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2. Sombra e água fresca


Fic: Anonimato...


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Ás vezes a vida toma rumos inesperados. Destino, ou coincidência?


Gina não acreditava em nenhum dos dois.


Acreditava que tudo acontecia por um motivo, por que era pra ser assim. E ponto final.


Era assim que ela levava a vida. Estava de férias com a família.


Gina tinha cabelos ruivos longos- que percorriam seu corpo até pouco abaixo da cintura- pernas finas, longas, e bonitas. Uma pele clara e macia, olhos claros, translúcidos. Teve sempre a ambição de uma carreira bem sucedida. Mas a julgar por sua conduta nos últimos meses, não seria a pessoa mais suscetível á um bom futuro, carreira brilhante e vida perfeita.


 Se ela ao menos tivesse escolhido algo que não psicologia!


Gina nunca fora muito adequada para esse trabalho: psicóloga.


Ela naquele exato momento estava esperando Draco, ele já demorava com as torradas, o que a fazia quase desistir.


Sua fome não era tão importante naquele momento. Ela olhava para o chão, lembrando-se da primeira vez que estivera naquele lugar com Draco, quando ele era apenas um garoto mesquinho e arrogante, o filho dos Malfoy.


Ela se lembrava de como ele era ridículo, com aqueles cabelos loiros- loiros quase brancos- penteados pra trás, e também vinha á tona a memoria de como eles se tornaram amigos. Bastou-se um tapa na cara do pobre garotinho de doze anos, se soubesse que seria tão fácil assim ganhar respeito dele, teria o feito antes.


-Está tudo bem Gina?- Draco se aproximou deixando a bandeja sobre a grama.


-Eu estava pensando- ela completou- pensando em com nos tornamos amigos.


Ele riu.           


-É, acho que nós nunca vamos esquecer. Eu nunca vou esquecer.


-Você ficou tão vermelho naquele dia... Está vermelho agora também... Está constrangido Draco?


-Não- e ele fazia uma cara de cara de quem estava puto, Gina o deixava assim.


Isso a divertia.


-É, Draco, você era tão pequeno e uma mulher já tinha te tornado vulnerável- ela continuou a pirraça- e de lá pra frente só foi piorando... Pansy fazia você comer na mão dela.


Ele abaixou a cabeça, deixando sua impaciência mais explícita. Antes que ele ficasse realmente sensível e mal humorado ela o abraçou, deu lhe um beijo no pescoço, senti o cheiro do perfume, Malbec, não era?


Ela passou a mão sobre todo o cabelo dele, ele continuava o mesmo.


Eu poderia descrever Draco fisicamente e emocionalmente nesse momento, mas isso seria inapropriado. Ele tinha segredos, e outras coisas que precisam ser reveladas um pouco mais tarde, ele precisa continuar como está: compreensivo, fica puto facilmente, amigo de Gina desde a primeira vez que apanhou ela.


Ele levantou a cabeça, sentindo que Gina ainda o respirava.


-To brincando loirinho- ela disse rindo- você sabe, não sabe Draco?


-Sei.


-Sabe mesmo- ela logo mudou de assunto. – E qual foi o discurso da minha mãe hoje?


-Ela disse que essas torradas iam fazer você ficar sem almoçar mais tarde, e disse que é sacanagem você preferir torradas á torta que ela fez amis cedo.


-Passei vinte anos da minha vida comento essa torta duas vezes por dia- eles riram. - Você lembra não lembra?


Ele pegou uma das torradas e a mastigou, fazendo um estralo irritante.


-Por que hoje você resolveu lembrar-se dos velhos tempos?


Nem tão velhos assim. Os dois pensaram.


-É que quando você saiu e demorou...  Eu tinha que pensar em alguma coisa.


Os dois comeram toda a bandeja de torradas, estava um clima agradável que combinava mais com um mergulho, mas Molly odiava quando Gina se sentava á mesa toda molhada.


-Ela ainda me trata como criança- Gina suspirou.


