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9. Familia, familia...AMOR


Fic: Não olhe para trás com raiva SUPER ATUALIZADA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Cap anterior


“Por favor, as partes do caso 7/20-63 – Audiência Primeira do Pedido de Guarda de Menor – Scorpius Hyperion Malfoy – dirijam-se à entrada lateral. A juíza Maxine Norbert irá dar início à audiência.” - o oficial de tribunal havia saído pela porta que dava acesso ao hall e comunicou-os dos preparativos para a discussão em juízo.

Draco olhou para Hermione e com apenas um olhar dela, ele sentiu-se reconfortado e mais ainda, ao passar por ele, ela apertou sua mão sem que s utrs percebessem e falou quase que de maneira inaudível.

“Calma. Eu estou aqui com você. Não se preocupe.”

Adentraram a sala e por um momento o coração de Draco parecia que sairia pela boca, mas ele rapidamente se lembrou das palavras da amada e seu coração se aquietou. Ele teve certeza que com ela por perto, nada poderia dar errado.


**********************************************************


“Bom dia a todos. Advogados, Sr. Malfoy, Srta. Greengrass.” – a juíza pronunciou-se. – “Daremos início às nossas atividades relativas ao processo de pedido de guarda do menor Scorpius Hyperion Malfoy. Contudo eu devo perguntar antes, não existe a possibilidade de um acordo entre as partes, acordo esse que resulte em uma guarda compartilhada, o que seria em minha opinião, muito mais saudável para a criança?”

“Bom dia meritíssima, meu cliente está sim disposto a fazer um acordo, pois só o que ele deseja é o melhor para o filho. Ele tem consciência de que por mais que o seu relacionamento com a Srta. Greengrass tenha chegado ao fim, o fruto desse casamento, Scorpius, é parte essencial de sua vida e também de sua ex esposa, não querendo portanto priva-la do convívio com a criança.” – Hermione havia começado sua argumentação.


“Um bom dia à ilustríssima juíza, e já respondo ao questionamento da mesma dizendo que minha cliente não deseja fazer nenhum tipo de acordo. Ela requer a guarda total e permanente do filho, com restrições ao acesso do ex marido, o Sr. Malfoy, assim também como dos pais deste, Lucius e Narcisa Malfoy.” – o advogado de Astória começou pegando pesado, o que fez Draco se remexer na cadeira.

“E posso perguntar o porquê de tantas restrições assim sr. advogado?” – a juíza questionou Andrews.

“O Sr. Malfoy é hoje um membro respeitável da sociedade bruxa, contudo, é fato notório a sua associação ao grupo de assassinos e torturadores que assombrou o mundo bruxo por muitos anos e teve seu fim há quase duas décadas na segunda guerra bruxa. É sabido também que o ex sogro de minha cliente era um dos chamados Comensais da Morte mais requisitados e era tido como um dos favoritos do falecido Lord Voldemort, além de ter planejado ataques durante a Copa do Mundo de Quadribol em 1994 e no ano seguinte, o ocorrido neste mesmo prédio, onde ele e mais alguns de seus “amigos” atentaram contra a vida de crianças, incluindo a digníssima advogada aqui presente, Hermione Granger, e vale lembrar que ele ainda acumula uma fuga de Azkaban, demonstrando total falta de respeito às leis dessa sociedade. Quanto à Sra. Malfoy, nunca ficou provado a participação desta nas atividades criminosas do grupo em questão, porém, nunca também foi segredo para ninguém que ela sempre partilhou dos mesmos preconceitos e das mesmas ambições do marido, acolhendo inclusive sua irmã fugitiva de Azkaban e assassina e torturadora confessa, Bellatrix Lestrange.


Não acho meritíssima que esse seja o ambiente mais saudável para uma criança crescer. Dois Comensais da Morte confessos e alguém que partilha das idéias distorcidas deles.” – enquanto o advogado de Astória se recuperava do discurso “contra-Malfoy” que havia acabado de fazer, Hermione achou que era hora de pedir a palavra.

“O advogado usou muitas palavras de efeito. Comensais da Morte....assassinos...torturadores...desrespeito....ataques....preconceitos....idéias distorcidas....usou-as como se nunca tivéssemos as ouvido antes. Por isso acho que será preciso lembra-lo que todo esse passado de meu cliente já foi revelado para aqueles que não o conheciam. Será preciso lembra-lo também que tanto Draco Malfoy, como Lucius Malfoy, já foram ambos julgados e pagaram sua dívida para com a sociedade bruxa, não devendo mais nada, nem sequer uma explicação? Será preciso lembra-lo Sr. advogado que ver o único filho e o marido presos já não foi motivo suficiente para a Srta. Malfoy arrepender-se de querer mudanças nesse mundo baseadas no preconceito e na segregação? Muito me admira a Srta. Greengrass ressuscitar um passado que já não cabe mais ser ressuscitado e revisto, especialmente tendo feito parte dessa família e vivido por tantos anos ao lado deles. Se são tão perigosos assim, se o ambiente em que vivem é tão viciado de maldade como ela alega, porquê tanto tempo dentro da mesma casa? Porquê só agora que meu cliente decidiu terminar o casamento, ela resolveu enxergar a periculosidade de meu cliente e dos pais deste?” – Draco olhava maravilhado para Hermione que a cada frase, a cada questionamento que levantava, subia um tom de sua voz, incrivelmente sem demonstrar nenhuma agressividade.


“Ora advogada, a minha cliente sabia sim do passado dos Malfoy, entretanto como toda mãe zelosa e preocupada com seu filho, ela teme pela criação deste se for educado por pessoas que por muitos anos acreditaram que eram superiores à outros simplesmente por terem uma árvore genealógica com mais bruxos.” – Astória observava o ex com o canto do olho enquanto usava de sua feição angelical para corroborar a fala de seu advogado.

“Estou impressionada! Como sua cliente é uma mulher preocupada e uma mãe zelosa para o filho! Deve ser por isso então que Scorpius escreveu uma carta ao pai, pedindo-o, pedindo não, na verdade, implorando ao Sr. Malfoy que não o deixe passar o natal com a Srta. Greengrass. Onde está....ah sim aqui, gostaria de uma cópia advogado? Na verdade eu só preciso de um pedaço, este bem aqui.” – Hermione entregou uma cópia da carta que Scorpius havia escrito ao pai para Andrews e ainda apontou para ele o trecho que leria em voz alta. –

“Mas o que me esquentou foi ela dizer que vou passar o natal com ela em Paris e depois vamos para Berlim, antes de eu voltar para escola.
Papai diga que isso não será possível, por favor! Eu e a mamãe sozinhos em Paris? Ela vai me deixar em algum quarto de hotel enquanto faz suas intermináveis compras. Depois vamos cear as seis da tarde para que ela possa ir algum baile magnífico enquanto eu devo dormir como um bom menino. E Berlim? Aqueles parentes estranhos dela, que sempre me olham como se eu fosse uma aberração, sei lá por que. Sabe papai, não te contei, mas uma vez os ouvi dizer que mamãe era louca por ter casado com um Malfoy e ainda ter colocado mais um no mundo, ou seja, eu né? Que eu vou fazer lá? Não quero papai, por favor, não deixe ela me levar!
Eu só não quero ir com a mamãe.”



