Lilian.
Eu caminhava o mais rápido que os meus pés conseguiam se mover, eu não queria olhar para trás, não queria correr o risco de me declarar caso meus olhos fitassem os do James. Mas também, no que eu pensei quando decidi o beijar? Eu precisava de uma lembrança boa muito forte e naquele instante não vinha nenhuma na minha mente... Era aquilo ou os dementadores nos dariam o beijo da morte... Eu fiz aquilo por ele, por nossas vidas, mas precisava achar uma desculpa urgentemente, eu não queria que ele soubesse dos efeitos que tinha sobre mim, imagina o quanto ele ia ficar “se sentindo” em saber que havia mais uma menina em Hogwarts apaixonada por ele!
Eu ainda pensava numa desculpa quando tropecei em uma raiz enorme e caí, o que eu não sabia era que o Potter estava bem atrás e também tropeçou caindo por cima de mim. Eu me virei para tentar sair de baixo dele, mas apenas piorei a minha situação, pois fiquei de frente para ele, seus lábios a centímetros dos meus. Eu sentia a sua respiração acelerada atingir o meu rosto e o aroma do seu hálito estava me enlouquecendo, eu praticamente segui o caminho do seu hálito, mas parei antes que meus lábios tocassem os dele, foi neste momento que o Lupin puxou o Potter pela camiseta tirando o seu peso do meu corpo.
- Vocês estão bem? – Lupin perguntou aflito.
Eu estava com o corpo erguido, apoiada nos cotovelos, foi então que eu larguei o meu corpo e afundei na moita que havíamos caído em cima, eu havia dado a maior bandeira, de novo!
- Estou... – Ouvi a voz do Potter responder baixinho, logo depois eu senti as mãos dele – Sim eu distingo a mão dele de qualquer outra apenas com o toque em mim – buscando a minha. Segurei a sua mão e permiti que ele me ajudasse a levantar. Eu estava coberta de folhas.
- Mérlin! – Ele exclamou me encarando.
- O que? – Disse tirando as folhas do cabelo, será que estava tão feia assim?
- Vocês caíram bem nas folhas roxas... – Sirius disse contendo um sorrisinho de escárnio.
- As alucinógenas? – Disse alto.
- Se corrermos chegaremos a enfermaria antes delas fazerem efeito. – James disse entrelaçando seus dedos nos meus, andando rapidamente à minha frente.
-Por mim vamos bem devagar, será muito divertido! – Sirius disse gargalhando.
James.
Eu estava quase correndo, eu não podia deixar a droga contida nas folhas chegar até a minha corrente sanguínea, da última vez eu disse ao Sirius que achava a Lílian a menina mais bonita de Hogwarts, agora imagina o que eu não diria para ela! Possivelmente que aquele quase beijo – eu digo quase porque quando eu notei o que estava acontecendo ela parou – fora a melhor sensação que eu já tive. Foi estranho, eu senti algo esquentar no meu peito, meu coração reagiu quando ela tocou seus lábios nos meus e aquilo nunca havia acontecido comigo, quando eu beijava uma garota outra parte do meu corpo reagia, nunca o coração!
Eu sabia que ainda faltavam alguns quilômetros para chegarmos ao castelo, mas eu já estava sentindo os efeitos da droga, eu comecei a me sentir mais leve e perdi completamente a vontade de andar rápido.
- Vamos ficar por aqui mesmo, podemos dormir ali ó, naquele gramado. – A Lílian me disse apontando para um matagal. Ela já estava muito louca, e eu ainda tive a consciência de perceber que estávamos nas mãos do Sirius... Para o meu azar.
- Negativo mocinha, temos que ir para o castelo! – Sirius disse emparelhando conosco na caminhada, ao longe eu podia escutar o sorriso do Lupin.
- Mas quando eu chegar lá terei que soltar das mãos do Potter! – Ela disse fazendo um biquinho.
Eu sorri alto. Eu tinha encostado “de leve” nas folhas e já estava acostumado com a sensação de torpeza, então nem me fez efeito, mas ela se afundou nas folhas roxas, estava muito entorpecida.
