-Oi.
O telefone tocou, no visor via-se o nome de Draco.

-Oi Gina, tá em casa?
-Por enquanto, sim.
-Você vai mesmo sair com o Dino?- ele perguntou com uma voz meio preocupada.
-Vou- ela riu- você quer ir?
E ela logo se lembrou do ciume doentio que Draco tinha de Gina com qualquer outro homem.
-Haha, até parece... Pra eu ser chutado pra fora?- ele completou.
-Você vai comigo!
-É, aí o Dino me mata mesmo! Ele não vai fingir que você é a namorada dele?
-Deixa ele fazer isso...
Draco respirou um pouco mais aliviada.
-Era só isso, Draco?
-É...
-Você queria vir pra minha casa né?
-E...
-Vem amanhã, aproveita e trás cerveja ta bom?
-Aham... Amanhã então?
-Amanhã. Agora eu tenho que sair ok Draco?
-Ok.
-Sem crise de ciumes ok Draco?
-Bem...
E saiu, Dino já a esperava em frente ao prédio.
Gina entrou no carro, um perfume forte o de Dino. Não tanto quanto o de Draco, um pouco mais suave e com certeza mais caro.
Dino com o cabelo penteado, a camisa com a manga cuidadosamente dobrada segurava um embrulho. Deu um beijo no rosto de Gina, sorriu ao ver que o perfume a agradara.
-É pra você- ele puxou o pacote dourado e o entregou a Gina. Era pequeno. - Comprei mais cedo.
-O que é?- Ela não esperava que ele lhe dissesse então o abriu- Que... Não precisava Dino!- Ela puxou o par de brincos dourados, havia em cada um pedras com grandes e vermelhas, mas logo as verdadeiras intenções se mostraram claras- Dino! Não vou fingir ser sua namorada, ok/ Que desgraça! Você ainda não entendeu
-Acho que deu pra entender sim- ele abaixou a cabeça e ligou o carro. - Mas fique com eles.
Em alguns minutos eles estavam em frente ao Butter, Dino estacionou a poucos metros do restaurante. A rua estava calma e deserta, escura, a não ser pelos poucos postes de luz espalhados pela Lafayette Street.
Havia uma mesa com duas mulheres apenas, talvez as únicas que foram convencidas a acompanhar dois dos amigos de Dino. Com certeza ganharão algo em troca. Uma delas Gina já conhecia: Ana Abbott, uma estilista famosa em Manhattan, herdeira das empresas Abbott. A outra, dona de cabelos longos e negros.
-Oi- Gina estendeu a mão direita- sou Gina Weasley.
-Ah, olá Gina!- Ana a cumprimentou- que coincidência hein!

-Não nos vemos há séculos!
-Veja lá- exclamou ela- não sou tão velha assim- aquele tinha sido o tipo de comentário inconveniente, o que fazia Gina se lembrar claramente do motivo pelo qual ela e Ana se distanciaram uma da outra.
-É um prazer conhece-la Gina- a outra deu um breve sorriso- meu nome é Alicia, Alicia Spinnet.
-Ah- Gina se sentou- o prazer é meu...
Dino sentou-se logo ao lado dela, bebericou o champanhe e se levantou novamente para cumprimentar os amigos que se aproximavam.
-Ah Dino! Pensei que você não vinha hein seu desgraçado!- disse um deles, que tinha uma grande tatuagem em volta do braço grande e musculoso- E quem é essa ruiva, quem é?
-Essa é Gina Weasley.
-Muito prazer Gina, sou Gregory Goyle.
Os dois homens se sentaram, olhando fixamente o decote de Gina. Pareciam um bando de lobos famintos, e Gina era a presa. Sentia-se certo desconforto ao lado daqueles sujeitos estranhos e com certeza não eram as pessoas mais bem educadas do mundo.
-É um prazer- disse o outro- sou Zacarias Smith- ele, diferente do outro era alto e magro, com cabelos loiros cor de palha.
-Caralho Dino! Você é um apelão do cacete mesmo hein! Puta que pariu; você viajou no feriado e não falou pra gente...