“É mentira! Ele está inventando isto porque não gosta de alguns primos de Berlim com os quais não se dá muito bem. Eu nunca deixaria-o sozinho no natal, nunca! Muito menos o trocaria por algum baile estúpido!” – Astória exaltou-se ao ouvir as palavras escritas pelo filho na carta e ditas por Hermione ali naquela sala.

“Srta. Greengrass, devo pedir que a Srta. se acalme imediatamente, não vou tolerar desrespeito à essa corte. Continue Sra. advogada.” – A juíza Norbert se pronunciou.

“Bom Meritíssima, acredito que Scorpius queira de todo o coração ficar junto do pai, pois nós todos sabemos que crianças tendem a ser muito honestas em relação aos seus sentimentos e separa-lo de alguém que o ama com todas as forças como o Sr. Malfoy ama, seria um atentado contra a felicidade e ao bem estar tanto do filho quanto do pai. Reforço aqui a intenção e a disponibilidade de meu cliente de discutir um acordo de guarda conjunta, visando a convivência de Scorpius tanto com o pai quanto com a mãe.” – a castanha sabia exatamente o que estava fazendo, estava virando o jogo.

“Não faremos acordo nenhum Meritíssima. Minha cliente está decidida quanto à isso, ela requer a guarda total do filho, com restrições, como já dito antes. Visto isso, pedimos aqui para que a ilustríssima magistrada conceda uma autorização para que minha cliente saia do país com o filho para as festas de natal, sem a necessidade da autorização do Sr. Malfoy.”


“Meu cliente refuta tal pedido juíza” – e vendo o olhar desolado de Draco que via a possibilidade de passar as festas longe do filho chegar bem próxima da realidade, Hermione resolveu que era hora de ousar. – “Refuta e pede que conceda à ele o benefício de ter a guarda provisória de Scorpius durante o natal. Afinal, serão três semanas, e Scorpius deverá voltar à Hogwarts logo depois do feriado, não podendo atrasar-se e visto que a celebração de natal dos Malfoy ocorrerá na antiga mansão da família em Wiltshire, creio que isto não atrapalhará nos estudos dele, ao contrário de uma viagem à Berlim agora.” – ela se virou ao final de sua fala e viu os olhos de Draco brilharem de excitação e esperança.

“Meritíssima isso não faz o menor sentido, minha cliente já contava com isto, há quase três meses ela não vê o filho, desde que o Sr. Malfoy levou-o de casa para tomar o trem em Londres para Hogwarts.” – o advogado de Astória tentava contornar a situação, e ela parecia não acreditar que estava prestes a perder aquela batalha.

“Três meses? Mas os pais não podem requisitar visitas aos filhos quando querem em Hogwarts? Meus quatro filhos estudaram lá e pelo que me lembro, via-os regularmente. Não acho que tal direito tenha sido suprimido Srta. Greengrass, então, posso perguntar o porquê de não ter visto seu filho nestes três meses? Não, na verdade não precisa responder, não se dê ao trabalho. Pela carta do pobre do menino posso ter uma idéia de como ocupa seu tempo. Sr. Malfoy, concedo ao Sr. o direito de guarda provisória do menor Scorpius Hyperion Malfoy até a segunda audiência que marco para daqui 45 dias, o documento será expedido e enviado à sua advogada para cumprimento dos procedimentos de assinatura....


..Srta. Greengrass, sugiro que se prepare mais para nosso próximo encontro, dê mais ao seu advogado para trabalhar além de ataques pessoais ao seu ex marido e à família dele, se quiser persistir na idéia de não fazer um acordo, o que na minha visão é o mais plausível. Pense nisso. Sem mais, desejo a todos um feliz natal e um excelente ano novo. Tenham todos um bom dia.” – a juíza deu então por encerrada a audiência, visto que não se chegaria à um acordo, dando portanto mais um tempo para as partes pensarem e trabalharem no caso.

Já do lado de fora, Draco e Hermione tentavam se conter de não se abraçarem e se beijarem ali mesmo, tamanha a alegria de ambos pelo desfecho dessa primeira batalha.

“Você conseguiu! Não que eu duvidasse, mas Merlim, como me sinto mais leve! Meu filho vai passar as festas comigo! Meus pais vão ficar loucos com essa notícia!” – Draco sorria sem parar, o que fazia Hermione sorrir também.

“Eu te disse que bastava dizer a verdade e não ter medo de mostrar a cara! Como já dizia minha avozinha que Deus a tenha, depois da tempestade vem a bonança meu amor!” – Hermione falou para Draco e não percebeu que Astória passava bem ao lado dos dois.

“Meu amor? Já está assim é Draco? Saibam que isso não vai ficar impune, essa sujeira que vocês estão fazendo comigo. Vai ter troco, eu me recuso a deixar você ser feliz seu comensal!” – e dizendo isto Astória puxou a manga da camisa de Draco, revelando uma cicatriz em forma de caveira e cobra, leve, porém ainda presente no antebraço do homem.


“Você é louca Astória! Está fazendo isso porque eu não te amei...podia ter mentido pra você e evitado toda essa loucura, mas prefiro te enfrentar à viver na mentira. E não adianta tentar me atingir com meu passado. Errei e paguei por isso. Aqui está minha marca, a marca negra. Não me orgulho de ostenta-la, mas ela está aqui, não posso fingir que não está. Só que também não me envergonho mais, vejam, a marca de um comensal, têm medo de mim?” – Draco levantou o antebraço e mostrou-o aos que passavam pelo corredor das audiências. Alguns olharam-no assustados, não pela marca, mas pelo barulho que ele fazia. – “Acabou Astória, não adianta usar de um medo morto pra me destruir. Sou muito mais forte do que tudo que tenha a dizer, não caio em suas ameaças fajutas, pois bem, venha, mas venha com tudo que tiver, vamos ver quem vence esse embate, só te aviso que usarei das melhores armas que existem: verdade, confiança e amor. Consegue fazer melhor?”

