Lílian.
Angústia... Medo... Aflição... Calor... Desespero... Eu não sabia precisar quais destes sentimentos eram maiores dentro de mim! Eu estava em um local muito escuro e apertado, parecia um calabouço ou um sótão, o cheiro de mofo era insuportável e eu podia imaginar a camada de bolor que cobria aquelas paredes úmidas, eu sabia que não estava sozinha, apesar de não ouvir vozes eu podia sentir que havia outros prisioneiros assim como eu, porém tinha algo me angustiando, havia alguém próximo a mim que estava chorando, era um chorinho baixo e aflitivo! Eu então tateei a parede ao meu lado até encontrar uma cabeça pequena, e perguntei:
- Hey, está tudo bem?
- Não, eu estou com medo! – Escutei uma voz fraquinha que certamente pertencia a uma menina dizer embargada.
- Qual o seu nome? – A questionei afagando-lhe os cabelos.
- Jéssica... Sou aluna do primeiro ano... Sou da Grifinória. – Ela me respondeu.
Mérlin! Uma aluna do primeiro ano era apenas uma criança!
- Não tenha medo, vamos sair daqui está bem, não vou deixar nada de ruim acontecer com você. – Disse tentando acalmá-la.
- Você também é uma sangue ruim? – Ela me perguntou espontaneamente.
- Não somos sangue ruins! A magia nos escolheu e fazemos parte dela assim como os outros alunos de Hogwarts!
- Então porque estamos aqui? – Ela me inqueriu voltando a chorar baixinho.
- Porque existem pessoas que não conseguem lidar com as diferenças, que se acham melhores do que as outras pessoas e se esquecem de que por dentro somos todos iguais...
- Por dentro?
- Sim! Todos nós temos um coração, dois rins, um estômago e etc...
Ela sorriu minimamente, mas o som baixo da sua risada me aliviou profundamente.
- Como pretende nos tirar daqui? – Ela perguntou séria novamente.
- Ainda não sei, mas os alunos e professores de Hogwarts estão trabalhando nisso! – Disse perdida em meus pensamentos.
- Essa é a minha única esperança! – Ela sussurrou.
**
James.
Depois do choque inicial fomos todos para o refeitório, os alunos unidos e divididos pelas suas casas passaram por uma contagem geral.
- Faltam 5 alunos! – A prof. McGonagall disse aflita. – 3 da Grifinória, 1 da Lufa-Lufa e 1 da Corvinal.
E nenhum da Sonserina! – Pensei irritado.
Dumbledore se dirigiu até o palanque que tinha no refeitório, ele certamente iria passar instruções de segurança, mas eu queria saber sobre o que faríamos para resgatar os alunos, eu precisa saber o que seria feito para resgatar a Lílian! Estava encostado na parede ao fundo do refeitório ao lado do Sirius quando a Marlene chegou correndo e o abraçou aos prantos.
- É verdade o que estão dizendo? Pegaram a Lily? – Ela o questionou desesperada.
Ele apenas assentiu.
- Não pode ser! – Ela disse chorando. – Eu disse para ela ficar no quarto, pedi para ela não ir atrás do James, mas ela não me ouviu, disse que não poderia deixar ele lá fora sozinho! Como se ele precisasse de ajuda mesmo.
Oh Merlin! Aquilo piorava as coisas consideravelmente para mim!
- Ela queria me ajudar? – Eu a questionei com a voz rouca, quase desesperada.
- Ai James, me desculpa, eu não tinha te visto. – Ela disse levando as mãos na cabeça. – Mas, sim! Ela empunhou a sua varinha e saiu para te ajudar, ela me disse que... – Ah deixa pra lá!
- Me conta Lene, por favor, qualquer informação neste momento pode ser relevante. – Eu pedi.
Vi a Marlene ponderar por alguns segundos, entrelaçando os seus dedos das mãos uns nos outros antes de dizer:
- Ela me disse que não podia deixar a razão da vida dela sem proteção e que se ela ficasse no quarto e alguma coisa te acontecesse ela seria infeliz eternamente!
