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4. descoberta.


Fic: the bad girls return. cap 6 ON


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Remember all the things we wanted
Lembra-se de tudo o que queríamos?
Now all our memories, they're haunted
Agora todas as nossas memórias estão assombradas
We were always meant to say goodbye
Nós fomos feitos para sempre dizer adeus
Even without fists held high, yeah
Mesmo sem punhos levantados, yeah
Never would have worked out right, yeah
Nunca teria dado certo, yeah
We were never meant for do or die
Nós nunca fomos feitos para fazer ou morrer
I didn't want us to burn out
Eu não queria que nós nos queimássemos
I didn't come here to hurt you now
Eu não vim aqui para te machucar
I can't stop
Não posso parar
I want you to know
Eu quero que você saiba
That it doesn't matter
Que não importa
Where we take this road 
Onde essa estrada vai parar
Someone's gotta go
Alguém tem que ir
And I want you to know
E eu quero que você saiba
You couldn't have loved me better
Que você não poderia ter me amado mais
But I want you to move on
Mas eu quero que você siga em frente
So I'm already gone 
Então já fui embora


-Already Gone - Kelly Clarkson.



Todo o decorrer daquele dia se arrastou, com aulas intermináveis. Eu não conseguia pensar em nada, apenas no tal segredo que Amy me contaria. Eu não conseguia nem pensar em meus próprios fantasmas. O que teria feito o coração de Amy se transformar em uma rocha?


Com o sinal da ultima aula eu saí apressada da sala, agarrando Amy pela mão.


-Você pode me avisar de antemão onde é o incêndio que você pretende me levar? Se isso for o plano para um encontro, não sou adepta do lesbianismo Herms, mas me sinto lisonjeada mesmo assim. – disse a loira, com as sobrancelhas arqueadas.


-Me poupe Amy. Você sabe que me deixou desesperada com o tal segredo e blábláblá. Eu preciso saber agora!


-Mas e o jantar?


-Amy, você quase nunca come.


-Mas hoje tem coisas gostosas para comer. E eu to com sede, ok? Um suquinho de abóbora seria ótimo, um Martini também... - ela disse, fazendo biquinho.


-Eu transfiguro um suco pra você, satisfeita? Agora anda logo. - eu a empurrei, praticamente correndo para nosso dormitório. Ao adentrar eu sentei em minha cama e olhei impaciente pra ela. –Vai, desembucha criatura!


-Não vai rolar nem preliminares? Quanta indelicadeza H. - olhei homicida para ela. – Ok, sem tempo para brincadeiras.


Amy tirou os sapatos, guardou-os, foi ao banheiro, voltou, abriu o armário, fechou-o... Algo me dizia que ela não queria começar o tal assunto.


-Amy, qual o problema? Eu não pedi pra você me contar, você apenas disse que eu merecia, e eu meio que concordo. Então, que porra é essa que ta rolando aqui? – a má atitude dela pegava, cruzes.


-Mesmo com o tempo não é fácil falar sobre isso, ok? Dói, me corrói por dentro, droga! Dói mais que a situação com meus pais, dói mais que tudo! –ela praticamente gritou, tampando o rosto. Eu permaneci em silêncio, e após respirar fundo duas vezes ela se dirigiu à minha cama. –Chega essa bunda pra lá, preciso de apoio emocional pra contar isso. –surpreendentemente não tinha sarcasmo em sua voz, assim me recostei na cabeceira, dando espaço à ela.


 -Bem, sabia que eu estou em Beauxsbatons há apenas três anos? Não entrei no primeiro ano porque, como eu já disse, minha família é de malucos e retardada, então eu comecei meus estudos em casa, com um professor particular. Meus pais, principalmente minha mãe, achavam que eu era retardada e não percebia o real desejo deles. Comecei a ter uma visão do mundo muito cedo, então eu sabia que aquele professor nojento preferia passar mais tempo no quarto da minha mãe do que me ensinando História da Magia e Feitiços. Por isso meu desejo de ingressar em uma escola de verdade só se intensificava. Eu atormentava meu pai há uns bons meses, e em um ano particularmente bom, para os negócios, meu pai finalmente me escutou e decidiu me colocar em uma escola de verdade. Claro que Hogwarts era minha primeira opção, mas em Beauxsbatons havia mais filhos ricos de amigos ricos de minha família, o que meus pais acharam uma saída muito promissora. Não me importei na época, qualquer coisa era melhor do que eu vivia.


‘Então eu iniciei meus estudos em Beauxsbatons. Tudo era novidade para mim, e eu achava tudo maravilhoso. Claro que quando eu entrei todos sabiam algo sobre mim, porque minha família era rica e influente, e de certa forma vivíamos em alta. Varios amigos apareceram de cara, e eu acabei me encaixando no grupo, que hoje, considero mais inesperado. Acredite se quiser, minha melhor amiga era Melanie. Nós nos identificamos na primeira semana, e a amizade se prolongou pelos dias. Nós fazíamos tudo juntas, e eu acabei me socializando com a maioria das pessoas.


Eu havia me acostumado com o assedio dos garotos, eu sempre tive consciência de que era bonita; não interprete isso como falta de modéstia Hermione, mas a verdade era que eu já me acostumara. Nunca havia namorado sério, mas já havia conhecido um pouco dessa vida. Por isso de inicio nenhum dos garotos chamara a minha atenção, até eu vê-lo. Seu nome era Eric Stuart, e ele era dois anos mais velho que eu. Pra mim, ele era perfeita H, e ainda é. As vezes eu sonho com ele as noites, e nessas vezes acredito que ele ainda... Bem, enfim. ’


Amy respirou fundo, e eu continuei calada. Claro que várias perguntar e suspeitas rondavam a minha cabeça, mas eu preferi não interrompe-la.


-Eric era do tipo calado, entende? Era loiro, assim como eu, e com uma pele tão branca que me lembro até hoje... Ele era bem alto, e forte. Você já viu os caras de Beauxsbatons, podemos dizer que poucos deles são considerados feios. Bem, ele era do tipo calado e de inicio não reparei nele. Mas todos os dias no final de minhas aulas, não importam onde, ele sempre estava na porta. E sempre nos encarávamos. Parece idiota hoje, não? Mas foi assim que começou. Um dia qualquer ele veio até mim e começamos a conversar, e eu soube um pouco dele, e depois por todos os dias de uma semana nos encontramos e conversamos. Não havia acontecido nenhum contato físico, e sempre que eu o encontrava meu coração ia parar no meu cérebro! Era um negócio muito doido viu Hermione... Só de lembrar... – Amy respirara fundo, tentando ignorar um tremor que tomara conta de suas mãos. – Ele era tão diferente dos outros caras, sabe? Não ficava me falando grosserias, nem me chamava de gostosa loira, como a maioria. Sei lá, era um sentimento muito puro que desenvolvemos...


‘Nós sempre nos encontrávamos nos finais de semana, e conversávamos muito. Mas nunca um contato físico de verdade. Acredite, eu era muito pura naquela época, nunca havia me apaixonado, ou beijado alguém. Em Beauxsbatons há sempre grandes festas, porque comemoramos coisas retardadas, como o inicio das estações, e essas baboseiras esquisitas. Não que eu esteja reclamando, porque eu amo uma boa festa. O inverno se aproximava, e com ele o baile da estação. Era uma sexta-feira, e Eric me esperava no final de minha ultima aula.’
 


- Você demorou. – Eric disse, me assustando loucamente, enquanto eu saia da sala.


- Sério? – eu responi sarcástica. – Aquela velha idiota nos fez escrever uma redação idiota! Eu mereço?


Ele riu da minha reação, que na concepção dele sempre era exagerada, e eu apenas bufei de irritação. Então, ele simplesmente segurou minhas mãos, me surpreendendo..


- Você faria uma coisa por mim?


- Hm... O que você ta querendo Stuart? – eu rebati tentando ser sarcástica, mas quando encarei seus olhos, notei que não era apenas uma brincadeira.


 - Quero que você me encontre hoje a noite, nos jardins. Você faria isso? – olhos dele pareciam um mar sem fim, um tom de azul que eu nunca conseguiria descrever.


- Claro que faria.


- Então, eu te espero, loira. – ele disse, beijando minha mão e piscaando maroto enquanto seguia pelo corredor.