Pronto, estava feito. Draco falara tudo que estava engasgado na garganta desde que a ex mulher ameaçou tirar-lhe o filho pela primeira vez. Só que o que começou como rancor terminou com um desabafo, um desabafo de como ele não temia mais ser quem sempre foi, não temia mais seu passado e certamente não temia seu futuro. Ele havia decidido ser feliz e não pouparia esforços, e lá no fundo ele sabia que devia tudo isso que sentia à uma pessoa. Hermione. E lá estava ela, quieta, olhando-o exibir a marca negra sem o menor pudor. Temeu por um momento ao pensar que aquilo poderia assustá-la, mas ela não se assustou, pelo contrário, sorriu para ele, indicando que o apoiava na decisão de não mais fugir da vida e isso acalmou seu coração mais uma vez.

Astória por sua vez não conseguia sequer formar frases, sua respiração foi se tornando cada vez mais forte e sem dizer uma palavra mais ela partiu sem olhar para trás.


“Tenho que reconhecer que sua atuação foi brilhante mais uma vez Granger. Porém já aviso que pode esperar uma reação mais forte. O golpe foi duro e Astória vai querer revanche. Nos vemos em 45 dias, boas festas aos dois e juízo.” – Peterson Andrews apertou as mãos de Hermione e Draco e saiu ao encalço de sua agora possessa cliente.

Os dois não disseram nada durante todo do trajeto de volta às suas salas alguns corredores depois das salas de audiência. Ao chegarem às portas de seus escritórios, Hermione resolver falar.

“Vai lá dentro e escreve para o Scorpius. Ele precisa saber do que foi resolvido hoje, ele merece saber na verdade.”

“Merece muito. E eu queria te agradecer também pelo que fez....”

“Eu sei, mas faça isso depois, seu filho merece muito mais sua atenção agora do que eu. E a propósito,” – Hermione estava parada frente à sua porta entreaberta. – “você teve muita coragem agora a pouco de se expor daquela maneira. Estou orgulhosa de você, muito. Agora definitivamente eu vejo que aquele menino irritante e preconceituoso que me chamava de sangue ruim morreu. Morreu no dia que ganhou essa marca, e eu agradeço por isso ter acontecido, do contrário nem eu e nem ninguém conheceríamos o homem de coração bom e amoroso que conhecemos hoje.” – e sem mais dizer, ela entrou e fechou a porta.

Draco sentiu uma quentura no coração e uma sensação de alívio percorreu seu corpo. Ele finalmente havia acertado em alguma coisa, depois de passar anos achando que tudo que fazia, apesar do aparente sucesso, era um fracasso em seu interior. Foi a primeira vez que ele acreditou que alguém se orgulhava do homem que ele havia se tornado, além de seus pais e seu filho. E sentindo-se quente por dentro ele adentrou em seu escritório, sentou-se em sua mesa, pegou pergaminho e uma pena e começou a escrever para o filho, informando-o das boas notícias: passariam o natal juntos e talvez o pai tinha finalmente achado um amor verdadeiro.



Scorpius acordou e depois de se arrumar, tomou o caminho do Salão Principal para tomar seu café da manhã e se encontrar com seus amigos Rose Weasley e Albus Potter. Al já o esperava na entrada do Salão e tinha no rosto uma expressão meio cansada.

“E aí ca.............ra?” – Al bocejara no meio da última palavra.

“Eu to bem, mas você ta beleza? Tem certeza que não vai cair no meu café da manhã?” – Scorpius riu com o amigo e ambos sentaram-se na mesa da Grifinória, onde passaram a tomar café da manhã juntos desde a confusão armada por Rose e Scorpius na mesa sonserina há alguns dias.

“To ótimo, é só aquela detenção que eu peguei com o Slugh, ele me faz etiquetar todas as poções que ele fez desde que voltou pra cá, mas ainda bem que ontem foi a última noite, sabe a que horas eu saí daquela masmorra fedida? Às 2 da manhã! E quase fui pego pela bichenta da Madame Norra...” – Al resmungou com o amigo que somente riu da cara emburrada do Potter.

“Cadê a Rosie? Ela nunca atrasa...” – Scopius disse procurando a ruivinha com os olhos por todo o Salão.

“Ah, ela disse que ia comer e depois ia direto pra biblioteca procurar uns livros pra aula de Herbologia, e cada dia que passa eu acho ela mais parecida com a tia Mione, uma nerd com atração pelo perigo, afinal de contas, ela anda comigo né?” – Al riu gostosamente da descrição que tinha feito da prima.

“É, e é tão bonita quanto a mãe dela também...” – Scorpius falou um pouco mais para si mesmo do que para Albus.

“Scorp....você ta afim da Rosie?”

“Hã? Da Rosie? Quê, não, quê isso...”

“Cara, fala logo. Você ta babando nela. Não que eu goste disso...”

“Como assim não gosta disso? Al....você gosta da Rosie?”


“Quê? Eu não! Ela é minha prima! Não...e não tenta mudar de assunto, eu perguntei primeiro se você tava a fim dela!” – Albus soou nervoso e encarou o amigo loiro.

E enquanto formulava em sua cabeça a resposta que daria ao amigo, sem correr o risco de morrer no decorrer, corujas entraram voando pelas janelas e uma delas, negra, Scorpius reconheceu como sendo de seu pai. Hermes voou até a mesa onde largou um envelope selado com o símbolo da família Malfoy à frente do menino e pousou no braço deste, esperando ser alimentada por ele. Scorpius então deu-lhe um bom pedaço de bacon e a ave levantou voo, para retornar à seu dono.

O menino sabia que muito provavelmente a carta do pai traria notícias sobre o resultado da primeira audiência de guarda entre o ex casal. Abriu o envelope, desdobrou a carta e pôs-se ler.

“Quê que diz aí? Hein?” – Al indagou olhando por cima dos ombros do amigo.

“Posso ler primeiro? Obrigada.” – Scorpius empurrou o amigo de volta no banco.

“Prego. Mas eu quero saber de tudo...”

“Ta, ta. Depois eu te conto, agora deixa eu ir pra um lugar mais calmo ler, aqui ta muita bagunça. A gente se vê na aula, aí te mostro a carta.” – O loirinho disse levantando-se da mesa de desjejum e indo em direção à porta do Salão.

Al acenou com a cabeça e Scorpius passou pela grande porta e subiu dois lances de escada, até um corredor tranqüilo, onde se sentou e finalmente pode ler a carta.



“Querido Scorp, como está filho?

Eu estava pensando, será que você ainda gosta de voar? Parece que a última vez que treinamos foi há séculos, e não há cinco meses só.....falando nisso, será que aquela vassoura que seu avô te deu de presente de aniversário ainda está boa? Porque ele me perguntou se você não gostaria de outra e eu disse que iria perguntar...ah, mas não se preocupe, quando você chegar de viagem nós conversaremos sobre isso.”



Scorpius murchou quando leu o primeiro pedaço da carta, o pai não tinha falado uma linha sobre a audiência e ainda tinha falado como se ele fosse viajar, o que podia indicar que ele teria que “passar” o feriado todo com a mãe na França e depois em Berlim, e não com o pai e os avós paternos. Continuou a ler, talvez ainda restasse uma chance de que tudo que desejava se tornasse realidade.