-Ah, eu aposto que você estava muito bem com a Alicia.- respondeu Dino.
-É, eu estava mesmo!- respondeu, fazendo um sorriso no canot dos lábios.
-Agora que ele encontrou uma pessoa que o ature... – Goyle bateu no braço do amigo. - Se bem que Dino também está de boa, namorando a ruiva ali.
Finalmente Gina interferiu.
-EU e Dino não estamos namorando. É... Somo amigos- essa frase arrancou risadas de todos à mesa, a não ser de Dino, que parecia muito, muito constrangido. - E você e Abbot estão namorando há quanto tempo?
-Namorando? Eu e Ana não namoramos, é claro que não. - ele parecia ter se esquecido da pergunta, e se a respondesse seria de forma grosseira e hostil, como ele normalmente falava com os amigos. - Ela é gostosa, eu sou rico, preciso dizer mais alguma coisa?
Não, Gina pensou. Vocês são nojentos! E naquele momento tudo o que conhecia sobre Dino pairava no ar, ele não era educado nem compreensivo, com certeza era como os amigos.
-Ah, mulher é pra isso mesmo entende. Não tem porra nenhuma de satisfação em passar sua vida toda com uma mulher só, fala sério- Goyle continuou, e as mulheres dele e de Zacarias pareciam não dar importância ao que estava sendo dito ali.
-Quer saber: cinco em cada seis mulheres da empresa foram pra cama comigo- o comentário de Smith rendeu risadas- As outras ficam de reserva mais eu nunca precisei delas!
-Você e seus números- disse Dino.
-Pra mim mulher é igual golfe: depois que a bola entra no buraco o jogo perde a graça. Entendeu?
-E quem é você pra falar de golfe hein? Garanhão.
Ouvindo os comentários Gina se levantou.
-Pra onde você vai Gina?
-Tomar um ar.
Ela saiu. Mantinha a expressão de raiva e angustia ao lembrar do quão ridículos eram os amigos de Dino.
Gina ia caminhando em direção á ponte que se estendia logo á frente. Qualquer u que passasse pensaria que ela caminhava para a morte, mas outra pessoa estava o fazendo naquele exato momento.
Ouviam-se apenas ruídos, porém, mais adiante, dois homens, um deles alto com cabelos crespos e brancos, o outro era pálido, muito pálido, alto e magro, com cabelos cuidadosamente arrumados.

-Escute meu garoto- dizia o mais velho- não faça isso, não faça isso!
Gina evitou a aproximação, preferiu ouvir de longe. Não por curiosidade, mas ou ela ficava ali sentada ouvindo a discussão ou ela voltava e aguentava os amigos de Dino, já não tinha tanta disposição pra ir pra casa, embora a situação exigisse exatamente isso dela.
-Fique longe!- o mais alto gritou. - Longe! Se não eu atiro em você!
Aquelas palavras passaram pelo ouvido de Gina, ela olhou e pôde perceber que um deles segurava uma arma, ele estava parado, com as costas encostadas no (lateral da ponte) apontando uma arma para o próprio pescoço.
-Não faça isso garoto! Que besteira, onde já se viu... Olha como você ainda é jovem e...
Ele foi interrompido novamente.
-Cala a boca! Cala essa merda de boca seu desgraçado! Quer que eu atire em você seu idiota? Quer?!

-Não... Escute... - o homem foi se aproximando lentamente- Você vai largar essa arma... Vai largar essa arma desgraçada, vai descer daí... Eu te levo pra casa se você quiser... Não cometa esse erro...
Ele só se aproximava enquanto Gina observava tudo assustada, pensando no que poderia fazer.
Ela abriu a bolsa procurando o celular.
-Merda!- ela tinha o esquecido em casa.
O garoto se recusava a sair daquele local.
-Me de essa arma...
-Não! Eu... - Ele se inclinou lentamente.
-Você não tá pensando em pular não né?- ele pensou um pouco- Você não vai pular não! Onde já se viu que babaquiçe é essa hein? Você vem pra essa ponte miserável, nem pra escolher um lugar com mais classe tipo o...
-Cala essa boca! Caralho! Ou eu atiro!
Gina se levantou.
Três segundos apenas, três segundos. O homem se aproximou do agaroto, puxou a arma da mão dele.
Gina foi andando vagarosamente para alcançar o telefone público á alguns metros. Quando estava chegando viu um vulto, que rapidamente se escondeu atrás de um poste na outra esquina.
Dois segundos, dois segundos. O garoto puxou a arma de volta, não disseram nada até o momento.
Um segundo, uma arma apontada para o peito de um homem inocente, um mísero segundo.

Gina puxou o telefone
-Não faça isso garoto!- um, dois, três. Três tiros á queima roupa, o corpo foi cambaleando até o chão.

Um barulho foi rasgando o ouvido de Gina, o barulho da arma, o barulho do tipo. Como seria ouvir algum morrer? Aí estava a resposta.
Tic-tac, Tic-tac, Tic-tac, um relógio, um relógio que pode para a qualquer hora. Gina fechou os olhos, e ao abri-los dois segundos depois via o corpo no chão, não mais o garoto, talvez ele tivesse desistido do suicídio.
Gina ficou vermelha, o corpo atirado no chão.

