ofendida.
-Então o que foi? Não me ama mais? Você perdeu o emprego? Não me ama mais? Perdeu a casa? Brigou com minha mãe? Não me ama mais? Achou outro cara? Não me ama mais? Foi...
-Eu estou grávida.
-... Transferida...? O QUE?
-É, mas, por favor, não fique bravo!
-NÃO FICAR BRAVO? NÃO FICAR BRAVO?
Hermione recuou, assustada. Mas sentiu um alivio imenso quando os braços fortes dele a envolveram em um abraço.
-Mas, Draco, eu pensei que...
-Essa é a noticia mais maravilhosa da minha vida – ele sussurrou. Parecia emocionado, pois sua voz estava embargada – Vamos ter um filho, Hermione... Um filho...
-Pode ser uma filha também.
-Tomara que seja os dois.
-Ou mais!
-Ou mais! – ele repetiu, entusiasmado. Eles caminharam ate a cama e se deitaram – Espero que tenham o cabelo igual ao seu...
-E olhos como os seus...
-E sua inteligência e coragem.
-E sua bravura e esperteza. Ok, nem tanta esperteza.
Eles riram de novo. Hermione abraçou Draco e passou uma perna por cima da cintura dele.
-Eu conheço esse gesto... – ele murmurou, apertando os corpos contra o outro.
-Eu sei – ela sussurrou, extasiada com o cheiro dele – Ah, Draco...
-Isso é tão incrível. E eu tão sortudo. Tenho uma mulher linda e que me ama e vou ter um filho dela!
-É, faço das suas palavras as minhas.
-Eu te amo.
-Eu também lhe amo.
-Eu sei.
Ela o beijou. E fizeram o que sempre faziam quando estavam muito felizes ou muito bravos. Amavam-se intensamente. Porque isso os salvara e os afogara. Era a morte lenta que o amor causava. A morte que todos mereciam. Por que a morte não era o fim. Era apenas o começo. E eles ficariam juntos até o começo. Ou até a morte. Os dois. Confusão. Por que é isso que o amor causa, lembram? Mas ele também cura. E eles estavam curados. Viciados. Apaixonados. Juntos. Pra sempre. E o pra sempre começa ou termina bem ali, só dependeria deles. E eu acho que já sabemos qual será a escolha, porque lá estavam eles, mais uma vez, consumando seu amor. Amor sofrido, ciumento, caloroso, perigoso, letal. O amor de dois inimigos. Antigos inimigos.
E eternos amantes.