“Esperamos realmente que faça uma boa viagem filho e estaremos aqui te esperando quando chegar, eu, seus avós e Hermione.

Feliz Natal adiantado e lembre-se que nós te amamos muito.

Papai

PS.: Esqueci de dizer: sua avó mandou perguntar o que gostaria de comer na ceia de natal já que VOCÊ PASSARÁ O FERIADO INTEIRO CONOSCO! Te buscaremos na estação e você terá o melhor natal da sua vida! A mansão já está pronta e só estamos te esperando para montar a àrvore de natal....não se atrase! E sim, eu disse Hermione e não srta. Granger. Na verdade, tenho umas coisas para lhe contar, mas não se preocupe, tenho certeza que irá gostar.

Te amo demais. Papai”


“Shhhhhhhhhhhhh!” – As armaduras do corredor fizeram em coro para o agora eufórico Scorpius.

“Desculpa! To saindo, to saindo... Uhuuuuuu!” – ele falou mais baixinho e correu pelo corredor afora, descendo as escadas para encontrar seus amigos e contar-lhes as novidades.


“E então cara? Pela sua cara as notícias são boas! Desembucha aí!” – Al perguntou ao amigo que entrara na sala de aula com um sorriso estampado no rosto.

“Ei Scorp, ta tudo bem? Al falou que você recebeu uma carta do seu pai, ele falou sobre a audiência? Com quem você vai ficar no feriado? Fala logo!” – Rose indagou.

“Ei ei, calma gente, um de cada vez. Bom, primeiro eu gostaria de dizer que ano que vem não tem pra ninguém , já que eu vou entrar no time da Sonserina e com a vassoura nova que meu avô vai me dar, er, sinto muito Al, a Grifinória vai TER que perder todas pra gente!” – Scorpius riu batendo no ombro do Potter, riso que foi acompanhado por Rose ao ver a cara de poucos amigos do primo. – “Mas enfim, o que eu quero dizer é que meu pai conseguiu. Na verdade, sua mãe conseguiu junto com ele Rosie, eu vou passar o feriado com meu pai e meus avôs Malfoy na Mansão!”

“Ah Scorp que incrível isso! Você deve ta tão feliz!” – Rose abraçou o loirinho e lhe deu um pequeno beijo na bochecha, o que fez ambos corarem e Al emburrar novamente. A prima então deu –lhe também um beijinho na face dizendo – “Ai Al, eu to tão feliz que nem a sua cara emburrada vai me deixar pra baixo!” – fazendo então o primo sorrir.

“Rosie, é sério o que eu disse, sua mãe é quem ta fazendo tudo isso, se não fosse ela acreditar no meu pai, não sei se ele teria chance contra minha mãe e os advogados dela...não é atoa que meu pai gosta tanto dela...”

“Gosta? Você só pode ta doido Scorp, pelo que eu me lembro das histórias que meu pai conta, seu pai e a tia Mione só faltavam se matar quando estudavam juntos! Sério, seu pai tinha uns apelidinhos nada agradáveis pra ela e a tia até chegou a quebrar o nariz dele no terceiro ano! Tia Mione manda bem no soco, hein? Hahaha...”


“E o que te garante que isso não mudou? Sei lá cara, eles são adultos agora, sabem mais da vida, além do mais, passaram por tanta coisa, meu pai foi um comensal, filho de outro, a mãe da Rosie junto com o pai dela e o seu pai quase morreram um monte de vez na segunda guerra bruxa...só to dizendo que as coisas mudaram...”

“E porque você tem tanta certeza que alguma coisa mudou Scorp? Bom, eu sei que minha mãe não odeia o sr. Malfoy e sei pelo que você me fala que seu pai mudou e até pediu desculpas à ela por tudo que a fez passar. O que to tentando dizer é que minha mãe é bem profissional, se ela disse que iria ajudar seu pai, ela vai dar 100% da sua capacidade pra ajudar vocês, mas não sei se ela chegou ao ponto de.....ah, deixa pra lá.”

“Ao ponto de quê Rosie? O que você ia dizer?” – Al indagou à prima.

“Nada não Al, acho que a Rosie só não concluiu o pensamento dela, só isso.” – Scorpius sorriu para o amigo e lançou a Rose um olhar que dizia “eu sei o que você ia falar”. – “Porque a gente não vai sentar? Daqui a pouco o Prof. Longbottom ta aqui. Vamos.”

“Scorp, cadê a carta? Dá aqui pra eu ler?”

“Pra quê Al? Deixa de ser curioso, a carta é dele, não tem nada lá que te interesse, agora vê se fica quieto que o Neville chegou.” – Rose conteve o primo, pois algo lhe dizia que na carta existia algo que pudesse causar transtornos futuros para sua mãe e como não tinha certeza, o que depois ela descobriria pedindo a Scorpius que a deixasse ler, achou melhor não permitir que o primo a lesse antes de saber de tudo.




Com a vitória na primeira audiência os dias pareciam muito mais leves para Draco. Os preparativos para a ceia de natal se intensificaram à medida que o dia da ceia se aproximava e naquele dia 23, depois de ajudar os pais a se instalarem na Mansão, Draco foi para o ministério terminar de acertar as coisas antes que Scorpius chegasse e fazer também um convite especial à alguém já muito especial em sua vida.

Hermione havia chegado mais cedo ao escritório para adiantar o serviço já que durantes as festas de fim de ano os horários de trabalho no ministério eram reduzidos. Contudo, por mais que ela tentasse, não conseguia se concentrar uma vez que a noite passada não saía de sua mente. Depois de mais de uma semana sem se encontrarem fora do escritório, ela e Draco haviam aproveitado uma folga de Hugo que foi em uma excursão de dois dias com a escola trouxa para uma cidade no interior, e passaram a noite juntos no flat que ele arrumara.


Flores, velas, vinho e a companhia perfeita, tudo que uma noite inesquecível deve ter. E foi tudo isso que ele fez para ela. A recebeu com flores, mas como ainda não sabia quais eram as favoritas dela, comprou um pouco de todas que encontrou na floricultura, formando um buquê colorido, alegre e perfumado. O lugar estava todo à meia luz, resultado das velas que Draco havia espalhado pela sala, quarto e varanda. Na mesa da sala uma garrafa do melhor vinho tirado da adega da casa de veraneio dos Malfoy e duas taças postas lado a lado. E ele. Camisa branca, gravata verde afrouxada no pescoço, calça preta, cabelos bagunçados e pés descalços. Ela riu quando o viu assim, diferente de como era nos tempos de escola, sempre tão arrumado, alinhado, visual asséptico, cabelos em ordem. Mas naquela época ele era o Draco Malfoy arrogante, preconceituoso, implicante, desagradável, comensal. Agora, ali naquele momento, ele era Draco Malfoy tranqüilo, descontraído, romântico, humilde, engraçado, feliz. E ela sabia lá no fundo que era em parte causadora dessa felicidade, só não achava que era o momento certo para dizer-lhe isso. Aproveitaria a noite e o que quer que ela lhe trouxesse no dia seguinte.