Eu encostei meu corpo na parede novamente e fechei meus olhos apertando a ponta do meu nariz com o polegar e o indicador na tentativa de não deixar as lágrimas que se formaram novamente em meus olhos escaparem, mas minha tentativa foi em vão, eu chorei mesmo assim, pela segunda vez naquela noite.
- Sendo que eu só aceitei ir para a linha de frente dessa guerra para protegê-la, porque ela é uma meio sangue, o que ela estava pensando afinal? - Sussurrei para mim mesmo.
- James. Calma! – Ouvi o Sirius dizer pela décima vez desde que ele me viu chorando copiosamente. – Eu já te jurei que nós vamos resgatá-la!
- Sim, mas até agora estamos aqui, inertes! – Disse irritado.
Sirius olhou para o palanque, onde o Dumbledore acabava de passar as suas instruções e disse:
- Vamos até lá falar com ele!
Eu limpei as malditas lágrimas que escaparam dos meus olhos e acenei com a cabeça num sinal afirmativo, eu vi quando o Sirius deu um beijo na testa da Marlene e pediu para ela se cuidar, ele não estava realmente preocupado, pois nós sabíamos que o alvo dos comensais era os alunos meio sangue e a Marlene vinha de uma família nobre. Caminhamos juntos até o palanque a tempo de pegarmos o professor Dumbledore descendo os degraus de uma pequena escada, ele parou bem na minha frente e fitou meus olhos de uma forma intensa, eu soube na hora que ele sabia exatamente a forma que eu estava me sentindo.
- Não foi culpa sua Potter! – Dumbledore me disse ao mesmo tempo em que segurava os meus ombros numa tentativa clara de me confortar.
- Eu preciso ir atrás dela. – Disse exasperado.
- Sinto muito, mas isso não será possível! Vocês fizeram o melhor que podiam, agora apenas os bruxos mais experientes sairão em busca dos alunos raptados. – Ele me respondeu.
- Não pode me prender aqui, eu tenho o direito de sair à hora que eu quiser!
- Claro que tem! Mas se for pego usando magia fora de Hogwarts deixará de ser um bruxo.
- E o senhor acha que eu estou me importando? Eu posso perder a licença para usar magia, posso perder a minha varinha, posso cortar relações com os bruxos de Hogwarts, mas eu não posso viver em um mundo onde a Lílian não exista!
Dumbledore fitou meus olhos e após alguns segundos deu um longo suspiro exacerbado.
- Tudo nos leva a crer que ela se encontra na mansão da família Malfoy que está de conluio com um ex-aluno de Hogwarts chamado Tom Marvolo Riddle. Há três bruxos de minha confiança neste momento vigiando a mansão e se nossas suspeitas forem confirmadas invadiremos a mansão na tentativa de resgatar nossos alunos. – Disse apertando meus ombros.
- Deixe eu e o James nos juntar a eles, por favor, Dumbledore sabemos nos defender! – Sirius pediu com sua melhor cara de cachorrinho abandonado, se a situação não fosse tão trágica eu juro que riria do semblante dele.
Ele hesitou por alguns segundos.
- Espero não me arrepender. – Ele disse dando um longo suspiro. – Sigam-me até a minha sala, lá eu desaparatarei com vocês até o local exato que os bruxos estão!
Eu sorri minimamente e fiz uma anotação mental de agradecer o Sirius por ter feito um semblante tão irresistível ao pedir para o Dumbledore permissão para nos juntar aos outros.
Aparatamos em uma mata fechada, se eu não tivesse uma vasta experiência em florestas confesso que ficaria receoso, mas aquilo ali não era nada perto do que eu já tinha passado na floresta proibida!
- E então, alguma novidade? – Dumbledore perguntou para um dos três bruxos que estavam escondidos em meio ao matagal, do local onde eles estavam era possível ver a mansão perfeitamente, suas portas e janelas principais, bem como as janelas do lado esquerdo.
- Há uma grande movimentação, já vimos dois comensais entrarem! – O bruxo respondeu. Eu não o conhecia, ele era alto, moreno dos olhos bem negros e tinha algumas cicatrizes na face.
- E esses dois, quem são? – Ele perguntou gesticulando na nossa direção.
- Dois dos meus melhores alunos, que fizeram questão de ajudar!