- Seu cafona! – eu gritei rindo. Mas, quando eu virei em direção ao meu dormitório, dei de cara com Melanie.. – Que susto Mel! Desde quando você ta aqui?


- Alguns minutos... O que o Stuart queria? – ela perguntou, séria.


- Ah, só conversar...


-Hm... Acho que você devia ir para o dormitório. Eu tenho uns assuntos pendentes. – ela disse saindo sem ao menos olhar duas vezes para mim.


 


-Sabe Hermione, eu devia ter percebido naquela hora o que estava prestes a acontecer, mas eu só conseguia pensar que Eric queria se encontrar comigo, a sós! Aquele poderia ser o dia mais feliz de minha vida... Mas não foi. Me vesti da melhor forma possível, praticamente engoli o jantar, e saí correndo para os jardins...


 


‘Eu corria como uma retardada pelos corredores vazios, minhas respiração já dificultada pela minha pequena caminhada.


Quando cheguei, vislumbrei Eric de costas para mim, e vou te falar: foi a visão mais perfeita que eu tive na vida. Ele era perfeito.


As costas largar, a respiração meio acelerada, e os cabelos se debatendo contra o vento. Perfeito!


Diminui o ritmo de meus passos, e caminhei até ele. Ao ouvir meus passos, ele virou-se para mim com o sorriso mais lindo que eu já vira.


- Pensei que não vinha mais, sua atrasada. -  ele disse, só pra me irritar.


- Você tem noção da dificuldade que é comer e depois correr com esses saltos? – eu respondi, num tom ofendido.


- É porque você é loira, Amy. – ele disse, me provocando. Eu apenas o olhei com desprezo e sentei em um banco próximo demais.


- Isso tudo é amor, Stuart? – eu respondi, tentando soar indiferente.


- Como você adivinhou? -  ele sussurrou, bem perto de  mim. Eu me virei lentamente, me deparando com seu rosto bem próximo ao meu. Ele me olhava com tamanha intensidade que senti meu rosto esquentar. Ele subiu a mão lentamente pelo meu rosto, acariciando minhas bochechas. Eu apenas fechei os olhos, tentando memorizar todo aquele momento. Senti suas mãos descerem pela lateral no meu pescoço, e ele arranhou de leve minha nuca.


- Abre os olhos, loira. – ele ainda sussurrava, e como uma ordem eu atendi. Nossos lábios quase se tocavam, e sem me conter direcionei minhas mãos até seu pescoço, como prevendo o que estava por vir.


Ele se aproximou mais, até nossos lábios se tocarem. Parecia que todo o meu corpo tremia, e eu sentia a mesma reação vindo dele. Ele apertou mais forte a minha nuca, e com a outra mão me puxou pela cintura. Ele precisava apenas de meu consentimento para aprofundar o beijo, e sem demoras eu permiti. Seus lábios pareciam ter sido feitos especialmente para me beijar, e enquanto eu ia as estrelas ele apertava firmemente minha cintura, me fazendo suspirar. Foi quando eu senti seu corpo pesado sob o meu, o que me fez abrir os olhos surpresa.


Os olhos dele estavam arregalados de pânico, o que me fez afastar dele. Ele parecia estar sufocando, como se o ar não pudesse chegar aos seus pulmões.


- Eric? Eric? ERIC? – eu gritava, sem me importar com nada, enquanto ele escorregava do banco, se estatelando no chão, ainda sem conseguir respirar. Eu tentei de tudo: respiração boca a boca, tentei pressionar o peito dele... Mas nada! EU começara a chorar, não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Quando me levantei para tentar encontrar ajuda, um vulto passou em alta velocidade, prostrando-se ao lado de Eric.


- Seu idiota! O que ta acontecendo? ACORDA! – eu demorei um segundo para reconhecer Melanie.


- Mel? O que você ta fazendo aqui? Vai buscar ajuda, por favor. – eu disse em meio as lágrimas, meu corpo paralisado pelo pânico.


- Você não devia estar assim... Não... Você deveria ser meu! – ela balbuciava alucinada, beijando os lábios já brancos do MEU Eric.


- O que você ta fazendo, sua doida? VAI ATRÁS DE AJUDA! – eu gritei, sem me conter.


- CALA A BOCA, SUA VADIA! ISSO É TUDO CULPA SUA. ENTENDEU? – Melanie gritou de volta, correndo em minha direção.


- MINHA? VAI ATRÁS DE AJUDA!


- NÃO DÁ! ELE JÁ... Morreu. – ela balbuciou, e eu senti como um punhal atravessando o meu peito. Juntei forças não sei de onde e corri para ao lado de Eric. Ele ainda estava quente, o rosto sereno, como se estivesse dormindo, mas seu peito não se mexia mais, e eu soube que ele tinha mesmo morrido.


 - Não era isso que eu queria... – Melanie disse baixinho, me assustando. Eu olhei pra ela, e uma raiva enorme cresceu dentro de mim.


- VOCÊ FEZ ISSO? VOCÊ MATOU ELE? – eu gritei, enlouquecida.


- NÃO! Eu... Deu tudo errado. Eu tentei fazer uma... Uma poção do amor, mas alguma coisa deu errado... Eu não sabia como fazer, só sabia que ele NUNCA poderia ficar com você, ao invés de mim. – ela respondeu, chorando. – Você causou isso, sua vadia!


Meus olhos encheram de lágrimas, e eu parti pra cima dela, dando um belo de um tapa naquela cara lavada dela. Ela simplesmente levantou o rosto, deixando uma única lágrima cair.


- Se você contar pra alguém, qualquer um, eu te mato. Eu faço todo mundo acreditar que você matou ele. – e assim ela saiu, me deixando sozinha com o amor da minha vida. Não sei de onde tirei forças, mas saí correndo dali, deixando meu grande amor pra trás, e com ele metade do meu coração.’
 


-O QUE? Melanie matou Eric? E o que ela está fazendo aqui ainda?- eu perguntei, em choque.


-Não disse à ninguém que foi ela.- respondeu Amy, sem olhar para mim.


-Tá me zuando, né?- eu disse, incrédula.


-Não. Eu não tinha coragem, Hermione. Se toca, pra mim ser como sou hoje, não foi de um dia pro outro. Não me livrei de meus demônios, mas consegui acalma-los. Eu... Não consegui na época, e não consigo agora.- ela respondeu, e eu permaneciaem choque. Euficara na mesma sala que uma assassina, leia-se ASSASSINA, e Amy agia tão calmamente? Essa garota precisava de um soco? De um tapa? De uma surra? Porque eu estava mais que preparada pra dar umas boas porradas em Amy! E depois na assassina demoníaca retardada doente mental e ASSASSINA DE NOVO da Melanie.


-Você tem algum problema Amy... Tem sim. Você viu o amor da sua vida morrer na sua frente, e ficou quieta?- eu disse, levantando-me.


-O QUE VOCÊ ESPERAVA QUE EU FIZESSE? - gritou ela, me assustando. Seu rosto estava vermelho, os olhos marejados. - O que você queria que eu fizesse? Ele morreu na minha frente, por minha culpa. Nossa culpa, sem nem ao menos sabermos. Eu tenho plena consciência disso, Hermione. Tente colocar nessa sua cabecinha de vento, cheia de sonhos, que a vida é muito mais que momentos felizes. Eu sei pelo o que você já passou, o mundo inteiro sabe, mas isso não é nada, comparado com o que ainda passará. Pensei que você soubesse. Por trás de todo coração duro como pedra, há algo que o endureceu, que o congelou. Ninguém acorda em um belo dia e pensa ‘vou ser uma cadela, e tratar todos como insetos’. Sempre há motivos, sempre.


Eu pensei que nada poderia me chocar em Amy, mas eu estava redondamente enganada. Ela era uma caixinha de surpresas, e tão sozinha. Uma caixinha repleta de histórias e sofrimentos que ninguém parara para observar, para desvendar.


-Alguém mais sabe disso?


-Não. Só você.


-Não pretende contar á ninguém, mesmo? Amy isso pode mudar tudo...


-NÃO. Eu já disse. Tudo já esta uma desgraça, não vou desgraçar mais.


-Mas... O que aconteceu? O que você fez com Eric depois que ela foi embora?- perguntei relutante. Eu não sabia se realmente gostaria de saber isso.