Só quando já estava nos braços dele foi que Hermione ouviu a música que tocava ao fundo.

So put your arms around around me
And then stay there forever
Let it always be this way
You and me together

So put you arms around me
And I'll never let go
I know that's easy words to say
But I need it more then ever

Your's is the kind of love
makes nothing else feels good enough
And I'm never gonna give you up
Oh no, Oh no

http://www.youtube.com/watch?v=p67eZpp-6Zs&feature=related



E como se ainda pudesse ouvir a música tocando, ela recostou em sua cadeira e fechou os olhos, relembrando cada detalhe daquela noite, cada som, cada gosto, cada cheiro. Sentia tudo com tanta vontade que por um momento realmente achou que estava sentindo o perfume de Draco. Porém quando abriu os olhos percebeu que não estava imaginando, era mesmo o perfume dele, que estava encostado em sua mesa, observando-a.

“Sonhando comigo?” – ele riu.

“Porque você acha que tudo tem que estar sempre relacionado a você? O mundo é bem grande, existem outras pessoas nele além de você sabia?” – Hermione se ajeitou na cadeira.

“Eu sei sim, mas sabe como é, eu não resisto a um pequeno acesso de vaidade quando vejo uma oportunidade. Te incomoda?” – Draco cruzou os braços.

“Se eu fosse me incomodar com cada defeito seu eu estaria perdida!”

“São tantos assim? Agora me preocupei...” – ele fez olhar pensativo e encarou a parede oposta.

“Muitos, muitos eu não diria, mas alguns pequeninos que pra ser sincera, enchem muito o saco às vezes!” – Hermione se levantou e alinhou seu rosto com o dele. –

“Só que você está me vendo reclamar? Você é o que é e por isso faz a diferença na vida de tanta gente.”

“Faço na sua?”

“Muita.” – ela beijou-o levemente nos lábios e deu a volta na mesa.

“Então gostaria de pedir um favor e fazer um convite.”

“Sou toda ouvidos.”

“Gostaria que viesse comigo e meus pais buscar Scorpius. Sei que Rose virá com Potter e os filhos por isso não teria que ir à estação. Só que Scorpius gosta muito de você e eu queria muito que ele soubesse que foi a responsável por ele estar comigo no natal.”

“Tudo bem, Scopius é um menino encantador, gostaria de revê-lo também.”


“Ótimo, agora posso fazer o convite. Não será uma festa, mas minha mãe quer comemorar esse natal mais do que os outros, acho eu que talvez por estar de volta na sua velha casa e também porque depois de muitos anos minha tia Andrômeda aceitou se encontrar com ela. E nós todos, eu, meus pais e Scopius gostaríamos muito de ter a sua presença e a dos seus filhos na ceia de natal.” – Draco falou tudo um pouco rápido demais, contudo Hermione entendeu o que ele pediu.

“Draco.... eu fico muito, muito lisonjeada pelo convite, mas esse é o primeiro natal depois que me separei do Ron e as crianças querem ficar com o pai e eu não posso ficar longe deles... Molly já nos convidou para a ceia na Toca, meus pais inclusive vão para lá. Tem também o Ron e o Harry, como explico isso pra eles?” – Hermione soava aflita e aproximou-se dele.

“Tudo bem, tudo bem, eu sei que é um pouco de loucura te pedir isso, mas não custava tentar não é?” – ele pareceu um pouco desapontado, mas compreensivo ao mesmo tempo.

“Acredite, se não fosse pelos meus filhos eu iria.” – ela disse passando as costas da mão pelo rosto dele.

“Eu acredito, não se preocupe. Mas apesar de você não poder ir, isso não quer dizer que não possa te dar um presente, significa?” – Draco segurou a mão que o acariciava e beijou-a.

“Draco, não preciso de presente. Só quero que você continue assim, feliz como está agora.”

“Se você estiver do meu lado, eu te garanto que fico.” – firmou os olhos cinza nos castanhos dela. – “Mas ainda sim você vai ganhar um presente. Um não, vários, inúmeros!” – ele abraçou a mulher pela cintura.

“Pára! Você sabe que não podemos dar mole aqui, se alguém nos vê, já era tudo.” – Hermione tentou desvencilhar-se dele, em vão.

“Tem alguém aqui agora? Não, então.....” – Draco beijou Hermione lentamente e ela não teve outra opção a não ser se derreter nos braços dele.



No dia seguinte Hermione acordou mais cedo, apesar de não trabalhar já que era véspera de natal. Hugo havia ido direto da viagem da escola para a casa do pai e dos avós paternos e Rose chegaria à tarde na Toca com Harry e os meninos, por isso ela se arrumou tranquilamente para ir até King’s Cross receber Scorpius. Combinara com Draco que se encontrariam na entrada da estação e seguiriam para a plataforma 9 ¾ todos juntos. Saiu de casa com bastante tempo de sobra, nunca gostara de se atrasar e por isso preferia chegar cedo a fazer os outros esperarem.
Como previu, chegou à estação cerca de meia hora antes do combinado, contudo não esperou muito, logo avistou Draco seguido do casal Malfoy saindo de um BMW preto.

“Bom dia srta. Granger!” – o casal disse junto.

“Bom dia sr. e sra. Malfoy, como vão hoje?” – Hermione retribuiu.

“Muito bem querida, melhor agora que sabemos que Scorpius ficará conosco no
feriado e temos confiança que ficará para sempre.” – Narcisa Malfoy respondeu.

“Bom dia Hermione.” – Draco cumprimentara a mulher com um aceno de cabeça, bem diferente dos beijos de bom dia que lhe dava no escritório.

“Bom dia Draco. Vamos indo? Daqui a pouco a estação vai começar a encher e não vamos encontrar um lugar bom para esperar pelo trem.” – a castanha tentou soar o mais natural possível.

Atravessaram a pilastra de tijolos que dava acesso à plataforma mágica e diferentemente do que experimentaram na parte trouxa da estação, o que viram foram caras e bocas de espanto. Afinal, quem imaginaria aquela cena: Hermione Granger lado a lado com Lucius Malfoy, que por vezes ameaçou a vida dela e dos outros dois componentes do Golden Trio, Harry Potter e Rony Weasley.

“Que gente ignorante. Será que não têm nada mais útil para fazer do que encarar não hein?” – Hermione falou num tom de indignação.