- Eu fico segurando as suas mãos até amanhã. – Respondi.
- Ah! Tá. E como vai entrar no meu dormitório? – Ela rebateu feito uma criança.
Eu gargalhei desta vez, nunca havia visto a Lílian assim, tão natural. Ao meu lado eu sempre tive a impressão que ela falava uma coisa, mas pensava em outra, ela sempre parava uma frase no meio ou ruborizava do nada, mas ali ela estava tão solta que chegava a ser irresistível para mim...
- Você sabe que não é possível eu entrar no seu dormitório, mas, podemos dormir no salão comunal se quiser... – Respondi já temendo a resposta ríspida que ela daria.
- Aceito! Mas tem que ser naquele cantinho do lado esquerdo que é mais escuro, não consigo dormir com a claridade. – Respondeu de forma espontânea.
Mérlin! Ela tinha aceitado.
- Por mim tudo bem! – Respondi feliz.
- Mas por mim não! – Sirius disse. – Não deixarei você se aproveitar da situação!
- Está falando sério? – O questionei.
- Que situação? – A Lílian se interferiu na conversa.
- Sim, estou falando sério! – Me respondeu e depois virou para a Lílian e disse: - A sua situação Lily, você está entorpecida!
- Sim, pelo James. Mas eu já me acostumei, é só não ficar muito próxima do pescoço dele sabe, é de lá que brota o perfume que me deixa assim...Entorpecida.
Meu coração acelerou de uma forma absurda, eu nunca havia o sentido assim. Era impressão minha ou a Lílian era apaixonada por mim?... Era impressão, com certeza ela estava se expressando mal devido ao fato de haver substâncias alucinógenas em sua corrente sanguínea.
- Estou falando das folhas roxas! – Sirius disse sorrindo ao mesmo tempo em que me encarava, eu podia ver em seus olhos que ele estava adorando tudo aquilo.
- Ah! Sim. Pois é, acho que sou imune a essa droga, pois não estou sentindo nada! – Ela disse sorrindo de forma espontânea.
Ela parou de andar e do nada largou a minha mão, depois soltou seus cabelos e começou a penteá-los com os dedos. A visão dela soltando seus cabelos despreocupadamente era perfeita, seus cabelos lisos e vermelhos caíram ao redor do seu rosto moldando a sua face numa pintura única!
- Prefiro eles soltos! – Disse para ninguém. – Jay, pega uma rosa para mim? – Ela me pediu apontando para o canteiro de rosas espinhentas que estava na sua frente.
Desta vez não foi meu coração, mas algo aconteceu com o sangue que corria nas minhas veias, acho que ele esfriou, ou esquentou, não sei precisar, mas eu estava tão acostumado com o fato dela me chamar apenas de Potter que o fato dela me chamar de “Jay” me pegou desprevenido. Andei até as rosas e peguei uma pequena pedra que encontrei no caminho, joguei a pedra no galho do botão de rosa que pegaria para ela e observei os espinhos saltarem, depois me virei para ela.
- Você quer o botão de rosa assim fechado ou prefere a flor desabrochada?
- Por que? – Perguntou curiosa.
- Se quiser fechado pedirei para o Sirius ou o Lupin colher para você!
- Prefiro desabrochada! – Me respondeu enfática.
Eu então colhi o botão de rosa e assim que a tirei da terra ela começou a desabrochar magicamente, era uma rosa realmente linda e de um vermelho único que só havia na floresta proibida.
- Ela só desabrocha com quem está apaixonado. – Lílian me acusou enquanto andava em minha direção.
- Sim eu sei! – A respondi entregando a flor em sua mão.
Ela pegou a rosa da minha mão e a levou até o nariz inalando-a profundamente.
- Marotos não amam... – Disse sem me olhar nos olhos.
- Essa é a regra, mas toda regra tem exceções! Não se pode mandar no coração.
- E você vem falar isso justo para mim. – Disse assumindo um tom de voz triste.