-Eu corri até a sala de Madame Máxime, desesperada. Contei apenas metade da conversar, que estávamos no jardim e do nada ele, morreu. Ela acreditou, porque meu estado era prova de meu sofrimento. Eu nunca faria algo de mal para ele!


-Sinto muito. De verdade. - eu disse, e realmente sentia isso.


-Eu também Hermione...- ela disse, me olhando. Seu olhar demonstrava o vazio de seu coração.


-E seus pais? O que disseram disso?


-Primeiro passo: terapia. Duas sessões foram o suficiente para ver que aquela doida de terapeuta precisava de mais cuidados que eu. Depois de alguns meses, ninguém falava mais nisso. Todos agiam como se nada tivesse acontecido. - respondeu ela, seu tom demonstrava toda a repugnância que ela sentia pela situação.


-Mas, pra você tinha acontecido muita coisa. E você tentava não demonstrar. - não era uma pergunta. Eu entendia a atitude dela.


-Então... Essa sou eu, depois de tudo. Colocar um sorriso no rosto e fingir que tudo está ótimo é quase um lemaem Beauxsbatons. Nodia seguinte, todo mundo soube que ele havia morrido na minha frente, e Melanie foi a primeira a espalhar isso. Ninguém mais quis conversar comigo, e eu não achei isso tão ruim. Foi bom, melhor do que ficar respondendo perguntas idiotas de pessoas idiotas. - ela suspirou. - Nada é realmente o que parece Hermione. Não aqui.


Como assim? Eu tinha saído de meu inferno particular, para entrar em outro? Naquele momento não foi preciso palavras, mas uma ligação inexplicável havia surgido entre nós duas. Um segredo como aquele não era revelado todo dia, e ela tivera plena confiança em mim.


-Não vou contar para ninguém. - eu disse baixinho. Ela sacudiu a cabeça, sem realmente olhar para mim. - Mas.. Como vai ser? Vamos acabar com a vadia, ou o que?-, perguntei, por fim, chamando a atenção de Amy. Eu sorria, a dor dela passara para mim. Eu já sentira nojo por muitas pessoas antes, mas por Melanie era alem da razão. Ela era repugnante, insignificante.


-Assim que se fala, Bad Girl. - respondeu Amy, com seu típico sorriso.
 


Eu acordara confiante naquela manhã estranha de inverno. Era um milagre eu ter conseguido dormir, algo que eu até esquecera nas ultimas semanas. Parecia que cada dia tornava-se mais longo, cada hora uma eternidade, tudo pela eminência da volta. Eu sentia que este castelo azul estranho, com toda a sua pompa e elegância transformara-se, de algum jeito, em um lar para mim. Um mês havia se passado desde Amy me contara sobre a sua vida, e desde então eu tentava achar um jeito de me vingar por ela. Querendo ou não Amy fora meu ponto de escape, e eu agradecia imensamente a isso. Este tempo me transformara, e eu completamente, e eu não era a mesma Hermione. Eu não havia mudado totalmente, claro, meus princípios continuavam os mesmos, mas eu havia mudado. Meus pensamentos haviam mudado, sem mencionar a aparência. Com certeza, era a mudança mais notávelem mim. As roupas, os acessórios, os modos. Eu aprendera a viver de aparências. Simples assim.


Nesses dias eu havia ajudado tanto Amy, que parecíamos mais como irmãs. Até mesmo na aparência, pois eu não tinha vergonha nenhuma de admitir que virara uma versão ‘morena’ dela. A única coisa que nos diferenciava, para quem observasse pela primeira vez, era a loirisse irritante dela, em contraste com meus apagados cabelos castanhos. E ela ainda era loira natural, eu não me conformava.


Mas, eu tinha noção do tanto que eu havia servido de suporte para ela, e isso não me envergonhava, nem despertava o sentido de ‘fui usada’, pois eu sabia que isso não era verdade. Ela aprendera a conviver com o meu jeito, e eu aprendera a apreciar sua visão da vida, e isso não era motivo algum de vergonha.


O que mais me orgulhava, não no sentido de orgulhar, tipo ‘estou super orgulhosa’ (?), mas no sentido, digamos, mais satisfatório, era ter ajudado Amy a superar seu maior trauma, e a culpar e castigar (estraçalhar e despedaçar, no vocabulário de Amy) a verdadeira culpada, Melanie Williams.


Eu realmente não havia pensado muito bem em como faria isso, mas eu apenas sabia que faria. Logo depois de Amy relatar todas as suas traumatizantes lembranças sobre Eric, ela ficou toda calada e ficou o resto da noite deitada em sua cama, de costas para mim. Bem, esse era o jeito da Amy de se expressar, o que eu poderia fazer? Parecia que minha cabeça estava funcionando mais devagar, muito lenta. Eu não conseguia processar todas as informações com a rapidez necessária. Então, levantei-me e decidi pensar nisso depois. Tomei um bom banho, arrumei meu lado do quarto (Amy era linda e glamurosa, mas seu lado do quarto era um lixo) e me preparei lentamente para deitar. Não dormir, pois eu sabia muito bem que tinha muita coisa em que pensar, muitas coisas a planejar.


Como afetar Melanie? Amanhã, eu começaria meu plano.


Levantei metodicamente, pois eu realmente não dormira muito naquela noite. Amy dormia profundamente, e decidi dar alguns minutos para ela descansar. Fiz todas as minhas ‘tarefas matinais’ tranquilamente, e depois de meia hora, eu estava praticamente pronta para mais um dia de aula. Era uma manhã cinzenta, como eu gostava.


Decidi que já era hora de acordar a Bela Adormecida (era estranho ela não ter acordada ainda, era sempre a primeira). Aproximei-me da cama de Amy, e o sacudi levemente. Imediatamente, a loira pulou da cama assustada, o que causou um frenesi no meu coração (como um quase ataque cardíaco, digamos).


-Tá doida, Hermione? Surtou?- gritou ela, se apoiando nos joelhos para recuperar o fôlego.


-E eu sou a doida. Eu ia te acordar, dona Bela Adormecida. E de nada por você não perder o dia de aulas. - eu disse, irritada.


-Quer que eu te agradeça? Uma estrelinha dourada no meio da testa, talvez? – ela disse, com todo aquele veneno digno de loiros, por que vamos combinar: loiro é um negócio complicado. Ainda mais loira! – Ok, valeu aí mãe. Mas não me acorda mais assim, senão eu te dou um crucio no meio da fuça! – como sempre uma manhã cheia de amor.


- Vai rodar bolsinha, vai Amy. – ela me fuzilou com o olhar. – Não dormiu bem?


- Não.


- Pesadelos?


- Sim.


 -Eric?- eu perguntei, olhando para ela.


-Sim. - ela disse, levantando os olhos. Uma única lágrima escorria pela bochecha dela, e um carinho se apoderou de mim. Eu, ultimamente, era movida por sentimentos, não pela razão; por isso, antes que eu pudesse evitar, me vi abraçando firmemente Amy, e mais inacreditavelmente, ela não havia me empurrado com o típico ‘fumou maconha, Herms?’. Ela me abraçava de volta. Como verdadeiras amigas.


-Melhor? - perguntei, me soltando dela.


-Pode-se dizer que sim. - respondeu ela, abrindo um sorriso meio morto. - Se contar isso pra alguém, eu te mato, Bad Girl.


Eu não consegui reprimir uma gargalhada, e a loira também acabou rindo.


-Então, eu realmente peguei um nojinho da Melanie... O que vamos fazer em relação a isso?- perguntei, abrindo meu sorriso mais sarcástico. Amy me olhou meio chocada, mas logo seu rosto de iluminou.


-Você não estava brincando. - ela disso, e não era uma pergunta. Sim, eu não estava brincando.


-Of course, darling.


-Parece inacreditável, mas eu não tenho idéias.


-Vamos começar pelas súditas. Uma boa ditadora não é nada sem suas capangas. E as ‘amiguinhas’ da Melanie não parecem do tipo ‘best friend’.- eu disse, sorrindo marota.


-Depois?- a loira estava empolgada, isso era notável.


-Provavelmente, ela não deve ficar sozinha. Deve ter algum babaca que fica atrás dela como um cachorrinho, e que ela goste, ou se sinta acomodada. Vamos roubá-lo. - eu não sabia de onde haviam saído essas idéias. Acho que os genes maléficos da Amy haviam passado pra mim. Credo! Eu precisava parar de dormir perto dela.