-Você ainda é a caçula, ela te ama- Draco deu um beijo no rosto da amiga. - E eu também. - ele sussurrou.


 


Gina sentou-se no sofá, sentia o cheiro da comida de Molly, estava quase pronto e Draco fazia questão de ajuda-la, puxando saco da “sogra”. “Bem que ele podia ser seu namorado hein Gina” Molly repetia “É um garoto tão bom...”.


-Draco não me aceitaria mãe- ela brincava- ele é perfeito demais pra mim não acha?


-Não acho não- Molly odiava quando a filha a respondia- e vocês já se conhecem há tanto tempo... Já te disse que eu e sei pai éramos amigos assim? Vivíamos juntos, melhores amigos...


-E um dia ele te pediu em namoro, depois vocês se casaram e você nunca se arrepende de nada disso- completou Gina- esqueça essa historia mãe, eu e Draco somos amigos- ela seu uma ênfase nessa palavra- amigos.


Logo estavam todos na mesa, Molly se servindo uma quantidade caprichada de comida enquanto Gina tomava um gole de agua.


-Família, que desgraça- reclamou Molly- seu pai não vem, disse que atrasou no trabalho, Rony nem aparece mais aqui agora que está com aquela... - ela evitou falar qualquer coisa á respeito de Lilá, pois sabia que ela e Gina eram amigas- ninguém dessa família dá a mínima, esses filhos desnaturados... Só você Gina, e Draco- ela sorriu- ele podia ser da família hein Gina, se vocês...


-Draco já se sente da família não é mesmo, Draco?


-É- ele sorriu meio sem graça.


Gina já estava satisfeita, E Draco fingia estar também para acompanhá-la até o quarto.


Ela estava sobre a cama colocando suas roupas dentro da mala.


-Você vai embora?


-Você também vai, ás seis, só vou arrumar minhas coisas por que não teremos tempo mais tarde- ela pegou um sutiã branco e rosa listrado e colocou dentro da mala.


-E quem vem nos buscar?- ele se sentou.


-Dino, você não quis trazer seu carro então eu pedi pra ele.


Draco pegou uma calcinha de Gina que estava sobre mesa.


-Draco, me devolva!- ela tentou pegar, mas ele não deixou.


-Puxa Gina, você cresceu hein!- ele sorriu “cresceu, mas as calcinhas só vão encolhendo” ele pensou e devolveu para Gina.


Ela fechou a mala, sentou-se, ele riu.


-Que tal um mergulho?


-Não acho uma boa ideia.


-Ah... Está menstruada é Gina?- finalmente conseguiu arrancar um sorriso verdadeiro dos lábios de Gina- saudades de quando você tinha dez anos e não ficava com essas frescuras.


-Você nem me deixa responder Draco! É que eu to cansada...


-Ah Gina, faz quanto tempo que a gente não faz isso?- ele sem pensar puxou Gina pelos braços, a levantou e a pegou no colo, ela não gritou, nem reclamou, sabia que nada faria ele a soltar.


Draco foi caminhando segurando Gina passou por Molly que deu um sorriso de “Ah, eles estão se entendendo!”, e eles saíram em direção ao grande campo de gramas douradas, seguindo uma trilha que trazia memorias antes vividas por duas crianças ingênuas.


-Lembra-se desse lugar?


Gina olhou pra Draco, que ainda a carregava.


Naquele lugar, atrás daquela pedra Gina e Draco tiveram muitos momentos inesquecíveis.


-Nos beijamos ali, lembra Draco? Éramos uns idiotas, adolescentes... E depois quase matei Neville por me obrigar a beijá-lo.                                   




-É eu não poderia esquecer, naquele dia acho que levei uma das piores surras da minha vida. Primeiro você, que disse que eu tinha a obrigado a fazer aquilo e depois foi Miguel, seu namoradinho estúpido- eles riram- você sempre teve uma pré disposição pra trair.


Draco parou, deixando que Gina ficasse em pé.