Eu queria perguntar se ela estava apaixonada, e por quem, mas não me senti no direito de fazer aquilo. Ela estava drogada, era como se eu tivesse lhe dado “Veritaserum” escondido, não estava correto.
Entrelacei meus dedos nos dela novamente e voltamos a caminhar. Agora estávamos próximos do castelo, lá o Sirius tinha o antídoto. Quando saímos da floresta e começamos a ladear o lago eu avistei uma movimentação anormal no jardim, parecia que todos os alunos estavam do lado de fora.
- O que houve? – Sirius disse apreensivo.
- Boa coisa não foi. – Respondi. – Será que tem algo a ver com a imagem que vimos no céu, ou com os dementadores?
Lupin que estava mudo a caminhada toda disse-nos:
- É o Dumbledore ali não é? – Apontou para o meio da multidão de alunos - Conforme íamos chegando perto percebemos que não só o Dumbledore estava do lado de fora do castelo, mas também os professores.
-Não solta a minha mão. – Lílian me pediu baixinho ao pé do ouvido e ali naquele momento eu tive a certeza que a amava mais do que amava ser um maroto!
- Não soltarei. – Sussurrei no seu ouvido em resposta e depois dei um beijo estalado no seu rosto, fazendo- a sorrir.
- Graças à Mérlin! – Vi a professora McGonagall gritar e jogar as mãos na cabeça assim que ela nos viu. – Vocês estão bem? – Nos questionou assim que chegou até nós.
- Sim! – Sirius respondeu. – Mas o que houve aqui?
- Comensais da Morte tentaram invadir Hogwarts, propagaram as suas vozes por dentro do castelo dizendo que se não expulsássemos todos os meio-sangue até amanhã eles voltariam. – McGonagall respondeu apreensiva.
Senti os dedos da Lílian apertarem os meus; ela era uma meio-sangue!
- E o que vocês pretendem fazer? – Sirius a questionou, eu estava estático.
- Ora, aumentar os feitiços de proteção do castelo e armar barricadas, eles que voltem para ver o que lhes aguarda, ninguém mexe com meus alunos! – Disse ríspida, indo para outro lado do jardim.
- Porque eles não gostam de mim? – A ouvi dizer baixinho.
Virei-me de frente para ela e a encarei, fitei seus olhos verdes de uma forma que eu nunca havia me permitido fazer, eu estava desarmado.
- Não importa quem não gosta de você Lily! O que realmente importa é quem gosta. Eles são bruxos amargurados que sentem prazer em fazer o mal, não dê mais importância a eles do que eles merecem...
- Meus pais gostam de mim! – Ela disse sorrindo de forma sarcástica.
- Então já somos três! – Disse não aguentando mais me segurar.
Seu olhar parou nos meus, eu sabia que ela havia me entendido. Ela levou sua mão direita até meus cabelos acariciando-os até a minha nuca. Fechei os olhos quando seus dedos se entrelaçaram nos meus cabelos e seus lábios ficaram a centímetros dos meus, eu podia sentir o aroma doce do seu hálito na minha face, todo o meu corpo estava reagindo com aquela aproximação, meu coração acelerou, meu estômago ficou oco, minhas mãos tremiam, minhas pernas já não estavam mais sustentando o peso do meu corpo, neste momento mágico de segundos o mundo parou para mim... Parou até o Sirius me puxar para trás pela camiseta.
- Cara, o Dumbledore está te chamando, ele precisa de nós!
Voltei para a realidade e ao abrir os olhos encontrei a Lílian sorrindo tímida. Olhei em volta e encontrei a Marlene junto com outras meninas do dormitório dela conversando. Corri até elas de mãos dadas com a Lílian, peguei na mão da Marlene que olhou assustada para aquele gesto.
- Cuida dela! – Disse, desentrelaçando meus dedos dos da Lílian e entrelaçando os dedos da Marlene no lugar.
- Tudo bem! – Marlene disse confusa.