 -Você está provando ser uma pessoa verdadeiramente terrível, Mione.- era ótimo ver o típico sorriso de Amy de volta aos lábios dela. Era assim que eu queria me lembrar dela, sempre.


-E como você pretende ‘tomar’ as capangas nojentas dela?- perguntou Amy, uma ruga surgindo entre suas sobrancelhas.


-Bom, se elas estam com ela por conveniência, por popularidade, digamos assim, então sempre que aparecer uma oportunidade mais vantajosa elas irão atrás dela, e largarão a Melanie.


-Tem uma falha no seu plano perfeito: elas não vão me seguir, eu sou a escória, esqueceu?


-Sim, mas, eu não.- eu disse, piscando marota.


-Quero que me conte tudo que tem em mente, agora Hermione. - só faltava Amy quicar no lugar.


-Calma. Vai dar um jeito nessa sua cara, colocar uma roupa decente, que eu te conto tudo. - eu respondi, toda pomposa, recebendo uma travesseirada na cara, de brinde.


Amy já havia encarnado o papel de ‘poderosa’, com suas roupas típicas, e com seu sorriso típico. Revirei os olhos inconscientemente ‘Amy é assim’. Ela havia me contato que ultimamente Melanie havia espalhado para os quatro cantos que estava namorando um carinha, que eu nunca vi, do sétimo ano, um tal de Roger Bats (que nome, Merlin. Mães definitivamente não possuem criatividade para nomes. Prova viva disso é Ginevra. Sra. Weasley come bosta, só pode), que segundo Amy é um jumento em pele de gostoso. O que deixa a situação bem mais fácil para mim, é claro. Como a loira é ‘bixada’ em Beauxsbatons, eu iria fazer o papel de ‘arrasa corações’. Esta parte não fora idéia minha, óbvio. Ela dizia que fazer isso me ajudaria e tornar-me, definitivamente, sua Bad Girl. E vou ser sincera, eu não estava nenhum um pouco chateada por fazer isso. Vamos ser sinceros, quem não ia querer seduzir um cara gostoso, que ‘namora’ a maior puta de uma escola totalmente de aparências? Hello, eu sou certinha, mas sou uma garota!


Então, entramos confiantes em nossa primeira aula de sexta, Transfiguração. Era com um professor baixinho e feinho, que sinceramente, eu não lembrava o nome. Ele era feio e chato, poxa. Não tenho culpa. A aula, coincidentemente, era com Melanie. Sentamos em nossos típicos lugares, e ela entrou com uma cara desanimada /de cú/ e sentou na primeira carteira. Uma vadia nerd, essa era nova.


Durante a aula, tentei responder todas as perguntas possíveis, parte de meu plano, porque Melanie era do tipo que não admitia concorrência. Ela teria que ser a rainha de qualquer jeito, e em tudo que ela gostasse, e eu estava ameaçando seus planos.


Faltava apenas cinco minutos de aula, e apenas mais uma pergunta para responder. Felizmente, eu tinha respondido quase todas as perguntas (Melanie apenas uma) quando eu levantei a mão rapidamente, sendo escolhida para responder. Era uma pergunta fácil, eu tinha aprendido aquilo no terceiro ano (McGonagall deixava aquele professor feio no chinelo, literalmente), quando um estrondo chamou a atenção de todos.


Melanie havia se levantado e batido seu caderno com toda a força em cima da mesa, causando um estrondo ensurdecedor, no silencio sepulcral daquela aula chata. Amy acordou assustada de seu cochilo típico, e olhou assustada pra mim.


A garota parecia à beira de explodir, pois seu rosto se encontrava mais vermelho que os cabelos enjoativos da Gina. A Williams precisava se tratar, aquela menina sofria de distúrbio mental.


-Algum problema, senhorita Williams? Estou bastante intrigado para saber o motivo de seu comportamento inadequado. - disse aquele professor, olhando desaprovador para ela.


-Ela. - apontou pra mim. - não para de responder uma única pergunta. Isso não é justo. - PARA TUDO! Essa garota deu o maior chilique por causa de uma dúzia de perguntar? Realmente a Amy sabia o que a irritava. A loira mantinha seu sorriso sarcástico, e quando Melanie olhou em nossa direção, a loira mostrou o dedo do meio pra ela. A classe inteira foi a delírio. Um combate eminente.


-Seu comportamento é inaceitável. Isso não é uma disputa, Williams, é uma aula. Não aceito isso em minhas aulas. Detenção, amanhã. - eu estava começando a gostar daquele professor.


Já Melanie recolheu seus materiais, o sinal tocava estridente lá fora, e fez questão de passar por nossa fileira.


-Você não sabe onde ta se metendo, Granger.- e ela ainda tinha a cara de pau de me ameaçar.


-Você que não sabe com quem ta se metendo, Williams. Eu não sou de levar desaforo pra casa. - eu disse, sorrindo irônica, e dando as costas para ela. Não cheguei a ver sua reação, mas ouvi o som de seus passos irritados.


-Que comece a guerra. - Amy disse, batendo palmas, animada. ‘Que comece a guerra’, eu pensei, engolindo seco.


 


Já passara dois dias, desde a fatídica ‘discussão’ com Melanie. Minha massa cinzenta, totalmente debilitada, tentava processar desesperadamente um jeito de colocar meu planoem ação. Amytambém não conseguia pensar em algo convencível e pratico. Eu estava começando a ficar desesperada.


Foram poucas as vezes que eu cruzei com Melanie nos corredores de Beauxsbatons, nesses dois dias, mas uma rivalidade estava claramente lá, e as pessoas estavam começando a reparar. Ela havia feito cada vez mais ‘graça’, e exibia descaradamente o capacho dela, Roger Bats. Ele era lindo, eu nunca negaria, mas cada vez parecia mais inatingível. Ele praticamente beijava o chão que ela pisava, era uma situação estranha de se reverter.


Mas, uma repentina idéia instalou-se na minha cabeça. Os homens, geralmente, não gostavam das atiradas? Do tipo fácil que se esfrega e só falta escrever ‘VADIA’ na testa? Pois bem, eu seria assim. Era uma guerra, e nessa guerra valia tudo. E eu estava adorando tudo isso, estava adorando essa nova Hermione que começava a criar garras e lutava para sair. Nada de ser passada para trás, nada de ficar em segundo plano. O espetáculo seria meu.


Comuniquei, na mesma noite, meu pensamento para Amy. Ela ficou aproximadamente uns cinco minutos me olhando pasma, como se esperasse que eu dissesse ‘Tô te zuando, sua tapada loira’.


-Você tá falando sério mesmo, né?- ela disse, sem piscar, e Amy tinha uma capacidade inumana de ficar sem piscar. Bizarro!


-Lógico que tô. Não honre sua loirisse nessas horas, Amy, por favor. - eu respondi, revirando os olhos. Era algo que eu vinha fazendo com freqüência,


-E você pretende se submeter a isso sem peso de consciência e sem arrependimento? Ser vadia não é tão fácil, Bad Girl, experiência própria.


-Amy, eu não vou ficar muito tempo aqui, que diferença faz? Sinceramente, não tô nem ai para o que esses babacas vão pensar. - eu estava falando aquilo? Sim, eu estava.


-Você que sabe. - seus olhos se encheram de malicia, pareciam até brilhar, como quando uma criança aguarda seu presente de Natal. Ela ainda conseguia me causar medo. - Começamos amanhã?


-Leu meus pensamentos? É claro.


 


Acordei temerosa na manhã seguinte. Mas, não com medo. Eu estava empolgada para fazer algo relativamente errado, nessa minha chata vidinha. Escolhi uma das inúmeras roupas modificadas por Amy, saia e regata não tão chamativas, mas que fazia qualquer cara tarado te olhar. Perfeito para a ocasião!


Tudo estava planejado. Tínhamos um intervalo de trinta minutos, depois da terceira aula (Feitiços, eca!), com todos os anos. Perfeito!