-Por que você parou?- ela perguntou. Já estava começando a gostar daquilo.


-Gina, você me ama?


-Muito Draco- ela passou a mão no rosto dele- mais do que você imagina.


E antes que ela pudesse dizer a frase típica “você é meu melhor amigo” ele a beijou.


Lábios quentes, sedentos, ele a segurou como quem esperava isso acontecer há muito tempo- e esperava- não a deixaria ir. E ela estava gostando, gostando de reviver o passado. Afinal, da ultima vez eles estavam naquele mesmo lugar, Gina não recuou, não pediu que ele parasse. Era seu melhor amigo, mas aquele beijo era perfeitamente necessário, pelo menos naquele momento era.                         





Gina via nos olhos de Draco, nos últimos meses, ele precisava daquilo, precisava do beijo, e precisava dela.


Ela deixou que ele mesmo terminasse o beijo, no fundo se sentia má por não ter dito a verdade, mas ao olhá-lo... Seus pensamentos não eram difíceis de decifrar, e Draco não era uma pessoa difícil, “Molly ficaria radiante a ver isso” os dois pensaram.


-Vamos- sugeriu Gina- viemos aqui pra...


Foram andando até o lago. Em certo ponto Draco resolveu dar a mão para Gina, e depois abraça-la.


Estavam em frente ao lago, não era muito grande, na verdade era suficientemente grande. Gina tirou a blusa, e depois a calça jeans, Draco a olhou espantado.


-Pode ficar tranquilo, não vou ficar nua aqui- ela assegurou. Mas ele já estava acostumado a vê-la assim, seminua.


Gina colocou um pé na agua. Não estava tão gelada, mas Draco não se moveu.


-Você me convenceu Draco, agora você vai ficar aí parado?


Ele só se moveu alguns minutos depois, quando Gina já estava com agua lhe cobrindo a cintura, parecia não acreditar que havia beijado Gina Weasley, com seu consentimento.


-Parecia mais fundo antigamente- ele disse.


Ele se despiu também, até ficar somente com a cueca. Estranho os dois não terem nenhum tipo de relacionamento intimo e não sentirem vergonha um do outro. Gina e Draco eram inseparáveis, melhores amigos, e ambos esperavam que isso continuasse pra sempre.


Draco entrou na agua. Gina estava tão linda...


-Posso te dar outro beijo?- ela não respondeu, teve medo de lhe negar o pedido e magoá-lo, além disso, o beijo dele era tão bom... Sem pressa, não a deixava excitada, mas a confortava, então ele o fez.


Aproximou seus lábios dos dela novamente enquanto ela sorria. E isso o fez sentir importante, especial.


Ele passou a mão pela cintura dela, algo em seu coração dizia que não poderia passar de um beijo, e Gina estava certa de que deveria ser assim também.


 


-Draco... - ela o puxou pra cima para que pudesse falar- Isso... Eu...


-Tá Gina- ele respondeu- eu sei que daqui á algum tempo você vai se arrepender, talvez eu também, mas puta que pariu! Vamos aproveitar o momento por que... Isso pode nunca mais acontecer.


Ele a beijou novamente.


-Draco... Obrigada- “por me fazer sentir especial”, ela pensou, mas ele não a deixara falar.


Gina estava deitada na cama, com os cabelos molhando o travesseiro. Ela estava lendo, não queira ser interrompida, mas se Draco entrasse ela não o obrigaria a sair do quarto, e ela sabia que ele entraria.




Faltavam duas paginas apenas para acabar a leitura, e duas horas para o fim do feriado. Não era a melhor forma de descanso já que ela preferia estar vendo um filme com o namorado.


Mas tinham alguns problemas.


Gina não tinha um namorado.


Tinha Draco é claro, mas ele não era um namorado, e sim um amigo. Não há muita diferença?!


Nessas horas há sim muita diferença.


E outra, ela simplesmente sabia que naquele lugar assistir a um filme era perda de tempo. Isso ela fazia em casa, e lá ela precisava fazer coisas diferentes.


