Na tarde do outro dia Rosa, Escórpio, Alvo e Manda, se reuniram nos jardins para fazer uma lista do que pesquisar na Sessão Reservada...
- Vocês procuraram bem? – perguntou Rosa. – Tiago não pode ter sumido assim!
- Reviramos cada canto do castelo. Andamos até pelo banheiro da Murta. – comentou Alvo. – Escórpio levou umas cantadas dela.
Rosa riu e Escórpio mostrou a língua para o colega.
Quando encontraram uma arvore distante dos corredores e que fazia sombra suficiente para cobrir todos eles, os quatro se sentaram.
- Rosa, por acaso você trouxe aquele livro de Grandes Bruxos?
- Claro, tenho que devolver na biblioteca mais tarde.
- Me empreste, por favor.
Rosa tirou o exemplar de “Os Grandes Bruxos da História da Magia Universal” de dentro da bolsa de couro. Manda começou a folhear o enorme livro. No dia anterior ela não havia ficado encarregada de procurar os feitiços de Salazar Sonserina, apenas de Helga Lufa-Lufa e Ravena Corvinal.
Rosa e os outros colegas discutiam os pontos mais fortes a pesquisar na biblioteca, e Manda já estava abusada daquele enorme e pesado livro... Quando achou um capítulo que lhe pareceu familiar...
- Capitulo 742, O Grande Mestre das Trevas. – leu para si mesma. – Rosa, quem é esse?
- Voldemort – disse Tiago.
- Tiago! – gritou Rosa. – Aonde se enfiou?
- Fui a Zonko’s comprar uns feijõezinhos. Querem?
- Você foi até Hogsmeade? – perguntou Rosa, com o olhar metralhador.
- Ninguém me viu!
- Me da uns feijoezinhos – disse Alvo.
Tiago riu e começou a distribuir os doces, que não eram tão doces assim...
- Eca! Sabonete! – disse Rosa, cuspindo o doce.
- Peguei um de vômito semana passada. – disse Escórpio. – Foi horrível.
Todos riram.
Manda voltou a se concentrar no livro, virando a página, alvo lhe bateu forte no peito. A foto de Tom Riddle era muito mais familiar do que nunca. O garoto misterioso da biblioteca.
- ROSA! – gritou Manda, se levantando e indo para trás. – Quem é ele?
Rosa encarou a amiga, e depois colocou a cabela a frente par poder ver melhor a foto.
- Voldemort antes de se tornar o que se tornou era Tom Riddle. Esse é um retrato dele no tempo de Hogwarts... Mas Manda o que aconteceu?
Manda revirou os cabelos e se assustava com os pensamentos que produzia.
Será que o Lord das Trevas ainda estava vivo? Na biblioteca?
- Eu.. eu... – começou Manda, em desespero.
- Calma! – disse Rosa, tirando a varinha do bolso e transformando um pedaço de graveto em um copo da água.
Manda se sentou ainda muito assustada. Sentia seu corpo em luta contra os pensamentos e as contradições de si mesma.
- Toma! – disse Alvo, entregando o copo a Manda.
Manda bebeu a água, que não a ajudou a ficar calma nem um pouco.
- Já contei a vocês sobre o garoto que eu encontro na biblioteca?
- Não! – conformou Tiago.
- Nem da aparição dele no sítio, no dia em que você – se referiu a Tiago – foi me buscar depois do corte em Hermione?
- Não! – disse Rosa.
Manda passou a mão no rosto.
- Tenho muito a que falar então.
Por mais de duas horas, Manda e os amigos discutiram sobre Tom Riddle. Como e porque ele estava na biblioteca? Rosa precisou de coragem e da companhia de Escórpio para poder entrar na biblioteca. Manda e Tiago voltaram para a Sala Comunal.
Manda entrou na Sala com uma angustia a corroendo pelo peito.
Sentou-se em um dos sofás vermelhos e ali permaneceu por longas horas. Seu olhar estava perdido na lareira acesa. De alguma forma, ela sentia que Rosa não traria boas notícias.
- Está tudo bem? – perguntou Tiago.
- Não – confessou ela, tirando a ultima unha que havia roído de perto dos lábios. – Rosa não trará boas notícias.
- Calma. Nem estamos lá para saber...
- Eu sei! – disse ela, um pouco nervosa. – Não é sobre o que ela trará, e sim sobre o que vai ser daqui para a frente. Vocês vão ter medo de mim porque de uma forma ou de outra, Rosa e Escórpio não vão trazer soluções para os meus olhos, as minhas visões ou as vozes.
- Vozes? – perguntou Tiago.
- Ah, deixa pra lá – disse ela, se jogando contra o encosto do sofá. – Tudo isso não importa mais, eu sou uma aberração.
- Não fale assim!
Ela respirou fundo.
- Você só é diferente Manda. – e ele passou a mão no rosto dela.
Manda sentiu o calor do corpo de Tiago encontrar seu rosto, ele parecia aquecido e vivo.
- Eu pareço um defunto. Estou magra,com olheiras sem soluções e muito mais branca do jamais tive.
- Já pedi que não fale assim!
- Vai me dizer que é mentira? Rosa mesmo me disse que eu estou mais magra, e Alexia me disse ontem que eu estou igual uma vela. E ninguém precisa me dizer que essas olheiras são a toa.
- Manda! – interrompeu Tiago, em um tom de voz alto e autoritário. – Você já viu quantas meninas aqui tem olhos de uma cor diferente? Já viu quantas meninas aqui são a primeira da sala ao lado da Rosa? Hei, olha pra mim! – disse ele, pegando o rosto dela. - Já viu que menina aqui tem a pele clara, sem espinhas e sem cicatrizes? Já percebeu que você é a única que tem os cabelos negros como a noite? Já percebeu que você é a menina mais doce da escola?