- Mas são apenas crianças... – Ele disse.
- Confie em mim, eles são capazes!
- Como se chamam? – Ele perguntou olhando diretamente para mim e depois para o Sirius.
- Eu me chamo James Potter – Respondi com a voz firme.
- Meu nome é Sirius Black. – Sirius respondeu no mesmo tom.
O bruxo alto sorriu alto.
- Um Potter e um Black juntos?! – Ele disse incrédulo. – É o fim do mundo mesmo! Prazer, eu me chamo Conrad. – Ele se apresentou estendendo sua grande mão para nos cumprimentar.
- Eu não sou um Black comum – Sirius fez questão de dizer. – Aliás, sinto vergonha de pertencer a essa linhagem cheia de bruxos que não possuem os mesmos princípios que eu!
- Fico feliz em ouvir isso Black. – Conrad disse trincando os dentes. – Me sinto honrado de ter a oportunidade de mudar o meu conceito quanto aos Black!
Dumbledore nos levou até os outros dois bruxos, um era um senhor de cabelos grisalhos e cacheados que olhando você diria que não aguentaria um soco meu, mas a sua força era facilmente perceptível apenas pelo seu olhar. O outro na verdade era outra e nós já a conhecíamos, era a Prof. McGonagall.
- Bem vindos! – Ela disse com um sorriso enorme nos lábios, eu me senti bem melhor com aquela recepção calorosa já que o bruxo de cabelos grisalhos não fez questão de nos cumprimentar.
- Tenho que voltar para o colégio, qualquer novidade me avise! – Dumbledore disse sumindo de nossas vistas logo em seguida.
Lílian.
Mérlin, aquela situação já estava beirando o insuportável, apesar de vestir apenas o meu pijama que era um shortinho curto e uma blusinha de alcinha eu não estava aguentando o calor, sem contar que eu tinha a impressão que o oxigênio estava ficando escasso na medida em que o tempo ia passando. A garotinha do primeiro ano – Jéssica – Estava agora sentada entre as minhas pernas, deitada com a cabeça em meu ombro, eu sabia que ela não estava dormindo, mas acho que estava se sentindo um pouco mais segura. Eu ao contrário estava tentando entender o motivo daquele sequestro, eu estava completamente indefesa, pois eles haviam levado a minha varinha, sem contar que eu não fazia ideia de que horas eram e estava começando a sentir fome. Eu estava absorta em meus pensamentos quando eu ouvi um barulho alto de fechadura e eu tive que fechar os olhos quando a porta foi aberta, pois a luz que vinha do outro cômodo era muito forte. Assim que meus olhos se acostumaram com a claridade eu pude ver o rostinho sujo e assustado de Jéssica, ela me olhou com cumplicidade e me deu um pequeno sorriso, deitado no chão havia um menino que aparentava ter a minha idade, ela estava com os olhos abertos mais não se mexia – Petrificado. Havia outro aluno da minha casa que eu não sabia o nome, mas sabia que era do terceiro ano, seus olhos denunciavam que ele havia chorado muito e na sua frente havia outra menina, eu sabia que ela era da Corvinal e se chamava Loren, ela vivia dando em cima do James!
Eu vi um rapaz alto da pele branca e cabelos negros entrar no que eu pude perceber com a luz ser um calabouço, ele nos avaliou dos pés a cabeça e depois deu um sorrisinho de escárnio.
- São esses que se acham bruxos? – Ele perguntou para dois comensais que o acompanhava.
- Sim, Senhor! – Eles o responderam.
- Vocês me trouxeram apenas cinco deles?
- Conseguiremos mais Senhor!
Eu fiquei ali os ouvindo falar como se fôssemos coisas que se pode conseguir em alguma loja, ou algum brechó! Tive vontade de xinga-lo, mas fiquei com medo pelas crianças.
- O que vai fazer com eles? – Um comensal que aparentava ter vinte e cinco anos, com os cabelos lisos e loiros e um rosto rude o questionou.
- Porque deseja saber? – O “Senhor” perguntou ríspido.
O Comensal sorriu soltando saliva entre os dentes.