Tive que esperar Amy, como sempre, mas não nos atrasamos muito, como de costume. As duas primeiras aulas foram chatas e monótonas, como sempre, mas no final da terceira aula um calafrio estranho começou a se instalar no meu estômago, e eu comecei a duvidar que conseguiria fazer tudo que havíamos planejado. Quando o sinal tocou, tive que respirar uma quarenta mil vezes, tentando me acalmar. Amy tentava me dar apoio (leia-se apoio: ‘Herms, você tá muito vadia amiga. Que orgulho de você! Vai lá e prensa o Bats na parede!’ na boa, ela fuma alguma erva? Come bosta de dragão? Vou dar uma porrada nessa pirralha loira!), mas só consegui me controlar, um pouco, quando senti a costumeira brisa de Inferno. Eu havia levado meu sobretudo, por segurança e o coloquei, deixando-o aberto.


Nos dirigimos apressadas para o pátio principal, onde era o principal jardim, e rapidamente tentei localizar meu alvo. Roger estava com seus costumeiros amigos/idiotas de sempre, e ria de alguma coisa patética que alguém havia dito. Não vou negar, ele tava muito gostoso. Típico cara que se acha, com apenas a camisa do uniforme, com osprimeiros botões abertos, dando-me a visão de um belo, BELO, peitoral malhado (eu nunca tinha percebido que tinha um lado MUITO tarado dentro de mim. Meu Deus! Alguém tira esse garoto de lá senão eu ataco ele!). Melanie não se encontrava a vista, perfeito! Parecia que tudo estava conspirando a meu favor, devia dar certo, eu sentia.


-Pronta? - Amy perguntou, me olhando.


-Sinceramente, não. Vou lá. - eu disse, respirando fundo, mas fui barrada pelo braço de Amy.


-Tem certeza que consegue fazer isso, Herms? Não precisa, se não conseguir. Eu me sentiria pior se você fizesse algo que pesasse sua consciência puritana depois. - a loira disso, séria. Vindo de Amy, era quase uma blasfêmia.


-Amy, obrigada, mas eu vou fazer. Por mim, e por você. Eu gosto de proteger as pessoas que me ajudam, e eu não sou mais a mesma, você mais que qualquer pessoa sabe disso. Eu vou conseguir. - e naquele momento, eu realmente acreditei que conseguiria.


Virei às costas rapidamente para ela, e rumei decidida para o grupo de garotos, que estavam em um dos cantos do jardim. Eram os populares, a nata de Beauxsbatons. Eu sabia que podia me dar muito mal naquele momento, mas eu não me sentia temerosa, como antes. Estava decidida, focada, e sabia que poderia dar certo. Afinal, todos os homens são iguais: totalmente compráveis. E não era isso que eu estava rumando para fazer?


Quanto mais eu me aproximava do grupo, mais os garotos começavam a se calar, me olhando. Eu me senti um pedaço de carne crua, no meio de um monte de lobos, mas não foi uma sensação tão ruim como imaginei. Um sorriso abriu-se em meu rosto, e eu parecia sem nenhuma hesitação na frente de Roger.


-Olá, Bats. - eu disse, sorrindo mais ainda.


Nenhuma viva alma conversava naquele grupo, e eu pressenti que aquilo era um bom sinal.


-Não precisam ficar tão quietos, garotos. Eu só vim dar um ‘bom dia’ para o Bats. - eu disse, rindo para todos.


-Granger?- o energúmeno só conseguiu pronunciar isso. Ai Merlin, quanta beleza desperdiçada num corpo tão apetitoso, porém tão lerdo.


-Eu mesma, mas pode de chamar de Hermione. Formalidades pra quê?- eu estava me surpreendendo.


-Tudo... Bem. É só estranho ver você por essas bandas, principalmente sem a loira. - respondeu ele, apontando distraído para Amy, que tentava disfarçar do outro lado do jardim, fingindo ler um livro.


-Ah, eu só resolvi expandir meu horizontes, conhecer gente nova. - eu disse, sorrindo, enquanto me apoiava no ombro dele. Eu podia ouvir os amigos dele, ao meu redor, sussurrando sobre mim, e isso não me afetou.


-Que bom, Hermione. Você chegou faz pouco tempo, nem tive tempo de me apresentar direito. Adoraria ser seu mais novo amigo.- ele respondeu, e todos os seus amigos riram, ou fizeram coro à ele. Homens, tão previsíveis.


-Sério!? Isso me deixa tão aliviada. Estava me sentindo tão deslocada nessas semanas...- eu disse, fazendo beicinho enquanto me apoiava totalmente nele. Senti sua mão, lentamente, circular minha cintura e sorri internamente. Estava sendo bem fácil.


-É uma pena não sermos do mesmo ano, senão poderíamos conversar mais, e eu te mostraria mais a escola.  Sabe como é..- AAAAH eu sei bem como é, seu tarado!  Percebi, discretamente, que ele fez um sinal para os amigos saírem, meu plano havia sido genial.


 -Tenho que concordar, sabe. É tão difícil achar pessoas tão legais e receptivas assim. Poderíamos nos encontrar mais vezes, sabe como é. - acidentalmente /propositalmente/ me apoiei no seu peitoral. Putz, eu tava com uma vontade /fudida/ tremenda de rir (mentira, eu queria era jogar ele na parede e chama de lagartixa!), mas eu tive que me segurar. Uau, ele malhava, não é possível. Que peitoral, Merlin.


- Eu te apresentaria a escola agora, mas o intervalo vai acabar daqui a pouco. Quem sabe outro dia? Será sempre um prazer pra mim. - disse ele, sorrindo e mostrando todos aqueles dentes pra mim. MERLIN, ele é gostoso demais! De verdade, e apesar de ser um cafajeste, e até fofo. Foco, Hermione! Foco!


Eu tenho coração mole, não sei, ou a antiga Hermione estava colocando sua s asinhas de fora, mas eu sorri pra ele de volta. Era uma farsa, mas eu não consegui resistir ok. Então, quando eu senti mãos cheias de dedos (?) segurarem firmemente meu ombro e me empurrarem, minha cara de indignação e surpresa não foi nenhum um pouco fingida. O povo dessa escola realmente não conseguia ficar sem amarrotar minhas maravilhosas blusas de seda. Vida de celebridade é difícil mesmo (?).


- O que você pensa que tá fazendo, sua vadia dissimulada?- opa, chegou quem faltava. Melanie continuava com suas mãozinhas, que mais pareciam garras, puxando firmemente minha linda blusa de seda, enquanto seu namoradinho permanecia com seus braços ao redor de minha cintura. Vou confessar, pra quem estava assistindo, aquela era uma cena deveras bizarra.


- Mel, que agressividade é essa? A Hermione ‘á só conversando comigo. Que nóia, pára!- oooown! Ele me defendeu. Ok, menos Hermione. A Williams fez uma cara /de cú/ indignada, e o Bats fingiu que não era com ele. Na moral, tô começando a curtir esse garoto.


- Pra começar, Mel, tira essas patinhas de mim que você não tem o direito de ficar me tocando, falou. Segundo, eu faço o que eu quero, na hora que eu quero, sem precisar da sua permissão. Terceiro, já te falei pra parar com esse vocabulário de ‘vadia’, porque vadia é aquela que te pariu. E quarto, larga de ser neurótica garota. - naquele instante, graças a Merlin, o sinal tocou. Parece até cena de filme, ou momento tenso de história de suspense (qq), tenso. - Olha, tá na minha hora gente. Depois a gente combina qualquer coisa, Bats .- e, por desaforo mesmo, eu dei um beijo na bochecha dele. Parecia realmente filme isso, e eu comecei a andar satisfeita em direção à Amy, quando senti aquela nojenta me puxando pela segunda vez, em um só dia.


-Não pensa que você vai sair ilesa dessa, Granger. Entra no meu caminho, tenta atrapalhar o meu reino, mas meche com meus súditos pra você ver. Eu acabo com você garota, não duvide disso. - putz, essa garota tem muito déficit de atenção. ‘Meus súditos’, vai dar a bunda menina.


- Vai acabar comigo, como acabou com o Eric?- eu disse, e sabia que acabava de entrar em um terreno perigoso, mas aquilo era pela Amy também. Vi a garota empalidecer, e me soltar como se tivesse tomado um choque.


- O que você tá dizendo? Cala a sua boca, nojentinha. - ela balbuciou.


- Está lacrada, querida. - eu disse, virando as costas pra ela. Que novela minha vida tinha virado, oh Merlin.