- Desculpe não cumprir a minha promessa, mas dormiremos juntos outra noite está bem? – Disse no meio de no mínimo cinquenta alunos da Grifinória.
- Vou cobrar! – ela me disse sorrindo, depois inalou novamente o perfume da rosa que estava na sua mão.
****
Lílian.
Acordei com uma claridade anormal nos olhos, virei-me na cama e puxei o lençol para cobrir a minha cabeça, este simples movimento de me virar na cama fez com que tudo girasse ao meu redor e minha cabeça latejasse freneticamente.
- Mérlin... – Reclamei sentando-me na cama segurando a minha cabeça com as duas mãos.
- Finalmente! – Escutei a voz da Marlene dizer, mas não levantei a minha cabeça para falar com ela.
- Que horas são? – A questionei. Eu estava com a impressão de ter perdido o horário de aula.
- São 10:20AM.
- Porque está aqui e não na aula?
- Porque não tivemos aula hoje! Você não se lembra de ontem? – Disse com a voz incrédula.
Agora que ela levantou o assunto eu comecei a me esforçar para lembrar, mas meu cérebro não estava ajudando, minha cabeça doía muito. Eu me lembrava de ter ido à floresta com os marotos e de mais nada! Tirei minhas mãos da cabeça e fiz um esforço descomunal para abrir os olhos na claridade, depois virei-me lentamente para a Marlene.
- Amiga, acho que vou morrer! – reclamei.
Ela sorriu alto!
- Eu acho que você bebeu Lily, você estava muito estranha. O James disse que não poderia cumprir a promessa que te fez de dormirem juntos naquela noite e você ainda sorriu para ele!
Aquilo não podia ser verdade.
- Não brinca com uma coisa dessas... – A repreendi.
- Eu tenho testemunhas! – Disse sorrindo. – E muitas!
Respirei profundamente e empurrei minha perna para frente na intenção de descer da cama, quando meus pés tocaram o chão eu me vi selando a boca do Potter segundos antes de conjurar um patrono.
-Eu acabo de me lembrar que beijei o Potter. Mérlin me ajude, hoje eu não desço deste quarto! – Disse desesperada.
- E como foi? Me conta! – Marlene quis saber.
- Havia dementadores na floresta e eu precisava de uma recordação muito boa, então...
- Você não deu essa bandeira...
- Sim eu dei. – Respondi caminhando até o banheiro do dormitório, a Marlene veio atrás de mim.
Abri o chuveiro no máximo, eu precisava de um banho gelado! Depois me despi, e entrei em baixo da água corrente.
- Vocês conversaram depois? – Ela me pressionou.
- Não! Lembro-me do Rabicho fugindo e depois de começar a voltar para o castelo, mas ai eu não me lembro de mais nada...
- Nem que me disse que eu tinha razão o tempo todo e que você amava o James desde a primeira vez que o viu?
Abri a porta do box num baque, ela não podia estar falando sério.
- Eu disse isso?
- Com todas as letras!
- Só para você?
- Tinha mais algumas meninas do nosso dormitório. Ah! O Sirius também escutou. – Disse se deliciando com o meu semblante desesperado.
Voltei para debaixo do chuveiro e fechei meus olhos com força, eu não podia ter feito aquilo, agora eu estava realmente perdida! O Potter com certeza já estava sabendo, e eu podia imaginar o seu semblante satisfeito só em saber que havia mais uma boba apaixonada por ele... Droga!
- Todos os alunos irão se encontrar no refeitório para ouvir instruções, você quer que eu te espere? – Marlene me questionou.
- Não, pode ir, já estou acabando aqui. – Respondi, mas eu não tinha a intenção de descer... Nunca mais.
Após sair do banheiro eu levei mais tempo do que o necessário para pentear meus longos cabelos, depois coloquei uma roupa confortável – um short jeans e uma regata branca – e sentei-me na beirada da cama, minha cabeça latejando como nunca. Por mais que me esforçasse não conseguia me recordar de quase nada da noite passada, e eu estava em pânico... Eu poderia ter dito qualquer coisa para o Potter, e agora como encará-lo? Foi neste momento que levantei minha cabeça e me deparei com o enorme brasão da minha casa; o leão demostrando bravura me fez sentir vergonha de ser uma Grifinória legítima e estar ali em cima, tremendo de medo. Suspirei fundo, calcei minha sandália e pensei: - Seja o que Merlin quiser!