“É o preço que se paga por ser, se relacionar e até mesmo andar ao lado de um Malfoy hoje em dia Srta. Granger. O nosso tempo já se foi e infelizmente não conseguimos aproveita-lo bem, mas meu filho está conseguindo reerguer o que já foi um nome de respeito. Com a diferença que agora esse nome realmente vai merecer respeito.” – o Malfoy mais velho falou para ela.

“Draco merece o que está conquistando, de verdade.” – Hermione disse sinceramente.

“Hermione, meu filho disse que não poderá se juntar a nós nesta noite. É uma pena, pois não estaríamos todos reunidos se não fosse você.” – Narcisa falou pegando na mão de Hermione.

“Infelizmente não poderei ir. Iremos todos para a casa dos Weasleys, a Toca. Não sei se sabem, mas me divorciei há menos de um ano e esse será o primeiro natal das crianças depois da separação. Não quero os afastar do pai e além do que, Molly me mataria se eu não fosse!” – ela riu ao terminar de falar isto. – “Contudo agradeço muitíssimo o convite. Realmente, muito obrigada.”

“Oh querida, não tem que agradecer, mas prometa-me que nos visitará nesse recesso, sei que o lugar lhe traz péssimas memórias, mas isso faz parte do que estou tentando fazer, exorcizar velhas e tristes lembranças que marcaram aquela casa.” – Hermione viu que a mulher loira apertou levemente o braço do marido, ao que este retribuiu com um leve sorriso.

“Irei fazer uma visita sim e como a sra. bem disse, acho que um pequeno exorcismo não faz mal a ninguém não é?” – as duas mulheres riram.

“Falta muito tempo pra esse trem chegar?” – Draco que até então estava calado, falou olhando o relógio de pulso trouxa que tinha.

“Calma Draco, daqui uns minutos veremos a fumaça dele virando a curva.” – a mãe tentou tranqüiliza-lo. – “Falo isso por experiência própria, cinco anos seguindo esse mesmo ritual todo mês de junho!”

Os quatro riram e como Narcisa havia previsto, viram a fumaça do Expresso Hogwarts virando a curva, sendo seguida do apito alto.


Os quatro riram e como Narcisa havia previsto, viram a fumaça do Expresso Hogwarts virando a curva, sendo seguida do apito alto.

O expresso veio devagar até parar na plataforma. Uma a uma as portas se abriram com mágica e os alunos começaram a descer. Scorpius foi um dos últimos, o que só fez aumentar a ansiedade de Draco. Quando o menino apareceu, o pai correu para abraçá-lo.

“Pai, pai, paaaaaai! To sufocando! Calma, to aqui, não precisa me matar!” – Scorpius falava tentando se soltar do abraço apertado demais do pai.


Os outros três que aguardavam na plataforma riram do menino e do pai desajeitado.

“Tudo bem, desculpa Scorp. Não queria te machucar filho.”

“Não machucou, é só que eu também preciso respirar né. Vó! Vô!” – o menino correu para abraçar os avós que o esperavam.

“Meu Scorp! Como você cresceu nesses meses, Merlim, como foi que isso aconteceu? O que eles estão te dando em Hogwarts, alguma poção de crescimento? Lucius olhe para isto!”

“Ainda bem que não comprei a sua vassoura, senão ela ficaria pequena. Mas tudo bem, vamos ao Beco Diagonal juntos comprar para você! O que me diz Draco, temos tempo para uma ida até lá?”

“Ah, temos sim pai, podemos almoçar por lá mesmo, vocês nos acompanha não é Hermione?”

“Srta. Granger! Me desculpa, te vi quando desci mas aí meu pai quase me matou com o abraço dele e minha vó me amassou todo também e..”

“Não tem problema querido, como vai? Está gostando da escola até agora?” – Hermione sorria ao ver o brilho nos olhos do menino.

“Ta tudo ótimo, mas tenho que dizer que se não fosse a Rosie eu tava perdido às vezes! E se não fosse o Al também eu não saberia o que é detenção, mas isso a gente deixa pra depois né? Você vai almoçar com a gente lá no Beco não vai?”

“Hahaha! Ah sim, a dupla impossível, é assim que chamamos Rosie e Al lá na família, mas sinto que agora teremos que mudar esse nome para Trio impossível, já que ele tem um novo membro agora! E vou sim querido, mas não posso me demorar, Rosie chega à tardinha com Harry.” – e com isso a castanha recebeu um abraço apertado do loirinho.


Com tudo preparado, os cinco deixaram a estação de King’s Cross no carro de Draco em direção ao Caldeirão Furado. Seria uma tarde agradável, Hermione pensava, ela só não sabia se conseguiria disfarçar com tanta destreza e por tanto tempo assim a vontade que sentia a todo o momento de cobrir Draco de beijos. Mal sabia ela que ele sentia o mesmo e estava disposto a revelar tudo que acontecia entre os dois, não para o mundo, mas pelo menos para os pais e o filho.

“Talvez funcione. Não custa tentar.” – ele pensou antes de atravessar a parede de tijolos que dava acesso ao Beco Diagonal.




O Beco estava como devia estar. Lotado de bruxos de todo o tipo e gostos correndo para as compras de última hora para o natal. Nevava pouco, mas o chão mais parecia uma lama negra, já que a neve estava imunda com tantas pessoas transitando por ali.

Apesar do número grande de pessoas, e quase ninguém prestar atenção a ninguém, os Malfoy junto com Hermione chamavam atenção. Muitos costumavam até virar o pescoço para os olhar seguir pela rua, como se não acreditassem na visão que tinham. Hermione estava cada vez mais irritada com isso e Scorp se sentindo constrangido com tantos curiosos. Já o casal e Draco pareciam ter aprendido a lidar com isso, e aparentavam calma.

Depois do que pareceu um mês para Hermione eles entraram em um restaurante muito luxuoso e lotado.


“Boa tarde, eu fiz uma reserva.”

“Claro senhor, Draco Malfoy.” - O recepcionista de repente tinha ficado pálido e Hermione teve vontade de rir ao perceber que ele tremia.

“Como você sabe que ele é Draco Malfoy?” – Scorp na sua inocência perguntou.
“É, eu, só achei... é que.. han.. bem”

“Tudo bem. Só nos leve a nossa mesa, por favor.” – Draco interviu antes que aquele homem pudesse dizer algo constrangedor.

Cruzaram o grande restaurante recebendo o mesmo tipo de atenção que ganharam na rua. Hermione respirou fundo ao se sentar.

“Somos celebridades ou o que? Parece que a qualquer momento vão me pedir um autógrafo.” – Narcisa sorriu.

“Quase isso querida. Mas o autografo só pediriam a você mesmo.”

“Você é uma celebridade Hermione. Afinal, o trio de ouro salvou o mundo bruxo e porque não trouxa também, não?” – Draco deu seu melhor sorriso para Hermione que se sentara a sua frente. Hermione apenas sorriu de volta.

