Sirius Black
Ele está jogado para trás na cadeira, o ar que entra pelas janelas abertas da sala de aula bate em seus cabelos e os move minimamente. É verão e a camisa dele está aberta até quase a metade, enquanto ele, virado para frente, olha para a professora de transfiguração, mesmo que não esteja prestando atenção. Algumas gotas de suor descem por baixo do cabelo comprido e se perdem na gola de sua camisa, deslizando sobre aquele músculo delicioso por onde você quer deslizar os lábios e a língua até que ele se arrepie e arfe baixinho.
Porque ele é Sirius Black, o batedor gostoso da Grifinória, aquele que todas querem pegar. Só ele tem aquele corpo quente e aqueles olhos frios, cinzas, que te fazem sentir uma serva dele, pronta para atender-lhe todos os desejos. Simplesmente porque seria um prazer.
Ele é aquele que tem o passaporte gratuito pra te levar ao paraíso. E ele leva. Mas o que é bom dura pouco, e ele se mexe de manhãzinha na sua cama. Sai dos lençóis e se veste sem nem olhar direito pra você. Não é mais novidade. Para você foi uma experiência maravilhosa, transcendental, mas para ele foi só sexo. O coração dele é a mais alta e forte das muralhas, que ninguém conseguiu transpor. Talvez nem os amigos dele saibam quem ele é, como pensa ou sente.
Ele beija sua testa com aquela boca que na noite passada fez coisas que você achava serem impossíveis, e deixa o quarto sem olhar para trás. Você se sente fria, mas não protesta. Sabia como seria desde o início. Mas é inevitável sentir uma pontada no peito. Você, como todas as outras, acha que o faria feliz. Pobre garota tola.
O rapaz cumprimenta os amigos no salão principal, com aquele sorriso enorme, e seus olhos caem em uma garota, uma morena que sorria para ele. Sirius não se lembrava daqueles olhos. Logo se informou, era uma garota nova, transferida de Beuxbatons. Lançou a ela um sorriso que a fez corar levemente. E você, que está assistindo de camarote, se rói de ciúmes. Aquela vadia, já estava toda assanhada para ele. Mas uma semana depois você já tem veneno escorrendo pelos lábios, satisfeita quando vê a garota nova se descabelando de chorar no banheiro. Seu coração dói por ele, assim como o da garota nova. Mas você não se compadece ao saber que ele a deixou. Porque é tudo muito claro.
Ele é assim mesmo. E nunca pertenceria a ninguém.