Draco bateu na porta, mas nem precisou de permissão pra entrar.


-Oi Gina.


-Não vou te beijar novamente- ela disse.


-Eu sei, e é sobre isso que eu queria falar...


-Agora não Draco... A gente vai ter muito tempo pra falar sobre isso- ele a olhou contrariada- está bem, fala logo...


-Por que você também me beijou?


-Por que eu quis.


-Mas...


-Eu quis Draco, mas eu não quero mais- as palavras não o magoavam, já estava acostumado com a personalidade instável de Gina. - Você é legal, um cara lindo, gostoso e deixa qualquer garota excitada, mas eu sou uma amiga, lembra? Amiga... E acho que amigos não fazem isso, não se beijam, não tranzam.


-Mas a gente não tranzou!


-Se as coisas continuassem Draco, a gente estaria tranzando agora, e isso também conta! Ok?


-Dino chega em quinze minutos.


-Está bem, leve minha mala pra sala de estar... Não posso esquecer.


Ele tinha entendido, ela o mandara sair, mesmo que de forma mais sutil e menos direta. Draco fechou a porta, deixando Gina sozinha com seus pensamentos e a ultima pagina de um livro entediante.


“No corredor, ela fecha e se encosta na porta e pergunta:


-Posso ficar Ed?


-Claro que você pode passar a noite- mas ela balança a cabeça, e seus olhos frouxos finalmente caem. Audrey se aproxima de mi.


-Não é só essa noite. Pra sempre”


O livro acabou. Agora havia só Gina e seus pensamentos.


Gina fechou o livro, e ao levantar-se para guarda-lo, algo caiu de dentro de uma de suas paginas.


Um envelope. Estranho... Ele não estava ali antes.


Gina virou-o para certificar-se de que era realmente dela, ou para ela.


Estava escrito de letras borradas, Gina Weasley. Sim, era pra ela.


Abriu com cuidado, havia uma carta dobrada.


Apenas um endereço, nada mais.


415 Lafayette Street.


Ela virou o papel, nada mais tinha sido escrito.


-Draco- Gina gritou. Esquecendo-se que estava brava com ele há poucos minutos. - Draco! Venha aqui!


Demorou um tempo até ele aparecer. Sua expressão fechada, com medo de mais alguma repreensão.


-Você escreveu isso?


Ela mostrou a carta.


-Não- ele disse curioso.- O que é?


-Uma... Carta, sei lá. Tem um endereço aqui...


-Tem certeza de que é pra você?


-Ah, tem meu nome nele- agora eles conseguiam ter um diálogo. Somente faltava Gina o perguntar “por que estávamos brigando agora a pouco?”, mas ela não fez, pois se lembrava muito bem. Na verdade, não seria fácil esquecer... E ainda tinha certo receio de que aconteceria novamente.


-Não fui eu... Acredite- ele garantiu.


Gina e Draco entraram no carro, ela na frente, sentada ao lado de Dino, ele atrás, apertado junto com os equipamentos de esqui de Dino.


-Oi Gina- ele deu-lhe um beijo na bochecha, quase no pescoço, o que deixou Draco vermelho, de raiva, ou ciúmes- tudo bem Draco?


-Ãh, aham... O que são essas coisas?- ele apontou para as malas ao seu lado.


-Meu equipamento de esqui, sabe... Passar o feriado na Dinamarca com uns amigos.


-Ah...


-E como foi o feriado de vocês?


Draco queria dizer que ele e Gina tinham se beijado, queria dizer que tinha sido um ótimo feriado e que ele e Gina estavam juntos, mas o que ele conseguiu dizer foi:


-Ah, foi bom- bom... 


 Bom?! Era tudo o que ele conseguia falar?! É, era tudo o que ele conseguia falar.


Gina o olhou; um pouco aliviada por Draco não ter contado nada a respeito dos dois, mas sabia que ele não o faria.

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