- É do Escórpio – informou Rosa, quando abriu a carta naquela manhã ensolarada.
Rosa abriu a carta, e enquanto a lia sorria.
Manda havia deixado Rosa arrumar seu cabelo pela segunda vez.
- Ele quer que todos nós vamos a casa dele hoje...
- Ótimo – comentou Rosa. – Como vamos pedir para os seus pais?
Rosa suspirou e ao mesmo tempo riu.
- Acho que vamos precisar do Tiago.
Após elas terem gritado para Tiago, e ele ter chego no quarto. Os três, mais Alvo, não tinham chegado a um acordo e nem a um plano. O que os restava era falar diretamente com quem eles achavam ser mais paciente: Gina Potter.
- Só isso? – perguntou Gina. – Porque fizeram todo esse drama? – e ela sorriu para os adolescentes.
- Mamãe... É o Malfoy. – disse Tiago.
- Seu pai é passivo, vai entender. Já Rony... Temos que manter segredo.
Rosa deu uma breve risada, tamanha alegria.
- Melhor irem se arrumar. Vou falar com Harry, e se tudo der certo. Depois do almoço vocês vão ver o Escórpio.
Dito e feito.
Gina havia conseguido convencer Harry a levar todos para ir ver Escórpio. Hermione também havia entrado em tal esquema, e tratou de convencer Rony sair com ela a tarde inteira, dando tempo as crianças para ir a Mansão Malfoy.
Perto das duas horas, todos estavam prontos.
- Não me empurre Alvo! – sussurrou Rosa. – Meu vestido vai amassar.
Rosa, Alvo e Tiago estavam colados contra a porta do quarto. Esperando o momento certo do tio Rony sair de casa com Hermione. Manda estava sentada na cama acompanhando os amigos espremidos contra a porta. Rosa finalmente desistiu de ficar escutando e se parou em frente ao espelho, pela milésima vez, e perguntou para Manda, pela milésima vez, a mesma coisa:
- Você acha que está bom assim?
- Você está linda Rosa. O Escórpio vai gostar.
Rosa virou o rosto de forma rápida e com censura no olhar para Manda, e a morena riu para a amiga, que agora tinha alguns cachos no rosto.
Rosa desistiu de encarar Manda, e voltou a prestar atenção nos seus detalhes do espelho.
Algo levemente pesado pulou no colo de Manda, e ela descobriu o que era sem ao menos abaixar o olhar. Damra estava ronronando em seu colo e o ronrono havia se prolongado mais ainda quando a mão da morena começou a deslizar pelas costas da gata.
Um estrondo, pequeno mas barulhoso, se formou quando Tiago e Alvo caíram no chão. Lily e Hugo haviam aberto a porta e pareciam tão excitados quando Rosa.
- O papai já saiu – dizia Hugo.
- Vamos ficar de olho, qualquer coisa vamos mandar um berrador para vocês!
Tiago riu enquanto se levantava. Havia sido ele mesmo que tinha dado essa tarefa aos dois, em resultado a um plano de não levar os dois até a cada de Escórpio.
- Papai já está esperando vocês – disse Lily.
Manda pegou colocou a gata em cima de sua cama e beijou sua testa.
Todos desceram as escadas cautelosos, aquilo parecia mais uma missão do que um passeio.
- Prontos? – perguntou Harry, da porta da casa.
- Sim – respondeu Alvo.
- Então venham...
As crianças caminharam até Harry Potter em pulinhos pequenos tamanha ansiedade. Ao que tudo indicava, deixar Tio Ronald de fora dos planos da tarde de Manda, Rosa, Alvo e Tiago estava ocupando de todos do que qualquer coisa.
- Pegaram os presentes de Draco? – era Gina.
- Sim titia. – confirmou Rosa, mostrando sua bolsa floral.
- Boa tarde a todos vocês. – desejou Gina, se afastando de todos.
- Todos se segurem e não esqueçam de não pensar em nada! Vamos aparatar para a casa de Draco.
Manda esperou que Tiago pegasse em sua mão, mesmo sabendo que ele não deixaria que ela ficasse distante dele. Intuição era algo meio impróprio para esse pensamento de Manda, ela tinha mais é certeza que aquilo aconteceria. De um jeito meio estranho, agora ela tinha certeza de muitas coisas sobre Tiago.
- Agora. – disse Harry.
Aquela mesma sensação, de uma pessoa re girando, duas lhe puxando para lados opostos, se levantar muitíssimo rápido de um lugar... uma bela e complicada mistura. Manda não havia realmente se acostumado com aquela sensação...
Quando todo o ambiente borrado começou a ter nitidez suficiente para as imagens terem sentido, Manda encheu seus olhos com um portão escuro e um jardim antigo, aparado e frio. Aquele ambiente sem cor, lhe lembrava aquele labirinto estranho que ela tanto lutou. Uma prova que haviam planejado para ela, mas que certamente saiu do controle.
No portão a sua frente se encontrava Escórpio, e atrás de si Draco, que tinha uma mão no ombro do filho.
Todos respiraram fundo depois de aparatarem, até Harry, que Manda julgou respirar daquela forma por causa de Draco. Manda sabia o quanto era bom ver alguém de má índole estar se tornando uma pessoa melhor. Ela julgava Escórpio assim, e de um jeito ou de outro, ele era realemtne muito parecido com seu pai.
- Draco... – disse Harry, quando as todos chegaram perto dos dois. – Espero que elas realmente não dêem trabalho.
- De forma alguma Potter. Escórpio está esperando por isso desde que entrou de férias. E convenhamos, tivemos um certo trabalho de deixar o vovô e a vovó Malfoy fora pelo dia de hoje. – Draco riu para o filho.