“Falando em trio. Scorp, soube que você tem dois melhores amigos.” – Lucius perguntou ao neto, que estava ao lado do pai na mesa.

“Sim vô. O Al e a Rose. Eles são ótimos. Mas a Rose é que salva! Nossa ela é uma enciclopédia ambulante. Fora que ela salva a gente de varias enrascadas.” – Todos riram.

“Um Potter, Weasley e Malfoy juntos! Isso que é sinais de novos tempos.” – Lucius disse olhando para Hermione. – “Ah, e uma Granger também, não devemos esquecer. Seu nome é tão referencia quanto os outros, senhorita.” – Hermione se sentiu envergonhada, mas tentou disfarçar.


“Se é para o bem, gosto de ser uma referencia.”

Logo o garçom chegou colhendo os pedidos para o almoço, que transcorreu tranqüilo, entre conversas triviais e até risos graças a Scorp que narrava algumas de suas aventuras com Albus e Rose.

“Adoro mousse de chocolate. Em Hogwarts é tão raro eles fazerem.” – Scorp terminava a sua segunda taça de sobremesa.

“Rose é louca com mousse também. Até fiz uma para ela. São tão poucas as coisas que sei fazer na cozinha, pelo menos uma mousse eu sou perita!”

“Você é perita em muitas outras coisas mais importantes Hermione.” - Draco olhava profundamente Hermione que corou, e pra disfarçar abaixou a cabeça e mirou sua taça, já vazia de doce. Narcisa e Lucius trocaram olhares cúmplices e a loira até deu um discreto sorriso. O silencio constrangedor foi quebrado por Scorp.

“Sabe senhorita Granger, eu comprei um presente para Rose, através do correio coruja, mas não tive coragem de entregar.” – O loirinho ficou vermelho e Hermione agradeceu internamente por ele ter roubado a atenção da mesa pra ele.

“Mas por que, querido?”

“Ahn, é.. não sei. Assim, acho que ia ficar estranho só eu dando presente sabe. Ah, tipo, o menino que gosta de aparecer. Eles diriam isso, eu sei que diriam. E depois, ah, eu não sei se a Rose ia gostar.” – Ele baixou a cabeça e encarou seu colo. Draco sorriu e levantou o rosto do filho para que ele o encarasse.

“Scorp, se você não arriscar jamais saberá se ela gostou ou não. Não deixe o medo te travar, nunca, em nada na sua vida, está bem?”

“Tudo bem papai.” – Ele suspirou. –“Mas é que meio difícil mesmo.”

“Ah, é sim, eu sei que é difícil, garotas são bem difíceis. Mas nada que você não aprenda lidar. Depois vamos conversar melhor.”- Draco piscou para o filho que brilhou os olhos de excitação.

“Ei Draco, ele é só uma criança!” – Hermione tentava esconder um sorriso e parecer séria, mas não conseguiu.


“Ué, e eu vou falar com ele aquilo que eu aprendi quando eu tinha a idade dele. As coisas que eu fazia, nada demais.” – Draco respondeu inocente, ao menos, parecia.

“Ah, então melhor não dizer nada. Draco, meu filho, você nunca foi inocente. Merlim, me lembro de cartas que chegavam à mansão com declarações de amor para você. Três meses foram suficientes em Hogwarts pra você.” – Narcisa falou com um ar de nostalgia.

“Três meses Draco? Como assim?” – Hermione de fato estava assustada.

“Ora, ele é um Malfoy. Malfoy’s não perdem tempo.” – Lucius disse serio, mas todos riram com a afirmação dele.

“Mas Scorp, o que você comprou para Rose?” – Hermione perguntou assim que conseguiu parar de rir.

“Foi a ultima edição de Hogwarts, uma história. Ela saiu no mês de novembro e tive que encomendar ainda em outubro. Quase fiquei sem um exemplar, mas, bem... er,, eu disse que era Draco Malfoy, e bem, de um jeito ou de outro o livro chegou na data certa.” – Os olhos de Hermione brilharam no instante em que Scorp disse “Hogwarts, uma história”. Já Draco gargalhava.

“Espertinho, usando o poder do meu nome!”

“Ah papai, tinha que garantir o presente da Rose. Eles falaram que não teriam condições de entregarem esse livro lá na escola, ainda mais com um pedido de ultima hora. Mas eles tentaram me convencer, que, eu, no caso, Draco Malfoy, já tinha feito o pedido desse exemplar, e que era pra ser entregue em Londres.” – Draco continuava sorrindo. Hermione o encarava.

“Ah é, mas é porque eu comprei mesmo um exemplar.”

“Você tem o último Hogwarts, uma história? Draco! Por que você não me falou? Eu tentei comprar, mas não consegui. Me informaram aqui na Floreios que só teriam em estoque disponível em fevereiro. Nossa, 20 anos sem uma edição nova. Desde os nossos tempos na escola. Imagina quantas coisas não foram inseridas!” – Hermione falava empolgadamente.


“Nossa, acho que vou dar para a senhorita o livro, a senhorita parece gostar muito do livro também.” – Todos riram e Hermione olhou com carinho para Scorp.

“Não querido, imagina. Ele é de Rose e tenho certeza que ela vai amar tanto quanto eu amaria ganhar um exemplar. Eu leio com ela, sem problema. Até pelo menos eu conseguir comprar um pra mim.”

“Você não vai precisar fazer isso Hermione.” – Draco a encarou.

“Como assim? Por quê?”- Ela parecia confusa.

“Porque o exemplar que eu comprei foi para te dar. Eu não sou tão fã assim desse livro, a ponto de não poder esperar até ele estar disponível. Mas eu sei o quanto você o adora, então ele é um dos meus presentes de natal pra você.” – Hermione não conseguia desviar o olhar de Draco. A vontade que ela tinha era de pular aquela mesa e se jogar nos braços dele, ali mesmo. Se segurou.

“Dra... Draco, nossa.. não precisava!” – Ela sorria como uma criança.

“Tem certeza que não precisava? A senhorita me pareceu muito ansiosa para lê-lo!” – Scorp coçou a cabeça.

“Ela só quis ser delicada e educada querido. Coisa sem necessidade Hermione, somos todos amigos aqui.”- Narcisa sorriu para a castanha que estava ao seu lado.

“Não mamãe, não somos todos amigos.” – Draco encarava Hermione que retribuía o olhar e temia pelo que ele poderia dizer. Narcisa olhava para o filho com expectativa, Scorp mirava o pai com curiosidade, enquanto Lucius apenas mantinha um discreto sorriso nos lábios finos. – “Não somos todos amigos, somos muito mais que isso. Eu e Hermione, transcendemos essa barreira. Somos amigos sim, mas também nos amamos como homem e mulher. Estamos apaixonados um por outro e estamos vivendo esse momento com toda intensidade que podemos e desejamos.” – Hermione queria poder voltar a respirar e que seu rosto parasse de arder. Draco estava se sentindo leve como só se sentia por causa de Hermione. Narcisa juntou as mãos como se fosse bater palmas e sorriu feliz. Lucius continuou com seu sorriso discreto, mas Scorp parecia confuso.