- Bem, é que tem algumas “sangues ruins” bem gostosinhas aqui dentro. – Disse olhando na minha direção e depois para a Loren que tremeu assim como eu com o olhar nojento que ele nos deu.
Ele olhou para nós novamente, desta vez prestando bastante atenção em nossas pernas e seios, depois disse:
- Pensarei a respeito! – Ele disse e sorriu, ao ver a face dele se contorcer num sorriso eu me assustei, parecia que o seu rosto era feito de borracha, havia algo estranho acontecendo com aquela face.
Eu esperei ele perguntar se algum de nós queria água, comida ou ir ao banheiro, mas ele simplesmente fechou a porta e eu pude ouvir nitidamente a mesma sendo trancada a maneira trouxa e logo depois ouvi o “Colloportus”. O breu voltou a tomar aquele lugar, mas não sem que antes eu pudesse ver uma ratazana enorme passando próxima ao rapaz petrificado.
- Lílian, o que faremos? E se aquele tarado voltar? – Loren disse, sua voz estava desesperada.
Eu senti um arrepio percorrer a minha espinha só de imaginar aquele homem voltando, pela primeira vez desde que eu havia sido sequestrada eu senti medo, um medo tão grande que fizeram meus dentes baterem, aquilo não podia estar acontecendo.
- Loren, vamos tentar manter a calma está bem, a ajuda já deve estar a caminho... Mas se o pior acontecer nós lutaremos até o fim! – Disse buscando uma coragem que eu já nem tinha!
- Alunos da Grifinória só pensam em lutar! – Ele disse enraivecida. – Vou ver se penso em algum plano para sairmos daqui!
Eu não dei importância para o que ela disse, os nervos de todos ali estavam a flor da pele, e ainda tinha o rapaz que estava petrificado e eu queria ajudá-lo, mas sem varinha era impossível!
- Estou com muito medo! – Ouvi a Jéssica murmurar.
- Não fique! Eu estou aqui.
- Mas é por você mesma que eu temo! – Ela me respondeu.
**
James.
Estávamos ali, no meio da floresta de tocaia a algumas horas, eu estava começando a ficar aflito, vários comensais aparatavam a metros da mansão e vinham caminhando até ela, o que deixava claro que ela estava protegida até o último tijolo, para mim apenas o fato de ter comensais entrando e saindo livremente e de haver feitiços de proteção já era prova inequívoca de que os alunos estavam lá dentro, mas os bruxos queriam ter certeza, para não fazer nenhuma besteira!
- Vamos tentar chegar mais perto. – Disse para o Sirius ao lado do Conrad, se ele tivesse algo contra diria naquele momento, mas ele não disse nada.
- Demorou! – Sirius me respondeu, vindo na minha direção enquanto tirava alguns galhos de árvores do seu caminho com as mãos.
Eu peguei a minha capa que sempre andava comigo e quando estávamos distante o suficiente dos outros três bruxos eu a joguei por cima de mim e do Sirius, desta forma caminhamos até o local exato onde os bruxos estavam aparatando.
- James, o negócio é o seguinte, o próximo que aparatar aqui vai sentir o peso do meu braço! – Sirius me disse sério.
Eu quase sorri, ele estava se tornando um troglodita, mas eu adorei a ideia dele. Eu não estava mais aguentando ver o tempo passar e nada ser feito. Para piorar a nossa situação o céu começou a se fechar, a noite se fechou num breu e raios azulados começaram a iluminar o céu.
- Tamo junto! – O respondi.
Ficamos ali ansiosos, aguardando algum comensal quando o som típico de alguém aparatando nos assustou, olhamos para o lado e vimos três comensais começarem a caminhar em direção à mansão, o Sirius ameaçou ir em direção a eles, mas eu segurei o seu braço, nos não teríamos a menos chance contra três deles.
- São muitos! – Disse assim que eles se afastaram.
- Eu dava conta! – Ele me respondeu irritado cruzando os braços no peito.
Um trovão alto retumbou no céu e grossas gotas de chuva começaram a cair em cima de nós, a chuva aumentou e rapidamente nós estávamos ensopados.
- Putz, essa porcaria de capa nem para ser impermeável! – Sirius praguejou.