 


O dia transcorreu sem maiores alardes. Eu e Amy nos refugiamos em nosso dormitório, sem ao menos descer para o jantar. Eu convoquei algumas guloseimas da cozinha para nós, resquícios da minha habilidade nerd de tempos antigos. Conversamos pouco, eu estava cansada, mas Amy teve tempo de me elogiar, dizendo que eu havia superado suas expectativas. Isso era bom. Eu acho...


Quase não dormi a noite toda, pensando em Melanie, Eric, Amy, Roger, Harry, Ron, Gina, Hogwarts, meus pais, Harry...


Como era difícil ser a ‘nova’ Hermione dentro de minha própria consciência. De mim mesma eu nunca poderia fugir. Era triste.


Minha manhã foi normal, como todas. Acordei Amy, apanhei da Amy, ouvi ela gritar e xingar, mas conseguimos chegar na primeira aula. Eu quase não prestei atenção, mas isso era aceitável naquele dia. Eu não estava legal.


O sinal bateu, para meu alivio, e me arrastei para fora da sala. A loira quase dormia escorada em meu ombro, quando um baixo assobio chamou minha atenção.


Olhei curiosa para trás, apenas para ter uma das visões mais privilegiadas de minha humilde existência. Roger estava escorado na parede em frente a minha sala, que eu acabara de sair, e me olhava com um sorriso meio malicioso, meio animado. Não sei.


- Bom dia, Granger. - ele disse, abrindo aquele sorriso digno dele.


- Bats! Estranho te ver por aqui. - eu respondi, surpresa. Amy me deu um chute nada discreto, mas eu estava com sono, poxa.


- Se esse é o seu jeito de dizer que é bom me ver, obrigada. - ele disse aproximando-se de mim. A loira saiu discretamente, ótimo.


- Sério Roger, eu adoraria conversar mais com você, mas não posso me atrasar para a próxima aula. - O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO SUA ANANCÉFALA? BURRA, BURRA, BURRA. A Hermione certinha estava colocando suas garras para fora, em uma resistência patética. - Quero dizer... - concerta essa merda, sua burra.


- Não precisa explicar, eu também tenho aula agora. Só queria dizer que estou a sua disposição para mostrar a escola. Hoje, se você quiser. Depois da ultima aula. - ele disse bem direto, mexendo com um fio que escapava do meu coque. Ai Merlin!


-Por mim, tudo bem.


-Ótimo! Nos vemos aqui, nesse mesmo lugar mais tarde.- ele disse, virando as costas. Eu estava meio pasma, meio passada. Comecei a andar para a minha aula, mas senti alguém me segurando. Virei, dando de cara com Roger, bem perto de mim. Ai Merlim, me segura porque tem uma parede bem perto de mim... - Esqueci de uma coisa. - e com isso, ele me deu um beijo no rosto.


Eu tentei, mas corei até a raiz dos cabelos. Eu não conseguia disfarçar certas coisas.


-É, ok...


-Você é uma caixinha de surpresas, Hermione. E eu gosto disso. - ele disse, sorrindo com todos aqueles dentes, e finalmente (!) seguindo seu caminho. Ai Merlin, eu estava prestes a virar ‘a outra’. E não era uma sensação tão ruim... Ok, ok, era terrível, mas algo me dizia que eu deveria seguir em frente. - Ah, e ‘mais tarde’ quer dizer uma hora depois do fim do período vespertino. - ele parecia ler minha mente, pois no meu rosto naquele instante estava estampado o que raios seria ‘mais tarde’.


Olhando em meu relógio de pulso, constatei que eu realmente tava atrasada. Inferno! Sai correndo, esperando que Amy tenha arrumado uma boa desculpa.


Qual era minha próxima aula mesmo? Poções. Ah, foda-se! Cheguei totalmente sem fôlego em frente à sala, e tomando fôlego, bati três vezes na porta. As vozes cessaram, e a professora com cara de coruja (?) abriu a porta, a expressão impassível.


-Senhorita Granger? Pensei que a senhorita ficaria o resto do dia na enfermaria. Sente-se melhor?- ela disse, toda atenciosa. O que a Amy havia dito, hein? Que eu estava com câncer, AIDS, herpes?


-Eu me recuperei bem professora, foi só um mal estar passageiro. Estou mais do que pronta para assistir a sua aula. - sorri sem graça, e ela deu passagem para mim. Encontrei Amy rapidamente, e ocupei o lugar ao lado dela.


-O que você tá fazendo aqui? Por que não tá com o Bats?- a loira perguntou nervosa, enquanto eu pegava meu material. Ok, eu to bem também, tá!


-Ele não queria ‘papo’ agora. Só queria marcar. Hoje à noite, no mesmo lugar de que estávamos. - eu disse, finalmente olhando-a. Ela sorriu safada, e eu realmente não consegui segurar o riso.


A professora falava alguma coisa, e eu olhei atentamente para ela. Às vezes ela lançava olhares cheios de significado para mim, o que por sinal eu não entendia.


-Amy, o que você exatamente falou pra cara de coruja?- perguntei para a loira. Cara de coruja é o apelido carinhoso (?) que eu dei pra professora. Eu sou sincera, o que posso fazer?


E ela? Aquela loira idiota e irritante riu na minha cara. Riu até perder o ar e ficar sem fôlego.


-Melhor você nem saber Herms. - ela respondeu, e essa foi nossa ultima conversa naquela aula. Bem, não posso dizer que nós conversamos muito durante todo o dia. Viramos rebeldes, mas ainda estamos em uma escola, e pelo menos, eu sou responsável. Bati o pé e exige que terminássemos todos os nossos deveres e trabalhos. Eu poderia não ser a nerd de Hogwarts, mas eu não iria bombar de burrice. Então, logo depois das aulas matutinas nos enfurnamos na biblioteca, e ficamos lá até terminarmos tudo.


-Nunca mais me faça estudar como se a minha vida dependesse disso, entendeu? Eu sou rica, mimada e tenho tudo o que quero. Escola não é nada. - Amy disse, cobrindo os olhos com as mãos.


-Não fala merda Amy. - eu respondi, bufando. Ela me irritava profundamente.


-Herms, eu acho que você tá precisando dar uns belos de uns beijos na boca. Você tá muito chata, mulher. Pensa que hoje o Bats vai te prensar naquela parede e só Merlin sabe o que vai dar!- ela disse mordendo os lábios, com uma cara deveras safada. Como ela sabe que eu estava imaginando paredes e o Bats? As experiências sexuais da Amy ainda me assustavam, por serem totalmente desconhecidas. Nós nunca havíamos falado sobre isso.


-O que você quer dizer? Hein senhora experiência?- eu disse, tentando soar irônica, mas só conseguindo parecer uma garotinha assustada.


-Ah não. Tá me zuando, né? Hermione Granger nunca deu uns amassos na vida? Alguém me mata!- como ela é dramática quando quer.


-Cala essa boca, idiota! Não é assim, ok... Eu só não gostava de fazer esse tipo de coisa na frente dos outros. Eu tinha metas na vida, e isso não envolvia amassos em qualquer corredor. Você, pelo contrario, parece bem experiente nesse assunto.


-HÁ HÁ! Nem te conto Bad Girl. Se essas paredes tivessem ouvidos e olhos, elas seriam traumatizadas. - ela disse, me olhando safadamente. Quem visse de fora, pensaria que Amy era lésbica.


-Ai, sua Loira Perva! Que horror. Não quero nem pensar no que você já fez nessa sua vidinha medíocre. - eu disse, jogando meu cabelo pelo ombro, uma atitude típica de Amy. Isso só causou risos nela.


-Herms, Herms... Acho que você precisa de uns belos conselhos, antes desse encontro com o Bats. Vamos conversar sobre suas experiências amorosas. Você já beijou na boca, certo?- ok, ok. WTF? Ela tinha virado sexóloga, por um acaso? Eu já tive esse tipo de conversa com a minha mãe, obrigada. Não foi uma experiência agradável e produtiva para a minha vida, mas eu já havia passado por isso. E.. .hm, quem ela pensava que era pra insinuar que eu não tinha experiências? HM, Hm? Eu era muito experiente!


-Amy, dá um tempo. Ou vai se ferrar! Qualquer uma das opções são perfeitas pra mim.


-AH NÃO! Você nunca beijou alguém na vida? Que nojo!- WTF? Como assim uma criatura pensante diz ‘que nojo’ numa situação dessas?