-Alô? Emergência? Um homem... Lafaiete Street- essas palavras passaram num sopro por sua garganta- Lafaiete Street, na ponte... Três tiros. - ela tremia- Acho que... Ele morreu.
Gina se virou, não via mais ninguém na rua, apenas a luz do Butter virando a esquina. Ela deu as costas para o homem, o que mais poderia fazer lá? Ela acabara de ver um homem morrer, na sua frente... E não fizera nada!
Não era culpa, e sim raiva. Raiva por lembrar-se de como tinha sido ver tia Muriel sendo atirada na ponte, uma ponte que em nada diferia daquela: estreita, pouco movimentada, um lugar perfeito para um suicídio, ou homicídio.
Ela sentou-se novamente no banco onde presenciara aquela tragédia, esperou dez minutos até a polícia, seguida de uma ambulância chegassem ao local. Um homem se aproximou, era alto, forte, não era hora pra pensar nisso, mas Gina o achara bonito.
-Oi... Eu sou Gina e... Eu liguei pra emergência.
Ele estendeu a mão, Gina a apertou com certa firmeza. A mão dele não era áspera e calejada, na verdade ela macia e quente.
-Sou tenente Creevey, você poderia descrever...
-Eu... Eu estava tomando um ar e ouvi vozes, eu estava sentada aqui e vi um homem apontar a arma pra...
-Pode repetir- ele interferiu- descreve esse homem.
-Ele era alto, magro, tinha cabelos escuros. Não consegui vê-lo muito bem. Eu ouvi aquele senhor pedindo pra ele abaixar a arma, descer dali, por que ele estava ali, parecia prestes a cometer suicídio. Depois esse homem tentou tirar a arma da mão dele, mas ele o empurrou e atirou... Posso ir agora?
-Você não o conhecia?
-Não.
-Nunca tinha o visto por aqui?
-Não! Posso ir?
-Pode, entraremos em contato, você é a única testemunha- Gina deu-lhe seu nome e telefone, com certeza seria chamada para uma investigação e poderia até ser considerada suspeita. Mas estava mais preocupada em sair dali.
-Não, mas... Tinha um... - ela se calou, quase falou sobre o vulto que vira mais cedo.
-O que disse?
-Nada. Tchau.
Ela viu que ele sorria ao vê-la se afastar, talvez eles tivessem flertado durante esses minutos, mas se fosse o caso, Gina não tinha percebido. Talvez tivesse dado seu telefone somente pelo fato dele ligar. Mas ela repetia o mesmo pensamento: não era hora para isso.
Voltou ao Butter, Dino ainda ria com os amigos, Goyle apontava pra ela.
-Que bom que você voltou Gina- exclamou Dino- eu ia mesmo contar aquela história do natal em San Diego!
“Natal em San Diego?! Vá se foder com a história do natal em San Diego!”. Gina pensou.
-Quero ir pra casa Dino- ela se virou, estava suada, fria, nervosa.
-Espere... Nós ainda...
-Eu quero ir pra casa Dino!- desta vez em tom amis alto e grosseiro- Você entendeu? Entra naquela merda de carro agora e me leva pra casa, por que eu não vou aguentar ficar nesse lugar om seus amigos... Chama isso de amigos?
Ela deu as costas á Dino, com a certeza de que e logo estaria no carro. E ela estava certa. Dino veio balançando as chaves, com um sorriso no canto dos lábios: parecia gostar de obedecer a uma mulher!
-Entre no carro Gina!- ele ligou o motor. - O que aconteceu?

-Nada.
Ele virou a esquina. Via ambulâncias e viaturas da policia.

-O que aconteceu?
-Um homem morreu- disse ela sem pensar.
-Como você sabe?
-Olha o corpo ali! –ela viu o homem sendo levado pra dentro da ambulância.
-Que horror!
Gina e Dino passaram horrorizados pelo local, como o restaurante não era muito longe do destino dos dois, não demorou vinte minutos até chegarem ao prédio.
-Tchau Gina!
-Tchau!
-O que acha de irmos ao na sexta?
-Nem pensar!
Gina entrou no apartamento. Jogou a bolsa no sofá e se esparramou sobre a cama. Pensava em como seria bom se tivesse alguém a esperando... Alguém que não fosse Draco já que ele sempre estava fazendo-lhe companhia. Na verdade, há semanas Gina não transava com ninguém, desde que Lilá começou um compromisso com Rony e Luna estava muito cheia de trabalho pra sair com as amigas.
Ela olhou para o lado. O celular estava tocando, Gina se recusou a atender quando leu no visor o nome da mãe.
Resolveu então tomar outro banho, se despiu, entrou no banheiro. Vendo seu reflexo com uma aparência assustada. Ela entrou na banheira, isso poderia a fazer relaxar.
Gina se levantou, aquele banho que já durava muito trazia consigo pensamentos sombrios. Aliás, ver um homem ser assassinado já era em si, sombrio. Agora uma mistura de sensações que balançavam o estômago de Gina, a atordoavam por lembrar-se de não ter feito nada... Nada além de chamar a policia quando o homem já estava morto.
Ela se secou com a toalha branca, vestiu-se, precisava dormir. Aquele era um dia como os outros, ela pensava, teria de trabalhar no dia seguinte, acordar cedo, teria que enfrentar a realidade novamente, era difícil depois daquele longo ferido.

Foi até a cozinha, bebeu um copo d’agua, voltou para o quarto e dormiu. Na tentativa de apagar de sua memoria aquele lamentável episodio... Já havia visto varia pessoas morrerem, mas por algum motivo dessa vez tinha sido diferente. Talvez por que o homem não tivesse nenhuma doença mental que não o faria sobreviver, talvez por que ele fosse um homem saudável... Gina sentia que aquele senhor era um homem com anos e anos de vida pela frente.