- Não fala besteira! – Disse arrancando a minha camiseta, eu odiava ficar com roupa molhada colada ao corpo.
Sirius também tirou a sua camiseta e eu pensei que talvez nós dois realmente déssemos conta daqueles comensais, isso se não existisse varinhas! Novamente ouvimos o som de alguém aparatando e eu sorri com o canto dos lábios quando vi que era um comensal sozinho. Eu nem precisei dizer nada ao Sirius, tão logo ele viu o comensal já passou seu braço ao redor do pescoço dele com tanta força que o impediu completamente de reagir, Sirius o puxou para dentro da capa e nós nos embrenhamos para dentro da floresta. Paramos no ponto onde a mata estava mais fechada e imediatamente eu o desarmei: - Expeliarmos – Eu disse e peguei a sua varinha que voou até a minha mão.
- Agora você irá me dizer se os alunos da Grifinória estão lá dentro! – Perguntei para ele na maior calma possível, apontando para a mansão dos Malfoy.
O Homem que estava com o braço do Sirius envolto em seu pescoço tinha em torno de trinta anos, era baixo e tinha os cabelos pretos e ondulados, seus olhos eram verdes e frios como o gelo. Pedi para que o Sirius afrouxasse um pouco os seus braços do pescoço dele, para que ele pudesse me responder, ele tossiu assim que o Sirius afrouxou o braço na sua garganta.
- Vocês não deveriam se intrometer nos planos do Lord das Trevas. – Ele respondeu sorrindo, mostrando seus dentes amarelados.
- Não pedi a sua opinião! – Disse apontando a minha varinha em sua direção. – Agora me diz, os alunos estão lá dentro?
O comensal sorriu alto, uma gargalhada que fez todo o seu corpo se chacoalhar.
- O que te faz acreditar que eu te contaria se os alunos estão ou não ali dentro? Acha que eu tenho medo de meros alunos daquele colégio idiota?
- Deveria ter! – O ameacei.
- O que vai fazer? Já sei, vai fazer nascerem furúnculos na minha cara, ou pior, me fará vomitar lesmas... Desista rapaz, eu jamais irei te falar nada e você não tem peito para me obrigar a contar!
Aquele imbecil definitivamente não fazia ideia do que estava em jogo ali. Era muito egoísmo da minha parte, e eu sabia disso, mas se fosse apenas os alunos da Grifinória eu não estaria me empenhando tanto, mas era a Lílian que estava lá dentro, e eu não fazia ideia do que estavam fazendo com ela, eu não sabia – e não queria pensar nisso – se ela estava sendo mal tratada, se ela estava sofrendo ou coisa parecida. Eu tive que sentir o medo real de perdê-la para enxergar que a minha vida era completamente sem sentido sem ela, e era disso que aquele comensal estava falando, ele estava questionando até onde eu iria pelo sentido da minha vida...
- Crucio. – Conjurei sem remorso e fechei meus olhos para não ver a agonia no rosto dele, eu não sustentei o feitiço nem por um minuto inteiro e assim que eu parei o comensal falou:
- Eles estão todos no calabouço da mansão, você terá que entrar pela porta da frente, há uma escada em formato de caracol do lado esquerdo que te levará até uma porta de madeira que está completamente mofada e com grandes correntes enferrujadas... É lá dentro que eles estão! – Ele tremia dos pés à cabeça.
- Petrificus Totalus - Disse. – Vamos leva-lo até o Conrad e os outros.
Sirius jogou o comensal petrificado nas costas feito um saco de batatas, soltando-o posteriormente aos pés do bruxo Conrad.
- Mérlin! Como capturaram esse? – Conrad perguntou gargalhando.
- Temos as nossas táticas! – Sirius disse piscando.
- E ele nos confessou que os alunos estão sim lá dentro, em um calabouço! – Disse.
***
Lílian.
Mérlin, nada está tão ruim que não possa piorar! Minha mãe vive dizendo isso e eu acabava de descobrir que aqueles dizeres eram a mais pura verdade. Eu podia ouvir que estava chovendo muito, mas não conseguia precisar de onde minava a água que praticamente inundava o local que nós estávamos.
