Capítulo 14 – Um novo começo.
“O pior já passou, agora é hora de recomeçar.”
Já haviam se passado horas desde que eles haviam o salvado do Fogo Maldito, que Crabbe (que estava morto) espalhou pela Sala Precisa. Ronald Weasley, Harry Potter e Hermione Granger, sim, foram eles seus salvadores. Por mais irônico que pareça, Draco nunca se sentiu tão grato na vida.
O mesmo estava sentado sobre os escombros, ajudando uma garotinha, quando Hermione se sentou ao seu lado. Draco terminou de enrolar a faixa no joelho de Diana (era como a garotinha se chamava, pelo menos foi o que ele havia entendido) e ela logo saiu correndo, ainda assustada com tudo.
-Oi – Hermione disse, sem o encarar – Eu vim, hum, ver se estava bem.
-Estou – respondeu, tentando parecer calmo. A realidade é que seu coração estava a mais de mil por hora – E você?
-Uhum – ela balançou a cabeça, passando o dedo distraidamente pela perna – Sinto muito pelo Crabbe.
-Obrigada – ele agradeceu. Mesmo que a morte do amigo não fosse a que o tivesse abalado mais – E sinto muito pelo os seus.
-Os meus? – indagou, confusa.
-Os seus amigos. As pessoas que estavam do seu lado.
-Ah – ela pareceu constrangida, pois ficou um tempo sem falar, mas depois disse; – Mas agora estamos do mesmo lado, não estamos? Você mudou de lado no meio da guerra.
-Acho que as outras pessoas não pensam como você, Hermione.
-Eu não me importo com o que elas pensam – afirmou, dessa vez se virando para olhá-lo – Só o que me importa é que você mudou de ideia. E eu nunca me senti tão orgulhosa.
Draco ficou alguns segundos em silencio, absorvendo as palavras dela e sentindo seu coração acelerar mais ainda. Deu um longo suspiro e perguntou:
-Por que está aqui? Por que não está comemorando com seus amigos?
-Eu já comemorei com eles. Mas se quiser que eu saia daqui, eu sairei – ela disse, se levantando.
-Não! – exclamou, segurando o punho dela. Hermione voltou a se sentar, satisfeita – Eu quero que fique.
Ela sorriu e seus olhos miraram o pergaminho ao lado do loiro. E antes que ele pudesse se mover, ela se jogou por cima dele e pegou o pedaço de papel amarelado e sujo – a tinta ainda estava um pouco molhada, o que mostrava que o que estava ali não fora escrito há muito tempo –, para seguida ler em voz alta o que estava escrito:
Ela é uma moça de poses delicadas, sorrisos discretos e olhar misterioso. Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.
Ela é o tudo e eu sou o nada. Ela o quente e eu sou o frio. Ela é o céu e eu sou o inferno. Ela é o carinho e eu, a arrogância. Ela é a riqueza de sentimentos. Eu, a miséria deles. Ela é o anjo, e eu o demônio. Ela é o riso e eu, as lágrimas. Ela é a corajosa Grifinória e eu o covarde Sonserino.
Ela é o amor. E eu sou o ódio.
Hermione terminou de ler e ergueu os olhos castanhos para Draco. E os olhos estavam marejados. Draco se aproximou mais dela e limpou uma lágrima solitária que escorria pela bochecha rosada da garota. Hermione desceu os olhos novamente para o pergaminho.
-Isso é... Lindo. Foi você que f-fez? – ela perguntou com a voz tremula. Draco apenas confirmou com a cabeça e a abraçou com força. Eles ficaram assim por apenas alguns minutos. Minutos que para eles pareciam horas, dias, anos. Qualquer segundo juntos era o bastante.
-Eu vou sempre estar com você, mesmo que não estejamos juntos. Eu vou sempre cuidar de você.
Cada vez que você respirar
Cada movimento que fizer
-Você não tem como fazer isso, Draco.
-Tenho. Eu vou dar um jeito. Eu vou cuidar de você, seja lá onde você estiver, meu amor – ele beijou a bochecha dela – Não importa o que aconteça...
Cada acordo que romper
Cada passo que você der
-Não precisamos nos separar – ela resmungou contra o peito dele – Draco, não precisamos...
-Você sabe que eu vou ser preso...
-Não... Sua mãe ajudou Harry, você nos ajudou... Você não tem que me deixar... Você não pode me deixar...
-Não vou. Nunca.
Eu estarei observando você
-Você vai se esquecer de mim. Vai casar e ter filhos e vai se esquecer de mim.
-Ninguém esquece o primeiro amor.
-Eu sou seu primeiro amor?
-Vou vai ser meu único amor.