Ele parou para respirar. Parecia ter tirado um peso do peito ao falar aquilo.
Os dois ficaram se encarando. O rosto perto um do outro.
- Cheguei! – gritou Rosa, na porta da entrada da sala.
Um pergaminho prensado contra os dedos, levantado a cima da cabeça como sinal de vitória.
Rosa correu até os dois e se sentou entre eles.
- Vamos ler aqui? – perguntou ela, olhando para os lados.
- Acho melhor irmos para aquela mesa ali ao lado da janela. É mais reservada...
Os três foram rápido para a mesa, se jogando nas cadeiras e vidrados no pergaminho.
- Bem, eu pesquisei tudo em...
- Não enrola! – disse Tiago. – Fala.
- Manda, não se assuste. Nada irá mudar.
Algo parecia estar precionando o coração de Manda. Era como se uma cobra estivesse enrolada em seu coração, a ponto de esmagá-lo.
- O que você tem não é comum. Existiram apenas nove casos em toda a história bruxa.
Rosa parecia muito mais nervosa que Manda, ela tremia um pouco. Havia pânico, medo, tristeza e nenhum medo em seus olhos.
- Não pode haver erro. Eu e Escóprio ficamos lá seis horas. Pesquisamos em todos aqueles livros. Só pode ser isso...
As lágrimas nos olhos de Rosa foram rápidas. Os cílios já estavam molhados, ela já havia chorado!
- Manda, você é a minha melhor amiga! – disse ela, encarando o papel tremulo em suas mãos.
- Fala. Por favor. – disse Tiago, apertando os dedos e com lágrimas nos olhos.
- Manda – disse ela, com a voz fraca. – você é uma espécie de amuleto que um espírito encontrou.
- Um o que?
- Você disse que tem os olhos desde que nasceu... Eu receio em dizer que Minerva e todos eles mentiram! Você não tem pai e nem mãe. A mulher que lhe deu a luz apenas serviu como uma ponte entre o espírito e você.
Tiago mordeu os lábios com força.
- O espírito te criou antes de morrer e instalou de alguma forma você nessa mulher. Sua “mãe”, provavelmente teve uma gestação de mais de um ano. Você tem alguém vivendo dentro de você, que precisa de algo para viver. Sua primeira vítima foi sua própria mãe.
Manda se jogou para o encosto da cadeira. Seu corpo parecia sem movimento e formigava.
- Os olhos é a prova viva que você carrega o espírito. A fumaça que saiu do seu corpo mostra o quão vivo ele está. E o terceiro ponto, seriam visões e possíveis conversas ou chamados desse espírito em você!
- Vozes? – perguntou Tiago.
- Sim.
Um silêncio breve se formou.
- Esse espírito está te matando aos poucos – a dor de Rosa era vista nas expressões que seu rosto tinha, aquilo tudo estava a machucando. – Ele esta nutrindo de você própria. É por isso que você esta tão magra. Ele não dorme, e é como se parte de você ao dormisse também, por isso as olheiras.
Tiago abaixou a cabeça. Manda desviou seu olhar de Rosa para ele. As lágrimas percorriam seu rosto e caiam nas pernas dele. Tiago havia caído naquele momento. A morte de Manda. Deixou escapar toda a dor que estava sentindo.
- E..e.. todo o seu conhecimento pode ser em conseqüência dessa coisa que vive em você. Ele passa o conhecimento dele para você. É como se fosse uma lembrança sua.
- E co... como ele vai embora? – perguntou Manda.
- Você tem que encontrar o espírito, no seu estado de espírito. Mas é complicado, muitas pessoas que entraram nesse estado jamais voltaram para o seu corpo e se você conseguir terá que... – Rosa parou, as lágrimas escorriam sem parar em seu rosto triste.
- O que...? – perguntou Tiago levantando o rosto.
Rosa olhava fixamente para Manda agora.
Manda sabia o que tinha que fazer. O seu corpo mandava esse sinal para ela. Ela tinha certeza que tudo aquilo teria um fim se ela própria colocasse o fim. Aquela história de terror tinha que ter um ponto final.
- Matá-lo. – disse Manda, mas para si mesma do que para os amigos.
Rosa enterrou a face contra as mãos tremulas e deixou o pergaminho em cima da mesa. Tiago empurrou a cadeira para o lado de prima, passou as mãos nos braços dela tentando a acalmar. Manda se apossou do longo pergaminho. No final dele, havia escrito algumas coisas em uma letra tremida e borrada em alguns lugares, certamente aonde as lágrimas de Rosa caíram.
O ritual exige um sacrifício.
- Manda, você não é uma assassina! – disse Rosa.
- Tenho certeza que vamos encontrar uma outra solução! – confirmou Tiago.
- Qual solução? – perguntou ela, jogando o pergaminho em cima da mesa e em um tom de voz desesperado.
- O Ministério da Magia pode ajudar todos nós! – disse Rosa, mais desesperada do que nunca.
- Não! – disse a morena, jogando a cadeira para trás. – Eles mentiram para mim desde o inicio. Porque me ajudariam? Porque?
Rosa se encolheu.
- Manda, calma...
- CALMA? – perguntou ela em um grito.
Manda empurrou as cadeiras a sua frente, passou pelo pessoal do quadribol e empurrou alguns garotos. Ela rumou na escada para o dormitório feminino. Deixando os dois amigos ali.