- Alguém me ajude a levantar este rapaz. – Pedi a esmo no escuro, senti um par de mãos segurar na minha e então juntas levantamos o bruxo que estava petrificado no chão, encostamos ele na parede e eu fiquei satisfeita ao perceber que ele tinha permanecido em pé.
A água estava nos meus joelhos e era muito gelada, tão gelada que dava a impressão de ter agulhas sendo enfiada nas minhas pernas, eu não fazia ideia do motivo da água ser tão gelada, sendo que há minutos atrás o calor estava beirando o insuportável.
- Lílian, cadê você? – Ouvi a vozinha da Jéssica me chamar.
- Estou aqui querida, fique aí que estou chegando.
- A água está subindo muito rápido! – Ela constatou. – O que faremos?
Eu cheguei até onde ela estava e ela abraçou forte a minha cintura - a sua cabeça na altura do meu peito - afaguei seus cabelos e quando eu ia respondê-la eu ouvi um Alohomora, seguido de barulho de correntes e chaves. A porta se abriu minimamente e eu vi quando um homem entrou sorrateiramente.
- Ele quer que vocês morram aqui, agoniados! Mas se vão morrer mesmo, porque eu não posso me divertir um pouco? – O homem disse para si mesmo. Assim que ele passou pelo feixe de luz que vinha da porta eu reconheci ser o comensal loiro que havia olhado para mim e para a Loren como carnes no açougue, naquele momento meu coração gelou, como quem fareja o medo ele se virou na minha direção e eu pude ouvir um risinho escapar entre seus lábios.
- Prefiro as loiras do que as ruivas! – Ele disse procurando pela Loren, mas ela havia se escondido muito bem em algum lugar e eu, mesmo estando na pior situação que a vida já havia me colocado, fiquei feliz por ela ter conseguido se esconder, eu não sei por que, mas eu acreditava que tinha mais chances de me livrar daquele maníaco do que ela que era toda cheia de frescuras!
Ele caminhou pela água que já tinha subido até os quadris na minha direção e segurou o meu braço, quando eu pensei em gritar ele me lançou um feitiço que eu desconhecia, fazendo a minha voz sumir na hora, ele apertou o meu braço com tanta força que eu perdi completamente a coragem de lutar, depois começou a me arrastar para fora do calabouço, eu achei melhor assim, fora daquele lugar as minhas chances eram maiores. – Eu esperava que fosse - Eu ainda tinha esperança que ele largasse a porta aberta, para que os outros fugissem, mas é obvio que ele não o fez!
***
James.
Eu estava ensopado em meio a floresta aguardando a Prof. McGonagall voltar com o Prof° Dumbledore para que nós invadíssemos a mansão, a imagem dos olhos aflitos da Lílian não saiam da minha mente, eu precisava encontrá-la, precisava tocar na sua pele macia e ter a certeza de que ela estava bem.
- Está preparado para entrar? – Sirius me perguntou de repente.
- E porque não estaria?
- Bem, não sabemos o que vamos encontrar lá dentro, você deve se preparar para tudo!
Meu corpo já estava gelado por causa da chuva fria, mas as palavras do Sirius gelaram o meu sangue, congelaram a minha alma.
- Eu estou preparado para entrar nesta maldita mansão e resgatá-la. Não quero pensar em nada que não seja isso.
Sirius me fitou e eu confesso que não gostei da forma como ele me olhou, havia compaixão em seu olhar.
- Ela está bem, eu sei que está! – Afirmei.
Assim que o Prof° Dumbledore aparatou, nós imediatamente começamos a nos embrenhar na floresta, até chegarmos numa grande árvore que ficava de frente para o portão principal. A fachada da mansão estava vazia, mas nós sabíamos que a qualquer momento comensais poderiam aparatar por ali.
- Quando a Luz se apagar invadiremos a mansão. James e Sirius, o comensal disse a vocês onde estão os alunos, então vocês irão correr o máximo que puderem até lá e os resgatarão, não olhem para trás que estaremos protegendo a retaguarda de vocês! Levem eles de volta para Hogwarts, acham que podem fazer isso? – Dumbledore nos perguntou.
- Com certeza. – Sirius respondeu antes que eu pudesse me pronunciar, Dumbledore me olhou e eu fiz um aceno afirmativo com a cabeça.