- Tivemos ajuda da mamãe também – contou ele. - Vamos entrar?
- Ah, sim. – respondeu Harry. – Vou deixar eles com vocês daqui para a frente. Tenho que voltar para a Toca. Boa tarde pessoal. – desejou Harry, caminhando um pouco mais para trás, aonde aparatou novamente.
- Vamos? – perguntou Draco, passando a mão na frente do portão e o portão se abrindo.
Manda se maravilhou ao perceber que com um único toque mágico o portão se abriu.
- É incrível não é? – perguntou a voz que ela tanto gostava.
- Acho que não me acostumei ainda. Cada coisa é mais incrível do que a outra.
- Magia antiga – informou Tiago. – As Mansões tradicionais são recheadas por essas magias, acredito que apenas com o toque de um Malfoy o portão se abra, ou seja alguma senha...
- A segunda opção é a verdadeira. Mas mantenham segredo, por favor. – informou Draco Malfoy, passando por eles e inclinando sua mão até a maçaneta de porta, e por fim, abrindo a grande porta (que aparentava ter três metros de altura).
Na frente da lareira, de uma forma até majestosa, aguardava a todos a senhora Malfoy.
Astoria era uma mulher elegante e trajava um vestido de cor escura, talvez vermelho ou até um marrom. Os cabelos presos para trás e um leve sorriso nos lábios, os olhos profundos e escuros deixavam a aparência de Astoria muito mais parecia a de Draco; uma pessoa boa e que sabia ser séria ao ponto certo.
- Bem vindos – disse ela, quando todos estavam já perto.
Ela sorriu para cada convidado. Draco caminhou em passos longos até ao lado da esposa.
- Fiquem a vontade. – disse Draco.
- Acho que poderíamos começar com os nossos presentes – disse Escórpio, não escondendo que estava louco para receber e dar os presentes de Natal.
Os amigos foram levados por Escórpio até a arvore de Natal, que ele fez questão de não desmontar até os amigos chegarem.
Ali, em baixo da grande arvore de natal dos Malfoy eles trocaram presentes e não poderiam deixar de falar sobre as férias. Longas horas eles passaram ali, depois disso, todos eles foram conhecer a mansão. Ao passarem pela biblioteca, os olhos de Rosa brilharam e Escórpio percebeu isso. Tanto que a exploração da Mansão parou ali, e todos entraram para a biblioteca.
Manda ficou pela porta e relutou sobre a opinião de todos.
Voltou para os corredores frios e cinzas da mansão. Aquilo a deixava muito mais curiosa do que as páginas de livros. A arquitetura do lugar deixou Manda encantada por longos minutos.
Os quadros tinham sempre o mesmo aspecto: Loiros, olhos cinzas e um olhar profundo.
Os quadros não falaram nada para Manda, como os quadros de Hogwarts. Eles apenas encavam a morena que caminhava de forma tão lenta pelos corredores, e não ousava olhar para dentro dos quartos fechados e até aos abertos.
Quando encontrou os fundos da casa, e a porta que levava até os jardins, e foi aonde Manda resolveu explorar um pouco mais.
A grama era baixa, e de um verde escuro. Alguns arbustos e poucas flores enfeitavam o lugar, além de ter algumas estátuas espalhadas pelo vasto jardim. Manda caminhou enquanto observava a mansão pelo lado de fora, que tinha o mesmo ar misterioso de dentro.
O vento que veio do norte jogou os cabelos de Manda para perto do rosto, o que a incomodou. A garota resolveu olhar para aonde o vento soprou, e seu rosto encontrou o loiro sentado em um banco do mesmo mármore das estátuas.
Ela então se aproximou dele, como um leão se aproximaria de uma zebra apetitosa e nada esperta. Ela se equilibrava entre o vento e toda aquela cautela preciosa que a dama de cabelos negros tinha de levar até o homem de pele clara.
- Intrigante. – disse ela. – Você sabia que eu me aproximava.
Manda esperou em pé a resposta de Draco, que demorou a ser dita.
- Algumas vezes, a presa espera pelo ataque. É mais fácil de rebater a altura.
Manda sorriu da resposta inteligente do homem.
- Admiro sua cautela. – respondeu ele. – Não conheço nenhuma pessoa com menos de 20 anos que tenha o cálculo estratégico que você teve.
- Cada pessoa tem um dom... talvez eu desabrochei o meu antes dos 20.
Foi a vez de Draco rir.
- Você sabe com quem está conversando? – perguntou ele, com um tom de voz intrigante.
- Converso com Draco Malfoy.
- Não falo de nome, mas de personalidade, e talvez passado.
Manda caminhou ate ao lado de Draco, e não se sentou ao lado dele, apenas ficou observando ele no banco.
- O passado de todos é algo complicado, podemos nos orgulhar ou não,
- Se sente – pediu Draco. – O que você entende de Marca-Negra, Voldemort ou Guerra?
- O suficiente para saber que você não deve se culpar.
- Já escutei isso, mas é mais difícil do que imagina.
- Ninguém disse que a vida é fácil. – ela encarou ele. – Poderiam lhe manda um manual de instruções.
Draco riu novamente.
- Há algumas coisas que não tem explicação. – disse Draco.- O que você mais se pergunta?
- No momento? – disse ela, em meio a um riso.
- Claro.
- Vozes...
- Você as escuta?
- Ela fala comigo.
- Você a conhece?
- A voz?
- Sim.
- Não... – admitiu ela.
- Draaaaco! – era Astoria. – Fiz o café.
Manda riu do jeito que a mulher chamou o marido.
- Ela faz isso quando está entusiasmada. – disse Draco.
- Ela é uma boa mulher. – admitiu Manda.
- Você é uma boa garota.