-Pro seu governo, eu já beijei sim! Um astro do quadribol, Vitor Krum. E foi muito bom pra mim. - ok, eu não estava mentindo. Eu já havia beijado o Vitor... Uma vez. E daí que foi só uma vez? Pra mim tava tudo certo.


-Hermione, larga de ser burra. Você acha que o Bats vai só te dar uns beijinhos hoje? Acorda mulher! Ele é mais rodado que nota de um real [?]. Até eu já fiquei com ele. - ela disse, calma.


-VOCÊ FICOU COM ELE?- saiu um grito, mas foi sem querer.


-Cala essa boca! Já, é lógico. Ele é bom.


-Você já... Hm... Com ele?- eu não conseguia pronunciar a palavra, e tinha mais medo da resposta.


-Você quer dizer... Transar? Larga cabeçuda garota! Se você quer mudar e ser alguém aqui, tem que parar com isso. Você já tem 16 anos e não consegue falar ‘transar’. E para informação geral, não transei com ele.


-Você já transou Amy?- eu perguntei, sem conseguir evitar.


-Olha bem pra minha cara, Herms. Eu tenho cara de virgem?- éh.. Não [?].


-Acho que não...


-Então, pergunta respondida!


-Amy, eu sei que quero mudar, mas não sei se estou pronta pra fazer ‘esse tipo de coisa’, em um corredor, com o Bats!- eu disse, sem encará-la. Eu esperei a resposta explosiva dela, e quando esta não chegou, não evitei olhá-la. Amy sorria, e seu sorriso transmitia... Ternura? Eu levei uma porrada na cabeça e não percebi? - Você tá bêbada? Chapada?


-Herms, você é tão ingênua que me faz lembrar bons tempos... É claro que você não vai fazer nada a mais que uns amassos no corredor. Foque no nosso plano, lembra?


-O plano. Claro... Eu já estava ficando com medo dessa sua mente.. Eu não quero fazer nada com ele, eu não gosto dele de verdade. Sei lá...- eu disse, guardando minhas coisas.


-Hermione, só foque no plano. Eu sei que você é ingênua demais pros meus planos, então eu estou indo mais devagar. Eu tentei fazer você mudar de idéia em relação a tudo, mas você disse que queroa fazer isso. Estou começando a acreditar que isso vai fazer muito bem pra você. Você foi reprimida por tempo demais. Hoje você vai se soltar!- ela ainda tinha o dom de me assustar!


-Me soltar? Hm... Como isso vai ser mesmo? - eu não conseguia evitar aquela pequena nota de pânico na minha voz, muito menos o tremor que tomara conta de meu corpo. Eu não fazia idéia do que se passava na mente demoníaca de Amy.


-Vamos pro dormitório. Temos mais ou menos uma hora pra te preparar!- me preparar? Ok, eu quero a minha mãe agora!


 


Eu não acreditava que estava andando por aquele corredor, em direção ao desconhecido. Ok, menos tanto drama, mas era no mínimo, estranho. Amy resolvera me ‘embelezar’, mas sem ser óbvio, nas palavras dela. Então eu corajosamente eu me encaminhava para a frente de minha sala de poções com uma calça super justa, sapatilhas (Amy me permitira usá-las), e um suéter vermelho. Nada carregado porque não era um encontro, nem nada desleixado, eu iria encontrar um garoto. E, naquele momento, o que eu menos queria eram as palavras idiotas daquela loira oxigenada na minha cabeça. Eu já estava nervosa demais, só pensando no que poderia acontecer, imagina pensando se eu estava ‘apresentável’.


Ao virar no corredor consegui visualizar uma silhueta mais a frente, e minhas mãos começaram verdadeiramente a suar. Meus passos ecoaram e a pessoa virou-se para mim. Era Roger (eu não conseguia mais chama-lo de ‘Bats’).


-Hermione, você veio. - ele disse, rindo.


-Oi. - alguém teria algo mais estúpido pra falar?


-Eu achei melhor nós conversarmos assim, sem ninguém para atrapalhar. É meio estranho ter sempre a loira no seu pé.


- Ah, sim, Amy. Ah, mas você já conhece ela. - eu tinha falado isso mesmo?


-Conheço eh? Então ela já te contou algumas coisas. Bom, espero que isso não te afete. – safadinho ele, não?


-Não, na verdade não me afetou.


-Então, vem comigo. - e simples assim, ele me puxou pela mão.


Eu ainda não conhecia muito bem o castelo, mas sabia que nós estávamos indo para o jardim. Era bem bonito, como tudo em Beauxsbatons, mas não tão como em Hogwarts. Claro, era tudo bem grandioso. Tudo parecia brilhar. Desde os bancos, até a grama. Percebi, inesperadamente, que nunca tinha estado naquela parte do jardim.


-Eu sei. Tudo brilha mesmo. Quando estive aqui pela primeira vez, pensei que estava ficando doido. É um encantamento de Madame Maxime, ela diz dar um charme a tudo. Eu acho que é vaidade, ela sempre quis ser ‘superior’ a qualquer outra escola. - ele disse, e me fez rir.


-Ela sabe se impor. - eu respondi, tocando em um dos bancos que havia lá. Era tudo bem mágico, até para uma Escola de Magia. Sentei-me rapidamente, tentando esconder o tremor de minhas pernas. Ele ficou em pé, na minha frente. - Não vai se sentar?


-Hermione, eu acho que sei o que você tentou fazer quando veio falar comigo. Sei de suas brigas com Melanie e imaginei, no momento em que você entrou naquele jardim, seus reais motivos. Como você sabe, eu conheço bem a Amy. Não tenho nada contra ela, até a acho engraçada e excêntrica. Mas... Você não é igual a nenhuma das duas. Melanie pode ser bem irritante e idiota, e faz um tempo que venho pensando em me afastar dela. Já Amy sofreu muito, por inúmeros motivos, e isso a tornou o que ela é hoje. A diferença das duas é que Amy foi ‘transformada’, já Melanie nasceu assim. - ele disse, me olhando. Ele se escorara em uma árvore próxima, as mãos nos bolsos. Eu estava tentando absorver tudo o que ele havia dito, ainda.


-O-o que você quer dizer com isso?


-Que não precisa fazer o que você está tentando fazer. Se vingar de Melanie através de mim. Eu ia terminar com ela, mais cedo ou mais tarde. Não é segredo para ninguém que nessa escola sou apenas um objeto para ela, e eu cansei de ser apenas isso. Eu sei que posso ser mais, então não faça isso.


-Eu não estou tentando...- mas, minha voz falhou miseravelmente. Parecia que eu não estava pronta para tudo isso. Abaixei a cabeça, derrotada, e quando olhei novamente para sua direção, ele não estava lá.


-Viu? - eu escutei uma voz bem perto de mim e me virei rapidamente. Lá estava ele, sentado ao meu lado. - Você é diferente delas. Algo ainda está te transformando, e você não precisa ser assim.


-Olha, Roger, - eu respirei fundo - você está certo sobre muitas coisas que disse. Eu realmente entrei naquele jardim com um objetivo, mas alguma coisa deu errado. Eu acabei me esquecendo dos planos, principalmente quando te vi hoje em frente a minha sala, me esperando. Acho que nenhum garoto fez isso por mim antes, então... E sobre Amy, ela precisava de alguém, e por alguma razão eu apareci na vida dela. Eu quero ajudá-la, eu preciso ajudá-la! - eu disse, sabendo que corria um grande risco, mas naquela altura riscos eram parte de tudo.


-Então, você não veio necessariamente por causa do ‘plano’?- ele perguntou, com um sorrisinho de lado. Aquela pergunta me fez levantar, porque meus pés tinham vida própria. Todo o meu plano havia desmoronado, e eu não sabia bem o que fazer. Caraleo, tinha um cara lindo e gostoso na minha frente, e eu conseguia pensar nos meus fantasmas? PARABÉNS HERMIONE, GANHOU O TROFÉU TAPADA DO ANO!