Dumbledore pegou um objeto que parecia um isqueiro e quando eu achei que ele fosse acender uma chama eu vi todos os pontos de luz do local voarem em direção ao objeto, de repente tudo escureceu.
- Agora Jay! – Sirius disse correndo feito um maratonista na minha frente, corri atrás dele até o muro da mansão, nós o pulamos sem maiores dificuldades e continuamos correndo até a porta principal que se abriu no momento em que paramos na sua frente. Corri para o lado e me espremi na parede quando dois comensais saíram enquanto diziam ir verificar o motivo da falta de luz, foi o tempo de eu estuporar um e o Sirius o outro, eu sorri ao ver a porta aberta, aquilo estava ficando mais fácil do que eu imaginava.
***
Lílian.
Ele estava me forçando a subir uma escada em formato de caracol e enquanto eu a subia eu pensava em uma forma de me livrar daquilo, a cada passo acima que eu dava eu imagina. – Isso não está realmente acontecendo. – Eu tentei não me desesperar, eu busquei dentro de mim alguma serenidade e eu encontrei o rosto do James. Chegava a ser ridículo eu imaginar o olhar do James em mim, o timbre suave da voz dele sussurrando palavras doces no meu ouvido... Mas ele era a minha paz, era o objeto principal das minhas melhores lembranças, eu precisava não pensar no que poderia acontecer se eu não conseguisse fugir, foi neste momento que as luzes se apagaram completamente, eu topei no degrau da escada e me recusei a continuar andando, foi então que aquele loiro ridículo apertou ainda mais a mão no meu braço fazendo-me gritar silenciosamente de dor, ele começou a me puxar e se eu não levantasse meus pés para subir os degraus ele certamente me arrastaria.
Eu estava com a esperança de passar em algum local onde tivesse alguma varinha, mas agora naquele escuro as minhas esperanças se dissiparam e o desespero começou a tomar conta. Subi as escadas e andei por algum tempo no escuro, quando do nada a luz voltou, ele começou a me puxar ainda mais rápido, e eu percebi que o bruxo para qual ele trabalhava não havia permitido que ele fizesse aquilo, então eu decidi gritar! Mas a minha voz não saiu, eu esqueci que ele havia feito a minha voz desaparecer. Entramos em um cômodo vazio que estava cheio de caixas de papelão e tinha um cheiro horrível de podre, ele fechou a porta atrás dele e eu me senti definitivamente perdida.
James.
Eu e o Sirius entramos e facilmente encontramos a tal escada em formato de caracol, estávamos descendo as escadas quando a luz voltou o que facilitou bastante a nossa descida. Ao chegar à porta eu imediatamente apontei minha varinha dizendo – Alohomora – E o Sirius estourou o cadeado das correntes com um – Confringo. Quando a porta se abriu uma quantidade exorbitante de água começou a escapar, abri a porta completamente para que a luz entrasse e eu pudesse ver os alunos, eu vi quatro silhuetas. Entrei no calabouço e a água dava a altura da minha cintura, do lado esquerdo eu vi a Loren com uma menininha no colo, e do lado direito um rapaz parado feito uma pedra e outro menino que aparentava ser mais novo. Mérlin, onde ela estava?
- Levaram a Lílian! – A menininha que estava no colo da Loren disse aflita.
- Quem levou? E para onde? – Perguntei desesperado.
- Um comensal a levou para cima, eu não sei o que ele quer com ela. – A menina disse com os olhos cheios d’agua.
- Ele a achou bem gostosa. – Loren disse e eu senti o céu desabar na minha cabeça e a terra se abrir em baixo dos meus pés.
- Vocês viram se ele desaparatou?
- Não, ele subiu com ela! – A garotinha respondeu chorando.
Eu engoli em seco e tentei respirar fundo, mas o ar me faltou.
- Sirius, leve eles para Hogwarts! – Eu disse entre os dentes.
- Você tem certeza?
- Sim! – Respondi correndo escada acima.
**
Lílian.
Eu tentei lutar com ele, uma luta que antes de começar eu já sabia estar perdida.