James.
Eu estava em cima de um palco improvisado no salão comunal junto com o Prof° Dumbledore e com mais uns vinte alunos de diferentes casas de Hogwarts. Eu tentava prestar atenção no que ele dizia, mas eu não conseguia parar de pensar na Lílian, nem por um segundo. Depois que eu a deixei com a Marlene eu e o Sirius fomos para uma reunião, junto com estes mesmos outros alunos, éramos os que o professor de Defesa contra as Artes das Trevas nomeou como “os melhores”, faríamos sentinela na parte de fora do castelo junto com alguns professores. Permaneci nesta reunião até 03:00AM e quando saí os alunos já haviam se recolhido para os seus dormitórios, eu passei o resto da noite em claro pensando nela, nas coisas que ela havia me dito, na maciez dos seus lábios, eu simplesmente não conseguia a esquecer! Porém, muita coisa havia mudado em poucas horas, a ameaça de uma guerra era eminente e eu aceitei de bom grado ir para a linha de frente desta batalha, quando o Prof° Dumbledore me questionou se eu aceitava eu disse que sim na hora, ele ainda me perguntou se eu estava ciente que poderia morrer em batalha e eu disse que sim. Eu morreria fácil para salvá-la, porque se eles entrassem no castelo eu sei que estaria a salvo, meu sangue é puro, mas o dela não!
Eu procurava incessantemente o seu rosto no meio daquela multidão de alunos, não que aquilo dificultasse alguma coisa, eu era capaz de encontra-la em qualquer lugar, ela não estava ali, eu sentia que não.
-...Então peço encarecidamente que vocês treinem muito os feitiços básicos para a proteção. Conjurar um patrono é essencial, quem não souber permaneça em seu lugar após o término que nós treinaremos até que obtenham êxito...
Dumbledore continuava discorrendo sobre segurança quando finalmente eu a avistei, me peguei soltando o ar aliviado assim que ela passou pela porta. Ela tinha os cabelos molhados e o semblante abatido, mas continuava a menina mais linda que eu já havia visto, sorri sozinho feito um bobo, mesmo o Prof. Dumbledore falando sobre assuntos tão sérios, eu não consegui conter minha felicidade, a presença dela me deixava num estado de êxtase e euforia. Vi quando ela se sentou bem ao fundo, na mesa que tradicionalmente pertence a Sonserina, mas ali ninguém estava dividido por casas, estávamos todos unidos contra um tal de Voldemort, que na verdade era o Tom Riddle, ex aluno de Hogwarts. Ela levou as mãos na cabeça e fez um semblante de dor, ela devia estar com uma baita de uma “ressaca”, lembro-me bem da primeira vez que encostei naquelas folhas, eu já previa por aquilo, então já estava com o antídoto no meu bolso.
- ...Esses alunos que aqui estão serão nossa barricada, estão dispostos a dar as suas vidas para proteger o castelo e eu gostaria que fosse dada uma salva de palmas para eles...
Os alunos se levantaram e nos aplaudiram, eu não conseguia enxergar a Lílian com todos em pé, então torci para que as palmas acabassem logo, quando eles finalmente se sentaram eu percebi que ela não estava mais lá.
Lílian.
De repente o peso do meu corpo se tornou demasiadamente grande e eu achei que minhas pernas não iria mais sustenta-lo. As palavras do Prof. Dumbledore ainda retumbavam na minha cabeça, como assim o James estava disposto a dar a sua vida para proteger o castelo? Ele não sabia que se algo acontecesse com ele eu morreria? – Não, ele não sabia! Talvez fosse o momento de eu dizer alguma coisa, quem sabe ele não desiste!