Cada dia
Cada palavra que você disser
-Você se lembra de quando nos encontramos na Torre da Astronomia e você fez cócegas em mim?
-Eu me lembro de cada segundo ao seu lado.
Cada jogada sua
Cada noite em que você ficar
-Quando você me beijou em frente à Casa dos Gritos, eu pensei e senti o gosto dos seus lábios por horas.
-Gosto da maneira como disse isso. Foi sexy.
-Draco, repita “sexy”.
-Sexy.
-Você me faz sentir arrepios.
-Bom saber.
Eu estarei observando você
-Você vai se casar com a Greengrass?
-Você vai se casar com o Potter ou o Ketcher?
-Harry está com a Gina e estou feliz por eles. Ketcher? Ele era gay.
-Eu não deixaria que se casasse com nenhum deles, de qualquer forma. Também não vou deixar que vá embora.
Oh, será que você não percebe
Que você pertence a mim?
Como meu pobre coração se parte a cada passo que você dá?
-Como assim?
Cada movimento que você fizer
Cada promessa que você quebrar
Cada sorriso que você fingir
-Eu disse que não ia te deixar nunca e que ia cuidar de você, não disse?
-Disse...
Cada reivindicação que você fizer
Eu estarei observando você
-Então quero que aceite namorar comigo. De novo. Mais dessa vez vai ser muito melhor.
-Por quê?
-Porque nós nos amamos.
-Nós vamos nos machucar.
-Eu gosto da forma como dói.
-E eu gosto da forma como você mente e promete as coisas a mim.
Ambos sorriram e se beijaram. O amor estava ali. O ódio não mais. Ela já não estava mais dividida. Ela sabia o que queria do seu futuro. Quem queria para o resto do seu futuro. E essa pessoa estava ali, a beijando ferozmente, como se quisesse recompensar todos os meses separados e apertando-a contra ele, como se estivesse com medo que ela fugisse. Como se ela cogitasse essa possibilidade!
Separam-se, ofegantes. Algumas pessoas passavam e os olhavam. Mas não era o olhar de sempre. Não era espanto ou reprovação. Era alegria. Alegria por saber que ainda existia amor. O amor que salvou a todos. Que sempre salvaria.
-Vamos – ela sussurrou, arrastando-o para dentro do castelo em ruinas – Vou te apresentar para os meus amigos.
Draco riu e segurou com mais força a mão dela.
E quem irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer que não existe razão?
(N/A: Esse definitivamente é um dos meus capítulos favoritos! Eu sei, é meio estranho e bobo, mas eu adoro, porque é quando a vida deles recomeça, sabe? O fim da guerra é marcado por tanta tristeza das perdas, e o pouco de amor que as pessoas viam, já devia bastar, eu acho. E, bem, são Hermione e Draco juntos novamente. Do jeito deles, obvio. “Gosto da forma que dói” “Gosto da forma como você mente.”. Tipo, eu adoro Romione, mas é que, sei lá, Dramione é uma coisa proibida, errada, diferente, e isso me atrai! Amor mesclado de ódio é tão clichê, mais tão clichê, que já se tornou aceitável e comum! Ok, eu estou enrolando muito. É que esse é o penúltimo capítulo. E aos poucos leitores que comentaram e que “falaram” comigo, eu vou sentir saudade *suspiro altamente triste e melancólica*. Eu não quero uma fic extensa, porque é cansativo e à vezes acaba que tira a graça. Na verdade, eu vou sentir falta de todos e da fic, no geral. Obrigada pelos comentários Lah_ e Morgana Flamel, vocês são umas lindas! E, por todos os deuses, Artemis Granger, é uma honra ter um comentário seu por aqui, e eu ficaria mais honrada e feliz se você lesse a fic (:
Eu vou parar de "falar", porque essa NA tá grande[a maior que eu já fiz!]. Certo, hum, então tchau! Até logo, pra nossa despedida! E desculpem por não ter dado detalhes da guerra, mas eu não queria me focar nisso. Também não foquei em outros casais, nem muito menos em HHr. É desnecessário dizer que nunca daria certo. Eles não nasceram pra ficar juntos. Desculpem aos fãs H²! Olha aí, já to começando a enrolar mais uma vez... Tsc, tsc. Não deixem de ler e se quiserem, comentam, mesmo que seja pra dizer o que não gostaram!
P.S.: O primeiro paragrafo do que está escrito no pergaminho que a Hermione leu, é um texto do Caio Fernando de Abreu. Não pensem que eu plagiei, por favor.
“Ela é uma moça de poses delicadas, sorrisos discretos e olhar misterioso. Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.”
Adeus, Dramionicos! Nox!).