-Inesperadamente sim. Como você disse, tem alguma coisa me transformando, e deixando a antiga eu pra trás. Eu sempre fui muito tímida e quieta, sem grandes atrativos. E então, vir para essa escola, encontrar Amy que a primeira vista parecia a rainha da beleza, mudaram muita coisa em minha perspectiva. E quero dizer...- e antes conseguir concluir minha frase, senti mãos frias em meu pescoço, e os lábios possessivos de Roger sob os meus. Não havia sido como o meu primeiro beijo. Com Vitor foi algo mais calmo, carinhoso, pois eu sabia que ele gostava muito de mim, e seria algo doce. Já com Roger foi diferente. Seus lábios pesavam sobre os meus, e inesperadamente suas mãos agarraram firmemente minha cintura, ao mesmo tempo em que sua língua adentrava minha boca, sem esperar por qualquer consentimento. Eu sabia que não era muito experiente nisso tudo, então me deixei guiar pelos instintos, que estavam cada vez mais aflorados dentro de mim. Minhas costas bateram brutamente contra a árvore mais próxima, mas nem isso foi capaz de quebrar o contato de nossos lábios.


Minhas mãos, inexplicavelmente, foram parar em seu pescoço, e nossas línguas pareciam estar travando uma batalha por território, tamanha era o envolvimento. Meu corpo era percorrido por suas mãos, que deixavam um rastro de fogo. Senti que sua mão descia pela minha cocha, me provocando um profundo arrepio, no mesmo instante em que eu consegui resgistrar que Roger me levantava do chão, me segurando firmemente pelo quadril. OK OK OK, O NEGOCIO TAVA BOM DEMAIS, MAS DAQUI A POUCO ELE ARRANCA AS MINHAS ROUPAS, E AÍ?


-Hã?- eu não tinha a mínima capacidade de formular uma palavra sozinha, mas consegui me dar conta de que estava no colo dele, com suas mãos me segurando firmemente pelo quadril.


-Me desculpa. Eu não sei muito bem o que deu em mim... Eu falei que você era diferente das outras, e já comecei te atacando. - ele disse rindo sem graça, mas eu continuava em seu colo. - Não queria te assustar Hermione, só que eu não consegui me segurar, com você tentando se explicar. Esse seu jeito diferente me deixa fora de mim. - ele estava se declarando? Era uma declaração capenga, mas ela ainda estava presente. Não sei que sentimento aquele garoto havia despertado dentro de mim. Não era amor, muito menos paixão. Seria talvez... Tesão? Ele estava ali, na minha frente, com a possibilidade de me mostrar coisas que eu nunca havia presenciado, e parecia tão arrependido. Eu não sabia bem o que pensar, mas algo me dizia que ele poderia ser mais do que o objeto, como ele mesmo citara. Que nossa ‘relação’ seria mais que meros amassos.


-Calma ai Roger, não precisa ficar assim. Eu... Eu não posso dizer que não gostei... Foi diferente, então não precisa ficar se lamentando. Eu sou livre e desimpedida pra fazer o que eu bem entender. Não precisa ficar assim. - eu disse olhando fixamente para ele, e em algum lugar da minha mente o fato de eu estar no colo dele, ainda, continuava martelando.


-Então...- o que? Eu havia deixado aquele tamanho de garoto (?) sem fala. Eu sou foda!


-Então, vamos parar de falar tanto, ok?- e falando isso, eu juntei nossos lábios novamente. Era simplesmente uma sensação viciante. A adrenalina percorria minhas veias, me fazendo aprofundar mais o beijo. Eu pensava não ter muita experiência, mas parecia ser algo natural. Eu não me controlava muito bem, acabei descobrindo. Em um momento ele estava me pressionando contra a árvore, e no outro estávamos deitados no banco mais próximo, ele por cima de mim.


Não sei quanto tempo ficamos nos beijando, alternando amassos e beijos realmente indecentes, mas me lembrei que estávamos em uma escola, em um lugar público, e que não seria uma cena muito divertida ver Madame Maxime chegando.


Pressionei levemente minhas mãos em seu ombro, quebrando o beijo. Ele me olhou, e eu sorri. Não meus típicos sorrisos tímidos, mas um sorriso diferente. Eu podia sentir, porque a me ver sorrir, ele sorriu também. Um sorriso deveras safado.


-Isso foi muito louco...- eu não pude me conter.


-Foi muito bom, isso sim. - seu sorriso aumentou. - Você me surpreende cada vez mais, Hermione.


-Pode acreditar, nesta altura, isso é um elogio. - eu respondi, gargalhando.


-Talvez... Talvez, sua transformação em andamento te transforme, mas para algo bem melhor. - ele disse isso olhando fixamente em meus olhos.


-Talvez...- eu respondi, me esquivando dele e levantando. Arrumei rapidamente minhas roupas e me virei para encará-lo.


-Aonde você vai?- ele perguntou, enquanto eu me afastava.


-Roger, você pensa em ficar aqui a noite inteira? Eu tenho sono, sabe. - respondi sem olhá-lo, em segundos ele estava ao meu lado, segurando minha cintura e me carregando como seu eu fosse um saco de batata (?). Eu não pude conter minha risada, ele definitivamente era mais que um monte de músculos. Sob protestos ele me colocou no chão, ainda me segurando.


-Hermione... Vou te chamar de Herms, como a Amy. Bem, você provou ser muito mais do que aparenta ser hoje. Você foi bem sincera comigo, coisa que eu não esperava de qualquer garota. Elas geralmente só pensam em popularidade, como a Melanie, e ela é realmente um saco. Eu quero te ajudar.


Ok, eu tava sonhando?


-Me ajudar? Olha Roger, não sei se quero sua ajuda. Eu meio que mudei meu jeito de pensar. Não sei se estou focada ‘no plano’. - eu disse sincera.


-Eu sei, hoje mudou muita coisa, mas eu realmente quero que a Mel pague por tudo. Eu sei muito bem que ela já fez muita cagada, e eu sei de boa parte das coisas que fez com a Amy. - acho que minha boca escancarou nessa hora. - É, eu sei de algumas coisas. Então, me deixe ajudar!


-Eu... Não sei se seria correto. - ENERGUMENA! BURRA, BURRA, BURRA! Se ele tá oferecendo ajuda, é porque ele quer ajudar, com todos os riscos. Larga de ser a ‘antiga’ Hermione, oh shit.


-Hermione, pára. - ele disse, sério.


-Ok, você venceu. Eu deixo você ajudar. Amy vai pular da janela três vezes, quando eu contar isso pra ela. - eu disse, rindo. Ele acabou rindo também.


-Então, estarei na frente de seu dormitório, amanhã de manhã. A Mel terá uma grande surpresa. - ele disse, com uma expressão diabólica.


-O que você tem em mente?


-Digamos que eu e a Melanie nunca tivemos um namoro sério, muito menos um namoro. Sempre fomos livres e desimpedidos... Agora, eu mudarei minhas companhias.


-Gostei dessa idéia.


-Eu também. - e dizendo isso, ele me beijou de novo. Não foi longo como os outros beijos, pois eu queria voltar logo ao dormitório, a euforia me dominava. Ele me acompanhou até a porta, me dando outro beijo ‘daqueles’. Eu poderia realmente me acostumar com todos esses beijos!
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n/a: amores meus :DD
como estão?
exatamente às 2:22hrs da manhã eu termino de editar este capitulo FELIZ :DD
a fic tá bem adiantadinha, to com uns três caps prontos aqui. será que eu posto?
rá, só se vcs comentarem ;))
peguei amor por escrever de novo, sei lá. loucura!
a faculdade da me deixando surtada gnt. nunca façam direito! HAHAHAHA brinks, façam sim. é mt bom! tô adorando.
mas essa fic... bem, to colocando nela mts dos meus traumas. fazer oq? a vida não é justa.
enfim, espero que gostem. li os comentarios e amei. poucos, mas tão especiais quanto! mt obg amores, vcs são demais ;D
enfim, COMENTEM MT SENÃO EU CHORO. (tpm é foda!)
bjs, até mais.
xoxo.

01 de junho de 2012. 

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Enviado por PamyMalfoy em 01/06/2012

Pelo amor de Merlin, posta! Eu necessito da sua fic!

Adoro essa amizade da Herms e da Amy (já falei isso?), elas são muito engraçadas com esse amor/ódio. Todo esse plano maquiavélico que foi para o espaço por causa do esão que a Herms sente pelo (gaaaaaaaaaato) Roger. Esse segredo foi chocante, não? Coitada da Amy, essa foi barra. A Melanie é muito vaca e tem que se ferrar bonito na mão das duas.

Fico aqui, mega ansiosa, para o próximo capítulo!

Nota: 5

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