- Você realmente acha que pode lutar comigo? – Ele disse sorrindo e o hálito dele me atingiu nauseando-me. – Esqueci que você não pode me responder, vou te livrar deste feitiço! – Ele disse fazendo outro feitiço silencioso, assim que ele baixou a sua varinha eu gritei a plenos pulmões.
- Socorro!
O homem afundou as unhas na carne do meu braço que já estava muito machucada e com a outra mão segurou meu outro braço, eu vi quando ele foi se aproximando de mim na intenção de me beijar, foi então que eu virei o rosto, ele soltou um dos meus braços, e segurou o meu rosto com toda a força, eu tentei reagir, mas ele era muito forte. Fechei meus olhos para pensar em uma maneira de fugir dali quando eu senti a pressão dos lábios dele nos meus e o forte cheiro de suor com sujeira que emanava do seu ser.
Tão logo ele encostou sua boca na minha eu o senti voando para trás, não havia mais o cheiro da sua pele e muito menos a boca dele na minha, eu abri os meus olhos e vi o comensal deitado no chão e o James com um joelho em cima do peito dele esmurrando-lhe a cara. Eu nunca havia visto o James daquela maneira, ele estava fora de si! Suas mãos estavam vermelhas de sangue e mesmo assim ele não parava de bater, eu fiquei parada, encostada em algumas caixas sem ter coragem de ir até lá.
- Jay. – Eu apenas sussurrei o seu nome.
Eu falei tão baixinho, mas parece que eu gritei! Ele parou na mesma hora e como se estivesse voltando a si ele se levantou, eu olhei para ele e senti meu coração perder uma batida, ele estava sem camisa, os músculos dos braços definidos pelo esforço que acabara de fazer, seu abdômen era exatamente da forma que eu imaginava que seria quando eu o tocava durante o beijo. Ele caminhou até onde eu estava e sem aviso prévio me abraçou como nunca havia feito, ele me envolveu em seus braços fortes e afundou o seu rosto na minha clavícula, suas mãos se espalmaram nas minhas costas me passando a maior sensação de proteção que eu já senti na vida.
- Você está bem? – Ele perguntou.
- Agora estou! – O respondi. Naquele momento, nos braços dele, todo o medo que eu tinha acabado de passar se manifestou, eu sentia minhas pernas tremendo e foi me dando uma vontade absurda de chorar durante horas.
- Temos que ir agora amor, antes que eles nos achem! – Ele disse segurando na minha mão.
Peraí! Eu estava em estado de choque, era certo, mas não estava ficando louca ainda. Ele havia me chamado de Amor? Mérlin, agora andar tornou-se impossível.
Vendo que eu não me mexia ele se virou e fitou meus olhos, havia tanta intensidade naquele olhar que eu fiz uma coisa que raramente fazia, baixei minha cabeça frente a ele.
- Algum problema? – Ele perguntou baixinho, acariciando o lado esquerdo da minha bochecha com o polegar.
- Não, está tudo bem. – Menti, eu estava péssima em todos os sentidos.
Neste momento eu senti quando ele passou suas mãos delicadamente pelo hematoma do meu braço, eu tremi com o toque dele, que apesar de ter sido suave causou uma dor tremenda. Só naquele momento que eu comecei a prestar atenção a minha volta, havia barulhos horríveis de batalha vindo de algum lugar e eu imediatamente lembrei-me da Jessica.
- Os alunos estão no calabouço! – Disse aflita.
- O Sirius já se encarregou de leva-los para um lugar seguro!
Eu sorri minimamente.
- Agora eu vou te levar seguramente para casa! – Ele disse sorrindo de um jeito que fez meus ossos amolecerem.
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Meninas lindas do meu core, hj não vou agradecer uma por uma, pois a Gabriela está aguardando ansiosamente eu postar a fic kkkk – sorry gaby. Mas queria dizer que estou amando os cometários de vcs viu, vcs são as melhores leitoras do mundo. Maria, leitora nova seja bem vinda e comente bastante kkk. Semana de provas na facul acabou, e vamo que vamo! Ah! Votem na minha fic se ainda não o fez neste período! É isso, espero que tenham gostado...
Desculpem algum erro de português, mas reli correndo...