Sentei-me na confortável poltrona do salão comunal e fechei meus olhos, a dor de cabeça ainda me incomodava, mas a dor que se alojou no meu peito conseguiu ser maior, eu fiquei ali por um bom tempo, apenas pensando no James do lado de fora do castelo sujeito a ataques, e por que? Por bruxas como eu.
-Um galeão por seus pensamentos. – Escutei a voz do Sirius dizer ao meu lado.
Abri meus olhos.
- Porque vão fazer isso? Porque aceitaram compor a linha de frente de uma batalha? – O questionei aflita.
- Ei moça, sabemos nos cuidar, fomos escolhidos porque somos os melhores! – Disse estufando o peito.
- Falou para eles que não conseguem conjurar um patrono? – Joguei na cara.
- Nossa! Não precisa apelar, fomos pegos desprevenidos, mas agora sabemos bem o que esperar!
Eu estava pronta para responder, mas de longe eu avistei o James passar pelo quadro da mulher gorda, meu coração acelerou de uma forma que eu achei que fosse ter um infarto! Ele estava simplesmente deslumbrante. Seus cabelos pretos como o carvão estavam altos e bagunçados, como se ele tivesse passado a mão naquela franja umas vinte vezes no mínimo, seus lábios cheios estavam rosados e ele trajava uma camiseta verde e uma calça preta, eu amava quando ele vestia verde. Nas mãos ele trazia um copo.
Ele caminhou certeiro até onde eu estava e parou de frente para mim, eu tentei manter minha respiração num ritmo normal, mas é claro que não consegui, ele então tirou algo parecido com um comprimido feito de folhas verdes e me entregou, depois me deu o copo que continha água.
- É para a dor de cabeça. – Disse, sentando na poltrona ao meu lado, puxando-a para que ele ficasse bem de frente para mim e o mais próximo que os braços da poltrona permitissem.
- Como sabe...? – O questionei tomando o comprimido.
- Já caí algumas vezes no meio das folhas roxas. – Me respondeu sorrindo de um jeito que só ele conseguia, seu sorriso perfeitamente branco era um convite para a luxúria!
- Por falar em folhas roxas – Disse encabulada. – Não me lembro de muita coisa sobre ontem, então peço que desconsidere se falei alguma coisa...
- Eu também cai nas folhas lembra-se? Se você disse algo eu não me lembraria! – Me respondeu sorrindo.
Sorri aliviada, um problema a menos, me virei para dizer ao Sirius também desconsiderar qualquer coisa que eu tenha dito, mas ele havia sumido.
- Parece que a nossa aposta se quebrou... – Disse levantando-me.
- Ainda posso estudar com você! – Ele me respondeu se levantando também.
Caminhei até a janela e olhei o jardim, estava escuro, o céu estava sem estrelas e também não havia lua visível.
- Tem certeza que quer passar a noite lá fora? – Perguntei melancólica.
Ele então parou atrás de mim, tão próximo que eu sentia a sua respiração no meu pescoço, arrepiando-me.
- Sim. Eu tenho muito a perder se eles entrarem neste castelo. – Me respondeu.
- Promete para mim que vai se cuidar, e que terá coragem de fugir se sentir que a batalha está perdida... Não tente o impossível. – Disse ainda de costas para ele, eu senti que meus olhos marejaram.
- Não posso te prometer que vou fugir Lily, nem que desistirei por achar que algo é impossível, mas... – Ele segurou firme na minha cintura e me virou de frente para ele, eu dei um passo para trás e encostei minhas costas na janela, eu estava encurralada – Te prometo que voltarei todos os dias, a tempo de tomar o café da manhã com você.
- Para mim está ótimo! – Disse fitando os seus olhos que estavam bem claros naquela noite, bem mais verdes do que castanho, meu coração assumiu um ritmo acelerado com a nossa aproximação.
- Preciso ir agora. – Ele começou a se despedir. – Haja o que houver, não saia de dentro do castelo, ele está com os mais poderosos feitiços de proteção existentes.
Acenei afirmativamente com a cabeça.