“Er.. Draco.. han.. você não deveria...”

“Não se preocupe Hermione.” – Narcisa colocou a mão no ombro de Hermione. – “Sabemos como a situação é delicada e saberemos ser discretos. Esse assunto não sairá daqui. Não é Scorp?” – Então todos olharam para o garoto que parecia não estar digerindo bem a noticia.

“É, acho que sim.”

“Algum problema filho?” – Hermione se sentiu muito insegura. Sabia que se Scorp não gostasse da noticia, Draco seria bem capaz de desistir de tudo.

“Não, é.. na verdade eu já meio que desconfiava que você estivesse apaixonado papai. Mas não sabia que já estavam namorando.”

“Isso tem que ser segredo por você, para que nada atrapalhe o resultado final dessa briga minha com a sua mãe.” – Draco parecia preocupado, talvez não fosse uma boa idéia ter contado assim, de supetão, seu romance para seu filho.

“Tudo bem papai. Eu entendo isso.” – Scorp parecia triste.

“Então por que essa cara, garoto?” – Lucius perguntou, encarando o neto.

“Estou pensando em umas coisas, e ah.. sei lá..”

“O que Scorp, diga.”

“Eu e a Rose vamos virar irmãos?” – Ele perguntou rápido ficando roxo. Hermione respirou fundo aliviada. Entendeu bem o que se passava naquela cabecinha infantil, que talvez já não fosse tão infantil assim. Draco riu muito e Lucius se segurou pra não cair na risada também, quando se dirigiu mais uma vez para o loirinho.

“Você não quer ser irmão dela? Não são tão amigos? Você não gosta dela?” – Scorp arregalou seus olhinhos azuis.


“Lucius, não o torture assim!” – Narcisa ria também.

“Não gosta Scorp?” – Lucius insistia.

“Claro que gosto vô, e muito, muito mesmo..” – Scorp parou por ai, parecia arrependido por ter dito isso com tanta ênfase.

“Você e Rose não serão irmãos Scorp.” – Hermione se compadeceu do desconforto do garotinho. – “Não se preocupe com isso. Eu não estou me casando com seu pai, e mesmo se estivesse, Rose continuaria sendo filha de quem é, bem como você também. Vocês podem e devem continuar sendo amigos, como sempre foram.”

“E podem ser outras coisas também. Não tem problema algum.” – Draco completou maroto, o que o menino voltou a ficar rubro.

“Os dois são novos demais para outras coisas Draco.”

“Não disse para ser agora, disse? Um dia Hermione, um dia...” – Hermione apenas fez uma careta. - “Só isso que te preocupava filho?”

“Claro papai. Gosto muito da senhorita Granger. Você merece ter uma namorada legal e bonita como ela.” – Scorp sorriu charmoso e Hermione teve certeza, que se Rose era tão parecida com ela, como ela suspeitava, aquele garoto não demoraria conquistar sua filhinha como o pai dele fez com ela mesmo.

“Vejo que as Granger são o futuro dos Malfoy!” – Lucius disse olhando Hermione

“Bem colocado pai.” – Draco concordou.

“Han, depois conversamos sobre isso, não é? Acho que tenho que ir. Preciso ir para Toca.” – Hermione estava extremamente sem graça.

“Pensei que ia conosco comprar a vassoura para Scorp.” – Draco questionou.

“É, a senhorita podia nos acompanhar, e assim, antes de irmos embora, eu pego em meu malão o presente da Rose e a senhorita a entrega.”

“Por que você mesmo não a entrega Scorp?” – Hermione sugeriu.

“Não vou vê-la nesse feriado, e não quero dar pra ela na escola. Como eu disse, o povo ia ficar me zuando.” – Hermione riu.


“Tudo bem, mas se demorarmos mais, não poderei esperá-los, realmente está ficando tarde.”

Logo eles saíram do restaurante e foram para a loja de artigos de quadribol. Como o resto do Beco, estava apinhada de gente, mas Hermione conseguiu puxar Draco pelo braço, até um canto, perto de uma estantes vazias, que antes estavam repletas de líquidos para polir vassouras. Por estar sem produtos, aquela parte da loja estava mais tranqüila e parecia não ter ninguém por perto.

“Você é totalmente louco!”

“Por quê?” – Ele perguntou se aproximando dela, enquanto ela se afastava dele.

“Draco, por Merlim! Soltar assim, no meio de um almoço, num restaurante lotado sobre nós? E nem me avisa que tinha resolvido compartilhar tudo isso com a sua família!” – Draco tinha conseguido encurralar Hermione entre ele e uma estante.

“Ai Hermione, eles já desconfiavam, tinham quase certeza, apenas confirmei.” – Draco começava a mexer no cabelo dela. – “Estou me sentindo bem por ter contado.” – Ele se curvou para beijar o pescoço dela, que só pareceu acordar do transe que entrou desde o momento que sentiu o perfume dele mais próximo, naquele instante. O empurrou com força.

“Você perdeu totalmente a noção do perigo! Olha onde estamos! Se alguém nos vê aqui? Merlim.. é melhor voltamos e continuarmos essa conversa depois, em outro lugar mais reservado.”

“Não tem ninguém nessa parte Hermione..” – Ele tentou se aproximar mais uma vez, mas ela se esquivou.

“Anda, Draco, vamos!” – E Hermione saiu na frente sendo seguida pelo loiro. O que os dois nem imaginavam era que tinha sim uma pessoa, do outro lado da estante que ouvira toda a conversa deles, e que naquele momento, mal podia acreditar no que tinha escutado.




N.A:


Gente, obrigada sempre pelos elogios e coments.. !!!!!!



esse cap foi bem menor que o outro.. mas é o pro bom andamento das coisas...



prometo q o proximo será maior



bjosssss

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Comentários: 3

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Leticia Franciele Borghi em 24/09/2011

Comentando só agora, já que eu não conseguia parar de ler.

Sua fic é simplismente perfeita!

Escrita perfeita, história perfeita, Draco perfeito!

aushuahua

Tô amando mesmo, de verdade!

Esperando o próximo capitulo!!

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Larissa do Amaral em 12/09/2011

Ain Draco fofo *_*! To adorando flor,muitooo bacana a historia, atualiza logo heim.
Tbem to escrevendo a minha (muito mais que inimigos) ta ficando bacana,da uma passadinha por la tbem.
Sucesso, estou aguardando anciosa.
bjinho

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por jessica salicio da silva em 09/09/2011

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Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

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