- Ah! E antes que eu me esqueça... – Ele disse tirando uma das suas mãos da minha cintura, colocando-a na minha nuca. Eu estremeci quando a sua mão quente se embrenho nos meus cabelos, ele se aproximou ainda mais e colou o seu corpo no meu, eu senti meu coração na garganta, minhas mãos começaram a tremer levemente conforme ele ia se aproximando, ele então, fechou os seus olhos e roçou os seus lábios nos meus, suspirando profundamente e eu sai de mim.
O perfume dele me atingiu deixando-me inebriada, não havia no mundo um perfume mais gostoso; joguei meus braços em volta do seu pescoço e entrelacei meus dedos nos seus cabelos macios e quando ele selou meus lábios nos dele eu soltei um gemido baixo de satisfação, abri minha boca dando passagem para que a sua língua me invadisse, ele apertou seus dedos ao redor dos meus cabelos e me beijou de um jeito que eu nunca havia sido beijada. Eu estava super consciente de tudo, de uma das mãos dele nos meus cabelos e da outra passeando pela minha cintura, do gosto dele, do cheiro dele, do peso do corpo dele no meu... Ele estava me enlouquecendo literalmente, eu não queria saber se eu estava no salão comunal, eu só queria ele, o máximo que eu pudesse! Nunca um beijo tinha me dado aquela reação, eu estava quente por dentro, eu desejava colar meu corpo ainda mais ao dele, eu queria que ele tirasse a camiseta para que eu acariciasse o seu abdômen, Mérlin... Eu queria tirar a minha roupa e me entregar completamente para ele. Eu puxei levemente os seus cabelos enquanto levava a minha outra mão por dentro da sua camiseta, quando meus dedos acariciaram o seu abdômen como eu sempre sonhei em fazer eu sussurrei o nome dele em seus lábios, eu passeei minha mão livremente pelo seu peitoral enquanto mordiscava os seus lábios com um desejo absurdo. O que já estava quase incontrolável piorou quando ele abriu levemente as pernas e encaixou o seu quadril no meu, pressionando-o contra a parede, eu pude sentir o seu membro ereto perfeitamente e eu tive que me conter para não gemer alto. Eu já havia sentido uma ereção, mas não naquela plenitude, aquilo estava mais duro do que o aço, e eu pela primeira vez em toda a minha vida desejei poder ver, pegar, sentar ou qualquer coisa do tipo.
Inesperadamente ele descolou nossos lábios e me abraçou, ele tirou meus cabelos do pescoço e me deu um beijo demorado ali, só ai eu percebi que a sua respiração estava quase aos arquejos , assim como a minha. Eu o abracei pela cintura e deitei minha cabeça no seu peito, aos poucos nossa respiração voltou ao normal e a ereção dele se dissipou.
- Antes que você se esqueça...? – Repeti a frase que ele havia dito antes de me beijar.
Ele me soltou e deu um passo para trás, depois passou a mão na camiseta amarrotada.
- ...Caso eu precise conjurar um patrono! – Ele disse sorrindo, depois saiu apressado, eu olhei pela janela e vi que todos os alunos já estavam no jardim!
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Agradecimentos especiais à:
- Vitória Snape ( S2 thanks), Leticia Depiro(Obrigado pelo elogio!), Jéssica Barreto, Srta. McKinnor ( O Sirius realmente é um debochado rs), Helena e Charlotte ( Todas querem o Sirius!), Sah Espósito ( Se a Lily achou que aquilo era lembrança boa de beijo, imagine agora hein... rs), Vic prongs ( Morre naum Vic, senão não vai ler os outros capítulos rsrsr) , Sta Prongs ( JL são sempre lindos neh! Eu amo esse casal!), Crys ( Que bom que está gostando, espero que continue...)
O que acharam deste novo capitulo???
Meninas meu facebook, caso queiram podem me add e cobrar capitulos por lá kkk
http://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=205552216217174&id=100001928602178&ref=notif¬if_t=tagged_with_story#!/profile.php?id=100000535686753